quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O MUNDO ESTÁ CANSADO DE MENTIROSOS, DE PADRES DA MODA, ALERTA PAPA FRANCISCO por Front Católico

Aos novos bispos do curso anual de formação, o papa afirma que fazer pastoral da misericórdia não é fazer liquidação de pérolas.


“Não poupem esforços para ir ao encontro do povo de Deus, estejam perto das famílias com fragilidade. Nos seminários, apontem para a qualidade, não para a quantidade. Desconfiem dos seminaristas que se refugiam na rigidez.”

“O mundo está cansado de encantadores mentirosos… e, eu me permito dizer, de padres ou bispos na moda. As pessoas ‘farejam’ e se afastam quando reconhecem os narcisistas, os manipuladores, os defensores das causas próprias, os arautos de cruzadas vãs.”

O Papa Francisco dirigiu um longo discurso aos bispos recém-nomeados, em Roma, para um curso de formação, tocando diversas questões do seu ministério, a partir da necessidade de tornar pastoral – “isto é, acessível, tangível, encontrável” – a misericórdia, que é o “resumo daquilo que Deus oferece ao mundo”.

Os bispos, disse Jorge Mario Bergoglio, devem ser capazes de encantar e de atrair os homens e as mulheres do nosso tempo a Deus, sem “lamentações”, sem “deixar nada de não tentado a fim de alcançá-los” ou “recuperá-los”, e graças aos percursos de iniciação (“Hoje, pedem-se frutos demais de árvores que não foram cultivadas o suficiente”).

Além disso, é necessário vigiar a formação dos futuros sacerdotes, apontando para a “qualidade do discipulado”, e não para a “quantidade” de seminaristas, e usando “cautela e responsabilidade” ao acolher sacerdotes na diocese.

Francisco também convidou os novos bispos a estarem perto do seu clero, àqueles que Deus coloca “por acaso” no seu caminho e às famílias com as suas “fragilidades”.

“Perguntem a Deus, que é rico em misericórdia – disse o papa aos 154 novos bispos (16 dos territórios de missão) que participaram do curso anual de formação promovido conjuntamente pela Congregação para os Bispos e pela Congregação para as Igrejas Orientais – o segredo para tornar pastoral a Sua misericórdia nas suas dioceses.

De fato, é preciso que a misericórdia forme e informe as estruturas pastorais das nossas Igrejas. Não se trata de rebaixar as exigências ou vender barato as nossas pérolas. Ou, melhor, a única condição que a pérola preciosa dá àqueles que a encontram é a de não poder reivindicar menos do que tudo.

Não tenham medo de propor a Misericórdia como resumo daquilo que Deus oferece ao mundo, porque o coração do homem não pode aspirar a nada maior”, disse Francisco, que, sobre a misericórdia como “limite para o mal”, citou Bento XVI, acrescentando duas perguntas retóricas: “Por acaso, as nossas inseguranças e desconfianças são capazes de suscitar doçura e consolação na solidão e no abandono?”.

Para tornar a misericórdia “acessível, tangível, encontrável”, acima de tudo, o papa recordou que “um Deus distante e indiferente pode ser ignorado, mas não resistimos facilmente a um Deus tão próximo e, além disso, ferido por amor.








segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

NOTAS DO SUBSOLO (FILME COMPLETO) - Fiódor Dostoiévski - Legendado PT


As "Notas do Subterrâneo" (também traduzido como "Memórias do Subsolo" ou "Notas do Subsolo") ou Cadernos do Subterrâneo - é um pequeno romance de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1864.



Para Walter Kaufmann, esta obra faz de Dostoiévski o principal precursor do existencialismo. Apresenta-se como um excerto das memórias de um empregado civil aposentado que vive em São Petersburgo. O livro, com cerca de 150 páginas (a depender da edição) e dividido em duas partes, é realmente muito pequeno quando comparado ao tamanho de outras obras-primas de Dostoiévski. A primeira parte é intitulada "O Subterrâneo", contendo 11 capítulos; a segunda parte, "A Propósito da Neve Derretida", possui 10 capítulos.

Este é um homem amargo, isolado, sem nome (chamado geralmente de Homem subterrâneo). Este personagem, que não menciona seu nome em nenhum momento, encena na primeira parte do romance um grande solilóquio com a intenção de "comover" de alguma forma seu leitor. Este leitor é de suma importância que seja detectado na leitura, pois o discurso do narrador é "moldado" por seu receptor, dessa forma o seu solilóquio, na verdade, é uma grande evocação de discursos alheios que são parodiados de uma forma zombeteira e às avessas.

A personagem chega a dizer que é um homem mau, ou age como tal, mas que pode ser agradado e visto como uma pessoa de bem. Essa incapacidade de se livrar do peso moral o aflige. Diz que os homens sanguinários eram cultos e inteligentes (reforçando as ideias de Raskolnikov em Crime e Castigo), e que ele mesmo gostaria muito de encontrar um motivo para dar sentido a sua vida, como os chamados homens de ação. Ele conclui que "o melhor é não fazer nada".

Na segunda parte, nomeada de "A propósito da neve molhada", há três episódios que relatam de uma forma concreta como o nosso anti-herói é encurralado socialmente pelos discursos e ações de uma sociedade despótica. Essa narrativa é exposta com uma visão da consciência do protagonista, num dos melhores exemplos do recurso literário fluxo de consciência.

O Homem subterrâneo tornou-se uma influência para diversas personagens criadas em trabalhos posteriores. Alguns exemplos disso são Nikolai Levin, personagem do romance Anna Karenina, de Leo Tolstoi, a personagem Mersault, do romance O Estrangeiro, de Albert Camus; Gregor Samsa, personagem do romance A Metamorfose, de Franz Kafka; e Moses Herzog, personagem do romance Herzog, de Saul Bellow.

O livro também influenciou fortemente o filme Taxi Driver (1976). Sobre isso, seu diretor Martin Scorcese disse: "[...]Eu fiz muita leitura ao longo dos anos, e passei uma vida no cinema em certo sentido, assistindo muitos filmes. Mas um dos primeiros livros que eu li e causaram um forte impacto em mim, que eu realmente quis fazer (filmar) ou fazer versões - ou outras versões de outras obras deste autor - é Notas do Subsolo de Dostoiévski. Então, essa é a coisa mais próxima que eu cheguei a fazer.[...]".






Fonte: Notas do Subterrâneo


domingo, 26 de janeiro de 2020

VOCÊ CAIU DO CÉU, UM ANJO LINDO QUE APARECEU... frisson (morreu hoje de madrugada Tunai)


Dedico ao meu primeiro amor que foi o 'Maurício Assis Amaral' (Farmax)ou como eu o chamava naquela época de "Mumor" que significava "meu amor". 



Foi uma paixão avassaladora e intensa que vivi e senti por ele. Ele foi meu amor primeiro, não o primeiro namorado que é diferente. Ele foi aquele que me entreguei de corpo e alma sem medo, delicadamente me fez mulher. Eu o amei profundamente. Agradeço por ter me proporcionado lembranças lindas nesta vida. Momentos mágicos, risos soltos, abraços avulsos e caminhos de mãos dadas.

Minha primeira viagem fugida para Cabo frio no Rio de Janeiro foi com ele, nos hospedamos no Hotel Helena na qual vivemos momentos que jamais poderão ser esquecidos nesta existência e nem nas demais que virão, pelo menos eu não! Nossos namoros na praia tendo o mar e as estrelas de testemunhas até amanhecer; Meu 'mumor' foi muito especial! Fomos muito felizes naqueles dias. Éramos um casal lindo! Ele quem me encontrou em Divinópolis andando por ai e eu adorei isso. Ele caiu do céu e me enfeitiçou. 

Eu era uma menina e ele um homem feito. Nunca esquecerei aqueles olhos verdes folhas para escuros-profundos, cabelos lisos, macios e muitos negros. Sua pele era tão alva como a minha. Ele tinha 35 anos e eu com 17 anos, uma diferença de idade de 18 anos que acabou sendo o motivo da nossa separação. 


A família dele achava que eu era muito nova para ele e que não daria certo uma diferença tão grande ainda mais que ele queria ter filhos antes dos 40 anos. Sua mãe Odete era muito possessiva e mandona não aceitava, seu pai Lafontaine era um sujeito boa praça. Então sua irmã começou a levar para passar finais de semana em Divinópolis uma colega de BH que ficava na casa deles na avenida 21 de abril com Cel. João Notini e o apresentou que acabou se tornando sua esposa. Ela engravidou logo em seguida do casamento e teve 2 filhos homens (gêmeos).


