sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

FELIZ 2016 (ESTE SERÁ UM ANO NOVO ... MUITO DIFERENTE!)



No comercial “Feliz 2016” a campanha do banco itaú nos lembra que por mais digital que a nossa vida permita ser, nunca devemos deixar de ser humanos e estarmos no controle da situação. Tudo isso com um texto impecável de Nizan Guanaes e narração de ninguém menos que Fernanda Montenegro.



É lindo ver o mundo se tornar digital.
Mas todos nós precisamos vigiar para que ele nunca deixe de ser humano e pessoal.
Afinal, fomos nós que criamos a tecnologia para servir a raça humana.
A internet que nós criamos veio para melhorar e mudar muitas coisas.
Mas tem coisas que ela não pode e não deve mudar.
Amigos não podem ser feitos só pela internet.
Nem amizades, nem laços de família mantidos por e-mail e mensagens curtas.
Não é o GPS que vai guiar a sua vida.
Nem é papel do Waze ensinar seu filho qual o melhor caminho a tomar na hora da tormenta.
Afinal, não é o Wi-Fi que mantém a nossa conexão com aquelas coisas inexplicáveis, divinas, que só a raça humana tem a senha.
Por isso, lembre-se.
É fim de ano!
Feche os olhos, olhe para dentro e faça um download só de coisas boas.
Que aí você vai ver que de todos os aplicativos que nós fomos capazes de criar, nenhum é melhor que o aplicativo que você tem dentro de você chamado coração.



... muito bacana!!
FELIZ 2016... 
ESTE SERÁ UM NOVO ANO COM 
MUITAS MUDANÇAS NA MINHA VIDA :)
Roberta Carrilho



CARREGANDO 2016 ...




Todos os seres humanos nascem com um dom precioso, que representa também um grande desafio: RE.NOVA.AÇÃO
(renovação = uma nova ação/comportamento/sentimento/rumo).
O caminho interior é individual, mas é amparado mutuamente por todos os que o seguem. É que aquele que segue esse caminho descobre a ligação de tudo o que vive. E, refletindo sobre isso e outras coisas, vem uma frase na minha mente que usarei como norte em 2016 "... não espere dos outros aquilo que Deus espera de você!
Eu não vou esperar mais nada... irei agir. Fiquei inerte por 13 anos, mas começarei em 2016 uma nova fase, uma nova vida, darei um novo rumo nesta existência.
Demorei a perceber e decidir, mas agora sei que eu poupei inconscientemente uma pessoa e eu não gostei do que descobri. Mas, porém, algo mudou dentro de mim intensamente... esta pessoa nem imagina o Karma que plantou no meu íntimo. Não ficará impune das maldades que praticou seja por mim ou por Deus. A conta está aberta e se tiver que ser eu a cobrá-la, será executada com todo rigor, sem compaixão. A ilusão acabou! Tudo mudou!


"Sou um coração batendo no mundo".

_____ Clarice Lispector













quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL 2015 !!




Natal...
"Somos nós quando decidimos nascer de novo, a cada dia, nos transformando. 
Somos o pinheiro de natal quando resistimos vigorosamente aos tropeços da caminhada. 
Somos os enfeites de natal quando nossas virtudes, nossos atos, são cores que adornam. 
Somos os sinos do natal quando chamamos, congregamos e procuramos unir. 
Somos luzes do natal quando simplificamos e damos soluções. 
Somos presépios do natal quando nos tomamos pobres para enriquecer a todos. 
Somos os anjos do natal quando cantamos ao mundo o amor e a alegria. 
Somos os pastores de natal quando enchemos nossos corações vazios com Aquele que tudo tem. 
Somos estrelas do natal quando conduzimos alguém ao Senhor. Somos os Reis Magos quando damos o que temos de melhor, não importando a quem. 
Somos as velas do natal quando distribuímos harmonia por onde passamos. 
Somos Papai Noel quando criamos lindos sonhos nas mentes infantis. 
Somos os presentes de natal quando somos verdadeiros amigos para todos. 
Somos cartões de natal quando a bondade está escrita em nossas mãos. 
Somos as missas do natal quando nos tomamos louvor, oferenda e comunhão. 
Somos as ceias do natal quando saciamos de pão, de esperança, qualquer pobre do nosso lado. 
Somos as festas de natal quando nos despimos do luto e vestimos a gala. 
Somos sim, a Noite Feliz do Natal, quando humildemente e conscientemente, mesmo sem símbolos e aparatos, sorrimos com confiança e ternura na contemplação interior de um natal perene que estabelece seu Reino em nós.
Obrigada Jesus! Por vossa luz, perdão e compreensão". 


Feliz Natal!
Roberta Carrilho


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

INTELIGÊNCIA DOS FILHOS VEM DA MÃE


Se realmente comprovar estes estudos... Ainda bem!! Sorte das minhas filhas, pois os pais delas são muito lesados nesta questão de inteligência (para ser educada - risos!)
Roberta Carrilho 


A inteligência é hereditária e é transmitida pelas mães aos filhos. Exatamente por isso, e sem o fazerem conscientemente, os homens procuram casar com mulheres até três vezes mais inteligentes que eles próprios. Estas são as conclusões de um estudo sobre o papel da seleção sexual na evolução da inteligência humana elaborado por um grupo de cientistas do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra. 

Estes cientistas procuram agora localizar o gene da inteligência. Em declarações um dos elementos da equipe de investigadores da Universidade de Coimbra, Hamilton Correia, explicou que “contrariamente à teoria atual, segundo a qual a inteligência é determinada por cerca de uma centena de genes”, os cientistas de Coimbra descobriram que afinal “existem apenas um ou dois genes responsáveis pela inteligência de cada um e que estes genes proveem da mãe”. “À semelhança do que já se tinha verificado nos estudos com ratos, também nos humanos são as mulheres que transmitem os genes da inteligência aos seus filhos”, explica Hamilton Correia, adiantando que “se tivermos uma mãe inteligente temos 80% de possibilidades de também sermos inteligentes”. Este trabalho, desenvolvido ao longo de dois anos, teve por base uma amostra de 66.598 casais portugueses vem, também, mostrar que os homens dão uma importância maior à inteligência do que as mulheres. 
“As análises que efetuamos em relação ao casamento na sociedade portuguesa mostram que os homens preferem casar com mulheres até três vezes mais inteligentes”.
O investigador esclarece, porém, que este estudo não vem provar que as mulheres são mais inteligentes que os homens ou vice-versa. “A média de inteligência geral não é diferente entre os dois sexos, contudo os casos de extremos verificam-se mais no sexo masculino, ou seja, existem muito mais gênios e deficientes mentais no sexo masculino”. Os resultados do estudo efetuado pela equipa coimbrã revelam que “pode existir uma razão biológica para que o insucesso escolar seja sobretudo um problema do sexo masculino”. 

