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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O QUE VOCÊ GOSTARIA DE TER OUVIDO QUANDO ERA UM ESTUDANTE DE DIREITO?


Dedico a minha filha, Maria Eduarda Carrilho, para que ela possa escolher seu futuro profissional de forma consciente; que esta escolha possa trazer além da realização a alegria de fazer o que gosta, ser feliz. Eu torço muito por ela. Sempre! Amo muito você, filha.

Mamãe

Minha filha, Maria Eduarda Carvalho Carrilho Clebicar Nogueira 


Foi pensando nessa pergunta que escrevi esses conselhos com coisas que ouvi (mas não segui) ou gostaria de ter ouvido durante a faculdade. São conselhos que valem para os vestibulandos, estudantes do início da faculdade, formandos, jovens advogados, servidores públicos… enfim, para todos que respiram.



1. Leia de tudo

Veja o que eu disse: “leia de tudo”.


“Evinilson (as pessoas erram meu nome…), quer dizer que devo ler todas as matérias jurídicas?”. Não. Leia de tudo!

“Quer dizer Filosofia, Sociologia e Política?”. Novamente, não. Leia TUDO!

Quando digo tudo, quero dizer não apenas Direito, mas também Filosofia, Sociologia, Português, Literatura, Política, Física, Química, Biologia, Economia, Administração, Marketing, notícias, Revista Donna, gibis da Turma da Mônica e tudo mais que aparecer na sua frente. Qualquer leitura, ainda que aparentemente inútil, vai agregar algum conhecimento que, cedo ou tarde, será utilizado. Você só ligará os pontos no futuro.

No início da faculdade, estava na biblioteca estudando para uma prova. Vi que alguém havia deixado em cima da mesa um livro de uma disciplina que eu estudaria apenas alguns semestres depois. O título chamou a minha atenção. Então li por uns 30 minutos as partes que considerava mais importantes. Alguns anos depois, estava sentado diante de uma seleta banca de examinadores na prova oral da Defensoria. Em uma das respostas, mencionei esse livro. O examinador me interrompeu perguntando se eu tive acesso a essa obra. Respondi que sim e, então, ele sorriu.

No futuro, você ouvirá – se ainda não ouviu – sobre interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e transdisciplinaridade. Em termos gerais, essas palavras significam a utilização de várias matérias diferentes para analisar algo. O profissional do presente já necessita dessas habilidades. O do futuro não sobreviverá no mercado sem elas.

Imagine conseguir relacionar a interpretação de um dispositivo legal com um texto literário, como Os miseráveis. Ou pensar na estrutura do Judiciário por meio de conceitos biológicos. Se isso não te interessa, veja por outro lado: quanto mais temas diferentes você ler, mais conteúdo terá para conversar com seus clientes, empregadores e colegas de profissão no futuro.


2. Vá aos livros, mas não tire os olhos da vida
Essa é uma frase autoexplicativa que ouvi do meu professor e amigo Hélio Coelho, mas, por algum tempo, não a apliquei na minha vida.

Busque o conhecimento, estude, atualize-se, mas não se permita ser um técnico desumano. Os livros apenas fornecem o conhecimento, mas é a vida que nos ensina o que fazer com ele.

Viver para os livros e não trazer os livros para a vida é um enorme perigo. Com o tempo, você verá apenas folhas de papel e letras em Arial 12, esquecendo-se de que, por trás de tudo isso, há pessoas concretas, de carne e osso, cujas vidas dependem do resultado desse processo.

Se você pretende advogar, precisará estudar muito, mas também deve estar inserido na sociedade, participar de eventos e de associações, conhecer pessoas etc. Há um ditado que diz: quem não é visto não é lembrado.


3. Saiba que seus únicos "patrimônios" são: nome, conhecimento e pessoas.
Quanto ao seu nome, refiro-me à forma como a sociedade te enxerga. Isso demora vários anos para ser construído e apenas alguns segundos para ser destruído. Seja e transmita a ideia de que você é responsável, honesto e ético. Isso vale para quem vai passar por uma investigação de vida pregressa em algum concurso ou para quem quer construir uma carreira sólida na iniciativa privada.

