sábado, 9 de novembro de 2013

NÃO PREJUDICO NINGUÉM. POR QUE AS COISAS NÃO DÃO CERTO PARA MIM? Chico Xavier e amigos



Muitos de nós, criaturas encarnadas, passamos por situações que por vezes julgamos não merecer. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo “Justiça das Aflições”, encontramos a seguinte explicação: “Por que para uns nada dá certo, enquanto para outros tudo parece sorrir? E o que ainda fica mais difícil de entender é ver os bens e os males tão desigualmente divididos entre viciosos e virtuosos e ver os bons sofrerem ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica as desigualdades, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que se admita a existência de Deus, só se pode concebê-lo em suas perfeições infinitas. (...) Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho nem com parcialidade. 

As contrariedades da vida têm, pois, uma causa e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que cada um deve se convencer: Deus, pelos ensinamentos de Jesus, colocou os homens no caminho da compreensão dessa causa, e hoje considera-os suficientemente maduros para compreendê-la. Eis porque a revela inteiramente pelo Espiritismo, ou seja, pela voz dos Espíritos. As contrariedades da vida são de duas espécies, ou, pode-se dizer, de duas origens bem diferentes, as quais é muito importante distinguir: umas têm sua causa na vida presente, outras não nessa vida. (...) 

O homem não deve se esquecer nunca de que está num mundo inferior, ao qual está preso devido às suas imperfeições. A cada contrariedade ou sofrimento da vida, deve dizer para si mesmo que, se estivesse num mundo mais avançado, isso não aconteceria e que depende dele não retornar a este mundo, trabalhando por sua melhoria”. 

Marisa Fonte – Guia da Doutrina Espírita 


Complemento: 

JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO

E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 
João 

A humanidade continua debatendo-se em meio ao nevoeiro denso do sofrimento, mesmo após a vinda do Cristo ainda não compreendemos o caminho que leva à Justiça do PAI, a qual estamos todos inseridos. 

Dezenove séculos se passaram e DEUS em sua infinita bondade permitiu que o véu fosse rasgado em prol da humanidade perdida e assim iniciou-se uma nova investida da LUZ, para que os cegos enxergassem, para que os surdos escutassem. 

Assim vimos o conhecimento da Justiça Divina atravessar os céus e por intermédio de homens de boa vontade as vozes dos espíritos espalharam-se pelos quatro cantos da abóboda azul para que o homem pudesse enxergar e compreender de forma mais perfeita. 

O Espiritismo é de ordem Divina, abrandou todos os corações de boa vontade que por esforço próprio conseguiram entrever a verdade. 

Desde o momento em que o Codificador Francês transcreveu a última linha da obra “O céu e o inferno” foi dado ao homem compreender com clareza os mecanismos da Justiça Divina cujo único objetivo é a glorificação do Espírito. 

E um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 
Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. 
(Mateus: 22, 35-39) 

Antes destes dois princípios, somente a dúvida acompanhava aqueles que desejavam de alguma forma compreender como se processa a Justiça Divina, necessário se faz que o homem eleve-se acima desta vida, é preciso olhar para o passado, para as existências anteriores onde encontram-se as causas dos sofrimentos e das alegrias de hoje. 

Sem o conhecimento da reencarnação jamais conseguiremos conceber um Deus soberanamente bom e justo, pois de alguma forma Ele se tornaria parcial, uma vez que alguns nascem em berço de ouro, enquanto outros em condições paupérrimas, como explicar aquele que brota saúde em frente ao que desde tenra idade demonstra fragilidade orgânica, inúmeras doenças, problemas psíquicos, famílias onde seus integrantes odeiam-se entre si, enquanto que em outras a paz reina soberana, como entender os laços que nos ligam sem levar em consideração as vidas anteriores da criatura? 

Velhas concepções, já desgastadas pelo tempo, que já não atendem mais as necessidades da razão, nem o avanço da ciência, acabaram por criar uma lacuna entre o conhecimento atual e as noções do Céu, do Inferno, do sofrimento, das angustias e das alegrias. Era necessário que algo novo viesse para que pudéssemos vislumbrar com maior nitidez o Pai Amado, ao qual devemos tudo o que somos. 

