sábado, 8 de dezembro de 2012

OS SEIS FANTASMAS DO MEDO - NAPOLEON HILL


Foto de Napoleon Hill  em 1937

Tenho um caso sério com este autor Napoleon Hill. É o seguinte:em 2003 no meu último ano da graduação em Direito. Estava na Biblioteca da Faculdade quando encontrei com meu amigo Flávio Flora. 
Conversa vai e conversa vem, ele me pergunta: - Roberta, você conhece o livro do Napoleon Hill? Eu respondi: não! Ele então chamou para segui-lo entre as estantes da biblioteca, abaixou e pegou o livro: "A lei do Triunfo" - Napoleon Hill Ele me passou e disse: - "Este livro é sensacional Roberta! Todos deveriam ter um exemplar. Eu lhe indico para ler. Você vai adorar"! 
Dito e feito. Naquela mesma noite peguei-o emprestado na biblioteca e de madrugada comecei a lê-lo. Realmente meu amigo Flávio tinha razão... Eu adorei cada linha daquele livro. Era um livro com aspecto centenário, mas de grandes conhecimentos. 
Porém, como já estávamos quase no final do ano e em poucos dias começariam as férias e eu não teria tempo suficiente para terminá-lo. Era um livro com mais de 800 páginas em letras miúdas. E no meu caso seriam férias definitivas, pois, estava me formando naquele ano.
Fiquei tão envolvida com o livro que pensei em adquirir um exemplar. Mas como? Parecia ser um livro muito antigo! Onde eu iria conseguir um exemplar? Passei na livraria que sempre compro livros: "Boutique do Livro" do Daniel para encomendar. Pronto! Tinha a solução!
Cheguei em casa e falei para o meu pai: - "Pai eu quero um presente de formatura (1ª graduação) do senhor. Eu quero um livro! Ele perguntou:  Qual livro? Eu respondi: A lei do Triunfo de Napoleon Hill". E foi assim que eu adquiri o meu exemplar. Ah! Além de receber o livro ganhei uma dedicatória lindíssima do meu pai. Foi a única vez que meu pai escreveu para mim. Este livro é um dos meus tesouros raros!
Roberta Carrilho

Faça um inventário de si mesmo, procurando algum remanescente de medo em seu caminho. Pense e Enriqueça – porque nada, absolutamente nada, pode atrapalhá-lo.

ANTES QUE VOCÊ possa por qualquer parte dessa filosofia em uso, com êxito, sua mente deve estar preparada para recebê-la. A preparação não é difícil. Começa com o estudo, a análise e a compreensão dos três inimigos que terá de destronar: indecisão, dúvida e medo.

O sexto sentido nunca poderá funcionar, enquanto esses três negativos, ou algum deles, permanecer em sua mente. Os membros do trio maldito são intimamente ligados; onde se encontra um, os outros dois estão à mão.

Indecisão é a semente do medo! Lembre-se disso enquanto lê. A indecisão se cristaliza na dúvida, as duas se misturam e se tornam medo! O processo de mistura muitas vezes é lento. Essa é uma das razões que tornam os três inimigos tão perigosos. Germinam e crescem sem que sua presença seja observada.

O restante deste capítulo descreve o fim a ser atingido, antes que a filosofia, como um todo, possa ser colocada em uso prático. Analisa também a condição que reduziu grande número de pessoas à pobreza e declara a verdade que deve ser compreendida por todos os que acumulam riquezas, sejam essas medidas em dinheiro ou em estado de espírito, de valor bem maior que o dinheiro.

O propósito deste capítulo é chamar a atenção sobre a causa e a cura de seis temores básicos. Antes de dominarmos um inimigo é preciso saber-lhe o nome, os hábitos e a moradia. Enquanto lê, analise-se com cuidado e determine qual se é que há – dos seis temores básicos agarrou-se a você.

Não se deixe enganar pelos hábitos desses sutis inimigos. Às vezes se mantém ocultos no subconsciente, onde são difíceis de localizar e mais difíceis ainda de eliminar.

Medo é apenas um estado de Espírito

Há seis temores básicos, de cujas combinações todo o ser humano sofre, numa época ou outra. São felizes os que não sofrem dos seis ao mesmo tempo. Enumerados na ordem de sua aparição mais comum, são eles:
  1. Pobreza
  2. Crítica
  3. Saúde precária
  4. Amor perdido
  5. Velhice
  6. Morte

Os três primeiros estão no fundo da maioria das nossas preocupações. Os outros temores são de menor importância; podem ser agrupados sob esses seis títulos.

Temores nada mais são que estados de espírito. O estado de espírito está sujeito a controle e direção.

