quarta-feira, 23 de novembro de 2016

AGORA É CIENTÍFICO: PESSOAS MAL AMADAS SENTEM MENOS EMPATIA por Pâmela Carbonari



Cientistas descobrem a relação entre o “hormônio do amor” e a falta de sensibilidade aos problemas dos outros

Quando estamos apaixonados tudo é mil maravilhas. Não interessa se faz frio, calor ou se você perdeu o ônibus – o importante é estar com a pessoa amada. Não que seu parceiro ou parceira não tenha parte nessa sensação de plenitude, mas a grande responsável é a oxitocina, conhecida como hormônio do amor. A oxitocina é aquele sentimento de bem-estar quando abraçamos uma pessoa querida. Ela é produzida no hipotálamo e liberada quando nos ligamos emocionalmente a alguém – podem ser laços familiares, românticos e de amizade.

Além de interferir no estado de espírito, o “hormônio do amor” controla várias funções vitais do organismos como apetite, sede, sono, libido e controle de estresse. Quando o corpo não dá conta de produzir ocitocina o suficiente, a forma como a reagimos aos estímulos sociais é diretamente afetada, como lidamos com a nossa vida social. O que os cientistas não sabiam era que isso poderia interferir também no que sentimos por outras pessoas. Um novo estudo realizado pela Universidade de Cardiff, no Reino Unido, descobriu que pessoas com baixos índices de ocitocina sentem menos empatia pelos outros.

Os cientistas avaliaram 20 indivíduos com diabetes insipidus CDI, que acontece quando o corpo não consegue tratar corretamente os fluidos. Trata-se de uma disfunção hormonal em que não há produção ou liberação dos hormônios diuréticos. Pacientes com CDI têm taxas muito reduzidas de vasopressina, o hormônio responsável pela controle da urina, cuja estrutura é muito parecida com a da ocitocina. Eles também acompanharam 15 pessoas com hipopituitarismo, uma condição que diminui a liberação dos hormônios sintetizados na hipófise – e, consequentemente, também da ocitocina. Esses dois grupos de pacientes com níveis baixos de “hormônio do amor” foram comparados com 20 pessoas saudáveis.

Todos eles fizeram duas atividades para testar suas demonstrações de empatia com base em reconhecimento das expressões de emoções. Além dos testes, os cientistas também examinaram os voluntários para medir as taxas de ocitocina e perceberam que os dois grupos doentes foram os que tiveram os piores resultados nas tarefas de empatia e os níveis mais baixos do hormônio. Ou seja, quanto menos hormônio do amor no organismo, menos sensibilidade aos problemas e sofrimentos alheios.

A pesquisa, apresentada na conferência anual da Sociedade de Endocrinologia, em Brighton, é pioneira ao estudar seres humanos com ocitocina reduzida (hormonalmente falando, os “mal amados”) como resultado de problemas clínicos e não a partir de disfunções psicológicas como depressão e estresse, por exemplo.

Os cientistas querem replicar o estudo para comprovar se a reposição da substância pode ser uma boa saída para melhorar as condições psicológicas dos pacientes que sofrem com poucas doses do hormônio do amor no organismo. Suplementação de ocitocina para aqueles casos em que um abraço não resolve.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

FOTÓGRAFA CAPTURA BELEZA ÚNICA DOS ALBINOS por Camila Galvão


Yulia Taits é uma fotógrafa russa que mora em Israel desde 1995. Recentemente, ela teve a ideia de fazer um projeto apenas com pessoas albinas, por considerá-las de uma beleza hipnotizante. Como resultado, a série intitulada “Porcelain Beauty” ressalta a beleza em meio a cenários mágicos, usando animais e objetos brancos para aumentar o clima de encantamento. Confira:

1. Zohar


2. Sahar


3. Eliran


4. Sahar


5. Russell


6.Ori


7. Shimon


8. Michal


9. Caesar


10. Adi


11. Eydan





sábado, 12 de novembro de 2016

PAPA FRANCISCO DIZ QUE ''COMUNISTAS PENSAM COMO OS CRISTÃOS''



O pontífice evitou falar do recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump



Roma – O papa Francisco afirmou que “são os comunistas os que pensam como os cristãos”, ao responder sobre se gostaria de uma sociedade de inspiração marxista, em entrevista publicada nesta sexta-feira no jornal italiano “La Repubblica”.

“São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade”, explica Jorge Bergoglio.

Por isso, Francisco espera que os Movimentos Populares entrem na política, “mas não no político, nas lutas de poder, no egoísmo, na demagogia, no dinheiro, mas na política criativa e de grandes visões”.

O pontífice evitou falar do recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assegurou que dos políticos só lhe interessa “os sofrimentos que sua maneira de proceder podem causar aos pobres e aos excluídos”.

Francisco explicou que sua maior preocupação é o drama dos refugiados e imigrantes, e reiterou que é necessário “acabar com os muros que dividem, tentar aumentar e estender o bem-estar, e para eles é necessário derrubar muros e construir pontes que permitam diminuir as desigualdades e dar mais liberdade e direitos”.

Sobre os supostos “adversários” que tem no seio da Igreja, Francisco assegurou que não os chamaria assim e que “a fé une todos, embora naturalmente cada um veja as coisas de maneira diferente”.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

LOURDES, O AMOR MINEIRO DE LULA por Paulo Narciso



Luiz Inácio LULA da Silva e sua primeira esposa a Mineira, Maria de Lourdes de Montes Claros 

“O senhor é o senhor Luiz?”, perguntou o médico. “Sou”, respondeu o rapaz. O senhor precisa ser forte para ouvir o que vou lhe dizer. “Seu filho nasceu morto”, continuou o doutor. “É preciso ser mais forte ainda, porque sua mulher também morreu”. Assim Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a notícia da morte de Maria de Lourdes da Silva, sua primeira mulher. Era manhã de segunda-feira, 7 de junho de 1971. Lourdes, nascida na zona rural de Montes Claros, foi, como seu marido, retirante da mesma seca de 1952. Unidos pelo destino, se conheceram em um bairro pobre de São Paulo, onde eram vizinhos. Em reportagem especial dos repórteres Paulo Narciso e Leo Drumond, o HOJE EM DIA refez esta parte da biografia do presidente, percorrendo, ao lado de sua primeira sogra, dona Hermínia, e do cunhado e amigo de juventude, Jacinto Ribeiro, o Lambari, a vila onde nasceu Lourdes, no Norte de Minas. Páginas 7 a 11, Especial.
Lula, até hoje, está convencido de que as mortes de sua primeira mulher e do filho foram causadas por negligência. Em depoimentos a Denise Paraná, na biografia autorizada “Lula, o Filho do Brasil”, ele revela a revolta de sua convicção:

“A Lourdes tinha ficado grávida e, no sétimo mês da gravidez, ela pegou hepatite. Ninguém me tira da cabeça que ela morreu por negligência da rede hospitalar do Brasil, por problemas de relaxamento médico. Porque ela estava com anemia profunda e uma hepatite crônica. Ela poderia ter sido melhor tratada. Morreu sem que houvesse nenhuma assistência para ela. Eu fui ao hospital e vi. Ela gritava, ela gritava, ela gritava. Não tinha um médico para atender, não tinha ninguém. Sinceramente, eu tenho muitas restrições a esses médicos que estavam no hospital. Hoje, eu tenho consciência de quanto um desgraçado de um pobre passa nos hospitais”.

Fugitivos da mesma seca de 1952 nos sertões de Pernambuco e de Montes Claros, a 3 mil quilômetros de distância entre si, Lula com 7 anos, Lourdes com 3, os dois se encontraram em São Paulo já mocinhos, vizinhos de uma casa de parede-meia no bairro operário da Ponte Preta.

Abandonada pelo marido quando estava grávida de Lula, já nos dias de nascer, dona Lindu recebeu carta do segundo filho mais velho, Jaime, que a chamava para São Paulo, supostamente a pedido do marido. O penúltimo dos filhos e caçula dos homens, Lula, havia escapado de morrer aos 4 anos, quando uma jumenta o ergueu pela boca, numa mordida, e só o largou depois de receber uma punhalada no pescoço.

Sem recursos para sustentar os filhos, dona Lindu vendeu as terras secas por 13 mil cruzeiros, vendeu o relógio, vendeu o jumento, vendeu os santos e as fotografias de família, e tomou o “pau-de-arara” com 7 filhos, um irmão, cunhada e sobrinho. Deixou apenas o cachorro, que aos cuidados de um tio, parou de comer e morreu de saudade dos meninos. Enquanto esperava o caminhão “pau-de-arara”, que atrasou, ela colocou os filhos num quartinho na bodega do Tozinho, e fechou a porta, para que o cachorro “Lobo” não visse os meninos e os meninos não vissem o cachorro. Dona Lindu estava determinada: “Vamos embora, ou bem ou mal, para morrer de fome, nós morremos em São Paulo”.

A viagem até o marido e o segundo filho, em Santos, durou exatos 13 dias e 13 noites, de l0 a 23 de dezembro de l952. Lula – que nunca havia saído de Vargem Comprida - viajou com uma única camisa, que chegou podre a São Paulo. O percurso foi feito todo na terra; havia poucos ônibus e os raros postos de gasolina não dispunham de banheiros. O motorista do “pau-de-arara” era quem punha ordem na hora das “necessidades” e disciplinava no meio do mato: “homens para um lado, mulheres para o outro”.

Lula descreve o “pau-de-arara”:

- É uma tábua atravessada na carroceria do caminhão. Não tem nem encosto atrás. Não é um banquinho de madeira. É uma tábua grudada na carroceria. Você senta e não tem encosto. A gente pode cair. Tinha umas 30, 40 pessoas dentro do caminhão. A gente dormia na calçada. Se esticava e começava a dormir ali. Ás vezes, com um cobertorzinho. E, de repente, a gente acordava embaixo da chuva e tinha de correr para debaixo do caminhão. Não cabia todo mundo. Ficava todo mundo amontoado debaixo do caminhão.

Ainda na saída de Pernambuco, numa noitinha, bateram na lataria da boleia, indicando que alguém estava com “precisão”. O caminhão parou no meio do mato e Lula e o irmão “Frei Chico”, 3 anos mais velho, que vinham sentados no banco de trás com as pernas de fora foram os primeiros a saltar. Mas, estava escuro, acharam o lugar perigoso, e o motorista arrancou com o caminhão. Lula e o irmão, deixados para trás, gritavam, correndo: “pára, pára, pára”, enquanto dona Lindu se desesperava na carroceria com os outros 5 filhos.


Na viagem

Quando entraram em Minas, os retirantes desceram pelo leste, em direção a Teófilo Otoni e Governador Valadares, quando poderiam ter seguido pela rota de Montes Claros, muito usada pelos retirantes nordestinos, especialmente pelos que vinham pelas “gaiolas” do Rio São Francisco até Pirapora. ”Frei Chico”, que se declara ateu apesar do “frei” no apelido, diz que o caminhão viajava com a lona abaixada e que se lembra apenas da cidade de Vassouras, no Rio. Ele tinha 10 anos.

Se tivessem passado por Montes Claros, poderiam ter cruzado com uma camioneta que, no mesmo mês do mesmo ano, levava os retirantes Lourdes e sua família para a garagem da Central do Brasil, onde tomaram o “trem baiano” para São Paulo.

O pai de Lula era estivador no Porto de Santos e se surpreendeu com a chegada da primeira família, naquela véspera de Natal. Com a prima de dona Lindu, ele já tinha filhos de 6 e 7 anos e a primeira coisa que perguntou, ao ver a família que não esperava, foi pelo cachorro “Lobo”, que havia ficado no sertão. “Cadê o cachorro?” Lula lamenta:

“Na verdade, meu pai estava pouco interessado que minha mãe viesse para cá, porque ele queria viver a vidinha dele com a mulher que ele tinha aqui, que era uma prima de minha mãe. Meu pai tinha saído de Pernambuco com essa prima, ela tinha desaparecido, mas ninguém tinha feito a relação entre o desaparecimento dela e a vinda do meu pai”.

E meu irmão, na carta, não conta essa história para minha mãe, só diz que meu pai queria que ela viesse para cá.

O estivador Aristides, carregador de sacos de café, bem ou mal, acolhe a primeira família, transfere a segunda mulher para outra casa e os aloja na casa principal. Ficava dois dias numa casa, dois dias na outra. Acabou pai de 18 filhos, oito com dona Lindu, fora os 4 que morreram, e 10 com a prima dona “Mocinha”. Os filhos, todos os filhos, não têm boas lembranças dele, e Lula chega a dizer nas suas memórias que o pai “cuidava mais dos cachorros que dos filhos”.

Tempos depois, quando ganhou uma “mangueirada” na cabeça, dona Lindu resolve, agora por iniciativa dela, deixar o marido, cansada dos maus tratos contra ela e os filhos. “E aí, para nós foi ótimo. Nós ficamos em liberdade? A gente passou a viver melhor. Era uma pobreza com liberdade. Então, a separação dos meus pais, no fundo, no fundo, foi uma grande liberdade” – comemorou Lula, que quase só podia trabalhar, pois era proibido de estudar pelo pai “analfabeto” que adorava comprar jornais quando andava de barco, “lendo” jornal muitas vezes de cabeça para baixo.

Os três irmãos mais velhos já trabalhavam e Lula e “Frei Chico” vendiam laranja, tapioca e amendoim, pelas ruas de Santos, além de carregarem feixes de lenha. Aos 10 anos, Lula vai com a mãe e os irmãos para São Paulo. Eles mudaram para um barraco, que “era tão barraco, que um dia despencou”. Algumas das irmãs já trabalhavam como empregadas domésticas e toda a mudança se resumia “numa tina e uma lata de leite Mococa, para guardar o pão e uma faca”. O que se tornaria presidente da República se lembra de que todos gozavam do seu pescoço curto: “eu era assim de tanto carregar lenha”.

Engraxate, tintureiro, telefonista, Lula ia mudando de emprego conforme mudava de endereços, mas servido de uma calça só, que a mãe lavava aos domingos. O sonho era ser motorista de caminhão, mas este dia não chegava. “Foi um período muito ruim. Muita miséria. Mas eu era um moleque feliz. Porque a gente era pobre, mas a gente tinha um mundo à nossa disposição”.

Na Vila Carioca, em mais de um endereço diferente, ele consegue entrar para o Senai, “no melhor período da minha infância”, toma o primeiro “fogo” da vida, um porre de vinho e cerveja, e começa a trabalhar na Fábrica de Parafusos Marte e, depois, na Fábrica Independência. Aqui, como torneiro-mecânico trabalhando à noite, o braço da prensa “fechou” e esmagou o dedo menor da sua mão esquerda. Com a indenização de 350 mil cruzeiros, Lula comprou móveis para a mãe e um terreninho. Mais: o dedo esmagado, envolto em curativos, despertaria a dó de Maria de Lourdes, que logo se tornaria vizinha. Era o encontro da moça de Montes Claros com o rapazinho de Vargem Comprida, em São Paulo, uma cidade já com milhões de habitantes.





