quarta-feira, 24 de abril de 2013

SOBRETUDO, NÃO CONCLUIR, RESISTIR À TENTAÇÃO DA ÚLTIMA PALAVRA - François Ost


Bom Dia! 

Assim é a vida, não um estudo definitivo, 
mas sim uma forma de proporcionar reflexões 
e alternativas de pensamentos .
Roberta Carrilho




 “[...] sobretudo, não concluir. Resistir à tentação da última palavra, esse traço feito no final das páginas acumuladas [...]. Não, não é preciso concluir. É preciso pelo contrário, abrir o círculo; ei lo tornado em espiral e turbilhão, circularidade em movimento como a própria vida e as idéias.”

Ost

terça-feira, 23 de abril de 2013

COMO LIDAR COM O BIPOLAR SEM TRATAMENTO - Blog Bipolar Brasil



Algumas sugestões sobre o que fazer quando um paciente do transtorno bipolar do humor se recusa a aceitar a doença e fazer o tratamento. É claro que talvez não consigamos dar uma "receita" pronta, mas algumas ideias sobre o tema que poderá te ajudar - enquanto cuidador (a).

Se alguém com transtorno bipolar se recusa a se tratar é importante que os cuidadores - familiares, amigos etc - consigam "ouvir" e "observar" cada detalhe daquilo que o bipolar está comunicando - ou tentando comunicar. 

Os principais motivos que você deve levar em conta quando um bipolar não quer se tratar são:

Aceitação - o paciente bipolar ainda não aceitou ou se recusa aceitar que tem uma doença que é para vida inteira. Esse ponto é importante, porque realmente o bipolar tem razão é pra vida inteira, porém tem tratamento. O bipolar quer passar a vida inteira sofrendo com os altos e baixos, ou quer ter uma vida melhor? Uma vida mais produtiva? Uma vida onde se possa sonhar. São questões para ouvir e compreender por parte do cuidador. Devemos tentar entender e compreender que o medo da doença assusta, mas não precisamos ficar assustados pelo o resto da vida certo? Se a doença é certa para a vida, muitas outras coisas também o são, como a morte por exemplo. Decidir viver, e viver de uma maneira onde impere o equilíbrio a felicidade e os momentos de gratificação é possível com o tratamento, para tanto a aceitação se faz necessária antes de tudo. Aceitar ser portador de transtorno bipolar, fará toda a diferença. Temos de lembrar - faço isso sempre por aqui no Bipolar Brasil -, não somos a doença bipolar... nós temos a doença e só. 

O transtorno bipolar não define quem a pessoa é!

Estigma - Alguns pacientes se recusam a se tratar porque tem medo do estigma, do preconceito que o transtorno bipolar pode gerar em suas vidas. A primeira coisa que podemos conversar a respeito é que ninguém precisa saber que o paciente sofre de transtorno bipolar. Ele ou ela conta se quiser e para quem quiser. Talvez para pessoas de confiança pode ser um caminho ameno para encarar isso. No meu caso eu falo as pessoas, pois sinto firmeza para combater isso. É uma oportunidade que eu tenho de explicar e desmitificar aquilo que a outra pessoa pensa sobre o que é ser bipolar. Na verdade, eu falo a respeito quando sou perguntado, ou quando alguém quer compreender certos comportamentos meus. 

Não ando com uma placa na testa escrita: - sou bipolar! 

Acho que o bom senso se aplica a isso. E é importante compreender que as consultas com o psiquiatra são seguras no que tange confidencialidade. E isso significa que o médico do bipolar não vai sair por aí colocando no mural do facebook, por exemplo, o nome de seus pacientes e o que eles lhes contam. Na salinha de espera de consultórios psiquiátricos ninguém fica invadindo sua privacidade querendo saber o que você está fazendo ali. E então, este ponto também é possível de ouvir e conversar melhor com o paciente do transtorno bipolar.

Hipomania ou Mania - Alguns pacientes às vezes nem sabem direito do que se trata esses sintomas do transtorno bipolar, apenas sentem energia, momentos de criatividade entre outras coisas que "parecem" serem ótimas para o dia dia. O que eu quero dizer é que muitos bipolares não se tratam porque não querem sair deste estado "alterado" de muita energia. O problema é que a Lei da Gravidade se aplica ao transtorno bipolar, isso é, tudo que sobe, desce. Então, ao passo que os estados eufóricos podem "parecer" bons, os momentos que se seguem não o são, como são os casos de depressão. Mas não é só isso. O problema é maior porque cada crise de euforia que o bipolar vai acumulando ele diminui as chances de uma melhor recuperação global da doença, e só pra constar: ele está "detonando" seu cérebro sem fazer ideia dos prejuízos cognitivos que está acumulando ao longo do tempo. Temos sempre que lembrar que como a doença é cíclica então, com "certeza absoluta" todo o bipolar que se encontre numa fase alterada de humor para cima, num momento seguinte vai experimentar depressão, e elas vão aumentando de intensidade sem tratamento, levando inclusive a ideações suicidas e consequente morte precoce. Para que correr o risco? E um ponto para fechar: é possível sim ser altamente produtivo, criativo e ter energia para encarar seja lá o que for na vida com tratamento adequado. Temos aqui no Bipolar Brasil muitos e muitos amigos que relutaram em fazer o tratamento, mas quando o fizeram mudaram completamente de vida. Estão muitos trabalhando, estudando, outros tornaram-se artistas, outros advogados, são uma porção de casos bem sucedidos. Mais recentemente um amigo passou num concurso do TRT-SP como oficial de justiça - ele faz uso por exemplo de 300mg de Seroquel XRO. Estou certo que ele fará um relato para nos contar sua história com a doença brevemente - foi um pedido que lhe fiz quando nos encontramos recentemente em meu aniversário. Pense nisso e dê exemplos ao bipolar que é possível sim, ir em frente, com melhores resultados. 