CAUSAS DOS SOFRIMENTOS 
Não é possível que o PAI tenha sido injusto com aquele que sofre desde tenra idade, mesmo não sabendo por que sofreu, aquele que sofre deve ter a consciência que os tormentos porque passa é efeito, não causa. 

Como pode ser assim se nenhum mal fez nesta vida? Bem, pode não ter feito nada nesta vida, mas é imprescindível considerar as vidas anteriores, deve ser considerada a individualidade, que tem na existência atual nada mais que o resultado dos desajustes cometidos em existências anteriores e que não foram reparadas. Aqui um ponto muito importante, o Divino MESTRE jamais enunciou o sofrimento como algo indispensável para que o ser humano cresça, mas a rebeldia que faz do sofrimento o último recurso para que o homem acorde do seu egoísmo e passe a modificar seu mundo mental. Segundo Emmanuel o sofrimento consegue penetrar nos escaninhos da consciência de uma forma que não podemos ainda compreender, no entanto é sempre um benefício para o renitente que não quer ver nada além de si mesmo. Com certeza a receita para o nosso crescimento não é a dor, mas sim o AMOR, algo que está no âmago de todos nós, pois somos centelhas Divinas, a nossa origem, o pano de fundo da nossa consciência é DEUS e ESTE não quer que sua criatura sofra, mas que se eduque e viva em fraternidade. 

Há que se reparar também na proporcionalidade entre a falta e a pena, não podemos conceber que uma falta temporária, resultado da imperfeição do homem possa ter uma conseqüência eterna e irrevogável, se assim fosse, não haveria justiça. Se Deus é perfeito, a condenação eterna não é possível. 

Todos sofrem na medida que fizeram os outros sofrerem até que se arrependam e sintam a necessidade de reparação onde então poderão enxergar um fim para situação penosa. 

Há que considerar também as dificuldades que tem origem nos atos cometidos no presente, segundo André Luiz 80% dos nossos problemas atuais não tem origem no passado, mas na desordem mental a que nos entregamos. A imprevidência, o orgulho e a vaidade são algumas das causas presentes da falência dos homens na vida presente. Tendo consciência disto é muito importante nos questionarmos todos os dias a respeito do que fazemos ou deixamos de fazer e quais as causas que nos fazem tomar nossas decisões, uma análise diária de nossos atos auxilia na reconstrução dos nossos destinos. 

Para que o sofrimento seja proveitoso é necessário aplicar algo que Divaldo Pereira Franco sita em uma de suas entrevistas sobre a Justiça Divina. 

“Resignação dinâmica”, ou seja, aceitar o destino como processo natural para o nosso adiantamento, sem deixar por isso, de buscar a melhoria da nossa condição. Ou seja, é não revoltar-se contra DEUS pelas vicissitudes do presente e fazer o máximo possível para melhorar cada vez mais". 

“Aflição de hoje, dívida de ontem” 

“Merecimento de agora, crédito de amanhã” 

“Cada problema que te procura é semelhante ao trabalho de análise dirigida, como a radiografar-te certas zonas do ser, de modo a verificar-lhe o equilíbrio.” 

“Nossas dores respondem, assim, pelas falhas que demonstremos ou pelas culpas que contraímos” 

“A Lei estabelece, porém, que as provas e as penas se reduzam, ou se extingam, sempre que o aprendiz do progresso ou o devedor da justiça se consagre às tarefas do bem, aceitando, espontaneamente, o favor de servir e o privilégio de trabalhar” 
Emmanuel 

