sexta-feira, 28 de novembro de 2014

MECANISMOS DE DEFESA E A PSICANÁLISE CLÍNICA por Sigmund Freud (pesquisa Dr. Josué Campos Macedo)


Dr. Sigsmund Schlomo Freud 


Mecanismos de defesa:


Repressão reprime e recalca informações ao inconsciente.


Formação Reativa, onde o sentimento expresso é oposto ao verdadeiro.


Projeção onde a pessoa atribui aos outros as idéias que são suas.


Regressão quando se retoma comportamentos infantis.


Fixação é um congelamento no desenvolvimento.


Sublimação é a satisfação de um impulso inaceitável através de um comportamento socialmente aceito.


Identificação é o processo pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, uma característica de outro mesmo que este outro seja seu agressor.


Deslocamento agressões são direcionadas a outras pessoas pela impossibilidade de direcionar a quem de fato se refere.





A PSICANÁLISE CLÍNICA
Pesquisa realizada pelo Dr. Josué Campos Macedo

A clínica é a prática terapêutica de estudos, e formas de abordagens de tratamento sobre as pessoas que se submetem a ele. A Psicanálise é uma Ciência livre de estudos e pesquisas interagindo de modo independente, e se constitui uma das terapias aplicadas para a saúde mental do ser humano como um todo. Visa tornar consciente o inconsciente, a parte mais profunda do mecanismo psíquico humano descoberto pelo Dr. Sigsmund Schlomo Freud (Freiberg , 6 de maio de 1856/ Londres, 23 de setembro de 1939), mais conhecido como Dr. Sigmund Freud, o Pai da Psicanálise.

Durante muitas décadas a Psicanálise era vista como perda de tempo, como algo sem valor, assim como Freud, seu criador, era visto como louco.

Os tempos foram passando e a Psicanálise começou a quebrar tabus e conquistar o seu espaço provando o valor dos seus métodos terapêuticos (analítico). Hoje a importância de fazer análise entra na vida das pessoas como uma oportunidade de se libertar de fantasmas que, mesmo inconsciente, reduzem a qualidade de vida psíquica e, consequentemente, física.

Na análise, traumas e fixações inconscientes veem a tona e o processo de cura se torna mais eficaz. Fazer análise não é apenas se conhecer, mais aprender a lidar com os “fantasmas da mente” e ter uma vida mais leve. Assim sendo é necessário que saibamos o que é a Psicanálise para quebrarmos ainda mais os rótulos de que só faz análise quem é louco e percebermos que fazer análise é qualidade de vida, pois mente sadia corpo sadio, porém uma mente adoecida deixa o corpo debilitado, adoecido e fraco.

Psicanálise é a ciência do inconsciente e é um método de investigação, que consiste em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações, daquilo que vem do imaginário (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito.

É um método investigativo que se baseia principalmente nas associações livres do sujeito, ou seja, a fala elaborada ou não, que são a garantia da validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode estender-se a produções humanas para as quais não se dispõe de associações livres. A Psicanálise é um método psicoterápico (terapia analítica) baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. O emprego da Psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a este sentido; exemplo: começar uma análise. E para que essa análise seja positiva é necessário que ocorra o que chamamos de transferência (deslocamento do sentido atribuído a pessoas do passado para pessoas do nosso presente). Esta transferência é executada pelo nosso inconsciente. Para a teoria freudiana, esse fenômeno é fundamental para o processo de cura.

A Psicanálise é o nome de uma das técnicas existente no caminho da investigação dos processos mentais que são quase inacessíveis por outros meios. É uma técnica para o tratamento de neuroses, e um grupamento de informações psicológicas a respeito tanto do paciente que está sendo atendido como das pessoas de forma geral.

A grande importância a Psicanálise está em dar o devido valor às influências emocionais para a saúde como um todo de cada pessoa. De inicio a Psicanálise tinha apenas um objetivo, a compreensão do funcionamento psíquico, mas percebe-se que esta compreensão poderia trazer alivio e ajuda emocional para as pessoas que tinham suas vidas paralisadas ou prejudicadas devido a traumas emocionais ou disfunções que até então não eram reconhecidas pela medicina vigente.

Na Psicanálise, a transferência é um fenômeno que ocorre na relação entre o paciente e o terapeuta, quando o desejo do paciente irá se apresentar atualizado, com uma repetição dos modelos infantis, as figuras parentais e seus substitutos serão transpostos para o analista, e assim sentimentos, desejos, impressões dos primeiros vínculos afetivos serão vivenciados e sentidos na atualidade. O manuseio da transferência é a parte mais importante da técnica de análise.

A Psicanálise é um conjunto de teorias psicológicas e psicopatológicas em que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento. A aceitação de processos psíquicos inconscientes, o reconhecimento da doutrina da resistência e do recalcamento e a consideração da sexualidade e do complexo de Édipo são os conteúdos principais da Psicanálise e os fundamentos de sua teoria, e quem não estiver em condições de subscrever todos, não devem figurar entre os Psicanalistas.

Através da clínica psicanalítica saberemos a razão do por que somos, o que somos, por que pensamos como pensamos e por que agimos como agimos.

Com estas descobertas iremos nos tornar pessoas mais livres, felizes, mais resolvidas e conheceremos quem realmente somos.

O atendimento psicanalítico atua não só nas profundezas do inconsciente, identificando as causas das angústias humanas, mas também nos distúrbios psicossomáticos, nas dependências químicas, nas psicopatologias e nos distúrbios de comportamento.

A Psicanálise vai lhe ajudar a se conhecer melhor, a lidar melhor com seus conflitos, a conviver melhor com as pessoas do seu convívio e a ter uma vida mais satisfatória e feliz.

Todo o ser humano precisa de terapia, mesmo não tendo ainda somatizado os seus conflitos interiores.


A IMPORTÂNCIA DA PSICANÁLISE PARA A SOCIEDADE

A clínica psicanalítica atua nas seguintes áreas: Distúrbios psicossomáticos, Fobias, Depressões, Neuroses, Ansiedade, Conflitos existenciais, Histerias, Angústias, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Dependências, Transtornos de conduta, Distúrbios alimentares, Manias, Estresse, Estresse Pós-Traumático, Psicopatologias, etc.

Algumas pessoas mal informadas pensam que Psicanálise é coisa para gente doida, neurótica, histérica, ou para quem é rico e não tem o que fazer, então vai matar tempo com o analista. Que é chegar num consultório, ficar deitado num divã, falando sem parar, com o analista longe de seu campo de visão, ouvindo-o ou fazendo sabe-se lá o quê...

Mas muitos procuram a de Psicanálise por vontade própria, num momento muito difícil de suas vidas. A atitude das pessoas procurarem um analista com empatia imediata com ele é muito positiva, pois já começam o processo com vontade e confiantes que dali resultaria algo positivo. Quando vamos com boa vontade ao consultório e encontramos um profissional com experiência, que nos entenda, que nos atenda bem estamos fortalecendo o nosso processo de cura.

Fazer a análise é algo muito bom. Não é coisa de doido ou de desocupado. É um processo que o ajuda a melhorar como pessoa para si mesmo. Você estando com o desejo de que as coisas fluam, estando com um profissional habilitado e humano, consegue importantes resultados positivos. Conhece-se melhor, em primeiro lugar. Começa a discernir o que é bom ou não para você, dentro de si, em sua vida, em seus atos, nos seus contatos pessoais. E aí vem o amar-se melhor, respeitar-se mais, reorganizar a vida pessoal, afetiva, social, profissional, já que você está mais próximo de si e do que quer e precisa para estar bem. A análise essencialmente um processo de autoconhecimento orientado por um profissional que o ajuda a encontrar respostas dentro de você mesmo e quando necessário lhe dá orientações e "dicas" de como poderia proceder de forma positiva. O Analista não vai resolver seus problemas por você. Ele lhe apresentará instrumentos para isso, muitos resgatados de dentro de você mesmo. Portanto, a análise só dá certo quando permitimos, colaboramos. O profissional pode ser maravilhoso, habilitado, com uma técnica ótima, mas, se eu não quiser a a terapia não vai fluir e não terá progresso. É necessário colaborar, pois o poder de cura não está no analista, e sim no analisado.