O conhecimento é seu instrumento de trabalho em qualquer carreira que você desejar seguir. Se você perder tudo, mas ainda tiver conhecimento, reconstruirá tudo que perdeu. Qualifique-se continuamente. De preferência, especialize-se e busque a excelência em determinada área, sem, contudo, deixar de ler outras disciplinas.

Há várias frases sobre a importância das pessoas na sua vida profissional e pessoal. Uma delas diz que “você é a média das 5 pessoas com quem mais convive”. Outra é que “se você quiser ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá acompanhado.” Valorize as pessoas que estão ao seu lado desde o início, traga novas pessoas para a sua jornada e entenda que pessoas valem muito mais do que coisas.


4. Pense na vida que você quer ter antes de pensar no dinheiro que quer receber
Não estou dizendo que pensar no salário, honorários, subsídios ou qualquer coisa semelhante não seja relevante. Apenas entendo que você deva considerar a vida que quer ter antes de pensar especificamente nisso.

Quando fui Defensor Público, ouvi alguém me dizendo “por quanto você vendeu o seu maior sonho?”. Como diz o Clóvis de Barros Filho, “isso fere a alma”. Se você pensar em dinheiro antes de pensar no seu sonho ou na vida que deseja, essa pergunta sempre valerá para você. Você estará trocando seu sonho por um valor mensal. Isso é permitido, mas não é recomendável.

E não pense que você está trocando seu sonho pela única oportunidade que existe. Não há falta de oportunidades, mas sim falta de conhecimento sobre as oportunidades que existem. Costumo dizer que temos poucas opções: aquela que pensamos ser a única e todas as outras. Felizmente, você está no curso que oferece mais oportunidades.


5. Ouça os mais experientes.
Primeiro, não tenha medo de pedir conselhos e fazer perguntas a pessoas que estão em um nível profissional acima do seu. Essas pessoas estão sempre dispostas a abrir um espaço na agenda para conversar sobre os desafios que enfrentaram e dar suas valiosas opiniões.

Eu me lembro de que, no quarto semestre da faculdade, enviei um e-mail para um renomado autor de Direito Civil com uma pergunta. Estava muito preocupado com os termos que usaria, se chamaria de doutor, professor ou Excelência. No final, a resposta veio em menos de 24 horas em tom absolutamente informal.

Quando alguém me manda mensagem perguntando sobre tema do TCC ou algo parecido, normalmente minhas respostas têm 10 vezes o número de linhas da pergunta. Alguém pedir a sua opinião é uma das maiores formas de elogio que existe.

Dedique um tempo para conversar com essas pessoas mais experientes, pergunte qual é a melhor lição que poderiam te passar nesse momento e ouça atentamente. Se não conseguir encontrá-las, vá à Subseção da OAB de sua cidade ou à sede da Seccional do seu Estado. Tente fazer uma entrevista com o membro do Judiciário, do Ministério Público ou da Defensoria Pública da sua cidade.

Vamos fazer um desafio? Envie hoje uma mensagem ou um e-mail para alguém mais experiente que você. Pode ser seu ídolo em determinada disciplina, o seu autor favorito ou aquele professor que você pensa ser inacessível. E depois me diga se ele respondeu.


6. Ajude os menos experientes
Enquanto você está na faculdade, faça grupos de estudos, ofereça-se para ser monitor e ensine quem tem alguma dificuldade em determinada matéria. Depois de formado, dê aulas e palestras, ensine e seja voluntário em tudo que você puder.

Se os conselhos 5 e 6 forem aplicados conjuntamente, muitos procurarão os mais experientes e outros ajudarão os menos experientes, criando uma grande corrente do bem. A comunidade jurídica ficará muito mais qualificada e fortalecida.

Nem se cogite a ideia de que, ajudando os menos experientes, você terá mais concorrentes no futuro. Na verdade, é muito provável que o seu colega ajudado se transforme em um parceiro futuramente. Quando você ajuda alguém, o seu nome (conselho 3) passa a ter um novo defensor, alguém para dizer o quanto você é competente e altruísta. Sobre isso, recomendo a leitura do livro “Dar e receber”, de Adam Grant.

