sexta-feira, 13 de junho de 2014

FILME: A CULPA É DAS ESTRELAS (doentes de amor) - crítica por Cinema de Buteco

Programando ir a Divinópolis assistir ...
Itaúna não tem cinemas - INFELIZMENTE!
Roberta Carrilho





A PRIMEIRA COISA A SE DIZER SOBRE A ADAPTAÇÃO DE A CULPA É DAS ESTRELAS é que se trata de uma obra para ser sentida. Ela precisa da sua atenção. Em troca, garanto que você receberá uma história delicada e com um enorme potencial para te fazer se apaixonar pela ideia de estar vivo. Mais ainda, pela ideia de saber que você pode ter vivido uma história com alguém e cativado essa pessoa tanto quanto Hazel e Gus, nossos protagonistas, fizeram um com o outro. As lágrimas podem vir, mas caso não molhem o seu rosto, é garantido que a lição de vida apresentada na obra escrita por John Green permanecerá em sua lembrança por um tempo considerável.

Lançado no Brasil em 2012, pela editora Intrínseca, A Culpa é das Estrelas logo se tornou um best-seller. Na mesma época, na verdade até um pouco antes do lançamento do livro no exterior, já começaram os boatos sobre a adaptação. A curiosidade me motivou a ir atrás de um novo título do autor que já havia me conquistado em Quem é Você, Alasca?, uma obra definitivamente superior ao brilho encontrado em A Culpa é das Estrelas. Enfim. Para quem ainda não sabe, a trama apresenta Hazel (Shailene Woodley), uma jovem adolescente com câncer terminal, que conhece e se apaixona por um carismático jovem chamado Gus (Ansel Elgort). Juntos, o casal acaba descobrindo o prazer pela vida e pelo amor, à medida em que ambos se apaixonam.

Adaptar um livro tão amado poderia ser uma missão ingrata. O caso mais recente de fracasso foi A Menina Que Roubava Livros, que gerou um longa-metragem medíocre. Felizmente, o cineasta Josh Boone (que acabei apresentando equivocadamente como um diretor estreante no nosso videocast, quando na verdade queria ter falado que ele nunca havia produzido nada relevante para o mercado até esse momento) conseguiu acertar a mão e oferecer algo para fã nenhum botar defeito. Na verdade, vou mais longe e afirmo que o longa-metragem foi mais tocante que o livro. Acompanhar a jornada de descobertas da vida através de dois adolescentes tão apaixonantes e inexperientes é uma experiência única. Boone acertou ao apresentar seus personagens lentamente, o que apenas tornou tudo mais natural, e fatalmente, ainda mais doloroso. Afinal, como é possível resistir ao humor sarcástico de Hazel ou ao charme de Gus? Como espectadores, sentimos cada dor, cada alegria, cada momento vivido pela dupla. E sofremos juntos. Ficamos apaixonados juntos.


Shailene Woodley cumpre o seu papel como protagonista com uma segurança digna de atrizes com mais tempo de estrada. Após surgir tímida em Os Descendentes e ter um papel importante no sensacional The Spectacular Now, e de ser uma das coisas menos frustrantes de Divergente, ela acerta ao dividir momentos de tristeza, conformismo e serenidade com os tradicionais vulcões hormonais que enlouquecem qualquer adolescente. Seu companheiro de cena, Ansel Elgort, não fica atrás. Bonito e charmoso, ele encarna perfeitamente o adolescente comum que se sente imortal depois de superar os obstáculos e com a certeza de que encontrou a mulher de sua vida. E sua transformação durante o longa-metragem é provavelmente o motivo principal que torna A Culpa é das Estrelas tão emocionante. Não se pode deixar de mencionar a participação breve de Willem Dafoe, que age como uma verdadeira metralhadora verbal de frieza e crueldades contra o espírito jovem e apaixonado do casal. Sem dúvida, é a melhor caracterização do original para as telonas.

A trilha sonora é bem moderninha, o que pode causar total estranhamento para quem não acompanha muito os artistas que fazem a cabeça dos jovens da geração Y. Está bem longe de ser ruim, mas pessoalmente, é sempre estranho assistir a um filme com tamanho potencial pop e não incluir nenhum artista realmente conhecido no meio da seleção musical. Faltou um elemento musical forte para chamar a responsabilidade para si. Existem faixas inspiradas, mas nada grandioso o bastante para se tornar tão inesquecível quanto o filme em si. “All of the Stars”, de Ed Sheeran, é a que chega mais próximo disso.


A experiência de assistir A Culpa é das Estrelas me remeteu ao igualmente sensível Diário de Uma Paixão, estrelado por Ryan Gosling. Talvez pela impressão de que os amores mais fortes são aqueles que passam por nós como um cometa. Não precisam necessariamente chegar ao fim, mas representam uma quantidade imensurável de emoções que nos tiram do rumo. Marcam as nossas vidas para sempre. Se em Diário de Uma Paixão assistimos a uma das histórias de amor mais lindas que o cinema produziu nos anos 2000 (pasmem: o longa é inspirado num livro do brega Nicholas Sparks), com um interessante diálogo entre a relação do amor com o sacrifício pessoal, em A Culpa é das Estrelas somos agraciados com a representação da fagulha inicial, aquele foguinho louco que crescemos ouvindo os outros falando e que duvidamos da existência até que ela surge em nossa frente. E tudo isso, num cenário triste em que o amor é o único alívio para a certeza maior da vida de nossos protagonistas.

Como escrevi no começo da crítica, A Culpa é das Estrelas é para ser sentido. Ainda que isso implique na possibilidade de você começar a soluçar de tanto chorar no cinema. O importante é sentir.

Assista ao trailer:






segunda-feira, 9 de junho de 2014

ANDA LOGO! SE NÃO ... uma bela lição de vida da especialista na arte de viver por Rachel Macy Stafford





O texto abaixo foi publicado originalmente em inglês no blog “Hands free mama” e é de autoria de Rachel Macy Stafford, uma professora de educação especial. A tradução para o português foi feita pela equipe do Portal Aprendiz. Clique aqui para ler o texto original no inglês.



Quando se está vivendo uma vida distraída, dispersa, cada minuto precisa ser contabilizado. Você sente que precisa estar cumprindo alguma tarefa da lista, olhando para uma tela, ou correndo para o próximo compromisso. E não importa de quantas maneiras você divide o seu tempo e atenção, não importa quantas obrigações você cumpra em modo multi-tarefa, nunca há tempo suficiente em um dia.

Essa foi minha vida por dois anos frenéticos. Meus pensamentos e ações foram controlados por notificações eletrônicas, toques de celular e uma agenda lotada. Cada fibra do meu sargento interior queria cumprir com o tempo de cada atividade marcada na minha agenda super-lotada, mas eu nunca conseguia estar à altura.