Antes, porém, desse dia ele me procurou e me propôs ficarmos juntos mesmo depois do casamento que era só uma convenção para ele ter filhos, mas, apesar da nossa diferença de idade ele não queria me perder. Mas precisava casar porque estava ficando velho e queria ter filhos e eu por outro lado ainda estava me formando no ensino médio. Precisava entrar na faculdade e ter uma profissão para me realizar para depois pensar em casar e ter filhos e ele não poderia esperar. 


Não aceitei seu pedido com o coração partido. Queria naquele momento ser mais velha para podermos ficarmos juntos e ele não ser obrigado a casar para ter uma família. Foi muito triste ter que dizer que não suportaria ser a outra sendo que eu e ele já estávamos juntos bem antes dessa mulher chegar nas nossas vidas. Não suportaria dividi-lo com uma estranha mesmo entendendo a situação e os sentimentos deles.


O verdadeiro amor liberta... apesar que eu fiquei em pedaços muitos anos depois. Andava com uma foto dele na carteira até que um dia o Zé (José Geraldo Martins - Codil) encontrou e me disse que era primo dele. Eita mundo pequeno... rsrs depois disso eu e o Zé conversamos sobre o assunto. Eu e o Zé éramos grandes amigos além de namorados. Até aparecer o mal em nossas vidas de nome Carlos Alberto (Bana) que ... enfim... 


O tempo passou hoje eu estou com quase 48 anos e não sei dele. Mas essa canção "Frisson" do "Tunai" marcou especialmente muito nossa relação em 1989. Eu gostava de cantarolar olhando para ele para ganhar um apertinho naqueles olhos verdes quando dormíamos juntinhos no sítio do Sr. Lafontaine Amaral (pai dele) que ficava na estrada que ligava Divinópolis a São José dos Campos - Ermida. Ele adorava e ria com aquele sorriso perfeito com o olhar profundo e intenso, olhos verdes lindos.

Ele era o...
'anjo lindo que apareceu para mim'!!! 






Meu coração pulou 
Você chegou, me deixou assim 
Com os pés fora do chão 
Pensei: que bom 
Parece, enfim acordei 


Prá renovar meu ser 
Faltava mesmo chegar você 
Assim, sem me avisar 
Prá acelerar um coração 
Que já bate pouco 
De tanto procurar por outro 
Anda cansado 
Mas quando você está do lado 
Fica louco de satisfação 
Solidão nunca mais 


Você caiu do céu 
Um anjo lindo que apareceu 
Com olhos de cristal 
Me enfeitiçou 
Eu nunca vi nada igual 


De repente 
Você surgiu na minha frente 
Luz cintilante 
Estrela em forma de gente 
Invasora do planeta amor 
Você me conquistou 


Me olha 
Me toca 
Me faz sentir 
Que é hora, agora 
Da gente ir.




sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

PAIS ESTÃO FORMANDO UMA GERAÇÃO DE EGOÍSTAS, EGOCÊNTRICOS E ALIENADOS, POIS CONFUNDEM EDUCAR COM SIMPLESMENTE CUIDAR






Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.



Acabaram as festas, Janeiro começou e em breve o ano letivo ganhará vida. Novos calouros ávidos por uma “nova” vida de descobertas desembarcarão em Adamantina. Nem faz um ano uma garota, em sua primeira semana de aula na faculdade, teve suas pernas queimadas em um dia de acolhimento de calouros. Jovem, em seus 17 anos e feliz por realizar o sonho de ingressar em uma faculdade. Mas em um dia que deveria ser de festa foi interceptada por “colegas” veteranos. Foi pintada com tintas e esmalte até que sentiu que jogaram um líquido em suas pernas. Nada notou até que a água da chuva, por ironia, em lugar de lavar e limpá-la provocou uma reação química que resultou em queimaduras de terceiro grau em suas duas pernas. O mesmo aconteceu com uma colega de turma que teve as pernas queimadas e outro rapaz que correu o risco de perder a visão. O líquido? Uma provável mistura de creolina e ácido!

Casos amplamente noticiados pela imprensa local, regional e nacional. Mas relatos contam mais sobre este dia trágico, como inúmeros casos registrados de coma alcoólico, além de meninas que tiveram suas roubas rasgadas e sofreram toda uma série de constrangimentos. 

Fatos como estes contribuem para nos trazer de volta à realidade e, guardadas as devidas proporções, ilustra que vivemos sim em um país onde a “barbárie” ganha força e impera em diversos núcleos de nossa sociedade e se alastra com uma rapidez de rastilho de pólvora. Casos se repetem em diversos estados e cidades, o caso dos calouros da FAI de Adamantina não é e nem será o último, quantas tristes histórias já foram relatadas, como a do o jovem morto atirado em uma piscina da USP, amanhã mais um homossexual ou um negro, ou mais uma mulher que não se “deu o valor” e andou por aí exibindo seu corpo.

Vivemos em uma sociedade de alienados, sujeitos que não conseguem sequer interpretar um texto, nossas crianças são “condicionados nas escolas” jamais educados. Infelizmente não há cultura neste país da desigualdade. Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.

O apresentador Chico Pinheiro do Bom dia Brasil, revoltado com os trotes violentos, afirmou que estes alunos deveriam voltar para o ensino fundamental. Discordo radicalmente dele, estes alunos deveriam voltar para o seio de suas famílias e lá, sim, receber educação básica, educação para a vida.

Os pais estão terceirizando a educação de seus filhos ou deixando sem companhia da presença deles para ouvir e aconselhá-los corretamente. Pais individualistas que alimentam seus super egos e que não conseguem ver o filho e suas demandas e, em um mundo sem tempo e repleto de culpa delegam a educação de seus filhos a professores, avós, empregadas domésticas, internet (Instagram, Facebook, Netflix, etc) que não podem ser responsabilizados e muito menos tem competência e formação para isso. Professores são facilitadores da inteligência coletiva, pais são os educadores na/da/para a vida!

Filhos quando têm pais não o substituem em suas vidas por outras pessoas. Não é natural isso e se tornam adultos emocionalmente destruturados. Filhos sejam crianças, adolescentes ou até mesmo adultos que foram ou são obrigados a se separarem de suas famílias (principalmente da mãe que foi criado o elo entre eles na gestação) por 'n' situações das quais eles não possuem controle vão trazer futuramente 'n' consequências também. 

Pais/pai/mãe precisam conversar um com outro mesmo que estejam ou sejam separados. A prioridade depois do advento do nascimento dos filhos já não são só eles e sim a família que eles constituíram. Estamos vendo uma geração inteira de filhos serem criada só por um dos pais e o uso maciço da prática infeliz da 'alienação parental' que foi/é trágico para o nosso futuro. Estamos vivendo o resultado nesta geração de filhos egoístas, egocêntricos, alienados, indiferentes, etc.
Precisamos avaliar melhor essa prática, pois quando uma mulher engravida ela não precisa ser/estar sozinha. A principal responsabilidade de um homem quando se torna pai é tratar bem a mãe dos filhos dele porque dali que sairá todos ou quase todos os problemas emocionais, neuroses desta geração e os filhos sentirão aquele nefasto buraco que nada preenche e buscam de alguma forma preencher para sobreviver num mundo cada vez mais competitivo e de aparência numa busca sem descanso pela perfeição física ou social ou quando não conseguem pelo isolamento familiar e social. Vivem uma vida, alegria, felicidade 'aparente' e 'não real'. Por isso vemos tantos jovens se drogando, suicidando, matando, etc. 

Filhos possuem uma fortíssima ligação com as mães e é preciso que os homens e a sociedade respeitem e apoiem essa necessidade da natureza humana. Filhos cuidados e próximos de suas mães são mais estáveis e saudáveis emocionalmente. Até no mundo animal vemos a necessidade dos filhotes estarem com suas mães o mais próximo possível, não só por necessidade de sobrevivência mas para fortificar emocionalmente para a vida adulta. Uma separação entre eles é algo trágico na alma de qualquer ser gerado no qual se lincou para o resto da vida. Não importa o tempo mãe é sempre um sinal de aconchego e segurança. 

Nos dias de hoje o tempo passa rápido demais. Muito rápido, tão rápido que nem dá tempo de tentar entender e processar as coisas mais óbvias, naturais da nossa existência.

A molecada acorda cedo, vai pra escola. Chega em casa, almoça ao mesmo tempo que assiste TV, atualiza a conversa no WhatsApp, checa sua ‘TimeLine’ no Facebook, curte páginas dos amigos, coloca em dia as curtidas do Instagram e comenta de forma superficial – pois não compreende o contexto e complexidade – as reportagens da TV. Se perguntar quem dividiu a mesa com eles (os pais também estão brincando com o celular) é possível que nem tenham se dado conta, pois estão mais próximos dos amigos “virtuais” do que daqueles que compartilham o mesmo espaço, a mesma mesa e a mesma comida com eles. 

