sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A ARTE DE NÃO DIZER NÃO - Fernando Sabino




Se é difícil arrancar do Brasileiro em geral um NÃO, mais difícil ainda é arrancar do Mineiro, em particular, um SIM.

Um amigo me fala na sua recente viagem a Belo Horizonte, onde ele foi jantar na casa de uma Tia. Lá estava, em visita, um rapaz amigo de seus primos, a quem a dona da casa perguntou se não queria ficar para jantar.

- Muito obrigado, mas tenho de ir andando, respondeu o rapaz.
Ela Repetiu o convite, ele tornou a agradecer e recusar.

- Fica para jantar insistiu ela, pela terceira vez, e pela terceira vez ele recusou.
- Não faça cerimônia, janta aqui com a gente ela convidou, pela Quarta vez.
- Não é cerimônia, é que não posso mesmo ele recusou, pela Quarta vez.
- Então ela se voltou calmamente para a empregada:
- Põe mais um lugar na mesa que ele vai ficar para jantar conosco.

O Rapaz Ficou.
Findo o jantar, meu amigo, ainda assombrado, chamou a tia de lado e pediu uma explicação. Era demais para ele, tinha de entender aquele complicado cerimonial Mineiro. 

- É isso mesmo esclareceu ela.
- A primeira vez ele recusou por educação.
- A Segunda, para ver se eu não estava convidando também só por educação. 
- A terceira, porque não sabia se havia comida que desse para ele. 
- A Quarta, finalmente, ele havia aceitado, mas não ficava bem dizer SIM depois de ter dito três vezes NÃO.

Fernando Sabino



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