A LEI DO PROGRESSO 
O Universo em sua distribuição de galáxias, sistemas e planetas está totalmente submetido aos ditames da sintonia, alguns mundos, até mesmo regiões de um planeta, o nosso por exemplo, está inacessível aos espíritos que não atingiram um grau satisfatório de purificação, se assim não fosse, muitos espíritos endurecidos no mal seriam causa de perturbação para espíritos que já sintonizaram com as leis do Criador e assim não haveria justiça. Mas a misericórdia de DEUS é infinita e permite que em um mesmo planeta reencarnem espíritos das mais variadas categorias, os mais adiantados auxiliam os mais atrasados, os mais atrasados devem perseverar para alcançar o grau de adiantamento necessário para conquista da própria felicidade, , mas no momento do desencarne, o homem sempre recebe a colheita daquilo que plantou quando vivo, se esforçou-se para crescer moralmente, se tornou-se um homem caridoso que não pensa apenas em si mesmo, será o momento de refazer as energias, aprender e seguir evoluindo no mundo espiritual, ao passo que aquele que não teve como objetivo mais do que enriquecer-se com às coisas do mundo, que pensou apenas em si mesmo, será o momento de refletir sobre seus erros, muitas vezes necessitando passar por zonas de esgotamento de resíduos mentais (Umbral) até que chegue o arrependimento e assim de início a uma nova caminhada que com certeza deve ser mais fraterna. 

Diante do PAI não importa o caráter da missão, nem a magnitude, mas com quanto amor ela foi executada, pode ser um simples carpinteiro, se foi um homem de bem é maior do que o rico presunçoso que nada mais vê além de si mesmo. 

O progresso depende da própria individualidade, levar mais ou menos tempo para chegar ao objetivo será de acordo com as escolhas da própria consciência. O PAI não interfere no livre-arbítrio da criatura, aguarda compassivo até que o ser desperte e sinta em si mesmo a necessidade de dar mais um passo na escala evolutiva. 

A LEI DIVINA também prevê o nível de responsabilidade de cada criatura pelo conhecimento já adquirido, quanto maior o conhecimento, maior a sua responsabilidade, pois sabe o que é certo, sendo portanto mais culpado por atrasar a própria felicidade. 

O Mestre inesquecível de nossas vidas nos deixa uma grande esperança com relação à Lei do progresso, quando nos diz: “Nenhuma das ovelhas que o PAI me confiou se perderá”, isso significa que o homem terá as oportunidades necessárias para se libertar de suas imperfeições e o Mestre estará sempre conosco através de seus enviados, nos sustentando em todas as nossas deficiências sem nos eximir da responsabilidade, do compromisso de cada um com a própria evolução. 

“Para todos nós, que temos errado infinitamente, no caminho longo dos séculos, chega sempre um minuto em que suspiramos, ansiosos, pela mudança de vida, fatigados de nossas próprias obsessões” 

“A Lei do progresso confere a cada espírito a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, afim de que a justiça estabeleça o merecimento de cada um, na pauta das próprias obras” 
Emmanuel 

A REENCARNAÇÃO 
“Os discípulos lhe perguntavam, dizendo: Pois por que dizem os Escribas que importa vir Elias primeiro? Mas Ele respondendo, lhes disse: Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas: Digo-vos porém, que Elias já veio, e eles não o conheceram, antes fizeram dele quanto quiseram". 
Jesus 

Allan Kardec nos diz: “Assim como para o trabalhador o sol nasce no dia seguinte, e começa uma nova jornada, em que pode recuperar o tempo perdido, para eles também brilhará o sol de uma nova vida, após a noite do túmulo, e na qual poderá aproveitar a experiência do passado e por em execução suas boas resoluções para o futuro.” 

Dentro da Justiça Divina para que os Espíritos alavanquem o seu próprio progresso, ainda temos a reencarnação, que é o retorno da individualidade ao mundo material, através de um novo corpo de carne, onde o espírito recebe nova oportunidade de crescimento. Mas qual a necessidade da reencarnação? Vejamos. 

Espíritos ainda carentes de evolução cometem por muitas vezes atos censuráveis dos quais se penaliza após adquirir consciência dos atos indevidos de que foi autor, a consciência em processo de culpa não consegue entrever o caminho da reparação e com isso trava seu avanço. Para que possa prosseguir sua jornada sem a culpa do passado que invariavelmente não resolve nada, pois o que permite ao ser a felicidade e a tranqüilidade de consciência é justamente a reparação então o espírito volta ao corpo, um véu é lançado sobre o passado, então se sente livre para tomar novas resoluções. 

