Algumas sugestões sobre o que fazer quando um paciente do transtorno bipolar do humor se recusa a aceitar a doença e fazer o tratamento. É claro que talvez não consigamos dar uma "receita" pronta, mas algumas ideias sobre o tema que poderá te ajudar - enquanto cuidador (a).
Se alguém com transtorno bipolar se recusa a se tratar é importante que os cuidadores - familiares, amigos etc - consigam "ouvir" e "observar" cada detalhe daquilo que o bipolar está comunicando - ou tentando comunicar.
Os principais motivos que você deve levar em conta quando um bipolar não quer se tratar são:
Aceitação - o paciente bipolar ainda não aceitou ou se recusa aceitar que tem uma doença que é para vida inteira. Esse ponto é importante, porque realmente o bipolar tem razão é pra vida inteira, porém tem tratamento. O bipolar quer passar a vida inteira sofrendo com os altos e baixos, ou quer ter uma vida melhor? Uma vida mais produtiva? Uma vida onde se possa sonhar. São questões para ouvir e compreender por parte do cuidador. Devemos tentar entender e compreender que o medo da doença assusta, mas não precisamos ficar assustados pelo o resto da vida certo? Se a doença é certa para a vida, muitas outras coisas também o são, como a morte por exemplo. Decidir viver, e viver de uma maneira onde impere o equilíbrio a felicidade e os momentos de gratificação é possível com o tratamento, para tanto a aceitação se faz necessária antes de tudo. Aceitar ser portador de transtorno bipolar, fará toda a diferença. Temos de lembrar - faço isso sempre por aqui no Bipolar Brasil -, não somos a doença bipolar... nós temos a doença e só.
O transtorno bipolar não define quem a pessoa é!
Estigma - Alguns pacientes se recusam a se tratar porque tem medo do estigma, do preconceito que o transtorno bipolar pode gerar em suas vidas. A primeira coisa que podemos conversar a respeito é que ninguém precisa saber que o paciente sofre de transtorno bipolar. Ele ou ela conta se quiser e para quem quiser. Talvez para pessoas de confiança pode ser um caminho ameno para encarar isso. No meu caso eu falo as pessoas, pois sinto firmeza para combater isso. É uma oportunidade que eu tenho de explicar e desmitificar aquilo que a outra pessoa pensa sobre o que é ser bipolar. Na verdade, eu falo a respeito quando sou perguntado, ou quando alguém quer compreender certos comportamentos meus.
Não ando com uma placa na testa escrita: - sou bipolar!
Acho que o bom senso se aplica a isso. E é importante compreender que as consultas com o psiquiatra são seguras no que tange confidencialidade. E isso significa que o médico do bipolar não vai sair por aí colocando no mural do facebook, por exemplo, o nome de seus pacientes e o que eles lhes contam. Na salinha de espera de consultórios psiquiátricos ninguém fica invadindo sua privacidade querendo saber o que você está fazendo ali. E então, este ponto também é possível de ouvir e conversar melhor com o paciente do transtorno bipolar.
Hipomania ou Mania - Alguns pacientes às vezes nem sabem direito do que se trata esses sintomas do transtorno bipolar, apenas sentem energia, momentos de criatividade entre outras coisas que "parecem" serem ótimas para o dia dia. O que eu quero dizer é que muitos bipolares não se tratam porque não querem sair deste estado "alterado" de muita energia. O problema é que a Lei da Gravidade se aplica ao transtorno bipolar, isso é, tudo que sobe, desce. Então, ao passo que os estados eufóricos podem "parecer" bons, os momentos que se seguem não o são, como são os casos de depressão. Mas não é só isso. O problema é maior porque cada crise de euforia que o bipolar vai acumulando ele diminui as chances de uma melhor recuperação global da doença, e só pra constar: ele está "detonando" seu cérebro sem fazer ideia dos prejuízos cognitivos que está acumulando ao longo do tempo. Temos sempre que lembrar que como a doença é cíclica então, com "certeza absoluta" todo o bipolar que se encontre numa fase alterada de humor para cima, num momento seguinte vai experimentar depressão, e elas vão aumentando de intensidade sem tratamento, levando inclusive a ideações suicidas e consequente morte precoce. Para que correr o risco? E um ponto para fechar: é possível sim ser altamente produtivo, criativo e ter energia para encarar seja lá o que for na vida com tratamento adequado. Temos aqui no Bipolar Brasil muitos e muitos amigos que relutaram em fazer o tratamento, mas quando o fizeram mudaram completamente de vida. Estão muitos trabalhando, estudando, outros tornaram-se artistas, outros advogados, são uma porção de casos bem sucedidos. Mais recentemente um amigo passou num concurso do TRT-SP como oficial de justiça - ele faz uso por exemplo de 300mg de Seroquel XRO. Estou certo que ele fará um relato para nos contar sua história com a doença brevemente - foi um pedido que lhe fiz quando nos encontramos recentemente em meu aniversário. Pense nisso e dê exemplos ao bipolar que é possível sim, ir em frente, com melhores resultados.
