quinta-feira, 3 de setembro de 2015

GAROTA DE 18 ANOS SE PREPARA PARA CASAR COM O PAI BIOLÓGICO APÓS 2 ANOS DE NAMORO pela Revista Marie Claire


Eu não sei o que pensar! Será que é somente um tabu? Será que é biológico, normal? Será que eu estou sendo preconceituosa em achar isso uma aberração que grita contra a minha cultura de que pais são pais e não namorados e nem maridos ou esposas. É um questionamento incômodo é bem verdade. Mas alguma hora terá que vir a superfície e ser debatido, analisado, etc. Estou muito confusa não sei se é porque estou lendo um livro: 'O amor conquistado - O mito do amor materno' da autora e filosofa francesa, Elisabeth Badinter, que questiona, desafia e quebra este tabu dos defensores do amor materno 'imutável', 'obrigatório' que ela diz que é uma cultura que não passa de um epifenômeno, etc. Então deixo para vocês (visitantes, seguidores) pensarem e decidirem como cada um vê e sente em relação a este e outros casos desta natureza que foge totalmente dos nossos padrões culturais e convencionais que fomos educados.
Abraços, 
Roberta Carrilho
P.S - Segue link para download do livro supra citado de forma gratuita 


Na década de 80, Barbara Gonyo, fundadora de um grupo de apoio a crianças adotadas que tiveram a chance de conhecer os pais biológicos, cunhou o termo “Atração Sexual Genética” (GSA - sigla em inglês). Segundo ela, ele diz respeito aos intensos sentimentos amorosos e sexuais observados nas reuniões de reaproximação. Em entrevista ao The Guardian, contou que este sentimento tabu ocorre em 50% dos casos em que parentes afastados se reencontram na fase adulta. É exatamente esta a realidade vivida por uma garota americana de 18 anos.


Em entrevista à The New York Magazine, a jovem da região dos Grandes Lagos, nos Estados Unidos, deu todos os detalhes do relacionamento de dois anos com o seu pai biológico, que ela conheceu 12 anos depois de completo afastamento. Um relato bastante perturbador.

Os pais da menina se conheceram no colégio, aos 18 anos, e a conceberam na noite da festa de formatura. Eles tinham um relacionamento sério há seis meses, mas romperam durante a gravidez. “Eu acho que os problemas psicológicos da minha mãe contribuíram para que a relação não funcionasse. Ela sofre de bipolaridade e outros problemas mentais”, disse. “Eles não eram felizes e não mantiveram o contato depois do meu nascimento.” 
*essas pessoas bipolares infelizmente são altamente destrutivas e devassam a vida de qualquer um, seja homem ou mulher, em qualquer lugar do planeta. São tantas dores, problemas. Muitas perdas e danos! 
Nos dois primeiros anos de vida, ela foi criada pelos avós por conta do descontrole da progenitora e teve um breve contato com seu pai entre os 3 e 5 anos de idade. Mas os encontros eram sempre conturbados e marcados por discussões do ex-casal. Logo, as visitas cessaram.

“Quando eu tinha uns 15 anos, ele escreveu para a minha mãe dizendo que gostaria de me ver. Eu disse que sentia falta dele e não me importaria em encontrá-lo. Ela me perguntou como eu poderia sentir saudades de alguém que eu mal conhecia, que eu não via há muito tempo. Mas a minha carência era de uma figura paterna.” Segundo a jovem, a mãe sempre se relacionou com os caras errados e ela nunca conseguiu se sentir próxima dos padrastos.

Até que aos 17 anos, ela teve a chance de reencontrar o pai biológico. “Minha mãe era muito controladora. Ela tinha a senha do meu Facebook, desde a criação da conta. Um dia, depois de recuperar os meus privilégios de acessar a rede social, ele me adicionou como amigo. A princípio, pensei que fosse o meu avô, por causa do nome similar. Só depois me dei conta de que se tratava do meu pai. Eu disse que achava que ele estava morto e perguntei por que ele demorou para entrar em contato. Ele disse que sempre tentava me adicionar, mas eu sempre rejeitava o convite. Era a minha mãe controlando o meu perfil.”

O contato seguiu via internet e eles descobriram vários gostos em comum. Se encontraram uma semana depois. Passaram o dia todo abraçados. “Descobrimos que somos muito parecidos.” Foi aí que a menina pediu para passar uma semana com ele, que morava cerca de 30 minutos de distância da sua casa. “Acho que minha mãe sabia que eu iria me mudar. Chegamos a um ponto onde eu precisava escapar, ela era muito controladora.”

Os dois passaram cinco dias juntos. “Ele estava morando com a namorada. Na primeira noite, dormiu no sofá e eu no chão, só para ter a certeza de que estava tudo bem. Dormir em lugares diferentes me deixava ansiosa e eu pedi para que ele ficasse comigo, caso eu tivesse pesadelo durante a noite. Na segunda noite, ele dormiu no sofá novamente. E no terceiro dia, eu me vi dormindo com ele no chão, deitada em seu peito, nos braços. A quarta noite passamos no chão de novo. Desta vez, nós realmente nos abraçamos. Quando acordamos, estávamos de conchinha. Eu não soube disso na hora, mas depois que nos declaramos, ele confessou ter tido uma ereção. [Não senti nada]. Eu estava dormindo e ele foi discretamente ao banheiro.”

