terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AS MELHORES CARICATURAS - THE BEST




Para variar o conteúdo do meu blog, vamos rir um pouquinho, estou numa fase meio que estudante do espiritual ... mas nem só de pão vive o homem ...então vejam como são bem feitas estas caricaturas.
Fantástico!!!
Roberta Carrilho




















DEPRESSÃO I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)


Reparação é ato de compensar ou ressarcir prejuízos que causamos, não apenas aos outros mas também a nós mesmos, através de posturas inadequadas e injustas.

Necessitamos reparar as atitudes desonestas que tivemos com nós mesmos, ressarcir-nos dos abalos que promovemos contra nossas próprias convicções, compensar-nos da deslealdade com nosso modo de ser e com nossos valores íntimos.

Devemos-nos conscientizar do quanto estivemos abrindo mão de nossos sentimentos, pensamentos, emoções e necessidades em favor de alguém, somente para receber aprovação e consideração.

Quantas vezes asfixiamos e negamos nossas emoções diante de acontecimentos que nos machucaram profundamente. Relegar essa parte de nós e ignorá-la pode se tornar um tanto desagradável e destrutivo em nossas vidas.

Viver o direito de sentirmos nossas emoções equivale a ser honestos com nós mesmos. Ela nos ajudam no processo de autodescobrimento e estão vinculadas a estruturas importantes de nossa vida mental, como os pensamentos cognitivos e as nossas intuições.

O hábito de rejeitarmos, frequentemente, as energias emocionais fará com que percamos a capacidade de sentir corretamente; e, sem a interpretação dos sentimentos, não poderemos promover a reparação de nossas faltas.

Para repará-las, é preciso estarmos predispostos a dizer o que pensamos e a escolher com independência.

Para repará-las, é necessário termos a liberdade de sentir o que sentimos e de viver segundo nossas próprias emoções.

Para resgatar nossas faltas conosco e com os outros, é imperioso, antes de tudo, desbloquear nossa consciência para que possamos ter um real entendimento do que e como estamos fazendo as coisas em nossas vida.

Há em nós um mecanismo psicológico regulado pelo nosso grau evolutivo, que assimila os fatos ou os ensinamentos de acordo com nossas conquistas nas áreas da percepção e do entendimento. Nossa incapacidade para absorver certos aspectos da vida deve-se a causas situadas nas profundezas da nossa consciência, que está em constante aprendizado e ascensão espiritual. Portanto, não devemos nos culpar por fatos negativos do passado, pois tudo o que fizemos estava ao nível de nossa compreensão à época em que eles ocorreram.

"(...) poderemos ir resgatando as nossas faltas (...) reparando-as. Mas, não creiais que as resgateis mediante algumas privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes (...) Deus não dá valor a um arrependimento estéril, sempre fácil e que apenas custa o esforço de bater no peito", mas sim reavaliando antigas emoções e resgatando sentimentos passados, a fim de transformá-los para melhor. Desse modo, reconquistamos a perdida postura interior de "vida própria" e promovendo a modificação de nossas atitudes equivocadas perante as pessoas.

Emoções não são erradas ou pecaminosas, elas não são os atos em si, pois sentir raiva é muito diferente de cometer uma brutalidade.

Para reparamos  é preciso saber lidar com nossas emoções; não devemos nos censurar por senti-las, mas sim julgar a decisão do que faremos com elas. Advertimos, porém, que não estamos sugerindo que as emoções devam controlar nossos comportamentos. Ao contrário, acreditamos que, se não permitirmos senti-las, não saberemos como tê-las sob nosso controle.

Admitindo-as e submetendo-as ao nosso código de valores éticos, ao nosso intelecto e à nossa razão, saberemos comandá-la convenientemente, pois o resultado da repressão de nossas reações emocionais será uma progressiva tendência a estados depressivos.

Eis como funciona a trajetória da depressão: diante de um sentimento de dor, fatalmente experimentamos emoções, ou seja, reações energéticas provenientes dos instintos naturais. São denominadas "emoções básicas" conhecidas comumente como medo e raiva. Essas reações energéticas nascem como impulso de defesa para nos proteger da ameaça de dor que uma agressão pode nos causar. Se a emoção for de raiva, o organismo enfrenta a fonte da dor; quando é de medo, contorna e foge do perigo. Ambas aceleram o sistema nervoso simpático e, consequentemente, a glândula supra-renal para que produz energia suficiente para a luta ou para a fuga. Se essas emoções (raiva e medo) forem julgadas moralmente como negativas, elas poderão ser transformadas em sentimento de culpa, levando-nos a uma autocondenação. Quando reprimidas, quer dizer, quando não expressadas convenientemente nem aceitas, nós as negamos distorcendo os fatos, para não tomarmos consciência. Tanto a repressão sistemática quando o compulsivo julgamentos negativos dessas emoções naturais geram a depressão.

Não são simplesmente as "privações pueris", as "distribuições de esmolas" e o ato de "bater no peito" que transformarão o íntimo de nossas almas. Para verdadeiramente repararmos nossas faltas, é preciso, acima de tudo, que façamos uma viagem interior, mediante uma "crescente consciência", para identificar e associar os atos e acontecimentos incorretos que praticamos e vivenciamos, com os sentimentos e as emoções que os influenciaram. A partir daí, equilibrá-los.

Reparar nossas faltas com nós mesmos e com os outros é a fórmula feliz de evitar o sofrimento.

Hammed - As dores da alma

DEPRESSÃO II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)



Em muitas circunstâncias  podemos considerar a depressão como natural período de transição. São tempos de mudança e crescimento, épocas de tristeza que antecedem novos horizontes de amadurecimento do ser em constante processo de evolução.

Os fenômenos naturais da vida sucedem, organizados, em ciclos determinados. Os períodos de troca dos antigos conceitos por outros tantos mais novos e melhores para o nosso momento atual fazem parte desse ciclo natural da consciência humana. Porque somos também natureza; possuímos as estações da alegria, do entusiasmo, da moderação e do desânimo, assim como as da primavera, do verão, do outono e do inverno.

Aprendemos com a natureza entre as observações das leis que regem os ecossistemas, é que deixaremos as atmosferas cinzentas da depressão passar para fixarmo-nos nos dias de sol e de alegria, que voltarão a brilhar.