"Geralmente as melhores praias e cachoeiras, só são possíveis, os acessos, através de longas e difíceis trilhas (...)".
Willian H.K
Estão muito doentes - Existem casos em que o paciente bipolar está tão doente que não tem uma percepção acurada sobre os "prejuízos" que está causando a si - e porque não também à família e/ou os envolvidos na situação? Eles é claro precisam de tratamento urgente. O senso de realidade e o pensamento coerente e/ou natural está afetado pelos sintomas da doença. Nestes casos eu recomendo que os familiares conversem com um médico sobre alguma alternativa de ajudar nesses casos. Se houver necessidade de internação, na minha opinião deve ser realizada sim. E já escrevi algo sobre isso, leia aqui:
Efeitos colaterais - Isso não se aplica apenas aos pacientes com transtorno bipolar. Tomar medicações parece ser o fim da linha, ou seja, será uma experiência de "dopagem" sem fim. Irá danificar o corpo, a mente, a alma para sempre! E pior: sem reversão. É oque pensam... Engano! Não tomar as medicações para o tratamento bipolar é que trará consequências imensuráveis e danosas para todo o organismo. Lembrando que o cérebro é que controla o corpo, então, ter uma doença que afeta os mecanismos químicos dele - do cérebro - é pedir para o corpo não funcionar direito. Isso claro reduz a expectativa de vida. Em estudos já é possível afirmar que bipolares vivem entre 10 a 15 ano menos que pessoas sem a doença. Isso é claro, sem tratamento.Como dizem: "mente sã, corpo sã". A maior parte dos efeitos colaterais das medicações para transtorno bipolar são toleráveis, ficam numa faixa de administração de riscos por parte dos profissionais de saúde mental e "nem sempre" ocorrem com a gravidade que se prega por aí. Tudo depende de doses, tempo, e acertos.
A diferença entre o veneno e o antídoto como eu já disse aqui no Bipolar Brasil, está na dose.
E quem entende disso é o médico. Se fosse para deixar o paciente numa situação pior do que ele se encontra, eu tenho certeza que médicos psiquiatras já nem existiriam mais em nossa sociedade. Pense nisso. Esses dias eu escrevi um artigo sobre a mediação topiramato e seroquel, sendo a primeira para ajudar na redução de peso, por exemplo, eis ele aqui:
Veja é possível sim lidar com os efeitos colaterais, que são bem menores que os danos no cérebro que controla todo o corpo. Avaliar custo versus benefícios de um tratamento para transtorno bipolar é uma atitude inteligente para viver dias melhores e preservar o que há de mais importante num corpo: o cérebro.
Dependência de medicação - A primeira coisa que eu digo sobre dependência é que ela não ocorre com a maior parte dos medicamentos para tratamento do transtorno bipolar. E se, ocorrer, são reversíveis! Isso é importante compreender. Alias, é bom que se diga, que se o bipolar precisa de certa medicação para o resto da vida, ele vai "depender" dela. O fato de depender dela deve sempre vir acompanhada dos "benefícios do para sempre" também, o exercício da "ponderação" de que o "para sempre, é algum tipo de ilusão criada, deve ser levada em consideração." Se eu faço exercícios e dependo disso, essa dependência me gera quais benefícios para o resto da vida? Pense nisso.
A vida é curta para não experimentar a verdadeira vida.
Eu fui entender isso, quando o meu tratamento começou a dar resultado, e retornei as minhas atividades normais, digamos assim. Hoje tenho amigos, trabalho, estudo por prazer, escrevo por aqui vez ou outra, e posso dizer que não me importo nem um pouco em ser "dependente" de benefícios tão interessantes para minha condição bipolar.
Pontos a serem observados para cada tipo de paciente bipolar e como ajudar
A primeira coisa que um cuidador de paciente bipolar deve avaliar é se o paciente - ele ou ela - está muito doente, isto é, se os sintomas que são apresentados no dia dia estão afetando o funcionamento da pessoa.
Como esse (a) bipolar esta funcionando na vida? Como tem tem sido as relações sociais? Está trabalhando? E sim, existem queixas ou rendimento abaixo do esperado e/ou nível de estresse é alto? Como tem sido em casa? Consegue relaxar? Se isola com facilidade? Faz grosserias com muita frequência?