Mas o mais trágico nisso tudo é que os pais, também, estão sentados à mesa assistindo TV, atualizando a conversa no WhatsApp, checando sua ‘TimeLine’ no Facebook, fazendo e mantendo suas rotinas de prazer pessoal esquecendo que como pais precisam ser pais e não colegas dividindo apartamento. É função dos pais estarem perto e participarem ajudando seus filhos seja conversando, seja com sua presença física, atenção, diálogos propositivos ou em casos extremos buscarem ajuda com profissionais da 'psicologia familiar' para ajudar todos da estrutura que foi constituída sem exclusão desse ou daquele para que todos os membros, principalmente os filhos não repitam o perverso ciclo da destruturação familiar. É preciso quebrar este ciclo agora. 

Depois do almoço os pais irão para o trabalho e os filhos para a aula de computação, inglês, academia… À noite ficarão no quarto em frente ao note, navegando por sites que jamais se lembrarão, conversando pelo skype, jogando online, Netflix até a hora de dormir. No final de semana estes jovens dormirão a maior parte do tempo para se preparar para a noite, para a balada, onde pegarão todos e todas e beberão até cair. 

Estes jovens entram muito cedo em sua vida pretensamente “adulta”. Já “brincam” de papai e mamãe antes mesmo de brincar de casinha. Estes jovens são lançados da infância, cada vez mais curta, direto para a vida “adulta”, passando sem piscar pela adolescência. 

Qual estrutura e base estes jovens terão para superar conflitos pessoais? Comportam-se como adultos aos 14, 16, 17 anos e, em muitos casos são tratados como adultos, não são adultos, são crianças e adolescentes que não sabem absolutamente nada da vida, mas são cobrados como se soubessem de tudo e pior, acreditam que sabem sobre tudo.

Eles querem ser aceitos, infelizmente querem ser aceitos em um mundo irreal de aparências! 

Nesse “nosso” mundo do “parecer”, do “fake”, do consumo do corpo perfeito, da mentira perfeita, do dinheiro a qualquer custo, do consumir e exibir, da exposição sem limites, da falsa propaganda que vende vidas “perfeitas” somos “forçados” a fazer parte dessa sociedade de “mentirinha”. 

Na sociedade do consumo do corpo perfeito, da vida perfeita, do ser perfeito, não existe espaço pra “ser humano”, não existe lugar “para sermos quem somos”, aqueles que exibem suas imperfeições, pois o imperfeito não cabe na aparência perfeita do mundo da mentira. 

Todos nós queremos fazer parte de algo, ser parte de algo. Principalmente quando somos jovens. Nossa turma é nossa razão de ser e estar no mundo. Comportamo-nos como tribos, somos territorialistas e, fazer parte deste “algo” nos confere identidade. E aí para fazer parte desse mundo, o jovem segue a turma, mesmo em muitos casos, sem saber por que está fazendo isso, mesmo sabendo que muitas coisas que fazem são erradas, vale a pena correr o risco para “ser” parte da turma! 

E neste mundo, empoeirado, intenta-se forçar o sujeito a aderir sem contestação ao padrão de ser e estar neste “mundo”, reduzindo sublimes e maravilhosas peculiaridades e particularidades, ou seja, nossas magníficas diferenças, em uma uniformidade que se encaixa na perfeita adequação a uma sociedade tamponada, uniforme, opaca, moralista, hipócrita. É a construção de um mundo baseado em mentiras e sem alicerce. 

As inquietudes de nossa alma deveriam ser tratadas em nossas relações cotidianas, primeiro no seio carinhoso da família, depois nas escolas, nos relacionando com os professores e com os colegas de aula, com os amigos e também com os inimigos, com os namorados, patrões… 

Vivendo nossas experiências boas e más, aprendendo a entendê-las. Passamos por frustrações a aprendemos a superá-las. Este é o ciclo natural das coisas, é preciso viver para compreender a vida, viver todas as emoções, boas e más, sorrir, chorar, vencer, perder, amar, rejeitar, ser rejeitado, ter amigos, inimigos, construir alianças, quebrá-las… Cabe a família dar o suporte, fornecer o alicerce para que este ser, mesmo em épocas de tempestade, não desmorone. E na convivência física cotidiana, construirá seu edifício interno, com janelas, portas, divisórias, que poderá balançar em muitos casos, mas jamais desabar se bem estruturado. 

Mas como educar se os pais não têm “tempo” para ajudar estes jovens a construir sua estrutura? 

Os filhos não têm “tempo” para escutar o que os pais têm pra dizer, talvez uma conferência familiar pelo Whats ou Skype, quem sabe… 

Os amigos não têm todas as respostas.

E talvez o mais triste para esta geração.

O Google não tem todas as respostas. 

Nossos jovens produzem eventos para postar, ser curtido e comentado. Situações são criadas para movimentar e dar liquidez ao “mercado” da popularidade, as “ações pessoais na bolsa virtual” crescem conforme o número de “posts, comments e likes”. Uma sociedade baseada no consumismo, que valora cada ser humano por seus bens de consumo e potencial de exibição do produto, passou a consumir avidamente “vidas”. Vidas são colocadas em exposição, para o deleite do consumidor e regozijo daquele que se expõe, pois quanto mais visto, mais é consumido, assim, ganha popularidade, consequentemente “poder”. 

Uma sociedade sem amor, sem paz e sem alma. 

A alma não está sendo vendida para o diabo, mas sim, depositada em sites de relacionamento e eventos que precisam ser constantemente alimentados para nutrir o mercado. Se não existe um evento, tudo bem, faz-se imagem de si mesmo, pois a imagem é tudo neste mundo baseado no TER, SER não importa, o que vale é PARECER e, para parecer e aparecer é preciso exibir.

É imperativo que estes jovens compreendam que eles NÃO têm o valor do que é “consumido” ou do que consomem em imagens, exposição, “likes”, compartilhamentos e “comments”. O seu valor não é “subjetivo e líquido”, pois este “valor” está na forma como ele se constitui enquanto ser humano real. SER REAL não é nada fácil no mundo “líquido”, mas precisamos tentar, ensinar, dar exemplo principalmente para nossos filhos e com os jovens, mas também em relação a nossas vidas, pois creio que se hoje estas moças e moços vivem dessa forma, não são nada diferente de quem os criou, pois nossa sociedade vive de ter e exibir, nossa juventude nada mais é do que reflexo de uma sociedade “adoentada”. 

Pois nossas crianças já nascem sem tempo, extremamente competitivas, presas em escolas integrais que garantirão seu “futuro”. E dessa forma continuarão a lubrificar as engrenagens de nossa sociedade doente e “medicada” que confunde saúde com remédios, consumo com qualidade de vida, amor com bens de consumo. 

Estamos formando uma geração de egoístas, alienados e inconsequentes, que se preocupam mais com sua imagem do que em “ser” humano. 

Quando somos jovens, acreditamos que sabemos tudo, que estamos prontos para a vida, mas viver nos ensina que a gente não sabe NADA sobre a vida. 

Compreender e aceitar que não somos e nunca seremos perfeitos, que simplesmente não sabemos de quase nada e nem temos certeza de tudo, nos torna mais abertos, mais humanos, mais doces, mais amorosos e tolerantes, com nós mesmos e com os outros. Mas para que nossos jovens possam compreender tudo isso, precisamos cria-los para que sejam mais humanos, colaborativos, criativos, transgressores, mas para isso, precisarão ser ensinados que serão alguém, não pela quantidade de bens que possuírem e exibirem, mas sim, por “ser” humano, "exemplo de comportamento", “ser” como verbo de ação! 

Educar os filhos dá muito mais trabalho do que simplesmente cuidar… Você sabe como colocar limites nos seus filhos? A grande maioria dos pais não sabem. Mas por que não conseguem? 

Como os pais têm pouco tempo para ficar com os filhos outros não querem ficar em casa e ficar reclamando do comportamento deles e acabam mimando-os. As crianças ganham presentes para compensar a ausência dos pais, que por sua vez sentem-se menos culpados pelo tempo que não dedicam aos filhos.

Ouça seu filho, diga que o ama e o quanto ele é importante para você, mas entenda que seu papel é educá-lo e prepará-lo para a vida e não satisfazer suas vontades. Quando você diz não para seu filho está dizendo até onde ele pode ir. Mas se a mãe diz não e o pai diz sim está tirando a autoridade um do outro, e seu filho vai usar isso contra vocês. Então estejam sempre de acordo. 

Algumas mães dizem que falam dez vezes e o filho não escuta, mas quando fala onze aí ele sabe que é de verdade… É exatamente isso que acontece! 