Por conseguinte, e como explica Hamilton Correia, quando o gene da inteligência for localizado “muitos dos problemas associados a dificuldades cognitivas, como o insucesso escolar, poderão ser resolvidos”. O estudo realizado pela equipa composta, além de Hamilton Correia, pelos professores Manuel Laranjeira e Paulo Gama Mota foi publicado no número de Abril da revista britânica de ciência social “Journal of Biosocial Science” da Universidade de Cambridge. 

ESTUDOS EM CURSO 
O Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra está a desenvolver mais três estudos relacionadas com a inteligência. Um destes estudos tem por objectivo determinar se há uma relação entre o peso de uma criança quando nasce e o seu desempenho escolar. Outra investigação também relacionada com o sucesso escolar procura saber qual é a relação entre a medida do cérebro e as notas obtidas pelas crianças e adolescentes na escola. O terceiro estudo está relacionado com a hereditariedade da inteligência e visa estabelecer uma relação entre as notas que as mães tiveram quando andavam na escola e as notas obtidas pelos seus filhos. Nenhum destes estudos está ainda completo, mas o Departamento de Antropologia espera poder publicar alguns resultados dentro de dois ou três meses.




QUANDO PENSAR MUITO FAZ MAL: SÍNDROME DO PENSAMENTO ACELERADO por Clarissa Pains



Pesquisas indicam que o fim do ano é um dos momentos da vida de maior irritação



O corpo da funcionária pública federal Josy de Oliveira começou a avisá-la sobre a aproximação do fim de 2015 na última segunda-feira. As tonteiras e dores de cabeça não deixaram dúvida: o estresse tão familiar a ela nessa época do ano batia à porta. Quando Josy era criança, o Natal era mágico, como ela mesmo define, mas, depois que viu seus pais se separarem, aos 15 anos, esse período passou a ser associado a momentos de puro estresse. O divórcio foi a primeira grande mudança de vida à qual ela teve que se adaptar e, desde que sua irmã caçula morreu, há dois anos, tudo piorou.

— A separação dos meus pais foi traumática. Eles eram muito passionais, não deixavam por menos. Aquele que não passava a festa de Natal comigo e com meus irmãos fazia um drama. Até hoje, para mim, essa época é um caos sentimental. Parece que as pessoas, em geral, ficam mais tristes do que se divertem, mas tem sempre aquele clima solene de harmonia — conta Josy, hoje aos 55 anos. — Amo meus amigos e minha família e os acarinho todos os dias. Mas o mais angustiante é as pessoas, numa determinada época, terem a obrigação de parecerem felizes, amáveis, dar abraço forçado, ficar com aquela cara de paz.

E Josy não está sozinha. Quando começa dezembro e as luzes de Natal pipocam nas lojas, muitos brasileiros têm apenas uma certeza: eles vão se estressar. A carga de ansiedade e preocupação nessa época, dizem estudos, é maior do que em qualquer outro período do ano. Uma pesquisa realizada pela Isma-BR (Internacional Stress Management Association — Brasil) mostra que o nível de estresse do brasileiro sobe, em média, 75% em dezembro. Enquanto isso, um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) destaca que quase metade dos pacientes internados em UTI por doenças de fígado, coração, pulmão e estômago considera que o evento mais estressante do ano anterior ao problema de saúde foi, justamente, o Natal.

Os motivos para isso são variados. Entre eles, uma rotina intensa de preparativos para ceias e festas, a obrigação de comparecer a reuniões familiares, gastos excessivos com presentes, esforços para cumprir metas de trabalho e acadêmicas. E o “pior”: o temido balanço de fim de ano. É nessa época que as pessoas avaliam o que conquistaram e, não raro, dão mais destaque ao que não conquistaram.

— O estresse é uma resposta a mudanças, sejam elas negativas ou positivas. Uma gravidez ou uma promoção também podem desencadear essa resposta. E, no final do ano, é como se todos tivessem que, obrigatoriamente, encerrar um ciclo, o que é muito angustiante. Os sintomas mais comuns são irritabilidade, ansiedade e taquicardia, porque se percebe que o ano não foi como o esperado — afirma a psicóloga e coordenadora do Núcleo de Gerenciamento de Estresse e Qualidade de Vida da Unifesp, Denise Pará Diniz.

Atualmente, a pesquisadora trabalha em um estudo sobre como eventos estressantes de fim de ano estão associados a sintomas de ansiedade e até mesmo de depressão. Os resultados desta nova pesquisa só estarão disponíveis ano que vem, mas, pela experiência de Denise, esta época pode ser considerada uma das mais estressantes da vida. O estudo de pós-doutorado dela, concluído em 2012, revela que 47,8% das pessoas em terapias intensiva e semi-intensiva no Hospital São Paulo, ligado à Unifesp, e no Hospital dos Servidores do Estado destacaram o Natal como o evento que lhes trouxe mais estresse antes de serem internados.

— Por análise estatística, também consegui ver que, quanto mais velha a pessoa é, maior a chance de ela perceber o Natal como estressante. Isso também ocorre com quem pertence às classes econômicas A e B. Esses dois fatores, o da idade e da renda mais alta, fazem com que o risco de vivenciar esse tipo de estresse dobre — conclui Denise. — Acredito que as reuniões familiares tenham impacto grande nisso: além de trazerem, por si só, uma mudança na rotina das pessoas, oferecem mais possibilidade de surgirem questões afetivas a serem resolvidas, que talvez tivessem sido ignoradas ao longo do ano.

SENTIMENTO DE PERDA

Membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, a médica Alexandrina Meleiro ressalta que o peso das perdas importantes no ano será sentido com mais força apenas neste período.