Na área criminal, esse tratamento fidalgo é percebido de forma mais fácil. Basta lembrar que o grande Criminalista Márcio Thomaz Bastos, no auge da sua carreira, dedicava-se a ensinar aos mais jovens e fazer parcerias com eles. Os bons Criminalistas gostam de ensinar e admiram os seus mentores do passado ou do presente.


7. Saia da zona de conforto todos os dias
Há praticamente 1 milhão de advogados no Brasil. O número de bacharéis em Direito é significativamente superior a isso. No meio dessa multidão, você pode ser apenas mais um ou pode buscar aquele desejável ponto acima da média.

A zona de conforto é onde o mediano/medíocre se encontra. Por outro lado, o desconforto é aquele ponto doloroso em que os verdadeiros resultados acontecem. A busca pela concretização de suas metas depende da constância desses projetos e desse desconforto. Se você quer conseguir um estágio, procure por uma vaga todos os dias. Se pretende passar em um concurso, dedique-se diariamente pelo tempo que for necessário.

Tudo que você fizer contribui ou não para alcançar o resultado que você deseja. Não existe meio-termo.

Se você não sente desconforto enquanto estuda, provavelmente não está dando o seu máximo. O desconforto é o melhor termômetro de nossa dedicação. Para um advogado, por exemplo, o conforto é ficar sentado no escritório vendo o tempo passar. Evidentemente, isso não é dedicação.

Busque superar os seus limites todos os dias. Estude um pouco mais do que você aguenta e não fique restrito às anotações da aula. Faça perguntas durante a aula, mesmo que seu coração fique acelerado e você comece a gaguejar. Seja hoje melhor do que foi ontem.


8. Não pense em cedo/tarde ou novo/velho
Alguns pensam que são novos demais ou que é muito cedo para fazer algo. Não existe “cedo”. A resposta é muito simples: não há treino para a vida. Tudo é vida. E fazer algo imperfeito é melhor do que não fazer aquilo que você imagina ser perfeito. Em outros termos, feito é melhor do que perfeito.

Portanto, faça aquela prova de estágio para a qual você imagina que não está preparado. Inscreva-se no concurso mesmo sem ter estudado por muito tempo. Faça a prova da OAB na primeira oportunidade em que isso for possível. Arrisque-se! Se você não tentar, terá 0% de chance de conseguir qualquer coisa.

Também não pense que é tarde ou que está velho demais para algo. A idade é apenas um número. O Direito é uma atividade intelectual e, enquanto você tiver ideias, ainda dá tempo de advogar, fazer concurso, publicar algo, dar aula e, principalmente, viver.

Em suma, afaste do seu vocabulário essas noções de tempo. Apenas faça o que precisa fazer neste exato momento.


9. Não seja tão dependente do impulso dos outros
Se você for sempre dependente do impulso de professores e orientadores, ficará desnorteado depois que o curso terminar. O seu curso durará 5 anos, mas seu período de aprendizagem terá inúmeras décadas.

Treine a habilidade de aprender sozinho e independentemente da cobrança de terceiros. Há um ditado que diz: “quem faz a faculdade é o aluno”. Assim, leia livros que seu professor não recomendou, revise as matérias que você já teve na faculdade, estude por conta própria aquelas matérias que você ainda não teve e leia os clássicos mesmo que seu professor indique livros esquematizados, mastigados ou resumidos.

Se deseja ser Advogado Criminalista no futuro, leia tudo sobre os autores garantistas, entenda os pensamentos punitivistas e não se limite a ler ementas ementas de decisões, pois os votos vencidos podem ser uma enorme vantagem para o Criminalista.

Você é o maior interessado no seu sucesso.



Advogado. Mestre em Direito. Pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal. Professor de Direito.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A MULHER DE ATITUDE NÃO É PARA QUALQUER UM ! por Bendita Cuca


Recebi este texto pelo face e resolvi publicá-lo aqui no blog para uma reflexão. Tenho uma filha com 23 anos e ela está muito ligada ao movimento feminino. Observo e quando tenho espaço coloco minhas observações. Eu particularmente não gosto deste estilo feminaze!! Sou e estou mais pra mulherzinha mesmo... e gosto em ser assim. Sou uma mulher com atitudes de uma mulher com seus 44 anos de vida. Não tenho mais aquelas necessidades de outrora mas uma coisa eu tenho necessidade em ser tratada como mulher e não uma réplica de um homem em pé de igualdade. Não somos iguais! Ponto! Eles são homens e eu sou mulher e cada um tem o seu lugar. Roberta Carrilho