Lambari

Era l965. Lula foi com a família morar na Ponte Preta, na Vila São José, divisa de São Caetano e São Paulo. Ele estava com um dedo a menos na mão esquerda, estava desempregado e “tinha muita miséria em casa”. Mas, uma miséria significativamente menor. A família já possuía um fogão de duas bocas e muitos catres velhos. ”Eu e o meu irmão colocamos o fogão bem no alto e nós íamos com muito orgulho em cima do caminhão. Afinal de contas, a gente já tinha um fogão”.

O seu plano de vida estava definido: “tudo o que eu queria era o que todo mundo quer - ter uma vida tranquila, ganhar meu salário. Queria casar e constituir minha família sem nenhuma ilusão”. Com 20 anos, nada sugeria o futuro líder de massas, bom orador, desinibido, convincente. Ao contrário, era tímido, trancado mesmo, pouco saliente, pouco “saído” - resumia sua mãe. Queria só ter casa, mulher e filhos Para isso, o destino havia feito sua parte.

Ao lado da casa, do outro lado da parede, morava Maria de Lourdes, com pai, mãe e três irmãos. Os retirantes de Montes Claros haviam dado a volta pelo mundo, no interior de São Paulo, e também acabavam de chegar, ali. Todos se tornaram amigos. Lambari, o melhor de todos – o amigo da juventude.

Mas, havia enchentes. A água do ribeirão teimoso vinha pela janela, misturada com água dos vasos sanitários, e acordava Lula quanto atingia o colchão. Resolveram mudar de novo e foram para o Jardim Patente. A família de Lourdes, com o mesmo problema, também se mudou.

Lá, os amigos, “amigos mesmos”, conhecidos de muitos anos, companheiros de festas, de bailes, de enchentes, de desemprego, de infortúnio, resolveram se namorar. Numa festa, Lula tomou três conhaques, criou coragem e fez a proposta. Lambari ajudou no consentimento, mas não ficou atrás. Passou a namorar a irmã de Lula mais nova, Tiana, ou Ruth, conforme lhe chamavam pelo nome de batismo ou pelo nome do registro civil.

Esta irmã tem a memória do clima: “Nossa adolescência foi uma fase gostosa. Ficamos conhecendo dona Hermínia, que virou sogra dele. Nós fizemos amizade, “uma amizade gostosa”. Lula nunca foi de namorar. A primeira namorada dele foi Lourdes. Tinha o Jacinto, que hoje a gente chama de Lambari, tinha o Toninho e o Zezinho. Tinha os bailinhos em casa de família, domingo à tarde. Tocava Ray Coniff, Carlos Alberto, Roberto Carlos. A gente bebia refrigerante”.

Maria de Lourdes, - “a morena de cabelos compridos, muito bonita, conservadora, sem nenhuma formação política, muito trabalhadora”, segundo Lula – já trabalhava como tecelã. Seus patrões a aconselharam e ela repetiu a Lula que ele não deveria se envolver com sindicatos. Sem maior empenho, ele tomou posse como diretor do sindicato em 24 de abril de l969 e se casou no dia 25 de maio, um mês depois.

A festa de casamento foi na casa da irmã Ruth, na Paulicéia, com batatinha, pão, sanduíche, bolo e guaraná. “Foi um casamento que tinha tudo para dar certo. E eles viviam muito bem”, recorda-se a irmã. Com as economias dos dois, compraram casa na rua que tinha 4 nomes, à medida que se encurvava. Sogros e cunhados moravam na rua Verão e Lula e Lourdes, na rua Outono. A casa tinha 2 quartos, sala e cozinha, logo reformada para receber o primeiro filho. A gravidez transcorria tranquila, até que, no 8º mês, Maria de Lourdes apareceu muito pálida, com os olhos amarelos.

Nas suas memórias, Lula descreve:

“Foi nesta casa que eu fiquei viúvo. Eu lembro que eu fui visitar ela num domingo. Ela estava numa situação deplorável no hospital, com um monte de gente no quarto. Ela gritava, eu fui chamar a enfermeira, a enfermeira não quis atender. Na segunda feira, eu fui levar a roupinha da criança. Cheguei lá e ela estava morta. Meu filho estava morto. Isso marcou muito a minha vida. Como morreu a Lourdes, morrem milhões de pessoas por aí nesse país sem ter o menor tratamento médico. Nós tínhamos planejado um filho, a gente queria ter um filho.”

O velório de mãe e filho foi na rua Outono. O piso de tábua corrida afundou com o peso de tanta gente e a câmara ardente foi transferida para a copa. Lula descreve o estado em que ficou: “Eu fiquei muito tempo meio bobão. Eu ia no cemitério todo domingo, eu levava flores para colocar no túmulo dela. Eu, às vezes, ia sair de noite para qualquer lugar, mas quando eu ouvia música....não aguentava... e voltava para casa. Eu não tinha mais vontade de sair. Eu fiquei 3 anos e meio deprimido. Eu fiquei muito tempo meio borocoxô. Eu perdi o sentido da vida. Não tinha mais vontade de nada. Eu passei 3 anos sem namorar”.

(Por esta época, Lula conheceu a enfermeira Miriam Cordeiro, com quem teve uma filha. Começou a namorar Marisa, viúva de um metalúrgico, filho único, que nas horas vagas ajudava o pai no táxi e foi assassinado dentro do carro, num assalto. Lula era freguês do “fusquinha” do seu Cândido, que no táxi não parava de elogiar a beleza da nora viúva. Depois, Lula conheceu Marisa no Sindicato dos Metalúrgicos, casou-se com ela, registrou em seu nome o filho dela (Marcos) e tiveram mais 3 (Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio). “Seu” Cândido e a mulher foram padrinhos do primeiro filho do casal, mas ele morreu, também assassinado num assalto, como o filho).


Um amor

Enquanto o caminhão “pau-de-arara” conduzindo Lula descia de Vargem Comprida, hoje Caetés, uma outra família deixava o Norte de Minas. O lavrador Manoel de Bitu, irmão do padrasto de dona Hermínia, morava em Ibitinga, interior paulista, e queria que eles fossem para lá. O pai de Lourdes, João Evangelista, havia lançado sementes na encosta pedregosa do Morro Agudo, em plena estação das águas, mas a roça de milho e feijão não brotou – era a seca, na época das chuvas, a pior.

A mãe de dona Hermínia, casada pela segunda vez, havia morrido de parto, junto com a criança. Brasinho, mulato forte muito afeiçoado à menina Lourdes, de 3 anos, então lidera os retirantes em direção ao seu irmão, na cultura de algodão na fazenda paulista. Venderam 2 porcos, 2 cavalos e galinha e seguiram: Brasinho, dona Hermínia, com 22 anos, o marido Evangelista, o irmão dela, Mané Codorna e os 4 filhos do casal - Toninho, de 8 anos, Jacinto (Lambari) de 6, Lourdes, de 3, e Zezinho, de apenas 8 meses.

Os 48 quilômetros de Morro Agudo à gare da Central do Brasil em Montes Claros foram vencidos numa camioneta. Duro foi esperar o trem “maria-fumaça”, arranchados na calçada da Praça da Estação, com centenas de outros retirantes. Depois de dias de espera, quando fazia uma caçarolada de abóbora, o apito estridente convocou os retirantes, a abóbora foi atirada no saco de farinha, e todos se precipitaram no vagão de segunda e última classe.

A rotina nos dez dias seguintes até São Paulo, de baldeação em baldeação, é a epopeia de todo retirante que o “trem do sertão” levou e trouxe de São Paulo, sempre cheio, sempre melancólico, sempre carregado mais de saudades do que de apinhados passageiros.

Lances dramáticos não faltaram àquela caravana de mineiros. Toninho e Jacinto (Lambari) arrancaram algum dinheiro dos menos infelizes com a voz infantil, de 8 e 6 anos, que cantava, e suavizava, com a música sertaneja, o drama reprisado de outros. (Lambari, até hoje, canta musica sertaneja, toda 6ª feira, no restaurante Chabocão, em São Bernardo).

Aflição maior viveu dona Hermínia, futura sogra do presidente da República. Exausta, em pânico, ela apertava contra o peito o caçula Zezinho, de 8 meses – hoje afilhado de casamento de Lula. O menino tinha bronquite e a orientação do chefe do trem não admitia exceções: “quem morrer na viagem, vai ser atirado pela janela”. E toda vez que passava o chefe do trem, e olhava para a criança com bronquite, o chefe perguntava – “tá doente?”. Ela pronta respondia: “não senhor, não senhor, tá sadio, tá bom”, e segurava o menino mais forte, contra o peito, e o retinha, com a janela fechada.

Foi assim, nos mil e tantos quilômetros, 10 dias e 10 noites, dormindo no chão, nas calçadas. Na “imigração”, em São Paulo , e nas estações por onde passaram, os quatro meninos incharam o braço de tanto tomar vacina, 4 ou 5 num dia só. É que o pai Evangelista, doente do pulmão, tinha esperança de que as filas que se formavam em cada estação fossem para servir comida – mas eles\serviam vacinas. Manoel de Bitu os esperava em Ibitinga, interior de São Paulo. Foram depois para o plantio de mandioca na fazenda Ronca, onde havia escola, que não frequentavam, porque dona Hermínia os trancava em casa para sair cedo trabalhar na roça.

Na fazenda Barreiro, ficaram 9 anos como meeiros, e o fazendeiro sem filhos – Ernesto Saleno – quis adotar Lambari, com a pronta resistência da mãe, que preferia vê-lo caminhar 4 km, todo dia, para ir a escola – ele e os irmãos. Foi nesta época que os quatro ganharam registro de nascimento, atabalhoadamente providenciado pelo pai com o recurso de memória que dispunha: “este nasceu na sementeira do arroz..., aquele na colheita do milho..., a menina durante a chuvarada...”. Os registros apontam Miralta, distrito de Montes Claros, como o local de nascimento, e as data são imprecisas.

Nesta época, por 1 ano e precisos 26 dias, dona Hermínia foi tratar-se do pulmão, também ela, no Hospital Sanatório de Araraquara, e a menina Lourdes, assumiu o comando da casa. Seguiram depois para Bariri, já como arrendatários de terra que produzia amendoim, milho e mamona. Lambari fazia o curso de torneiro-mecânico do Senai em Ibitinga, bancado pelo fazendeiro que o queria adotar, e em Bariri compraram casa na cidade, onde passam a residir. Lambari arrendatário de uma tornearia, Toninho trabalhando na padaria e, Lourdes, na fábrica de óleo, enquanto completava o curso de corte e costura. Os pais eram “boias-frias”na colheita de café e algodão.



O ENCONTRO

O primo e servente de pedreiro Santinho, posteriormente levado de Montes Claros e adotado, já estava na capital de São Paulo e os chamou para lá, no vácuo do golpe de 64, começo de 65. Lambari alugou a casa 4 da rua 35, na Ponte Preta, e dias depois de trazer a família, era hora de receber, na casa ao lado, aquela família pernambucana, numerosa, encarapitada no caminhão que vinha da Vila Carioca e que exibia o fogão de duas bocas como precioso troféu.

Tangidos pela mesma seca, afinal estavam reunidos na parede-meia, que anexaria os dois destinos de retirantes: os de Minas, comandados por dona Hermínia, e os de Pernambuco, chefiados por dona Lindu, aquela mulher paciente e calma, brincalhona e otimista, incapaz de qualquer murmúrio ou queixa.

Sem móveis, sem nada, 8 pessoas no quarto e cozinha únicos, mas ainda assim mais confortáveis do que os vizinhos de Vargem Comprida, 10 ao todo (8 filhos e o primo Zé Graxa). Os de Minas passavam o dia com o radinho a pilha seguro na mão, no meio da sala, ouvindo Zé Bétio.

Lula era o rapazinho de bicicleta, que ficava na porta, mão na parede, num vai-e-vem eternos. Lourdes, com 17 anos, foi trabalhar na Tecelagem Damatex, de onde saiu para casar-se com o futuro presidente da República, cedendo a vaga para a prima Heloísa, sobrinha de dona Hermínia, que hoje mora em Montes Claros.

Lula recebia o seguro do dedo decepado e o ferimento chamou a atenção, e a dó, de Lourdes. Ele e Lambari saiam juntos para procurar o emprego que não havia em lugar nenhum. “Freio Chico” já era soldador e membro do “partidão”, e a simpática “Maria Baixinha”, enfermeira. Inventaram então os “bailinhos” de domingo, durante o dia, as excursões ao pico do Jaraguá, as sessões de cinema, as missas.

Lourdes, ainda só amiga, podia contar com Lula para toda festa, onde ela sempre queria demorar mais do que ele. Os japonesinhos ali sempre juntos, Olavo e Kiva, o primeiro virou padrinho de casamento e, o segundo, foi o que Lula teve de superar na preferência de Lourdes.

Vieram as enchentes, repetidas. Com o dinheiro da casa de Bariri compraram um imóvel na mesma rua 4, enquanto o pessoal de Lula, cortido pelas águas, foi para a Vila São José, a 3 quarteirões, ‘depois do rio”. A casa própria não intimidava a enchente e foram para o Jardim Patente, sempre na mesma região do Ipiranga, na fronteira de São Bernardo.

Dois meses depois, a família de Lula chegava à Vila Patente, instalando-se numa quadra acima. De tanto procurar emprego, na crise de 1965, Lula chorava: “eu, as vezes, parava no caminho e chorava muito...porque você perde a perspectiva”. A sorte começava a virar. Cansados de receber o mesmo “não” juntos, Lambari propôs, Lula aceitou, e os dois passaram a procurar empregos separados. No primeiro dia, um voltou torneiro-mecânico da Volks e, o outro, torneio-mecânico da Villares.

Os amigos se aproximavam mais. Lula, empurrado por 3 conhaques, passou a namorar Lourdes. Lambari escolheu Ruth, a última dos irmãos de Lula, mas demorou pouco o namoro. Dona Lindu sabia que ele namorava outras (“eu era sem vergonha, mesmo”) e o escorraçou como namorado da filha. Ao chegar em casa às l0 horas da noite, conta Lambari, Lula estava no sofá, namorando a irmã: - “Ô, meu, sua mãe já correu comigo de lá. É bom você também pegar sua linha. “Taturana” respondia: - “Dá um tempo, fica na sua.” E ficava.

Mais uma vez, as duas famílias mudaram de endereço. Lula foi para a Paulicéia, em São Bernardo do Campo, e dona Hermínia mudou-se para a rua Verão, nº 10, C , na Vila das Mercês, onde está até hoje, na companhia de Lambari, que se descasou.

Lula namorava lá, lá assistiu Lambari construir sua habitação sobre a laje no terreno de 5 metros por 25 e, de “roupinha branca e namorada a tiracolo, jornal domingueiro na mão, gozava o cunhado, misturando a masseira: “viu o que acontece, Lambari?..., você não quis estudar...”. Na rua Verão, foi testemunha da dificuldade dos sogros para pagar a segunda prestação da casa, quando o imóvel próprio da Ponte Preta foi vendido a um motorista de ônibus.