“O Espírito sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito”

Porém este eclipse da consciência não é total e o espírito carrega consigo de forma latente suas boas e más inclinações e cabe aos genitores aparar as arestas desta criatura incentivando o bem, como é grande a responsabilidade dos Pais, pois tem uma oportunidade de auxiliar o espírito a fazer o bem que lhe faltou no passado, por isso se justifica que no nosso planeta a infância tenha um período maior, justamente para que os pais exerçam sua influência por um maior período sobre seus filhos, o que não se confirma nos mundos superiores onde a infância sendo de curta duração, confere independência ao espírito em um tempo muito menor. 

Francisco Cândido Xavier dizia que ninguém poderia escrever um novo começo, mas todos podem recomeçar e escrever um novo fim, ou seja, o espírito receberá quantas oportunidades necessitar em reencarnações inumeráveis para realizar o seu aperfeiçoamento. 

Todas as existências do homem na terra não são elos perdidos no caminho do espírito, são apenas a continuidade umas das outras, onde os atos do espírito em uma vida repercutirão na próxima e assim sucessivamente, por não lembrar e estar temporariamente sob o véu do esquecimento, poder-se-ia inferir que não existe este elo, mas a criatura se purificando, torna sua indumentária cada vez mais tênue e este véu não sendo mais tão espesso acaba por abarcar a realidade mais completa e guarda consigo a lembrança mais vasta de suas experiências anteriores. 

Alguns irmãos podem achar que a reencarnação é fruto de uma punição do Criador contra a Criatura, o que não se confirma, pois é justamente na reencarnação que reside a maior oportunidade, uma verdadeira concessão em favor do espírito para que possa operar sua própria recuperação. 

“Livres, estamos interligados perante a LEI, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a LEI, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas”. 

“Ninguém entrará no reino dos céus se não nascer novamente” 

“Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a Lei” 
Allan Kardec

A LEI DE AÇÃO 
Poderíamos por um momento acredita que apenas o fato de ser perdoado por nossos desafetos seria o suficiente para que a nossa consciência livrar-se do peso de uma má ação praticada, no entanto, sabemos que não é bem assim. 

“Reconcilia-te com o teu inimigo” nos disse o Mestre, e aí sim, encontra-se um meio efetivo para que possamos rearmonizar a desarmonia de que fomos responsável, é preciso invariavelmente aliar arrependimento e reparação para ficar quites com a LEI, sem uma ou outra não alcançamos o intento. 

Ao contrário do que se pode achar esta LEI não vem de fora, mas de dentro, pois é nossa própria consciência à medida que avança que não dá descaso e exige a reparação. 

Nos diz Allan Kardec: “Unicamente a reparação pode anular o efeito, em destruindo a causa; o perdão seria uma graça e não uma anulação”. 

Agora, se invertermos os papéis, temos uma lição diferente, o perdão liberta quem perdoa e não quem praticou a falta, quando nós perdoamos, nos sentimos verdadeiramente livres e mais felizes, ao passo que aquele que foi perdoado deverá invariavelmente reparar o mau que fez. 

A grande LEI da Justiça Divina se traduz perfeitamente nesta máxima. 

“A cada um conforme suas obras” 

Deus não produziu o mal, mas este é fruto da ignorância dos homens, DEUS apenas o permite, porque sabe que dele sairá um bem maior. 

“Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos” 
Emmanuel

LAÇOS DE FAMÍLIA 
Temos que considerar os laços de família enquanto encarnados e os laços de família após o desencarne. 

Durante a existência terrestre os laços de família consistem nos laços consanguíneos, porém no mundo espiritual não se passa exatamente assim. Para o ser desencarnado os laços de família são construídos ou extintos pela afinidade, pelas inclinações do ser. 

