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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

PERSISTÊNCIA NÃO É TEIMOSIA ... E PACIÊNCIA NÃO É LERDEZA! Mário Sérgio Cortella


Mario Sergio Cortella é um dos pensadores contemporâneos mais celebrados do Brasil. Conhecido por sua capacidade em transformar ideias filosóficas em coisas simples.


1. A sorte segue a coragem, desde que a coragem seja competente

Título de um dos seus livros (um dos maiores best-seller brasileiros), este pensamento traduz muito bem um pilar sempre abordado por Cortella: a capacidade de construir a nossa própria sorte e fazer da nossa vida um sucesso. Parece mais autoajuda do que filosofia, e no fundo pode ser um pouco dos dois: fato é que para muita gente funciona.



2. Todo poder que em vez de servir, serve a si mesmo, é um poder que não serve

É um trocadilho, sim. Mas para e pensa um pouco. Não é genial? O filósofo diz que cada um de nós tem um poder, e que a tarefa do poder é servir e não se servir. Servir a uma causa, a uma comunidade, nação, negócio, não importa: a questão aqui é entender que o poder demanda solidariedade.




3. Várias de nossas certezas, como os tapetes, têm que ser sacudidas vez ou outra

Como um bom filósofo, o objetivo do professor com suas palestras pelo Brasil é fazer as pessoas pensarem. E pensarem mais. E mais um pouco. Cortella está sempre dizendo que precisamos ter calma e refletir sobre tudo que vivemos, incluindo os lugares onde nos sentimos seguros.




4. É preciso evitar ao máximo a ideia de que “a vida é assim”

Quantas vezes a gente se pega dizendo esta frase? Mario Sergio Cortella explica que a origem da palavra idiota é grega e dizia respeito a pessoas que não participavam da sociedade. Não agiam. O contrário disso eram chamados os políticos. O filósofo tem um livro chamado “Política para Não Ser Idiota” onde explica pensamentos anticonformismo e incentiva o exercício diário da cidadania.




5. Todo preconceituoso é covarde. O ofendido precisa compreender isso.

Cortella fala muito em suas palestras sobre assuntos que envolvem a nossa realidade atual. Incluindo o preconceito. Ele diz que “o preconceito tem duas fontes: a covardia e a tolice.” e que pessoas preconceituosas precisam rebaixar outras para se elevarem. Compreender isso pode ser a chave para a reação do oprimido.




6. O amor jamais deve aceitar tudo

O filósofo defende que é preciso alimentar um cuidado para quem a gente ama e aprender a dizer “não” quando percebemos que há algo errado em jogo. Em vez de dizer “é porque eu te amo que eu aceito” começarmos a dizer “é porque eu te amo que eu não quero isso ou aquilo”.




7. A justiça precisa ser inteligente, não vingativa

Quantas vezes em um momento de raiva por ter sofrido injustiça a gente pensa em “dar o troco”? É preciso que a justiça seja inteligente, afinal ela serve para curar males e não vingá-los.



8. Passado é um segundo coração que bate em nós

Esta frase não é do Cortella, e sim de dramaturgo francês , mas ele cita com gosto. Tendemos a ignorar o passado e sermos estimulados a olhar só para frente. O filósofo brasileiro defende que olhemos para o passado resgatar momentos que nos tragam mais vontade de viver.




9. Uma das grandezas da oração é ela não ser respondida

Um dos temas frequentes do filósofo é a espiritualidade, religiosidade. O que ele quer dizer com essa frase um tanto polêmica (adaptada de um livro de Antoine de Saint-Exupéry) é que é importante que a prece não ganhe uma lógica de comércio, ou seja: eu peço, você dá. Uma simples troca. Faz a gente refletir sobre gratidão também, não é?



10. A monotonia é a morte da motivação

Esta é uma das máximas de um dos livros mais famosos do Cortella, “Por que fazemos o que fazemos?”. A questão aqui é que, mesmo que tenhamos uma rotina, o que não é ruim, é importante prestar atenção nas coisas que fazemos. Ou seja: encontrar dentro de si a tal “motivação” que faz cada ação sua ter um significado, valer a pena.



11. É a insatisfação que nos move

Nascemos para caminhar e nunca para ficarmos plenamente satisfeito com as coisas como estão. É importante resistir à tentação de manter-se no mesmo lugar e mover-se sempre em direção a coisas novas!



(...)



quinta-feira, 7 de julho de 2016

OS 95% DE BRASILEIROS TRABALHADORES PRECISAM CRER QUE 5% DE CANALHAS NAO SAO INVENCIVEIS por Mário Sérgio Cortella



Como promover as reais mudanças na política?

A primeira coisa é que, numa democracia, nós somos os grandes provedores da política, isto é, os que lá estão não aparecem porque tomaram o poder, isso seria uma ditadura. Nós os colocamos. O que significa que, de um determinado modo, nossas boas escolhas para a gestão pública da atividade política é decisiva. Em segundo lugar, a incapacidade que algumas pessoas têm, às vezes, de supor que a política não acontece somente na época das eleições. Ela exige que eu continue acompanhando no meu dia a dia aquilo que é feito pelas pessoas que me representam. E, terceiro, é que as pessoas de bem se candidatem também para os cargos. Se a gente diz que a política está muito vinculada ao desvio, ao ‘entornar o caldo’, é preciso quem não queira fazê-los, isto é, gente que não quer ser desonesto, que ela decida também participar da política.