Sempre que minha criança fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.”

Veja bem, seis anos atrás, eu fui abençoada com uma criança tranquila, sem preocupações, do tipo que para para cheirar flores. 

Quando eu precisava sair de casa, ela estava levando seu doce tempo pegando uma bolsa e uma coroa brilhante. Quando eu precisava estar em algum lugar há cinco minutos, ela insistia em colocar o cinto de segurança em seu bichinho de pelúcia. Quando eu precisava pegar um almoço rápido num fast-food, ela parava para conversar com uma senhora que parecia com sua avó. Quando eu tinha 30 minutos para caminhar, ela queria que eu parasse o carrinho e acariciasse todos os cachorros em nosso percurso. Quando eu tinha uma agenda cheia que começava às 6h da manhã, ela me pedia para quebrar os ovos e mexê-los gentilmente.

Minha criança sem preocupações foi um presente para minha personalidade apressada e tarefeira – mas eu não pude perceber isso. Ó não, quando se vive uma vida dispersa, você tem uma visão em forma de túnel – sempre olhando para o próximo compromisso na agenda. E qualquer coisa que não possa ser ticada na lista é uma perda de tempo.

Sempre que minha criança fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.” Consequentemente, as duas palavras que eu mais falava para minha pequena amante da vida eram: “anda logo”.

Eu começava minhas frases com isso:
Anda logo, nós vamos nos atrasar.

Eu terminava frases com isso:
Nós vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu terminava meu dia com isso.
Anda logo e e escove seus dentes. Anda logo e vai pra cama.

Ainda que as palavras “anda logo” fizessem pouco ou nada para aumentar a velocidade de minha filha, eu as dizia de qualquer maneira. Talvez até mais do que dizia “eu te amo”.


Anda logo!

A verdade machuca, mas a verdade cura… e me aproxima da mãe que quero ser.

Até que em um dia fatídico, as coisas mudaram. Eu havia acabada de pegar minha filha mais velha de sua escola e estávamos saindo do carro. Não indo rápido o suficiente para o seu gosto, minha filha mais velha disse para sua irmã pequena, “você é lenta”. E quando, após isso, ela cruzou seus braços e soltou um suspiro exasperado, eu me vi – e foi uma visão de embrulhar as tripas.

Eu fazia o bullying que empurrava e pressionava e apressava uma pequena criança que simplesmente queria aproveitar a vida. Meus olhos foram abertos; eu vi com clareza o dano que minha existência apressada estava causando às minhas duas filhas.

Com a voz trêmula, olhei para os olhos da minha filha mais nova e disse: “Me desculpe por ficar fazendo você se apressar, andar logo. Eu amo que você, tome seu tempo e eu quero ser mais como você”.

Ambas me olharam surpresas com a minha dolorosa confissão, mas a face da mais nova sustentava o inequívoco brilho da aceitação e do reconhecimento.

“Eu prometo ser mais paciente daqui em diante”, disse enquanto abraçava minha filha de cabelos encaracolados. Ela estava radiante diante da promessa recém-descoberta de sua mãe.

Foi bem fácil banir o “anda logo” do meu vocabulário. O que não foi tão fácil foi adquirir a paciência para esperar pela minha vagarosa criança. Para nos ajudar a lidar com isso, eu comecei a lhe dar um pouco mais de tempo para se preparar se nós tivéssemos que ir a algum lugar. Algumas vezes, ainda assim, ainda nos atrasávamos. Foram tempos em que eu tive que reafirmar que eu estaria atrasada, nem que se fosse por alguns anos, se tanto, enquanto ela ainda é jovem.

Quando minha filha e eu saíamos para caminhar ou íamos até a loja, eu deixava que ela definisse o ritmo. Toda vez que ela parava para admirar algo, eu afastava os pensamentos de coisas do trabalho e simplesmente a observava as expressões de sua face que nunca havia visto antes. Estudava com o olhar as sardas em sua mão e o jeito que seus olhos se ondulavam e enrugavam quando ela sorria. Eu percebi que as pessoas respondiam quando ela parava para conversar. Eu reparei como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela é uma observadora, e eu rapidamente aprendi que os observadores do mundo são presentes raros e belos. Foi quando, finalmente, me dei conta de que ela era um presente para minha alma frenética.

Minha promessa de ir mais devagar foi feita há quase três anos e ao mesmo tempo eu comecei minha jornada de abrir mão das distrações diárias e agarrar o que importa na vida. E viver num ritmo mais devagar demanda um esforço concentrado. Minha filha mais nova é meu lembrete vivo do porquê eu preciso continuar tentando. E de fato, outro dia, ela me lembrou de novo.

Nós duas estávamos fazendo um passeio de bicicleta, indo para uma barraquinha de sorvetes enquanto ela estava de férias. Após comprar uma gostosura gelada para minha filha, ela sentou em uma mesa de piquenique e observou deliciada a torre gélida que tinha em suas mãos.

De repente, um olhar de preocupação atravessou seu rosto. “Devo me apressar, mamãe?”

Eu poderia ter chorado. Talvez as cicatrizes de uma vida apressada nunca despareçam completamente, pensei, tristemente.

Enquanto minha filha olhava para mim esperando para saber se ela poderia fazer as coisas em seu ritmo, eu sabia que eu tinha uma escolha. Poderia continuar sentada ali melancolicamente lembrando o número de vezes que eu apressei minha filha através da vida… ou eu poderia celebrar o fato de que hoje estou tentando fazer as coisas de outra forma.

Eu escolhi viver o hoje.

“Você não precisa se apressar. Tome seu tempo”, eu disse gentilmente. Toda sua cara instantaneamente abrilhantou-se e seus ombros relaxaram.

E então ficamos sentadas, lado a lado, falando sobre coisas que crianças de 6 anos que tocam 'ulele' gostam de falar. Houve momentos em que ficamos em silêncio, sorrindo uma para a outra e admirando os sons e imagens ao nosso redor.

Eu imaginei que ela fosse comer todo o sorvete – mas quando ela chegou na última mordida, ela levantou uma colheirada repleta de cristais de gelo e suco para mim. “Eu guardei a última mordida pra você, mamãe”, disse orgulhosa.

Enquanto aquela delícia gelada matava minha sede, eu percebi que consegui um negócio da China. Eu dei tempo para minha filha e em troca ela me deu sua última mordida de sorvete e me lembrou que as coisas tem um gosto mais doce e o amor vem mais dócil quando você para de correr apressada pela vida.

Seja comendo sorvete, pegando flores, apertando o cinto de bichinhos de pelúcia, quebrando ovos, encontrando conchinhas, observando joaninhas ou andando na calçada. Nunca mais direi: “Não temos tempo pra isso”, pois é basicamente dizer que não se tem tempo para viver.