Na noite seguinte, enquanto brincavam de lutinha antes de se deitarem, ela o mordeu. “Eu pude vê-lo arrepiado dos dedos dos pés aos ombros. Em seguida, ele beliscou minha coxa e eu me arrepiei toda. Paramos e dissemos que não sabíamos o que estava acontecendo, mas admitimos que sentíamos algo forte um pelo outro. Discutimos se isso era certo e nos beijamos. Depois, fizemos amor pela primeira vez. Foi quando eu perdi a virgindade.”

Ela conta que nunca teve vida social, namorou um garoto durante dois anos, mas foi traída. Em seguida, se relacionou com uma garota, mas ela era muito religiosa e a relação não vingou.
“Há uma razão para eu ter perdido a virgindade com ele - eu nunca me senti confortável com outro homem. Foi incrivelmente sensual. Nós dois tivemos orgasmos”, relatou, acrescentando que em nenhum momento foi coagida ou sentiu estranheza. “Foi natural. Não foi um tabu. Senti como se estivesse fazendo amor com um homem com quem eu estava junto há anos.”
No depoimento, ela confirmou que eles se sentiram completamente apaixonados, sentimento que causou o fim do namoro do pai, na época. A mãe e a família materna os veem como pai e filha; já a família paterna os aceita como um casal e “estão ansiosos para que tenhamos filhos”.

Quase dois anos depois do início do relacionamento, eles planejam se casar. “Quero um casamento completo, mas não legalmente registrado. Não acredito que um pedaço de papel prove que você deseja ficar com a pessoa que ama.” Para isso, pretendem se mudar para Nova Jersey, onde podem se sentir seguros perante a lei. “O incesto entre adultos não é considerado ilegal por lá. E assim que mudarmos, vou contar a todo mundo.”

O desejo do casal é também ter filhos biológicos. Eles não temem risco algum. “Eu não correria o risco de ter um filho se eu soubesse que seria prejudicial. Eu pesquisei sobre isso. Todo mundo pensa que as crianças nascidas em relações incestuosas, certamente, terão problemas genéticos, mas isso não é verdade. Isso acontece quando há anos de consanguinidade, como com a família real.”
Mas ela admite que, às vezes, o procura como filha. “Quando eu preciso do meu pai, eu digo, ‘Ei, pai, preciso de você’. E nessa hora, ele não é meu noivo ou namorado, mas meu pai.”
Hoje, ela está com 18 anos e ele com 37, mas garantem que a diferença de idade não atrapalha em nada. “Eu nunca me senti dessa forma com ninguém.”

Quanto aos julgamentos, ela diz: “Eu não entendo por que estou sendo julgada por ser feliz. Somos dois adultos que salvaram um ao outro. As pessoas precisam pesquisar mais sobre incesto e GSA, porque eles não sabem do que se trata e não entendem como acontece. Quando você tem 18 anos, você sabe o que quer. Você é adulto diante da lei. Eu posso cuidar de mim mesma. Não preciso de proteção. Se eu estivesse em uma situação da qual eu tivesse que sair, eu sairia. Não tenho medo de me defender.”




2 comentários:

  1. Muito interessante o post, me fez refletir bastante...O caso não é tão simples assim...acho que o mundo não está preparado pra discutir um caso desses, é realmente complexo.
    Eles podem se amar, acredito que podem sim sentir amor verdadeiro, é uma exceção, um caso a parte, não podemos puni-los mas também não podemos incentivar algo assim ou rotular como "normal". Eles não conviveram juntos então não foi criado o laço familiar, logicamente são como estranhos um para o outro.
    Acredito que precisamos criar esses laços familiares, faz parte do aprendizado do "espírito", no caso deles infelizmente por diversos motivos não tiveram essa oportunidade e acredito que isso acaba passando para os descendentes, essa "falta de importância de laços familiares" pode acabar passando de geração em geração. O próprio pai pode ser uma vítima, como foi sua criação? Ele teve uma família? Como foi sua infância? Todo o histórico dele pode influenciar na tendência que ele tem a não criar laços familiares, a própria separação e não aceitação da filha é uma prova de que esse pai não sabe o que é ter laços familiares. Acredito que essa aproximação dele com a filha foi uma tentativa consciente de criar esses laços, mas o inconsciente foi mais forte que ele e o que aconteceu é atração física. A garota a mesma coisa. E assim como em qualquer relacionamento amoroso se apaixonaram e estão juntos, eles dizem se amar, somente o tempo dirá se é verdadeiro ou não.
    A mãe da moça tentou ao máximo evitar o contato do pai com a filha, ela deve ter um motivo muito forte pra isso, que motivos serão? Será que essa mãe já sabia das "tendências" ou ja previa o que poderia acontecer? Não podemos saber...
    Obrigada por disponibilizar o link do livro, é bem interessante!
    Abraços!

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    1. Olá Paula é sem dúvidas um relacionamento às avessas. É para se pensar e muito!
      Obrigada eu pela visita e pelo comentário.
      Abraços fraternos,

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