"Geralmente as melhores praias e cachoeiras, só são possíveis, os acessos, através de longas e difíceis trilhas (...)".

Willian H.K 

Estão muito doentes - Existem casos em que o paciente bipolar está tão doente que não tem uma percepção acurada sobre os "prejuízos" que está causando a si - e porque não também à família e/ou os envolvidos na situação? Eles é claro precisam de tratamento urgente. O senso de realidade e o pensamento coerente e/ou natural está afetado pelos sintomas da doença. Nestes casos eu recomendo que os familiares conversem com um médico sobre alguma alternativa de ajudar nesses casos. Se houver necessidade de internação, na minha opinião deve ser realizada sim. E já escrevi algo sobre isso, leia aqui:

Efeitos colaterais - Isso não se aplica apenas aos pacientes com transtorno bipolar. Tomar medicações parece ser o fim da linha, ou seja, será uma experiência de "dopagem" sem fim. Irá danificar o corpo, a mente, a alma para sempre! E pior: sem reversão. É oque pensam... Engano! Não tomar as medicações para o tratamento bipolar é que trará consequências imensuráveis e danosas para todo o organismo. Lembrando que o cérebro é que controla o corpo, então, ter uma doença que afeta os mecanismos químicos dele - do cérebro - é pedir para o corpo não funcionar direito. Isso claro reduz a expectativa de vida. Em estudos já é possível afirmar que bipolares vivem entre 10 a 15 ano menos que pessoas sem a doença. Isso é claro, sem tratamento.Como dizem: "mente sã, corpo sã". A maior parte dos efeitos colaterais das medicações para transtorno bipolar são toleráveis, ficam numa faixa de administração de riscos por parte dos profissionais de saúde mental e "nem sempre" ocorrem com a gravidade que se prega por aí. Tudo depende de doses, tempo, e acertos. 

A diferença entre o veneno e o antídoto como eu já disse aqui no Bipolar Brasil, está na dose. 

E quem entende disso é o médico. Se fosse para deixar o paciente numa situação pior do que ele se encontra, eu tenho certeza que médicos psiquiatras já nem existiriam mais em nossa sociedade. Pense nisso. Esses dias eu escrevi um artigo sobre a mediação topiramato e seroquel, sendo a primeira para ajudar na redução de peso, por exemplo, eis ele aqui:

Veja é possível sim lidar com os efeitos colaterais, que são bem menores que os danos no cérebro que controla todo o corpo. Avaliar custo versus benefícios de um tratamento para transtorno bipolar é uma atitude inteligente para viver dias melhores e preservar o que há de mais importante num corpo: o cérebro. 

Dependência de medicação - A primeira coisa que eu digo sobre dependência é que ela não ocorre com a maior parte dos medicamentos para tratamento do transtorno bipolar. E se, ocorrer, são reversíveis! Isso é importante compreender. Alias, é bom que se diga, que se o bipolar precisa de certa medicação para o resto da vida, ele vai "depender" dela. O fato de depender dela deve sempre vir acompanhada dos "benefícios do para sempre" também, o exercício da "ponderação" de que o "para sempre, é algum tipo de ilusão criada, deve ser levada em consideração." Se eu faço exercícios e dependo disso, essa dependência me gera quais benefícios para o resto da vida? Pense nisso. 

A vida é curta para não experimentar a verdadeira vida. 

Eu fui entender isso, quando o meu tratamento começou a dar resultado, e retornei as minhas atividades normais, digamos assim. Hoje tenho amigos, trabalho, estudo por prazer, escrevo por aqui vez ou outra, e posso dizer que não me importo nem um pouco em ser "dependente" de benefícios tão interessantes para minha condição bipolar.

Pontos a serem observados para cada tipo de paciente bipolar e como ajudar

A primeira coisa que um cuidador de paciente bipolar deve avaliar é se o paciente - ele ou ela - está muito doente, isto é, se os sintomas que são apresentados no dia dia estão afetando o funcionamento da pessoa. 

Como esse (a) bipolar esta funcionando na vida? Como tem tem sido as relações sociais? Está trabalhando? E sim, existem queixas ou rendimento abaixo do esperado e/ou nível de estresse é alto? Como tem sido em casa? Consegue relaxar? Se isola com facilidade? Faz grosserias com muita frequência? 