Existem casos em que o Psicanalista deu alta para a pessoa depois de 3 meses de análise. Por quê? Na verdade, porque o paciente analisado não cooperava em nada, não se abria, não permitia que o processo acontecesse de forma alguma. Este exemplo só para reforçar que se o paciente não faz a parte dele, a coisa não vai para frente. É muito importante não desistir da Psicanálise. É necessário perseverar no tratamento. Há um provérbio que corrobora com esta ideia: Na perseverança do propósito, está o segredo da vitória. Para fraseando, só teremos pleno êxito no tratamento se perseverarmos.

O Psicanalista é um facilitador. Há profissionais e profissionais, que seguem diferentes linhas da Psicanálise. Pode ser que ele peça para que deite num divã e fique sentado fora de seu campo de visão, pode ser que ele peça que se assente numa poltrona de frente para ele, ou mesmo dê a opção de escolher, se quer o divã ou a poltrona. Pode ser que ele ouça mais e você fale mais, ou vice-versa, isso também varia de sessão para sessão, de momento para momento. O bom profissional saberá quando agir de uma forma ou de outra. A sessão pode ser de grande interação entre você e ele, parecendo mesmo uma conversa, um diálogo. Ele pode ser mais distante ou mais próximo, afetivo. Psicanalistas são pessoas como você, com características próprias e diferentes de um para o outro. Além de profissional, ele é um ser humano, que também tem problemas, alegrias, ama, se frustra, conquista. Ou seja, há Psicanalistas de todos os tipos para todas as preferências e necessidades.

Outra coisa que se ouve muito é alguém dizer que saiu arrasado de uma sessão de análise, que é muito difícil o processo. Algumas sessões são mais densas que outras, mais impactantes, e podemos sair do consultório aparentemente pior do que chegamos. É que geralmente ficamos assim quando alguém nos diz algo que mexe com nossas convicções, com nossos medos, traumas. Não gostamos quando alguém nos dá uma "chamada". Mas, adiantaria se o analista ficasse o tempo todo dizendo "amém" para o que falamos, somos e fazemos? Um amigo de verdade muitas vezes discute com a gente para que nos melhoremos. Assim como o bom profissional às vezes nos "repreende" quando estamos nos fazendo ir "poço abaixo", ou dando "murros em ponta de faca". Uma chamada à realidade, a não compactuação com uma fantasia negativa nossa na forma de uma exortação é para o bem da gente, para nosso crescimento e melhora.

O Psicanalista pode lhe repreender para fazer você parar para pensar, cair na realidade. Vai auxiliá-lo, depois, na busca por respostas e atitudes positivas, dará orientações, que, se você estiver aberto para ouvir e pensar sobre, verá que são muito úteis. Ele não irá lhe chamar à atenção e só. Vai fazer isso e quando oportuno trabalhar com você na busca de soluções.

Portanto, há profissionais diferentes, linhas diferentes. Haverá um profissional com quem se identifique e uma linha de análise com a qual isso também aconteça. Talvez o medo real não seja do analista, nem da imagem que se faz da Psicanálise, do que os outros vão dizer quando souberem que você faz análise. O medo maior talvez seja o de você entrar num processo que irá mexer com seus conceitos, ideias, mitos, que o obrigará a ficar cara a cara consigo, conhecer seu interior e reformulá-lo. Ou seja, dá medo de mexer na situação, muitas vezes, por pior que percebamos que ela esteja. Dá medo perceber que vivemos uma mentira, ou que fingimos ser o que não somos que nos machucamos por hábito ou nos vitimizamos para chamar a atenção, daí vai. Conhecer-se de verdade pode ser amedrontador. Mas, na Psicanálise, isso é feito dentro do seu tempo e dos seus limites, não precisa ser uma "terapia de choque". E é feito para seu benefício. Vale a pena enfrentar esse medo e tentar, se perceber que quer que chegou a hora. Os resultados positivos, quando começam a aparecer e ser percebidos, valem o esforço.

Cuidemos de nossas próprias vidas. Precisamos nos tratar. Vamos atrás do que pode ser bom para nós, mesmo que possa parecer desgastante no começo, mesmo que fantasiemos que será difícil. Só não se impeça de começar por medos infundados ou por ignorância em relação à coisa. Converse com quem faz, colha informações, impressões, leia sobre, reflita, se desejar, antes de partir para a ação, no caso, a Psicanálise. Quando sentir que pode ser o momento, vá. Arrisque-se. A chance de valer muito a pena, de ser muito bom, é bastante grande! Sem se preocupar quanto tempo demorará o processo, quando terá alta, etc., de repente pode se tornar algo tão positivo para você que a análise será por tempo indefinido.

A Psicanálise compreende tanto a teoria freudiana dos fenômenos psíquicos, como a técnica para estudar o inconsciente. O ponto de partida de Freud para o estabelecimento de sua teoria foi essencialmente clínico. Em sono hipnótico, uma paciente de Breuer e Freud revelou vários episódios de sua vida, sentindo-se depois aliviada. Surgiu assim o método catártico, fundamental na terapêutica psicanalítica. Daí Freud concluiu que os sintomas histéricos, (sua paciente era uma histérica) são símbolos comemorativos de certos sucessos traumáticos da vida pregressa do paciente, os quais podem deixar de perturbar a mente do indivíduo, quando trazidos a luz da consciência.

Partindo dessas e de outras experiências, Freud construiu todo um sistema, onde desempenha papel fundamental o conhecimento das diversas fases psíquicas do desenvolvimento do indivíduo. Desde cedo Freud deu grande importância aos fatos eróticos na formação da personalidade. Atribuiu, todavia um sentimento bastante lato à noção de libido e da própria sexualidade que, na concepção psicanalítica, não se restringe ao âmbito da região genital, mas abrange toda uma série de fenômenos relacionados com a obtenção do prazer corporal. Segundo a Psicanálise, a criança passa nos primeiros meses de vida por uma fase de sexualidade difusa por todo o corpo, e que somente mais tarde se concentrará nas zonas erógenas.

Nos primeiros anos de vida a atenção da criança, sua tendência sexual, é atraída por um dos pais: o menino pela mãe e a menina pelo pai. Todavia, sob a ação repressora do meio ambiente, a libido infantil entra num período de latência e a criança aprende a recalcar seus desejos e a escondê-los. Com o desenvolvimento, o indivíduo se abre para os colegas do sexo oposto e supera as fases anteriores, mas podem permanecer resquícios, em maior ou menor proporção, dessas dificuldades sexuais infantis, determinando certas formas de conflitos psíquicos ou de anormalidade na conduta sexual.

A Psicanálise atribui ainda grande importância aos fenômenos do inconsciente. Muitos dos atos de nossa vida, não apenas os instintivos, mas também os aparentemente reflexivos realizam-se sem que deles tenhamos consciência. Se os impulsos e tendências do inconsciente são contrários à orientação da consciência, eles não se realizam abertamente porque a censura os recalca. Mas as tendências reprimidas não são eliminadas; continuam agitando o inconsciente e provocando conflitos psíquicos.

Freud foi um dos primeiros a perceber que sintomas neuróticos ou histéricos (como o exemplo de pacientes que sofriam de síndrome do pânico, mas naquela época não havia diagnóstico e nome cientifico para estes quadros, portanto não eram reconhecidos nem tratados pelos médicos de forma eficiente). Essa percepção se dava através da escuta ao paciente, sendo que muitas vezes este simples ato de escutar, por si só, já se mostrava terapêutico, já apresentava redução nos sintomas, nascia a Psicanálise.

As primeiras teorias psicanalíticas se referiam aos desejos reprimidos, a inaceitação cultural que forçava sentimentos ao calabouço do inconsciente. Alguns seus pacientes tinham questões problemáticas de natureza sexual, os sonhos passaram a ser considerados fonte de informação a respeito do funcionamento da mente humana.