— A constatação da ausência de uma pessoa querida é feita, de fato, em dezembro. A pessoa pode ter morrido ou ido embora em agosto, mas é no Natal que vem o sentimento de perda. O mesmo vale para quem se divorciou, para quem se mudou para longe de casa. É uma espécie de frustração passar o Natal de forma diferente da que se imaginava — afirma Alexandrina, que é doutora em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP). — Já tratei pessoas que se anestesiam para não perceber a noite de Natal.

A psiquiatra diz, ainda, que o estresse oriundo desse período de festas pode aumentar o nível de pressão arterial e de glicemia, além de provocar dores pelo corpo e queda de cabelo. E, como cereja do bolo, este ano traz a crise econômica, um ingrediente a mais que pode aumentar a frequência desses sintomas. Por causa dela, há ainda muitas pessoas desempregadas.

— Não podemos dizer que, por conta da crise no país, viveremos um final de ano necessariamente mais estressante do que em 2014, por exemplo. Mas essa época naturalmente carrega fatores de estresse, e a crise deve sobrecarregar isso — explica Alexandrina.

CONTROLE DE EXPECTATIVAS

Resiliência e equilíbrio são consideradas as duas palavras-chave para enfrentar esse período sem excesso de estresse. A primeira qualidade tem a ver com a capacidade de se recuperar após acontecimentos negativos, e a segunda, com a habilidade de ser realista e se manter tranquilo.

— O ideal é que as pessoas diminuam o nível de exigência e expectativa com elas mesmas e que, quando possível, não determinem prazos para bater metas. Muitas vezes, o prazo só faz aumentar a angústia — aconselha Alexandrina. — É importante perceber que, apesar das dificuldades, temos perspectivas. Não se muda o passado, mas o futuro está sempre em aberto.

A psiquiatra também é taxativa: a organização ao longo do ano é essencial. Se o sonho é uma grande viagem, por exemplo, a estratégia financeira não pode começar apenas nos últimos meses. Neste caso, a probabilidade de se frustrar ao não conseguir fazer a viagem, ou de fazê-la mas às custas de contrair uma cara dívida, é maior.

— É preciso adquirir o hábito de se organizar o ano inteiro para atingir suas metas. Os objetivos não serão alcançados apenas em dezembro, mas ao longo de 12 meses — recomenda Alexandrina





segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

12 MANEIRAS DE JOGAR ENERGIA FORA por Vera Caballero



Todas as vezes que escrevo sobre energias, mais precisamente sobre o relacionamento energético entre os seres humanos, recebo dezenas de mensagens de leitores reclamando e pedindo soluções para o roubo de energia. Essas pessoas sempre apontam colegas de trabalho, familiares, amigos e determinados locais como os responsáveis pela sua debilidade energética. Não posso negar que realmente existem pessoas complicadas e ambientes não muito agradáveis. Hoje chamaremos a atenção de vocês para alguns aspectos importantes. Por mais que existam pessoas desequilibradas e difíceis nós é que somos responsáveis pelas nossas energias e cabe a cada um de nós preservá-la e administrá-la da melhor forma possível. Existem “receitinhas”, orações, banhos, cristais e um arsenal de proteção, que são válidos e eficientes até um certo ponto. Porque aquele que não assume a responsabilidade por suas venturas e desventuras sempre estará vulnerável às energias ao seu redor. Sabe por que o outro rouba a sua energia? Porque você deixa a porta aberta!!! E depois ainda diz que a culpa é do outro… Para ajudar a refletir, fiz uma listagem de doze atitudes (e olhe que a lista é imensa!) que gastam uma tremenda energia vital. Uma vez desvitalizado e sem proteção fica fácil para qualquer um chegar perto e perturbar seu equilíbrio. Use esta listagem também para pensar porque a prosperidade às vezes passa longe de você. A energia que seria usada para atrair o bem, a felicidade, o amor, o dinheiro acaba sendo gasta de forma inadequada. Confira a listagem e veja o que precisa ser modificado em sua vida!

1. A FALTA DE CUIDADO COM O CORPO E HÁBITOS

Descanso, boa alimentação, hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer sempre são colocados em segundo plano. A correria da vida diária e a competitividade das grandes cidades faz com que acabemos negligenciando aspectos básicos para a manutenção de nossa saúde energética. Quando a saúde física está comprometida, a aura se ressente, ficando menor e menos brilhante, comprometendo nosso sistema de defesa energético. Os exercícios físicos são sempre úteis por nos ajudar a movimentar e eliminar as energias estáticas. As pessoas que são dependentes químicos apresentam verdadeiros rombos na aura e isso as predispõe a toda sorte de assédios espirituais e vampirismo energético.

2. PENSAMENTOS OBSESSIVOS.

Pensar gasta energia e todos nós sabemos disso: ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho corporal. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos e esse é, aliás, um mal do homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando muita energia. Pensamos tanto que não sobra vitalidade para tomar uma atitude concreta e, o pior, alimentamos ainda mais o conflito. Devemos não só estar atentos ao volume de pensamentos, mas também à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados nos recarregam, ao passo que a negatividade e pessimismo consomem energia e atraem mais negatividade para nossas vidas. Observe: pensando você conseguiu resolver o problema? Quase sempre a resposta é ‘não’. Então, mude de atitude. Relaxe, use uma música suave e entregue o problema para o universo resolver. Mesmo que isso aconteça apenas por alguns poucos minutos. Durante esse tempo sua mente estará descansando. Quando a mente silencia, permite que sua intuição, seu anjo da guarda, Deus, Eu Superior ou o que você acreditar, converse com você e lhe traga inspiração e criatividade e isso se reverte em mais energia. Os meus alunos têm semanalmente 2 horas para fazer isso, o resultado é muito bom. Que privilégio, não?!!!!

3. SENTIMENTOS TÓXICOS.

Se você sofre um choque emocional ou sente uma raiva intensa, pode estar certo, até o final do dia estará simplesmente esgotado energeticamente. Juntamente com a raiva você queimou altas doses de sua energia pessoal. Imagine agora um ser que nutre ressentimentos e mágoas, às vezes durante anos seguidos. De onde você acha que vem o combustível para alimentar esses sentimentos tão densos? Não é à toa que muitas dessas pessoas ficam estagnadas e não são prósperas, afinal, a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade está sendo gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo gasta energia, culpa também, já a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos e elevados, como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima e principalmente a alegria e bom humor recarregam nossa energia e nos dão força para empreender projetos e superar obstáculos.