A verdade é que mulher de atitude é aquela que abriu mão. Abriu mesmo, sabe? Não, ela não se maquia mais como antes, nem está sempre de salto. Se libertou de qualquer relação afetiva com seu cabelo. Definitivamente, não nasceram um para o outro. Se curou da sua compulsão por etiquetas em roupas, sapatos, bolsas. Argh! O problema não eram os objetos, mas as etiquetas. Assim que ela as tirava, não os tinha com o mesmo prazer que os via. Agora está a salvo.

Abriu mão da postura imaculada, da cara amarrada. Passou a sorrir mais para estranhos, fazer mais amigos e menos contatos. Abriu mão da regalia exposta, se apaixonou pelo simples, pelo menos. Pelo dela, por ser ela. Um preço que quase ninguém quer pagar. Cansou dessa ciranda de sorrisos plásticos. Se mulher direita é assim, ela é assado; esquerda liberalista. Errada, contrariada. Ela é o oposto, o desgosto. Geralmente identificada como a louca. Não liga. Louca lhe cai bem, afinal.

Uma vez, ouviu de colega que ela devia “assustar os homens com seu jeito”, prontamente respondeu que selecionava os homens com seu jeito. Ela fala palavrão mesmo, e é escandalosa, conversa com deus e o mundo, teima em ser o centro das atenções. Em termos de bebida, ela coloca muito macho no bolso. Mas também sabe fazer outras coisas das quais eles se orgulhariam. Se toda casa tem que ter um homem, ela se dispôs a ser ele desde cedo. E não é só isso: ela liga no dia seguinte, puxa papo e, se der na telha, também dá em cima. Paga a própria conta – e a dele – dá um jeito para qualquer mau humor, mas principalmente, mau olhado. Se tem uma coisa que não se preocupa nem um pouco é como está sendo vista – ou falada.

De fato, encontrar alguém a sua altura é difícil. Não por ela, não lhe entenda mal. Mas por eles. Eles não querem uma mulher que seja pau a pau, que domine, que leve pra sua roda de amigas, que saia pra tomar sua cervejinha sozinha, que não o espere em casa assistindo novela enquanto ele está na pelada com os amigos. O que eles querem é a Sandy. A submissa, a quietinha, a que tenha um passado que não lhe condene. O dela arde em chamas; ela é o capeta de saias.

A mulher de atitude é um desafio, dá trabalho. Os clichês não lhe convencem, é preciso ter essência. Dispensa compatibilidade de gostos, o que ela busca são planos que se casem. Se quiser mantê-la não a prenda, nem sequer seus cadarços são amarrados. Se a vir partir não a pare, se lhe convir, ela vai voltar sem aviso prévio. Rejeita a premissa de carência afetiva, não se pode sentir falta do que nunca se teve. Ela não é reflexo, é ato. Não é vulgar, mas tem o sal que falta nas mulheres doces.

Já abriu mão daquela história de príncipe encantado, de cara certo, de opostos que deveriam se atrair. Seu santo não tem o pau oco, é recheado de memórias. Tem um orgulho inenarrável de todas as conjecturas talhadas pela vida por amores roubados, por amizades perdidas, por dinheiro gasto. Ela é pesada, ainda traz no lombo o fardo de suas asas cortadas. Não se esquece a dor da noite para o dia, é preciso senti-la e vê-la partir. Não pode fingir que não viveu tudo que já fez. Seria uma imensa grosseria com todos os anos cicatrizados na pele como marcas de sol. Não apagaria seu passado nem se pudesse. É dela, tão ela, quanto cada sorriso que guarda na lembrança de qualquer passo atravessado.

A verdade é que ela abriu mão. Abriu mesmo, sabe? Não, não se maquia mais como antes, pois procura por quem não tenha medo de ver seus olhos fartos. Nem está sempre de salto, já tem a cabeça na lua enquanto seus pés saltitam pela rua. Ela dispensa homem sem coragem. Antes uma vida só do que uma mentira a dois.