Tomar seu tempo, pausar para deleitar-se com as alegrias simples da vida é o único jeito de viver de verdade – acredite em mim, eu aprendi da especialista mundial na arte de viver feliz.

Especialista na arte viver










sexta-feira, 6 de junho de 2014

PENSAR ESTÁ SE TORNANDO ALGO OBSOLETO por Thomas Sowell um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford


"Mui embora a fonte desse documento seja de uma entidade que visa à defesa da propriedade privada e da não intervenção do Estado na economia, o texto em si eu gostei". João Antônio Corrêa Filho ----- eu também Roberta Carrilho (como sempre Joãozinho temos afinidades em nossos gostos e desgostos - risos!)



Embora seja humanamente impossível responder a todos os e-mails e cartas que os leitores me enviam, muitos deles são bastante interessantes e intelectualmente instigantes, tanto no sentido positivo quanto no sentido negativo.

Por exemplo, um jovem me enviou um e-mail pedindo as fontes em que eu havia me baseado para citar alguns fatos negativos sobre o desarmamento em um artigo recente. É sempre bom checar os fatos — especialmente se você checar os fatos de ambos os lados da questão. 

Em contraste, um outro sujeito simplesmente me criticou por tudo o que eu havia dito nesse artigo. Ele não pediu as minhas fontes e nem quis saber se elas existiam; ele simplesmente saiu fazendo afirmações em contrário, como se essas suas assertivas fossem automaticamente corretas pelo simples fato de estarem sendo pronunciadas por ele, algo que, em sua mente, invalidaria automaticamente tudo o que eu havia escrito. 

Ele se identificou como médico, e as alegações que ele fez sobre armas eram as mesmas que haviam sido feitas anos atrás em uma revista médica — alegações que já foram inteiramente desacreditadas desde sua publicação. Ele poderia ter aprendido isso caso houvesse me dado a oportunidade de responder às suas provocações, de um modo que nos engajássemos em um debate. Porém, ele próprio deixou claro desde o início que sua carta não tinha o objetivo de gerar um debate, mas sim apenas de me acusar e me denunciar. 

Esse tipo de comportamento se tornou um procedimento padrão no mundo atual.

É sempre surpreendente — e apavorante — constatar quantos assuntos extremamente sérios não são discutidos seriamente hoje em dia; as pessoas simplesmente saem emitindo afirmativas e contra-afirmativas, tudo de maneira generalizada. Seja em debates de internet ou até mesmo em programas de televisão, as pessoas simplesmente tentam calar seu opositor falando mais alto do que ele ou simplesmente recorrendo a frases de efeito de cunho emotivo.

Há inúmeras maneiras de fazer parecer que se está argumentando sem que na realidade se esteja produzindo absolutamente nenhum argumento coerente.

Décadas de educação escolar e universitária simplificada — para não dizer idiotizante — certamente têm algo a ver com a atual situação, mas isso não explica tudo. A educação não somente foi negligenciada no sistema educacional atual, como também já foi quase que completamente substituída pela doutrinação ideológica. A doutrinação que hoje é feita por professores e instituições supostamente educacionais é amplamente baseada na simples vocalização das mesmas pressuposições básicas e não-comprovadas de sempre.

Se as instituições educacionais de hoje — desde escolas a universidades — estivessem tão interessadas em diversidade de ideias quanto estão obcecadas com diversidade racial e sexual, os estudantes ao menos adquiririam experiência ao ver as pressuposições que existem por trás de diferentes visões, e entenderiam a função da lógica e da evidência ao debaterem tais diferenças. No entanto, a realidade é que um estudante pode passar por todo o seu ciclo educacional, desde o jardim de infância até seu doutoramento, sem entrar em contato com absolutamente nenhuma visão de mundo que seja fundamentalmente diferente daquela que prevalece dentro do espectro de opiniões autorizadas e politicamente corretas que domina o nosso sistema educacional. 

No que mais, a perspectiva moral da visão ideológica predominante é completamente maniqueísta: as pessoas imbuídas dessas ideias realmente se veem como anjos combatendo todas as forças do mal — seja o assunto em questão o desarmamento, o ambientalismo, o racismo, o homossexualismo, o feminismo ou qualquer outro ismo.

Um monopólio moral é a antítese de um livre mercado de ideias. Um indicativo desta noção de monopólio moral dentre a intelligentsia esquerdista é o fato de que as instituições que estão majoritariamente sob seu controle — escolas, faculdades e universidades — são justamente aqueles que usufruem muito menos liberdade de expressão do que o resto da sociedade.

Por exemplo, ao passo que a defesa e até mesmo a promoção da homossexualidade é comum nos campi universitários — e comparecer a palestras e aulas que fazem tal promoção é frequentemente algo obrigatório nos cursos introdutórios —, qualquer crítica ao comportamento homossexual é imediatamente rotulada de "reacionarismo", "preconceito" e "incitação ao ódio", sujeita a imediata punição.

Enquanto porta-vozes de vários grupos raciais e étnicos são livres para denunciar com veemência "os brancos" por seus pecados passados e presentes, verdadeiros ou imaginários, qualquer estudante branco que similarmente venha a denunciar as transgressões ou os desvarios de grupos não-brancos garantidamente será punido, se não expulso. 

Até mesmo estudantes que não defendem ou não promovem absolutamente nada podem ter de pagar um preço caso não concordem com a lavagem cerebral que ocorre nas salas de aula. Recentemente, nos EUA, um aluno da Florida Atlantic University que se recusou a pisotear um papel em que estava escrito a palavra "Jesus", a mando de seu professor, foi suspenso pela universidade. Felizmente, a história veio a público e gerou uma onda de protestos fora do mundo acadêmico. 

A atitude deste professor pode ser descartada e ignorada como sendo um caso isolado de extremismo, mas o fato é que o establishment universitário saiu solidamente em sua defesa e atacou implacavelmente o estudante. Tal atitude mostra que a podridão moral que impera na academia vai muito mais além do que um simples professor adepto da doutrinação e da lavagem cerebral. 

Estamos hoje vivenciando todo o esplendor do anti-intelectualismo que se espalhou por metástase ao longo de todo o mundo acadêmico. As universidades se tornaram tão dominadas por uma insistência na inviolabilidade de um determinado pensamento grupal, que qualquer professor "forasteiro", que não compactue com a predominância deste pensamento gregário, não mais pode falar a respeito de um determinado assunto sem antes ter sido devidamente credenciado por seus pares. Uma simples pesquisa sobre o tratamento dispensado a acadêmicos que ousam questionar a santidade do aquecimento global mostra bem esse ponto. 

Já houve uma época em que um curso universitário era considerado um meio de introduzir as pessoas a uma ampla gama de assuntos que lhes permitiria pensar e falar inteligentemente sobre várias questões que estivessem afetando suas vidas. O pensamento coletivista — que hoje é predominante no meio universitário — rejeita tal ideia, conferindo o monopólio de determinadas questões apenas àquelas pessoas que são reconhecidas como "especialistas" por seus pares. 