4. FUGIR DO PRESENTE.

Onde eu coloco a minha atenção aí coloco a minha energia. É tendência freqüente do ser humano achar que no passado as coisas eram mais fáceis: ‘bons tempos aqueles!”. Tanto os saudosistas, que se apegam aos prazeres do passado, quanto aqueles que não conseguem esquecer os traumas e desatinos de tempos atrás, estão colocando suas energias no passado. Por outro lado temos os sonhadores ou aqueles que vivem numa eterna expectativa do futuro, depositando nele sua felicidade e realização. Viver no tempo passado ou futuro faz com que sobre pouca ou nenhuma energia no tempo presente. E é somente no presente que você constrói sua vida. O passado e o futuro dependem unicamente do seu momento presente. Aquele que vive sempre no tempo errado não tem em mãos uma dose de energia suficiente para se proteger das energias e locais densos.

5. FALTA DE PERDÃO.

Perdoar significa soltar. Soltar ressentimentos, mágoas, culpas. Soltar o que aconteceu e olhar somente para a frente e viver o presente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos e gastamos menos energia alimentando feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres e abertos para a felicidade. Aquele que não sabe perdoar os outros e a si mesmo, fica ‘energeticamente obeso’, carregando fardos do passado e isso requer muita energia.

6. MENTIRA PESSOAL.

Todos nós mentimos ao longo de nossas vidas e sabemos quanta energia é gasta posteriormente para sustentar a mentira e, quase sempre, acabamos sendo pegos. Imagine agora quando ‘você é a mentira’. Quanta energia gastamos para sustentar caras, poses, desempenhos que não são autênticos!!! Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos. A mocinha boazinha, o machão, a vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, a mártir, o intelectual, a lista é enorme. Quando somos nós mesmos a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço. O mesmo não é válido quando queremos desempenhar um papel que não é o nosso.

7. VIVER A VIDA DO OUTRO.

Ninguém vive só, através dos relacionamentos interpessoais evoluímos e nos realizamos. Mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio que traz senso de limite e respeito por si e pelo espaço do outro nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro, sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, será a frustração. Quando interferimos na vida alheia, nos misturamos com o carma negativo do outro e trazemos isso para nossa vida.

8. BAGUNÇA E PROJETOS INACABADOS.

A bagunça afeta de forma muito negativa as pessoas, causando confusão mental e emocional. Um truque bem legal para os períodos confusos é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa, os documentos e tudo o que mereça uma boa faxina. À medida em que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem a mente e o coração. Pode não resolver o problema, mas nos ajuda bastante e traz um grande alívio. Outra forma bem eficiente de perder energia é não terminar tarefas. Todas as vezes, por exemplo, que você vê aquela blusa de tricô que não concluiu, ela lhe diz inconscientemente: “você não me terminou! Você não me terminou! E isso gasta uma energia tremenda! Ou você termina definitivamente a blusa ou livre-se dela e assuma que não vai terminá-la. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do auto-conhecimento, da disciplina e da determinação farão com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão tempo e energia. E lembre-se, bagunça e sujeira são ótimas moradas para energias densas e desarmoniosas.

9. AFASTAMENTO DA NATUREZA.

A Natureza é nossa maior fonte de alimento energético e, além de nutrir, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energias. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais. Procure, sempre que possível, estar junto à Natureza. Você também pode trazê-la para dentro de sua casa ou local de trabalho. Além de um ótimo recurso decorativo, as plantas humanizam os ambientes, nos acalmam e absorvem as energias negativas e poluentes.

10. PREGUIÇA, NEGLIGÊNCIA.

E falta de objetivos na vida. Esse item não requer muitas explicações: negligência com a sua vida denota também negligência com seus dons e potenciais e, principalmente, com sua energia vital. Aquilo do que você não cuida, alguém vem e leva embora. O resultado: mais preguiça, moleza, sono….

11. FANATISMO.

Passa um ventinho: “Ai meu Deus!!!! Tem energia ruim aqui!!!” Alguém olha para você: “Oh! Céus, ela está morrendo de inveja de mim!!!” Enfim, tudo é espírito ruim, tudo é energia do mal, tudo é coisa do outro mundo. Essas pessoas fanáticas e sugestionáveis também adoram seguir “mestres e gurus” e depositar neles a responsabilidade por seu destino e felicidade. É fácil, fácil manipular gente assim e não só em termos de energia, mas também em relação à conta bancária!

12. FALTA DE ACEITAÇÃO.

Pessoas revoltadas com a vida e consigo mesmas, que não aceitam suas vidas como elas são, que rejeitam e fazem pouco caso daquilo que têm. Esses indivíduos vivem em constante conflito e fora do seu eixo. E, por não valorizarem e não tomarem posse dos seus tesouros – porque todos nós temos dádivas – são facilmente ‘roubáveis’. O importante é aprender a aceitar e agradecer tudo o que temos (não confundir com acomodação). Quando você agradece e aceita fica em estado vibracional tão positivo que a intuição e a criatividade são despertadas. Surgem, então, as possibilidades de transformar a vida para melhor!

Vera Caballero é Professora de Yoga, numeróloga, terapeuta floral, reiki master, massoterapeuta, ministra cursos e palestras sobre Bioenergias.

Articule sua mente Observe a respiração






segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ENTREVISTA COM BENJAMIN MOSER o biógrafo de CLARICE LISPECTOR por Gabriel Leão


Benjamin Moser

Todo grande artista vive para além da vida e para além da sua obra. E no século XXI, uma ótima régua para se medir a estatura inspiracional de uma figura pública é ficar esperto nas montagens com aforismas e citações supostamente escritas/ditas/psicografadas por esses grandes pensadores. De Platão à Steve Jobs, de Pondé à Dalai Lama. No Brasil, há décadas que a Clarice Lispector (1920-1977) é talvez a principal vítima dessa criatividade um tanto quanto sacana, tanto que a sua mais famosa frase nos dias de hoje é pura e serelepe invenção da era Orkut.