A associação livre foi o método desenvolvido por Freud e que fez parte da Psicanálise, onde as pessoas sentiam-se totalmente à vontade para dizer tudo o que lhes passa na mente, suas necessidades, angustia, desejos reprimidos, e experiências de vida. O Psicanalista escuta e analisa todo o material fornecido pelo paciente de forma totalmente neutra, ou seja, não há julgamentos na Psicanálise, o Psicanalista é totalmente empático em relação ao seu paciente dando total segurança ao momento de análise.


O INCONSCIENTE

Impossível observar diretamente o inconsciente, a Psicanálise percebeu que podemos conhecer apenas os meios pelos quais ele se manifesta, como por exemplo os atos falhos, sonhos e chistes (= brincadeiras, piadas que de certa forma nos liberta de nossas inibições para expressar instintos agressivos, sexuais, cinismo, etc. São usadas para que possamos expressar aquilo que, de outra forma, não ganharia expressão a nível consciente).

Ato falho é uma forma de expressar elementos que não seriam aceitos pela pessoa se fosse transmitido de forma direta, por exemplo, ao chamar sua esposa de mãe este homem está informando que existem sentimentos contraditórios e até inadequados ao papel que esta esposa estaria expressando em sua vida, talvez este homem deseje ou veja sua esposa em um papel de mãe, mas como sabe que seria inaceitável culturalmente ter a expectativa de que sua esposa cumpra este papel ele se reprime de expressar abertamente, e sem querer, expressa este desejo através do ato falho. Sendo assim o inconsciente é visto como outra persona, interna e de difícil acesso mas ainda muito atuante e influente nos comportamentos e sentimentos.

Conversar com os pacientes, ouvi-los, permitir que falem e expressem seus sentimentos pela Psicanálise foi realmente muito inovador para a época. Se você pensar que até mesmo hoje em dia ainda nos admiramos com os médicos que oferecem tempo ao seus pacientes para que descrevam seus pensamentos e sentimentos, imagine naquela época. Formular um método e uma técnica para este diálogo Psicanalista / paciente foi de grande alivio para um numero enorme de pessoas que sofriam caladas sem ter a quem recorrer quando seu sofrimento não podia ser curado com pomadas ou ataduras.

O foco que a Psicanálise deu à sexualidade chocou a muita gente, mas foi um importante passo para que se iniciasse um dialogo e compreensão sobre a ajuda emocional possível.

Freud enquanto Psicanalista via a psique humana como energia - energia psíquica, mas uma energia que precisa que se dê vazão, por exemplo, caso a pessoa não possa dar expressar sua energia pela via da sexualidade terá que encontrar outro caminho, talvez através da vida profissional. Esta energia também é limitado, caso use demais em uma área, faltará em outra.

Essa energia vem das pulsões sexual e agressiva, e precisam ser controladas através da educação e da pressão social. Sendo assim toda pessoa é hedonista, movida pelo desejo de dar vazão as sua pulsões.

O Consciente abrange todos os fenômenos que em determinado momento podem ser percebidos de maneira conscientes pelo indivíduo;

O Pré-consciente ou Subconsciente refere-se aos fenômenos que não estão conscientes em determinado momento, mas se tornar conscientes se a pessoa desejar;

O inconsciente que diz respeito aos fenômenos e conteúdos que não são conscientes e somente sob circunstâncias muito especiais podem tornar-se, por exemplo, pela Psicanálise. (O termo Subconsciente é muitas vezes usado como sinônimo, apesar de ter sido abandonado pelo próprio Freud.)

ID, EGO E SUPEREGO

Segundo os Psicanalistas o aparelho psíquico se divide em 3 estruturas:

ID – é a fonte da libido, formado pelas pulsões, instintos, impulsos e desejos inconscientes. Funciona pelo principio do prazer, busca o prazeroso e evita o desconfortável. Não planeja nem aguarda o melhor momento, apenas busca sua realização. Desinibido e aceita a realização pela fantasia, mesmo que concretamente não haja o ato concreto. É cego e irracional.

EGO – Movido pela realidade, permite que o id se manifeste, mas leva em conta as outras pessoas e situações externas. É racional, planeja e sabe retardar a satisfação do desejo para melhor adequação.

SUPEREGO – São os valores da sociedade se manifestando, a moral e os bons costumes falam mais alto. Seu objetivo é inibir mesmo que através de sentimentos de culpa, manter um comportamento moral mesmo que irracional e buscar a perfeição.

O Ego está, assim, constantemente sob tensão na sua tentativa de harmonizar a ação do Id, do mundo exterior e do superego.

OS MECANISMOS DE DEFESA DO PSIQUISMO HUMANO

Repressão reprime e recalca informações ao inconsciente.

Formação Reativa, onde o sentimento expresso é oposto ao verdadeiro.

Projeção onde a pessoa atribui aos outros as idéias que são suas.

Regressão quando se retoma comportamentos infantis.

Fixação é um congelamento no desenvolvimento.

Sublimação é a satisfação de um impulso inaceitável através de um comportamento socialmente aceito.

Identificação é o processo pelo qual um indivíduo assimila um aspecto, uma característica de outro mesmo que este outro seja seu agressor.

Deslocamento agressões são direcionadas a outras pessoas pela impossibilidade de direcionar a quem de fato se refere.

A Psicanálise tem por função exteriorizar essas tendências recalcadas. Mas como o estudo do psiquismo não se baseia em dados concretos e claramente demonstráveis, a Psicanálise procura resolver problemas que ainda há pouco nem sequer eram formulados e cuja existência é ainda, muitas vezes, contestada. Como os neuróticos são formados geralmente pela corresponsabilidade do indivíduo e da sociedade, esta procura constantemente rejeitar as descobertas da Psicanálise que, direta ou indiretamente, condena certos comportamentos coercivos de nossa estrutura social.

Não resta, porém a menor dúvida que, enquanto a Psicanálise descobre as origens dos males psíquicos, ela revela os caminhos a serem seguidos para que o mal, seja evitado ou remediado. Graças à divulgação dada por Jung e Adler, às descobertas de Freud e Breuer, o ritmo proporcional de aparecimento de neuróticos em nossa sociedade tem sido contido. Além disso, resta a esperança de que à medida que essa conceituação de análise psíquica for sendo vista com mais naturalidade e menos desconfiança por parte dos responsáveis pela formação dos indivíduos, a sociedade dos homens tornar-se-á mais livre e, consequentemente, mais feliz.

O pensamento freudiano permanece ainda na concepção dominante em Psicanálise, mas já passou o tempo em que eclipsava todos os outros que se ocupavam do problema. Embora após Freud, os Psicanalistas tenham seguido rumos muitas vezes diferentes, a doutrina psicanalítica depende hoje de outros grandes psicólogos e psiquiatras como Erich Fromm, Leopold Szondi, Adler e Jung, principalmente.

Com esses sucessores de Freud, a Psicanálise lançou novas luzes sobre o inconsciente e pôs mais em relevo o papel deste, no conjunto da vida psíquica. É preciso porém reconhecer que se a psicologia foi enriquecida e consideravelmente renovada pela Psicanálise, esta contribuiu para a perda acadêmica daquela. Tratando com neuróticos e indivíduos mais ou menos anormais, o Psicanalista é levado a ver desequilíbrio em toda parte e, supondo-o, provoca-o. Em todo caso, o domínio do inconsciente desvendado primeiramente por Freud, tornou-se hoje o campo de estudo de outros grandes nomes de nosso século.


A IMPORTÂNCIA DO PSICANALISTA CLÍNICO

O Psicanalista Clínico é um profissional que pratica a Psicanálise em consultórios, clínicas e até hospitais, empregando metodologia exclusiva ao bom exercício da profissão, quais sejam, as técnicas e meios eficazes da Psicanálise no tratamento das psiconeuroses. Para atingir plenamente seus objetivos, o Psicanalista deve ser uma pessoa com sólida formação humanitária, visto que a profissão requer uma acentuada cumplicidade entre analista e seu paciente. Os Psicanalistas têm sua profissão classificada na CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) no Ministério do Trabalho, Portaria nº 397/MTE de 09/10/2002, sob o nº 2515.50, podendo exercer sua profissão em todo o Território Nacional.

Há uma grande necessidade de Psicanalistas para orientar as pessoas na solução de seus problemas existenciais, tais como: fobias, ansiedades, depressões, obsessões, impulsos auto e heteroagressivos, angústias e crises de toda ordem. O profissional de Psicanálise ajudará a sociedade a ficar mais humana.