Isso tudo tem que ser avaliado para determinar a urgência de intervir imediatamente, ou aguardar um momento em que as crises estão mais controladas, para conversar. Não vai adiantar. Repito: não vai adiantar o cuidador fazer de tudo para convencer o bipolar de que ele precisa de tratamento - que portanto precisa se cuidar -, se ele não aceitar isso como verdade. Bipolares infelizmente em crises, são teimosos e sem senso crítico apurado. Portanto, deve-se esperar a "poeira" baixar para abordar as questões deste artigo por exemplo. A não ser que o caso seja grave, daí os familiares devem intervir, e buscar os meios legais para isso. Quando o bipolar estiver melhor, estou certo que ele compreenderá as decisões tomadas. 

Nem sempre tudo é legal, mas quase tudo é justo - foi uma frase de minha amiga Ana Maria, educadora e que possui uma vasta cultura. 

Paciente bipolar muito doente: 
Muitas ocasiões em menor parte dos casos o paciente do transtorno bipolar pode estar com severas crises de mania ou depressão, e neste caso é um tanto complicado a adesão do paciente ao tratamento. O ideal é que antes desta situação se instalar é tentar deixar acertado um "plano de regras". É importante fazer a seguinte pergunta ao bipolar: - se você estiver numa situação realmente muito ruim, o que eu posso fazer? O que você me autoriza fazer para te ajudar. Estabeleça isso com o bipolar, e peça que ele ou ela dê sua palavra de confiança nesse sentido. 

Se não houve tempo para acertarem com antecedência um "plano de regras" para situações mais problemáticas, tente se concentrar apenas em dizer que está a disposição para ajudar, comente sobre os "benefícios" do tratamento, evite falar em efeitos colaterais etc etc... Deixe isso para o médico explicar em momento apropriado. Foque nos benefícios! Transmita paciência, empatia e confiança que está realmente a disposição para ajudar. Sem julgamentos, sem pressão... Respeite o tempo do bipolar pensar a respeito. E lembre-se de sempre comentar quando o bipolar estiver mais "receptivo" em ouvir. Geralmente isso ocorre em crises de depressão, momento mais fácil de convencer um bipolar a se tratar - se levarmos em conta o outro extremo da doença: a hipomania ou mania. Se o bipolar tem plano de saúde, faça uma lista de alguns médicos próximos da residência para serem acionados numa situação mais urgente, até mesmo liste hospitais que possam ajudar. Faça isso com antecedência e deixe anotado em sua agenda e com fácil acesso. Cuide desses detalhes caso a situação aperte. Tente conhecer os serviços médicos de urgência público que possa recorrer a qualquer horário, em São Paulo por exemplo, existem hospitais psiquiátricos 24 horas que podem ajudar, pelo o menos medicar e mandar o paciente de volta para casa na maioria dos casos. Vale a pena ter isso anotado. 

Paciente bipolar de média gravidade:
Estou a considerar aqueles pacientes que se recusam ao tratamento, que não estão bem, porém ainda é possível manter algum nível de conversa. Nestes casos eles não estão apresentando sintomas severos de mania ou mesmo psicose. É quando eles ainda conversam sobre a doença, e se recusam ao tratamento com argumentos e mais argumentos contrários. Nestes casos é necessária certa habilidade de comunicação - se não tem, comece a treinar. 

Convencer um bipolar de que ele está errado, pode ser "faísca" para ele ficar muito irritado. 

Todos nós queremos "autonomia" na vida. Alguns há têm - a minoria é bem verdade -, mas nem sempre o que chamamos de "tomar conta de nosso nariz" é de fato tomar conta mesmo. A habilidade de comunicação nesses casos precisa ser desenvolvida para que a cada argumento que o bipolar apresentar, seja debatida com um tom calmo e tranquilo, para que se possa devolver com outros argumentos o pensamento racional da questão. Não é bom um debate, mas saber fazer"perguntas", e fazê-las com calma não demonstrando que você está "inquerindo" alguém que cometeu um crime, compreende? 

Ao cuidador se reserve mais em fazer perguntas, isso irá colocar dentro do bipolar algum motivo para refletir. Talvez ele ou ela não o faça imediatamente. Então tenha paciência para ouvir o que ele ou ela irá dizer. 

Fará imensos discursos. Ouça. 

Tenha paciência, mas deixe pequenas perguntas no ar, sobre benefícios. Se o bipolar diz não irei fazer o tratamento porque não preciso, responda: e porque não precisa? Ao invés de dizer, eu acho que não, você precisa sim. Olha como está sua vida etc. 

Deixe perguntas, para que ele não consiga chegar a conclusões, e reflita que existe uma maneira dele conduzir sua vida de maneira mais equilibrada. Se o bipolar não quiser falar sobre isso, pergunte sobre um dia em específico que você pode voltar ao assunto, pois você considera isso muito importante e se preocupa.

Peça quando possível que o paciente vá a pelo o menos uma consulta com o médico. Se der certo a primeira consulta, tente entrar junto no consultório, e diga que é a primeira consulta do paciente. Com isso o médico já conseguirá conduzir uma abordagem diferenciada de consulta, o que pode facilitar um retorno. Se não der certo e o bipolar se recusar a voltar, você pode propor outras opções de médicos, quem sabe não ache um que ele ou ela goste mais. O primeiro passo é ir ao médico, o segundo, gostar do médico e o terceiro conseguir acertar a medicação em menor tempo. O resto é colheita de benefícios do tratamento em si.