Uma família encarnada na terra unida pelos laços consanguíneos não será necessariamente a família espiritual, no momento do desenlace da matéria densa o espírito vai ter com aqueles que conservam as mesmas aspirações, por exemplo, espíritos ligados à boemia encontrarão os ébrios, espíritos com interesse por substâncias tóxicas encontrarão viciados no mundo espiritual assim como espíritos caridosos certamente terão como companhia espíritos da mesma envergadura. 

Também podemos considerar as ligações antagônicas, que constituem as famílias antipáticas, o filho que não suporta a mãe, o pai que não suporta a filha ou os cônjuges que não se toleram. Estes espíritos geram laços de família por vezes justamente para que substituam os laços de ódio até que se tornem afins, pois o destino da humanidade é a fraternidade completa. Enquanto uns servem de provas para outros, servem também de meio de progresso. Os maus se melhoram ao contato com os bons, afinal DEUS ajuda o homem pelo homem. 

“Corpo doente, companheiro difícil, parente complexo, chefe amargo e dificuldade constante são oportunidades que se renovam” 

“E em toda parte, o verdadeiro campo de luta somos nós mesmos” 

“O Lar é instituto de regeneração e amor, onde retomas a convivência dos amigos e desafetos das existências passadas para a construção do futuro melhor."

“O lar pejado de sacrifício, a família consanguíneo a configurar-se por forja ardente, a viuvez expressando exílio, a obrigação qual golilha atada ao pescoço, o compromisso em forma de algema e a moléstia semelhando espinho na própria carne constituem liquidações de longo prazo ou ajuste de contas a prestações, para que a liberdade nos felicite.” 

“Trazes hoje, na própria casa, a presença de certos familiares que te acompanham à feição de verdugos. Entretanto são eles credores de ontem, que surgem, no tempo, pedindo contas” 
Emmanuel 

A VIDA FUTURA 
Eis uma questão que nos aflige de certo modo, porque sem termos a noção de que a vida não cessa no cerrar dos olhos cometemos muitos equívocos que prejudica o caminho evolutivo do ser. Não tendo consciência de que a vida futura depende das nossas ações no presente, o indivíduo busca todos os prazeres materiais ao seu alcance, sem se preocupar com as conseqüências. 

O homem pensando apenas no presente comete todos os excessos possíveis, bebidas, fumo, sensualidade e acaba construindo para si mesmo problemas de ordem moral e física. É comum nos depararmos com recém nascidos que já trazem desde o útero da mãe problemas vasculares, pulmonares, renais, hepáticos. Problemas conquistados ao preço dos excessos de outros tempos. 

E assim o homem empilha faltas inúmeras contra a própria consciência, por pensar que ao morrer tudo estará terminado. 

A morte para o materialista, que pensa apenas nesta vida tem caráter horrendo, dor, sofrimento, sentimento de perda são alguns dos temperos deste momento para aqueles que passaram a vida alimentando o ateísmo. 

Quando nos deparamos com a enfermidade de alguém em tenra idade, abonado, com tudo que a vida pode oferecer a mão logo nos apressamos em dizer.

- Coitado, é uma pena, ele tinha tudo, era muito feliz. 

Nem por um momento pensamos na fase evolutiva daquele ser, nem nos apercebemos de quais as conseqüências desta pseudo tragédia para as vidas futuras desta criatura. Apressamos-nos em dizer que Deus é injusto, que se Deus existisse nada disso estaria acontecendo. Erramos sempre ao desconsiderar a vida futura. 

A ignorância espiritual, o desinteresse com as coisas além da matéria, o ceticismo costumeiro e a despreocupação com o próprio destino sempre proporcionarão como colheita o medo, a incerteza e a decepção. 

Quando a humanidade compreender que a vida presente não passa de um elo entre a vida passada e a vida futura se tornará mais razoável em suas resoluções, mudarão radicalmente os valores e com certeza uma nova humanidade estará sobre a terra, renovada nos seus conceitos. A preguiça, os excessos de toda ordem e o materialismo desmedido serão afastados para que seja valorizada a vida, as qualidades morais, a vontade de avançar espiritualmente, com certeza a terra estará transformada. 