Os elementos da natureza não existem separados uns dos outros, mas tendem a se combinar em sistemas mais complexos, estabelecidos a partir de uma série de associações físicas e biológicas. Através das relações de permutas constantes, eles adquirem uma espécie de "vida coletiva", o que lhes dá uma habilidade para se auto-organizarem e auto-reproduzirem ao longo do tempo. A esse fenômeno a Ecologia denomina "ecossistema". O pensamento ecológico procura investigar algumas das leis que regulam e formam os mecanismos ecossistêmicos. Vamos descrever as que consideram mais importantes para as nossas reflexões neste estudo:

  1. A "diversidade" - Quanto maior a multiplicidade de elementos existentes no ecossistema, maior sua capacidade de se auto-regular, pois maiores serão as propriedades com que ele contará para reorganizar os elementos num novo equilíbrio.


  2. A "interdependência" - Na unidade funcional dos ecossistemas tudo está conectado com tudo, de tal modo que não poderemos tocar num elemento isolado sem atingirmos o conjunto. Assim também ocorre com o corpo humano, já que não se pode abalar um órgão sem envolver todo o organismo.


  3. A "reciclagem" - Todo o elemento natural liberado no ambiente é reintroduzido de alguma forma pelo ecossistema. Através desses reaproveitamentos é que os resíduos biológicos permanecem circulando e sendo reproduzidos numa espécie de ciclo fechado. É isso que permite a sobrevivência desse imenso complexo ecológico.

" ... O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas  as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus".

Por sermos parte deste grandioso espetáculo da natureza e possuírmos a capacidade de entendê-lo racionalmente, é que deveríamos ser os primeiros a considerar a sagrada naturalidade que há em nós, bem como a perceber, conscientemente, seu processo atuando em nossa intimidade.

Eis algumas conexões entre as leis ou regras de funcionamento dos ecossistemas, que nos ensinarão a regular nosso ritmo de vida para não voltarmos aos velhos padrões de pensamentos depressivos:

  1. Na "diversidade" de novos conhecimentos filosóficos, religiosos ou científicos e na análise de diversos modos de definir a realidade das coisas é que aumentaremos a capacidade de auto-regular-nos emocionalmente para restabelecermos um novo equilíbrio existencial.


  2. Na "interdependência" da vida social, mas nunca no isolamento, é que extrairemos as experiências de que necessitamos para sair do marasmo, pois é nas relações de permuta constante na vida coletiva que aprenderemos que tudo está relacionado com tudo. Devemos descobrir nossas similiaridades com toda a obra da Criação. Ninguém será feliz sozinho, pois o homem é apenas uma parcela dessa grande sinfonia da evolução da vida na Terra.


  3. Na "reciclagem" de todos os elementos que a experiências da vida nos oferecem, o reaproveitamento deverá ser feito indistintamente, tanto para os que chamamos bons quanto para os que consideramos maus. Alegria e tristeza são nossos companheiros de viagem, estão sempre nos ensinando algo na caminhada evolucional. Tudo tem seu próprio valor e lugar na existência; por isso, não devemos tentar afastar de forma irrefletida as nuvens negras que impedem, momentaneamente, que a luz nos alcance.

A vida na Terra ainda é um jogo de luzes e sombras. Tudo na vida tem um fim utilitário para crescermos integralmente.

A reflexão atenta a esses apontamentos permite-nos entender melhor nossos ciclos depressivos, recolhendo assim as abençoadas sementes da "arte de viver".

Hammed - As dores da alma

BAIXA ESTIMA I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)


Complexo de inferioridade consiste em conjunto de idéias que foram recalcadas no inconsciente da pessoa em tenra idade, associadas às já existentes pelas experiências obtidas em vidas pretéritas. Ele age sobre a conduta humana, provocando sentimentos gratuitos de culpa, excessiva carga emotiva relacionada a pensamentos de baixa estima, frequente sensação de inadequação e constante frustração em decorrência da desvalorização da capacidade e habilidade pessoal.

Para melhor entendimento de nossa reflexão, definiremos os termos "recalque" ou "repressão" como um processo psíquico através do qual recordações, sentimentos, idéias e desejos inaceitáveis ou desagradáveis são excluídos da consciência, permanecendo apenas no inconsciente.

Alfred Adler, austríaco, um dos grandes nomes da psicanálise, médico, psiquiatra e psicólogo renomado, elucidou: "Subentendemos que, atrás das atitudes daqueles que se apresentam perante os outros com uma postura de superioridade, é possível a existência de um sentimento de inferioridade".

Segundo a psicologia adleriana, cada pessoa possui um "estilo de vida". Esse estilo é que motiva o indivíduo, através de impulsos sociais, a buscar o seu natural desenvolvimento e aperfeiçoamento. Na teoria de Adler, o "estilo de vida" forma-se na primeira infância e quase não se altera depois. Ele dizia que a maneira pessoal de o indivíduo se comportar, de se vestir, de se expressar ou de falar; ou melhor, sua forma de ser era a consequência desse "estilo" adotado. Concordando em parte com essa teoria, gostaríamos de acrescentar que o somatório dos múltiplos "estilos de vida" vivenciados nas diversas existências da alma humana, adicionado ao da infância atual, forma a real motivação que vai gerar nossas ações e atitudes. Somos, portanto, nós mesmos quem criamos nossas experiências, podendo assim modificarmos ou não os padrões de nossa vida.

Em muitas ocasiões, as pessoas tentam compensar esse sentimento de inferioridade, adotando formas de viver em que exageram e exaltam a própria personalidade. Tendência à arrogância, delírio megalomaníaco, preferência pela ostentação fazem parte do cortejo daqueles que possuem uma interiorizada depreciação de si mesmos.

Todos nós acolhemos em nossa intimidade não apenas crenças individuais, mas também as que nos foram transmitidas pela família e pela sociedade em vários níveis. Desde um gesto, um olhar ou uma expressão corporal até uma conduta ou a verbalização  todos nós assimilamos as crenças alheias, através de uma comunicação que poderíamos denominar de "contagiante".

Muitas almas, devido à sua imaturidade espiritual, deixaram-se contagiar por crenças materialistas, no decorrer dos séculos dos séculos e nos diversos lugares onde viveram. Aceitaram as doutrinas filosóficas que defendem o ceticismo e que atribuem como causas ou origem da vida as propriedades íntimas da matéria. São as "crenças do acaso", que atribuem a tudo um acontecimento fortuito ou aleatório.