Este método educacional que recorre à intimidação e à simples repetição de frases de efeito de cunho emocional evidencia a completa falência do sistema educacional. Se professores universitários — teoricamente a nata intelectual da sociedade, pessoas que por vocação e profissão deveriam ser as mais rígidas seguidoras do rigor intelectual — agem assim, como podemos esperar que o restante da população apresente discernimentos mais profundos?

Para sobreviver e progredir, seres humanos precisam saber pensar. Porém, estamos cada vez mais terceirizando esta função para acadêmicos, que por sua vez pautam o conteúdo da mídia. Tal terceirização de pensamento ajuda a explicar por que há hoje uma escassez de pensamentos originais e significativos. 

O fracasso do sistema educacional vai muito além da ausência de um aprendizado útil. O real fracasso está naquilo que de fato é ensinado — ou melhor, doutrinado — nas salas de aula, algo evidenciado pelos formandos que as universidades cospem para o mundo, seres incapazes de apresentar qualquer resquício de pensamento original. 

Jamais se preocupe em se aprofundar em qualquer assunto: os "especialistas" cujos empregos se resumem a promover a agenda do establishment político e cultural já têm tudo explicado para você.

Thomas Sowell , um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford. Seu website: www.tsowell.com.

Tradução de Leandro Roque





QUAIS SÃO OS NOMES DAS BODAS CONFORME OS ANOS DE CASAMENTO?






7 MANEIRAS DE IDENTIFICAR A DEPRESSÃO AOS 20 E POUCOS ANOS por De Cari Nireberg no LiveScience (The Huffington Post)



Os jovens de 20 e poucos anos têm bastante coisa para deixá-los de baixo astral - seja o estresse de achar um emprego, achar um cônjuge ou pagar o empréstimo estudantil. 

Apesar de acharmos que com 20 e poucos anos a vida se resume à diversão e experimentação, a depressão nos jovens é bastante comum.

JOVENS ADULTOS estão dizendo adeus à infância e adolescência e tentando encontrar o próprio caminho, ao mesmo tempo em que lidam com mudanças frequentes e incertezas, que podem despertar sentimentos de tristeza e irritação (A adolescência é notoriamente turbulento. Adolescentes estão estabelecendo suas próprias identidades, fazer mais coisas de forma independente, experimentar papéis diferentes, tomando mais riscos socialmente e, possivelmente, experimentar drogas e álcool, e tudo isso pode vir com custos emocionais. Por isso, pode ser complicado para dizer a diferença entre o tumulto típico de um adolescente e um adolescente deprimido).

Desbravar o mundo, definir a identidade própria, desenvolver a capacidade de manter relacionamentos íntimos e formar a base para uma futura carreira e para a vida adulta são alguns dos desafios enfrentados pelas pessoas aos 20 anos e que podem torná-los mais suscetíveis à depressão, segundo o Dr. Stuart Goldman, psiquiatra da infância e adolescência no Boston Children's Hospital.

Além de tudo isso, quem tem 20 e poucos anos está enfrentando esses desafios antes de o cérebro ter alcançado a maturidade completa. O córtex pré-frontal - a parte do cérebro responsável pela razão e pelo controle dos impulsos – desenvolve-se por volta dos 25 anos.

A maioria das pessoas que possuem uma pré-disposição genética à depressão, tipicamente experimentam o primeiro episódio entre os 14 e 24 anos, disse Goldman. "A grande maioria das pessoas nessa faixa etária com um episódio depressivo terá uma recorrência dentro de cinco anos após o primeiro episódio", ele disse, refletindo a natureza recorrente da doença. Para identificar se o jovem de 20 e poucos anos está deprimido, Goldman descreveu alguns sinais e sintomas que são comuns nessa faixa etária. São eles:

FALTA DE ÂNIMO: Perder o interesse em atividade antes consideradas como prazerosas é um sinal da depressão, disse Goldman. Esses jovens talvez ainda saiam com os amigos como antes, mas talvez não se divirtam ou sintam prazer na atividade. Ou talvez se isolem e tornem-se menos sociáveis, afastando-se dos colegas e passando mais tempo sozinhos.

POUCA ENERGIA: "As pessoas depressivas sentem que não há esperança", Goldman disse ao Live Science. E essa perda de esperança (O que lhe dá a motivação para ir quilômetros para uma promoção ou uma pontuação perfeita em um teste? Pode ser seus níveis de uma substância química do cérebro chamado dopamina. Pesquisadores descobriram quantidades deste produto químico em três regiões do cérebro determinar se uma pessoa é um ativa ou um procrastinador. A dopamina faz coisas diferentes em diferentes áreas do cérebro. Assim, enquanto níveis elevados em algumas regiões cerebrais estavam associados a uma ética de trabalho elevada, um aumento em outra região do cérebro parecia indicar exatamente o oposto - uma pessoa mais propensa a afrouxar, mesmo que isso significasse recompensas monetárias menores). 

"Para nossa surpresa, encontramos também uma região diferente do cérebro, a ínsula anterior, que mostrou uma forte relação negativa entre o nível de dopamina e vontade de trabalhar duro", o pesquisador Michael Treadway, estudante de pós-graduação na Universidade de Vanderbilt, disse LiveScience.) perda de esperança é muitas vezes acompanhada de uma falta de motivação. Sentir-se constantemente de baixo astral parece drenar a energia da pessoa e aumentar o cansaço, dificultando que a pessoa levante da cama ou faça as atividades do dia a dia.

CONCENTRAÇÃO REDUZIDA: Uma mente cheia de pensamentos negativos e uma visão pessimista da vida pode significar uma falta de foco e pode dificultar a tomada de decisões durante uma fase da vida em que as pessoas precisam tomar decisões importantes sobre suas carreiras, mudança de cidade, conquista da independência financeira e novos relacionamentos. Falta de concentração e atenção na faculdade, no trabalho ou no serviço militar também podem destruir ainda mais a autoestima do jovem adulto.

ACORDAR CEDO: Jovens de 20 e poucos anos deprimidos, muitas vezes, acordam às 4h ou 5h, e não conseguem mais dormir. Os jovens adultos com depressão muitas vezes apresentam níveis mais altos de cortisol, o hormônio do estresse, nas primeiras horas da manhã, o que acaba atrapalhando o sono. 

AUMENTO NO CONSUMO DE ÁLCOOL OU OUTRAS DROGAS: Para amenizar a dor e a solidão da depressão, alguns jovens acabam usando o álcool ou outra drogas como um escape ou para anestesiar a dor. "Seja sincero consigo mesmo sobre o consumo de drogas", disse Goldman. Não basta só dizer que todo mundo usa". Ter um amigo de confiança, seja um amigo ou companheiro(a), pode ajudar no processo de aceitação do problema e na solução do mesmo, ele disse.