Fale com pessoas que conheçam bem a doença - e me coloco a disposição nesse sentido -, para ganhar mais e mais argumentos para ajudar no processo de iniciar o tratamento. Claro leia as centenas de artigos do Bipolar Brasil, sempre tem alguns que podem ajudar num ponto ou outro. 

Se o bipolar tem um plano e/ou um projeto, mas está com dificuldade de terminar, ou desmotivado para começar ou resolver uma questão mais crítica, pergunte se com tratamento isso não pode ficar mais fácil?

Ele ou ela poderá dizer, não isso não tem jeito! Mas, você pode devolver, mas se tentarmos? Ele ou ela pode devolver eu já tentei... E dar muitos argumentos. Mas na verdade, o que está incomodando são os pontos que eu abordei logo no início do deste artigo: o medo, a aceitação, o estigma, os efeitos colaterais etc... 

Leia com atenção cada item, e tente desfazer o "preconceito" que o bipolar tem de si mesmo. Isso ajudará no transtorno bipolar. Eu chamo isso de atuar "proativamente" na ajuda do paciente, é estar munido de informações e ter um tom de motivar a pessoa a se cuidar e retirando os medos para fazê-lo, um a um. 

Sobre questões práticas sobre gastos de dinheiro, por exemplo, jamais pague as dívidas do bipolar, mas fique de olho. Ficar de olho significa aprender e compartilhar sobre educação financeira, existem vários livros sobre este tema. Vale a pena discutir alguns pontos, a exemplo de como é importante poupar para multiplicar o dinheiro. 

Se o bipolar tem grandes projetos, estou certo que ele quer ganhar muito dinheiro, mas será que é este o caminho? 

Analise esses planos, alguns podem ser realmente bons, mas consumirá investimentos que muitas vezes o bipolar não tem, e se tem, ficará sem nada caso não planeje. 

Indico livros do Mauro Halfeld, são fáceis de ler e aprender conceitos que podem ser discutidos para um melhor planejamento das finanças. Discuta e sempre lembre as contas a pagar. Isso pode parecer um pouco chato, mas é fundamental que se pense primeiro em pagar o que se deve, multiplicar os recursos, para só depois usufruir. Requer certa disciplina, mas para isso você terá que mostrar os "benefícios" para o paciente bipolar. 

Nunca diga que o bipolar está errado, mas ofereça opções para ele refletir que poderia ter mais resultados em outros planos, e com o tratamento ele poderia atingir mais rápido esses anseios. 

Sendo profissional em comunicação, marketing e vendas, estou desenvolvendo palestras específicas sobre este tema voltado a bipolares, terá relação com geração de renda - nada mirabolante etc. Coisas práticas, mas isso é assunto para outro capítulo. Eu tenho como ajudar quem quer realmente vencer na vida fazendo o que quiser, em breve eu terei um canal na internet para demonstrar isso. Mas funcionará com pacientes que aderiram ao tratamento, sem esse requisito, não há chances de êxito. 

Demonstre ao bipolar quando ele gasta mais do que pode os problemas que se acumulam logo em seguida. Se possível monte planilhas financeiras de entradas e saídas, por exemplo. Aprenda sobre isso, para ter argumentos. 

Não adianta debater com um bipolar, sem argumentos sólidos e exemplos. Pense nisso igualmente. 

E concluindo, esteja pronto (a) para ajudar o bipolar a colocar as coisas em ordem, mas sempre busque fazer isso com o compromisso de que o bipolar irá ter um comportamento diferente dali em diante, a começar pelo o tratamento. É uma troca, não uma chantagem, que fique claro.

Paciente bipolar que está sob suspeita que possa ser bipolar:

Com tanta informação sobre transtorno bipolar na mídia, internet etc, é incomum não nos depararmos com pessoas que desconfiam que são bipolares. Eu digo sempre a elas, para irem ao médico e sanar a dúvida logo. Ao invés de ficar tentando achar pelo em ovo - na maioria das vezes. Vá a um médico e ponto. 

Tente ler sobre a doença e as características de depressão bipolar, hipomania e mania, tem alguns textos aqui no Bipolar Brasil que pode te orientar, leia.




Com o conhecimento sobre o assunto, você pode pontuar muitos sintomas. Se a maioria dos sintomas se apresentam no dia dia, converse sobre esses sinais com a pessoa que suspeita ser bipolar. Explique o que é hipomania, mania e como isso danifica o cérebro. Fale sobre a depressão que é uma doença muito comum na sociedade, e ninguém precisa se envergonhar disso, até porque há tratamentos eficazes. No dia dia vá observando os comportamentos e sugerindo a consulta médica. Estabeleça uma data para ver isso. Com uma consulta médica definida e aceita, estipule data limite para caso os sinais não cessem, tente ter um "positivo" da pessoa para dar uma passadinha no médico que poderá avaliar os sintomas do transtorno bipolar e ajudar. Se os sintomas passar, deixe claro que caso eles voltem em algum momento, que haja um novo compromisso de ir ao médico para ver direitinho do que se trata. Negocie. Faça o seu melhor, você consegue!