Clarice (quem é fã fala dela usa essa intimidade cordial mesmo) é a maior escritora da história do Brasil, certo? Certo. Mas, ao contrário de Paulo Coelho, Sepultura e Ronaldinho(s), durante décadas sua obra recebeu pouco ou nenhum reconhecimento internacional. Porém a saudade de algo o qual eu mal vivi ou evitava viver começou a ganhar o mundão graças à biografia Why This World (2009), escrita pelo norte-americano Benjamin Moser (publicada por aqui com o título Clarice).




Neste ano, Moser trouxe para o público leitor do inglês a coletânea de contos The Complete Stories (2015), traduzidos por Katrina Dodson, para introduzir ao mundo a literatura da autora modernista e seu pioneirismo ao tratar com um olhar singular questões femininas. A compilação entrou na lista de melhores publicações do ano do New York Times. A crítica internacional a coloca ao nível dos russos Chekhov e Nabokov, enquanto Lispector, com seu misticismo e olhar peculiar, está mostrando uma face mais complexa do Brasil – além dos estereótipos propagados tanto pela mídia internacional quanto pelos veículos brasileiros.

As percepções da vida de Clarice Lispector vão do mundano ao metafísico, capazes de prender seus leitores como feitiços. Pela primeira vez, a visão da mulher numa sociedade patriarcal flui nas páginas, algo muito raro até nos dias contemporâneos; a coerência é mutilada, bifurcando-se em desordem guiada por palavras de um português diferente. Moser e os fãs falam dela com tanta intimidade que a chamam apenas de Clarice, uma figura ao mesmo tempo complexa e cativante. Nascida de uma família judia e russa na Ucrânia, a autora migrou com um ano para o Brasil após a Guerra Civil Russa. Sua mãe sofreu um estupro coletivo por soldados russos, estudou Direito num período em que não era comum ver mulheres na sala de aula (quanto mais judias), casou-se com o diplomata Maury Gurgel Valente. O biógrafo conversou conosco sobre seu objeto de pesquisa e afeto, explicando por que a vê como uma pioneira e sua relevância para o mundo, além de apontar que seu próximo trabalho será sobre a crítica de arte e ativista Susan Sontag (1933-2004).

Como entrou em contato com a obra de Clarice Lispector?
Benjamin Moser: Fiz o ensino médio na França. Voltei aos EUA para a faculdade, onde comecei a estudar chinês, pois acreditava ter ficado muito tempo na Europa e queria algo que fosse o oposto daquilo linguística e culturalmente – mas fracassei. Porém queria outro idioma naquele horário, e o único disponível era português; entrei nas aulas só para aprender outro idioma, e foi naquele curso que descobri A Hora da Estrela. Depois disso, fiquei tão marcado pelo livro que queria fazer algo por aquela senhora, mas não imaginava como: tinha apenas 19 anos e via ali uma obra de nível mundial – e, se as pessoas não sabiam disso, era culpa delas [risos]...

Quando você adora um livro, quer compartilhá-lo, porém as traduções eram tão ruins que eu não falava dele e até avisava: "Não leia, pelo amor de Deus, a tradução é tão ruim que você vai achar uma merda essa autora e não entenderá seu tamanho e importância" [risos]. Fiquei anos trabalhando em como fazê-la chegar a essas pessoas: fiz a biografia, que foi um grande risco porque era uma desconhecida para este público (estrangeiro), porém falei a mim mesmo: "Se fizer isso e virem quem é, vão querer lançar os livros também" – e foi o que aconteceu. Realmente, foi muito bom e tem dado certo com ela, embora pudesse não ter acontecido, e eu teria quase quarenta anos e feito tudo isso para nada.

Todos me chamavam de louco porque ninguém conhecia Clarice – verdade que, no Brasil, é difícil dizer que ninguém sabe quem é –, mas imagine um autor japonês: você fala dele em Cuiabá, e ninguém pode ler. Você se sente esquisito, até meio louco, e as pessoas não têm como ler essa pessoa tão maravilhosa. Então, quando olho para trás, eu realmente acho que estava louco, mas amor é isto: uma paixão que você quer e quer.

O meu [livro sobre] Clarice [Why This World] publicado em 2009 levou cinco anos. Comecei em 2004, ou seja, ao todo, são 12 anos e pouco trabalhando para construir um público para ela em inglês, o que não foi fácil, e, por isso, estou louco de felicidade: afinal, todo mundo tem sonhos como [seria] quando você lança algo assim que encontra seu público-alvo – digamos, "sua gente". Entretanto, muitos livros, discos e outras obras não encontram seu público mesmo merecendo, mas ela, sim.

Clarice teve uma vivência muito sofrida por ter vindo de uma família imigrante vítima de guerra. Pode-se perceber esse "eu" dela nos seus textos? Qual sua relação com as protagonistas de seus livros?
Realmente muito sofrida. Quando posto algo no meu Facebook, alguém vai lá e escreve: "Mas, na verdade, ela não era daqui, ela era da Ucrânia". Sim, nascida na Ucrânia, porém chegou a Alagoas com um ano de idade – e quer lugar mais brasileiro que Alagoas? Eu acho difícil. Sempre pensavam que ela tinha algo esquisito, e de fato era sua condição por não ser uma "brasileira normal". Encontramos muitas vezes na literatura brasileira o personagem pobre e triste de origem nordestina, como Macabéa, protagonista de A Hora da Estrela: há toda uma literatura de nordestinos migrantes em São Paulo baseada em histórias reais, mas uma pessoa nas condições dela era mais inusitada. Nos EUA, há toda uma narrativa de imigrantes e refugiados judaicos, enquanto no Brasil não havia, e as pessoas captaram algo diferente nela. Não era o fato de nascer em uma aldeia ou em outra, ela nunca viu nada disso; entretanto, ela não tinha uma origem mais comum aos brasileiros, embora o país também seja isso. Por exemplo, fosse ela de uma família japonesa do interior paulista, não teria a mesma experiência de uma indígena do Pará, o que não quer dizer que ambas as personagens não sejam brasileiras, e sim que todos possuem sua vivência e que o Brasil não é homogêneo.