As enchentes desvalorizaram a casa. Toda pessoa que chegava para comprar, via a marca d'água na parede, media a altura dos filhos, via que ela dava no pescoço deles , e desistia.

Um motorista de ônibus comprou, pagou a primeira prestação e desistiu da segunda, porque nova enchente levou o paletó e os 800 cruzeiros que havia no bolso do paletó para pagar a prestação restante, deixando em dificuldade a família que também devia a Segunda prestação.

Da distante Paulicéia, em São Bernardo , Lula vinha namorar todas as noites. Na volta, cansando de esperar ônibus na via Anchieta desistia, retornava a pé e dormia na casa da sogra (“eu não ia pela estrada das Lágrimas, eu ia pela Marginal”). Lula achava cedo para casar, mas as circunstâncias amargas, segundo ele, o levaram a precipitar a escolha:

- Eu vivia uma vida desgraçada, eu tinha de catar bituca de cigarro no chão para fumar. Eu nunca tinha dinheiro para comprar o cigarro que eu gostava, que era o Continental. Eu comprava Kent. Então, quando eu resolvi casar eu disse: 

“Olha, já que a gente esta nessa vida desgraçada, sustentando casa, então vamos casar de uma vez e a gente se vira”.

Casaram-se na Igreja Nossa Senhora das Mercês, em 24 de maio de l969. Dois dias antes, haviam se casado no civil, ele de terno muito bem cortado, todo empertigado. Na despedida de solteiro, na Paulicéia, Lula quis reter a noiva para a primeira noite, mas dona Hermínia não permitiu, irredutível, mandando esperar o dia da igreja. Conciliadora, dona Lindu decretou: a noiva dorme aqui, o noivo vai dormir com a sogra, na Vila das Mercês. Lula protestou em vão – “mas, eu já sou casado”.

O casal foi morar no Moinho Velho, de aluguel. Depois de l ano, estava no novo nas vizinhanças da família mineira, na rua torta que começava como Primavera, evoluía para Verão, descia para Outono e acabava como Inverno. Dona Hermínia morava na rua Verão e Lula, agora na casa própria, se instalou na rua Outono.

A filha Lourdes ficou grávida e o casal – ele na Villares Equipamentos e ela tecelã da Datamex – construíram um quarto para a criança. A gravidez foi muito bem até o 8º mês. Tanto os médicos do emprego, quanto os particulares, diziam que tudo ia bem. Não ia.

O tom de gema de ovo no olho de Lourdes denunciava uma doença hepática não descoberta pelos médicos. Foi preciso que os parentes alertassem e Lula insistisse para que ela ficasse internada, numa quinta feira, no Hospital Modelo, em São Paulo. Para os médicos, as dores – queimação no estômago e vômitos prolongados - que faziam Lourdes gritar eram dores normais da gravidez.

Dona Hermínia conta que foi ao hospital, no sábado, acompanhada de Lula e de duas noras, levando frutas. A filha comeu uma pera, desta vez não vomitou, e todos voltaram para a casa, mais animados. No domingo, na visita coletiva das 14 horas, dona Hermínia estava de volta, com Lula. Os médicos, enfim, diagnosticaram a hepatite e a colocaram no isolamento, gemendo. Desesperada, a mãe perdeu-se no hospital e um médico a tranquilizou – “está em trabalho de parto, é normal”. Lula passa mal e toma uma tranquilizante, enquanto a sogra vai embora sozinha, desolada.

Na noite de domingo, Lula e Lambari, com esposa e cunhada, retornam ao hospital Modelo. O médico mandou esperar e depois autorizou que o irmão desse uma olhada na doente, que estava sedada e tinha tomado remédio para induzir a dilatação. Pela porta entreaberta, Lambari viu que Lourdes dormia.

O médico, enfático, disse aos cunhados: “Luiz, a criança está morta dentro da barriga, mas sua mulher não corre nenhum perigo. Ela está muito bem. Amanhã, traga a roupa da criança para o enterro”. Lambari se lembra que Lula aceitou o inevitável e pediu que lhe emprestasse dinheiro para o enterro do menino. Foram juntos comunicar a dona Hermínia que a filha não corria perigo. A mãe relutou, achou que estava sendo enganada, disse que a filha não escaparia e foram dormir.

Na segunda feira, 7 de junho de 1971, Lula, a mulher de Lambari e a cunhada Luzia foram para o Hospital. Lambari estava trabalhando na Volks, quando foi chamado pelo departamento social, que o mandava seguir para o hospital. Imaginou que era o dinheiro do sepultamento, passou no banco e foi. Encontrou-se com Lula, a cunhada e a esposa, na recepção, mas apenas os dois homens subiram para a porta da sala de parto.

As enfermeiras os viram chegar, e comentaram – “a família tá aí”. Esperaram muito. O médico saiu.

_ O senhor é o senhor Luiz?

_ Sou.

_ O senhor precisa ser forte para ouvir o que vou lhe dizer. Seu filho nasceu morto.

_ Eu já sabia. O médico me explicou, ontem.

_ O senhor precisa ser mais forte ainda, porque sua mulher também morreu.

Lula fez vômitos e encostou a cabeça na parede. Com a cabeça sempre na parede, ele girava o corpo contra a parede, girava... girava... girava...

(Na noite de domingo, soube-se depois, logo que Lula e Lambari saíram do hospital, Lourdes acordou, chamou pela mãe, chamou por Lula, e vomitou sangue. “A noite toda, ela vomitou pedaços do fígado”. Às 5h15m da manhã, os médicos retiraram a criança a ferros. Ás 7h15m, Lourdes morreu).

Lula e Lambari foram receber os corpos na porta do necrotério. Estavam cobertos por lençóis brancos e identificados. No lençol maior, a etiqueta indicava – Maria de Lourdes Silva. O “meninão”, de quase 4 quilos, tinha uma fita colante escrita “nati-morto”.

Lula explodiu:

_ Esses “fdp” colocaram este nome. Não era nem este o nome que eu queria para o meu filho!

(O nome – soube-se também depois – seria Fábio Luiz, o nome que Lula repetiu no primogênito do segundo casamento).

De volta

Dona Hermínia apoia-se numa bengala para caminhar. A intensa simpatia e a simplicidade minimizam este detalhe, mas ela sofreu desgaste na cabeça do fêmur e o ex-genro, já famoso, consegui-lhe uma cadeira de rodas, que ela não mais precisa.

Morando na mesma e modesta casa da Vila das Mercês, onde um presidente da República noivou e casou, ela ficou viúva em 1990. Mora com o filho Lambari e sai muito, anda por toda parte. Anda principalmente pelos bingos, e a voz da neta na secretária eletrônica do telefone resume: “Você ligou para dona Hermínia. No momento, fui até o bingo. Se demorar, é porque fiquei rica. Se não, voltarei logo. Por favor, ligue mais tarde. Obrigada”.

O olhar sereno, a voz mansa e doce, o cabelo pintado com discrição, nada sugere o sudário de uma vida de retirante e de mãe que sepultou a filha, a única. Aos 73 anos, está mais conservada que o irmão Mané Codorna, 10 anos mais moço, que foi com ela para São Paulo, e Henrique, de 70, que já a esperava lá, na seca de 1952.

Depois de 50 anos de ausência, a convite do HOJE EM DIA, ela levou o filho Lambari para conhecer, reconhecer, a casa de onde partiram, ele com apenas 6 anos. Foram com ela dois irmãos, um residente no Furadinho natal, e o outro morador de Montes Claros. Foram também filhos, sobrinhos e netos, rever a casa no meio do mato.

Já na entrada de Furadinho, o pequeno fazendeiro João Gonçalves de Souza, de 75 anos, reconhece dona Hermínia e recorda:

_ Eu assisti o seu casamento, em Vista Alegre. A senhora tinha 13 anos, muito bonita. O padre ainda perguntou – você ao menos sabe fazer um almoço?

Não sabia.

Mas sabe o fazendeiro, montado com garbo no cavalo, que ela é a primeira sogra de Lula. Aliás, “Lôla, aquele que manda em nós”.

Furadinho é um povoado a exatos 43 quilômetros do centro de Montes Claros. São minifúndios, ocupados por 40 famílias, quase todas evangélicas da Igreja de Deus – Avivamento Bíblico. O acesso é pela estrada de Januária, logo depois de Lavajinha. Ali, todos trabalham e vivem do campo e para o campo, numa região de penhascos, que difere completamente da topografia do Norte de Minas. São os “alcantis”, eles sabem, mas lamentam que estejam numa situação de grande ruína, depois que o banco deu de financiar suas atividades, estimulou uma fabriqueta de laticínios e impôs a compra de umas “vacas pretas”. As vacas morreram, ninguém deu conta de pagar os juros ao banco e todos estão muito endividados.

Lavajinha e Furadinho levam ao Morro Agudo, onde nasceu Lourdes, a primeira mulher de Lula. Quando dali saiu a caravana de retirantes, em 1952, o lugar era alegre, com muitas famílias, muitas festas e “domingadas”. Os bailes eram animados com uma vitrola manual e o primeiro trator, que destocou o terreno, causou furor e espanto.

Hoje, o morro agudo - uma alta montanha arredondada, que contrasta com os alcantis e batiza o local - é o única coisa que permanece imponente. O resto é esgotamento e desolação. Todos se mudaram a partir daquela época e as extensas pastagens resultam agora num campo de espinhos- agulha.

Cinquenta anos depois, este é o cenário que dona Hermínia e Lambari foram encontrar no retorno à casa velha, onde o pai dela, “seu” Jacinto, deu de criar uma cobra jibóia pela telhado, incumbida de comer as cobras venenosas, bem menores, mesmo a custo de cair dos caibros e assustar crianças, como a pequena Lourdes e o irmão Lambari.

Ao socavão esconso, que dá para o povoado de Barreiras, só se chega a pé. Nem o cavalo vai lá, porque o terreno é acidentado, tem pedras escorregadias e, depois delas, tem penhas e nas penhas precipícios.

Mesmo dependente da bengala, a sogra de Lula aceitou ir, guiando o filho Lambari, o maior amigo de juventude do presidente. Aquele que tinha com ele sociedade nos cigarros, partilhados também por “Maria Baixinha”, a irmã de Lula, dois anos mais velha do que o presidente, e dona dessas declarações:

“Eu e Lula sempre nos demos muito bem. Por exemplo, mais tarde, quando o Lula chegava de fogo em casa, era eu que dava banho nele. Quando ele namorava a Lourdes, ela saía com o irmão dela. Esse cara é o máximo, o Lambari, ele sabe coisa que vai deixar qualquer um impressionado. Eles passaram a mocidade toda juntos. Casaram e continuaram amigos. Nem irmãos eram tão amigos. Era uma amizade assim, a coisa mais bonita que podia existir”.

O encontro de Hermínia com os irmãos, antes de pegar a tosca estrada que permite chegar mais perto do Morro Agudo, é emocionante. Só não permitem lágrimas grossas porque o lugar não tem este costume. Mas, choram sim.

Por 2,3 km, em péssima estrada, nos aproximamos de carro do Morro Agudo, onde se pode ir “pelado” a qualquer tempo, avisa Mané Codorna, porque aqui não passa mesmo ninguém. Fomos.

Na procissão da saudade, o menino Adilson, de 6 anos, descalço, evoca o Lambari daqueles dias. A pé, entre espinhos, poeira, matas, córregos secos, subidas, descidas, colchetes, cancelas, mata-burros, a distância é de aproximadamente 2 quilômetros ou l hora. Normal para quem tem costume. Normal também para dona Hermínia, sua bengala e os 73 anos.

Na mesma hora em que Lula era recebido pelo presidente dos Estados Unidos, o primeiro amigo da juventude, Lambari, e sua mãe, a poucos metros já podiam ver o que sobrou da casa natal de Lourdes, deixada ali.

Apenas rijos esteios de aroeira, telhas silenciosas e adobes vermelhos pelo chão, que não se renderam à chuva, talvez porque nem chova mais ali, onde existia um riacho que descia da serra, esculpia na pedra, acordava os homens e adormecia as crianças.

Dona Hermínia chorou por dentro. Viu “um filme passar pela cabeça”, enquanto o menino Lambari ressurgiu dos seus 56 anos perguntando pela plantação de abacaxi, pela mangueira, pela vaca que o “pegou” onde costumava comer terra. “Parece que foi noutra vida”, resumiu a sogra de Lula, enquanto o irmão Henrique perguntava pelos passarinhos, que ninguém via, e Mané Codorna justificava, com acerto: “até os bichos gostam de movimento. Cantar pra quem?”

Na volta da bocaina, sentindo mais o caminho que a mãe de 73 anos, Lambari tomou a frente e repetiu o amigo Lula nos dias finais da campanha que o elegeu presidente da República:

_ Eu, que sou mais bonitinho, vou tirando retrato na frente. Você, Lambari, como é mais feio, vai dando autógrafo.

No miserável povoado de Lavajinha, que recolhe os votos da redondeza, historicamente um reduto governista, a vitória de Lula não foi menos expressiva do que em Montes Claros, onde teve 8 de cada 10 votos. Talvez até por causa do financiamento das “vacas pretas”. A história de que ele é genro de dona Hermínia também é sabida, mas não tanto que justifique a vitória de 121 votos contra 42 dados a José Serra, 2 brancos e 8 nulos, num total de 173 apurados.


Na posse

Em 1980, aos 64 anos, quando morria de câncer – doença que devasta a família materna de Lula -, dona Lindu soube no hospital que o filho estava preso, notícia que lhe vinha sendo poupada. Ela fez a observação: “Meu Deus, como que ele vai fazer tudo isso? Deve ter um anjo da guarda perto dele”. Dias depois, conversando com a nora, esposa de Zé Cuia, dona Lindu pediu um copo dágua, tomou, virou do lado e morreu.

Como ela, dona Hermínia admira profundamente o genro. A convite especial de Lula, dona Hermínia e Lambari, assistiram o presidente receber a faixa no parlatório, em Brasília. Os dois estavam dentro do Palácio do Planalto, ao lado dos irmãos de Lula, no núcleo mais íntimo da família, de pernambucanos e mineiros. E viram, e aplaudiram, o gesto solene em que o amigo retirante assumia o mais alto posto da República.

_ Dona Hermínia, naquele momento, a senhora pensou que sua filha poderia estar alí, como primeira dama do país?

_ Pensei, sim. E ela estava. Estava representada na honestidade de Lula e na lealdade de Marisa a Lula.




Pedidos

A casa de Mané Codorna, o tio da primeira mulher do presidente, e seus poucos móveis, quase nenhum, apesar de respirar mansuetude e quietação, bem pode servir a Lula quando desejar rever os momentos de pobreza material mais intensa que teve em São Paulo, de casa em casa, de bairro em bairro.