O homem nada pode criar sem antes conceber, em forma de impulso de pensamento. Em seguida a essa afirmação, vem outra, de importância ainda maior, isto é, que os impulsos de pensamento começaram a se traduzir, imediatamente, em seu equivalente físico, sejam esses pensamentos voluntários ou involuntários. Impulsos de pensamento apanhados por acaso (pensamentos emitidos por outras mentes) podem determinar nosso destino financeiro, comercial, profissional ou social, com a mesma certeza com que o fazem os impulsos de pensamento criados com intenção e desígnio.

Estamos aqui lançando o fundamento para a apresentação de um fato de grande importância para quem não entende porque certas pessoas parecem ter “sorte”, enquanto outras, de igual ou maior capacidade, instrução, experiência e capacidade cerebral, parecem destinadas a viver com azar. O fato se explica com a afirmação de que todo ser humano tem a capacidade de controlar completamente a própria mente, sendo que com esse controle, e óbvio, todos podem abrir a mente aos impulsos de pensamento itinerantes, emitidos por outros cérebros, ou fechar as portas, com força, admitindo apenas impulsos de pensamento de sua escolha.

A natureza dotou o homem com controle absoluto sobre uma coisa apenas: o pensamento. Tal fato, acrescido do fato adicional de que tudo o que o homem cria começa em forma de pensamento, leva-nos muito próximo ao princípio de que o medo pode ser dominado.

Se é verdade que todo o pensamento tende a revestir-se no seu equivalente físico (e isso é verdade, sem haver nenhum lugar razoável para dúvidas), é igualmente verdade que os impulsos de pensamento de medo e pobreza não se traduzem em termos de coragem e ganho financeiro.

CAMINHOS QUE LEVAM A DIREÇÕES OPOSTAS

Não pode haver acordo entre pobreza e riqueza! Os dois caminhos que levam, respectivamente, à pobreza e à riqueza, seguem direções opostas. Se você quer riquezas, deve recusar-se a aceitar qualquer circunstância que leve a pobreza. (O vocábulo “riqueza” é empregado aqui em seu sentido mais amplo, significando estados financeiros, espirituais, mentais e materiais.) O ponto de partida do caminho que leva à riqueza é o desejo. No capítulo sobre o desejo, você recebeu instruções completas para o uso correto. Neste capítulo sobre o medo, você tem instruções completas para preparar a mente a fazer uso prático do desejo.

Chegamos então ao lugar em que você deve aceitar o desafio, que irá determinar quanto dessa filosofia assimilou. Eis o ponto em que você pode se transformar em profeta e predizer, com exatidão, o que o futuro lhe reserva. Se, depois de ler esse capítulo, você estiver disposto a aceitar a pobreza, pode então preparar-se para recebê-la. Essa decisão não pode ser evitada.

Se você exigir riquezas, determine que espécie e quanto exigirá para ficar satisfeito. Você sabe o caminho que leva à riqueza. Recebeu o mapa que, se for seguido, o conservará no caminho certo. Se não ligar para começar ou parar antes da chegada, a culpa não será de ninguém, senão sua. Essa é sua responsabilidade. Nenhum álibi irá salvá-lo de aceitar a responsabilidade se você falhar ou se recusar a exigir riquezas da vida, porque a aceitação só exige uma coisa – por acaso, a única que você pode controlar – e é o estado de espírito. Estado de espírito não se presume. Não pode ser comprado; deve ser criado.

ANÁLISE SEUS TEMORES

Medo de pobreza e estado de espírito. Nada mais! Mas é o suficiente para destruir as oportunidades de realização em qualquer empresa.

Esse medo paralisa a faculdade do raciocínio, destrói a faculdade da imaginação, mata a autoconfiança, solapa o entusiasmo, desanima a iniciativa, leva à incerteza de propósito. Encoraja a procrastinação e torna o autocontrole impossível. Tira o encanto da personalidade, destrói a possibilidade de pensar com clareza, desvia a concentração de esforço; domina a persistência, transforma a força de vontade em vazio, destrói a ambição, anuvia a memória e convida o fracasso de todas as maneiras concebíveis; mata o amor e assassina as mais puras emoções do coração, desanima a amizade e convida o desastre de mil maneiras; leva à insônia, infelicidade e miséria – e tudo isso, apesar da verdade óbvia de que vivemos num mundo de superabundância de tudo o que o coração possa desejar, sem nada entre nós e nosso desejo, exceto a falta de um propósito definido.

