sábado, 11 de janeiro de 2014

MEU SOBRENOME É SARNEY!!



“Quem manda aqui não é a família”: o surto cínico de Roseana Sarney, a Maga Patalójika do Maranhão



“Meu sobrenome é Sarney”


A governadora Roseana Sarney já foi bastante comparada, com alguma razão, a Maria Antonieta. Roseana tem todos os problemas da rainha da França que perdeu a cabeça e mais um: o cinismo.

Numa entrevista coletiva com o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, Roseana subiu nas tamancas depois de uma pergunta que mencionava sua dinastia:

“Quero dizer uma coisa a vocês: isso não existe como família. Eu sou a governadora, eu sou Roseana Sarney. Meu sobrenome é Sarney. Mas eu sou uma pessoa que tenho passado, presente e, se Deus quiser, terei futuro”.

Continuou: “Isso não é a família. E quem está mandando aqui não é a família. Quem está no governo sou eu, que fui eleita em primeiro turno pelo povo maranhense. Assim como representei o Maranhão no Congresso Nacional. Fui deputada e senadora”.

Este último trecho de seu discurso teria ocorrido sob os aplausos de assessores e puxa-sacos: “Então, vocês querem o quê? Querem penalizar a família? Não. Se vocês tiverem de penalizar alguém, eu, Roseana, governadora do Maranhão, sou a responsável pelo o que acontecer no nosso Estado. Muito obrigada”.

Os cumprimentos de seus estafetas foram tão verdadeiros quanto as palavras de Roseana. Todos eles sabem que o estado é um feudo dos Sarney há 50 anos. Isso está evidente nas centenas de prédios públicos, monumentos e vias batizados com o célebre sobrenome, mas não só lá. Está na história recente e triste do Maranhão.

Desde que José Sarney assumiu o governo, em 1966, os parentes tiveram a vida arrumada, uns mais que outros. Um tio que participou daquela campanha, Albérico Ferreira, recebeu como prêmio o cargo de secretário particular. Foi só a primeira de uma série de nomeações. O filho dele, Albérico Filho, e Anselmo Ferreira (outro sobrinho de José) tiveram mandatos na Assembleia Legislativa.

Sarney Filho está no sétimo mandato como deputado federal.

Fernando Sarney, indiciado pela Polícia Federal por evasão de divisas (conta na China) é proprietário do Sistema Mirante de Comunicação, grupo de emissoras de rádio e TV, e vice-presidente da CBF.

Nelma Sarney, cunhada de José, casada com seu irmão Ronald, foi corregedora do Tribunal de Justiça. Ricardo Murad, cunhado de Roseana, é secretário de Saúde. Provavelmente concorrerá a deputado estadual.

No ano que vem, Adriano Sarney (filho de Sarney Filho), Catharina Bacelar (irmã de Albérico Filho) e Vitor Mendes (filho do prefeito de Pinheiro, Filuca Mendes, primo de Roseana) devem sair para deputado estadual.

Isso sem falar nos agregados. É como uma metástase.

A comparação com Maria Antonieta é inevitável, mas alguém teve um achado tão bom quanto: com seu cabelo escuro como a asa da graúna repartido ao meio, Roseana está cada vez mais parecida com a Maga Patalójika, criação do genial Carl Barks, desenhista dos estúdios Disney.

Maga vive numa encosta do Vesúvio e tem como objetivo de vida roubar a moeda número 1 do Tio Patinhas. Vive cercada de gente boa: dois corvos falantes, Laércio e Perácio, além dos Irmãos Metralha e de Madame Min, sua amiga de fé e irmã camarada.

Em ambos os casos, na França ou no Vesúvio, qualquer coincidência com a realidade é mera semelhança.

“Isso não existe como família”

Kiko Nogueira


Povoado vizinho de Pedrinhas reflete pobreza e violência do Maranhão

Localidade fundada por parentes de presos há 20 anos sofre com falta de saneamento básico e médicos e com a alta criminalidade 

Há 20 anos, uma pequena vila surgiu no entorno do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, zona rural de São Luís, fundada por parentes de presos. O povoado cresceu e hoje, apesar da declaração da governadora Roseana Sarney (PMDB) de que o Maranhão está mais violento porque ficou mais rico, a realidade ali é só de pobreza e violência. A comunidade sintetiza indicadores sociais e econômicos que põem o Estado nas piores posições em relação ao País.