Se quiser, se algum dia for lá, onde nunca foi nenhum prefeito de Montes Claros nos 171 anos do município, o presidente pode também ouvir das crianças histórias muito parecidas com a que ele viveu na meninice.

A pedido do HOJE EM DIA, as crianças de 6 a 14 anos escreveram cartas ao presidente fazendo referências à conterrânea que foi sua primeira esposa. E nelas, o lamento é constante. Todos se queixam, e esperam ajuda, para que as escolas as recebam melhor, e não assistam aulas sentadas no chão. Também, pedem merenda melhor e ônibus decentes, que não as obrigue a andar, às vezes 4, 5 horas, toda madrugada para chegarem ao local das aulas.

E se ouvir os adultos conterrâneos de sua Maria de Lourdes da Silva, o presidente pode até determinar que a região ganhe uma grande maternidade, que impeça que as mulheres dali, como a sua Lourdes, morram na hora de ter filhos. Ali, morrer no parto é uma constante, até hoje. Em Montes Claros, pessoas morrem na porta dos hospitais, com frequência.

Como morreu Lourdes, em São Paulo, em l971, morreu a avó de Lourdes, mãe de Hermínia. Morreu a primeira mulher de Mané Codorna e morreu a mãe de Maria Nazaré de Freitas, que na igreja do Avivamento Bíblico narrou para todos a história do 5º parto de sua mãe, Maria Ribeiro da Silva, outra Silva, que morreu no parto triplo em que apenas ela sobreviveu.

E todos pedirão, por fim, em comovido silêncio, que o presidente dê a esta maternidade regional um nome que o acompanha e vela por ele – Maria de Lourdes da Silva, retirante de 22 anos, morta em 7 de junho de 1971.

* O jornalista Paulo Narciso, 52 anos, começou aos 15, no “O Jornal”, de Montes Claros. Aos 20, era repórter de Polícia do “Estado de Minas”, onde atuaria como editor e repórter especial. Aos 21, obteve menção honrosa no Prêmio Esso. Em 1975, ganhou o Prêmio Esso, com a reportagem “A Esperança Muito Passageira do Trem do Sertão”.












sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A PROFECIA DE CHICO XAVIER PARA 2019 - HUMANIDADE PLANETÁRIA (Filme: Data Limite)

Para ler, reler, refletir e meditar! 
Finalmente achei este texto* com filme completo, link abaixo.
Roberta Carrilho



Postado por Edson Luiz Pocahi em 2 novembro 2013 às 15:43

Revelações apontam que o futuro da Terra está nas mãos do homem Chamada de capa do jornal Folha Espírita, ano XXXV, nº 439, edição de maio de 2011

Marlene Nobre Em razão da gra­vi­dade do as­sunto, tra­zemos aos lei­tores da Folha Es­pí­rita a re­ve­lação feita pelo mais im­por­tante mé­dium da his­tória hu­mana, Fran­cisco Cân­dido Xa­vier, a Ge­raldo Lemos Neto, fun­dador da Casa de Chico Xa­vier, de Pedro Le­o­poldo (MG), e da Vinha de Luz Edi­tora, de Belo Ho­ri­zonte (MG), em 1986, sobre o fu­turo que está re­ser­vado ao pla­neta Terra e a todos os seus ha­bi­tantes nos pró­ximos anos. 
“Há muito tempo car­rego este fardo co­migo e sempre me pre­o­cupei no sen­tido de que Chico Xa­vier não me fa­laria tudo o que re­lato nesta edição da Folha Es­pí­rita à toa, senão com uma fi­na­li­dade es­pe­cí­fica. Na oca­sião da con­versa que des­crevo nas pá­ginas se­guintes, senti que minha mente es­tava re­ce­bendo um tra­ta­mento mnemô­nico di­fe­rente para que não vi­esse a es­quecer aquelas pa­la­vras pro­fé­ticas, e que, em mo­mento opor­tuno do fu­turo, eu seria cha­mado a tes­te­munhá-las.

Estou aqui na con­dição de um car­teiro, ou me­lhor di­zendo, de um men­sa­geiro de um car­tório de notas a quem fosse con­fiada a ta­refa de en­tregar de­ter­mi­nada no­ti­fi­cação por ordem de uma au­to­ri­dade su­pe­rior. Cons­ci­ente da im­por­tância do que me foi con­fiado às mãos, en­trego-o hoje em sua com­ple­tude aos nossos ir­mãos em hu­ma­ni­dade, na cer­teza de que estou cum­prindo um dever e nada mais. O seu con­teúdo não foi la­vrado por mim e sim pelo maior mé­dium que a hu­ma­ni­dade co­nheceu desde os tempos do Cristo, que é Chico Xa­vier. Guardo a cer­teza de que o mé­dium, por sua vez, o re­ce­berá por parte da Grande Co­mu­ni­dade dos Pra­ti­cantes do Evan­gelho de Jesus no Mais Além.” (Pá­ginas 4 e 5 da edição de maio da re­vista Folha Es­pí­rita)




Ano-limite do mundo velho Matéria de Marlene Nobre publicado no jornal Folha Espírita, ano XXXV, nº 439, edição de maio de 2011

Marlene Nobre - O tema da trans­for­mação da Terra de mundo de ex­pi­ação e provas para mundo de re­ge­ne­ração, le­van­tado pelo pró­prio co­di­fi­cador da Dou­trina Es­pí­rita, Allan Kardec, sempre in­te­ressou e in­trigou Ge­raldo Lemos Neto, fun­dador da Casa de Chico Xa­vier, de Pedro Le­o­poldo (MG). 

Com 19 anos de idade, já tendo lido e es­tu­dado toda a obra de Kardec, co­nheceu o mé­dium Chico Xa­vier, amigo da fa­mília desde os tempos de sua me­ni­nice em Pedro Le­o­poldo. 

“Na­quela época, como já havia ou­vido inú­meros casos re­la­tivos à sua me­diu­ni­dade e ca­ri­dade para com o pró­ximo, tinha muita von­tade de co­nhecê-lo e ouvi-lo pes­so­al­mente, o que de fato ocorreu em ou­tubro de 1981, em São Paulo”, lembra Lemos Neto. A partir da­quele pri­meiro en­contro, uma grande afi­ni­dade os ligou, con­forme conta, o que fez com que o também fun­dador da Edi­tora Vinha de Luz o vi­si­tasse re­gu­lar­mente em Ube­raba (MG), acom­pa­nhado de fa­mi­li­ares. 

Em 1984 Lemos Neto casou-se com Eliana, irmã de Vi­valdo da Cunha Borges, que mo­rava com Chico Xa­vier desde 1968 e di­a­gra­mava todos os seus li­vros. A partir de então, passou a des­frutar de uma in­ti­mi­dade maior com Chico em Ube­raba, vi­si­tando-o com mais frequência e hos­pe­dando-se em sua re­si­dência. “Posso dizer que essa época foi para meu co­ração um ver­da­deiro te­souro dos céus. Re­cordo-me até hoje da­queles anos de con­vi­vência amo­rosa e ins­tru­tiva na com­pa­nhia do sábio mé­dium e amigo com pro­funda gra­tidão a Deus, que me per­mitiu se­me­lhante con­cessão por acrés­cimo de Sua Mi­se­ri­córdia In­fi­nita. Assim, tive a fe­li­ci­dade de con­viver na in­ti­mi­dade com Chico Xa­vier, di­a­lo­gando com ele vezes sem conta, ma­dru­gada a dentro, sobre va­ri­ados as­suntos de nossos in­te­resses co­muns, no­ta­da­mente sobre es­cla­re­ci­mentos pal­pi­tantes acerca da Dou­trina dos Es­pí­ritos e do Evan­gelho de Jesus”, re­corda. 

Um desses temas, como lembra Lemos Neto, foi em re­lação ao Apo­ca­lipse, do Novo Tes­ta­mento. “Sempre me as­som­brei com o tema, re­la­tando a Chico Xa­vier minha di­fi­cul­dade de en­tender o livro sa­grado es­crito pela me­diu­ni­dade de João Evan­ge­lista. Desde então, em nossos co­ló­quios, Chico Xa­vier tinha sempre uma ou outra pa­lavra es­cla­re­ce­dora sobre o as­sunto, pon­tu­ando esse ou aquele ver­sí­culo e fa­zendo-me com­pre­ender, aos poucos, o mo­mento de tran­sição pelo qual passa o nosso orbe pla­ne­tário, a ca­minho da re­ge­ne­ração”, afirma. Foi em uma dessas con­versas ha­bi­tuais, lem­brando o livro de sua psi­co­grafia, Brasil, Co­ração do Mundo, Pá­tria do Evan­gelho, es­crito pelo es­pí­rito Hum­berto de Campos, que Lemos Neto ex­ternou ao mé­dium sua dú­vida quanto ao tí­tulo do livro, uma vez que ainda na­quela oca­sião, em me­ados da dé­cada de 80, o Brasil vivia às voltas com a hi­pe­rin­flação, a mi­séria, a fome, as grandes dis­pa­ri­dades so­ciais, o des­con­trole po­lí­tico e econô­mico, sem falar nos es­cân­dalos de cor­rupção e no atraso cul­tural. 

“Lembro-me, como hoje, a ex­pressão sur­presa do Chico me res­pon­dendo: ‘Ora, Ge­ral­dinho, você está que­rendo pri­vi­lé­gios para a Pá­tria do Evan­gelho, quando o fun­dador do Evan­gelho, que é Nosso Se­nhor Jesus Cristo, viveu na po­breza, cer­cado de do­entes e ne­ces­si­tados de toda ordem, ex­pe­ri­mentou toda a sorte de vi­cis­si­tudes e per­se­gui­ções para ser su­pli­ciado quase aban­do­nado pelos seus amigos mais pró­ximos e morrer cru­ci­fi­cado entre dois la­drões? Não nos es­que­çamos de que o fun­dador do Evan­gelho atra­vessou toda sorte de pro­va­ções, pa­deceu o mar­tírio da cruz, mas de­pois ele largou a cruz e res­sus­citou para a Vida Imortal! Isso deve servir de ro­teiro para a Pá­tria do Evan­gelho. Um dia ha­ve­remos de res­sus­citar das cinzas de nosso pró­prio sa­cri­fício para de­mons­trar ao mundo in­teiro a imor­ta­li­dade glo­riosa!’”, es­cla­receu. 

Sobre essas e ou­tras re­ve­la­ções feitas a ele por Chico Xa­vier sobre fatos re­la­ci­o­nados ao ano em que se dará a grande trans­for­mação do nosso pla­neta, Lemos Neto fala mais abaixo: 

Folha Es­pí­rita – No livro A Ca­minho da Luz, nosso ben­feitor Em­ma­nuel já havia pre­visto que no sé­culo XX ha­veria mais uma reu­nião dos Es­pí­ritos Puros e Eleitos do Se­nhor, a fim de de­ci­direm quanto aos des­tinos da Terra. A reu­nião acon­teceu e a ela com­pa­re­ceram Chico e Em­ma­nuel – os mis­si­o­ná­rios que tra­ba­lham ab­ne­ga­da­mente, por sé­culos a fio, em favor da re­no­vação hu­mana. 

Quais os re­sul­tados dessa reu­nião?

Ge­raldo Lemos Neto – Na sequência da nossa con­versa, per­guntei ao Chico o que ele queria exa­ta­mente dizer a res­peito do sa­cri­fício do Brasil. Es­taria ele a prever o fu­turo de nossa nação e do mundo? Chico pensou um pouco, como se es­ti­vesse vis­lum­brando cenas dis­tantes e, de­pois de algum tempo, re­tornou para dizer-nos: “Você se lembra, Ge­ral­dinho, do livro de Em­ma­nuel, A Ca­minho da Luz? Nas pá­ginas fi­nais da nar­ra­tiva de nosso ben­feitor, no ca­pí­tulo XXIV, cujo tí­tulo é O Es­pi­ri­tismo e as Grandes Tran­si­ções? Nele, Em­ma­nuel afir­mara que os es­pí­ritos ab­ne­gados e es­cla­re­cidos fa­lavam de uma nova reu­nião da co­mu­ni­dade das po­tên­cias an­gé­licas do Sis­tema Solar, da qual é Jesus um dos mem­bros di­vinos, e que a so­ci­e­dade ce­leste se reu­niria pela ter­ceira vez na at­mos­fera ter­restre, desde que o Cristo re­cebeu a sa­grada missão de re­dimir a nossa hu­ma­ni­dade, para, enfim, de­cidir no­va­mente sobre os des­tinos do nosso mundo. 

Pois então, Em­ma­nuel es­creveu isso nos idos de 1938 e estou in­for­mado que essa reu­nião de fato já ocorreu. Ela se deu quando o homem fi­nal­mente in­gressou na co­mu­ni­dade pla­ne­tária, dei­xando o solo do mundo ter­restre para pisar pela pri­meira vez o solo lunar. O homem, por seu pró­prio es­forço, con­quistou o di­reito e a pos­si­bi­li­dade de vi­ajar até a Lua, fato que se ma­te­ri­a­lizou em 20 de julho de 1969. Na­quela oca­sião, o Go­ver­nador Es­pi­ri­tual da Terra, que é Nosso Se­nhor Jesus Cristo, ou­vindo o apelo de ou­tros seres an­ge­li­cais de nosso Sis­tema Solar, con­vo­cara uma reu­nião des­ti­nada a de­li­berar sobre o fu­turo de nosso pla­neta. O que posso lhe dizer, Ge­ral­dinho, é que de­pois de muitos diá­logos e de­bates entre eles foram dadas di­versas su­ges­tões e, ao final do ce­leste con­clave, a bon­dade de Jesus de­cidiu con­ceder uma úl­tima chance à co­mu­ni­dade ter­rá­quea, uma úl­tima mo­ra­tória para a atual ci­vi­li­zação no pla­neta Terra. Todas as in­jun­ções cár­micas pre­vistas para acon­te­cerem ao final do sé­culo XX foram então sus­pensas, pela Mi­se­ri­córdia dos Céus, para que o nosso mundo ti­vesse uma úl­tima chance de pro­gresso moral. 

O cu­rioso é que nós vamos re­co­nhecer nos Evan­ge­lhos e no Apo­ca­lipse exa­ta­mente este pe­ríodo atual, em que es­tamos vi­vendo, como a un­dé­cima hora ou a hora der­ra­deira, ou mesmo a cha­mada úl­tima hora.” 

Folha Es­pí­rita – Como você re­agiu di­ante da des­crição do que acon­te­cera nessa reu­nião nas Altas Es­feras?