O filho sabe quando os pais falam pra valer, então enquanto isso não acontece, não obedece, pois procura vencer o adulto pelo cansaço e isso funciona muitas vezes. Algumas crianças ou adolescentes usam o choro ou indiferença para manipular os pais e param de chorar ou dão atenção assim que conseguem o que querem. 

Se os pais fizerem o que elas querem uma vez, os filhos irão repetir esse comportamento por muitas outras vezes. 

Prepare seu filho para o mundo! Esse é o papel dos pais, não é da escola e nem da sociedade, mas, se os pais não o fizerem, eles aprenderão de qualquer jeito e não da forma correta. Eduque seus filhos com amor e dedicação, pois isso dá mais trabalho do que simplesmente cuidá-los. 





sábado, 18 de janeiro de 2020

ÁUDIOS: Nova matéria da #VazaJato



Moro aprovou jornalistas do Roda Viva



Sergio Moro estará no Roda Viva na próxima segunda. Ele aprovou os nomes dos jornalistas que estarão na bancada para entrevistá-lo, nós confirmamos com fontes. Não me espanta: Moro não sentaria em um canal ao vivo por duas horas sem saber quem estaria na sua frente. Ele, assim como Bolsonaro, vê parte da imprensa como inimiga. Logo ele, que tanto usou a imprensa para seu projeto de poder. Pra Moro, jornalista só serve se escreve notícias de joelhos.

Imagine o ex-juiz chegar lá e dar de cara com um dos dezenas de jornalistas que trabalharam e trabalham nos arquivos da Vaza Jato? Nessa hora não dá nem tempo de chamar o Deltan. Moro se preveniu.

Na semana que acaba hoje, o programa foi forçado a se manifestar sobre a ausência do TIB na bancada – o público levou ao topo do Twitter a tag #InterceptNoRodaViva. Eu compreenderia um veto de Moro aos nossos nomes, mas o programa negou a interferência editorial do ministro: “Não pedimos sugestões nem submetemos a bancada ao entrevistado.” Então se não pedem sugestões e nem submetem a lista aos convidados, a formação da bancada sem nenhum dos vários jornalistas de vários veículos que participaram da Vaza Jato foi escolha deliberada do programa. Nessa versão dos fatos, Moro tem tanta confiança de que não precisará nos encarar que sequer precisa conhecer a lista. Vocês decidam o que é pior.

A campanha #InterceptNoRodaViva incomodou algumas pessoas. O Marcelo Tas (lembram dele?) mais uma vez atacou nossos jornalistas. Ele já tinha metido os pés pelas mãos antes. Com 9,5 milhões de seguidores e engajamento pífio digno de 9,5 milhões de robôs, Tas usa o TIB pra ter relevância no Twitter de tempos em tempos. Eu fico feliz que o TIB ajude o Marcelo Tas a ter relevância no Twitter uma vez por trimestre. Assim ele pode vender mais cursos sobre como ser relevante no Twitter. Geramos empregos! Vamos em frente!

O jornalista Pedro Doria entrou na onda: retuitou sem checar o ex-apresentador, e comentou: “Estou tentando lembrar quando foi a última vez que um veículo exigiu participar e moveu uma campanha para isso. E não consigo lembrar.” Pedro: você não consegue lembrar porque nunca existiu. A campanha partiu do público. Uma hora te mostro como pesquisar no Twitter (é fácil, prometo).

Os dois são exemplos de pessoas que não suportam que exista crítica de mídia no Brasil, porque eventualmente ela atingirá amigos e até a eles próprios (imagina se trabalhassem aqui no TIB, um dos veículos mais criticados do país...).

Na Itália, onde morei, é comum, até porque parte importante da TV é pública por lá (ei: a TV Cultura é pública também). Nos EUA nem se fala. Imaginem um programa onde o entrevistado fosse o já falecido Richard Nixon. Quem não gostaria de ver na bancada Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas do caso Watergate, que derrubou Nixon? Quem se incomodaria em ver o público pedindo a participação dos dois? No Brasil, tem gente que sim.

Mas já que o público pediu que um site fosse convidado pela TV pública para questionar um personagem público sobre temas de interesse público e não foi atendido, então vamos lá: na segunda-feira, no mesmo horário do Roda Viva (22h30), nós estaremos ao vivo no nosso canal do youtube.


Vamos, basicamente, assistir ao programa com vocês, como vizinhos vendo TV na calçada. Mais ou menos como o Bolsonaro assistindo ao Trump, mas sem babar de amor. Esperamos vocês!


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

É PRECISO DIZER MAIS "CONTE-ME". "PERDOE-ME" E "TE AMO" por LUZ SÁNCHEZ-MELLADO


O veterano psiquiatra Luis Rojas Marcos revela que fala muito sozinho e recomenda que seu exemplo seja seguido em nome da lucidez


São sete horas de uma noite fria de primavera. Este senhor que aparenta ter uma década menos de seus 75 anos passou o dia todo falando sobre seu livro e, com a desculpa de que esta é sua última entrevista e me vê chegar perturbada, me arrasta para o bar do hotel Palace em Madri para me convidar para um café e, de passagem, tomar um “cuba-libre como se deve” como prêmio pelo fim da jornada.

Serve-o, solícito, seu garçom, um profissional que, a base de atendê-lo em suas quatro ou cinco visitas anuais à Espanha vindo de Nova York, onde vive há meio século, tornou-se um amigo. Barman e psiquiatra. Difícil encontrar dois ofícios em que se escute mais ao outro. Estou com sorte.

Pergunta. Se “somos como falamos”, como é o senhor, doutor?
Resposta. Falador. Falo muito comigo mesmo, às vezes em voz alta, às vezes em voz baixa, mas isso ajuda a me administrar, a me encorajar, a me estabelecer limites. Falar comigo mesmo é fundamental no meu dia a dia. Todos nós deveríamos falar mais sozinhos. 

P. Isso não era coisa de loucos? 
R. Esse é o problema. Foi estigmatizado. As crianças, desde os 2 ou 3 anos, falam consigo mesmas, se encorajam, se aconchegam, se consolam. Depois isso nos dá vergonha, porque a pessoa que fala sozinha é identificada com o doente que ouve vozes. Nós nos reprimimos e é um grande erro. Assim como nos ensinam a falar e a pedir as coisas "por favor", deveriam nos ensinar a falarmos com nós mesmos. 

P. Hoje se vê muita gente falando sozinha, mas no celular. 
R. Se estão falando com alguém, tudo bem. A coisa ruim da tecnologia é quando ela interfere na sua capacidade de falar consigo mesmo, ou de conversar com os outros, ou de ter relações reais: é um problema muito sério. 

P. As Ilhas Canárias tornarão obrigatória a educação emocional nas escolas. O que pensa da ideia? 
R. Uma maravilha. Colocar palavras no que você sente. Falar. Se você tem vontade de chorar, saber que isso se chama ficar triste. Se você sente vontade de insultar alguém, é estar com raiva. É uma educação muito útil para a vida e para a saúde das crianças, que mais tarde serão adultos. 

P. Vão tirar seu trabalho. 
R. Você acertou. Mas não fazer isso seria anti-humano. Essa seria uma boa causa, procurar outro trabalho, com a satisfação de ter podido ajudar o grupo. 

P. Ou seja, “charlatão” para o senhor não é nenhum insulto. 
R. Se te dizem isso como um insulto, terão de explicar, porque, em geral, as pessoas tagarelas têm muita sorte em serem assim. 

P. Por quê? 
R. As pessoas extrovertidas, que falam mais, que se conectam com os outros, estão mais satisfeitas com sua vida em geral. A razão é simples: ao se conectar com os outros, temos relações afetivas, nos ajudamos, compartilhamos e nos apoiamos em situações difíceis, e também nos queixamos e pedimos ajuda se precisamos... 

P. As mulheres falam mais ou é uma farpa dos homens? 
R. A maioria dos estudos mostra que as mulheres falam em média 15.000 palavras mais que os homens. Porque elas têm a parte do cérebro que controla a linguagem mais desenvolvida. E porque os pais falam mais com as filhas do que com os filhos, especialmente sobre questões emocionais. Estou convencido de que as mulheres vivem mais porque falam mais. E as espanholas, ainda mais. 