Considero o olhar dela estrangeiro, mas não é tão "estrangeiro" – está mais para uma pessoa que chega a uma festa sem conhecer ninguém e fica sem jeito, não sabendo se bebe vinho ou fica de canto na parede... a pessoa sente uma certa estranheza, uma sensação que considero a tornar universal. Se ela fosse uma italiana do Bixiga (bairro na capital de São Paulo com forte comunidade italiana), então seria ainda outra experiência, um pouco diferente, porém todo mundo é diferente e, por isso, todos gostam dela.

Fica muito claro que ela é as personagens das histórias, não que seja igual em todos os detalhes. Ela captou toda a vida de uma mulher nos 85 contos deste livro (The Complete Stories), iniciando-o aos seus 19 anos e indo até sua morte, pois deixou manuscritos incompletos. Descreveu as fases de uma vida desde uma menina pequena, passando a adolescente atraente e curiosa por sua sensualidade, a esposa, a mãe cujos filhos vão embora, até terminar sozinha, velha, sem jeito – e, por fim, morrer, ou seja, toda uma vida. E ela está ali, porque quem lê percebe sempre a voz de Clarice. É como [a cantora portuguesa de fado] Amália Rodrigues, que pode interpretar qualquer música que será sempre ela, inclusive as canções nas quais é homem, mas ali estará Amália – e Clarice é assim. Isso, nós vemos em poucos artistas que conseguem ser ao mesmo tempo eles próprios e também as personagens que habitam sem que um se perca no outro, ou seja, ali estão os dois, e vemos isso também nas grandes divas da ópera como Maria Callas, estivesse ela interpretando Norma ou Carmen. Esse processo é muito empolgante. Percebemos também em grandes violinistas tocando Mozart mantendo traços de suas personalidades. Essas coisas em um artista me deixam muito empolgado.

Como uma pessoa com origem e vivência tão inusitada compreendeu o Brasil?
Porque ela era do Brasil! Às vezes, me dizem: "Você sabe mais do Brasil do que outras pessoas daqui". No entanto, não é verdade que eu conheça mais que outros. O estrangeiro quando chega fica observando e tem de trabalhar mais para compreender. Uma pessoa daqui que vai aos EUA não sabe tanto de lá quanto eu, que teria uma visão muito imediatista se comparada à do nativo que é natural de lá. Para quem é de São Paulo, Minnesota é a coisa mais exótica do mundo, a pessoa fica olhando e olhando... portanto, considero Clarice um pouco disso, ela tinha de ver um pouco do Brasil e de sua língua. Quando se lê Clarice, se nota um português-brasileiro totalmente diferente do literário, mas não era algo que ela tentava impor, e sim porque pouco se falava português na casa em que foi criada. O Brasil tem milhões de imigrantes e não é aquela coisa de Gilberto Freyre de negro, índio e português apenas – não é e nunca foi. O Brasil sempre foi mais diverso que essa caricatura, e acho que agora estamos o entendendo mais.

Qual a maior barreira para autores brasileiros ganharem reconhecimento no exterior: a língua ou a localidade?
Nenhuma das duas. Uma autora estrangeira precisa de uma "embaixada", seja de onde for, um acesso à língua local. Por exemplo, aqui na França é difícil até mesmo para autores norte-americanos. São necessários tradutores e editores compondo toda uma infraestrutura que Clarice não tinha. Essa é a primeira dificuldade; depois, tem a ver com a relativa invisibilidade do Brasil na cultura literária. E vejo problemas no próprio país, pois o brasileiro tem tendência de não valorizar muito a literatura. Se falarmos de música, filmes e televisão, seus profissionais têm mais apoio, enquanto os escritores ficam meio de lado, e o que quero dizer é que não é por ela ser ótima que dará certo. É algo que precisa ser construído em um trabalho diário para atrair esse público; às vezes, se encontram pessoas que são muito inteligentes, embora não se saiba se gostarão de Clarice. No Brasil, é a mesma coisa: nem todos gostam.

Por que acha que essas pessoas não vão gostar de Clarice?
Porque, às vezes, a gente sente. Por exemplo, minha mãe não gosta de Clarice, não a entende, assim como muitos; logo, quando encontra com uma pessoa que gosta, ela é atraída. Soube que o autor irlandês Colm Tóibín adora Clarice e o convidei para fazer o prefácio, e soube também que o cineasta espanhol Pedro Almodóvar também a adora e escreveu outro prefácio. Aos poucos se constrói algo ecoante, um trabalho que não ocorre de um dia para outro, mas que, na verdade, é sutil e exige muita paciência. Chega a um ponto em que esse público já está aí, e o que vemos agora é fruto de um trabalho missionário para incentivar e empolgar as pessoas. É engraçado como isso acontece e é um mistério, pois, para muitos, não acontece – só que, para ela, aconteceu.

A imprensa internacional traça paralelos entre ela e Anton Chekhov e Vladimir Nabokov. Você consegue ver essas semelhanças?
Nabokov e Chekov são russos, ou seja, da mesma terra onde ela nasceu. Nabokov também foi migrado, exilado, assim como Clarice, embora ele fosse da alta aristocracia, enquanto ela era uma menina pobre de uma aldeia, o que é totalmente diferente. Ainda assim, quando alguém não conhece a literatura brasileira e pega Clarice, vem rapidamente a origem da Europa Oriental, o que para mim é difícil de explicar, mas o explico na minha biografia, pois ela foi criada por essas pessoas. Entretanto, principalmente digo: ambos são grandes nomes da literatura e ela também o é. Ela não é algo pitoresco, exótico ou local, como muitas vezes latino-americanos são apresentados como quem diz "Pra quem vai à Colômbia, leia este e aquele autor". Clarice não é isso; de fato, ela é para Mongólia, Finlândia, Argélia, ou seja, é universal. Por isso, é um motivo de orgulho para o Brasil ter um fenômeno cultural mundial. Apenas os melhores artistas conseguem chegar nesse patamar.

A biografia escrita por você irá para os cinemas? Existem negociações para Meryl Streep interpretar Clarice?
Sim, irá, e estou trabalhando nisso agora. [Quanto a Meryl,] Isso é uma mentira, e já a desmenti umas 50 mil vezes. Adoraria que fosse verdade, porém a Meryl Streep passou da idade para esse papel. Clarice morreu com 56 anos; assim, teria de ser uma atriz entre 30 e 40 anos, porque ela precisa envelhecer na tela. Ainda não temos uma atriz definida, estamos em fase de pré-produção, mas logo vou ao Brasil para falarmos mais sobre isso.
Com quem você se reunirá aqui no Brasil?
Não é nenhum segredo, porém não temos contrato – e, por isso, não posso falar.