O Psicanalista é o profissional que possui uma formação em Psicanálise, método terapêutico criado pelo médico austríaco Sigmund Freud, que consiste na interpretação dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de uma pessoa, baseado nas associações livres e na transferência. Para as instituições formadoras, o Psicanalista pode ter formação em diferentes áreas de ensino superior.

No dia 06 de maio comemora-se o Dia do Psicanalista. A data escolhida em homenagem a Sigmund Freud que nasceu em 6 de maio de 1856, em Freiberg, Morava (atualmente Pribor, Checoslováquia).

A motivação na busca da Psicanálise pode surgir quando a pessoa percebe que está diante de alguns acontecimentos e fatos na sua vida que parece estar causando um “desprazer”significativo que o leva a um considerável sofrimento aparentemente inorgânico.

Quando parece que a vida não tem mais sentido ou não existe mais gozo, prazer que satisfaça sem sofrimento; fazer análise pode ser bom para o analisando. Embora não exista anestésico ou mágica alguma em fazer análise, é importante pois é uma empreitada do conhecer-se a si mesmo. Em algumas situações mesmo que tudo pareça estar normal e sob controle, ainda que se tenha família, amigos e sucesso no trabalho; muitas pessoas sente-se tristes e com uma série de limitações na sua vida. Seja pelos sentimentos de ansiedade, depressão, solidão, ou um quadro de diversas doenças e alergias que podem ter como pano de fundo o psicossomático.

Daí, muitas vezes a necessidade de recomendar ao analisando que faça exames clínicos e procure seu médico de confiança periodicamente conforme for recomendado, investindo assim em prevenção e qualidade de vida. A Psicanálise jamais vai substituir exames médicos e clínicos. Algumas pessoas apresentam sintomas como, medos irracionais, baixa autoestima, pensamentos repetitivos e rituais (próprios seus) e acabam virando escravos disso; seja em casa, no trabalho ou nas suas relações familiares e sociais. A análise psicanalítica consegue levar a pessoa ao mergulho e elucidação dos conteúdos do inconsciente humano, e lá pode ser encontrado grandes tesouros ou também grandes fantasmas. Fazer a travessia sem mergulhar no conteúdo submerso e quase que infinito do seu inconsciente, pode transformar a caminhada em tudo, menos em Psicanálise. É no inconsciente que pode existir um quadro de repreensões, desejos reprimidos, recalques, traumas com algumas penalizações extensivas (até para o Hoje de cada um).

Há pessoas que podem apresentar dores ou sintomas físicos sem que uma causa orgânica ou patológica clínica venha justificar esses sintomas; há ainda os que vivem em desânimo, são solitários com dificuldades para trabalhar, ou que experimentam repetidos fracassos profissionais ou até mesmo em suas relações afetivas. Muitos vivem numa tensão permanente nas relações pessoais, afetivas, a desconfiança é quase que constante com respeito às demais pessoas, a incapacidade para manter relações amorosas mais duradouras e ainda as dificuldades na área da sua sexualidade; tudo isso são sinais de alguma neurose que pode ser conhecida e consequentemente analisada. Nem sempre esses distúrbios surgem como sintomas conscientes e racionais no tempo e em sua forma de viver o dia-dia de cada um que chega ao consultório. Pois a própria queixa inicial do analisado pode ser um “mecanismo de defesa” que só é transgredido após a parceria psicanalítica. O Psicanalista poderá observar se há também certos traços peculiares na maneira de ser da pessoa.

O que o leva a repetir padrões de comportamento que limitam suas potencialidades e a capacidade de usufruir e gozar a vida com mais harmonia, equilíbrio e domínio de si. Uma vez formado o “par analítico” , após algumas sessões, qualquer uma dessas situações de conflito emocional-psíquico do analisado pode ir se elucidando gradativamente. Já que não existe prazo de validade e de garantia na análise, mesmo que durem meses ou até anos; o analisado só vai mudar aquilo que ele mesmo julgar “conveniente” “per si” já que o Psicanalista não é seu (patrão, pai, chefe, Deus), o livre arbítrio do analisado é sempre e eticamente respeitado. A função da Psicanálise é levar o analisado conhecer-se a si mesmo; isto é, leva-lo ao autoconhecimento. Não existe nenhuma restrição médica ou clínica para a pessoa não ser psicanalisada; desde que possua a capacidade de pensar, falar e raciocinar livremente suas idéias (entre a inteligência e imaginação) e estando em sua normalidade mental. A Psicanálise não possui efeitos colaterais ou indesejados à saúde física e mental; ela não prescreve medicação alguma, apenas lida com o conteúdo submerso no inconsciente humano, no intento de reorientar o ser humano.

Descobrindo assim suas neuroses e com liberdade de pensamento e verbalização das emoções e desejos reprimidos; a pessoa estará habilitada para reorganizar e reorientar a sua vida. A persistência e frequência nas sessões também pode ser um fator decisivo. Psicanálise só não é indicada para quem não quer mudar nada e que não queira conhecer-se! Fazer análise é ter coragem para fazer uma travessia de ida e volta ao nosso “Céu” ou ao nosso “inferno” sem querer aqui dar uma conotação religiosa aos termos, mas sim filosófica. Fazer análise nos ensina como melhor lidar com as “próprias” neuroses e aflições humanas! Na análise há a verdadeira possibilidade da libertação do “humano mais humano” que reside dentro de cada um. O trabalho de “cura psicanalítica” consiste em tornar possível o advento da palavra no lugar do sintoma; o ser humano fisicamente é um mamífero e psiquicamente, é um ser de filiação linguística.

O Psicanalista trabalha com o ouvir sem julgo, preconceitos, castigos, punições (sejam elas culturais ou religiosas) que morem no inconsciente humano ou faça parte do seu cotidiano.

O Psicanalista é o maior de todos os ouvidos do inconsciente humano; ele ouve “o que ninguém mais quase sabe ou aprendeu a ouvir” ele vê o que a pessoa comum é ensinada a não ver. A máxima de Freud é a associação livre das ideias e é nisso que o analisado vai elaborando com o seu Psicanalista uma travessia de confiança e libertação das suas neuroses.

A análise é uma parceria entre o analisando e o analista, no curso da qual o primeiro se torna consciente da origem oculta de suas dificuldades. Não é uma tomada de consciência intelectual, mas emocional. Na análise tradicional, o analisando deita-se no divã e procura dizer tudo que vem à cabeça permitindo, dessa forma, que apareçam aspectos da mente não acessíveis a outros métodos.

O analista ajuda a organizar os conteúdos inconscientes conjuntamente com o analisando que, a partir daí, aprimora, corrige, rejeita e adiciona mais pensamentos e sentimentos. Durante o tempo em que uma análise acontece, o analisando entra em contato com esses “insights”, examina-os repetidamente com o analista e os observa na vida diária, nos devaneios e nos sonhos.

Analisando e analista unem-se no esforço não só de modificar padrões de comportamento insatisfatórios e remover sintomas incapacitantes, mas também para ampliar a liberdade de trabalhar e amar.

A pessoa não precisa sentir necessidade de tratamento para obter benefícios com a investigação psicanalítica. O desejo de se conhecer melhor e de funcionar melhor no mundo podem ser motivações suficientes.

Um tratamento psicanalítico envolve sessões regulares de 45 ou 50 minutos, preferencialmente de três a cinco vezes por semana, por tempo indeterminado. A alta frequência e o tempo prolongado da terapia são condições importantes para o acesso ao inconsciente e para a modificação dos seus conteúdos.

Diversos estudos e a experiência clínica têm demonstrado a eficácia da Psicanálise no alívio do sofrimento psíquico e nas transformações emocionais que levam a uma melhor qualidade na vida pessoal e de relacionamentos. Esses ganhos permanecem muito tempo após a conclusão do tratamento devido à capacidade de auto-observação que o indivíduo adquire ao longo de um processo psicanalítico.

Quem entra num tratamento psicanalítico com um analista qualificado tem uma grande chance de realizar os objetivos e o alívio dos problemas que motivaram sua busca do tratamento. Isto demandará tempo e compromisso de sua parte, assim como de seu analista.