Eu sou neta de PAI E MÃE DE FAMÍLIA ESPANHOLAS - BRAZ E CARRILHO Ixi... prazer, Roberta a tagarela... Eu era assim até o ano 2001. Grande decepção. Morte de uma ilusão. Escravizei-me em um ciclo de rancor, ódio, angústia, tristeza, decepção, não podia aceitar que estava acontecendo comigo e ainda mais ser 'aquela pessoa' acima de qualquer suspeita ter feito o que fez comigo, com nós. Dor! Foi um trauma tão louco e profundo que me perdi, nem sei se curarei antes de morrer. Gostaria de me libertar disso. Apagar da mente tudo. Alzheimer seria uma benção talvez. Apagar-apagado! Esquecer que aconteceu: conheci, vivi, sofri... esqueci, morri. Depois disso algo em mim mudou, perdi a alegria que sentia pela vida. Meus olhos escureceram e não riram mais. Meu corpo adoeceu não suportou meu cérebro doente que diz o médico que chama depressão severa. CID.10 F34 um punhado de coisas misturadas não especificadas e persistentes com anedonia. Essa me diz ser a antítese do Deus Êdonis no livro a ler " Elogio da loucura" de Erasmo de Roterdãm. Lerei. Porém, Desacreditei das pessoas e, pior, de mim mesma. Como fui me deixar escravizar por tantos ressentimentos? rancores? dessa tal pessoa que não vale nem um pensamento solto. Até o fruto dele que acreditei ser doce é azedo. O mundo se tornou cinza escuro. Meu mundo antes tão colorido passou a ser monocromático. Enfim... 

P. Mas nos dizem que caladas somos mais bonitas. Quando é preciso morder a língua? 
R. Quando vamos cometer um deslize. Quando sabemos que o que diremos vai criar um conflito ou ferir alguém, é melhor se calar. 

P. Vale a pena insultar? 
R. Não. O insulto ataca a autoestima, a identidade e o valor da pessoa. Não acrescenta nada. As palavras não são levadas pelo vento. 

P. O senhor escuta tristezas há meio século. São sempre as mesmas? 
R. O que acontece conosco, o que escuto em consulta é basicamente o mesmo. Medo, tristeza, angústia ou necessidade de que nos orientem em um momento da vida. 

P. E temos remédio? 
R. Muitos, para começar, falar, contar o que acontece conosco. Falar é fundamental para entender o que acontece conosco e pedir ajuda. 

P. Que palavras estão em sua caixa de primeiros socorros? 
R. Para mim, a palavra mais importante, profissional e pessoalmente, é “conte-me”, mas, para isso, você precisa estar disposto a escutar, e isso nem sempre acontece. Outra é “perdoe-me”: pedir perdão é fundamental, porque sem perdão não há futuro na vida. 

P. E se você não perdoar? 
R. Você adoece. O perdão é fundamental para sobreviver. Para se reinventar. A vítima perpétua é uma pessoa muito limitada por sua ferida aberta. O luto não pode se eternizar. Passar mais de três anos como vítima não é saudável. Te fecha no papel de traumatizado. Evita abrir outro capítulo de sua vida com expectativa, esperança e criatividade. 

P. A dor atinge todos nós? 
R. Sem exceção. Perdas, traumas, divórcios. Segundo os epidemiologistas, cada pessoa tem duas adversidades graves na vida. Algumas têm quatro; outras, uma. Mas os momentos ruins chegam a todos nós. 

P. Na questão das palavras mágicas, o senhor se esqueceu do “te amo”. 
R. Dizer “te amo” é fantástico, especialmente se for verdade e você tiver alguém para dizer isso. Nós dizemos isso, mas dizemos por dentro. E é bom verbalizá-lo. Mas não somente ao outro, mas a nós mesmos. Dizer a você: “olha, Luis, eu te amo muito” é muito útil, sei que isso não nos é ensinado quando crianças, mas eu recomendo. 

P. Ou seja, o senhor ama a si mesmo. 
R. Sim. Muito, aliás. Obrigado. 





quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

ESTOU ENVELHECENDO... por ROBERTA CARRILHO







Estou envelhecendo, e quero envelhecer... não me venha dizer que tenho espírito jovem. Não!
Tenho espírito condizente com a minha idade, ou seja, tenho espírito maduro, experiente e trabalhei para chegar neste ponto.
Porém não quero envelhecer sem meu sorriso, achando que a vida é simplesmente uma coisa normal, triste, sem cor...
Não quero envelhecer achando que tenho razão em tudo, que posso tudo e que sou melhor que tudo e sem me importar com os outros... é a morte em vida para mim esse sentimento mesquinho e egoísta. 
Não quero envelhecer amargurada a cada dia com lembranças de um passado pesado...
Não quero envelhecer sem amar e ser amada verdadeiramente, sem mentiras, interesses sejam quais forem ou manipulações principalmente dos que mais confiei ou confio... 


Não quero envelhecer primeiro por dentro, destruindo meus sentimentos mais puros, meus ideais, sonhos ou esperanças...
Quero poder amar e ser amada, valorizar e ser valorizada, sorrir sem qualquer motivo ou em contrapartida de nada, só porque estou feliz e agradecida a vida, a Deus, me conhecer, observar, estar perto da natureza, do mar, das plantas, das flores, das artes plásticas, dos artesanatos, músicas boas e calmas, longe da barulheira, do tumulto de pessoas. Quero se puder estar perto também dos animais, dos netos ou netas, dos amigos sinceros dos tempos bons e ruins, dar gargalhadas e abraços afetuosos....
Simplesmente Viver com a minha idade sem saudosismo de um passado já vivido ou continuar a querer ter aquele corpo durinho e bonito para essa sociedade consumista e sem conteúdo sólidos.
Tudo é realmente líquido. Mas, eu não !


Roberta Carrilho 

A VIDA É APRENDER A CONVIVER COM UNS E SOBREVIVER SEM OUTROS



A vida é como uma viagem de trem, com suas estações e mudanças de pista, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns casos e tristezas profundas em outros …

Quando nascemos, pegamos o trem e conhecemos nossos pais, acreditamos que eles sempre viajarão ao nosso lado, mas eles vão sair em alguma estação e continuaremos a viagem. De repente nos encontraremos sem sua companhia e amor insubstituível. No entanto, muitas outras pessoas especiais e significativas estarão no caminho da nossa vida: nossos irmãos, amigos e em algum momento, nossa cara metade …

Alguns tomarão o trem para descer na próxima estação e eles passarão despercebidos, nem sequer notamos que eles desocuparam seus assentos. Outros vão amargurar a viagem, como aqueles parceiros irritantes que queremos sair o mais rápido possível. Outros, ao descerem, deixarão um vazio definitivo … E até verão que alguns, embora sejam pessoas que você ama, ficarão em carros diferentes dos nossos … Durante toda a jornada eles permanecerão separados, a menos que decidamos nos aproximar deles e nos sentarmos. a seu lado. De fato, se realmente nos importamos, é melhor corrermos para fazer isso antes que outra pessoa chegue e assuma essa posição.

A jornada continua cheia de desafios, sonhos, fantasias, alegrias, tristezas, esperas e despedidas …

No entanto, é importante manter um bom relacionamento com todos os passageiros, procurando em cada um o melhor que eles têm para oferecer desde que respeite a história do outro e suas dores. É preciso compreender e acolher a dor do outro como se fosse sua também, porque o tanto faz, a indiferença destrói tudo. 

Com o tempo, precisamos aprender a conviver com alguns e sobreviver sem os outros. Temos de aprender a lidar com as pessoas que não queremos ter ao nosso lado e também devemos avançar, apesar das perdas e da dor.

Quando você não pode coexistir com pessoas que te incomodam …

Ao longo da vida, encontraremos muitas pessoas que não compartilham nossos valores e pontos de vista. Essas são pessoas que podem ser profundamente egoístas, manipuladoras ou mesmo totalmente tóxicas. No entanto, ficar com raiva não vai ajudar. Pelo contrário, isso vai nos prejudicar.

Precisamos aprender a viver com essas pessoas sem afetar nosso equilíbrio emocional. Nós não podemos mudar de lugar toda vez que uma pessoa faz algo que nos incomoda. Se o fizermos, vamos acabar correndo de um carro para outro no caminho de nossas vidas, perdidamente oprimidos e com raiva. De fato, um dos maiores ensinamentos da vida é precisamente aprender a lidar com as pessoas que nos incomodam. Com o passar do tempo, não apenas nos tornamos pessoas mais tolerantes, mas também aprendemos a nos concentrar nos aspectos positivos daqueles que nos rodeiam. 

Não se trata de sofrer passivamente, mas de se tornar mais sábio e mais equilibrado. Com o passar do tempo, entendemos que outras pessoas cometem erros e são imperfeitas, como nós, e aprendemos a nos concentrar nos pontos em comum e não nas diferenças. Assim tudo fica mais fácil.

Quando você não pode sobreviver sem as pessoas…

Há pessoas que gostaríamos de ter sempre ao nosso lado. Infelizmente, isso quase nunca acontece. Todo mundo tem sua própria estação e devemos aprender a deixá-las ir. É difícil, mas se não curarmos essa ferida, ela permanecerá continuamente aberta. Desta forma, não permitiremos que outras pessoas fantásticas se aproximem, pois cada vez que o fizerem, a ferida supurante arderá e nós recuaremos.