Isso tudo tem que ser avaliado para determinar a urgência de intervir imediatamente, ou aguardar um momento em que as crises estão mais controladas, para conversar. Não vai adiantar. Repito: não vai adiantar o cuidador fazer de tudo para convencer o bipolar de que ele precisa de tratamento - que portanto precisa se cuidar -, se ele não aceitar isso como verdade. Bipolares infelizmente em crises, são teimosos e sem senso crítico apurado. Portanto, deve-se esperar a "poeira" baixar para abordar as questões deste artigo por exemplo. A não ser que o caso seja grave, daí os familiares devem intervir, e buscar os meios legais para isso. Quando o bipolar estiver melhor, estou certo que ele compreenderá as decisões tomadas.
Nem sempre tudo é legal, mas quase tudo é justo - foi uma frase de minha amiga Ana Maria, educadora e que possui uma vasta cultura.
Paciente bipolar muito doente:
Muitas ocasiões em menor parte dos casos o paciente do transtorno bipolar pode estar com severas crises de mania ou depressão, e neste caso é um tanto complicado a adesão do paciente ao tratamento. O ideal é que antes desta situação se instalar é tentar deixar acertado um "plano de regras". É importante fazer a seguinte pergunta ao bipolar: - se você estiver numa situação realmente muito ruim, o que eu posso fazer? O que você me autoriza fazer para te ajudar. Estabeleça isso com o bipolar, e peça que ele ou ela dê sua palavra de confiança nesse sentido.
Se não houve tempo para acertarem com antecedência um "plano de regras" para situações mais problemáticas, tente se concentrar apenas em dizer que está a disposição para ajudar, comente sobre os "benefícios" do tratamento, evite falar em efeitos colaterais etc etc... Deixe isso para o médico explicar em momento apropriado. Foque nos benefícios! Transmita paciência, empatia e confiança que está realmente a disposição para ajudar. Sem julgamentos, sem pressão... Respeite o tempo do bipolar pensar a respeito. E lembre-se de sempre comentar quando o bipolar estiver mais "receptivo" em ouvir. Geralmente isso ocorre em crises de depressão, momento mais fácil de convencer um bipolar a se tratar - se levarmos em conta o outro extremo da doença: a hipomania ou mania. Se o bipolar tem plano de saúde, faça uma lista de alguns médicos próximos da residência para serem acionados numa situação mais urgente, até mesmo liste hospitais que possam ajudar. Faça isso com antecedência e deixe anotado em sua agenda e com fácil acesso. Cuide desses detalhes caso a situação aperte. Tente conhecer os serviços médicos de urgência público que possa recorrer a qualquer horário, em São Paulo por exemplo, existem hospitais psiquiátricos 24 horas que podem ajudar, pelo o menos medicar e mandar o paciente de volta para casa na maioria dos casos. Vale a pena ter isso anotado.
Paciente bipolar de média gravidade:
Estou a considerar aqueles pacientes que se recusam ao tratamento, que não estão bem, porém ainda é possível manter algum nível de conversa. Nestes casos eles não estão apresentando sintomas severos de mania ou mesmo psicose. É quando eles ainda conversam sobre a doença, e se recusam ao tratamento com argumentos e mais argumentos contrários. Nestes casos é necessária certa habilidade de comunicação - se não tem, comece a treinar.
Convencer um bipolar de que ele está errado, pode ser "faísca" para ele ficar muito irritado.
Todos nós queremos "autonomia" na vida. Alguns há têm - a minoria é bem verdade -, mas nem sempre o que chamamos de "tomar conta de nosso nariz" é de fato tomar conta mesmo. A habilidade de comunicação nesses casos precisa ser desenvolvida para que a cada argumento que o bipolar apresentar, seja debatida com um tom calmo e tranquilo, para que se possa devolver com outros argumentos o pensamento racional da questão. Não é bom um debate, mas saber fazer"perguntas", e fazê-las com calma não demonstrando que você está "inquerindo" alguém que cometeu um crime, compreende?
Ao cuidador se reserve mais em fazer perguntas, isso irá colocar dentro do bipolar algum motivo para refletir. Talvez ele ou ela não o faça imediatamente. Então tenha paciência para ouvir o que ele ou ela irá dizer.
Fará imensos discursos. Ouça.
Tenha paciência, mas deixe pequenas perguntas no ar, sobre benefícios. Se o bipolar diz não irei fazer o tratamento porque não preciso, responda: e porque não precisa? Ao invés de dizer, eu acho que não, você precisa sim. Olha como está sua vida etc.