O JURAMENTO DO PSICANALISTA

"Juramos perante todos os poderes do homem e, acima de tudo, perante nossas próprias consciências, fazer dos ensinamentos básicos da Psicanálise uma chama sempre viva, que iluminará perenemente os imensuráveis caminhos que devemos percorrer em busca da verdade, do direito e da fé para com nossos semelhantes. Jamais permitiremos que os poderes que nos foram conferidos, através do conhecimento do psiquismo humano, sirvam para criar privilégios ou manter o poder de uma minoria, em detrimento da coletividade; e, mesmo assim, faremos o possível para que esta, em seu poder avassalador, não transforme os seres humanos em, apenas, mais uma unidade de força.

Tudo faremos para que o Homem apareça sob sua verdadeira imagem, protegido pelo inalienável direito de Liberdade, Fraternidade e Amor ao próximo, sentimentos que transformam os seres humanos em constelações de um todo e único Universo. Nunca nos deixaremos intimidar pela aparente fraqueza da espécie humana e, diante disto, jamais empregaremos o ódio, a vingança, ou a acusação, para aplacarmos, através deles, o nosso próprio medo, covardia ou vergonha.

Usaremos sempre da maior cautela possível ao analisarmos nossos semelhantes e, antes de estruturarmos a nossa concepção, prometemos viver os dramas que descobrimos, para, assim, conscientemente, acharmos os necessários mecanismos que lhes sirvam de defesa para o completo estabelecimento de seu equilíbrio psicossomático. Mesmo nas horas mais difíceis, juramos não transformar estes conhecimentos em situação mercantilizadora. Muito ao contrário, faremos, de nossas naturais fraquezas, novas forças para continuarmos o nosso trabalho de pesquisa do psiquismo humano.

Todas as descobertas úteis deverão se transformar em direito comum, com o qual procuraremos moldar a Humanidade, não ao sabor de nossas exigências, mas sim na imperiosa norma de suas naturais necessidades. Criaremos em conjunto, ao lado do respeito para com os complicados mistérios da "psique humana", sentimentos de desprendimento, igualdade e compreensão. Somente assim, despidos de quaisquer melindres condicionadores, caminharemos para nossos verdadeiros destinos, através da História, criando, sempre, condições para que o sentimento da caridade possa imperar.

Sempre nos conduziremos através dos diálogos e das pesquisas. Nunca nos contentaremos com uma só verdade. E, ao lado das relações humanas que, acima de tudo, criaremos em nosso ambiente, chegaremos à análise científica de todos os traumas que assolam a humanidade, para, assim, dentro do vasto campo da Psicanálise, que adotamos por doutrina, tentarmos encontrar as verdadeiras soluções, onde quer que estejamos. De posse delas, sem os limites impostos pelos costumes, pelos partidarismos político-religiosos ou pela moral radicalizadora, prometemos, cause o impacto que causar usá-la em benefício da espécie humana, numa missão que sabemos árdua, mas que, por isto mesmo, juramos hoje transformá-la em nosso único e idealístico sacerdócio." (Texto de autoria da Psicanalista Lazir de Carvalho dos Santos).


A PSICANÁLISE NA VISÃO METAFÍSICA

A Psicanálise pode ajudar o cristão a depurar e amadurecer sua fé e a não deslocar para Deus e a religião as fantasias, frustrações infantis, neuroses, excessos de culpa, rigidez e de moralismo.

É muito comum, como Psicanalista, receber no consultório pessoas arrasadas pela angústia e em estado depressivo considerável. Nos dias de hoje, as depressões assolam jovens, adultos, idosos (vinte vezes mais comum nessa faixa etária) e até mesmo crianças… As depressões são distúrbios que muitas vezes necessitam de auxílio medicamentoso por se relacionarem às alterações bioquímicas passíveis de ser harmonizadas com psicofármacos. Porém, sempre recomendo aos meus clientes que naveguem em águas mais profundas e aproveitem o momento para uma análise, ou seja: para uma viagem ao interior de si mesmos.

Os remédios bloqueiam os sintomas ao harmonizarem a bioquímica alterada. Porém, além de fatores genéticos, a pós-modernidade com seu individualismo, competitividade, afrouxamento dos laços afetivos, neoliberalismo, associada à história singular de cada sujeito, vai definir a saúde ou doença e o grau de saúde psíquica das pessoas. Nos conflitos psicológicos, os medicamentos pouco podem fazer… Muitas pessoas chegam desesperadas aos consultórios e demandam verdadeiros milagres através dos psicofármacos. É preciso contextualizar e ponderar a complexidade do distúrbio e não embarcar no imediatismo, outro engodo de nossos tempos.

Ajudar o cliente a criar uma demanda, uma questão, uma pergunta fundamental, uma dúvida sobre suas neuróticas certezas, um hiato no seu discurso projetivo e muitas vezes sem faltas é tarefa fundamental na tentativa de diminuir sua alienação a respeito de si mesmo. Seria aparentemente muito mais fácil buscar solução que venha de fora, sem esforço ou trabalho psíquico, sem ter de tocar em suas feridas, sem ter que revirar a intimidade.

Apesar de ser inerente ao ser humano, a ambivalência de sentimentos nas pessoas depressivas chega a extremos, desencadeando a doença. As perdas reais e imaginárias que o deprimido passa ao longo de sua vida, principalmente em sua infância e adolescência, o conduzem processualmente à depressão. Essas perdas e falta de cuidados, a maioria inconscientes, levam o sujeito a fantasias de destrutividade e retaliação em relação às pessoas amadas. Odiar e destruir, inconscientemente, aqueles que mais amamos é um conflito árduo para nossas frágeis almas.

Os depressivos geralmente são muito exigentes consigo próprios e têm ideais muitos altos, já “engoliram muitos sapos”, justamente das pessoas que mais amam, e estão cheios de mágoas e ressentimentos.

Processar lentamente essas feridas estampadas e escondidas pela própria depressão é desafiador, porém grandemente libertador. E a energia psíquica envolvida no conflito poderá ser utilizada para outros fins, melhores para o sujeito e a sociedade.

Uma análise existe para processar todos esses conflitos inconscientes, uma pessoa poderá reviver sem julgamento do analista, sua dor, mágoa, ódio, sua destrutividade.

Nessa etapa, gostaria de abordar de onde vem boa parte de nossos sentimentos de que estamos em pecado ou em dívida com as pessoas, com o mundo, com Deus.

Nós temos em nossa consciência, um espaço de liberdade e discernimento a nos implicar em nossas ações e escolhas. Porém o inconsciente se interliga ao consciente de forma inextricável e constitutiva da consciência. Isso nos leva ao raciocínio de que nossa liberdade é apenas parcial no que se refere às nossas condutas. Muito daquilo que denominamos pecado é na verdade limitação histórica, falta de cuidados recebidos, falta de amor que acirra nossa destrutividade e culpa inconsciente, e não pecado.

A criança e o adolescente, ao se tornarem adultos, carregam, independentemente de terem alguma religião, mais ou menos grau de culpa. Isso se dá pelas seguintes situações vividas por todos nós no amadurecimento emocional (apenas enumerando algumas delas):

Culpa por ter desejado ser exclusivo no desejo e na vida da mãe (e os desejos inconscientes não morrem nunca).

Culpa por ter desejado, na fantasia, destruir o seio e o corpo materno e a própria mãe como pessoa, por ter sido frustrado no desejo de exclusividade e por ela não ter satisfeito todos os nossos desejos e necessidades.

Culpa por ter desejos incestuosos pelo genitor do sexo oposto e pela rivalidade com o genitor do mesmo sexo.

Culpa por não ter pelos pais apenas sentimentos sublimes, construtivos.

Culpa por ter desejado a morte de irmãos rivais.

Culpa por ter desejado excluir o pai da relação mãe e filho(a).

Culpa por ter desejado, de maneira homoerótica, ou seja, o genitor do mesmo sexo ou criança do mesmo sexo.

Culpa por não corresponder totalmente aos ideais que os pais gostariam, e por atos que a criança, ao crescer (Superego), percebe serem contrários aos interesses civilizatórios e familiares.