Você mencionou Almodóvar. Ele poderia ser o diretor?
Adoraria que fosse, mas ele sempre escreve os próprios roteiros; portanto, não será ele, embora tenha feito o prefácio de Um Sopro de Vida, minha série.

O que representa a eminência dela para o mundo dentro da literatura brasileira?
Direi algo que considero muito importante. O Brasil há cem anos tem Machado de Assis como porta-estandarte – o adoro –, mas isso é algo mais relacionado ao passado, enquanto Clarice, uma mulher de origem judaica, representa a diversidade e foge do estereótipo pelo qual o Brasil é visto, podendo mostrar que a literatura do país é mais rica e diversa do que se espera. Seria uma alegria imensa para mim se o Brasil fosse mais traduzido. Há muito material bacana que não chega por vários motivos. E esperam mais música do Brasil – como quando surge um novo trabalho de Caetano Veloso e todos entendem –, porém, quando apresentamos uma mística como Clarice Lispector, as pessoas não esperam isso.

Crê que para o público estrangeiro é difícil compreendê-la?
Você está acompanhando a repercussão; então, creio que estão entendendo mesmo, principalmente quanto ao nível, à importância e à glória representados por Clarice, enfim, a riqueza disso tudo. Isso não irá parar, já que fizemos traduções muito boas, e as resenhas apontam isso. Quando chega o Pelé, todos sabem que o Brasil tem futebol; entretanto, quando vem a Clarice, percebem que [o país] vai além disso. Clarice era de uma cultura literária muito rica. (Este trabalho) é minha ambição, só que, para colocar o Brasil como uma cultura literária, é necessário que seja visto também no Brasil. No país, há o costume de se dizer "Brasileiro não lê", porém, quando vou a qualquer lugar do país, tem milhões de pessoas que leem e adoram Clarice – e que estão superempolgadas. Por isso, não creio que seja verdade que não leem, mas é preciso estimular o hábito nas escolas, um trabalho que envolve muitos.

Sua obra tem tido repercussão no Brasil?
Minha biografia foi um best-seller no Brasil e ainda é. Muita gente no Brasil diz que foi ler Clarice por minha conta, e isso, para mim, é uma recompensa enorme, pois fiz para o estrangeiro, mas agradou também o brasileiro.

Hoje, há muitas campanhas apontando para a causa feminista. Dentro desse quadro, por que é importante ressaltar a vida e a obra de Clarice Lispector?
Clarice é um nome fundamental para a literatura feminista, para a discussão do feminino, não porque ela fosse militante, mas por ter dado voz à mulher que até então não a tinha. Naqueles tempos, não existia literatura negra no Brasil: havia Machado de Assis, que era mulato, mas continuava não existindo, assim como também não havia literatura feminina. Existiam Cecília Meireles, uma poeta, e Raquel de Queiroz, que escreveu romances, mas eles não eram enfocados em mulheres, e sim no Nordeste. Não havia ninguém dando uma voz à experiência de metade da população do Brasil e do mundo. Isso parece mentira, porém, quando você estuda a história da literatura brasileira, vê que isso não era inédito apenas no Brasil. Escrevo neste prefácio que ela é a primeira mulher no mundo que fez o que fez, descreveu toda a vida de uma mulher de classe média com suas fases, e defendo que isso é tão importante para lembrarmos que a mulher até então não tinha voz. Não é uma coisa de militância, e até a palavra "feminista" é usada muitas vezes contra as mulheres, embora haja importância nesse fenômeno em dar voz para essas pessoas.

Como ela fala de classe média, você enxerga alguma relação dela com Nelson Rodrigues?
É diferente, porque ela era muito pobre, não como a Macabéa, mas era de uma família realmente pobre que quase não conseguia se alimentar e que chegou à classe média graças ao pai e ao seu talento. Casou com diplomata e tudo isso. Nelson Rodrigues vem de uma classe média brasileira mesmo. Gosto muito dele, porém considero que sua experiência é mais comum, tendo [uma visão] um pouco diferente [de Clarice], já que fala do Brasil do brasileiro médio. Por exemplo, não havia literatura gay no país até pouco tempo: talvez Caio Fernando Abreu seja o primeiro a escrever sobre isso abertamente – e o Lúcio Cardoso, um pouco.

A experiência que Clarice descreve é uma coisa que ninguém tinha tocado, e ela abriu o Brasil e a cabeça do brasileiro de uma forma extraordinária para ver o que acontecia com aquela senhora no supermercado. O que, hoje em dia, sabemos, pois há muito [conhecimento] sobre essa pessoa – só que antes, não. É muito importante entender que aquela senhora não existia na literatura, assim como também não havia o homossexual, o negro, a judia... o Brasil literário era quase sempre sobre homens de classe média. Clarice trouxe um fator totalmente inédito, embora se destaque sobretudo pelo talento.

Como enxerga a proeminência das frases dela na internet e até o fato de a creditarem por coisas que não disse?
Adoro isso! Sei que o clariciano mais acadêmico odeia, mas a própria Clarice falou que, mesmo após sua morte, continuaria escrevendo – e foi o que aconteceu. Todas essas coisas, que são um tanto ridículas na internet – e que ela nunca falou ou teria falado –, aparecem porque ela virou uma personagem além da própria vida. E, até hoje, em 2015, 40 anos após sua morte, as pessoas vão retuitando coisas que ela jamais falou em vida. Acho que o artista que realmente toca as pessoas tem realmente esta vida lendária. Como nos cordéis do Norte, com Lampião e Padre Cícero, ela tem uma vida além da morte.

Uma figura quase mitológica?
Totalmente mitológica, mas porque tocou as pessoas. Se não as tivesse tocado, não teria necessidade de fazerem isso, o que mostra uma necessidade de ter e saber mais sobre ela: a mesma coisa que eu tinha, eu queria saber dela. Assim, cada um faz à sua maneira. E, quem sabe, com a repercussão de uma frase dessas, as pessoas que estão no Twitter vão ler a verdadeira Clarice.