O medo da pobreza é, sem dúvida, o mais destrutivo dos seis temores básicos. Foi colocado no alto da lista por ser o mais difícil de dominar. Nasceu da tendência herdada do homem de atacar, economicamente, seu semelhante. Quase todos os animais inferiores ao homem são motivados pelo instinto, mas como sua capacidade de pensar é limitada, atacam um ao outro fisicamente. O homem, com seu senso superior de intuição, com capacidade de pensar e argumentar, não come seu semelhante corporalmente; sente mais satisfação em “comê-lo” financeiramente. O homem é tão avarento que todas as leis concebíveis já foram promulgadas, para salvaguardá-lo de seu semelhante.

Nada lhe traz mais sofrimento e humilhação que a pobreza! Só os que já experimentaram a pobreza compreendem o pleno significado disso.

Não é de se admirar que o homem tema a pobreza. Numa longa linha de experiências herdadas, o homem aprendeu, com certeza, que alguns de seus semelhantes não merecem confiança, quando se trata de questões de dinheiro e possessões terrenas.

Tão ávido é o homem que para possuir riqueza, será capaz de adquiri-la de qualquer maneira possível – por métodos legais, se puder – por outros métodos, se necessário e conveniente.

A auto-análise pode revelar fraquezas que a gente não gosta de reconhecer. Essa espécie de exame é essencial a todos que exigem da vida mais que mediocridade e pobreza. Lembre-se, ao examinar-se ponto por ponto, que você é tanto o tribunal como o júri, o promotor público e o advogado de defesa e que você é autor e réu; e, também, que está sendo julgado. Encare os fatos corajosamente. Faça-se perguntas definidas e exija respostas diretas. Quando o exame terminar, saberá mais a seu próprio respeito. Se achar que não pode ser juiz imparcial nesse auto-exame, chame alguém que o conheça bem, para servir de juiz, enquanto você se submete a um auto-interrogatório. Você está à procura da verdade. Consiga-a, não importa o preço, mesmo que o deixe temporariamente embaraçado!

A maioria das pessoas, se interrogadas do que têm mais medo, responderiam: “Nada temo.” A resposta seria inexata, porque poucos percebem que estão atados, em desvantagem, fustigados, física e espiritualmente, por alguma espécie de temor. A emoção do medo está tão sutil e profundamente arraigada, que se pode atravessar a vida sob seu jugo, sem jamais reconhecer-lhe a presença. Só uma análise corajosa poderá revelar a presença desse inimigo universal. Ao começar a análise, examine profundamente seu caráter. Eis a lista de sintomas que você deve procurar:

SEIS SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO DA POBREZA

1. Indiferença: Comumente expressa pela falta de ambição, vontade de tolerar a pobreza, aceitação de qualquer compensação que a vida possa oferecer sem protesto, preguiça mental e física, falta de iniciativa, imaginação, entusiasmo e auto-controle.

2. Indecisão: Hábito de permitir que outros pensem por nós. Ficar “na moita”.

3. Dúvida: Geralmente expressa por álibis e desculpas, designadas para disfarçar, explicar ou desculpar-se dos fracassos, às vezes aparece em forma de inveja dos bem sucedidos, ou por críticas a eles.

4. Preocupação: Expressa geralmente encontrando defeitos nos outros, tendência a gastar além das rendas, negligência da aparência pessoal: zangas e carrancas: intemperança no uso de bebidas alcoólicas às vezes pelo uso de narcóticos; nervosismo, falta de equilíbrio e constrangimento.

5. Cautela exagerada: Hábito de procurar o lado negativo de todas as circunstâncias, pensando e falando de possíveis fracassos, em vez de se concentrar nos meios de lograr êxito; saber de todos os caminhos que levam ao desastre, sem nunca procurar evitá-los; esperar pelo “momento exato” de começar a por idéias e planos em ação até a espera se tornar hábito permanente; lembrar sempre os fracassados, esquecendo-se dos bem sucedidos; venda os buracos no queijo, sem ver o queijo, pessimismo, que leva à indigestão, eliminação deficiente, auto-intoxicação, mau hálito e má disposição.

6. Procrastinação: Hábito de adiar para amanhã o que deveria ter sido feito o ano passado. Perder tempo em criar álibis e desculpas por não ter feito uma tarefa. O sintoma é intimamente ligado à cautela exagerada, dúvida e preocupação; recusa na aceitação de responsabilidades, podendo evitá-las; vontade de entrar em acordo. Em vez de lutar com firmeza; aceitar dificuldades, em vez de vencê-las e usá-las como trampolins ao progresso; pechinchar com a vida por um centavo, em vez de exigir prosperidade, opulência, riquezas, contentamento e felicidade; planejar o que fazer se e quando o fracasso chegar, em vez de queimar as pontes e tomar impossível a retirada; fraqueza e, muitas vezes, falta total de autoconfiança, propósito definido, autocontrole, iniciativa, entusiasmo, ambição, parcimônia. E capacidade de raciocínio sensato; esperar pobreza, em vez de exigir riquezas; ligar-se aos que aceitam a pobreza, em vez de procurar a companhia dos que exigem e recebem riquezas.