Enfim...
O que eu escrevi até aqui é o que pode ser "tentando" ao invés de trocas de acusações e pressão demasiada sobre o bipolar. 

Não vai adiantar medir forças com um paciente do transtorno bipolar. Tem que ter paciência, jeito, persistência e amor. Do contrário, haverá sempre embates sem "foco nas soluções", isto é, nos benefícios do tratamento do transtorno bipolar. 

Esse é o ponto, ao invés de discutir pontos negativos da doença, discuta os benefícios de levar uma vida normal e equilibrada. 

As chances da relação dar certo e sua ajuda funcionar, vai vir do nível de envolvimento que você tem com as informações e dados do transtorno bipolar, e como você "argumenta" sem forçar sua verdade ao outro. Além do engajamento ou perseverança, como preferir. Se decidiu ajudar, vá até o fim, até conseguir a consulta, até o paciente bipolar estar envolvido com o tratamento, a partir daí é estudar, amar, e compreender que pode levar certo tempo para tudo ficar bem, mas, ficará bem!

Criterialmente como a bipolaridade é uma doença que vai e volta, sempre haverá um momento de mais fragilidade do paciente bipolar, que ele estará mais vulnerável aos sintomas da depressão por exemplo, momento esse ideal para ter em mente um discurso para ajudar. 

Discuta ponto a ponto. E ouça as queixas do porque não. 

Quando se faz perguntas abertas, peça para o bipolar argumentar o "porque não", com isso você vai aprendendo do que o bipolar tem medo, e vai gradativamente contra argumentando que a maior parte desses medos são infundados e fruto de preconceito. Alias, comece a quebrar seu próprio preconceito para conseguir ajudar. Para não ter preconceito, basta enriquecer-se de informações. Foi assim comigo. Assim que eu aceitei minha condição de paciente do transtorno bipolar. E vi que a doença é real, que sem tratamento minha vida é uma, com tratamento é muito melhor, e ponto. Fui e continuo indo em frente.

Minha esposa Elke Eleuterio - psicóloga - sempre me coloca em cheque quando eu estou enganado ou fazendo um juízo pobre, ela usa a técnica do "ouvir", "perguntar" e "ponderar". Para isso o nível de diálogo deve estar estabelecido, do contrário nada vai adiantar. 

Bons relacionamentos tem relação direta com o nível de cumplicidade e diálogo, sem isso, ao invés de ajudar, talvez atrapalhe. 

E talvez o problema deve ser outro: a relação é que não vai bem, seja ela entre casais, seja com familiares. E daí já é outra questão, e portanto um novo artigo para breve. Mas estou certo que para todo e qualquer problema existe solução - certo de que a morte não, é claro.

Boa sorte e participe dos comentários, nos contando como convenceu seu ente querido a se tratar, isso pode e ajudará muitas outras pessoas. Este artigo não é obra fechada, portanto é através dos comentários que podemos ir criando "volume" de informações sobre este tema tão delicado no transtorno bipolar do humor. Vamos la! Afinal...

Juntos, podemos muito mais! 
Bipolar Brasil - Ano 5
Por Will



UMA RARA ENTREVISTA DE FREUD (UMA PRECIOSIDADE ENCONTRADA DE 1957 - É A PRIMEIRA VEZ TRAZIDA EM PORTUGUÊS)



Acho interessante a teoria de Freud e mais ainda a biografia.
Esta entrevista é realmente uma raridade!

Apesar de reconhece-lo como um homem de excepcional
inteligência e humanista extraordinário, 
eu discordo de Freud.


Pasmem eu discordar dele!! 
É muita presunção minha! Não é? risos! 

Eu explico: a minha discordância não se dá 
no campo das ideias ou da sua teoria em si. 
Está no campo da espiritualidade!

Freud era um ser pensamente, porém muito materialista
Não acreditava na vida pós-morte. 
Talvez, porque na sua época o espiritismo 
não era tão desenvolvido como é hoje.
É neste ponto que eu discordo dele, 
porque sinceramente acredito na sobrevivência da alma.

Acredito que somente através do reencarne 
podemos ver e viver a justiça de Deus! 
Qual motivo seria para que Deus deixasse as pessoas impunes
de seus crimes, das suas condutas que tanto prejudica o outro?
Perdão não significa esquecimento ou isenção!!!
Perdão para mim é uma oportunidade de 
reconhecer o erro, ou seja, o mal praticado e 
ressarcir sua vítima  fazendo o bem.

Como então poderíamos explicar a perfeição de Deus?
Não há outro meio! 
Todos somos imperfeitos a caminho da evolução...
E a única maneira racional de entender isso são
as diversas oportunidades que nos são concedidas 
de errar, aprender, evoluir, consertar e acertar.

É o que chamamos de amor-universal sem limites ou condições!

O corpo é sim um material biodegradável
como Freud expressa nesta entrevista 
e outros textos de seu cunho.
O homem nasce, vive, reproduz, morre e se auto-decompõe. 
É natural, racional e lógico como 2 + 2 = 4.

Penso que a própria ciência tão desenvolvida 
por esse gênio - Freud -   em pouco tempo poderá provar e comprovar através dos meios científicos, de fato (material)
que exista uma vida fluída-espiritual além do corpo.