Ge­ral­dinho – Ex­tre­ma­mente cu­rioso com o de­sen­rolar do re­lato de Chico Xa­vier, per­guntei-lhe sobre qual fora então as de­li­be­ra­ções de Jesus, e ele me res­pondeu: “Nosso Se­nhor de­li­berou con­ceder uma mo­ra­tória de 50 anos à so­ci­e­dade ter­rena, a ini­ciar-se em 20 de julho de 1969, e, por­tanto, a findar-se em julho de 2019. Or­denou Jesus, então, que seus emis­sá­rios ce­lestes se em­pe­nhassem mais di­re­ta­mente na ma­nu­tenção da paz entre os povos e as na­ções ter­res­tres, com a fi­na­li­dade de co­la­borar para que nós in­gres­sás­semos mais ra­pi­da­mente na co­mu­ni­dade pla­ne­tária do Sis­tema Solar, como um mundo mais re­ge­ne­rado, ao final desse pe­ríodo. Al­gumas po­tên­cias an­gé­licas de ou­tros orbes de nosso Sis­tema Solar re­ce­aram a di­lação do prazo extra, e foi então que Jesus, em sua sa­be­doria, re­solveu es­ta­be­lecer uma con­dição para os ho­mens e as na­ções da van­guarda ter­restre. Se­gundo a im­po­sição do Cristo, as na­ções mais de­sen­vol­vidas e res­pon­sá­veis da Terra de­ve­riam aprender a se su­por­tarem umas às ou­tras, res­pei­tando as di­fe­renças entre si, abs­tendo-se de se lan­çarem a uma guerra de ex­ter­mínio nu­clear. A face da Terra de­veria evitar a todo custo a cha­mada III Guerra Mun­dial. Se­gundo a de­li­be­ração do Cristo, se e so­mente se as na­ções ter­renas, du­rante este pe­ríodo de 50 anos, apren­dessem a arte do bom con­vívio e da fra­ter­ni­dade, evi­tando uma guerra de des­truição nu­clear, o mundo ter­restre es­taria enfim ad­mi­tido na co­mu­ni­dade pla­ne­tária do Sis­tema Solar como um mundo em re­ge­ne­ração. Ne­nhum de nós pode prever, Ge­ral­dinho, os avanços que se darão a partir dessa data de julho de 2019, se apenas sou­bermos de­fender a paz entre nossas na­ções mais de­sen­vol­vidas e cultas!” 

Folha Es­pí­rita – Quais são os acon­te­ci­mentos que po­demos prever com essas re­ve­la­ções para a Terra?

Ge­ral­dinho – Per­guntei, então, ao Chico a que avanços ele se re­feria e ele me res­pondeu: “Nós al­can­ça­remos a so­lução para todos os pro­blemas de ordem so­cial, como a so­lução para a po­breza e a fome que es­tarão ex­tintas; te­remos a des­co­berta da cura de todas as do­enças do corpo fí­sico pela ma­ni­pu­lação ge­né­tica nos avanços da Me­di­cina; o homem ter­restre terá amplo e total acesso à in­for­mação e à cul­tura, que se fará mais ge­ne­ra­li­zada; também os nossos ir­mãos de ou­tros pla­netas mais evo­luídos terão a per­missão ex­pressa de Jesus para se nos apre­sen­tarem aber­ta­mente, co­la­bo­rando co­nosco e ofe­re­cendo-nos tec­no­lo­gias novas, até então ini­ma­gi­ná­veis ao nosso atual es­tágio de de­sen­vol­vi­mento ci­en­tí­fico; ha­ve­remos de fa­bricar apa­re­lhos que nos fa­ci­li­tarão o con­tato com as es­feras de­sen­car­nadas, pos­si­bi­li­tando a nossa sau­dosa con­versa com os entes que­ridos que já par­tiram para o além-tú­mulo; enfim es­ta­ríamos di­ante de um mundo novo, uma nova Terra, uma glo­riosa fase de es­pi­ri­tu­a­li­zação e be­leza para os des­tinos de nosso pla­neta.” 

Foi então que, fa­zendo as vezes de ad­vo­gado do diabo, per­guntei a ele: Chico, até agora você tem me fa­lado apenas da me­lhor hi­pó­tese, que é esta em que a hu­ma­ni­dade ter­restre per­ma­ne­ceria em paz até o fim da­quele pe­ríodo de 50 anos. Mas, e se acon­tecer o caso das na­ções ter­res­tres se lan­çarem a uma guerra nu­clear? “Ah! Ge­ral­dinho, caso a hu­ma­ni­dade en­car­nada de­cida se­guir o in­feliz ca­minho da III Guerra mun­dial, uma guerra nu­clear de con­sequên­cias im­pre­vi­sí­veis e de­sas­trosas, aí então a pró­pria mãe Terra, sob os aus­pí­cios da Vida Maior, re­a­girá com vi­o­lência im­pre­vista pelos nossos ho­mens de ci­ência. O homem co­me­çaria a III Guerra, mas quem iria ter­miná-la se­riam as forças te­lú­ricas da na­tu­reza, da pró­pria Terra can­sada dos des­mandos hu­manos, e se­ríamos de­fron­tados então com ter­re­motos gi­gan­tescos; ma­re­motos e ondas (tsu­namis) con­se­quentes; ve­ríamos a ex­plosão de vul­cões há muito ex­tintos; en­fren­ta­ríamos de­gelos ar­ra­sa­dores que avas­sa­la­riam os polos do globo com trá­gicos re­sul­tados para as zonas cos­teiras, de­vido à ele­vação dos mares; e, neste caso, as cinzas vul­câ­nicas as­so­ci­adas às ir­ra­di­a­ções nu­cle­ares ne­fastas aca­ba­riam por tornar to­tal­mente ina­bi­tável todo o He­mis­fério Norte de nosso globo ter­restre.”

O que aconteceria especificamente com o Brasil? 
Em certa oca­sião, Ge­raldo Lemos Neto, fun­dador da Casa de Chico Xa­vier, de Pedro Le­o­poldo (MG), fez essa mesma per­gunta a Chico Xa­vier. Se­gundo o mé­dium, “em todas as duas si­tu­a­ções, o Brasil cum­prirá o seu papel no grande pro­cesso de es­pi­ri­tu­a­li­zação pla­ne­tária. Na me­lhor das hi­pó­teses, nossa nação cres­cerá em im­por­tância so­ci­o­cul­tural, po­lí­tica e econô­mica pe­rante a co­mu­ni­dade das na­ções. Não só se­remos o ce­leiro ali­men­tício e de ma­té­rias-primas para o mundo, como também a grande fonte ener­gé­tica com o des­co­bri­mento de enormes re­servas pe­tro­lí­feras que farão da Pe­tro­bras uma das mai­ores em­presas do mundo.” 

E pros­se­guiu Chico: “O Brasil cres­cerá a passos largos e ocu­pará im­por­tante papel no ce­nário global, isso terá como con­sequência a ele­vação da cul­tura bra­si­leira ao ce­nário in­ter­na­ci­onal e, a re­boque, os li­vros do Es­pi­ri­tismo Cristão, que aqui ti­veram solo fértil no seu de­sen­vol­vi­mento, atin­girão o in­te­resse das ou­tras na­ções também. Agora, caso ocorra a pior hi­pó­tese, com o He­mis­fério Norte do pla­neta tor­nando-se ina­bi­tável, grandes fluxos mi­gra­tó­rios se for­ma­riam então para o He­mis­fério Sul, onde se situa o Brasil, que então seria cha­mado mais di­re­ta­mente a de­sem­pe­nhar o seu papel de Pá­tria do Evan­gelho, exem­pli­fi­cando o amor e a re­núncia, o perdão e a com­pre­ensão es­pi­ri­tual pe­rante os povos mi­grantes. 

A Nova Era da Terra, neste caso, de­mo­raria mais tempo para chegar com todo seu es­plendor de con­quistas ci­en­tí­ficas e mo­rais, porque seria ne­ces­sário mais um longo pe­ríodo de re­cons­trução de nossas na­ções e so­ci­e­dades, for­çadas a se re­or­ga­ni­zarem em seus fun­da­mentos mais bá­sicos.”

Folha Es­pí­rita – Se­gundo Chico Xa­vier, esses fluxos mi­gra­tó­rios se­riam pa­cí­ficos?

Ge­ral­dinho – In­fe­liz­mente não. Se­gundo Chico me re­velou, o que res­tasse da ONU aca­baria por de­cidir a in­vasão das na­ções do He­mis­fério Sul, in­cluindo-se aí ob­vi­a­mente o Brasil e o res­tante da Amé­rica do Sul, a Aus­trália e o sul da África, a fim de que nossas na­ções fossem ocu­padas mi­li­tar­mente e di­vi­didas entre os so­bre­vi­ventes do ho­lo­causto no He­mis­fério Norte. Aí é que nós, bra­si­leiros, iríamos ser cha­mados a exem­pli­ficar a ver­da­deira fra­ter­ni­dade cristã, en­ten­dendo que nossos ir­mãos do Norte, em­bora in­va­sores a “mano mi­li­tare”, não dei­xa­riam de estar so­bre­car­re­gados e aflitos com as con­sequên­cias ne­fastas da guerra e das he­ca­tombes te­lú­ricas, e, por­tanto, ainda assim, de­vendo ser con­si­de­rados nossos ir­mãos do ca­minho, ne­ces­si­tados de apoio e ar­rimo, com­pre­ensão e amor. 

Neste ponto da con­versa, Chico fez uma pausa na nar­ra­tiva e com­pletou: “Nosso Brasil como o co­nhe­cemos hoje será então des­fi­gu­rado e di­vi­dido em quatro na­ções dis­tintas. So­mente uma quarta parte de nosso ter­ri­tório per­ma­ne­cerá co­nosco e aos bra­si­leiros res­tarão apenas os Es­tados do Su­deste so­mados a Goiás e ao Dis­trito Fe­deral. 

Os nor­te­a­me­ri­canos, ca­na­denses e me­xi­canos ocu­parão os Es­tados da Re­gião Norte do País, em sin­tonia com a Colômbia e a Ve­ne­zuela. Os eu­ro­peus virão ocupar os Es­tados da Re­gião Sul do Brasil unindo-os ao Uru­guai, à Ar­gen­tina e ao Chile. Os asiá­ticos, no­ta­da­mente chi­neses, ja­po­neses e co­re­anos, virão ocupar o nosso Centro-Oeste, em co­nexão com o Pa­ra­guai, a Bo­lívia e o Peru. E, por fim, os Es­tados do Nor­deste bra­si­leiro serão ocu­pados pelos russos e povos es­lavos. 

Nós não po­demos nos es­quecer de que todo esse in­trin­cado pro­cesso tem a sua as­cen­dência es­pi­ri­tual e somos for­çados a re­co­nhecer que temos muito que aprender com os povos in­va­sores. 

Ve­jamos, por exemplo: os norte-ame­ri­canos podem nos en­sinar o res­peito às leis, o amor ao di­reito, à ci­ência e ao tra­balho. Os eu­ro­peus, de uma forma geral, po­derão nos trazer o amor à fi­lo­sofia, à mú­sica eru­dita, à edu­cação, à his­tória e à cul­tura. Os asiá­ticos po­derão in­cor­porar à nossa gente suas mais altas no­ções de res­peito ao dever, à dis­ci­plina, à honra, aos an­ciãos e às tra­di­ções mi­le­nares. E, então, por fim, nós bra­si­leiros, ofer­ta­remos a eles, nossos ir­mãos na carne, os mais altos va­lores de es­pi­ri­tu­a­li­dade que, mercê de Deus, en­te­sou­ramos no co­ração fra­terno e amigo de nossa gente sim­ples e hu­milde, essa gente boa que re­en­carnou na grande nação bra­si­leira para dar cum­pri­mento aos de­síg­nios de Deus e de­mons­trar a todos os povos do pla­neta a fé na Vida Su­pe­rior, tes­te­mu­nhando a con­ti­nui­dade da vida além-tú­mulo e o exer­cício se­reno e nobre da me­diu­ni­dade com Jesus.”

Folha Es­pí­rita – O Brasil, em­bora so­frendo o im­pacto moral dessa ocu­pação es­tran­geira, es­taria imune aos mo­vi­mentos te­lú­ricos da Terra?

Ge­ral­dinho – In­fe­liz­mente, não. Se­gundo Chico Xa­vier, o Brasil não terá pri­vi­lé­gios e so­frerá também os efeitos de ter­re­motos e tsu­namis, no­ta­da­mente nas zonas cos­teiras. Acon­tece que, de acordo com o mé­dium, o im­pacto por aqui será bem menor se com­pa­rado com o que so­bre­virá no He­mis­fério Norte do pla­neta. 

Folha Es­pí­rita – Por tudo que se de­pre­ende da fala de Chico Xa­vier, você também crê que a ida do homem à Lua, em julho de 1969, tenha pre­ci­pi­tado de certa forma a pre­o­cu­pação com as con­quistas ci­en­tí­ficas dos hu­manos, que po­de­riam co­locar em risco o equi­lí­brio do Sis­tema Solar?

Ge­ral­dinho – Sim, creio que a re­ve­lação de Chico Xa­vier a res­peito traz, nas en­tre­li­nhas, essa pre­o­cu­pação ce­leste quanto às pos­sí­veis in­ter­fe­rên­cias dos hu­manos ter­rá­queos nos des­tinos do equi­lí­brio pla­ne­tário em nosso Sis­tema Solar. Pelo que Chico Xa­vier falou, al­guns dos seres an­gé­licos de ou­tros orbes pla­ne­tá­rios não es­ta­riam dis­postos a nos dar mais este prazo de 50 anos, que ven­cerá daqui a apenas oito anos, te­me­rosos talvez de nossas ne­fastas e per­ni­ci­osas in­fluên­cias. Essa úl­tima hora bem que po­deria ser por nós con­si­de­rada como a úl­tima bênção mi­se­ri­cor­diosa de Jesus Cristo em nosso favor, uma vez que, pela ex­pli­cação de Chico Xa­vier, foi ele, Nosso Se­nhor, quem ad­vogou em favor de nossa causa, ainda uma vez mais. 


Folha Es­pí­rita – A reu­nião da co­mu­ni­dade ce­leste teria de­ci­dido algo mais, se­gundo a ex­po­sição de Chico Xa­vier?