“Apenas Dinheiro” Indagarão alguns: “Por que escreveu um livro sobre dinheiro? “Por que medir riqueza em dinheiro, apenas?” Alguns acreditarão, com razão, que existem outras formas de riqueza, mais desejáveis que o dinheiro. Sim, há riquezas que não podem ser medidas em termos de dinheiro, mas há milhares de pessoas que dirão: “Dê-me todo o dinheiro de que necessito e encontrarei tudo o mais que desejo”.

A principal razão de eu ter escrito este livro de como ganhar dinheiro é o fato de milhões de homens e mulheres estarem paralisados de medo da pobreza. O que essa espécie de medo causa a pessoa foi bem descrito por Westbrook Pegler: 

Dinheiro é apenas concha de molusco ou disco de metal ou, ainda, pedaços de papel. Há tesouros da alma e do coração que o dinheiro não pode comprar, mas a maioria das pessoas, estando sem dinheiro, não consegue ter isso em mente, mantendo a coragem. Quando um homem está sem nada, jogado na rua da amargura, incapaz de obter qualquer emprego, algo lhe acontece ao espírito, que pode ser observado pelo arcar dos ombros, a posição do chapéu, o andar, o olhar. Não consegue fugir à sensação de inferioridade diante de gente que tem emprego, mesmo sabendo, com certeza, que não são seus iguais em caráter, inteligência ou capacidade.

Essa gente – mesmo os amigos – sentem, por outro lado, uma sensação de superioridade e o encaram, talvez inconscientemente, como acidente. Esse poderá pedir dinheiro emprestado, por algum tempo, mas não o suficiente para continuar sua vida costumeira e nem poderá fazê-lo por muito tempo. Mas o próprio fato de pedir emprestado, quando se trata simplesmente de sobreviver, é uma experiência deprimente e falta ao dinheiro emprestado o poder que têm o dinheiro ganho, para animá-lo. É claro que nada disso se aplica aos vagabundos ou boas-vidas habituais, mas apenas a homens de ambição e dignidade normais.

Mulheres nas mesmas condições devem ser diferentes. Nunca pensamos nas mulheres, ao considerar os vencidos. Poucas se acham nas filas de caridade, raramente são vistas pedindo esmola nas ruas e não são reconhecíveis na multidão pelos mesmos sinais patentes que identificam o homem derrotado. Naturalmente não me refiro às bruxas que arrastam os pés nas ruas da cidade e que são o correspondente dos vagabundos masculinos conformados. Refiro-me às mulheres razoavelmente jovens, decentes e inteligentes. Deve haver muitas delas, mas seu desespero não é aparente. Talvez se matem. 

Quando o homem está vencido, tem tempo de sobra para se preocupar. Pode viajar muitos quilômetros para ver alguém a respeito de um emprego e descobrir que já foi preenchido ou que é um desses empregos sem pagamento fixo, mas dependente de comissão sobre as vendas de alguma bugiganga inútil, que ninguém compra, a não ser de dó. Se recusar, estará de volta à rua da amargura, sem ter para onde ir. Então, anda e anda. Olha para as vitrines das lojas e os luxos inacessíveis, sentindo-se inferior e dando passagem aos que param para olhar com interesse ativo. Vai para a estação ferroviária ou se senta na biblioteca para descansar as pernas e aquecer-se um pouco, mas isso não é procurar emprego, de modo que ele recomeça outra vez. Pode não sabê-lo, mas sua falta de objetivo o trairia, mesmo que sua silhueta não o fizesse. Pode estar até bem vestido, com roupas que sobraram do tempo do emprego firme, mas que não disfarçam o abatimento.

Vê milhares de pessoas, guarda-livros, funcionários, químicos ou ajudantes de vagões, ocupados no serviço, e os inveja do fundo da alma. Eles possuem independência, dignidade e masculinidade, enquanto ele simplesmente não consegue se convencer de que é bom também, embora o discuta consigo mesmo e chegue a um veredicto favorável, hora após hora.

É apenas o dinheiro que faz a diferença. Com um pouco de dinheiro seria ele mesmo novamente. 

VOCÊ TEME AS CRÍTICAS?

Exatamente de que modo o homem chegou a esse temor, ninguém o sabe com certeza – mas uma coisa é certa: ele o tem de maneira bastante desenvolvida. 

O autor tende a atribuir o medo básico à crítica a parte da natureza herdada do homem, que não só o encoraja a tirar os bens e objetos do seu semelhante, mas ainda a justificar a ação, criticando o caráter do seu semelhante. É fato conhecido que o ladrão crítica o homem de quem furta, que políticos procuram vantagens não expondo suas virtudes e qualidades, mas tentando manchar seus oponentes. 