Na parte I, capítulo I, questão 8, de "O Livro dos Espíritos", encontram, os que seria uma absurdo atribuir "a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso (...) A harmonia existente no mecanismo do Universo (...) revela um poder inteligente (...) o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso".

Aprofundando nossas reflexões, poderemos considerar que a base de todo complexo de inferioridade inicia-se ao materialismo, ou seja, na crença do nada.

Quando cremos que tudo provém do acaso e que nada existe senão o que os olhos físicos conseguem visualizar, iniciamos em nós o processo de inferioridade. Criamos, a partir daí, um "estilo de vida" inconsciente, baseado em que "não somos nada" e, em nossas produndezas, consideramos que somos o produto momentâneo do acaso. Rejeitamos a riqueza incomensurável de nosso mundo interior e do Universo e não acreditamos na plenitude da Vida Maior, porque desprezamos a Perfeita Ordem Divina. Ignoramos a essência sagrada que habita em nós e lutamos contra uma suposta má sorte do destino, que nos fataliza a desgastar enorme quantidade de energia, por não reconhecemos que as Leis Naturais regulam tudo e todos.

O poeta e prosador francês François Marie Arouet, dito Voltaire, escreveu com muita propriedade: "O acaso não é, não pode ser, senão a causa ignorada de um efeito desconhecido".

Quando a pretensão e o orgulho tomam conta de nossos atos, nossa maneira de ser passa a fundamentar-se uma constante supercompensação negativa de nosso sentimento de inferioridade, por acreditarmos que somos, simplesmente, uma "combinação fortuita da matéria".

A pessoa materialista precisa crer que é superior, para compensar sua crença na insignificância da existência ou na falta de sentido em que vive. O ser espiritualizado acredita que não é pior nem melhor do que os outros, porque percebe e age com seus sentidos voltados para a Eternidade e sabe que cada pessoa é tão boa quanto pode ser, conforme seu grau e evolutivo.

No entanto, o materialista prossegue em sua jornada, crescendo e descobrindo que o caminho da felicidade é uma trilha que o leva para "dentro de si mesmo" e o conduz até o Poder Superior, libertando-o da prisão dos sentidos para a plenitude existencial.

A providência primeira e essencial, para que possamos nos cura do sentimento de baixa estima ou inferioridade, é a convicção na eternidade das almas e na pluralidade das existências, somadas à crença de que somos seres espirituais criados plenos e completos, vivendo uma experiência humana com o objetivo de nos conscientizarmos dessa nossa plenitude inata. As providências seguintes a serem tomadas deverão ser reflexões sobre as causas de nossos sentimentos de inferioridade, o modo como foram adquiridos e as crenças que os motivaram.

É essencial lembra-nos de que sempre é possível alterar ou transformar nosso "estilo de vida". Para tanto, não duvidemos de nossas aptidões e vocações naturais, nem questionemos, sistematicamente, nossas forças interiores. Para obtemos autoconfiança, somente é preciso reivindicarmos, valorosamente, o que já existe em nós por direito divino.

Hammed - As dores da alma

BAIXA ESTIMA II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)



O sentimento de autopiedade pode nos tornar doentes fisicamente. Uma espécie de "invalidez psíquica" envolve-nos a existência e, a partir daí, sentimo-nos inferiores e incapazes, levando-nos a uma perda total de confiança em nós mesmos.

A piedade aqui referenciada é o sofrimento moral de pesar ou a aflição que sentimos que experimentamos de amor, permeada de respeito e afeição pelos outros, revela-nos os reais sentimentos denominados de benevolência e de compaixão.

A baixa estima ou autopiedade pode-nos levar a ser vítimas de nós mesmos, pois estaremos somatizando essas emoções negativas em forma de doenças. Os sintomas da enfermidade podem ser considerados a forma física de expressar uma atitude interna, ou mesmo um conflito. Portanto, doentes não são somente as vítimas inocentes de algum desarranjo da natureza, mas também os facilitadores de sua própria moléstia.

Os acontecimentos em si mesmos nunca têm muito sentido; precisamos aprender a discernir o que há por trás do aspecto físico, ou seja, atingir o conteúdo metafísico das coisas. A importância e a mensagem de um fato ou de um acontecimento somente aparecem clarificados, quando interpretados em sua significação; é isso que nos permite a compreensão completa de seu sentido.

Quando deixamos de interpretar as ocorrências da vida e o seguimento natural que implicará seu destino, nossa existência mergulhará numa total falta de sentido.

A doença sempre tem uma intencionalidade e um objetivo, surgindo nas pessoas de baixa estima a fim de alertá-las de que existe uma descompensação psíquica (seu sentimento de inferioridade) e da necessidade de harmonizá-la.

Os traços psicológicos dos indivíduos que sentem autopiedade são reconhecidos pela ausência de experiências interiores. Eles possuem uma restrita visão de seu ritmo interno, não valorizam seu mundo íntimo nem desenvolvem seu potencial inato, quer dizer, suas capacidades latentes (intuição, inspiração, percepção).

"Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber. (...) os Espíritos, em sua origem, seriam como as crianças, ignorantes e inexperiente, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos de que carecem com o percorrem as diferentes fases da vida".

O que acontece é que estamos saindo da inconsciência para a consciência, da transitoriedade para a permanência, da personalidade para a individualidade, da razão para a intuição, do estar para o ser. Eis o processo de evolução das almas!

Portanto, pela ignorância e simplicidade inatas, não quer dizer que somos inferiores por criação divina. Filhos de Deus são perfectíveis (possuem o germe da perfeição); não foram criados inferiores, mas sem ciência de si mesmos.
Simples significa - básico, espontâneo, natural e primário. Ignorante - aquele que não tem consciência de si mesmo. Temos, portanto, a explicação da analogia ("seriam como as crianças") feita pelos Espíritos Iluminados na questão em estudo.

Todas as nossas capacidades e idéias estão potencialmente presentes, mas os seres precisam apenas de tempo para integrá-las em definitivo. O nosso desenvolvimento espiritual consiste, unicamente, na modificação da nossa maneira de ver, e isso nada mais é do que a expressão de uma nova visão de nós mesmos e do Universo.

O sentimento de inferioridade ou de baixa estima associa as pessoas a uma resignação exagerada, a um auto desleixo ou descuido das coisas pessoais. A perda do senso de autovalorização é também consequência do sentimento de inferioridade, que remete os indivíduos à vivência entre "hábitos cronometrados" e a uma "mecanização dos costumes".

