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quinta-feira, 18 de agosto de 2022

NÃO CASE COM A MORTE (relacionamento com um NP - narcísico)

 



“Uma característica fundamental na personalidade narcisista é sua profunda falta de ressonância empática pelo outro, ainda que esse outro seja "o amor de sua vida".

A representação que ele faz do outro é colorida por seus próprios afetos. O narcisista, por estar dissociado de seus sentimentos, acredita que suas projeções sejam a verdadeira face da realidade.

Com isso, não vê o outro como um centro independente de iniciativa e percepção, isto é, como um self diferenciado, e sim como self-objeto. Incapaz de abarcar o outro em sua singularidade, o narcisista cria um personagem no lugar onde deveria existir um ser humano."

O ideal de nossa cultura está investido do narcisismo defensivo. Ele promove a imagem de um herói onipotente, sedutor e eternamente jovem. Tal ideal não leva à realização profunda do ser, mas compromete o desenvolvimento do autoconhecimento e da compaixão, que são expressões de uma psique madura, que transcendeu o narcisismo arcaico. Abordando o narcisismo pelo prisma arquetípico, o autor estuda o desenvolvimento da Consciência em seu caráter teleológico, isto é, direcionado a uma meta de expansão, por meio da elaboração simbólica. É no vínculo narcísico da relação entre o Eu e o Outro que a Consciência se forma pela ação dos arquétipos que a regerão. Contudo, qualquer abalo na dinâmica narcísica sujeito-objeto pode prejudicar a estrutura do Eu, fixando a Consciência. O narcisismo fixado e o criativo são, portanto, a pedra filosofal do estudo da psicodinâmica.


Pagina 187 do livro: Narcisismo e Espiritualidade, Roberto Rosas Fernandes.





sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A GERAÇÃO QUE TUDO IDEALIZA E NADA REALIZA por Marina Melz


Esta é a geração da minha filha Maria Tereza ... dedico a ela. 
Roberta Carrilho


Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem porquê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.

Entendemos que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thrru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.

Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento *Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
*CANVAS é uma ferramenta de planejamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócio novos ou existentes. 

Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.

Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.

Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.

Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.




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