Deixe perguntas, para que ele não consiga chegar a conclusões, e reflita que existe uma maneira dele conduzir sua vida de maneira mais equilibrada. Se o bipolar não quiser falar sobre isso, pergunte sobre um dia em específico que você pode voltar ao assunto, pois você considera isso muito importante e se preocupa.
Peça quando possível que o paciente vá a pelo o menos uma consulta com o médico. Se der certo a primeira consulta, tente entrar junto no consultório, e diga que é a primeira consulta do paciente. Com isso o médico já conseguirá conduzir uma abordagem diferenciada de consulta, o que pode facilitar um retorno. Se não der certo e o bipolar se recusar a voltar, você pode propor outras opções de médicos, quem sabe não ache um que ele ou ela goste mais. O primeiro passo é ir ao médico, o segundo, gostar do médico e o terceiro conseguir acertar a medicação em menor tempo. O resto é colheita de benefícios do tratamento em si.
Fale com pessoas que conheçam bem a doença - e me coloco a disposição nesse sentido -, para ganhar mais e mais argumentos para ajudar no processo de iniciar o tratamento. Claro leia as centenas de artigos do Bipolar Brasil, sempre tem alguns que podem ajudar num ponto ou outro.
Se o bipolar tem um plano e/ou um projeto, mas está com dificuldade de terminar, ou desmotivado para começar ou resolver uma questão mais crítica, pergunte se com tratamento isso não pode ficar mais fácil?
Ele ou ela poderá dizer, não isso não tem jeito! Mas, você pode devolver, mas se tentarmos? Ele ou ela pode devolver eu já tentei... E dar muitos argumentos. Mas na verdade, o que está incomodando são os pontos que eu abordei logo no início do deste artigo: o medo, a aceitação, o estigma, os efeitos colaterais etc...
Leia com atenção cada item, e tente desfazer o "preconceito" que o bipolar tem de si mesmo. Isso ajudará no transtorno bipolar. Eu chamo isso de atuar "proativamente" na ajuda do paciente, é estar munido de informações e ter um tom de motivar a pessoa a se cuidar e retirando os medos para fazê-lo, um a um.
Sobre questões práticas sobre gastos de dinheiro, por exemplo, jamais pague as dívidas do bipolar, mas fique de olho. Ficar de olho significa aprender e compartilhar sobre educação financeira, existem vários livros sobre este tema. Vale a pena discutir alguns pontos, a exemplo de como é importante poupar para multiplicar o dinheiro.
Se o bipolar tem grandes projetos, estou certo que ele quer ganhar muito dinheiro, mas será que é este o caminho?
Analise esses planos, alguns podem ser realmente bons, mas consumirá investimentos que muitas vezes o bipolar não tem, e se tem, ficará sem nada caso não planeje.
Indico livros do Mauro Halfeld, são fáceis de ler e aprender conceitos que podem ser discutidos para um melhor planejamento das finanças. Discuta e sempre lembre as contas a pagar. Isso pode parecer um pouco chato, mas é fundamental que se pense primeiro em pagar o que se deve, multiplicar os recursos, para só depois usufruir. Requer certa disciplina, mas para isso você terá que mostrar os "benefícios" para o paciente bipolar.
Nunca diga que o bipolar está errado, mas ofereça opções para ele refletir que poderia ter mais resultados em outros planos, e com o tratamento ele poderia atingir mais rápido esses anseios.
Sendo profissional em comunicação, marketing e vendas, estou desenvolvendo palestras específicas sobre este tema voltado a bipolares, terá relação com geração de renda - nada mirabolante etc. Coisas práticas, mas isso é assunto para outro capítulo. Eu tenho como ajudar quem quer realmente vencer na vida fazendo o que quiser, em breve eu terei um canal na internet para demonstrar isso. Mas funcionará com pacientes que aderiram ao tratamento, sem esse requisito, não há chances de êxito.
Demonstre ao bipolar quando ele gasta mais do que pode os problemas que se acumulam logo em seguida. Se possível monte planilhas financeiras de entradas e saídas, por exemplo. Aprenda sobre isso, para ter argumentos.
Não adianta debater com um bipolar, sem argumentos sólidos e exemplos. Pense nisso igualmente.
E concluindo, esteja pronto (a) para ajudar o bipolar a colocar as coisas em ordem, mas sempre busque fazer isso com o compromisso de que o bipolar irá ter um comportamento diferente dali em diante, a começar pelo o tratamento. É uma troca, não uma chantagem, que fique claro.