O maior sentido de nossa encarnação é a conscientização da riqueza de nosso mundo interior. Somos essências divinas em busca da perfeição, cujo caminho é o autodescobrimento.

Aqui estão algumas afirmações que, se dotadas de reflexão poderão nos ajudar a reconquistar a autoconfiança perdida:

  • somos potencialmente capazes de tomar decisões sem ter que recorrer a intermináveis conselhos;


  • possuímos uma individualidade divina completamente distinta da dos outros;


  • fazemos as coisas porque gostamos, não para agradar as pessoas;


  • encontraremos sempre novos relacionamentos; por isso não temos medo de ser abandonados;


  • usaremos, constantemente, de nosso bom senso; portanto, as críticas e as desaprovações não nos atingirão com facildiade;


  • tomaremos nossas próprias decisões, respeitando, porém, as dos outros;


  • confiaremos na Luz Maior que há em nós; ela sempre nos guiará pelos melhores caminhos.

Certa vez, um pai desesperado trouxe seu filho até o Mestre, para que fosse curado ... "E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade".

Devemos, pois, todos nós juntos, aproveitando dessas palavras, repetir: "Senhor, ajuda-nos em nossa incredulidade!", cientes de que depende exclusivamente de nossa vontade vencer os obstáculos da baixa estima, que nos impedem de alcançar a plenitude das realizações pessoais.

Hammed - As dores da alma

REPRESSÃO I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)



Não devemos reter nossas lágrimas. São elas nossas energias emocionais que se materializam e precisam ser expressas.

Chorar é muito natural. Quando estamos em contato com nossas emoções e sentimentos, sabemos o que eles nos querem dizer e mostrar sobre nossas carências e nossas relações com os outros.

Quase todos nós aprendemos como sentir ou como esconder nossas emoções na infância. A informação da nossa personalidade está ligada, sem contar a outros tantos fatores, ao aprendizado da vida atual. Fatos e atitudes semelhantes costumam provocar nas crianças emoções comparáveis; portanto, não podemos nos esquecer da influência do meio e da cultura no desenvolvimento de nossa emotividade.

Emoções e sentimentos são simples e primários; são como são, não adianta enfeitá-los ou tentar explicá-los. O desenvolvimento, porém, da nossa maneira de "sentir agindo" se forma de acordo com nosso grau evolutivo somado à nossa vontade e ao ambiente em que vivemos.

Ninguém sente emoções somente em determinadas partes do corpo, mas sim em todo o organismo. No entanto, a mesma emoção pode provocar atitudes completamente diversas nas pessoas. Durante uma apresentação teatral ou musical, podemos observar as mais controvertidas emoções na platéia diante das mesmas circunstâncias de estímulo. Os seres humanos são espíritos milenares que vivem, temporariamente, em corpos transitórios; eis o porquê da diversidade de sentimentos.

Em caso de falecimento de entes queridos, chorar de modo intenso é uma emoção perfeitamente compreensível. Porém, se aprendemos com adultos preconceituosos que "homens nunca devem chorar", reprimimos nossas emoções naturais e passamos a criar barreiras psicológicas em nossa vida íntima. É saudável, pois, em certas circunstâncias, demonstrar tristeza; reprimi-la é doentio.

Não estamos nos referindo aos comportamentos espetaculares de exibição dramática, mas à necessidade de expressar a dor da separação.

Muitos escondem suas lágrimas, pois querem demonstrar a seus amigos e familiares que são altamente espiritualizados. Afirmam que o choro é reação anormal de pessoas revoltadas. Na verdade, esse julgamento infeliz é observado nos denominados "juízes ideológicos"; perderam suas conexões com a sensibilidade.

Alguns aprenderam que não devemos chorar pelos nossos mortos queridos, pois lhe ensinaram que, enquanto permanecerem demarrando lágrimas, seus afetos não ficarão em paz. O verdadeiro problema que se estabelece é a rebeldia e a inconformação perante as Leis da Vida, não as lágrimas que derivam da saudade e do amor que nutrimos pelos seres que partiram.

Outros reagem ante s funerais de familiares com um "entorpecimento emocional", não derramando uma lágrima sequer. Pessoas podem acusá-los de indiferentes e insensíveis, por não conseguirem avaliar o cansaço físico excessivo dessas pessoas naquele momento, pelas noites e noites desgastantes que viveram durante a longa doença do afeto que partiu.

Outros ainda tomam atitudes de coragem impassível diante da dor, por terem aderido a doutrina estoicas. Posteriormente, no entanto, sentem-se culpados, porque não choraram o quanto queriam chorar.

Para os que têm fé e aceitam a vida após a morte, a separação é vista de forma temporária, ficando mais fácil para eles superarem os momentos dolorosos do "adeus" na desencarnação. Sabem que o progresso é inevitável e, por isso, consideram a morte o fim de uma etapa e o início de outra melhor.

" Sensibiliza os Espíritos o lembrarem-se deles os que lhe foram caros na Terra".

As lágrimas são mensageiras das saudade, são as águas cristalinas do coração que surgem das profundezas de nossa alma.

Hammed - As dores da alma

REPRESSÃO II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)


Os espíritos transitam por uma escala vastíssima de reencarnações, através dos milênios, ocupando posições ora masculinas ora femininas, o que lhes confere, geralmente, certas características bissexuais. Ser homem ou mulher é uma transitoriedade do mundo físico.

Além das diversidades biológicas, naturais e inerentes dos corpos masculinos e femininos, encontramos outras tantas nas áreas psíquicas, sociais e reencarnatórias. Todas essas diferenças sofrem as pressões das regras sociais da educação vigente e dos costumes de uma época, juntamente com a ação das glândulas sexuais. Isso nos leva a classificar as atitudes humanas com certas predominâncias, masculinas ou femininas.

Os espíritos não têm sexo; portanto, em toda personalidade humana existem traços de masculinidade e de feminilidade. Isso não quer dizer que uma mulher com traços masculinos seja anormal, mas sim que existem aspectos sexuais típicos e diferentes em cada pessoa.

Dessa forma, cada ser se distingue por determinadas peculiaridades no mundo afetivo e, por isso, a tendência emocional da pessoa, muitas vezes, difere e independe de sua morfologia orgânica.