MENOS INTERESSE NO SEXO: Durante uma fase em que outros namoram com frequência ou estão querendo um relacionamento mais permanente, a pessoa com depressão pode ter menos interesse no sexo ou uma libido reduzida. 

MUDANÇA DE PESO: Pessoas com depressão podem ter uma mudança no peso, seja para mais ou para menos. Algumas pessoas perdem peso porque perdem o apetite e tem menos interesse em comer, mas outras acumulam os quilos, usando a coida como uma fonte de consolo.  Para os pais de jovens adultos, é um desafio ver o filho(a) lutando com a depressão, também. Goldman recomenda que os pais mudem papel de "administradores" dos filhos, quando chegarem aos 18 a 20 anos, para "consultores", a partir dos 21 anos em diante, estando prontos a ajudar o jovem oferecendo direção e apoio.

Ele disse que os pais devem lembrar que "os jovens adultos precisam ter a capacidade de tomarem as próprias decisões".

A mensagem mais importante para os jovens de 20 e poucos anos é que "a depressão é de fato uma doença tratável", disse Goldman.


terça-feira, 3 de junho de 2014

HOJE É DIA DO ANIVERSÁRIO DA MINHA AVÓ PATERNA QUE COMPLETARIA 98 ANOS - 03/06/1916 (VOVÓ ANGELINA CARRILHO)






Hoje é aniversário da minha avó paterna, nascida em 03/06/1916 na cidade de Divinópolis/MG. O seu nome era:

ANGELINA DE VASCONCELOS CARRILHO

Que DEUS na sua infinita misericórdia lhe dê muitas oportunidades de trabalhar para o bem da humanidade e principalmente para nós sua família que tanto necessitamos de amparo.

Vovó Angelina sinto sua falta!
Muita Luz e amor da sua neta
Roberta Carrilho



sábado, 31 de maio de 2014

SE O CÉREBRO HUMANO FOSSE UM HD DE COMPUTADOR QUANTO ELE TERIA DE INFORMAÇÃO?




Uma estimativa é que cada neurônio seja capaz de armazenar 1 bit. Podendo assim, o cérebro humano guardar de 1 a 10TB, sendo 3 TB a média mais comum.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

OS MELHORES CORPOS MASCULINOS DE HOLLYWOOD por Escrito por Paula Haefeli


Que Hollywood é um celeiro de homens lindos, todo mundo já sabe. Mas neste Olimpo de deuses da beleza, algumas celebridades se destacam e vão ainda mais além: são quase perfeitos, de rosto e de corpo. Veja a seguir uma lista com os melhores corpos masculinos de Hollywood. Prepare-se para babar na beleza destes rapazes ou então inspire-se a ter um corpo como o destes atores (depois de muito sacrifício na academia, claro!).




Chris Hemsworth

O ator principal do filme "Thor" (2011) não podia ser alguém fraquinho, não é mesmo? Para não fazer feio, o australiano Chris Hemsworth pegou pesadíssimo na malhação e ganhou 10 quilos de massa muscular em apenas 30 dias para realizar o filme. Acompanhado de uma dieta bastante restritiva e descanso absoluto entre a rotina intensa de academia, o ator conseguiu construir o corpo de um verdadeiro herói. O esforço compensou e o resultado foi visível na telona.


Matthew McConaughey

O ator americano Matthew McConaughey sempre participa de filmes onde aparece com pouca roupa. Em vez de construir uma musculatura hipertrofiada, seu corpo é mais seco e magro, mas ainda assim totalmente em forma. Para isso, o ator opta por fazer muito exercício aeróbico, como correr na praia, fazer circuitos que estimulam os batimentos cardíacos e pular corda. Além disso, abdominais, exercícios com pouco peso e muita repetição e até mesmo aulas de dança ajudam a manter o peso com definição muscular.


Brad Pitt

Brad Pitt é célebre internacionalmente por mesclar papéis de ação com outros mais intelectuais e introspectivos. Quando está interpretando personagens para os longa-metragens de ação e suspense, seu corpo sarado sempre chama a atenção. Em filmes como "Troia" (2004) e "Clube da Luta" (1999), muita gente ficou suspirando e invejando o abdome definido e o famoso "tanquinho". O segredo foi uma rotina de exercícios separando cada grupo muscular por dia: peito, costas, ombros e braços, alternando com um dia de cardio para seguir queimando gordura.


Ryan Reynolds

Para fazer o filme "Lanterna Verde" (2011), o ator Ryan Reynolds chegou a ter apenas 3% de gordura corporal! Para isso, passou a se alimentar de duas em duas horas para queimar mais calorias, comendo mais e de forma saudável. O galã não retirou nenhum alimento de sua rotina, nem mesmo carboidratos. Mas a dieta só funcionou acompanhada de um exercício físico constante e regular. Um segredo do ator: descubra de que forma se exercitar sem ficar de mau-humor, mesmo que você não goste da rotina de exercícios.


Ryan Gosling

Ryan Gosling é outro daqueles rapazes que nos vêm à cabeça imediatamente quando se pensa em corpo perfeito. Magro e altivo, porém musculoso, o ator mostra que possui um preparo físico de atleta. Na sua rotina de exercícios, há muitas atividades típicas de treinamento militar, como flexões e movimentos de resistência e levantamento de pesos. O resultado é um corpo seco, com músculos magros e definidos. Tudo para manter uma figura elegante que condiz com seu estilo fashionista retrô.


Taylor Lautner

Paixão de nove entre dez adolescentes, o ator da série "Crepúsculo" (2008), Taylor Lautner, não deixa nada a desejar quando o quesito é preparação física. Para se transformar em um poderoso lobisomem e poder desfilar sem camisa durante boa parte das cenas, Lautner ganhou 15 quilos de massa muscular em um ano, tudo à base de muito exercício pesado e carga bem maior do que geralmente se utiliza. O resultado de tanto esforço conquistou a mulherada e catapultou o ator ao estrelato.


Channing Tatum

O stripper de "Magic Mike" (2012) interpretado por Channing Tatum foi inspirado não apenas na trajetória do ator rumo ao estrelato, mas também no cuidado com a imagem. O corpo esculpido com músculos definidos, marca registrada deste ator que vive sem camisa em cena, incrivelmente foi alcançado através de nada mais do que 45 minutos de exercícios diários. O pulo do gato é repetir os mesmos exercícios em um circuito durante todo este tempo. Graças ao treinamento ao estilo militar, o ator conquistou um dos corpos mais invejados dos últimos anos.