Culpa pela ambivalência afetiva constitutiva: o amor e ódio pela mesma pessoa (pais).

A culpa é constitutiva da natureza humana, o excesso de culpa é patológico.

Mediante esse rosário de culpas a criança, para não sucumbir, elabora fantasias e atos reparadores. O amor e a sobrevivência dos pais são fundamentais para que as reparações inconscientes possam integrar melhor o seu amadurecimento. A reparação pode acontecer de várias formas, sadias e neuróticas, e pode nos transformar em adultos éticos, criativos, bondosos, sublimes ou submissos, excessivamente escrupulosos, obsessivos etc. Tudo isso movidos pelo desejo de reparação interna e externa.

Quando, na vida adulta, alguma situação apresenta semelhança com aquilo já vivido, o inconsciente se manifesta e vem à tona algum rastro ou marca de culpa em nossas consciências. A angústia sobrevém e sentimos necessidade de dar um nome ao vivido. Esse descompasso, essa inadequação, essa coisa fora de lugar que incomoda e gera desconforto costumamos associar, em nossa cultura judaico-cristã, a pecado.

Há Igrejas e modelos de Igrejas que tentam trabalhar a pessoa, bem ou mal intencionadas (não cabem aqui julgamentos), pelo prisma do moralismo, do dogmatismo e fundamentalismo. O ser humano, nesse estado, acaba perdendo muito de sua espontaneidade e criatividade, além da capacidade de crítica. Movidas e freadas pela culpa inconsciente, mais vivida na consciência como pecado, as pessoas se tornam massa de manobra, escravas de líderes carismáticos, de normas e regras farisaicas. E elas passam a tratar o próximo com enorme severidade e rigor, como seus superegos as tratam.

Escutando tantas pessoas todos os dias e há tantos anos em consultório, a cada dia mais me convenço que a culpa mal trabalhada leva não somente a excesso de escrúpulos, mas a neuroses, precipita doenças como a síndrome do pânico, obsessões e até mesmo graves doenças psicossomáticas. Mas, principalmente, conduz o ser humano a uma infelicidade crônica, a um boicote quanto a uma boa qualidade de vida.

A misericórdia que Jesus teve e tem por todos nós, filhos pródigos e herdeiros de nosso próprio inconsciente e ideologias, deveria ser emblemática para nossas condutas quanto a nós mesmos e aos outros. Realmente, não sabemos com exatidão aquilo que fazemos conosco e com o próximo. Muito menos sabemos as reais motivações quanto às condutas dos outros em relação a nós mesmos.

O amor a Deus e ao próximo e o maior conhecimento e amor por nós mesmos são as principais fontes de restauração aos danos reais e imaginários e às culpas reais e imaginárias que carregamos. São as principais formas de restaurarmos nosso ser e aqueles que amamos.

Falar a respeito de pecado e perdão sempre tocou o inconsciente e as emoções das pessoas. Em dias atuais, é comum a palavra “pecado” provocar reações díspares. Em um extremo pode mobilizar tristeza, pânico, graves inibições. No polo oposto poderá sobrevir deboche, indiferença, pois, para algumas pessoas, falar sobre esse tema é “careta”, ultrapassado.

Nesse grupo existe uma subdivisão interessante: há aqueles que se afastam completamente dessa questão por não acreditarem em nada que se refira à religião e aqueles que não suportam sequer escutar a palavra “pecado”. Associam-na a sacrifício e penitências absurdas. De seus inconscientes, retornam cenas de abuso de poder dos pais e de igrejas. Percorreram um árduo caminho para se libertarem das amarras do castigo, do medo e, após alto custo emocional e tortuoso caminho, descobriram, enfim, o amor de Deus.

Penso que nos extremos desse grupo pode existir como pano de fundo, um intenso sentimento de culpa inconsciente, forjado na infância dessas pessoas e não trabalhado por elas. Os pais, as famílias, as igrejas podem colaborar e muito para evitar esse excesso de culpa, que paralisa o ser humano. As crianças leem no comportamento e no inconsciente dos pais como elas devem ser para se sentirem amadas. E para angariar estima e amor se moldam no que imaginam corresponder ao desejo deles. Muitas não puderam expressar e reprimiram excessivamente suas raivas, mágoas e a sexualidade. Para essas pessoas, as religiões podem desencadear novas culpas, tornar acentuados os conflitos inconscientes ou ser uma alavanca em que se submetem compulsivamente a normas, regras, numa obediência cega e infantil. Perdoam o próximo simplesmente “porque Jesus mandou”, não se permitindo sentir raiva, questionar, refletir, elaborar os fatos vividos.

O perdão é um processo gradual, lento, doloroso, em que muitas vezes precisamos vivenciar angústia, indignação e sentimentos contraditórios. Conflitos, ambivalência, medo, raiva, culpa podem ser mobilizados e não devemos reprimi-los excessivamente.

A fé, infelizmente, pode ser utilizada como válvula de escape para a pessoa não se dar conta de sua própria agressividade. E perdoar pode se transformar em compulsão a reprimir a agressividade sentida, mediante a ofensa recebida. O motor de todas essas defesas é o terrível sentimento de culpa inconsciente desse grupo de pessoas, nada desprezível em termos numéricos.

As religiões podem funcionar como fuga de uma agressividade mal canalizada, e a pessoa não somente reprime a raiva que sente como retorna a mesma para o seu próprio interior. Uma fé assim vivida pode levá-la à depressão, pânico e até graves doenças psicossomáticas ou, no mínimo, a uma má qualidade de vida. Algumas pessoas rompem bruscamente ou não aderem a nenhuma religião, criticando todas elas.

A Psicanálise é a ciência que lida com esses sentimentos de culpa da pessoa. Essa ciência promove um maior espaço de liberdade e responsabilidade na construção de sua história e do mundo.

Infelizmente, Freud só percebeu a religião como uma neurose coletiva movida pela culpa e pelo infantilismo, em que a criança projeta na figura de Deus seu desamparo infantil e transfere (quando adulto) seus anseios de amor infinito, dos pais para um “deus de prótese”.

Para um Psicanalista cristão chega a ser doloroso esse fosso, esse abismo aparentemente existente entre Psicanálise e religião, que o próprio Freud tentou sustentar. Porém, é preciso lembrar que Freud sofreu muito em sua infância com as humilhações e desprezos que seu pai, Jacó, passava por ser Judeu. Além disso, tinha grande receio de que o puritanismo vitoriano, vigente na sua época, rechaçasse suas desconcertantes descobertas psicanalíticas. Apesar disso, nunca recusou pacientes que se declarassem adeptos de quaisquer religiões e se tornou grande amigo de um pastor chamado Pfister. Esse último se tornou Psicanalista e amigo para sempre.

A Psicanálise pode ajudar o cristão justamente nos pontos que Freud criticou. Ela pode nos ajudar a desfazer mitos inconscientes, idealizações quanto aos nossos pais da infância, auxiliar na elaboração de nossa agressividade e a desfazer os conflitos de nossa sexualidade. Articulada a uma fé madura nos ajuda a não deslocar para Deus e a religião nossas fantasias e frustrações infantis.

E assim depurados pela Psicanálise, as ilusões e idealizações infantis, e de nossos excessos de culpa, estaremos mais aptos na descoberta do verdadeiro Deus: o Deus do perdão, da misericórdia e do amor. Integrados pela fé madura e mais livres de nossos conflitos inconscientes, estaremos mais abertos para sentir e viver Deus em tudo e em todos.

Parece estranho à primeira vista, mas algumas vezes em nossas vidas, não conseguimos perdoar em profundidade, porque não sabemos exatamente o que e a quem realmente perdoar.