Roberta Carrilho


Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português.

Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.

Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.

Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.

Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.

S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção. Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos. 

Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial. (George Sylvester Viereck)

S. Freud: Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?

George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.

S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude. 

George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?

S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna. 

Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.

S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto. 

George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?

S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?

S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?

George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?

S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro. Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

- É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição. Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: "Além do Princípio do Prazer". 

No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção. 

Isto, exclamei (George Sylvester Viereck), é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.

S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida  é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte. Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós. Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado. 

Estava ficando frio no jardim. 
Prosseguimos a conversa no gabinete.
Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.

George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?

S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.

George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?

S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?

S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.

Minha filha também é psicanalista, como você vê… Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxonicas.

George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?

S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele. 

George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.

Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.

Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, porque ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Una herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça. 

S. Freud: Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, minha realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano. "Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!". Fico contente, Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com frequência são também a fonte de nossa força. O valor da vida. 

Uma entrevista rara de Freud. Tradução de Paulo Cesar Souza
Tradução de Paulo Cesar Souza – 20 de abril de 2010





segunda-feira, 22 de abril de 2013

O QUE TORNA UMA PESSOA PURA É A ALMA E O CORAÇÃO



O que lhe torna uma pessoa pura 
é a alma e o coração, 
então, jamais perca seu equilíbrio, 
por mais forte que seja os desafios, 
todos nos somos capazes 
de acabar com os nossos 
próprios conflitos!


VIVI TODOS OS INÍCIOS E SOBREVIVI AOS FINAIS - Ita Portugal



"Superei tantas coisas. 
Enfrentei tantos gigantes. 
Gastei tempo pensando, tentando, caindo e levantando. Recomecei incontáveis vezes. 
Sonhei e pouco realizei. 
Naufraguei em dúvidas. 
Revelei segredos íntimos, sob pena de deixar-me vulnerável. 
Nada disso foi fichinha. 
Nao tirei de letra, mas fiz um esforço enorme para aceitar o que eu não podia mudar. 
Vivi todos os inicios e sobrevivi aos finais. 
Só não me peça para entender as indiferenças." 

Ita Portugal


BRASIL PRECISA DE 6 MILHÕES DE PROFISSIONAIS ESTRANGEIROS - Camilla Costa (BBC Brasil)




Uma nova estratégia de "atração de cérebros" poderá trazer cerca de 6 milhões de profissionais estrangeiros para o Brasil nos próximos anos, segundo a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) do governo.

Com o auxílio de grupos de especialistas e consultorias de mercado, a secretaria quer desenvolver uma política de atração de profissionais - o número, no entanto, não inclui imigrantes de baixa qualificação e, sim, profissionais altamente qualificados que possam atender a demanda atual da economia brasileira.

"Ainda não é uma proposta fechada do governo, mas é a nossa meta atual", disse o ministro-chefe interino da SAE Marcelo Neri à BBC Brasil. "Imigrantes qualificados são o foco do esforço. Não é uma política geral de imigração, é uma estratégia de atração de cérebros."

Neri afirmou que a estimativa de 6 milhões foi feita depois de levantamentos de uma comissão de especialistas e de pesquisas com as empresas e o público em geral.

Segundo Neri, o Brasil é um dos países com a menor proporção de imigrantes na população, o que reflete "um fechamento do país ao fluxo de pessoas". Os estrangeiros representam hoje 0,2% da população. Com a adição de seis milhões nos próximos anos, este percentual subiria para cerca de 3%.

Para Neri, esse "fechamento" deve ser revertido para responder à demanda crescente por profissionais altamente qualificados, especialmente na áreas de engenharia e saúde.

Mas sindicatos nacionais temem que trazer mão de obra de fora prejudique a força de trabalho doméstica – que, de acordo com eles, é suficiente em termos numéricos, mas precisa de valorização e melhor qualificação.

Neri afirma que a nova estratégia "leva em conta a necessidade atual de mão de obra qualificada, mas mantém o cuidado com o trabalhador brasileiro".

"Não é uma abertura de porteira. Trazer profissionais altamente qualificados cria associações mais fortes, cria mais massa crítica, se aprende muito com outros profissionais."
'Apagão de mão de obra'

A expressão "apagão de mão de obra" é usada com frequência por analistas de mercado nos últimos anos para se referir a uma suposta escassez de profissionais altamente qualificados no Brasil.

Visto rápido e mais seleção

A estratégia mais bem cotada pela SAE para atrair profissionais para o Brasil é a adoção do sistema de pontos, utilizado por países como Austrália, Canadá e Grã-Bretanha.

O sistema confere quantidades diferentes de pontos às respostas do potencial imigrante em um questionário.

André Luiz Sacconato, analista da Brain, diz que o sistema pode ser uma opção beneficie empresas e proteja o trabalhador brasileiro de uma “invasão” de profissionais.

“Ele limita a entrada ao que se precisa, já que você pode dar poucos pontos para determinadas profissões, idades ou experiências que não são desejadas pelo país”, defende.

O ministro Marcelo Neri diz que a SAE não cogita criar uma lista de profissionais em demanda, que também é utilizado por estes países juntamente com o sistema de pontos.