Daniel Craig

Um 007 que se preze deve ser elegante e fleumático. Mas acima de tudo, precisa estar preparado para salvar o mundo com as próprias mãos. O ator britânico Daniel Craig combinou estas características e criou o mais másculo James Bond de todos os filmes da franquia. Para adquirir um corpo integralmente forte, Daniel Craig realiza uma série de circuitos que trabalham todos os grupos musculares com muita intensidade. Assim, seu James Bond pode levantar peso e correr atrás dos bandidos sem se machucar ou amassar o terno.


Gerard Butler

Quando estrelou "300" (2006), Gerard Butler chamou mais atenção pelo seu abdome perfeito do que propriamente por sua atuação. Para chegar ao resultado desejado para interpretar o rei Leônidas, o ator escocês passou por um processo espartano de exercícios físicos. Durante quatro meses, treinou com a mesma intensidade de um fisiculturista ao preparar-se para as olimpíadas e precisou de uma verdadeira transformação psicológica para aguentar a rotina de 300 repetições de cada exercício sem descanso.


Rodrigo Santoro

O companheiro de Gerard Butler em "300" (2006), o ator brasileiro Rodrigo Santoro, também desponta como um dos galãs com melhor corpo de Hollywood. Ao interpretar Xerxes e ao participar de "As Panteras 2", fica evidente porque as mulheres enlouquecem com o visual sarado de Santoro. O ator possui músculos definidos em um corpo magro tal como o de um atleta e sua preparação antes das filmagens sempre envolve atividades de luta e treinamentos com personal trainer para manter a figura sempre elegante mas sem perder os músculos e a força.






quinta-feira, 29 de maio de 2014

CÉREBRO MASCULINO MUDA DEPOIS DA PATERNIDADE - Homens desenvolvem novas conexões neurais após se tornarem pais



Um estudo da Universidade de Bar-llan, em Israel, provou que o ditado "mãe é quem cria" é uma verdade científica. O estudo sugere que o que a gente chama de instinto maternal não é um conjunto de características exclusivas da mulher ou desencadeadas por hormônios: homens também desenvolvem novas conexões neurais ligadas a capacidade de cuidar e criar uma criança quando se tornam pais. O estudo descobriu que esse tipo de instinto pode ser desenvolvido por qualquer um que escolha ter o papel de pai ou mãe na vida de uma criança.

É a primeira vez que um estudo analisa como o cérebro de pais muda depois da paternidade. O estudo analisou dois tipos de famílias em Israel: compostas de pai e mãe biológicos em um contexto em que mães cuidavam da maior parte das tarefas relacionadas aos filhos, mas os pais também participavam, e casais gays compostos por homens que tiveram filhos com a ajuda de uma barriga de aluguel e que tinham participação igualmente dividida no cuidado do bebê. Todos os participantes eram pais de primeira viagem.

Os cientistas mediram níveis de oxitocina, hormônio liberado em situações de afeto e que ajuda a construir confiança, antes e depois da interação dos pais com a criança, em casal e sozinhos, e também filmaram essas interações. Depois de uma semana, os participantes passaram por uma ressonância magnética que mapeou como seus cérebros reagiam aos vídeos deles mesmos brincando com seus filhos. Todos os participantes - pais e mães heteressoxuais, pais homossexuais - mostraram nos scans a ativação de uma rede neural que une dois núcleos no cérebro: um que lida com emoções fortes, atenção e recompensa, e o outro com aprendizado e experiência.

Além disso, o estudo notou que no casal heterossexual, o pai demonstrou mais atividade cerebral relacionada a dependência de experiência. De acordo com os cientistas, é como se as conexões cerebrais da mãe para cuidar e se importar já estivessem prontas, e o pai tivessem que desenvolvê-la, e que alguns circuitos do pai chegam até a desativar quando a mãe está por perto. A intensidade da atividade era proporcional a quantidade de tempo que o pai passava com a criança.

Isso poderia induzir a conclusão de que o instinto materno é algo inerente a mulher, mas aí os cientistas analisaram os cérebros de homens em relações homossexuais e descobriram o oposto: nesse caso, os dois pais mostraram atividades cerebrais parecidas com as das mães em casais heterossexuais. Ou seja: qualquer pessoa que tiver que ser uma mãe e cuidar dos filhos no dia-a-dia terá o cérebro reconfigurado como o de uma mãe que engravidou e deu à luz, sejam homens ou mulheres. Todos nós nascemos com a capacidade de ser mães.

Fonte: 
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Neurociencia/noticia/2014/05/cerebro-masculino-muda-depois-da-paternidade.html




quarta-feira, 28 de maio de 2014

DINHEIRO ESTÁ MINANDO A DEMOCRACIA, diz Michael Sandel


(FOTO: STEPHANIE MITCHELL/DIVULGAÇÃO)

Viramos uma sociedade de mercado onde tudo se compra, argumenta professor de Harvard, um dos filósofos mais conhecidos do mundo

Ele já foi chamado algumas vezes de pop star da filosofia, tem um dos cursos online mais famosos do mundo (que virou uma série de TV com 12 episódios) e é tratado como uma celebridade na Ásia. Por lá, foi considerado a personalidade estrangeira mais influente na China e chegou a dar uma palestra com participação dos ouvintes num estádio para 14 mil pessoas na Coréia do Sul. O professor de Harvard Michael Sandel, palestrante do evento Fronteiras do Pensamento deste ano, ganhou fama internacional aproximando discussões de moral e ética do grande público, que para ele tem “fome” de falar sobre esses temas.

Na entrevista abaixo, ele diz que a falta de debate de grandes temas influenciou o aparecimento dos protestos recentes no Brasil e no mundo e analisa o papel da mercantilização da vida pública na crise das nações, temas de seu mais recente livro, O que o dinheiro não pode comprar: Os limites morais do mercado (Civilização Brasileira).

O senhor tem as aulas mais disputadas dos cursos massivos de Harvard e ficou tão popular que dá palestras em estádios. O que faz tantas pessoas se interessarem pelos temas que trata?

As pessoas estão sedentas por discutir grandes questões de filosofia relacionadas com a vida. Elas estão profundamente frustradas com as democracias pelo mundo, com a política, com os políticos e com os partidos. A razão para isso é que há um vazio no debate público. Hoje, ele não se volta às grandes questões, incluindo a ética e os valores morais – e as pessoas querem discutir ética e moral. Por conta de uma adoção de mecanismos do mercado, os sistemas políticos de muitos países deixaram essas discussões de fora e constituem hoje uma visão estreita e tecnocrática, que não inspira a ninguém. Ou então resumem-se a uma gritaria inócua onde nenhum dos lados ouve o argumento do outro. A política deixou de tratar princípios fundamentais de justiça e do bem comum, que é do que trato em meus livros e palestras. O retorno que tenho com eles refletem uma fome das pessoas de participar da discussão pública de grandes questões.

Por que há esse esvaziamento do discurso público?