É que a força e o conteúdo maior de nossos sentimentos, mágoas, feridas se referem a situações tão penosas e antigas, nos reportam à nossa infância e adolescência – que os recalcamos em nossos inconscientes e nos tornamos alienados desse saber. Porém, na vida adulta, quando situações semelhantes acontecem conosco, deslocamos com toda força nossas indignações e mágoas mais acentuadas para a situação atual. A mesma ganha fortes pinceladas emocionais, e a mágoa dirigida às pessoas das relações atuais é desproporcional. Assim, é comum escutarmos pessoas falando que “não foram com a cara” de alguém, mesmo que esse jamais tenha feito qualquer coisa de prejudicial a elas… Isso não se refere apenas ao “narcisismo das pequenas diferenças” como nos ensinou Freud. O inconsciente é formado por traços de memória, por representações e fantasias que a criança produz a partir de suas vivências, principalmente com os pais e irmãos. Muito do que sentimos, na atualidade, vem dessa fonte que se aproveitou de um gancho, de um dado atual para se reatualizar em nossas vidas. Até mesmo um olhar, um lugar, um jeito de falar pode detonar a angústia ou o amor… Não somos senhores de nossa própria casa, de nosso eu e o inconsciente penetra e se apodera de boa parte dessa casa. Algumas vezes tratamos um vizinho ou algum colega de trabalho com desconfiança ou frieza. Pequenas desavenças se transformam em grandes confusões e disputas, pois no inconsciente, vizinho, colega, por associação, pode representar um próximo, um irmão rival da infância. Na vida amorosa, catástrofes, brigas, separações muitas vezes seguem a lógica do inconsciente, da realidade psíquica.

Corremos o risco de deslocar, projetar, transferir para o cônjuge todos os nossos anseios e desejos de sermos amados incondicionalmente. Idealizamos uma relação como gostaríamos de ter tido com nossa mãe (ou pai). No momento em que o cônjuge sai desse lugar ou “falha”, todos esses anseios primitivos de amor ideal podem vir à tona e a desilusão e a mágoa inconscientes podem reaparecer ou nos causar angústias inexplicáveis ou até mesmo depressões.

A figura de um político, policial, ministro religioso, professor ou alguém que se coloque como autoridade, lei, pode ter o poder de nos remeter às nossas mais primitivas angústias, medos e raivas enraizados nas formas como essas leis foram passadas por nossos pais e introjetadas por nós.

Muitas vezes perdoamos as pessoas de nossa realidade atual, fazemos um esforço tremendo para resolver a situação. Mas a ferida mais profunda inconsciente e infantil continua intocável. Somente aparamos a planta desse mal, mas suas raízes psicológicas continuam vivas e prontas para se manifestar na primeira oportunidade que tiverem.

Perdoar é um processo complexo de libertação emocional e espiritual. Conversar com Deus, com o ministro religioso, o amigo, o Psicanalista, com o agente da dor, tudo isso pode fazer parte desse belo, doloroso e lento processo. Silenciar, negar, sufocar a raiva inicial que o acontecimento provoca são as piores soluções, pois isso não ajuda a elaborar o acontecimento e a realmente se livrar e aprender com a situação. O ideal é que a pessoa consiga expor para o outro o quanto foi atingida, e que no diálogo possa haver crescimento para ambos e a reconciliação se faça. Porém, nem sempre isso é possível. Não controlamos o outro, sua capacidade de rever a si mesmo e seu grau de espiritualidade. Quando a ferida é muito profunda, ela ainda deixa um resto, uma cicatriz pela vida toda. Ela só irá esmaecer-se por completo no instante final, quando o ser humano em sua liberdade final estará mais próximo de suas verdades derradeiras: a bondade e a misericórdia de Deus presentes.

A capacidade de perdoar se diferencia de pessoa para pessoa. O grau de maturidade da fé e a história singular da pessoa definem esse potencial. Para aqueles a quem foi dada pouca oportunidade, em sua infância, de restaurar os outros, quando diante de sua destrutividade, o perdão é mais difícil. A criança é dotada do desejo de destruir a si e aos outros quando sente falta de cuidados ou excessivas frustrações. Cabe aos pais a tarefa de diminuir essa destrutividade através do amor. Caso este falte, as fantasias destrutivas aumentam e a capacidade de reparação da criança pelos danos feitos em fantasia aos pais, diminui. Quando adultos, terão menos capacidade de reflexão e implicação nos seus atos, menos capacidade de perdoar a si e aos outros.

Perdoar significa avanço psicológico e espiritual. É restaurar o outro e o mundo interno. Ao perdoar o outro, estamos inconscientemente dando uma trégua ao nosso próprio eu. Em termos de Psicanálise, nosso Superego, nossa parte da mente que observa, julga e pune nossos desejos (Id) e atos, se torna, no ato do perdão, menos exigente, menos carrasco. Nosso eu se torna mais livre e saudável. Tratamos os outros conforme o nosso superego nos trata. Quando perdoamos o outro, automaticamente nos apaziguamos.

Ao longo da história, os conceitos de espiritualidade e religiosidade sempre causaram grandes discussões no meio acadêmico e cientifico. Discussão esta que em meados do ano de 2008 e inicio de 2009 tornou-se mais conhecida entre os leigos em geral, pois os meios de comunicação em massa, especialmente revistas, publicaram matérias referindo-se ao tema. Estas revistas abordaram temas relevantes à saúde mental, em que pessoas buscavam a obtenção de ajuda de uma força maior, algo divino, que lhes dessem forças para continuar a viver.

A influência da espiritualidade e da religião na melhor recuperação de pacientes têm se tornado tema de investigação para a ciência.

Psiquiatras e psicólogos desenvolvem pesquisas para verificar se a religiosidade ou a fé em alguma religião exercem influências na recuperação da saúde das pessoas.

A espiritualidade, a despeito de seu frequente imbricar com a religião, historicamente tem sido ponto de satisfação e conforto para momentos diversos da vida, bem como motivo de discórdia, fanatismo e violentos confrontos. Compreender esses aspectos torna-se importante para poder diferenciar entre a prática saudável da espiritualidade e da religiosidade, pois os profissionais da área de saúde, muitas vezes por não conseguir diferenciar tais aspectos, acabam por desconsiderar algo que pode influenciar de forma contundente os diversos tratamentos.

A Religião tem sido definida de modo distinto de sua origem etimológica (Religare, de religar), sendo mais a palavra utilizada no sentido de se denominar um sistema determinado de representação de crenças e dogmas pelo qual uma pessoa busca modelar sua existência, compartilhando crenças e doutrinas institucionais. Por sua vez, a religiosidade ou espiritualidade poder ser definida como a relação mantida por um dado indivíduo perante o Absoluto e o Sagrado, de modo singular e pessoal. (Genaro Junior, 2008).

Dessa forma, pode-se afirmar que nem sempre a religião de alguém reporta realmente a um sentido espiritual. Richardson (1999) alerta que a leitura do analista de conteúdo não é apenas uma leitura ao pé da letra, mas um trabalho em nível mais aprofundado. Trata-se de obter significados de natureza psicológica, sociológica e histórica.

Ao longo do tempo o conceito de loucura modificou-se. Na Grécia a loucura era estudada como doença orgânica. Durante a era cristã a loucura foi considerada como possessão relacionada à religiosidade. Os que não praticavam o cristianismo eram facilmente dominados e possuídos pelos demônios, que causavam tempestades no corpo, fazendo surgir às dores e as doenças (Macedo, Jorge, 2002).

No renascimento, por motivos econômicos, o louco foi considerado improdutivo ou criminoso, excluído, por essa razão, da sociedade. A partir da metade do século XVII, criaram-se hospitais e refúgios de internamentos. Esses locais ofereciam alojamentos e alimentação para aqueles que se apresentavam espontaneamente ou para aqueles que eram encaminhados pelas autoridades judiciárias ou reais (Tommasi, 2005).

No final do século XVIII, no Iluminismo, o chamado tratamento moral, proposto por Pinel (1745- 1826), transformou o trabalho como parte do tratamento asilar. Para Pinel o trabalho assegurava e garantia a manutenção da saúde, dos bons costumes e da ordem (Lima, 1999).

No século XIX a percepção da loucura foi acompanhada do reconhecimento de observadores, e passa a ser entendida não como a ruptura com a humanidade, mas algo cuja verdade se esconde no interior da subjetividade humana (Macedo, Jorge, 2000).