Há algum lado dela que não entrou em seus livros e que você gostaria de o abordar em futuros trabalhos?
Neste livro [de contos], falei muito do lado feminista, enquanto na biografia tratei da brasilidade em sua relação com o Brasil e a cultura brasileira. E também falei do lado judaico – o qual considero que não tinha sido examinado como gostaria –, porém, nesse livro, no prefácio, falo muita coisa de sua vida. E vou ser honesto: chegou um momento em que disse a mim mesmo: "Escrever mais 20 páginas sobre Clarice Lispector? Me dá uma preguiça tremenda, porque são muitos anos disso". No entanto, aconteceu algo lindo enquanto escrevia, pois descobri aspectos novos, como ela ter sido a pioneira no mundo ao escrever sobre a vida toda de uma mulher na maneira que fez. Eu não havia pensado nisso, e é algo que, além da admiração que tenho por ela, me trouxe alegria e mais um motivo de orgulho. Os grandes artistas possuem isto: quanto mais você mergulha, mais descobre.

Além de Clarice, há algum outro autor brasileiro que te cativa?
Estava pensando nisso hoje. Muitos me cativam... sei que não é essa a pergunta, mas, se me perguntarem sobre quem falta uma boa biografia crítica, responderia: "Uma de Monteiro Lobato". Creio que daria uma visão muito interessante do Brasil daquele período com todas suas contradições e problemas, mas também seus aspectos positivos – um retrato muito importante. Estou muito envolvido com o Brasil e fico muito interessado por pessoas, porém não vou dedicar onze anos da minha vida... hoje, estou fazendo uma biografia sobre Susan Sontag, já são cinco anos de trabalho, e ainda não estou próximo do fim. Não a escolhi por sua nacionalidade, embora o que me interessa seja ela em si. Sim, gosto muito do Brasil e tenho amigos: a nacionalidade tem certa importância, mas não é tudo. Por exemplo, não se estuda (Søren) Kierkegaard por ser dinamarquês, e sim por ser interessante.

O que no Brasil te atrai tanto?
Além das pessoas, meus amigos, é uma sensação que tenho quando chego ao aeroporto e, logo na alfândega, fico interessado em algo que antes não havia reparado – seja um ator, um músico... agora, vou lançar um livro sobre arquitetura, que sairá em outubro, chamado Cemitério da Esperança, e ele fala de Brasília, porém, em geral, [fala] da arquitetura monumental no país. É um trabalho pequeno, não tão extenso quanto o de Clarice, em torno de 100 páginas, embora seja um pouco de meu ativismo na área de urbanismo.

Você se vê como um "embaixador" do Brasil para o mundo?
Adoraria sê-lo, mas não me atrevo a dizer isso. Creio que consegui levar uma pequena – mas muito importante – parte da cultura brasileira pro exterior.

Você seria então uma ponte entre o Brasil e o exterior?
Disso, acredito que todas as culturas necessitam, porque os países podem ser prisões. Imagine a Dinamarca: se não houvesse tradutores, ficaria algo pequeno. A Mooca, em São Paulo, possui mais gente que a Dinamarca; agora, imagine um artista ou pensador não poder sair de lá, ou mesmo na Holanda, onde vivo. As pessoas precisam de outros ares e de quem entre e saia dos lugares, senão fica muito parado, e o Brasil pode sofrer isso também, embora hoje as pessoas estejam muito obcecadas com "quem é o Ministro da Fazenda"... "... de Alagoas". Há momentos em que é bom sair disso e ver um mundo mais amplo.

No Brasil, o Superior Tribunal Federal derrubou em junho a necessidade de autorização para publicação de biografias. O que pode dizer deste momento?
Contribuí um pouco com este movimento. Publiquei uma carta na Folha [de S. Paulo] para Caetano Veloso - http://robertacarrilho-div.blogspot.com.br/2013/10/carta-aberta-caetano-veloso-benjamin.html que é meu amigo, mas que estava de um lado... [respira] entendo as posições deles, já que todo mundo quer sua vida privada, mas o que aconteceu com o Brasil – em geral, com as biografias, mas também com o jornalismo e o direito do brasileiro –, de examinar a própria história, é que está muito fácil censurar no país. Conheço casos de amigos meus jornalistas querendo fazer uma biografia de uma grande figura, mas que são interpelados por um descendente poderoso que chega e só fala "Olha...". A pessoa sabe que lida com um poderoso e deixa de fazer o trabalho; portanto, muito da história brasileira e também literária se perde porque muitos não querem comprar briga com gente poderosíssima – até porque não têm condições financeiras. Portanto, creio que a resolução do STF foi um avanço muito importante. Soube desta situação ridícula de não poder falar que Mário de Andrade era gay: ele morreu em 1946 e já se sabia disso há 100 anos, ele é uma figura fundamental para o Brasil. Ainda assim, não se pode dar um tratamento honesto sobre sua vida, e isso atrasa toda a cultura do país. Tenho certeza de que a definição do STF dará um efeito superpositivo.

Algumas personalidades públicas são contra essa postura. A celebridade brasileira não está acostumada com a própria condição?
Quando se é uma figura pública, não se pode controlar tudo que falam de você pro bem ou pro mal. Todos têm assessoria, porém a figura pública tem de aceitar que há coisas acima de seu controle. Entretanto, se falarem algo errado, uma mentira, e se puder comprovar, há leis no Brasil contra difamação como em todos os países. Entretanto, há uma diferença entre difamação e exame crítico, são duas coisas totalmente diferentes. Se falo que não gostei do livro do Gabriel, isso não é uma difamação, e sim uma opinião, e justamente as opiniões que não agradam sempre devem ser protegidas, pois todos gostam do elogio, e essa mudança não é para proteger o "elogio". Até mesmo sobre minha humilde pessoa estão falando coisas que não são verdadeiras.

Pensa em processá-las?
Não, porque não vou alimentar essas coisas. Não vou lhes dar valor, porém, se alguém me atacasse publicamente e dissesse algo, então, sim, venho de uma família de advogados e me defenderia. No entanto, posts na internet... você sabe... uma coisa que não vale a pena e é um tanto triste...