Paciente bipolar que está sob suspeita que possa ser bipolar:
Com tanta informação sobre transtorno bipolar na mídia, internet etc, é incomum não nos depararmos com pessoas que desconfiam que são bipolares. Eu digo sempre a elas, para irem ao médico e sanar a dúvida logo. Ao invés de ficar tentando achar pelo em ovo - na maioria das vezes. Vá a um médico e ponto.
Tente ler sobre a doença e as características de depressão bipolar, hipomania e mania, tem alguns textos aqui no Bipolar Brasil que pode te orientar, leia.
Com o conhecimento sobre o assunto, você pode pontuar muitos sintomas. Se a maioria dos sintomas se apresentam no dia dia, converse sobre esses sinais com a pessoa que suspeita ser bipolar. Explique o que é hipomania, mania e como isso danifica o cérebro. Fale sobre a depressão que é uma doença muito comum na sociedade, e ninguém precisa se envergonhar disso, até porque há tratamentos eficazes. No dia dia vá observando os comportamentos e sugerindo a consulta médica. Estabeleça uma data para ver isso. Com uma consulta médica definida e aceita, estipule data limite para caso os sinais não cessem, tente ter um "positivo" da pessoa para dar uma passadinha no médico que poderá avaliar os sintomas do transtorno bipolar e ajudar. Se os sintomas passar, deixe claro que caso eles voltem em algum momento, que haja um novo compromisso de ir ao médico para ver direitinho do que se trata. Negocie. Faça o seu melhor, você consegue!
Enfim...
O que eu escrevi até aqui é o que pode ser "tentando" ao invés de trocas de acusações e pressão demasiada sobre o bipolar.
Não vai adiantar medir forças com um paciente do transtorno bipolar. Tem que ter paciência, jeito, persistência e amor. Do contrário, haverá sempre embates sem "foco nas soluções", isto é, nos benefícios do tratamento do transtorno bipolar.
Esse é o ponto, ao invés de discutir pontos negativos da doença, discuta os benefícios de levar uma vida normal e equilibrada.
As chances da relação dar certo e sua ajuda funcionar, vai vir do nível de envolvimento que você tem com as informações e dados do transtorno bipolar, e como você "argumenta" sem forçar sua verdade ao outro. Além do engajamento ou perseverança, como preferir. Se decidiu ajudar, vá até o fim, até conseguir a consulta, até o paciente bipolar estar envolvido com o tratamento, a partir daí é estudar, amar, e compreender que pode levar certo tempo para tudo ficar bem, mas, ficará bem!
Criterialmente como a bipolaridade é uma doença que vai e volta, sempre haverá um momento de mais fragilidade do paciente bipolar, que ele estará mais vulnerável aos sintomas da depressão por exemplo, momento esse ideal para ter em mente um discurso para ajudar.
Discuta ponto a ponto. E ouça as queixas do porque não.
Quando se faz perguntas abertas, peça para o bipolar argumentar o "porque não", com isso você vai aprendendo do que o bipolar tem medo, e vai gradativamente contra argumentando que a maior parte desses medos são infundados e fruto de preconceito. Alias, comece a quebrar seu próprio preconceito para conseguir ajudar. Para não ter preconceito, basta enriquecer-se de informações. Foi assim comigo. Assim que eu aceitei minha condição de paciente do transtorno bipolar. E vi que a doença é real, que sem tratamento minha vida é uma, com tratamento é muito melhor, e ponto. Fui e continuo indo em frente.
Minha esposa Elke Eleuterio - psicóloga - sempre me coloca em cheque quando eu estou enganado ou fazendo um juízo pobre, ela usa a técnica do "ouvir", "perguntar" e "ponderar". Para isso o nível de diálogo deve estar estabelecido, do contrário nada vai adiantar.
Bons relacionamentos tem relação direta com o nível de cumplicidade e diálogo, sem isso, ao invés de ajudar, talvez atrapalhe.
E talvez o problema deve ser outro: a relação é que não vai bem, seja ela entre casais, seja com familiares. E daí já é outra questão, e portanto um novo artigo para breve. Mas estou certo que para todo e qualquer problema existe solução - certo de que a morte não, é claro.
Boa sorte e participe dos comentários, nos contando como convenceu seu ente querido a se tratar, isso pode e ajudará muitas outras pessoas. Este artigo não é obra fechada, portanto é através dos comentários que podemos ir criando "volume" de informações sobre este tema tão delicado no transtorno bipolar do humor. Vamos la! Afinal...
Juntos, podemos muito mais!
Bipolar Brasil - Ano 5
Por Will