Na infância, os pais se encarregam de transmitir às crianças as primeiras noções sobre sexualidade, mas nem sempre guiam seus filhos para um bom entendimento das faculdades genésicas. em muitas ocasiões, fixam preconceitos na mente infantil, os quais, mais tarde, gerarão diversos desequilíbrios da libido.

As religiões ortodoxas e controladoras atribuíram ao sexo uma proibição divina. Afirmam que todos os seres humanos nascem com o "pecado original", ou seja, pelos erros sexuais cometidos por Adão e Eva, considerados como os "pais da humanidade", e que todos precisam ser purificados pelo batismo. Colocaram ainda a abstenção sexual como condição imprescindível para se atingir a santidade, olvidando-se de que tudo o que existe na natureza foi gerado por Deus e que a sexualidade é parte integrante de nossa criação divina.

Adultos imaturos do ponto de vista espiritual reprimem os impulsos sexuais nas crianças, atribuindo malícia ou precocidade, por desconhecerem que as energias sexuais são forças criativas inerentes aos seres humanos e importantíssimas para seu desenvolvimento psicoemocional.

Desconhecem ainda que somente pequena parte dessa energia age na atividade sexual propriamente dita. O restante dessa força criativa se generaliza nas manifestações das atividades sociais, intelectuais, físicas, emocionais e espirituais do indivíduo. Ao inibirem um setor, estão comprometendo o todo, quer dizer, os seres humanos não funcionam por partes separadas, mas um processo de interdependência. Não podemos tocar num elemento sem afetarmos todo o crescimento psicológico em evolução.

"Que se deve pensar das mutilações operadas no corpo do homem...? (...) A Deus não pode agradar o que seja inútil e o que for nocivo lhe será sempre desagradável. (...) Deus só é sensível aos sentimentos que elevam para ele a alma. Obedecendo-lhe à lei e não a violando é que podereis forrar-vos ao jugo da vossa matéria terrestre".

A energia sexual pode trazer satisfações tanto nas atividades afetivas e emocionais, quanto em quaisquer das atividades intelectuais, espirituais e orgânicas, proporcionando ao indivíduo uma sensação de bem-estar e facilitando sua criatividade.

A ideia de sexualidade proposta pela Doutrina Espírita, há mais de cento e quarenta anos, encontra apoio nas modernas teorias psicológicas, leva o indivíduo a uma ótica transcendente do sexo e o faz abandonar essa visão simplista, biológica e materialista a que ele sempre foi relegado.

Entendemos por mutilação não somente a privação ou a destruição visível de partes do nosso corpo, mas também a ocorrida de forma imperceptível, oculta ou velada.

Podemos cobrir os impulsos sexuais com o manto da simulação. Substituímos por outros, inventamos desculpas e álibis convincentes para ocultá-los de nós mesmos e dos outros; porém, eles não desaparecem.

As mutilações de qualquer gênero são sempre uma repressão cruel e violenta às leis naturais da vida; no entanto, todos nós somos convocados a planejar uma vida sexual equilibrada.

Abstenção imposta gera desequilíbrio, mas a educação, aliada ao controle e à responsabilidade, será sempre a meta segura para o emprego respeitável e nobre das forças sexuais.

Hammed - As dores da alma

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

DEPENDÊNCIA I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)



As dificuldades de nosso desenvolvimento e crescimento espiritual se devem ao fato de que nem sempre conseguimos encontrar com facilidade nossa própria maneira de viver e evoluir. Cada um de nós está destinado a participar de uma maneira específica e peculiar na obra da criação. Entretanto, é imprescindível compreendermos nosso valor pessoal como seres únicos, percorrendo, particularmente, nosso caminho e assumindo por completo a responsabilidade pelo nosso próprio crescimento espiritual.

Ser nós mesmos é tomar decisões, não para agradar os outros que nos observam, mas porque estamos usando, consciente e responsavelmente, nossa capacidade de ser, sentir, pensar e agir.

Ser nós mesmos é eliminar os traços de dependência que nos atam às outras pessoas. Não nos esquecendo, porém, de respeitar-lhes a liberdade e a individualidade e de defender também a nossa, sem o medo de ficar só e desamparado.

Ser nós mesmos é viver na própria "simplicidade de ser", libertos da vaidosa e dissimulada auto-satisfação, que consiste em fazer gênero de "diferente" perante os outros, a fim de ostentar uma aparência de "personalidade marcante".

Ser nós mesmos em nosso poder pessoal, elaborando um mapa para nossos objetivos e percorrendo os caminhos necessários para atingi-los.

No Novo Testamento, capítulo 7, versículo 13, assim escreveu Mateus em seus apontamentos: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva a perdição ..."

Pelo fato de a porta ser estreita, deveremos atravessá-la - um de cada vez - completamente sozinhos, acompanhados apenas pelo mundo de nossos pensamentos e conquistas íntimas.

A "porta é estreita", porque ainda não entendemos que, mesmo vivendo em comunidade, estaremos vivendo, essencialmente, com nós mesmos, pois para transpor essa porta é preciso aprender a arte de "ser".

Efetivamente, atingiremos nossa independência quando percebemos a inutilidade dos passatempos, das viagens, do convencionalismo da etiqueta, do consumismo que fazemos somente para conquistar a aprovação dos outros, e não porque decorrem de nossa livre vontade.

Eliminar o domínio, a autoridade ou a influência das idéias, das pessoas, das diversões, dos instintos, do trabalho e dos lugares não significa que precisamos extirpar ou abandonar completamente todas as coisas, mas somente a dependência. Podemos nos ocupar desses assuntos quando bem quisermos, conforme nossas necessidades e conveniências, sem a escravidão do condicionamento doentio.

Passar por esse "trajeto restrito" é ter a coragem de romper as amarras internas e externas que nos impedem a conquista da liberdade. Perguntemo-nos: quantos dos nossos atos e atitudes são subprodutos de nossas dependências estruturadas na subordinação da sociedade? A submissão social tem sua base inicial na busca de aprovação dos outros, colocando os indivíduos na posição de permanentes escravos e pedintes do aplauso hipócrita e do verniz da lisonja.

A travessia desse "longo caminho ermo" nos levará ao Reino dos Céus, estruturado e localizado na essência de nós mesmos. Para tanto, devemos recordar-nos de que as Leis Divinas estão escritas na nossa consciência, cabendo-nos aprender a interpretá-las em nós e por nós mesmos.