Atualmente, os vistos de trabalho para o Brasil são vinculados à contratação por uma empresa no país. Em 2012, mais de 73 mil vistos foram emitidos.

Agilizar o processo de obtenção do visto é um dos pilares da estratégia da SAE. De acordo com a Brain, o processo brasileiro requer 19 documentos diferentes – são 8 no Canadá, 12 na Grã-Bretanha e 13 na Austrália.

A espera para a emissão do visto brasileiro também é uma das maiores – são 45 dias em média, contra 15 dias na Grã-Bretanha e 21 dias na Austrália.

De acordo com a Pesquisa de Escassez de Talentos 2012 da consultoria internacional Manpower Group, o Brasil é o segundo país do mundo em dificuldade para preencher vagas, atrás apenas do Japão. A falta de candidatos disponíveis e a falta de especialização são apontadas por empresários como as duas principais razões do problema.

Mas, em 2011, um estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) negou a existência de um "apagão" no topo da pirâmide de profissionais brasileiros.

"O verdadeiro apagão de mão de obra está na base, na mão de obra pouco qualificada, que é onde os salários estão subindo mais", diz o ministro Marcelo Neri, que é também o presidente do Ipea.

O ministro, no entanto, afirma que nos últimos anos algumas áreas de especialidade começaram a dar sinais de que a oferta de profissionais domésticos não seria suficiente para atender ao mercado em crescimento do país.

"(Entre os profissionais qualificados) você não tem um apagão completo, mas você tem áreas mais sombreadas do que outras. O fato é que o mercado de trabalho em 2012 e 2013 se aproxima do que se pode chamar de um apagão. A luz ficou mais fraca."

Um levantamento da Brasil Investimentos e Negócios (Brain) - consultoria que realiza pesquisas sobre a inserção do Brasil no mercado internacional e colabora com a SAE - afirma que medicina, engenharia civil, engenharia química e arquitetura são éreas em que o país precisa de mais profissionais do que os disponíveis.

"Independentemente da política realizada para a educação, não vamos ter resultados imediados. O resultado de políticas públicas acontece em duas ou três gerações", diz André Luiz Sacconato, analista da Brain.

Obras de infraestrutura já trazem profissionais estrangeiros ao Brasil

"Existe um buraco entre os resultados de políticas e o que o Brasil necessita hoje. Os imigrantes viriam para suprir essa lacuna."

Outro benefício, de acordo com a Brain, são os empregos criados a partir da importação de profissionais. Cada profissional estrangeiro empregado no Brasil poderia gerar entre 1,3 e 4,6 empregos para brasileiros.

"Temos claramente obras paradas porque não tem engenheiro civil. Quando se coloca um engenheiro civil lá, se gera emprego para mestres de obras e outros. Isso é bom para a economia", afirma Sacconato. "É algo complicado, vai mexer com sindicatos e associações de classe. Mas não queremos tirar o emprego de ninguém, são empregos complementares."

Discordâncias

Atualmente, segundo o Ministério do Trabalho e consultorias, a maior parte dos estrangeiros que obtém o visto de trabalho brasileiro são profissionais qualificados para as indústrias de extração de petróleo e construção civil - especialmente obras de infraestrutura.

Mas o presidente da Federação Nacional dos Engenheiros, Murilo Pinheiro, questiona que haja falta de engenheiros locais para atender à demanda.

"A demanda por profissionais nessas áreas realmente aumentou, mas não está faltando. Se for preciso trazer um engenheiro de uma matéria que não existe aqui, (a importação) é de fato interessante, mas não entendo a necessidade de trazer amplamente engenheiros civis", disse Pinheiro à BBC Brasil.

O presidente da Federação Nacional dos Arquitetos, Jeferson Salazar, afirma que apesar da demanda, o setor público não absorve a quantidade de profissionais que chegam ao mercado a cada ano – cerca de 7 mil.

"Nos últimos 25 anos, o número de escolas no Brasil cresceu 6 vezes. A quantidade de jovens arquitetos com subemprego ou desempregados no país é imensa e o governo não tem nenhum plano para utilizar esse exército de mão de obra", disse à BBC Brasil.
Salários do Brasil são atraentes para estrangeiros, mas burocracia para visto é problema

"Sou a favor da vinda de alguns profissionais qualificados que possam contribuir com o desenvolvimento da arquitetura no Brasil. Esses profissionais serão bem-vindos se trouxerem contribuições."

A medicina, segundo Marcelo Neri, é a área que mais se enquadra na ideia de um apagão de mão de obra, a julgar pelos indicadores de mercado.

Entretanto, o presidente da Federação Nacional dos Médicos, Geraldo Ferreira, afirma que o número atual de profissionais no Brasil – cerca de 1,9 médicos para cada mil pessoas – é capaz de atender o mercado nacional, na condição de que sejam criadas melhores estratégias de distribuição de profissionais e planos de carreira no setor público.

"A presidente está fazendo o planejamento estratégico de elevar o número para 2,4 médicos para mil habitantes. Realmente, para atingir isso hoje, faltam médicos. Mas se o planejamento é para atingir essa meta em 2020, nossa avaliação é diferente da do governo, que trabalha com a ideia de que teríamos que importar médicos", disse Ferreira à BBC Brasil.