Nos diz Alan Kardec no livro “O céu e o Inferno” que a duração da expiação está subordinada ao melhoramento do culpado, vejamos que não é subordinado ao sofrimento do culpado e sim a sua depuração, as suas boas ações. 

O homem quando desencarna responde por todos seus atos na terra, pelas mazelas que não aniquilou do seu caráter, durante sua vida na carne, suas dificuldades ou facilidades dependerão do maior ou menor grau de depuração a que alcançou. 

Para a parte da humanidade que reside na Terra cabe ainda mais uma responsabilidade, uma vez que já teve todos os meios para se instruir já não pode mais se contentar em apenas não fazer o mal, também será considerado como falta todo o bem que poderia fazer e não fez. Facilmente chegamos à conclusão de que conhecimento é responsabilidade, nada que o PAI nos confia deve ficar a cargo da preguiça. 

“Materialismo, afrodisíaco da irresponsabilidade moral” 
Emmanuel 

O CÉU E O INFERNO – OS ANJOS E OS DEMÔNIOS 
O céu e o inferno, muito além de regiões específicas do Universo devem ser considerados como o momento de cada um em seu próprio universo Evolutivo. 

“O Reino dos Céus é dentro de voz” nos diz o mestre." 

O que isso quer nos dizer? Qual a mensagem por trás das palavras do MESTRE? Jesus se referia ao estado de consciência de cada um, as dores ou as alegrias que cada um trás em sua consciência, pelos próprios atos construímos o nosso céu, ou o nosso inferno, depende da escolha que fazemos; avançar ou estacionar, nos despojarmos de nossos preconceitos, vícios, excessos ou simplesmente mantê-los. 

Há que considerarmos também a contraparte física destes conceitos, as regiões do Universo são diferenciadas pela vibração que as caracteriza, em seus infinitos níveis de energia, desde as mais densas, regiões onde habitam espíritos culpados, renitentes no mal até as mais sutis onde podemos denominar como esferas elevadas. 

Os espíritos em evolução estão encapsulados em diversos níveis de energia, do mais denso ao mais sutil podemos citar sete (Físico, etérico, Astral, Mental Concreto, mental abstrato, búdico e átmico) 

Através de suas ações, de seus pensamentos e sentimentos o homem adensa ou sutiliza seus corpos de manifestação, quando desencarna leva consigo este “peso” que o situa entre as diversas regiões que circundam o orbe onde habita. 

Um espírito que quando encarnado teve como norte de sua vida o Evangelho do Cristo, vivenciou a caridade e o amor ao próximo com certeza sutilizou sua roupagem fluídica e fica em condições de habitar as esferas mais elevadas, tem mais liberdade de ação, pode se deslocar com mais facilidade, encontrar aqueles que ama. 

Já o homem que preferiu carregar em si mesmo as chagas da humanidade: o Egoísmo, o ciúme, a avareza, que prejudicou o seu irmão, em fim, que foi completamente alheio aos preceitos da vivência cósmica, adensou sua roupagem fluídica e com certeza não terá acesso as esferas mais elevadas quando cerrar os olhos do corpo físico, habitará no inferno que construiu para si mesmo até que a consciência se reajuste na senda do bem e a individualidade receba nova oportunidade de recuperar a si mesmo nascendo em um novo corpo de carne, carregando os estigmas que alimentou no passado. 

A felicidade, a tristeza, o céu e o inferno são conquistas do espírito, cada ato, cada pensamento, cada palavra carrega consigo o tijolo que edifica o próprio destino. 

Importante destacar que nenhuma criatura está fadada ao inferno eterno, ou seja, a estar sempre habitando o sofrimento. A LEI do progresso é clara, nada que foi criado por DEUS está fadado a derrota, ao sofrimento. A criatura sempre encontrará ensejo de crescer, de evoluir e de subir os degraus da Evolução. 

Nos diz Allan Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que o Céu é ganho pela caridade e pela brandura”. 

E os Anjos? Seriam seres privilegiados? Teriam eles sido criados já com toda a sabedoria e devotados ao sumo bem? 