Jesus Cristo, constantemente, referia-se a esse Reino Interior como sendo a morada de Deus em nós. Por voltarmos costumeiramente nossos olhos para fora, e não para dentro de nós mesmos, é que nunca conseguimos vislumbrar as riquezas de nosso mundo interior.

Mateus prossegue em seus comentários dizendo: "... apertado é o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem". Por "vida" devemos entender não apenas a manutenção da vida biológica na Terra, que é passageira e fugaz, mas a plenitude da Vida Maior, iniciada sobretudo na vivência do mundo interior.

Nossa autonomia, tanto física, emocional, mental como espiritual, está diretamente ligada às nossas conquistas e descobertas íntimas. Nossa tão almejada realização interior está relacionada com o conhecimento de nós mesmos.

"Apertado é o caminho", porque existe esforços importantes para que possamos eliminar nossos laços de dependência neurótica, os quais nos condicionam a viver sem usufruir nossa liberdade interior, aceitando ser manipulados pelos juízos e opiniões alheias.

A liberdade se inicia no pensamento para, posteriormente, materializar-se na exterioridade, quebrando, então, os grilhões da dependência. Os Espíritos Amigos enfocaram o assunto com muita sabedoria, afirmando: "No pensamento goza o homem de ilimitada liberdade, pois que não há como pôr-lhe-peias. Pode-se-lhe deter o voo, porém, não aniquilá-lo".

Hammed - As dores da alma

DEPENDÊNCIA II - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)


A maioria das pessoas foram educadas ouvindo fábulas e mitos do amor romântico. Os tabus sexuais, as velhas estruturas familiares, as normas tradicionais do matrimônio, consideradas "virtudes femininas", estabeleceram, na formação educacional das mulheres, todo um comportamento de dependência em relação aos homens. Elas centraram suas vidas em outros indivíduos, preocupados em receber proteção e cuidados, e destruíram com o tempo suas vocações e aptidões mais íntimas.

"São iguais perante Deus o homem e a mulher (...) outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir".

Muitos acreditaram que o amor seria somente despertado por uma "varinha de condão" ou por uma "flecha do cupido" que, ao tocá-los, acordasse das profundezas de seu inconsciente um sentimento há muito tempo adormecido. Exitem aqueles que, ingênuos, passam um encarnação inteira esperando que essa "dádiva mágica" desabroche de repente, entre a procura e a espera do ser amado, pagando desesperadamente qualquer preço.

Na atualidade, muitos educadores, psicólogos, antropólogos e psiquiatras afirmaram que a forma como usamos nossos sentimentos é uma "resposta apreendida". A capacidade de amar está presente na alma humana, mas, para que floresça, exige maturação da consciência, isto é, "aprimoramento dos sentimentos".

Explicam, ainda, que a pessoa aprende a utilizar o amor através de um processo que está diretamente relacionado com o ambiente em que viveu na infância e com o em que vive hoje, somando-se a tudo isso a capacidade íntima de aprendizagem. Portanto, estamos constantemente "aprendendo a amar".

Paralelamente, sabemos que as diversas vivências reencarnatórias sedimentaram, na alma humana, certas predisposições no entendimento do amor. Os costumes, as tradições e os hábitos que envolvem o namoro, o casamento, o sexo e a família são completamente diferentes de nação para nação, de continente para contimente, estabelecendo, então, noções diversificadas sobre a afetividade nos espíritos em sua longa marcha evolutiva.

Exitem aqueles, que colocaram o amor dentro de uma estrutura romântica, ou seja, fazem prevalecer um sentimentalismo exagerado e uma imaginação irreal, desprezando o significado dos sentimentos autênticos. Eles acreditam que o casamento extingue por completo todas as adversidades e infortúnios existenciais e que as ansiedades do cotidiano acabariam, terminantemente, quando a cerimônia sacramentasse num abraço de ternura o "felizes para toda a eternidade".

A necessidade recíproca de controle, as promessas de que renunciariam à própria individualidade e teriam os mesmos objetivos para o sempre são os primeiros indícios de uma enorme desilusão na vida a dois. Compromissos de amor são válidos, desde que aprendamos que nossa vida está em constante renovação. Assim como as pessoas passam por diversas transformações, também o amor que sentem pelos outros se transforma.

Quanto mais observarmos os ciclos da vida, mais entenderemos as transformações que ocorrem em nossa intimidade, porque nós também somos vida. Apenas desse modo, ficaremos mais seguros e estáveis em relação ao nosso desenvolvimento e amadurecimento afetivos.

A diferença fundamental entre amor e dependência é observada com clareza nas ações e comportamentos das pessoas. A dependência prende, possessivamente, uma pessoa à outra, enquanto o amor de fato incentiva a liberdade, a sinceridade e a naturalidade. O dependente é caracterizado pela atitude de necessidade constante e por reclamar sistematicamente a atenção do outro.

O indivíduo dependente padece dos recursos psíquicos de alguém para viver. Ele dirá "eu amo", mas, em realidade, quer dizer "eu preciso de você", ou mesmo, "eu não vivo sem você". O amor real baseia-se no sentimento compartilhado entre duas pessoas maduras, ao passo que o amor dependente implora consideração e carinho, infantilmente.

Os legítimos sentimentos da alma nunca se sujeitam a ordenações e imposições, mas sim a uma completa espontaneidade de atitudes e emoções. Dependência gera dores na alma; já a liberdade para amar é um direito natural de todos os filhos de Deus.

Hammed - As dores da alma

À IRA por Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol


Esta reação violenta do ânimo produz-se o propenso por motivos que o indignam e ressentem, incitando-o a adotar represálias contra a pessoa que por ato ou palavra o ofendeu, magoou ou simplesmente cometeu o erro de excitá-lo. Predomina nesta pessoa o descontrole mental e suas explosões repentinas se repetem e incrementam por indução de deficiências que se aninham nele, como a intolerância, o orgulho, e sobretudo, o ressentimento ou o rancor.

É fácil deduzir que os estados de ira desencadeiam-se por via do instinto; daí que suas exteriorizações adquiram traços inconfundíveis de irracionalidade.

Quando nenhum fator moral e espiritual contribui para amenizar esta propensão, ela tende a substituir totalmente as atitudes serenas, de sorte que a pessoa, pela violência e fúria que a caracterizam, termina por afastar de si seus semelhantes, fato que mostra às claras o agravamento do mal.