Veja também: 

Márcio Fernandes/Estadão

A dona de casa Lucicleide vê da sua janela as rebeliões no complexo penitenciário

Com o tempo, a área passou a ser ocupada por desempregados, que não conseguiam morar em outro lugar. Com o clima tenso das rebeliões e da crise de segurança no Maranhão, aqueles que têm parentes detentos preferem não falar e quem fala relata a ausência do Estado.

"O governo não faz nada pela gente aqui", diz a dona de casa Lucicleide Meireles Trindade, de 31 anos, que da janela de casa vê as violentas rebeliões no complexo que ficou mundialmente conhecido pelo cotidiano sangrento. "Às vezes, o pessoal foge daí e vem parar aqui, com a polícia atrás dando tiro. Eu me escondo aqui dentro."

O medo de Lucicleide é justificado pelas estatísticas. Nos últimos 13 anos, os assassinatos cresceram 460% no Estado. Além da violência, a renda per capita média continua a pior do Brasil - R$ 360,43, diz o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

A dona de casa atualmente está desempregada, o que ajuda a derrubar os índices de renda. Sem conseguir o benefício do Bolsa Família, ela vive com três filhos do dinheiro enviado pelo marido, que trabalha como mecânico em Minas. Lucicleide conta que ao lado de casa há um posto de saúde quase sempre sem médicos e os filhos estudam em uma escola onde os professores faltam com frequência, sem repor as aulas.

O Maranhão tem o maior número de miseráveis em relação à população, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 6,5 milhões de habitantes, 1,7 milhão está abaixo da linha da miséria - vive com até R$ 70 por mês.

A falta de saneamento também simboliza a pobreza do Estado e de Pedrinhas. A doméstica Neide Estelma, de 36 anos, conta que falta o básico. "Não bastam os presos que vivem fugindo, o esgoto da prisão vaza todo para cá", conta. Diante das dificuldades, o maranhense vive menos - o IBGE atesta que a expectativa de vida é a pior do País, com 68,7 anos em média.

"As políticas públicas do governo estadual são pífias. A corrupção se torna estrutural", afirma o historiador Wagner Cabral, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). "O Estado tem uma população fragilizada, que vai ser enganada e se transformar em trabalhador escravo ou precário", diz.

Poder. De acordo com Cabral, a família Sarney usa o governo federal como tábua de salvação em razão do Bolsa Família. Durante a crise da segurança, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio tentar apagar o fogo dos aliados. A sensação, porém, é de que a situação de crise poderia ter sido evitada.

Para o ex-secretário de Administração Penitenciária Sérgio Tamer, havia sinais de que "algo estava errado" em Pedrinhas. Segundo ele, houve uma "repentina elevação" na superlotação carcerária quando seu sucessor, Sebastião Uchôa, assumiu, o que acabou com a estabilidade do sistema.

O presidente da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Zema Ribeiro, afirma que a crise abalou fortemente Roseana. "O problema saiu dos muros da penitenciária. Agora tem incêndio de ônibus, criança morrendo queimada, atrocidades que estão deixando os muros", afirma. "Há uma comoção maior por parte da sociedade e isso tem colaborado com a onda de pânico." / COLABORARAM ERNESTO BATISTA, ESPECIAL PARA O ESTADO, e FABIO LEITE 


http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,povoado-vizinho-de-pedrinhas-reflete-pobreza-e-violencia-do-maranhao-,1117443,0.htm

http://www.folhapolitica.org/2014/01/violencia-acontece-porque-maranhao-esta.html 

http://www.folhapolitica.org/2014/01/documento-da-wikileaks-aponta-que.html

http://www.folhapolitica.org/2014/01/governo-roseana-gastara-r-14-milhao.html

http://www.folhapolitica.org/2014/01/fundacao-sarney-mantida-com-dinheiro.html



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