Astutos fabricantes de roupas não foram lerdos em capitalizar esse medo básico à crítica, maldição de toda a humanidade. De estação em estação, mudam os estilos de muitos artigos de vestuários. Quem estabelece os estilos? É claro que não é o comprador de roupas, mas o fabricante. Porque os muda com tanta freqüência? A resposta é óbvia: muda os estilos para poder vender mais roupas. 

Pela mesma razão os fabricantes de automóveis mudam os estilos dos modelos, a cada ano. Poucos querem ter um carro que não seja do último tipo.

Estávamos descrevendo o modo pelo qual as pessoas se comportam sob a influência do temor à crítica, no que se refere às pequenas e mesquinhas coisas da vida. Examinemos agora o comportamento humano, quando esse temor afeta as pessoas em relação a fatos mais importantes nas relações humanas. Tomemos como exemplo praticamente qualquer pessoa que tenha chegado a idade da maturidade mental (dos 35 aos 40 anos, como média geral). Se se pudesse ler-lhe os pensamentos secretos, encontraríamos, em geral, uma descrença muito decidida nas fábulas que inúmeros dogmáticos ensinavam há algumas décadas. 

Por que é que a pessoa média, mesmo nos nossos dias de esclarecimento, hesita em negar sua crença nas fábulas? A resposta é: “Medo da crítica”. Homens e mulheres já foram queimados vivos por ousarem manifestar descrença em fantasmas. Não é de admirar que tenhamos herdado uma consciência que nos faz temer as críticas. Houve época, e não muito distante, em que a crítica trazia severos castigos – ainda os traz, em alguns países. 

O medo à crítica rouba a iniciativa ao homem, destrói-lhe o poder de imaginação, limita-lhe a individualidade, tira-lhe a autoconfiança, causando-lhe danos em centenas de outras maneiras. Pais causam aos filhos, às vezes, ferimentos irreparáveis, ao criticá-los. A mãe de um de meus companheiros de infância costumava castigá-lo quase diariamente, com uma chibata, sempre completando a obra com a afirmação: “Você acabará na penitenciária antes dos vinte.” Mandaram-no a um reformatório, aos dezessete anos de idade. 

Crítica é uma forma de serviço que todos têm em demasia. Todos possuem um estoque dela, distribuindo-a, de graça, quer a pedido, quer não. Os parentes mais próximos são, às vezes, os piores ofensores. Deveria ser considerado crime (na realidade é crime da pior espécie) os pais criarem complexos de inferioridade na mente da criança, por críticas desnecessárias. Empregadores que compreendem a natureza humana conseguem o máximo dos homens, não através de críticas, mas por sugestões construtivas. O mesmo resultado pode ser obtido pelos pais, com relação aos filhos. A crítica implanta o medo no coração humano, ou então ressentimento, mas nunca amor ou afeição. 

SETE SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO À CRÍTICA

Esse medo é quase tão universal quanto o medo da pobreza e seus efeitos fatais a realização pessoal, principalmente porque destrói a iniciativa e desencoraja o uso da imaginação. Os sintomas principais são:

1. Acanhamento: Geralmente expresso por nervosismo, timidez na conversação e em conhecer estranhos, movimentos desajeitados das mãos e membros, olhares desviados.

2. Falta de equilíbrio: Expressa por falta de controle da voz, nervosismo na presença dos outros, má postura do corpo, péssima memória.

3. Personalidade fraca: Falta de firmeza nas decisões, de encanto pessoal e capacidade de exprimir opiniões com firmeza. Hábito de desviar-se dos assuntos, em vez de encará-los. Concordância com os outros, sem antes examinar-lhes as opiniões, com cuidado.

4. Complexo de inferioridade: Hábito de expressar auto-aprovação oralmente e por ações, como meio de disfarçar o sentimento de inferioridade; usar palavras “grandiloquentes” para impressionar os outros (muitas vezes sem conhecer-lhes o verdadeiro significado), imitar outros na maneira de vestir, falar e nos modos, jactando-se de realizações imaginárias. Isso dá, por vezes, a aparência superficial de um sentimento de superioridade.

5. Extravagância: Hábito de tentar “emparelhar com os Silva”, gastando além das possibilidades.

6. Falta de iniciativa: Fracasso em aproveitar oportunidades de progredir, medo de expressar opiniões. Falta de confiança nas próprias idéias, dando respostas evasivas as perguntas formuladas por superiores, hesitarão nas maneiras e no falar, falsidade nas palavras e feitos.

