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terça-feira, 29 de novembro de 2016

CARTA ABERTA A FHC QUE MERECE IR PARA OS LIVROS DE HISTÓRIA por Theotonio dos Santos

Uma das manifestações públicas mais demolidoras da nossa história política recente
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil


Segue uma Carta Aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor “notório saber” pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN.

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta. O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com vocêEm primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”.

ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID.

Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações.

A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONÔMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista.

E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

O BARATO SAI CARO: 14 PONTOS EM QUE NÃO SE DEVE ECONOMIZAR NA REFORMA


Perguntamos a escritórios de arquitetura e de design de interiores em quais situações o barato sai caro em uma reforma. Projeto, mão de obra e qualidade dos materiais foram os itens mais votados. Veja todas as respostas!


1. “Nunca se mude antes de a obra terminar” Carol Lovisaro, designer de interiores
Resolva as pendências, por menores que pareçam, antes de entrar no novo imóvel. Assim você poderá curtir a casa nova sem dor de cabeça. Outra dica: o item em que menos deve economizar é o piso. Se ele não for bom, com o passar do tempo você terá de fazer outra reforma.


2. “Não economize no projeto” Sarkis Semerdjian, arquiteto
Projeto com pouco desenho e pouco detalhamento gera confusão durante a obra e, consequentemente, custo extra para o cliente. O pacote de projetos é um documento formal que protege o morador de custos adicionais apresentados por empreiteiros e construtoras ao longo da execução. Caso algo não dê certo no final, o cliente pode exigir a entrega do que está previsto em projeto.

3. “Desconfie do faz-tudo” Robert Robl, arquiteto
Nunca faça uma obra com o faz-tudo que fulano indicou. Geralmente orço a obra com dois engenheiros de confiança. O valor é um pouco mais alto, mas, no total, sai mais barato do que os extras cobrados pelo faz-tudo do cliente. Sem contar que com o faz-tudo as listas de materiais são intermináveis: mais tinta, mais argamassa, mais isso, mais aquilo... Recomendo fazer a parte executiva com uma empresa de engenharia e execução, que fica oficialmente responsável pelos serviços de gesseiro, pintor, entre outros.

4. “Invista em metais sanitários economizadores e lâmpadas de led” Eduardo Bessa, arquiteto da Cactus Arquitetura
Sugiro não economizar em metais sanitários. Prefira os que controlam o fluxo de água, ainda que custem mais caro; eles resultarão em economia a longo prazo. O mesmo vale para o sistema de iluminação: prefira as lâmpadas de led. Embora sejam mais caras, elas fazem a diferença na sua conta de luz. Se o orçamento for apertado, cogite pintar os banheiros em vez de trocar os revestimentos.


5. “Espelho e papel de parede: invista” Flavia Sá, arquiteta
A qualidade do espelho só aparece após algum tempo de uso. Em áreas com umidade, o cromo descasca, deixando a superfície toda manchada, se não for de boa qualidade. Também não se pode economizar com o instalador de papel de parede. Já deparei com papel descolando na casa de um cliente porque o instalador havia aplicado o produto sobre tinta acrílica, o que não é recomendado (o correto é aplicá-lo sobre tinta PVA). O erro acarretou na perda do papel de parede importado.

6. Invista na contratação do arquiteto” Vanessa Féres, arquiteta
A pior economia é a feita com o arquiteto. Por ser um profissional flexível e gabaritado, ele pode indicar soluções adequadas e econômicas. Cliente de bom arquiteto nunca é cobaia. Quanto à obra, eu diria que o mais importante é analisar toda a parte hidráulica com muita atenção e verificar se as prumadas devem ser trocadas para não haver surpresas após a conclusão da reforma.

7. “Refazer sai mais caro” Silvana Lara Nogueira, arquiteta
Não vale a pena economizar no planejamento nem na qualidade dos materiais. Pense que a refação sairá mais caro. Não recomendo, por exemplo, reformar um banheiro sem trocar o encanamento e sem fazer uma boa impermeabilização.