Ge­ral­dinho – Sim. Outra de­cisão dos ben­fei­tores es­pi­ri­tuais da Vida Maior foi a que de­ter­minou que, após o al­vo­recer do ano 2000 da Era Cristã, os es­pí­ritos em­pe­der­nidos no mal e na ig­no­rância não mais re­ce­be­riam a per­missão para re­en­carnar na face da Terra. Re­en­carnar aqui, a partir dessa data, equi­va­leria a um va­lioso prêmio justo, des­ti­nado apenas aos es­pí­ritos mais fortes e pre­pa­rados, que sou­beram ame­a­lhar, no trans­curso de múl­ti­plas re­en­car­na­ções, con­quistas es­pi­ri­tuais re­le­vantes como a man­sidão, a bran­dura, o amor à paz e à con­córdia fra­ternal entre povos e na­ções. In­sere-se dentro dessa pro­gra­mação de ordem su­pe­rior a pró­pria re­en­car­nação do mentor es­pi­ri­tual de Chico Xa­vier, o es­pí­rito Em­ma­nuel, que, de fato, veio a re­nascer, se­gundo Chico in­formou a va­ri­ados amigos mais pró­ximos, exa­ta­mente no ano 2000. Cer­ta­mente, Em­ma­nuel, re­en­car­nado aqui no co­ração do Brasil, ha­verá de de­sem­pe­nhar sig­ni­fi­ca­tivo papel na evo­lução es­pi­ri­tual de nosso orbe.Todos os de­mais es­pí­ritos, re­cal­ci­trantes no mal, se­riam então, a partir de 2000, en­ca­mi­nhados for­ço­sa­mente à re­en­car­nação em mundos mais atra­sados, de ex­pi­a­ções e de provas as­pér­rimas, ou mesmo em mundos pri­mi­tivos, vi­ven­ci­ando ainda o es­tágio do homem das ca­vernas, para po­derem purgar os seus des­mandos e a sua in­sub­missão aos de­síg­nios su­pe­ri­ores. Chico Xa­vier tinha co­nhe­ci­mento desses mundos para onde os es­pí­ritos re­ni­tentes es­ta­riam sendo de­gre­dados. Se­gundo ele, o maior desses pla­netas se cha­maria Kírom ou Quírom. 

"1. parênteses" 
Astrônomos encontram planeta cor-de-rosa 
fora da órbita solar

Gazeta do povo
07/08/2013 17h16

A descoberta faz parte de um conjunto de estudos sobre exoplanetas com o uso do Telescópio Subaru, no Havaí


Será que é este o planeta que irão os exilados terrestres do qual Chico Xavier se referiu? Kíron ou Quíron?

Um planeta gigante, cor-de-rosa, fora da órbita solar, foi descoberto a partir de imagens do Telescópio Subaru, no Havaí. O astro, que gira ao redor da estrela GJ 504, tem muitas vezes mais a massa de Júpiter, apesar de ser do mesmo tamanho. O novo planeta foi chamado de GJ 504b. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7) no site da Nasa.

A descoberta faz parte de um conjunto de estudos sobre exoplanetas com o uso do Telescópio Subaru. O projeto de cinco anos começou em 2009 e é liderado por Motohide Tamura no Observatório Astronómico Nacional do Japão (NAOJ).


Cientistas encontram planeta similar à Terra capaz de abrigar vida

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
18/04/2014 02h53




Ou será este planeta o Kíron ou Quíron que o Chico Xavier se referiu? 


Cientistas da Nasa anunciaram ontem a descoberta do primeiro planeta com o tamanho aproximado da Terra a orbitar na zona habitável de seu sistema planetário. 
O achado é um passo fundamental na confirmação da desconfiança dos astrônomos de que mundos similares ao nosso sejam comuns no Universo.

O planeta orbita uma estrela com metade do diâmetro do Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz de distância (um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros).

Chamada de Kepler-186, ela abriga cinco planetas identificados, o quinto dos quais com aproximadamente 1,1 vez o diâmetro terrestre, localizado na chamada zona habitável.

Essa região do sistema planetário é definida como a área em torno de uma estrela onde um planeta receberia a quantidade certa de radiação para abrigar água em estado líquido na superfície.

Como na Terra essa foi a condição básica para que o planeta desenvolvesse formas de vida, os cientistas esperam que esse seja um bom termômetro para a busca de outras biosferas no Cosmo.

O anúncio foi feito ontem pela Nasa, simultaneamente à publicação de um artigo científico na revista "Science". E os cientistas chegaram até a especular que tipo de vida poderia habitar o mundo.

COMPOSIÇÃO INCERTA
Ninguém sabe no momento de que é feito o planeta recém-descoberto, batizado de Kepler-186f. Para ter uma ideia da composição, os astrônomos precisam saber tanto a massa quanto o tamanho do planeta. É o que permite o cálculo da densidade, que pode ser confrontada com os modelos de formação planetária.

No caso específico, o planeta foi achado pelo satélite Kepler, que mede a redução de brilho da estrela-mãe quando um mundo transita à frente dela. Nesses casos, os pesquisadores conseguem saber o diâmetro, mas não a massa.

Por vezes é possível complementar o estudo com observações em terra que medem os efeitos gravitacionais dos planetas em sua estrela _derivando assim sua massa. Mas a estrela Kepler-186 é muito pequena e distante para permitir essas observações. Mas isso não impede os cientistas de ao menos dar um palpite, com base em mundos de porte similar que tiveram sua densidade medida.






"Pelos exemplos que conhecemos, sabemos que ele tende a ser rochoso, como a Terra", afirma Elisa Quintana, pesquisadora do Centro Ames de Pesquisa, da agência espacial americana, e primeira autora do trabalho.

UMA POSSÍVEL BIOSFERA
Pesquisadores agora trabalham para compreender que condições poderiam ser encontradas em Kepler-186f, caso ele se mostre mesmo um planeta rochoso como o nosso.

Como ele completa uma volta em torno de sua estrela em 129,9 dias terrestres, isso significa que o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional.

Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra.

Embora modelos teóricos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.

LUZ E CALOR
Victoria Meadows, astrobióloga da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, fez cálculos da quantidade de luz que chega até esse mundo a partir de sua estrela.

Embora ele receba só um terço da radiação que o Sol envia para a Terra, como se trata de uma estrela menor conhecida como anã vermelha, há mais fluxo de radiação na frequência do infravermelho.

Na prática, isso quer dizer que é preciso menos luz para esquentar o planeta na medida certa, se comparado com os parâmetros do Sistema Solar.

"A fotossíntese seria possível lá", declara Meadows, indicando que formas de vida capazes de converter luz em energia, como as plantas fazem na Terra, não sofreriam. "Temos criaturas fotossintetizantes terrestres que lidariam bem com os níveis de iluminação de lá."

Uma coisa curiosa é que provavelmente essas plantas alienígenas não adotariam o verde típico da Terra. "Provavelmente a vegetação seria de um tom laranja-amarelo", especula a cientista.

Infelizmente, não há perspectiva imediata de descobrirmos se há mesmo vida por lá. Embora o Telescópio Espacial James Webb, que deve ser lançado em 2018 pela Nasa, tenha a capacidade de analisar a composição atmosférica de mundos similares, o Kepler-186f está longe demais para passar por esse tipo de observação.

A esperança dos cientistas é, nesse meio tempo, encontrar outros planetas similares que estejam mais perto. Uma missão espacial dedicada a isso, chamada TESS, deve ser lançada em 2017 pela agência americana. A atual descoberta é, portanto, apenas o começo de uma nova era no estudo dos incontáveis mundos que existem fora do Sistema Solar.


Folha Es­pí­rita – Pra­ti­ca­mente só nos restam oito anos pela frente. Em­ma­nuel fala na en­tre­vista da dé­cada de 1950, já pu­bli­cada nestas pá­ginas, que é ur­gente a trans­for­mação moral da hu­ma­ni­dade. Qual deve ser a nossa con­duta frente a re­ve­la­ções tão as­sus­ta­doras e ao con­selho do mentor?



Ge­ral­dinho – Então, ca­rís­sima Mar­lene, a úl­tima hora está de fato aí de­mons­trada. Basta termos “olhos de ver e ou­vidos de ouvir”, se­gundo a as­ser­tiva de Jesus. É a nossa úl­tima chance, é a úl­tima hora… Não há mais tempo para o ma­te­ri­a­lismo. Não há mais tempo para ilu­sões ou en­ganos ime­di­a­tistas. Ou se­gui­remos com a Luz que efe­ti­va­mente bus­carmos, ou nos afun­da­remos nas som­bras de nossa pró­pria ig­no­rância. Que será de nós? A res­posta está em nosso livre-ar­bí­trio, in­di­vi­dual e co­le­tivo. É a nossa es­colha de hoje que vai gerar o nosso des­tino. Po­de­remos optar pelo me­lhor ca­minho, o da fra­ter­ni­dade, da sa­be­doria e do amor, e a re­ge­ne­ração che­gará para nós de forma bri­lhante a partir de 2019; ou po­de­remos sim­ples­mente es­co­lher o ca­minho do so­fri­mento e da dor e, neste caso in­feliz, te­remos um longo pe­ríodo de re­cons­trução que po­derá durar mais de mil anos, se­gundo Chico Xa­vier. En­tre­tanto, se­jamos oti­mistas. Lem­bremo-nos que deste pe­ríodo de 50 anos já se pas­saram 42 anos em que as na­ções mais de­sen­vol­vidas e res­pon­sá­veis do pla­neta con­se­guiram se su­portar umas às ou­tras sem se lan­çarem a uma guerra de ex­ter­mínio nu­clear. Essa era a pré-con­dição im­posta por Jesus. Até aqui se­guimos bem, em­bora entre trancos e bar­rancos. Faltam-nos hoje apenas o per­curso da úl­tima milha, os úl­timos oito anos deste pe­ríodo de ex­ceção e mi­se­ri­córdia do Al­tís­simo. Oxalá pros­si­gamos na me­lhor com­pa­nhia! 

Como po­de­remos fa­cil­mente con­cluir, tudo de­pen­derá, em úl­tima aná­lise, de nossas pró­prias es­co­lhas, en­quanto en­ti­dades in­di­vi­duais ou co­le­tivas, para nosso pro­gresso e as­censão es­pi­ri­tual. É o “A cada um será dado se­gundo as suas pró­prias obras!” que o Cristo nos en­sinou. 

Não es­tamos en­tre­gues à fa­ta­li­dade nem pre­de­ter­mi­nados ao so­fri­mento. Es­tamos di­ante de uma en­cru­zi­lhada do des­tino co­le­tivo que nos une à nossa casa pla­ne­tária, aqui na Terra. Temos di­ante de nós dois ca­mi­nhos a se­guir. O ca­minho do amor e da sa­be­doria nos le­vará a mais rá­pida as­censão es­pi­ri­tual co­le­tiva. O ca­minho do ódio e da ig­no­rância acar­retar-nos-á mais amplo dis­pêndio de sé­culos na re­cons­trução ma­te­rial e es­pi­ri­tual de nossas co­le­ti­vi­dades. Tudo virá de acordo com nossas es­co­lhas de agora, in­di­vi­duais e co­le­tivas. Oremos muito para que os Ben­fei­tores da Vida Maior con­ti­nuem a nos ajudar e in­cen­tivar a se­guir pelo Ca­minho da Ver­dade e da Vida. O pró­prio es­pí­rito Em­ma­nuel, através de Chico Xa­vier, res­pon­dendo a uma en­tre­vista já pu­bli­cada em livro nos diz que as pro­fe­cias são re­ve­ladas aos ho­mens para não serem cum­pridas. São na re­a­li­dade um grande aviso es­pi­ri­tual para que nos me­lho­remos e afas­temos de nós a hi­pó­tese do pior ca­minho. 

Com­par­tilho com os lei­tores da Folha Es­pí­rita men­sagem de nosso ben­feitor es­pi­ri­tual The­ophorus, psi­co­gra­fada por nosso in­ter­médio, na noite de 14 de agosto de 2006 em reu­nião pú­blica no Centro Es­pí­rita Luz, Amor e Ca­ri­dade, de Belo Ho­ri­zonte (MG). Com o tí­tulo A Terra da Pro­missão, seu con­teúdo versa exa­ta­mente sobre o tema desta en­tre­vista.

O FILME: 


Filme: Data Limite Segundo Chico Xavier [Completo]

SINOPSE
Especialistas em ufologia afirmam que após a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, se verificou um aumento considerável no número de avistamentos de OVNI’S (Objetos Voadores Não Identificados) em todo o mundo.Pouco mais de duas décadas depois, o médium brasileiro Chico Xavier confidenciava aos companheiros mais próximos que, por ocasião da chegada do homem à lua em 20 de julho de 1969, acontecera uma reunião com as potências celestes de nosso sistema solar para verificar o avanço da sociedade terrena. Decidiram pois, conceder a humanidade um prazo de 50 anos para que evoluísse moralmente e convivesse em paz, sem provocar uma terceira guerra mundial.Se assim convivesse até a Data Limite, a humanidade estaria, a partir de então, pronta para entrar numa nova era de sua existência, e feitos magníficos seriam verificados por toda a parte, inclusive os nossos irmãos de outros planetas estariam autorizados expressamente à se apresentarem pública e oficialmente para os habitantes da terra. 
Lançamento: Agosto de 2014 
Por: Pozati Filmes + Cinemakers 
Direção: Fabio Medeiros 
Roteiro: Juliano Pozati e Rebeca Casagrande 
Gênero: Documentário 
Duração: 63 min + Extras 
Características: Colorido, Widescreen, português 
Produção Executiva: Juliano Pozati e Rebeca Casagrande


Link para assistir o filme direto na página VERDADE MUNDIAL 



"2. parênteses" 

Revelações de Chico Xavier a Geraldo Lemos Neto são relembradas em entrevista ao Jornal Correio de Luz de Taubaté, SP



ENTREVISTA COM GERALDO LEMOS NETO E AS REVELAÇÕES DE CHICO XAVIER



1. Caro Geraldo, os exemplos de amor deixados por Chico Xavier parecem vivos como sempre no coração daqueles pessoas que tiveram a alegria de conviver com ele. Você é uma delas. Como foi viver de perto com Francisco Cândido Xavier?

RESPOSTA: Quando convivi mais de perto na intimidade de sua casa de Uberaba, por várias ocasiões assistíamos juntos na casa de Vivaldo da Cunha Borges, meu cunhado que com Chico morava, as fitas em VHS de filmes que faziam a alegria de Chico como foi o caso de Ghost, Jornada nas Estrelas e muitos mais.

Conversávamos longamente nas madrugadas sobre os temas mais interessantes, com ele sempre nos contando casos curiosos e impressionantes que ocorreram com ele ao longo de sua vida. Ele era de um bom humor extraordinário, sempre pronto a nos trazer notas de alegria e reconforto. Eu diria que Chico tinha os pés no chão, o coração junto de todos nós em atenções, cuidados e afetos puros, e os olhos fixados nas estrelas do firmamento!

Acompanhávamos às vezes as suas tarefas do correio, quando o ajudávamos a subscritar caixinhas de mensagens endereçando-as aos seus amigos espalhados por todo o Brasil. Chico psicografava em casa usando um gravador com fitas de música clássica que nós, os amigos, lhe ofertávamos ou que ele mesmo mandava comprar. Apreciava muito os compositores clássicos românticos como Beethoven, Lizt, Chopin, Mendelsson, Brahms e também os mais recentes Sibelius, Mahler, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazaréh, e Heitor Villa Lobos, as músicas de canto popular e uma vez ele nos contou que a sua música preferida era o Hi Lily, Hi Lo de um compositor norte-americano. Chico também apreciava muito a música popular brasileira, com grande simpatia por Roberto Carlos e a jovem guarda.