7. Falta de ambição: Lassidão mental e física, falta de auto-afirmação, lentidão em chegar às decisões, facilidade em ser influenciado; hábito de criticar os outros, nas costas e elogiá-los na frente; hábito de aceitar a derrota sem protesto ou fugir a um empreendimento, se encontrar oposição; suspeita imotivada dos outros, falta de tato nas maneiras e no falar, má vontade em aceitar a culpa dos erros.

VOCÊ TEME A SAÚDE DEFICIENTE?

Esse medo tem suas raízes na hereditariedade, tanto física, como mental. Está intimamente associado. Em sua origem, as causas do medo da velhice e da morte, porque conduz as fronteiras de “mundos terríveis”, dos quais o homem nada sabe, mas dos quais ouviu histórias desconcertantes. Existe também a opinião, algo generalizada, de que certas pessoas sem ética fazem negócios “vendendo saúde”, mantendo vivo o medo da doença.

De modo geral, o homem teme a saúde deficiente por causa dos terríveis quadros plantados em sua mente, do que pode acontecer se a morte o alcançar. Teme-a também pela taxa econômica que representaria.

Um médico de renome calculou que 75% das pessoas que consultam médicos sofrem de hipocondria (doença imaginária). Já se demonstrou, de maneira convincente, que o medo da doença, mesmo não havendo a menor causa para o medo, muitas vezes produz os sintomas físicos da moléstia temida.

Poderosa é grande e a mente humana! Pode construir e pode destruir.

Explorando a fraqueza comum do medo a doença, vendedores de remédios patenteados amontoaram fortunas. Essa forma de engano da crédula humanidade prevaleceu a tal ponto há algumas décadas, que uma revista popular fez amarga campanha contra os piores ofensores no negócio dos remédios patenteados.

Por uma série de experiências feitas há alguns anos, foi provado que se pode tornar as pessoas doentes, por sugestões. Fizemos a experiência pedindo a três conhecidos que visitassem as “vítimas”, perguntando: “O que é que tem? Você parece estar muito doente.” o primeiro geralmente provocava um sorriso e um casual: “Nada, estou muito bem”. Ao segundo a vítima geralmente afirmava: “Não sei exatamente. mas sinto-me mal”. O terceiro já recebia a admissão franca de que a vítima estava realmente se sentindo doente.

Tente isso com algum conhecido seu, se dúvida que o fará ficar inquieto, mas não vá longe demais com a experiência. Há certa seita religiosa, cujos membros se vingam dos inimigos pelo método da “bruxaria”. Chamam-no de “enfeitiçar” a vítima.

Existem provas arrasadoras de que a doença, às vezes, começa em forma de impulso de pensamento negativo. Tal impulso pode ser passado de uma mente a outra, por sugestão, ou criada pelo individuo  em sua própria mente.

Um homem de mais sabedoria do que possa parecer por esse incidente, disse certa vez: “Se alguém me pergunta como me sinto, sempre quero responder derrubando-o”.

Médicos costumam mandar pacientes para climas novos, porque se faz necessária uma mudança de “atitude mental”. A semente do medo da doença vive em todas as mentes humanas. Preocupação, medo, desânimo, decepção no amor e nos negócios faz com que a semente germine e cresça.

Decepções em negócios e no amor encabeçam a lista das causas da saúde deficiente. Um jovem sofreu tal decepção amorosa, que foi parar no hospital. Ficou, durante meses, entre a vida e a morte. Chamaram um especialista em psicoterapia. Esse mudou as enfermeiras, mandando uma jovem encantadora, que começou (de acordo com o médico), a namorá-lo desde o primeiro dia em que entrou no emprego. Três semanas depois, o paciente recebeu alta, sofrendo ainda, mas de doença bem diferente. Amava novamente. O remédio foi um embuste, mas paciente e enfermeira se casaram, mais tarde.

SETE SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO DE DOENÇA

1. Auto-sugestão: Hábito do uso negativo da auto-sugestão, procurando e esperando encontrar, sintomas de todas as espécies de doença; “gozar” de doença imaginária e falando dela como se fora real; hábito de tentar todas as “modas” e “ismos”, recomendados por outros, como tendo valor terapêutico; falar com os outros sobre operações, acidentes e outras formas de doenças,experimentar dietas, exercícios físicos, sistemas de perder peso, sem orientação profissional; tentar remédio caseiros, remédios patenteados e remédios de charlatães.

2. Hipocondria: Hábito de falar em moléstias, concentrando a mente em doenças e esperando-lhes o aparecimento até haver um esgotamento nervoso. Nada que vem em frascos pode curar esse estado. É provocado por pensamentos negativos e somente pensamentos positivos poderão curá-lo. A hipocondria (termo médico para doenças imaginárias) é causadora de tanto dano, ocasionalmente, quanto a própria moléstia poderia causar. Muitos casos “nervosos” provem de doenças imaginárias.