'Há uma tendência de cada vez mais o discurso público ser governado pelo pensamento de mercado'
Há duas razões. Uma está no meu livro mais recente [O que o dinheiro não pode comprar: Os limites morais do mercado]. Há uma tendência de cada vez mais o discurso público ser governado pelo pensamento de mercado. Nas últimas três décadas, o mercado dominou muitos aspectos da vida social e esvaziou o debate sobre ética. Um dos apelos de adotar os valores de mercado é que eles parecem resolver todas as controvérsias envolvendo duas partes de uma maneira aparentemente neutra. Parece neutra, mas não é. É um erro assumir que os mercados por si só podem definir uma sociedade justa ou o bem público. A tecnocracia, estreitando o debate a valores de eficiência, empurrou a discussão sobre moral para fora do debate público. A segunda razão é que estamos relutantes em entrar em debates éticos em público porque vivemos em sociedades multiculturais e multiétnicas, onde as pessoas discordam sobre o significado de justiça. Há um medo da discordância, do debate de ideias que podem ofender outros grupos. Por isso, prefere-se recorrer a um pensamento pautado pelo mercado, pretensamente neutro, como um jeito de fugir de controvérsias morais e éticas difíceis.

O fato da política ter sido colocada na mão de técnicos é o que move protestos como os que temos hoje no Brasil?

Sim, essa é a razão para grande parte dos protestos. Uma política puramente tecnocrática é profundamente insatisfatória e as pessoas sabem que esse tipo de política não tenta responder às questões que realmente importam para elas. E então vemos por todo o mundo, incluindo o Brasil, formas alternativas das pessoas se fazerem ouvidas. As pessoas estão procurando alternativas para esse vocabulário tecnocrático da política, que exclui a população.

É o que o senhor chama no livro de sociedade de mercado?

O efeito da adoção dos critérios de mercado em geral na sociedade é que passamos a vender coisas que não deveriam ser vendidas. Há empresas nos Estados Unidos que vendem furar a fila. Lobistas, em vez de esperar nas filas das sessões do Congresso, em Washington, pagam a empresas que contratam mendigos para guardar lugar. Por US$ 150 mil você pode comprar o direito a abater um rinoceronte ameaçado de extinção na África do Sul. Ou, se for preso e tiver dinheiro, pagar um upgrade na sua cela de prisão nos Estados Unidos. Ou ainda há crianças que, como estímulo para a leitura, recebem US$ 2 para cada obra lida. São muitos os exemplos de bens cuja venda é moralmente questionável que passaram a ser vendidos sem que a sociedade fizesse uma discussão disso.

O senhor mostra que algumas vezes esses incentivos não funcionam?

Os economistas, mesmo em seus próprios termos, deixam de lado fatores importantes quando consideram o mercado neutro e pregam usar dinheiro para se comprar tudo. Em alguns casos, fazer isso destrói o valor de uma atitude. Pesquisas mostram que se você cobra uma multa dos pais que chegam atrasados para pegar os filhos na creche, essa multa na verdade pode fazer com que esse comportamento seja adotado por mais pais, que calculam que vale a pena pagar por isso e que atrasar não é algo moralmente condenável. Outros estudos mostram que se você oferece uma porcentagem de dinheiro a jovens que arrecadam fundos para caridades, eles acabam ficando menos motivados e arrecadam menos doações, e não mais. Há levantamentos mostrando que quando se paga as pessoas pela retirada de sangue, acaba-se conseguindo menos sangue do que se o pagamento é proibido e só é permitida a doação. Ou seja, chega a ser menos eficiente.

Mas, ao fazer essa análise, você usa os mesmos critérios de eficiência do mercado que o senhor critica.

Esse é um ponto muito importante. Em termos puramente de eficiência, às vezes os incentivos com o dinheiro dão errado, mas essa não é a única razão para se preocupar com isso. A razão mais profunda é que há valores intrínsecos em algumas atitudes que são destruídos ou reduzidos quando nós passamos a usar uma lógica de mercado. Se pagamos crianças para ler mais livros, mesmo que consigamos estimulá-las a ler mais, nós podemos estar ensinando a lição errada sobre por que o hábito deve ser valioso. Isso pode destruir o valor moral do amor pelo aprendizado, por exemplo. No caso das doações de sangue, pagar pelo sangue corrompeu o sentido moral e cívico de promover causas valiosas. Há um consenso entre economistas de que colocar algo no mercado não altera o valor desse algo. Eu confronto essa ideia em termos econômicos, mas, mais importante, eu também a confronto com argumentos morais.

O senhor costuma citar Rousseau, quando ele diz que “a partir do momento em que o serviço público deixa de ser a principal preocupação dos cidadãos, que preferem servir com o dinheiro e não mais com seu empenho pessoal, o Estado está perto de desmoronar”. Com todos esses exemplos que deu, o Estado está perto de desmoronar?

'Quanto mais coisas o dinheiro pode comprar, menos oportunidades teremos para pessoas de diferentes formações e classes sociais se encontrarem em espaços públicos'
Rousseau teve um insight profundo que se aplica às democracias hoje. Não usaria a palavra desmoronar. Mas diria que, enquanto o dinheiro toma um papel cada vez maior na política e na vida social em geral, a democracia está em risco. A democracia depende de importantes valores que não estão no mercado: espírito cívico, educação, investir em espaços públicos onde cidadãos de classes sociais diferentes se encontram. Quanto mais coisas o dinheiro pode comprar, menos oportunidades teremos para pessoas de diferentes formações e classes sociais se encontrarem em espaços públicos — especialmente com o crescimento da desigualdade. Essa tendência de aumento da desigualdade e da quantidade de coisas que o dinheiro pode hoje comprar são corrosivas para a democracia.

O senhor cita muitos outros exemplos de vendas moralmente discutíveis em suas palestras. Qual é o pior deles?

Puxa... [pausa de 20 segundos]. Um dos exemplos mais extremos é o da fundação de caridade que tenta resolver o problema dos bebês nascidos de mães dependentes de drogas oferecendo um incentivo em dinheiro a elas para que sejam esterilizadas. É uma entidade privada usando um mecanismo de mercado, pagando, para atingir um fim de reduzir o número de bebês nascidos de mães dependentes. Mas os meios são profundamente problemáticos, moralmente falando. Outro caso com implicações mais abrangentes sobre a democracia é o papel crescente que o dinheiro tem em campanhas políticas. É menos chocante porque o dinheiro sempre teve um papel ali. Mas, em diferentes países, de maneiras diferentes, o dinheiro está minando a democracia. Nos Estados Unidos, tivemos uma decisão da Suprema Corte que derrubou tentativas de limitar contribuições de empresas para campanhas políticas. Agora, quase não há restrições. Sei que no Brasil o dinheiro também traz um problema semelhante à política, como uma influência corruptora. Como é aqui?