Desde o Iluminismo, os intelectuais livres, de um modo geral, mantiveram uma atitude de desprezo perante qualquer aspecto de religiosidade ou espiritualidade. As experiências místicas, em especial de cunho cristão, eram vistas não raras vezes como manifestações de transtorno psíquico, já que entendiam que por trás de tais experiências haveria vários sinais que demonstrariam a existência de psicopatologias as mais diversas (Gastaud, Souza, cols., 2006).

Isso se mostra bastante patente em livros como 'O Anticristo (1888/2002), de Friedrich Nietsche', que se utiliza de toda sua eloquência e paixão para atacar os vários aspectos do Cristianismo, que era por ele considerado uma das piores criações da humanidade, causa da decadência dos melhores valores e instintos europeus (ou humanos). O pensador considerava que o Cristianismo tornava os homens fracos, e que todos os métodos cristãos eram formas de enlouquecer os seres humanos, pois se colocavam contra a natureza e os bons instintos.

Freud (1931/1990) considerava que as questões que atraem as pessoas para a religião, como a imortalidade, o castigo e a vida após a morte, eram puros reflexos da psique mais profunda. Para o autor, a religião era apenas a manifestação remanescente de nosso medo e identificação infantil com nossos pais, uma neurose obsessiva universal.

Por essa razão, o desenvolvimento psíquico fatalmente levaria ao afastamento da religião. Porém, segundo Costa (2009), Freud, apesar de toda a sua crítica perante a religião, às vezes, por meio de frases consideradas pelo autor como provenientes de atos falhos, parecia ser um pouco mais favorável para com a mesma.

Em Moisés e o Monoteísmo (1939/1990), observa-se a afirmação de que a religião mosaica teria procurado por intermédio da interdição da representação de Deus por imagens, o desenvolvimento mental e o início da valorização da palavra e do pensamento, pois o mesmo não poderia mais ser idolificado ou denominado conforme as qualidades e defeitos humano, o que faria com que as percepções sensoriais e os sentidos fossem colocados em segundo plano. Apesar de todas essas considerações, muitas vezes Freud preferia até mesmo contrariar sua teoria, a defender a manifestação religiosa.

Segundo Costa (2009) isso ocorria devido a seus sentimentos de compaixão perante o diferente, pois compreendia que a Institucionalização da Religião havia provocado boa parte das guerras. Não se pode esquecer que Freud era judeu, e que muito da justificação da perseguição feita ao seu povo era devido a ideologias de cunho religioso. As coisas começaram a mudar nos Estados Unidos da América, onde Willian James começou a se interessar profundamente pelas experiências místicas e religiosas, e os estados alterados de consciência, pois via neles um caminho para compreender o desenvolvimento pessoal (Fadiman,Frazer, 1986).

Outro pensador da Psicologia que demonstrou interesse e quase fascínio para os fenômenos da Espiritualidade e da Religiosidade foi Carl Gustav Jung (1875 – 1961). Sua obra apresenta os símbolos religiosos com pontos essenciais para se compreender o desenvolvimento da personalidade e da própria formação psíquica.

Considerava a busca religiosa e espiritual um modo interessante de investigação da Psique mais profunda de uma pessoa e do seu grau de maturidade (Fadiman, Frazer, 1986). A partir da influência de Freud na psiquiatria e na psicologia, e de Stanley Hall na psicologia, os psiquiatras até os anos de 1990 desqualificavam a religião como um todo. Por outro lado, a partir do final do século XX, o interesse das ciências da Saúde modificou-se.

Repentinamente pesquisas começaram a buscar provas da importância das práticas religiosas como fator de bem-estar físico e mental, e como poderia auxiliar as pessoas a superar vários problemas psíquicos, inclusive o estresse e a depressão (Koenig, 2006).

Grande parcela da literatura vem apontando que fatores religiosos podem atuar como fonte de resistência no enfrentamento das doenças. Pesquisas baseadas em Questionários e com certa visão Comportamental Cognitiva sugerem que a religiosidade pode ser algo bastante benéfico para a prevenção da saúde (Gonçalves, 2004).

Mas há de se considerar primeiramente que há uma diferença entre a religiosidade saudável e não saudável. A religiosidade não patológica é aquela que pode enriquecer o indivíduo com o passar do tempo, além de não prejudicar e corromper a vida da pessoa. É, por assim dizer, a percepção clara e consciente da experiência religiosa, sem que ocorra da perda da noção e crítica da realidade.

No entanto, reconhecer os limites da religiosidade patológica da não patológica não é uma coisa tão simples (Koenig, 2006). Vários autores preferem considerar que a própria busca de sentido tem um caráter religioso, postulando, dessa maneira, como parte da natureza humana a experiência religiosa e espiritual.

Outros, por sua vez, preocupam-se mais com seus aspectos culturais e sociais. Considera-se o fenômeno religioso como contendo gradações distintas de desenvolvimento, da mais primitiva às mais evoluídas, em que as últimas contribuem para a manutenção da saúde ou para a sua recuperação (Genaro Junior, 2008).

A crença insere a pessoa em um conjunto de dogmas e conceitos de representação; enquanto a fé abarca dimensões maiores de envolvimento, impelindo coragem, entrega e confiança perante o novo e desconhecido (Safra, 1999).

Em termos winnicottianos, a fé revelaria um real saber adquirido, enquanto a crença estaria mais ligada ao campo do conhecer ou ao contato superficial. Em muitos casos, a busca religiosa é uma maneira de buscar não somente de conseguir alívio, mas também de organização da personalidade (Genaro Junior, 2008). O trabalho de Soreio, Colombo e cols. (2008), de base estatística, demonstra que as oscilações entre fraca religiosidade e religiosidade exacerbada são prováveis manifestações de transtornos mentais, especialmente do humor. Gonçalves (2004), em seu estudo, aponta para a importância da religiosidade na recuperação de pessoas com depressão, que acometem pacientes pós-cirúrgicos de neoplasia mamária. Também denota que a depressão pode ser agravada devido ao fato das pacientes sentirem-se lesadas em relação ao seu corpo e feminilidade.

O Transtorno Depressivo pode ser caracterizado pelas seguintes características sintomáticas: humor deprimido, perda de interesse de prazer, fatigabilidade aumentada e atividade diminuída, concentração e atenção reduzidas, autoestima e autoconfiança diminuídas, ideias de culpabilidade e sentimento de desvalia, ideias autolesivas, suicídios, sono perturbado e diminuição do apetite, que nos casos mais acentuados transparece tanto na mímica como na sua atitude em geral (Fenichel, 1997). A religiosidade e o apoio religioso podem, nesses casos, fortalecer a esperança e desenvolver potenciais e capacidades de superação (Peres, Simão, Nazello. Caso contrário, ver-se-ia, pela condição da depressão, apenas a intensificação do sentimento de impotência e temor, além de sentimentos de culpa desenvolvidos pelo indivíduo como formação reativa mortificante (Laplanche, Pontalis, 1999).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Buscou-se no presente trabalho abster-se de julgamentos e visões pré - concebidas a respeito da religiosidade e da espiritualidade. A religiosidade deve ser diferenciada da instituição religiosa, ou religião; existe a religiosidade tanto patológica (que provocariam distúrbios, principalmente de ordem psíquica) e a religiosidade não patológica; os motivos para a prática religiosa podem estar presentes tanto em termos existenciais como mentais.

A maneira como a religiosidade é vivenciada pode contribuir para a recuperação do estado de saúde. A compreensão do fenômeno da religiosidade deve ocorrer por meios de pesquisas tanto qualitativas como quantitativas, por todos os campos da ciência, além, é claro, dos saberes filosóficos e teológicos. Ao contrário do que se poderia pensar, a religiosidade ainda é algo marcante e presente na vida das pessoas, mesmo na pós-modernidade.

Parafraseando Jung, mesmo que Deus não exista só a nossa crença Nele já faz com que Ele nos influencie.

A crença, nesse sentido, mantém e garante a representação religiosa ao longo dos dias.

A ciência psicológica lida com os fenômenos que envolvem a natureza objetiva e subjetiva da pessoa. O fenômeno religioso dela faz parte como um belo campo de pesquisa.



REFERÊNCIAS:

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Um comentário:

  1. sensacional e muito esclarecedor, ótimo trabalho, parabéns Roberta.

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