3. Indolência: o temor de saúde precária freqüentemente interfere com os exercícios físicos corretos e produz excesso de peso, fazendo com que se evite a vida ao ar livre.

4. Suscetibilidade: Medo de má saúde quebra a resistência natural do organismo, criando condições favoráveis a qualquer forma de moléstia que se possa contrair. O medo de doenças está comumente relacionado ao medo da pobreza, especialmente no caso do hipocondríaco, que se preocupa sempre com a possibilidade de ter de pagar contas de médico, de hospital, etc. Esse tipo de pessoa perde muito tempo preparando-se para a doença, falando sobre morte, economizando dinheiro para lotes no cemitério e despesas de funeral, etc.

5. Mimar a si mesmo: Hábito de tentar despertar piedade, usando a doença imaginária como meio (esse truque é muitas vezes empregado para evitar trabalho); hábito de fingir doença, para disfarçar a preguiça, ou como álibi para a falta de ambição.

6. Intemperança: Hábito do uso de álcool ou narcóticos, para eliminar dores, como a de cabeça, nevralgia, etc., em vez de eliminar-lhes a causa.

7. Preocupação: Hábito de ler sobre doenças e preocupar-se com a possibilidade de ser por elas atingido, assim como o hábito de ler anúncios de remédios patenteados.

VOCÊ TEME A PERDA DO AMOR?

A fonte original desse temor inerente data, obviamente, do hábito poligâmico do homem, de roubar a companheira de seu semelhante e do hábito de tomar liberdades com ela, sempre que pode.

Ciúme e outras formas similares de neurose originam-se do medo herdado da perda de amor. Esse é o mais doloroso dos seis temores básicos. Provavelmente produz mais destruição no corpo e no espírito que qualquer outro dos temores básicos.

O medo da perda do amor possivelmente se origina da idade da pedra, quando os homens arrebatavam as mulheres pela força bruta. Continuam a roubar mulheres, mas a técnica mudou. Em vez de força, empregam agora a persuasão, promessa de belas roupas, lindos carros e outras “iscas”, muito mais eficazes que a força física. Os hábitos do homem são os mesmos da aurora da civilização, só que são expressos de maneira diferente.

Análise cuidadosa demonstrou que as mulheres são mais suscetíveis a esse temor que os homens. O fato se explica facilmente. As mulheres aprenderam, por experiência, que os homens são polígamos por natureza, que não se pode confiá-los às mãos de rivais.

TRÊS SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO DA PERDA DO AMOR

1. Ciúme: Hábito de suspeitar de amigos e de criaturas amadas, sem qualquer prova razoável, sem motivo suficiente; hábito de acusar a esposa ou o marido de infidelidade, sem motivo; suspeita geral, de todos, sem fé absoluta em ninguém.

2. Encontrar defeitos: Hábito de encontrar defeitos em amigos, parentes, sócios comerciais e seres amados, à menor provocação, ou sem causa alguma.

3. Jogo: Hábito de jogar, furtar, enganar e aproveitando outras oportunidades perigosas para conseguir dinheiro para os seres amados, com a crença de que o amor pode ser comprado; hábito de gastar além dos meios ou incorrer em dívidas para dar presentes a quem se ama, com o intuito de causar impressão favorável; insônia nervosismo, falta de persistência, fraqueza de vontade, falta de autocontrole, falta de confiança em si mesmo, mau gênio.

VOCÊ TEME A VELHICE?

De modo geral, esse temor provém de duas fontes. Em primeiro lugar está o pensamento de que a velhice pode trazer pobreza. Em segundo lugar, e muito mais comum, de ensinamentos falsos e cruéis do passado, muito bem misturados com “fogo e enxofre” e outras superstições, astutamente planejadas para escravizar o homem pelo medo.

No temor básico da velhice, o homem tem duas razões sólidas para apreensão: uma nascida da desconfiança em relação a seus semelhantes que poderão se apossar de todos os bens terrenos que possui, outra originada dos quadros terríveis que seu espírito guarda do mundo do além.

A possibilidade de doença, mais comum na velhice também é causa que contribui ao temor da idade provecta. Erotismo também contribui para o medo da velhice, pois ninguém se alegra com a ideia da diminuição da atração sexual.

A causa mais comum de medo da velhice está ligada a possibilidade de pobreza. “Asilo” não é palavra bonita. Arrepia a todos os que encaram a possibilidade, de ter de passar os últimos anos numa instituição para velhos pobres.

Outra causa que contribui ao temor da velhice e a possibilidade de perda de liberdade e independência, pois a idade avançada pode trazer a perda tanto da liberdade física como da econômica.