Aqui, os maiores doadores são as construtoras que mais recebem dinheiro em contratos com o governo. Há uma discussão no país sobre a viabilidade de financiamento público das campanhas para acabar com isso. O senhor tem uma opinião formada sobre o tema?

Tenho uma opinião, mas reflete a experiência que tenho nos EUA, não quero sugerir que tenha as respostas para o contexto brasileiro. De maneira geral, não deveríamos permitir doações de empresas. Cria oportunidade demais para corrupção. Não proibiria contribuições individuais, mas as limitaria a algum nível razoável. Mil dólares por pessoa, talvez. Os limites previnem que qualquer indivíduo muito rico ou qualquer grupo de indivíduos muito ricos dominem o sistema. Permitir pequenas contribuições pode ser ter um efeito democrático porque incentiva os partidos e os indivíduos a ter uma preocupação de conquistar a população. Além disso, pode ser interessante que, para cada contribuição de US$ 100 de um indivíduo, haja uma contrapartida de financiamento público no mesmo valor. O que tem sido discutido aqui?

O Supremo está votando para proibir o financiamento de campanha por empresas e discute-se um teto para contribuições individuais, mas não é certo que nenhuma das duas coisas valha para essas eleições.

Me parece uma boa ideia. Acho também que devemos ter algum financiamento público de campanha, mas não apenas financiamento público. Isso porque há uma discussão delicada sobre como alocar esses fundos. Obrigar candidatos a levantar pequenas somas de dinheiro de um número grande de pessoas é muito melhor do que um sistema onde há contribuições ilimitadas de empresas ou de pessoas com muito dinheiro. Eu também favoreceria tempo de televisão gratuito para os candidatos. Vocês têm isso aqui?

Temos. O tempo depende do tamanho das bancadas no Congresso. 

O risco de se fiar somente nisso é que os partidos estabelecidos têm uma vantagem muito grande em relação aos desafiantes. É uma questão difícil, que não tem uma resposta única, mas o princípio de proibir contribuições de empresas é uma maneira eficiente de coibir corrupção.

Quão perto de viver numa plutocracia [sistema político onde o grupo mais rico exerce o poder] estamos?

Não estamos longe da plutocracia e há uma tendência em direção à ela. Nas últimas três décadas nos aproximamos cada vez mais dessa condição. O que é surpreendente é que isso está acontecendo com quase nenhum debate público. No Iraque e no Afeganistão, por exemplo, havia mais soldados pagos por empresas privadas contratadas pelo governo do que militares que trabalham para os Estados Unidos. Isso aconteceu sem que nenhum debate tivesse sido feito sobre se a população queria terceirizar as forças militares. Um dos meus objetivos no livro é chamar a atenção para essa tendência e discutir onde o mercado serve ao bem comum e onde ele não deve entrar.

O senhor mencionou a importância de espaços públicos. Em várias cidades brasileiras temos parques e praças descuidados enquanto são erguidos ricos condomínios com toda a infraestrutura de parques, espaços comuns e mais segurança.

'A tendência de privatizar o que deveria ser bens e experiências públicas tem esse efeito de erodir a coesão social, de minar nosso senso de comunidade'
É exatamente disso que se trata a sociedade de mercado que falo! Nas últimas três décadas houve cada vez mais segregação econômica. Ricos e pobres não se encontram mais. Nos últimos 30 anos, não fizemos investimentos públicos suficientes em espaços comuns que podem ser compartilhados, como transporte público, parques e escolas. Demos um incentivo àqueles que tinham dinheiro suficiente para fazer investimentos privados em espaços alternativos. Os espaços públicos deixaram de ser um lugar de encontro. Os seguranças privados estão ganhando a preferência e ocupando o papel dos policiais, que são mal pagos e poucos. Só que os seguranças são apenas para os mais ricos. A tendência de privatizar o que deveria ser bens e experiências públicas tem esse efeito de erodir a coesão social, de minar nosso senso de comunidade. Fica difícil nos imaginar como cidadãos com uma identidade comum.

As grandes companhias ocuparam esse espaço comum?

Há 30 anos, quando governos optaram por ter presença menor e fazer menos investimentos em espaços públicos, isso resultou em serviços públicos falhos, em transporte público inadequado, em escolas, hospitais e segurança ruins. Essa falta de investimento abriu o caminho para a iniciativa privada, que passou a, compreensivelmente, fazer investimentos privados nisso. Isso contribui com a segregação.

E, de acordo com o seu livro, corrompe a democracia.

Sim, a democracia requer que pessoas de diferentes origens tenham certas experiências comuns. Como nos esportes, na Copa do Mundo. Mas não basta o esporte para a coesão social. Se não temos espaços públicos, não formamos identidades entre os cidadãos e a democracia é prejudicada.

Por que vozes que se ergueram contra essa mercantilização da vida, como o movimento Occupy Wall Street, não conseguiram reverter essa tendência?

Eles não conseguiram se transformar em partido político. Na verdade, nos EUA, o Tea Party capitalizou mais o descontentamento com Wall Street do que qualquer outro movimento. Ele foi mais efetivo em se organizar politicamente dentro do partido Republicano. O Occupy não conseguiu transferir essa energia numa influência política durável num partido.

Mas os manifestantes não confiam mais em partidos.

Há algumas alternativas. Uma é se mobilizar para influenciar um partido, como o Tea Party fez. A segunda alternativa, formar um novo partido. A terceira é fazer um movimento da sociedade civil que se sustente por si mesmo, mas isso precisa de estrutura para se manter durante o tempo. Os movimentos não conseguiram fazer isso.

Democracia direta, mais referendos e eleições, é uma solução?

Não é a mais adequada. Temos de criar sistemas partidários que são mais sensíveis às questões que realmente importam e não às questões tecnocráticas que estão na discussão política.

Para voltar à questão principal da sua obra, o senhor diz que ainda há coisas que o dinheiro não compra. O quê?

Amor, amizade, espírito cívico, solidariedade. Essas coisas são preciosas exatamente porque não podem ser compradas. Ainda assim o dinheiro chega cada vez mais perto de comprá-las.

Quão perto?

Eu dou alguns exemplos em minhas palestras de que já podemos comprar manifestações de afeto. Por exemplo, há empresas especializadas em fazer discursos de padrinhos em casamentos. Eles passam detalhes dos noivos e a empresa escreve, por exemplo, um discurso emotivo com detalhes pessoais para ser dito durante o tradicional brinde. Ou então empresas que você pode pagar para fazer pedidos de desculpas. Depois de fazer algo errado, um profissional treinado em psicologia vai atrás de se desculpar à pessoa por você.

Chegando tão perto, o afeto algum dia será comprado?

Sinceramente espero que não [risos].


Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2014/05/dinheiro-esta-minando-democracia-diz-michael-sandel.html