Essas novas pessoas não vão tomar o lugar daqueles que nos deixaram. Temos muito espaço em nossos corações para armazenar memórias e criar novos laços. Nós apenas temos que aprender a deixar ir e praticar o desapego um pouco mais. Se ficarmos presos nessa dor, o trem da vida continuará enquanto perdemos as belas paisagens e a companhia dos viajantes.

De fato, o grande mistério é que não sabemos em que época devemos viajar, e trancados nessa dor, podemos perder tudo o que temos para oferecer às pessoas que continuam ao nosso lado. Quando não podemos deixar ir aqueles que nos abandonaram, seja por nossa própria decisão ou por razões de vida, nossa viagem perderá seu significado e não valerá a pena.

Portanto, vamos fazer essa viagem contar. Não devemos apenas nos esforçar para criar boas lembranças para aqueles que estão ao nosso lado, mas também para nos fornecer boas lembranças. Tenha sempre em mente que há outra estação além, e você não sabe quando será a última. Portanto, aproveite cada momento da viagem.



Fonte indicada: Rincon de la Psicología


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

DEPRESSÃO OU FALTA DE EMPATIA ... QUAL É A PIOR DOENÇA DESTE SÉCULO?



Ser indiferente sobre alguém em depressão ou não dá a devida atenção quem precisa é um dos atos mais cruéis que alguém pode praticar. Debochar, pré-julgar essa doença, como se não passasse de uma noite mal dormida ou, sei lá, de uma frescurinha boba é demonstrar ignorância absoluta sobre um assunto tão sério.

O Brasil é o país mais depressivo da América Latina. Segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será até 2020, o maior motivo de afastamento do trabalho no mundo.

Não sinta vergonha de ter depressão. Não deixe os julgamentos de pessoas que não entendem o seu estado, aumentarem uma dor emocional que já é grande o suficiente para a sua alma. 

A pior coisa da depressão é que ela é uma disfunção afetiva, psíquica que acontece dentro da gente. Por isso, muitas vezes, ninguém consegue vê-la e muito menos ajudar. Não é um osso quebrado que vemos no raio x ou um corte que a enfermeira costura e logo cicatriza. 

Depressão é um rasgo na alma que ninguém tem acesso. É uma ferida aberta e inflamada na nossa alegria de viver, que ninguém pode desinfetar porque não há como alcançá-la fisicamente.

Quando nos afogamos no mar, buscamos a superfície incessantemente no desespero pelo ar. Na depressão é o contrário. Afogamo-nos na dor e quando tentamos buscar ar no lado de fora, podemos sufocar ainda mais, porque é mergulhando dentro da gente que conseguimos respirar melhor.

Por isso, não entendemos porque as pessoas nos julgam tanto. Porque ninguém nos ajuda enquanto a angústia esmaga nosso peito e tira todo nosso fôlego, deixando-nos jogados na cama.

Então, a gente escuta que estamos nos fazendo de vítima. Que é bobagem, frescura. As pessoas nos ignoram justamente no momento em que mais precisamos, deixando-nos, sem se darem conta, à beira de um precipício, porque a nossa depressão pode ser imperceptível aos olhos do coração de quem não sabe o que é passar por essa dolorosa experiência.

Quantas vezes nos sentimos mal sem um motivo aparente? A tensões que acumulamos no interior de nós mesmos se refletem em nosso exterior. Pesquisas recentes constataram que a tensão psicológica pode dar a origem a doenças corporais (mais comum enxaqueca, insônia e fibromialgia). Para curar o de fora, precisamos primeiro controlar o de dentro, nossos conflitos internos.

A tensão emocional machuca lenta e inexoravelmente o corpo, se expressando por meio da depressão, ansiedade ou estresse. A canalização incorreta dos conflitos emocionais pode desencadear um amplo leque de doenças, como a diabetes mellitus, o lúpus e a leucemia.


Quando as emoções nos machucam

Em muitos casos, as pessoas pensam uma coisa e dizem outra, sentem uma coisa e fazem outra, não são coerentes com elas mesmos por medo da rejeição, do abandono, da crítica, de perder prestígio e de ser julgado pelos outros. De tanto pensar na valorização alheia nos esquecemos de nosso próprio julgamento, e isso causa inúmeros conflitos interpessoais.




As emoções que não expressamos afetam nossa saúde e se expressam no corpo através da dor e da doença. Nosso corpo nos envia sinais para chamar nossa atenção sobre a existência de algo que é preciso mudar, sejam pensamentos negativos ou crenças distorcidas enraizadas que limitam nossa vida. As distorções ocupam um papel predominante ao serem produzidas pela perturbação emocional.

Essa percepções e pensamentos distorcidos que o sujeito realiza sobre si mesmo, o mundo e o futuro, o levam a desenvolver estados de ânimo disfuncionais como: fobias, depressão, ansiedade, problemas de autoestima e transtornos obsessivos. A distorções cognitivas são falhas do pensamento que o ser humano utiliza constantemente para interpretar a realidade de forma irreal.

Essas percepções originam-se em falhas no processamento da informação e nos processos emocionais ao invés de racionais. Podem basear-se em crenças irreais firmes, mas as distorções na verdade não são crenças, e sim hábitos de pensamento que nos levam às emoções negativas.


Controle emocional para cicatrizar o exterior

As emoções influenciam o pensamento e a conduta, por isso seu controle é de fundamental importância. Qualquer acontecimento, por mais simples que seja, desperta emoções bem distintas. Isso se deve ao Sistema Límbico, o encarregado de que possamos considerar que as emoções formam parte de nós e de nossa maneira de reagir ao mundo.

A técnica mais simples de controle emocional é aprender a evitar o que gera emoções negativas em nós, sejam pessoas ou situações. 

Temos que tomar cuidado ao evitar as situações, já que podem reforçar um estilo de enfrentamento baseado na preservação de si mesmo, que é pouco efetivo na resolução de problemas. No entanto, controlar as emoções negativas é necessário.

Outras técnicas mais naturais e úteis para controlar as emoções antes, durante e depois de enfrentarmos situações emocionalmente intensas é o relaxamento. Ao relaxarmos, conseguimos um efeito de calma que nos faz visualizar a situação de forma mais nítida.


As técnicas mais úteis para controlar nossas emoções são as técnicas cognitivas. Para mudar as emoções temos que mudar os pensamentos, já que a emoção e o pensamento andam juntos, e se mudamos o pensamento podemos regular tanto nossas emoções quanto nossas ações. Técnicas cognitivas como o ensaio mental, a percepção do pensamento e a mudança de perspectiva nos ajudarão a curar o interior para poder cicatrizar o exterior.

São 5:30 da manhã e eu não consigo dormir, mas faz parte, às vezes, eu não prego os olhos durante a noite toda; outras, eu me fecho em casa e passo o dia todo dormindo, literalmente, sem falar com ninguém, sem beber ou comer, só dormindo. E se eu acordar, eu vou dormir outra vez.

Eu não como nada, ou como tudo a minha volta, às vezes, uma salada, às vezes, uma torta inteira. O conceito de valor nutricional foi pelo ralo; não se contam calorias a essa altura do campeonato, o que vier é lucro. Pode ser que eu só me lembre de comer porque já cheguei ao extremo e estou passando mal. Se eu tiver compromisso, eu acordo e desejo mais 5 minutos, esses 5 minutos duram mais tempo que minha última soneca. 

Tudo na minha vida passou a ser feito com um esforço surreal, seja do mais básico, como higiene, até as obrigações.

Depressão não é preguiça e nem desculpa, depressão é luta!






Já ouvi várias coisas a respeito da depressão. Já a nomearam como “frescura” e dizem ser coisa de quem não tem o que fazer. Já falaram para eu ocupar minha cabeça e parar de pensar besteira. Falaram que eu deveria trabalhar mais, estudar mais e deixar de pensar em todas essas loucuras.



Já falaram, também, que só reclamo e que uso o termo depressão porque me convém, para que as pessoas acabam tendo pena de mim.



Outros já se incomodaram com o meu choro e falaram que eu precisava ir ao psiquiatra com urgência.


O que ninguém entendia, porém, era o medo que eu sentia de falar das minhas dores, era o peso da angústia em me manter acordada, era o fato de eu buscar o refúgio dormindo para me esquecer da dor e fazer o tempo passar mais rápido. Era a luta de todos os dias de ter de enfrentar o seu “eu” em pedaços e, depois, juntá-lo novamente.

Ninguém entendia o quanto eu queria sair daquilo: era uma como uma prisão. Eu era prisioneira de medos, fracassos, mágoas e angústia.