Quanto ao cinema meus tios avós costumavam relatar que Chico adorava ir ao cinema de Pedro Leopoldo acompanhado dos amigos e depois se reuniam todos em sua casa ou na casa de André Luiz seu irmão para os comentários. Era de se ver Chico pedindo a meu tio avó Walter Machado, que sempre teve dotes artísticos, para que ele desenhasse os artistas de Holywood, no que era atendido com prazer. 

Todas as pessoas que foram ligadas ao coração de Chico Xavier nas cidades de Pedro Leopoldo, Belo Horizonte e Uberaba atestam que com cada uma delas Chico partilhou o seu amor, a sua bondade natural, a sua alegria espontânea, a sua solidariedade incondicional. Todos são unânimes em afirmar isto, que o amor ao trabalho, a dedicação ao Evangelho de Jesus e à Doutrina Espírita foram suas características mais marcantes, e em especial a sua caridade aliada a uma disciplina impecável para com o serviço da consolação e da esperança. Chico Xavier espalhava alegria por onde passava, com seus casos e anedotas, a rir-se de si mesmo, transformava-se na alegria de todos nós. Ao mesmo tempo era de se ver sua seriedade quando os nossos postulados espíritas cristãos estavam em jogo. Firmeza de caráter e coerência de sentimentos com a luz da razão esclarecida ! 

Para nós Chico Xavier é um verdadeiro Apóstolo do Cristo nos tempos modernos. 

2. Fala-se aos quatro cantos sobre a previsão do calendário Maia, que vaticina que o dia 22 de Dezembro está marcado para uma grande catástrofe. No livro: " Não será em 2012", você fala de uma previsão revelada a Chico Xavier, que desdiz as previsões maias. Você pode nos falar sobre ela?

Resposta: Só esta pergunta caro Ari Rangel já dá um livro. De fato em nossas conversas com Chico Xavier ele jamais se referiu à data de 2012 como uma data importante. Nunca ouvi nada a respeito de 2012 da boca de Chico Xavier. Agora nós conversávamos muito acerca da transição planetária do mundo de provas e expiações que estamos deixando de ser para o mundo de regeneração que um dia seremos plenamente. Como isto é da ordem da Vontade Soberana de Deus, nada nem ninguém poderá impedir esta transformação do planeta Terra e o seu ingresso definitivo na comunidade dos planetas em regeneração, a caminho da comunidade dos planetas felizes. Claro que isto é um longo processo que não começou hoje e ainda vai durar muito tempo. As datas somente servem para que tenhamos referências fundamentais à nossa jornada terrestre, sendo sempre relativas ao ponto de vista do observador. Chico Xavier nos contou que aquela reunião prevista por Emmanuel no livro A CAMINHO DA LUZ para o século XX, que reuniria os espíritos angélicos de todo o sistema solar nas cercanias da Terra, na realidade já tinha acontecido em Julho de 1969 quando o homem foi à Lua pela primeira vez. Esta conversa nós tivemos em 1986, portanto já passados 17 anos do ocorrido. Assim, tanto Emmanuel quanto o próprio Chico Xavier já tinham conhecimento sobre o que havia sido decidido por Nosso Senhor Jesus e seus pares crísticos do Sistema Solar a respeito do futuro da Terra. Pois bem, segundo Chico Xavier as potências angélicas decidiram dar à humanidade terrestre uma moratória dos processos cármicos de resgates coletivos já programados para o final do século XX, e assim possibilitar-nos um prazo extra de 50 anos, contados a partir de Julho de 1969, e portanto a findar-se em Julho de 2019. Neste período de exceção, que o Chico nos disse estar previsto no apocalipse de João como a undécima hora ou a hora derradeira, todos seriam novamente convocados ao Bem, à Verdade, ao Amor, à Fraternidade, à própria espiritualização, como uma última chance de optarmos voluntariamente pelo melhor caminho. Se nós conseguíssemos atravessar este período todo até 2019 sem uma guerra nuclear, esta foi a única condição imposta pelos nossos Dirigentes de Mais Acima, nenhum de nós poderia prever os avanços que se dariam a partir de então segundo Chico Xavier. Tudo isto está relatado por mim e por Marlene Nobre no livro NÃO SERÁ 2012 e também no DVD especialmente gravado para a ocasião da entrevista.

Agora, se por infelicidade de nossas nações mais poderosas e cultas, nós nos lançássemos a uma guerra atômica, de consequências devastadores e imprevisíveis, aí sim, infelizmente, as determinações da Misericórdia Celeste seriam suspensas para que a Justiça Divina nos cobrasse os pesados débitos cármicos coletivos que nós na Terra acumulamos ao longo de milênios de crimes, violência, guerras e disputas inúteis. Neste caso segundo Chico Xavier a humanidade terrestre sofreria muito, não somente com a chamada III Guerra Mundial que poderia surgir do Oriente Médio, mas e principalmente porque as entranhas da Terra se abririam em cataclismos espetaculares, como terremotos gigantescos e a explosão de vulcões há muito extintos, levando-nos a sofrer pesadas perdas coletivas. A própria Terra, cansada dos abusos humanos, é que poria fim à guerra, levando com o seu basta grandes somas de desencarnações coletivas e tornando o hemisfério norte da Terra praticamente inabitável, razão pela qual grandes correntes migratórias do norte para o sul direcionariam grandes populações sobreviventes para o Brasil, a América do Sul, a África do Sul e a Austrália.

Neste último caso o mundo de regeneração custaria muito mais a vir, e poderia demorar outros 1000 anos, tendo em vista que gastaríamos várias encarnações para reconstruir o que fora destruído. 

De qualquer modo contudo o Brasil vai desempenhar a sua função cósmica de coração do mundo e pátria do Evangelho, função esta outorgada pelo próprio Criador e revelada pelo Cristo a Ismael, conforme nos relata Humberto de Campos no livro Brasil, Coração do Mundo e Pátria do Evangelho.

Sugiro que os amigos estudiosos do assunto se detenham nos capítulos do livro A GÊNESE de Allan Kardec que falam sobre o fim dos tempos, o sinal dos tempos e a teoria da presciência, para maiores subsídios doutrinários sobre o tema. Igualmente se detenham no livro A CAMINHO DA LUZ e HÁ DOIS MIL ANOS de Emmanuel, este último na fala de Jesus aos martirizados em Roma junto com Lívia. Temos nos citados livros importantes revelações que corroboram as previsões de Chico Xavier.

3. O que esperar do futuro se os homens mantiverem a sensatez da paz?

Resposta: Segundo Chico Xavier pessoalmente nos contou, se os homens de responsabilidade nas nações mais desenvolvidas e cultas de nosso planeta Terra conseguirem fazer com que superemos as nossas diferenças, evitando uma guerra de destruição nuclear, até a data de Julho de 2019, nenhum de nós poderá prever a rapidez do avanço que se dará a partir daí. Segundo ele, vencido este prazo estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo como um período probatório de nossa boa vontade em progredir em paz, a Humanidade terrestre experimentará avanços assombrosos no campo das ciências, das artes, da espiritualidade e das religiões, sem contar os avanços sócio-econômicos que teremos, em benefício de nossa coletividade planetária. Como vemos, o Cristo não nos pede muito. Exige de nós, para que nos acerquemos dessas bençãos incontáveis do progresso real, apenas que nos mantenhamos em paz uns com os outros, sem nos aventurarmos a uma guerra atômica!

4. E o Brasil, segundo as assertivas deixadas pelo Chico, como fica?

Resposta: Chico falou com muita clareza sobre os dois caminhos que poderemos percorrer. O primeiro o da paz pelo qual atingiremos mais rapidamente o mundo de regeneração a partir de 2019, e o segundo, pela guerra, quando então pesados cataclismos retardarão a nossa marcha, atrasando-a em séculos. Neste último caso é triste pensarmos na divisão da pátria brasileira como previu o Chico, você não acha? Mas temos de raciocinar que os desígnios da Providência Divina são insondáveis. O que nos parece um mal, a princípio, poderá mais tarde ser interpretado como um grande benefício. De outra sorte, penso que a migração em massa de outros povos, tão diferentes em termos socio-culturais de nosso povo, poderá se configurar em uma importante enxertia de vida nova, incorporando valores importantes à pátria brasileira. De nossa parte teremos a oferecer ao mundo até agora tão distante dos ensinos da espiritualidade um verdadeiro tesouro do espírito imortal que é a Doutrina Espírita com as noções do Evangelho de Jesus Redivivo para a contemporaneidade. É por esta razão que Emmanuel escreveu certa feita através de Chico Xavier a frase inesquecível que está inserida no livro DEUS CONOSCO:

"É preciso dar espírito ao gigante!" em se referindo ao gigante Brasil. Então meditando nisto ficamos pensando: Por que o Espiritismo veio frutificar tanto em terras brasileiras, em detrimento de outras partes do globo e até mesmo de seu berço europeu? O que levou o plano espiritual a carrear para cá os seus maiores esforços? Por que razão o Consolador encontrou aqui terreno fértil na mediunidade missionária? E continuando a meditar sobre o tema penso que não somos um povo melhor do que nenhum outro, temos nossos problemas graves de organização social e política, nossas desigualdades escandalosas, nossas mazelas morais como qualquer outro povo do planeta. Então porque é que o Espiritismo teve força em nossas terras? Será que exatamente pelo futuro que nos aguarda como refúgio dos imigrantes? Parece-nos muito lógica esta previsão.

Embora muita gente tenha estranhado o tema provável divisão do Brasil, outras pessoas deram testemunho sobre esta fala do Chico. A própria Dra. Marlene entrevistou nossa cara Neusa Arantes, em meados da década de 1990, e Neusa fez referências a esta previsão do Chico sobre a divisão do Brasil no caso de acontecer uma guerra nuclear. Esta entrevista foi também publicada pela Folha Espírita. Recentemente o nosso caro confrade Cezar Carneiro de Uberaba, um dos biógrafos de Chico Xavier, escreveu um artigo muito interessante, e o distribuiu pela internet, em que relata ter presenciado junto de outros confrades o Chico fazendo referência a isto.

O próprio Chico, de forma delicada, deixou várias pistas sobre o assunto. Em 1979 no livro PLANTÃO DE RESPOSTAS respondendo a uma pergunta sobre o futuro do Brasil ele afirmou: "Segundo contou-nos o espírito de Emmanuel, não apenas na parte financeira que avançaremos, vindo a nos tornar se Deus o permitir a grande potencia econômica do mundo, mas sobretudo no aspecto moral, quando o mundo mergulhar na sua grande e dolorosa prova, ao Brasil estará destinado suportar com amor e brandura os ensinamentos mais belos e firmes do Cristo." Porque será que o Chico usou a expressão 



"O Brasil estará destinado a suportar"? Suportar o quê? Para nós ele revelou: suportar a invasão! Existe uma entrevista de Chico Xavier à Revista da LBV da qual Chico diz em uma das respostas dadas que o Brasil tem capacidade para acolher 900 milhões de pessoas. 

Nela Chico Xavier diz : "Não podemos olvidar que a Europa, super alfabetizada, se encontra num carma de débitos clamorosos, à frente da LEI, em dolorosa expectação, para o reajuste moral que lhe é necessário. Aqui mesmo, no Brasil, uma nação com capacidade de "ASILAR" 900 milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos passando das faixas litorâneas. Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo. E se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, condições mais favoráveis de estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil à fonte da ciência, ; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã, cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, (...) através dos nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida, por aqueles que nos sucederão nos tempos duros."

Esta entrevista foi confirmada pelo pesquisador e orador Haroldo Dutra Dias, em uma palestra disponível em alguns sites da internet cujo título é APOCALIPSE - MITOS E VERDADES, na qual Haroldo afirma que foi até a sede da LBV e ouviu a gravação da entrevista do Chico.

Podemos considerar que se Chico afirmou que o Brasil poderia acolher, ou melhor asilar 900 milhões de pessoas, muito provavelmente ele não estava se referindo ao crescimento populacional de nossa gente. Lembrando que a população Brasileira hoje gira em torno de 170 milhões, daí para 900 milhões é uma enorme diferença. Vale a pena refletir sobre este desafio que o Chico nos lançou: de onde virão os 730 milhões de novos habitantes do Brasil que o Brasil terá de asilar?

5. Mudando um pouco o foco, gostaríamos de ouvir a sua opinião sobre o atual movimento espírita. Estamos no caminho certo?



Resposta: Prefiro me abster de opiniões pessoais para citar o benfeitor da mãe de Chico Xavier, Dona Maria de São João de Deus, que escrevendo ao filho nos idos dos anos 30, mensagens que depois foram transformadas no excelente livro CARTAS DE UMA MORTA, diz: "Cabe-nos operar o movimento grandioso de restauração das crenças puras!" Não resta dúvida de que isto é o mais importante, isto é o que é a verdadeira pureza doutrinária... A restauração das crenças puras, provenientes das fontes cristalinas da sinceridade, da honestidade, da humildade, da simplicidade comovedora da fé, do amor e da fraternidade legítimas que nos remete aos tempos primevos do Cristianismo Original. O espírito de Emmanuel no excelente livro A CAMINHO DA LUZ vai escrever em 1938 através de Chico Xavier: 

"Mas é chegado o tempo de um reajustamento de todos os valores humanos. Se as dolorosas expiações coletivas preludiam a época dos últimos "ais" do Apocalipse, a espiritualidade tem de penetrar as realizações do homem físico, conduzindo-as para o bem de toda a Humanidade. São chegados os tempos em que as forças do mal serão compelidas a abandonar as suas derradeiras posições de domínio nos ambientes terrestres, e os seus últimos triunfos são bem o penhor de uma reação temerária e infeliz, apressando a realização dos vaticínios sombrios que pesam sobre o seu império perecível. Ditadores, exércitos, hegemonias econômicas, massas versáteis e inconscientes, guerras inglórias, organizações seculares, passarão com a vertigem de um pesadelo. A vitória da força é uma claridade de fogos de artifício.

Toda a realidade é a do Espírito e toda a paz é a do entendimento do Reino de Deus e de Sua Justiça. O cajado do pastor conduzirá o sofrimento na tarefa penosa da escolha e a dor se incumbirá do trabalho que os homens não aceitaram por amor. Uma tempestade de amarguras varrerá toda a Terra. Os filhos da Jerusalém de todos os séculos devem chorar, contemplando essas chuvas de lágrimas e de sangue que rebentarão das nuvens pesadas de suas consciências enegrecidas. Condenada pelas sentenças irrevogáveis de seus erros sociais e políticos, a superioridade européia desaparecerá para sempre, como o Império Romano, entregando à América o fruto das suas experiências, com vistas à civilização do porvir. Vive-se agora, na Terra, um crepúsculo, ao qual sucederá profunda noite; sim, porque depois da treva surgirá uma nova aurora. Luzes consoladoras envolverão todo o orbe regenerado no batismo do sofrimento.