"Com o lançamento de 17 mil médicos por ano no mercado, acreditamos que teríamos isso, sim. O que precisamos é melhorar a atratividade do setor público no Brasil para mantê-los lá. Injetar profissionais não vai necessariamente resolver os problemas", disse à BBC Brasil.

Campanhas para atrair médicos estrangeiros para o setor público já existem em diversos Estados brasileiros.



PSICANALISTA LANÇA MANUAL DE SEXO PARA JUDEUS ULTRAORTODOXOS - Daniel Estrin (BBC Brasil)


Ilustrações trancadas em envelope na aba traseira do livro mostram posições sexuais

Sexo é um assunto delicado, mas entre judeus ultraortodoxos pode ser mais sensível ainda. Para tentar quebrar um pouco o tabu que gira em torno do tópico, um terapeuta em Jerusalém elaborou um manual de sexo específico para esta comunidade.

Até um tempo atrás havia uma sex shop no caminho para o consultório do Dr. David Ribner, o autor do livro, no centro de Jerusalém. A placa ainda está lá, com letras garrafais vermelhas: "Sex shop, Sex, Love", mas mal dá para ler porque o letreiro foi danificado.

A loja fechou e atualmente há somente um sex shop na cidade, o que não é surpresa diante do grande número de devotos religiosos.

Ribner nasceu nos Estados Unidos e em Nova York foi ordenado rabino e fez doutorado em Trabalho Social. Posteriormente mudou-se para Israel, onde há 30 anos trabalha como terapeuta atendendo judeus devotos. Ele também fundou um programa de treinamento de terapia sexual na Universidade de Bar-Ilan, em Tel Aviv.

Ele acredita que a publicação de um manual de sexo para judeus ortodoxos já devia ter sido feita há muito tempo.

Tabu

Meninos e meninas ultraortodoxos estudam em escolas separadas com pouca ou nenhuma educação sexual e têm pouca interação com o sexo oposto até a noite do casamento, em que espera-se que consumam a união.

O contato físico entre homens e mulheres - até mesmo um simples apertar de mãos - só é permitido entre marido e esposa ou entre parentes próximos. Acesso a filmes e à internet é geralmente restrito.

"Nós gostaríamos que o livro fosse uma referência para que as pessoas dissessem 'eu não sei nada (sobre sexo) e quero aprender alguma coisa'", diz o psicanalista.

O The Newlywed's Guide to Physical Intimacy (Guia de Intimidade Física para recém-casados, em tradução livre), que Ribner escreveu juntamente com o pesquisador ortodoxo Jennie Rosenfeld, começa com o básico, explicando, por exemplo, como as formas dos corpos de homens e mulheres são diferentes.

Segundo Ribner, o judaísmo encara o sexo como algo positivo entre marido e mulher, e espera-se que o casal tenha muitos filhos. Mas conversar sobre o assunto é ainda um grande tabu.

"O sexo só é apropriado no contexto de casamento", diz Ribner. "Mas ninguém fala sobre assunto, tornando o diálogo algo muito difícil".


Autor do livro, terapeuta David Ribner atende israelenses há 30 anos.

Folheie as páginas do guia e você não verá ilustrações. Mas um envelope selado colado na aba de trás adverte os leitores que dentro há "figuras sobre sexo".

O psicanalista abre o envelope e me mostra o que há dentro: três desenhos de posições sexuais básicas.

"Nós queríamos dar às pessoas uma ideia de não somente onde colocar seus órgãos sexuais, mas também suas pernas e braços", diz Ribner. "Se você nunca assistiu a um filme, nunca leu um livro, como vai saber?", indaga.

O livro tem linguagem direta, tocando em assuntos que podem ser delicados, como masturbação e sexo oral.

O sexólogo Nachshon David Carmi, baseado em Jerusalém, está acumulando cópias do guia em seu consultório e aconselha a leitura para seus pacientes.

Ele avalia que o silêncio sobre sexo cria uma "barreira de vergonha" e que os que procuram se educar sexualmente podem ser vistos como "subversivos e rebeldes".

O livro de Ribner foi lançado no ano passado em inglês e será publicado em hebraico nas próximas semanas, tornando-o mais acessível ao público em Israel.

Quando a nova edição chegar às livrarias, deve provocar "um estrondo", acredita Menachem Friedman, professor e sociólogo que já escreveu vários livros sobre a comunidade judaica ultraortodoxa.

"Eu acredito que a reação será extremamente negativa", prevê.

Para testar possíveis reações, eu levei uma cópia do livro a um centro de estudos judaico ultraortodoxo, onde encontro um homem de 22 anos de barba usando um chapéu preto típico. Entramos numa salinha e mostro o guia de sexo.

Sexo é tabu entre judeus ultra-ortodoxos

"Eu não conheço nenhum livro deste tipo por aqui, mas acho que há a necessidade de explicar este tópico e entendê-lo", acrescenta.

Ele me leva para o andar de cima, onde não há ninguém, para dar uma olhada nas ilustrações.

Assim que ele começa a manusear os desenhos, muda de ideia e os enfia de volta no envelope.

"Eu ainda não sou casado", diz ele. "Vou esperar a minha hora".