Ninguém entendia que eu não via mais graça em nada e isso não tinha nada a ver com antipatia. Não entendiam que a força que me puxava para cama era bem maior do que a que me encorajava a levantar dela e sair para o mundo para ver e conhecer pessoas. Eu não tinha forças para falar, saudar alguém ou mesmo me arrumar. Eu me olhava no espelho e gostava do meu pijama velho, rasgado e do meu cabelo bagunçado. Eu não me preocupava com isso, pois a bagunça e os rasgos eram bem maiores dentro de mim.


Depressão não é fraqueza e está bem longe disso.

Ah, como eu queria que fosse frescura, como eu queria que fosse uma fase, como eu queria que fosse preguiça e que só a vontade bastasse para mudar tudo aquilo. O que ninguém entendia era a autoestima perdida e o desencanto que se fazia presente.

Ninguém conseguia ver a minha luta diária para virar a página, como eu me sentia impotente demais diante de tanta dor e, quantas vezes, eu não pensei em entregar os pontos.

Quantas vezes eu chorei sozinha no banheiro para ninguém ver, quantas vezes eu quis dormir e acordar leve. Nunca chame algo assim de falta de fé ou de falta de Deus. Depressão não tem a ver com falta de religiosidade. Depressão tem a ver com conflitos, com situações que muitas vezes nos jogam no buraco. Depressão não é fraqueza e está bem longe disso.

É como estar no meio da maré e ela querer te levar: você tenta, com todas as suas forças, mas uma hora cansa.

A tal da depressão quase me levou e ela pode levar muita gente, se continuarem acreditando ser frescura, se continuarem achando que o outro precisa de motivos para as suas dores, que é falta de vontade ou que, sei lá, a pessoa é muito sentimental. Pode levar muita gente, como já tem levado, porque muitos continuam acreditando que remédios bastam e que ”é fase e vai passar”.

Sabe, as pessoas querem ser ouvidas, elas têm sede de ver as suas dores acolhidas. Mas, em meio a tantos julgamentos e conceitos errados, eu preferia me calar, mesmo que isso não parecesse tão simpático. Era mais fácil dizer que estava tudo bem e depois chorar, do que ter que contar sobre mim e ter de ouvir uma resposta desagradável. Era mais fácil inventar desculpa para não sair, do que ter que enfrentar a mim mesma e a todos. Qualquer coisa era mais fácil do que ter que parecer bem.

Ninguém parou para ver a tempestade que havia em mim. Ninguém entendia o quanto eu lutava pra não chorar quando estava rodeada de pessoas e que, cansada de tanto lutar contra esses sentimentos que me sufocavam, na maioria das vezes preferia o meu quarto.


Não é do dia para a noite que você se liberta, é com apoio, é com ajuda, é com acolhimento e muito esforço. É um processo, é um leão que você mata todos os dias dentro de você, é sentir o seu dia tomando cor novamente devagarinho, é aprender a apreciar aqueles filmes velhos de que você tanto gostava e parou de assistir, é ler um livro novo e sentir prazer com cada frase terminada. É conseguir sorrir sem ter que fazer esforço, é olhar no relógio e querer parar o tempo ao invés de acelerá-lo. É ver a graça chegando aos poucos e a alegria fazendo morada. 

Não sou melhor do que ninguém por não ter me rendido totalmente, só eu sei o quanto é doloroso conviver com aquela dor e a imensa falta de força que um depressivo sente todos os dias. No entanto, posso ser melhor do que muita gente que não entende que depressão não é e está bem longe de ser frescura. Todas as noites ao deitar eu agradeço por não ter tirado minha própria morte em vida. Eu me sinto morta há décadas. Parece que nada faz sentido, nem pessoas, nem qualquer outra coisa. Como se ao acordar depois de tomar dois rivotril de 2mg ligasse o corpo morto sem vida na tomada recarregasse um dia de vida. Todos os dias são iguais. 

O não ter mais prazer em fazer nada, que a vida voltasse a soprar novamente no meu rosto, senti viva outra vez é um  sonho surreal para um depressivo. 
Eu frequentemente me tranco no quarto, não vejo TV. Fico deitada pensando, lembrando de coisas que eu não quero, tento não pensar ou relembrar, mas insistem esses pensamentos que machucam por não terem tido fim, respostas, explicações. Sinto raiva!

Eu me tornei do tamanho da minha dor. Invisível. Às vezes, eu tento manter as atividades, mas sempre parece que estou com uma tonelada nas costas, e é superdifícil para mim. Às vezes, no meio da atividade, o sufoco vira um alívio e acabo saindo melhor do que entrei. Eu agradeço por esses dias de excesso de trabalho, esqueço que eu existo. O corpo que suporte o esforço talvez assim ele se desgaste mais rápido do que o natural. Suicidar é pra os corajosos! Ateus! Eu não sou nem uma coisa nem outra. 

Não choro mais e nem consigo ver alguém chorando. Me traz angústia e estado de ira.


Criamos estratégias para disfarçar a dor, não devíamos, mas nos acostumamos com a indiferença. Ah! A indiferença!!!!  Talvez o mal do século não seja a depressão, mas a falta de empatia.



Acredito que, de todos os enfrentamentos que uma pessoa passa, nesse período, a depressão vem a ser o mais difícil deles, por conta da incompreensão.

Nesses momentos, tenho a sensação de que surgem pessoas com aquela necessidade incrível de rotular quem está passando por um momento de luta, no caso, a depressão. Quando eu passei por essa fase, escutei o discurso cansado de que eu precisava ocupar a minha cabeça; também ouvi o tal “isso aí é falta de fé” e que, de certa forma, eu não estava confiando em Deus. Outras vezes, ouvia que eu não estava me ajudando e que “ah, você precisa se levantar dessa cama”, como se isso fosse tão simples.


Quantas e quantas vezes escutei falas que mais me afundaram do que propriamente me ajudaram. Eu já estava me amando de menos e todas essas frases, em tom de “ajuda”, na verdade faziam com que eu me achasse ainda mais o problema, afinal, tudo era tão simples aos olhos dos outros, mas tão doloroso e complicado aos meus olhos. Então, eu chegava à conclusão de que o problema estava comigo.


Cansei-me de tanto escutar a frase:Existem pessoas em condições tão piores que a sua e você aí, com problemas pequenos e se entregando por tão pouco.” Claro, isso certamente me ajudou bastante (ironia). A verdade é que ninguém entendia o quanto era difícil sair do meu quarto, o quanto eu queria dormir para aliviar aquela dor e ver o tempo passar depressa. Aliás, eu sentia que o tempo não passava e a angústia fazia cada vez mais morada em mim.


E, embora isso tudo tenha acontecido um bom tempo atrás, é triste ver que esses discursos permeiam ainda os dias de hoje. Até quando as pessoas vão acreditar que ir ao psicólogo é coisa de louco? Sabe, eu tenho visto muita gente deixando de procurar ajuda por vergonha, por achar que quem precisa de um psicólogo é realmente louco – ideia totalmente errônea. Mas, que atire a primeira pedra quem não tem nada a melhorar, quem não tem angústias, conflitos e quem não precisa de mudança. Todos nós precisamos, o erro está em procurar ajuda apenas quando adoecemos.


Então, eu percebo que se fala tanto em depressão, mas pouco em empatia. Damos muita atenção às doenças do corpo, mas nos esquecemos da alma e da mente, como se não ter disposição para ir ao trabalho por conta da depressão fosse de fato encarado como preguiça. Não se leva em conta as noites sem dormir por conta da insônia, ou o excesso de sono causado pelos remédios, ou até mesmo a falta de energia.

De uma vez por todas, que fique bem claro que depressão não é frescura, depressão não é preguiça, não é desculpa, não é falta de fé e não tem nada a ver com religiosidade. Depressão é luta.

É a incompreensão de pessoas que soltam suas falas que mais doem do que curam, que mais machucam do que saram, que mais pesam do que aliviam, que mais empurram para o buraco do que ajudam alguém a sair dele. Afinal, incompreensão também mata.


Às vezes, eu consigo sorrir. Dizem que depressivos não sorriem. Enganam-se. É um vazio, uma angústia tão grande que a gente não sabe de onde veio, mas a gente sorri, e muito; às vezes, fazemos rir. A gente ri quando vocês perguntam: “Está tudo bem?”, quando a gente ouve que é frescura, falta de Deus ou que a pessoa é mal-amada, pois está há muito tempo solteira, etc. e tal. A gente ri para tudo isso.
Então a gente sente vergonha do nosso estado. Já nos achamos inúteis, os julgamentos só nos pioram mais.

Por isso nos questionamos se esse afogamento na dor é real, se faz sentido. E como a depressão é uma doença e não uma birra infantil, a gente disfarça porque não quer parecer tolo, mimado ou dramático.