O homem espiritual estará unido ao homem físico para a sua marcha gloriosa no ilimitado. Todos somos chamados ao grande labor e o nosso mais sublime dever é responder aos apelos do Escolhido. Revendo os quadros da História do mundo, sentimos um frio cortante neste crepúsculo doloroso da civilização ocidental. A noite não tarda e, no bojo de suas sombras compactas, não nos esqueçamos de Jesus, cuja misericórdia infinita, como sempre, será a claridade imortal da alvorada futura, feita de paz, de fraternidade e de redenção."

Pedimos licença para concluir este tópico com a opinião que ouvi muitas vezes de nosso querido Chico dizendo-nos que Espiritismo é Jesus de novo para o coração do povo e tudo o que estiver fora disso é conversa fiada, é perda de tempo. Então raciocinando com ele, o movimento espírita, que é o movimento dos homens e mulheres encarnados em seu esforço de organização, não pode esquecer que tudo deve ser feito e organizado para servir ao povo, à população, carente de informações, de espiritualidade, de apoio, de arrimo, de socorro espiritual e material. O movimento espírita para refletir o Espiritismo que ele pretende representar precisa se afastar das pompas e circunstâncias e se aproximar cada vez mais do coração das massas anônimas, infelizes e necessitadas de maiores luzes, de consolação e esperança.

6. Um tema polêmico, embora irrelevante, é sobre a encarnação última de Chico Xavier. O que o amigo acha da hipótese aventada de que ele seria a reencarnação do codificador do Espiritismo?

Resposta: Não guardo nenhuma dúvida de que Chico Xavier é de fato a reencarnação do codificador Allan Kardec, uma vez que ele mesmo mo confirmou isto. Para não nos alongarmos muito sugiro aos mais interessados em pesquisar a verdade dos fatos que conheçam a excelente obra do ex-presidente da Federação Espírita do Estado de Goiás, nosso confrade Weimar Muniz de Oliveira, que em 2006 editou o excelente livro A VOLTA DE ALLAN KARDEC, com diversos testemunhos e depoimentos de inúmeras pessoas da convivência mais próxima do Chico. Há também o livro de Adelino da Silveira, KARDEC PROSSEGUE, o primeiro a assumir publicamente a tese de Chico ser Kardec reencarnado, publicado em 1992, e que o próprio Chico autografou aos amigos, distribuindo-o com alegria. Eu mesmo recebi dele 2 exemplares do KARDEC PROSSEGUE autografados.

7. Sabemos que você está à frente da "Casa Chico Xavier", que tem o nobre objetivo de aproximar ainda o grande público dessa vida ímpar que foi Chico Xavier. Como ela funciona?

Resposta: Logo após a desencarnação de Chico Xavier fomos procurados em Belo Horizonte por sua sobrinha Maria Lúcia Ferreira Gonçalves, filha de Dona Luiza Xavier, irmã querida de Chico Xavier, que como herdeira dos bens de Chico Xavier desejava alienar a casa que lhe pertenceu em Pedro Leopoldo. Ela me disse ter certeza de que Chico ficaria feliz se a casa ficasse aos nossos cuidados, e assim efetivamente acabei por adquiri-la em 2004 comprometendo-me a preservá-la para a posteridade. Depois de algum tempo de reformas, quando contamos com a ajuda gratuita da arquiteta Mary Machado de Faria e de sua equipe, pudemos reinaugurar a casa que Chico Xavier construiu em 1946, para onde se mudou em 1948 e onde viveu até 1959, mantendo-a ainda em sua posse até a sua desencarnação em 2002. Desde o dia de sua reinauguração em 2 de Abril de 2006 ela funciona na cidade natal do médium querido como um Centro de Referência à sua vida e obra. No decorrer dos últimos 7 anos mais de 100.000 visitantes já passaram por ela e assinaram o livro de presenças, provenientes de todas as partes do país e do mundo. Isto sem contar aqueles que naturalmente se esquecem de registrar sua presença.

Lá temos uma suíte fotográfica do médium, objetos de seu uso pessoal, o quarto de dormir e o banheirinho que era utilizado por ele totalmente preservados, uma exposição dos 464 livros já publicados de sua psicografia, além de mais 210 livros biográficos ou que se referem à sua vida e obra, uma sessão com alguns primeiros exemplares de primeiras edições, cartas manuscritas, mensagens, cartões, CD’s, DVD’s, revistas, títulos de cidadania honorária, e inúmeras traduções de suas obras para o Italiano, o Espanhol, o Inglês, o Francês, o Alemão, o Esperanto, o Sueco, o Russo, o Grego e o Japonês.

Na Casa de Chico Xavier realizamos todos os domingos às 18 horas o Culto do Evangelho no Lar com o estudo de suas obras, e presentemente estamos estudando OS MENSAGEIROS de André Luiz. Também quinzenalmente às terças-feiras lá se reúne o Grupo Fraterno Veneranda que congrega companheiros de todos os centros espíritas de Pedro Leopoldo em demanda às regiões mais distantes e carentes do centro da cidade para o serviço de assistência fraterna e a distribuição de alimentos, roupas, brinquedos e artigos de primeira necessidade. Na casa também todos os domingos às 15 horas temos um curso de Esperanto, dirigido pelo nosso caro Professor Alberto Chueiri. Às últimas quartas-feiras de cada mês, às 20 horas, durante todo o ano de 2012, teremos lá as Reuniões de Estudos Lítero-musicais sob a coordenação do confrade Denilson Silva, estudando as implicações da arte espírita e apresentando os nossos artistas e suas belas composições.

Além disso, temos o departamento editorial da Casa de Chico Xavier que é a Editora Vinha de Luz, que vem se especializando na publicação de obras ainda inéditas da psicografia de nosso amado Chico, ou novas biografias que se referem à sua vida e obra exemplares. Já contamos com um acervo de 20 obras editadas e os amigos poderão conhecê-las através do site www.vinhadeluz.com.br

A Casa de Chico Xavier está aberta à visitação pública de terça-feira aos domingos, de 9:00 às 12:00 horas e de 15:00 às 19:00 horas e a entrada é gratuita. Pela internet o visitante pode acessar a Casa no site www.casadechicoxavier.com.br

8. Como o amigo vê a divulgação da Doutrina atualmente?

Resposta: Nós atingimos hoje, especialmente graças à repercussão do centenário de Chico Xavier, uma fase em que a divulgação da Doutrina Espírita tem atingido a grande massa, seja pelo livro, pelo teatro, pela televisão, pelo rádio, pelo cinema, pelos jornais e periódicos, e pela internet, enfim pela multimídia. Eu me lembro de uma ocasião no início da década de 80 quando o Chico virou-se para mim e me perguntou: Geraldinho, você sabe me dizer o que é multimídia? 

E eu ali fiquei gaguejando sem saber ao certo o que responder ao Chico. Em seguida eu lhe perguntei o porquê dele me indagar a respeito e ele me respondeu: Porque os espíritos estão me dizendo aqui que chegará o dia em que a Doutrina Espírita será divulgada em multimídia e nós precisamos nos preparar para ela! A previsão do Chico se concretizou, mas será que nós espíritas estamos preparados para receber o grande público?

9. No livro: "Mensagens de Inês de Castro", de Caio Ramacciotti com a sua parceria, nós encontramos a história de várias reencarnações: Isabel de Aragão, Batuíra, Caroline Baudin, Pedro I, etc. Por que tanto tempo para ele vir a lume?

Resposta: O nosso estimado amigo Caio Ramacciotti, a quem prezamos com profunda amizade e reconhecimento como irmão dedicado e mui digno diretor do GEEM de São Bernardo do Campo, depositário fiel de mais de 85 obras da psicografia de Chico Xavier, segundo ele mesmo nos contou, guardou os originais da obra em questão desde os idos de 1977, quando Chico Xavier a psicografou, esperando o momento adequado para sua publicação. No ano de 2006, conversando conosco, ele achou por bem que era chegado o momento de trazer esta maravilha mediúnica, com os seus devidos comentários históricos, para o nosso público leitor. 

10. Agora, irmão-amigo, gostaríamos que você deixasse uma mensagem aos nossos irmãos leitores, agradecendo imensamente a bondade e o carinho com que nos atendeu. Muito obrigado!

Peço permissão para transcrever aqui a mensagem de Emmanuel, inserida no livro SENTINELAS DA LUZ: 

NAS CONVULSÕES DO SÉCULO XXI (UMA GRANDE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE)

Emmanuel

Não bastaram as torrentes do infortúnio que as grandes guerras do século lançaram sobre os vales do mundo.



Acordando, estremunhada, de horrível pesadelo, que perdurou por mais de dois mil dias, e embora os lares desertos, os campos talados, as arcas empobrecidas e as prisões repletas, arregimenta-se a coletividade planetária para novos embates de cegueira e destruição.

Amontoam-se pesadas nuvens nos céus do Oriente e do Ocidente...

Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas?!...

Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto de sangue de dezesseis séculos de menosprezo à luz espiritual.

Desde Constantino, o Cristianismo puro sofre a intromissão egoística de humanos interesses. Sempre a ofensiva das trevas contra a luz, as arremetidas do mal contra o bem.

É inegável que as instituições terrenas, não obstante constrangidas, revelam apreciáveis características de progresso. Regressando ao cenário atual, Aristóteles, o oráculo de filósofos e teólogos, não mais aplaudiria o cativeiro, declarando o escravo "propriedade viva"; Ignácio de Loiola, o santo, a pretexto de preservar a fé, não mobilizaria os tribunais da Inquisição.

A influência do Cristianismo determinou enormes transformações na curul administrativa. Entretanto, a dignificação da personalidade permanece apenas esboçada.

Os aviltamentos do ódio campeiam em todos os climas. Arraiga-se a injustiça, com a máscara da legalidade, nas organizações dos países mais nobres.

Há desvarios do poder em toda parte.

Baraço e cutelo, metamorfoseados nos mais estranhos aparelhos de tortura e de morte, são ainda recursos da toga.

A desconfiança e a discórdia regem as relações internacionais.

Racismo tirânico perturba povos avançados. Conflitos ideológicos tremendos aguçam o raciocínio a soldo da ciência perversa.

E, coroando o sombrio edifício, instalou-se a guerra entre os homens, à maneira de sorvedouro infernal.

O conceito de civilização flutua ao sabor dos grupos dominantes. Para alguns, repousa na economia ou na força; para outros, no direito exclusivista ou na liberdade de praticar o mal. E, do que podemos presumir, não está próxima a equação do inquietante problema.

Há sempre volumosos contingentes para ganhar a demanda, mas raros homens se preocupam em ganhar a harmonia.

O domicílio dos homens sofrerá terríveis brechas, até que a razão se equilibre nas diretrizes do mundo.

A inteligência bestial combaterá ainda a sabedoria divina por longo tempo.

Não somos, pois, estranhos à tormenta de lágrimas, que cobrirá a fronte dos continentes em dolorosos quadros apocalípticos. Constituímos o fruto do que fomos, colhemos na pauta da semeadura.

Nisso não vai estima às predições de Cassandra, nem barateamento às profecias.

Buscando o Cristo nos templos exteriores e expulsando-O dos corações, fora temeridade esperá-lo por salvador gratuito à última hora.

Eis porque, à frente dos atritos formidandos dos dias que passam, apelamos para os seguidores do Evangelho, a fim de que se unam no culto à religião interior.

A consciência identificada com o Mestre é refúgio indispensável.

Se as doutrinas da força somente representam a decadência das nações, por libertarem o vandalismo, restituindo o homem à animalidade primária, é justo reconhecer que a democracia sem orientação cristã não pode conduzir-nos à concórdia desejada. Realmente, a Revolução Francesa, que inaugurou grandes movimentos libertários do Planeta, filiava-se, no fundo, às plataformas elevadas. Objetivava o término das administrações inconscientes, o fim da ociosidade consagrada, a extinção de prerrogativas delituosas, o reajustamento do governo e do sacerdócio, em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Muitos dos patrocinadores da renovação acreditaram-se movidos pelo messianismo evangélico; no entanto, esqueceram-se de que Jesus advogara a liberdade de obedecer a Deus contra o mal, a igualdade dos deveres para que o mérito marcasse a responsabilidade, e a fraternidade verdadeira, dentro da qual há mais alegria em dar que em receber. Conspurcada nos fundamentos, a Revolução, desbordando nos instintos sanguinários, em breve degenerou-se nas lutas napoleônicas, estabelecendo, no mundo, as guerras odiosas de povo a povo.

Desde então, a Terra, em sua geografia política, é uma colmeia desesperada, que só a cristianização da democracia poderá reajustar. 


O angustioso enigma prende-se à ordem espiritual. Impraticável o erguimento do edifício sem bases. Impossível a organização de instituições respeitáveis sem sentimentos humanos dignificados.


O homem elevar-se-á com o Cristo para levantar a política até o plano do equilíbrio Divino ou a política sem Cristo, seja qual for a bandeira a que se acolhe, precipitará o homem no caos.

Este - o dilema da atualidade, em que a ventania da destruição assopra de novo...

E, não obstante edificados na certeza de que tudo coopera em benefício dos que amam a Deus, das claridade de além-túmulo, repetimos para os companheiros do Evangelho:

- Irmãos, entrelaçai os braços e uni corações, em torno do Caminho, da Verdade e da Vida! Tormentas de dor rondam os castelos da vaidade humana e gênios escuros do morticínio acercam-se das moradias sem alicerces. 

Os monstros que devoraram as civilizações dos persas e dos assírios, dos egípcios e dos gregos, dos romanos e dos fenícios espreitam a grandeza fantasiosa dos vossos palácios de ilusão!... Os oráculos que prognosticaram queda e ruína em Persépolis e Babilônia, Tebas e Atenas, Roma e Cartago pronunciam angustiados vaticínios em vossas cidades poderosas...

Polvos mortíferos do ódio e da ambição desregrada multiplicam-se no oxigênio terrestre, predizendo misérias e desolação. Trazem a fome e a peste em novos aspectos, desorganizando-vos a vida e desintegrando-vos os celeiros...

Todos vivemos tempos dramáticos de prece, expectação e vigília...

E, enquanto o aquilão da impiedade ruge destruidor, reunamo-nos na Jerusalém do íntimo santuário!...

Sigamos o Senhor na via dolorosa, como quem sabe que ele prossegue à nossa frente, desvelando-nos o caminho da ressurreição eterna. 

Vejamo-lo, heroico e divino, em seu apostolado de sublime renúncia, vergado à cruz de nossas fraquezas milenárias...

É natural que nossos olhos espreside aos destinos, ouçamo-lo a dirigir-se às mulheres piedosas que se lhe ajoelhavam aos pés, na cidade santa: "Filhas de Jerusalém, não chorais por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos, porque virão dias em se dirá: Bem-aventurados os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram! Clamareis então para os montes: Caí sobre nós! E rogareis aos outeiros: Cobri-nos! Porque se ao madeiro verde fazem isso, que se não fará ao lenho seco? EIS QUE VOLTO! 


Apocalipse 22 - v. 20.