O poder corrompe obrigatoriamente?
Ela [a corrupção] é uma possibilidade. Ela é uma possibilidade. Mas ela não é uma obrigatoriedade. Eu insisto sempre: a corrupção nunca será extinta da vida humana porque nós somos livres para o malefício e para o benefício. Isso significa que posso, sim, ter a situação, mas não sou obrigado a ter. Você tem mecanismos judiciais que bloqueiam isso, uma sociedade que acompanha e recusa a corrupção do dia a dia. Porque quando eu encontro um grande movimento é porque ele acontece no dia a dia e no momento em que a pessoa se relaciona com o poder público. Quando essa pessoa está na frente do agente de trânsito, quando ela quer oferecer e facilitar. Essas são coisas que, pouco a pouco, vai minando nossa condição.

Todo político é corrupto porque também a sociedade é corrupta?
Não concordo. Eu acho que, por exemplo, eu costumo dizer, e vou insistir: 95% dos brasileiros acordam todos os dias em vários estados do País e vão trabalhar. Levantam de madrugada, pegam ônibus, cavalos, bicicletas, moto e vão. 5% são canalhas. Esses 5% de canalhas conseguiram duas coisas perigosíssimas. Primeira, dizer aos 95% que não são canalhas que não sê-lo é uma forma de ser tonto e otário. Segunda, que eles, os 5%, são invencíveis. Aí, duas mentiras. Primeira: Não é correto ser canalha. Segunda: que os 5% não são invencíveis. Nós temos hoje, no País, um processo de limpeza dolorido, complicado, nos dá raiva em vários momentos, mas ele é necessário. A palavra crise tem origem numa palavra do sânscrito que é purificar, pu-ri-fi-ca-cão. Por isso cria. Tem pessoa que no exercício de ioga se cria. O que é purificar? É você se separar. A febre, por exemplo, é uma forma de purificação.

A gente pode ter uma realidade diferente daqui em diante?
A gente precisa ter. Se a gente perder essa ocasião, se nós perdermos essa ocasião… Nós não podemos perder essa chance no País porque a democracia não quebra a nação. Nós não temos uma política hoje em que a gente fica desgovernado. Ao contrário, a gente tem uma rota, ela (a democracia) está seguindo com algumas tribulações. Mas nós temos capacidade hoje de fazer um País que possa ser melhor. O que a gente não pode é achar “O que eu posso fazer?”. Qual é a frase mais perigosa num país como o nosso?: “Que horror, alguém tem que fazer alguma coisa”.

E a gente não faz nada?
Pois é, como se fosse o lado certo. Por isso vivemos um momento especial. É difícil, é duro, muito complicado, mas ele é algo que nós nunca tivemos na história. Nós não podemos perder a ocasião.

Precisamos ter uma boa conduta moral para cobrar dos outros?
Claro. Mas a ideia de que o outro não está fazendo o que deve fazer não significa que eu adiro, ou seja, acato a lógica de que “eu faço, todo mundo faz”. Isso é absolutamente perigoso. Afinal de contas, como diz o Corpo de Bombeiros: nenhum incêndio começa grande. Todo incêndio começa com uma faísca, com uma fagulha. Quando a gente tem, assim, esse tipo de apodrecimento nos modos de convivência, tem a ver comigo. O que significa, acima de tudo, que eu preciso participar da vida coletiva de um modo que seja decente. “Ah, mas o outro não faz…”.Lamento. A frase é clássica mas eu sou caipira; sou de Londrina. E o caipira costuma dizer que é ‘pobre, mas é limpinho’. A ideia de ser pobre e limpinho é uma coisa que é decisiva numa circunstância como essa. O que não pode é ser cínico. O cínico é aquele que finge que é honesto. Mas é só da boca pra fora. Isso aí, como diz um personagem da TV, é nojento.

Rui Barbosa disse que ‘chegará o dia em que o homem teria vergonha de ser honesto’. Vale desistir de tentar mudar o mundo?
Jamais. Jamais. Nós somos marcados, nós humanos, pela capacidade da esperança, isto é, esperança do verbo ‘esperançar’. Tem gente que tem esperança do verbo esperar. Esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. “Ah, eu espero que dê certo, eu espero que aconteça. Eu espero que resolva. Isso, repito, não é esperança, é esperar. Esperança é ir atrás, é se juntar, é não desistir. Afinal, as pessoas olham e diz assim: “Ah, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. Falta a terceira parte, é essa que decide. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega, mas SE JUNTAR O BICHO FOGE. E é isso que é decisivo.

Entrevista com o professor Mário Sérgio Cortella. Repórteres: Handerson Pancieri e Suelen Reis. TV Anhanguera, Goiânia-GO. Fonte: Programa Bom Dia Goiás – Quadro – Bom Dia Responde, TV Anhanguera, Goiânia-GO, entrevista concedida em 22 de setembro de 2015.