Então, finge nadar enquanto se afoga. Sorri quando mesmo quando fica impossível respirar. Escondemos o desespero porque dói menos fingir e enganar as pessoas do que mostrar toda nossa dor e não ser compreendido, pior, ser julgado.

E tudo que precisamos é de apenas alguém para segurar nossa mão, enquanto buscamos a linha e a agulha para costurar essa ferida da alma.


Tudo é tão grande na depressão exatamente pelo nada ser maior ainda. Achava que era tristeza, mas é um nada exacerbado. E nada é pior que tudo. O silêncio. mistérios, falta de explicações, de detalhes da mente é perturbador, mata e nos faz nos perdermos. E sair desse labirinto é difícil e doloroso. Perdemos coisas, oportunidades e principalmente pessoas, essas últimas saem com sangue. Talvez não fosse tão ruim essa parte, olhando para o outro lado.

Quem não vê nosso choro não merece ver nosso sorriso. Por mais que doa, por mais que percamos mil pessoas, precisamos acreditar: aquele um que ficou é o que vai fazer a diferença. Aquele preparado para ouvir: “Eu matei alguém” ou “Eu sinto vontade de morrer”.

E, se sente tudo isso, por que não pede ajuda? Por que você não me falou? É difícil pedir ajuda, muitas vezes até pedimos direta ou indiretamente e somos ignorados, julgados, rotulados de vitimistas e outros rótulos pesados que machucam... e essas pessoas seguem suas vidas sem olhar para traz e enxergarem o mal que fizeram aquela que já estava doente com depressão.

Sem qualquer tipo de remorsos seguem suas vidas desfrutando alegria sem entender que isso não é possível para uma pessoa deprimida. Acostumaram a ver o deprimido como algo natural, ou seja:
  • ... "ele ou ela é assim mesmo desde que eu me conheço por gente", 
  • ..."desde que eu a conheço, nunca muda. Até parece que gosta de passar de louca(o) para todos sentirem peninha, coitadinha";
  • ... "se vira, não vou cuidar de ninguém porque tenho minha vida";
  • ... "Você não cuidou de mim porque eu tenho que cuidar de você?"
  • ... "Ele ou ela quer moleza, de mim nem precisa esperar nada"; 
  • ... "Faz de boba! Gosta de ficar assim, deprimida sem fazer esforço e quer ter tudo de mão beijada, para cima de mim não, esperta(o)!";
  • ... não entendeu que a vida é assim para todos e que não existe almoço grátis. 
... acostumam com a dor do outro como se fosse parte dela. Não se importam e nem tentam resgá-la daquilo sofrimento inarrável que não é natural, não é normal! Mas essa demanda esforço, tempo, dedicação, paciência e muita empatia ao se colocar no lugar da pessoa que esta doente e nem sabe se curar e não consegue sozinha sem apoio. 


Além disso, para pedir ajuda, os próximos do depressivo devem reconhecer o problema. É muito difícil reconhecer porque 'se' reconhece automaticamente 'se' sentem comprometidos ou repelidos na consciência que precisam ajudar, mas não querem deixar suas próprias vidas pra cuidar de outra pessoa ainda mais problemática e doente. Vai demandar, tempo, dedicação e dinheiro que será investido em outra pessoa além dela mesma. É difícil ser generoso em um mundo cada vez mais egoísta, individualista e sem amor verdadeiro. Não existe mais isso... se vai me desgastar eu não quero seja quem for. Nasci para ser feliz, diverti, viajar, curtir a vida e não para cuidar de alguém. 

É aí que entram em ação os sorrisos amarelos e vazios, mas que só quem se importa conosco vai perceber:
– Está tudo bem?
– Está! – com um sorriso amarelo.
Está tudo bem! Porque é mais fácil falar “Está” do que: 

“Não, não está tudo bem, eu estou surtando, a minha cabeça está queimando, eu não sinto nada, só dor. Estou há dias sem dormir direito, e na última semana eu passei mais tempo na cama do que em qualquer outro cômodo, faltei ao trabalho, compromissos, não fui ver o filho da minha amiga que nasceu… Cada osso do meu corpo dói, cada músculo do meu corpo está tenso, e isso me causa uma dor insuportável onde nem o mais potente dos analgésicos alivia. Então, meu único remédio é que Deus me dê a misericórdia de me tirar a vida. Quero morrer não gosto de viver.”

O que mais dói é a indiferença, aos poucos as pessoas deixam de ligar para a gente, de procurar, de abraçar, e vão partindo como se fosse um brinquedo velho que já não serve mais, sem ao menos perguntar: “Tudo bem?” Algumas vão perceber e vão partir vendo a gente como problema; umas nem vão se importar; outras vão ficar já no início. Raríssimas vão ser aquelas que ficarão até o fim, estarão presentes nas nossas quedas e recaídas.

Dói ter medo de tudo ao nosso redor, dói ter medo de si. Porque sozinho ninguém aguenta essa dor por muito tempo. Eu não me lembro do dia em que eu acordei e tudo desabou na minha cabeça, o dia em que as pessoas que eu amava foram embora. Eu daria a vida para escrever outra história, mas eu não posso, a única coisa que eu posso é colocar uma vírgula e seguir em frente, com outro final, uns personagens a menos e um sorriso verdadeiro. Porque ninguém precisa passar por isso sozinho. Peça ajuda!


Sobre o direito de sentir tristeza…

Eu serei objetiva aqui, só quero lhe fazer um pedido, com muita gentileza:

Quando uma pessoa o escolher para compartilhar uma angústia, uma dor, um medo, uma fragilidade ou algo do gênero, por favor, adote os seguintes cuidados…

1. Não diga “você não tem motivos para se sentir assim”. Entenda, o sofrimento da pessoa é real, mesmo que não faça sentido para você. Cada um tem uma forma de perceber a vida e os acontecimentos.


2. Evite dizer “muitas pessoas gostariam de estar no seu lugar”. Isso só vai piorar o estado da pessoa, pois ela, além de triste, vai se sentir culpada também. Dinheiro, beleza, juventude, casamento, etc. não blindam ninguém contra dores emocionais.


3. Esqueça o lembrete: “você precisa ser forte, muitas pessoas dependem de você”. A pessoa precisa de um suporte, por isso ela o procurou. Ela não quer ser cobrada sobre a força dela. Ao invés disso, diga: “você é humano e sempre arcou com muitas responsabilidades, é natural se sentir assim, isso não o faz fraco.”


4. Evite expressões que sinalizem julgamento ou questionamento. Ainda que seja a pessoa mais forte que você conheça, não insinue que ela não tem o direito de sentir aquele desconforto, medo ou fragilidade. Ofereça a sua audição interessada, olhe nos olhos, demonstre que se importa.


5. Lembre-se, a depressão é uma desordem química, isso significa que o milionário, o bonitão, a mulher capa de revista, o seu vizinho bem-sucedido, todos estão sujeitos a tê-la. É lógico que os acontecimentos tristes, os lutos e as perdas no geral favorecem o desencadeamento das doenças emocionais, mas isso não significa que esses fatores sejam obrigatórios para “justificar” o diagnóstico delas.


6. Talvez, essa pessoa tenha feito um grande esforço até tomar coragem de se expor, e se ela o escolheu, é porque o percebeu como merecedor da confiança dela. Não faça com que ela saia de perto de você pior do que chegou. Talvez, ela só queira ser ouvida. Pode ser que esteja cansada de ouvir que é forte. Ela só quer se sentir no direito de sentir-se triste.


Porque, sim, a depressão é um salto do fundo do poço que só nós somos capazes de dar. São as nossas pernas que nos impulsionam não a dos outros. Podemos estar cercados de amigos, procurar uma terapia, seja com um profissional seja com uma atividade, opções que são um suporte e amenizam a angústia, são máscaras de oxigênio diante desse afogamento na dor, mas somente nós mesmos podemos decidir buscar o ar lá no fundo e respirar para sair dessa.


As pessoas podem nos falar as melhores coisas, estender o braço para nos puxar dessa lama da alma, mas se a gente não levantar a mão e segurar firme, permaneceremos imersos em um mundo escuro, onde ninguém nos vê, de uma doença que é o mal do mundo e que somente a coragem de quem a tem é capaz de salvar.


Por isso, peça ajuda, sim, sem vergonha de estar deprimido, e o mais importante: aceite orientação, pois, no fim das contas, somos nossos próprios salva-vidas na depressão. Somos o motorista do nosso caminhão de dor.

Então, quando alguém o julgar, não desanime, apenas lembre-se de que: os caminhos mais difíceis nos levam aos melhore destinos. E se no meio da trilha o tempo virar, em vez de esperar a tempestade passar, dance na chuva!