8. “Não atropele o andamento da obra” Lucia Manzano, arquiteta e paisagista
Em uma construção ou reforma, as coisas têm uma ordem para acontecer. Quando essa ordem é atropelada, por pressa do cliente ou por falta de conhecimento de quem a está gerenciando, o trabalho de alguma forma precisa ser refeito. Também não economize na proteção das superfícies antes da pintura. Qualquer conserto em um móvel ou piso sairá mais caro do que o custo do material de proteção.

9. “Fuja dos amadores” Ieda Korman, arquiteta
Nunca contrate profissionais que não sejam especializados. Um mau pedreiro ou empreiteiro é o primeiro item de uma obra malfeita. Um projeto que não contempla futuros ajustes de componentes ou acabamentos pode comprometer totalmente o resultado de uma obra. Economizar no eletricista, no encanador e no pedreiro pode significar curto-circuito, risco de incêndio, vazamentos de gás ou de água. Cuidado também ao comprar um imóvel barato pensando em reformá-lo. Só faça isso após consultar um engenheiro ou um arquiteto. Há casos em que os problemas de estrutura, elétrica e até de hidráulica são irreversíveis.

10. “Gaste com os móveis da cozinha” Denise Monteiro, arquiteta
Um caso típico em que o barato sai caro é a marcenaria da cozinha. Contrate uma empresa especializada em cozinhas, que trabalhe com todos os acessórios e acabamentos adequados. Exija garantias e manutenções.

11. “Áreas úmidas precisam de revestimento” Vivian Coser, arquiteta da VCS Projetos
Não gosto de realizar pintura em ambientes úmidos. Nesses casos, a duração da tinta é curta e, geralmente, é necessário realizar nova pintura a curto prazo, o que acaba saindo mais caro do que utilizar revestimentos em todo o espaço. Vale a pena economizar na sofisticação dos acabamentos nas áreas de serviço, sem, porém, deixar de lado a qualidade. Pode-se optar por peças de design mais simples e de menor custo. Para o profissional de arquitetura, negociar com fornecedores e comprar maior quantidade de coisas em um mesmo lugar é uma atitude válida para economizar.

12. “Compre produtos certificados e use tinta adequada na área externa” Bianka Mugnatto, designer de interiores do escritório Interart
Não vale a pena pagar barato por produtos que não tenham certificação ou selos que garantam desempenho, qualidade e durabilidade. Na busca pela economia, muita gente acaba passando tinta látex à base de água na parte externa, se esquecendo de que, após uma chuva pesada, a pintura ficará danificada. É importante usar a tinta correta para cada ambiente, assim como prever os materiais ideais de acordo com a situação. Com o tempo, em uma região litorânea, uma luminária de ferro vai enferrujar. Embora sejam mais baratas, elas não têm a mesma resistência do alumínio.

13. “Projeto detalhado não deixa o orçamento estourar” João Conrado, arquiteto do escritório Conrado Ceravolo
Arquitetos Se for bem-feito e detalhado, o projeto ajuda a planejar a obra, colocar os custos na ponta do lápis e pensar nas possibilidades de dividir a empreitada em etapas, caso necessário. É possível gastar menos substituindo materiais, como o piso de porcelanato pelo cimento queimado, por exemplo, ou fazendo um armário com laterais e fundo de alvenaria para reduzir o volume de marcenaria.

14. “Materiais básicos devem ser de boa qualidade” Fernando Figoli, arquiteto do escritório Figoli-Ravecca
Não economize na qualidade dos produtos que pretende ter em sua obra. Isso vale desde o tijolo que vai ser usado para construir a parede, o material do mobiliário até, principalmente, os itens que ficam dentro das paredes, pisos e forros, como tubulações, material elétrico e de impermeabilização. Se forem de baixa qualidade, eles terão de ser substituídos em uma nova obra, e o custo de reposição vai ser alto. Gaste uma vez só!