Segundo a Doutrina espírita os Anjos não são seres privilegiados, pois se houvesse dois sistemas de criação, não haveria justiça e, por conseguinte DEUS não seria perfeito. 

Os Anjos de acordo com o Espiritismo são espíritos que já passaram por inúmeras experiências neste e em outros mundos, são seres que passaram por todas as etapas do processo evolutivo e alcançaram considerável evolução, o que lhes confere perante algumas doutrinas o título de Anjos, que para o Espiritismo são Espíritos muito avançados moral e intelectualmente, que já possuem uma união mais perfeita com o pai, fruto de seus esforços nos milênios incontáveis. 

E os Demônios? Seriam seres criados exclusivamente criados para o mal e para sempre o serão? Será que algo que foi criado por DEUS que é soberanamente bom e justo vai negar pela eternidade a sua origem Divina? 

Segundo a Doutrina Espírita a resposta é não. Demônios, espíritos maus, nada mais são que espíritos pouco esclarecidos, que por seu orgulho, sua vaidade e teimosia persistem por tempo indeterminado nas faixas mais baixas da vida, o que não podemos dizer que será para sempre, pois só depende do seu livre-arbítrio reformar-se e dar um passo na direção do criador. Portanto serão maus enquanto quiserem, pois como todas as criaturas também são dotadas de livre-arbítrio bastando uma vontade firme para dar início ao seu processo de renovação. 

“Deus não concede privilégios, em qualquer estância do Universo, a alma recebe, inelutavelmente, da vida o bem ou o mal que da de si própria” 

“O criador concede as criaturas, no espaço e no tempo, as experiência que desejem, para que se ajustem, por fim, às Leis de bondade e equilíbrio, que o manifestam. Eis por que, permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós” 

“O inferno, consolidado por localidade inferior ou estância de suplício, depois da morte, começa de cada um e comunica-se, pessoalmente, de espírito desvairado a espírito desvairado” 

“A providência Divina permite a colonização dos seres bestializados, além do túmulo, em regiões específicas do espaço, para limitação e tratamento das calamidades mentais em que se projetaram ou que fizeram em merecer” 

“A falta que depende de nós, chega antes, e o sanatório que corrige chega depois” 

“O céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada um” 

“O inferno é remorso, na consciência culpada, cujo sofrimento cessa com a necessária e justa reparação” 

“Todas as vítimas das trevas serão trazidas a luz, e todos os caídos serão levantados, ainda que, para isso, a esponja do sofrimento tenha de ser manejado pelos braços da vida, em milênios de luta. Isso porque as leis Divinas são de justiça e misericórdia, e a providência inefável jamais decreta o abandono do pecador” 
Emmanuel 

Imprescindível recordar diariamente as advertências do MESTRE, pois em matéria de evolução, carecemos muito do “Amai vos uns aos outros como eu vos amei”. 

Em matéria de Evolução o espírito necessita conscientizar-se de que é o único responsável pelos sofrimentos e alegrias que venha a passar, culpar o próximo, a Deus, aos desencarnados pelos nossos erros é infantil e deve fazer parte do passado desde já, assim à conquista de nossa própria libertação estará em nossas próprias mãos e jamais relegado aos outros. 

Temos um só DEUS, uma só LEI que determina o espírito como sendo Juiz, advogado e réu de seus atos. Juiz porque a própria consciência deve definir os parâmetros do seu julgamento conforme cresce em conhecimento, advogado pelo bem que faz e que o defende em qualquer parte e réu pelas faltas que comete. 

A vontade de servir e amar na seara do Criador sempre nos elevará, ao passo que se reter na ociosidade sempre será caminho de sofrimento na jornada de cada um. 


Obras consultadas
Allan Kardec – O céu e o Inferno, A justiça Divina segundo o Espiritismo; 
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier – Justiça Divina.


Um comentário:

  1. Vida desgraçada. Nada dá certo. Carrego problemas antigos e problemas de agora. Tento fazer algo para mudar mas nada dá certo. Tô revoltado. Tô inconformado. Deus é uma merda mesmo.

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