O desconhecimento da própria psicologia e a ignorância da ação tirânica de certos pensamentos incitantes que a mente abraiga, fazem com que o homem propenso à ira não possa se conter e permaneça à mercê de seus arrebatamentos.

Sendo esta propensão acentuadamente temperamental, se compreenderá que sua eliminação requer uma contade a toda prova e uma cuidadosa vigilância dos pensamentos que têm predominância na mente. A observação ajudará a descobrir os fatores negativos que no interno ativam a propensão, aos quais cumprirá aquietar primeiro e depois desarraigar. Será também de grande eficácia ter presente o espectro desagradável da inutilidade desta propensão e de suas consequências sempre ingratas.

Livrar-se da ira é retirar do caminho um dos tantos suplícios internos que mantêm a vida em permanente angústia e contrariedade. Impõe-se, pois, lutar contra um mal que esmaga os sentimentos e converte em infeliz a quem dele padece.


Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol



PORQUE UM CASAMENTO ACABA! por Fernanda Sá



Os sinais de que o relacionamento vai mal aparecem muito antes de o casamento naufragar.

Se a esposa está com problemas em casa e, em vez de ajudá-la, o marido a critica, não está fazendo nada para melhorar. Se ele vai mal no emprego, está sob ameaça de desemprego, e ela o desqualifica, isso em nada contribui para tirá-lo do buraco.

Quando o filho vai mal na escola, há pai que, em vez de ajudá-lo a superar as dificuldades, culpa a esposa. Se o filho lhe responde mal, em vez de pedir explicações ao filho, cobra da mulher: “Ta vendo como está seu filho? Também você não pára em casa”. Ela retruca: “Você é o culpado, porque nunca deu atenção aos filhos, seu egoísta e omisso!” E daí para pior.

Existem seis sinais de que um casamento não vai bem e que pode acabar em separação definitiva. No primeiro sinal começa a haver afastamento físico. O diálogo diminui, pois não há assunto entre o casal. Nada mais é compartilhado entre eles. O que está mal, em vez de ser resolvido, é simplesmente jogado debaixo do tapete. Um dos dois, ou ambos, não está mais disponível como antes. Não tem disposição nem disponibilidade para nada que se refira ao casal. Pára de prestar atenção no outro. Nem percebe quando ele(a) está aborrecido.

O segundo sinal é quando os cônjuges explodem por tudo e por nada, zerando a tolerância. Nada lhes agrada, e qualquer tentativa de retratação é recebida com agressão. Fazem-se acusações mútuas e responsabilizam sempre o outro por tudo de ruim que acontece com a casa, às crianças e até mesmo no relacionamento com a grande família. Sobram estilhaços para todos os lados e os mais atingidos são os filhos, que geralmente nada tem a ver com essa guerra.

No terceiro sinal acontece o congelante-explosivo, como cada cônjuge tem seu ritmo, pode acontecer de um deles estar congelando por desinteresse afetivo e o outro explodindo por não suportar a situação.

No quarto sinal, a maioria das pessoas parece mais atraente que o cônjuge. Quando se deixa de gostar de alguém, é comum olhar outras pessoas e imaginar situações de intimidade com elas.

No quinto sinal, um cônjuge, ou ambos, além de não sentir falta do outro, é tomado por uma sensação de alivio quando fica sozinho. Não há mais motivo para continuarem juntos. È um sinal terrível!

No sexto e último sinal, um cônjuge quer eliminar o outro de sua vida. O clima fica tão ruim que o que eles querem mesmo é “matar” o outro. Isso é tão sério que, mesmo depois de separados, continuam com o desejo de matar, em seu sentido mais amplo: judiar, ofender, menosprezar, diminuir, ridicularizar etc.

Se o seu relacionamento se enquadra em um desses sinais, então procure ajuda de um especialista.
Atravessar tormentas sem afundar ou, pelo menos, evitar que os passageiros se afoguem exige maturidade do casal.

Fernanda Sá


À DISCUSSÃO por Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol



Referimo-nos à pessoa que discute sem motivo, porque lhe agrada ou entretém; à pessoa que não leva em conta ou não lhe importam os conflitos inamistosos que costumam surgir da discussão e a ela se lança levado pelo prurido de prevalecer em qualquer tema que lhe dê motivo para sustentar seus pontos de vista.

Em tais casos, discute-se apenas pelo afã de oposição e frequentemente com a intenção de deixar mal o oponente que, por sua vez, pode ser teimoso ou obstinado, ou predisposto a acalorar-se e ressentir-se.

É comum que os discutem levados por esta tendência sejam os menos idôneos nas questões de que tratam, o que não diminui em nada a veêmencia com que sustentam as razões que admite sua pobre e obstinada dialética.

Geralmente, o afetado por esta propensão procura criar objeções a qualquer raciocínio, por mais acertado que seja, tratando por todos os meios ao seu alcance para destacar ou prevalecer o próprio, atitude que o particulariza como pessoa presunçosa e pouco considerada por seus semelhantes.

Se quem tem esta predisposição se colocasse em frente a um espelho e discutisse consigo mesmo, facilmente descobriria em sua imagem a inoperância de sua própria insipidez mental.

A propensão a discutir leva sempre ao mesmo resultado: perder inutilmente o tempo que poderia ser aproveitado em algo útil. Para evitá-la, basta não dar rédea solta à lingua, quando esta desata em argumentos discursivos e sofísticos.

É certo que a propensão a discutir deixa de ser uma inclinação defeituosa na pessoa que procura encontrar, por meio dela, pontos de concordância que conciliem as diferenças com o próximo. Neste caso, busca-se o intercâmbio de critérios, o qual, levado a cabo com um fim construtivo entre pessoas respeitadoras da opinião alheia e zelosas da cordialidade que as une, permite encontrar a forma transigente que as aproxima da coincidência.

A discussão assume seu verdadeiro caráter no livre exame, no qual os critérios se harmonizam e se unem mediante a observação, a experiência e o grau de realização individual alcançado pelas partes, sem nunca se perder de vista que toda atitude ou pensamento estranho ao propósito que ali concorre altera a ordem que deve reinar, para que os resultados sejam ótimos. Não se pode negar o caráter cosntrutivo que tem a discussão, quando os que nela intervêm procuram confirmar algum acerto ou se mostram permeáveis ao reconhecimento de um erro manifestado pela opinião contrária.



Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol




À DESATENÇÃO por Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol



São causas desta propensão a ociosidade mental, o hábito de perder-se em abstrações estéreis e a falta de uma ideia clara a respeito da responsabilidade que incumbe na condução da vida.


Revela falta de atividade mental consciente. O homem que não pensa vive em geral distraído, com o que coopera para seu empobrecimento moral e espiritual.

Esta é uma propensão particularmente negativa, porquanto intercepta o desenvolvimento normal das atividades ou atuações diárias, sendo evidente que quem não procura destruí-la a tempo termina por sentir seus efeitos de forma acentuada, perseguindo-o continuamente percalços contratempos ou outras situações ingratas carreadas sem necessidade sobre si.

Esta propensão pode tirar defesa do homem, visto que a desatenção subtrai da observação múltiplos detalhes, importantíssimos quando se trata de tomar uma resolução, formar um juízo, extrair uma conclusão, decidir uma conduta, etc. Ademais, o ser que não está atento a tudo quanto ocorre em torno de si ou do mundo, costuma acolher com ingenuidade temerária qualquer versão que escute desprevenido de seus riscos.

Nada construtivo poderá fazer em sua vida quem passa a maior parte do tempo sem consciência da realidade que interpenetra seu ser e move os fios de sua existência individual.

A atenção a todo afazer, a todo acontecimento da vida, não somente é fator de atividade, mas também estímulo poderoso para o desenvolvimento amplo das aptidões  Se a consciente que cada ser humano deve realizar para conhecer a si mesmo e a realidade cósmica que o rodeia, se assegurará o concurso permanente da consciência, que é, definitivamente, a que reger o mecanismo da atenção.


Carlos Bernardo González Pecotche Raumsol



CRUELDADE I - LIVRO: AS DORES DA ALMA (HAMMED)


De todas as violências que padecemos, as que fazemos contra nós mesmos são as que mais nos fazem sofrer. Nessa crueldade , não se derrama sangue, somente se constroem cercas e cercas, que passam a nos sufocar a nos afligir por dentro.

Montaigne, célebre filósofo francês do século XVI, escreveu: "A covardia é mãe da crueldade". Realmente, é assim que se inicia nossa auto-agressão. Em razão de nossa fragilidade interior e de nossos sentimentos de inferioridade, aparece o temor, que nos impede de expressar nossas mais íntimas convicções  dificultando-nos falar, pensar e agir com espontaneidade ou descontração.

A autocrueldade é, sem dúvida, a mais dissimulada de todas as opressões. Além de vir adornada de fictícias virtudes, receber também os aplausos e as considerações de muitas pessoas, mas, mesmo assim, continua delimitando e esmagando brutalmente. Essa atmosfera virtuosa que envolve os que buscam ser sempre admirados e aceitos deve-se ao papel que representam incessantemente de satisfazer e de contentar a todos, em quaisquer circunstâncias. Buscam contínuos elogios, colecionando reverências e sorrisos forçados, mas pagam por isso um preço muito alto: vivem distantes de si mesmos.

A causa básica do "autotormento" consiste em algo muito simples: viver a própria vida nos termos estabelecidos pela aprovação alheia.

A timidez pode ser considerada uma autocrueldade. O acanhado vigia-se e, ao mesmo tempo, vigia os outros, vivendo numa autoprisão. Em razão de ser aceito por todos, ele não defende sua vontade, mas sim a vontade das pessoas. Pensa que há algo de errado com ele, não desenvolve a autoconfiança e, continuamente, se esconde por inibição.

Pensar e agir, defendendo nosso íntimo e nosso direitos inatos e, definindo nossas perspectivas pessoais, sem subtrair os direitos dos outro, é a imunização contra a autocrueldade.

Para vivermos bem com nós mesmos, é preciso estabelecermos padrões de auto-respeito, aprendendo a dizer "não sei", "não compreendo", "não concordo" e "não me importo".

As criaturas que procuram bajulação e exaltação martirizam-se para não cometer erros, pois a censura, a depreciação e a desestima é o que mais as atemorizam. Esquecem-se de que os erros são significativas formas de aprendizagem das coisas. É muito compreensível no meio do caminho; no entanto, quando errarmos, será preciso assumirmos a responsabilidade pelos nossos desencontros e desacertos  e apreendermos o ensinamento da lição vivenciada.

Quem busca consenso, crédito e popularidade não julga seus comportamentos por si mesmos, mas procuram, ansiosamente, as palmas dos outros, oferecendo e justificando inúmeras razões para que suas atitudes sejam totalmente consideradas.

Vivendo e seguindo nossos próprios passos, poderemos inicialmente encontrar dificuldades momentâneas, mas, com o tempo, seremos recompensados com um enorme bem-estar e uma integral segurança de alma.

Estarmos alheios ou sair de nós mesmos, na ânsia de sermos amados por todos aqueles que nós consideramos modelos importantes, será uma meta alienada e inatingível. O único modo de sermos felizes é vivermos, particularmente, a nossa vida.

A fixação que temos de olhar o que os outros acham ou que acreditam, sem possuirmos a real consciência do que queremos, podemos, sentimos, pensamos e almejamos é o que promove a destruição em nossa vida interior, ou seja, o esfacelamento da própria unidade como seres humanos e, por consequência, nossa unidade com a vida que está em tudo e em todos.

consulta Kardec os Obreiros do Bem: " A obrigação de respeitar os direitos alheios tira ao homem o de perceber-se a si mesmo?" E eles respondem: "De modo algum, porquanto este é um direito que lhe vem da natureza".

"Perceber-se a si mesmo", conforme nos asseveram os Espíritos, é exercer a nossa liberdade de não precisar conciliar as opiniões dos homens e de livrar-nos das amarras da tirania social, da escravidão do convencionalismo religioso, das vulgaridades do consumismo, da constrição de não sermos independentes, enfim, do medo do que dirão os outros.

A solução para a autocrueldade será a nossa tomada de consciência de que temos a liberdade por "direito que vem da Natureza". Contudo, de quase nada nos servirá a liberdade exterior, se não cultivarmos uma autonomia interior, porque quem está internamente entre grilhões e amarras jamais poderá pensar e agir livremente.

Hammed - As dores da alma