QUATRO SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO DA VELHICE

1. Diminuição prematura de ritmo: Tendência de diminuir o ritmo por volta dos quarenta anos – idade da maturidade mental – e de desenvolver um complexo de inferioridade acreditando-se decadente devido à idade.

2. Desculpas pela idade: Hábito de falar, como quem se desculpa de estar velho, só por ter alcançado a idade de quarenta ou cinqüenta. Ao contrário, dever-se-ia expressar gratidão, por se ter alcançado a fase da sabedoria e da compreensão.

3. Perda da iniciativa: Iniciativa, imaginação e autoconfiança se perdem quando se acredita, falsamente, que se é velho demais para exercer tais qualidades.

4. Disfarçar-se de jovem: Hábito de adotar vestuário e maneiras de gente moça. O que só causa ridículo, diante de amigos e estranhos e é bastante comum.

VOCÊ TEME A MORTE?

Para alguns esse é o temor básico mais cruel. A razão é óbvia. A terrível angústia do medo, ligado ao pensamento da morte, pode ser atribuído, em muitos casos, a fanatismo religioso. Os supostos “pagãos” temem menos a morte que os “civilizados”. Durante milhares de anos o homem continua fazendo as perguntas não respondidas: “De onde?” e “Para onde?”. “De onde venho e para onde vou?”

Em épocas menos esclarecidas, no passado, os astutos e hábeis eram rápidos em oferecer respostas a essas perguntas, por determinado preço.

“Vem à minha tenda, abraça a minha fé, aceita meus dogmas e te darei a entrada que te admitirá diretamente ao céu, quando morreres”, proclama um líder do sectarismo. “Permanece fora de minha tenda e o diabo te levará e te queimará por toda a eternidade.”

A ideia do castigo eterno destrói o interesse na vida e torna a felicidade impossível.

Conquanto o líder religioso não possa fornecer salvo-conduto ao céu, nem (por falta de tal disposição) permitir que o infeliz desça ao inferno, essa última possibilidade parece tão terrível que o próprio pensamento toma conta da imaginação, de maneira tão realista que paralisa a razão é causa o medo da morte.

Atualmente o temor da morte já não é tão comum quanto o era, na época em que não havia ainda as grandes universidades. As cientistas lançaram as luzes da verdade sobre o mundo e essa verdade está libertando, rapidamente, homens e mulheres, do terrível medo da morte. As jovens que frequentam as universidades e outras instituições de ensino não se impressionam facilmente com o “fogo e o enxofre”. Com o auxílio da biologia, da astronomia, da geologia e outras ciências afins, os temores da Idade Média, que dominavam a mente humana, foram dissolvidos.

O mundo inteiro consiste apenas de duas coisas: energia e matéria. Em física elementar aprendemos que nem a matéria nem a energia (as únicas realidades que o homem conhece), podem ser criadas ou destruídas. Tanto a matéria como a energia podem ser transformadas, mas nunca destruídas.

A vida é energia, não há dúvida nenhuma. Se nem energia, nem matéria podem ser destruídas, é claro que a vida não pode ser destruída. Como outras formas de energia, pode passarpor vários processos de transição, ou transformação, mas não pode ser destruída. A morte é mera transição.

Se a morte não for mera transformação ou transição, então nada mais vem depois dela senão um sono longo, eterno, tranqüilo e o sono não deve ser temido. Assim, você poderá eliminar, para sempre, o medo da morte.

TRÊS SINTOMAS QUE DEMONSTRAM MEDO DA MORTE

1. Pensar em morrer: Hábito que prevalece entre os idosos, embora os mais jovens se preocupem muitas vezes com a morte em vez de aproveitar a vida ao máximo. Isso se deve,freqüentemente à falta de propósito ou a inabilidade de encontrar – talvez graças à falta de propósito – uma profissão adequada. O maior remédio para o medo da morte é o desejo ardente de realização, baseado em serviços úteis aos outros. A pessoa ocupada não pensa em morrer.

2. Associação com o medo da pobreza: Pode-se temer o assalto da pobreza na própria vida ou que a morte cause pobreza aos seres amados.

3. Associação com doença ou desequilíbrio: Doença física pode levar à depressão mental. Decepção no amor, fanatismo religioso, estado grave de neurose ou insanidade mesmo são também causas do medo da morte.

PREOCUPAÇÃO É MEDO

A preocupação é um estado de espírito, baseado no medo. Age com lentidão, mas persistentemente. É insidiosa e sutil. Passo a passo ela se infiltra, até paralisar a faculdade de raciocínio, destruindo a autoconfiança e a iniciativa. Preocupação é uma forma de medo admitido, causado pela indecisão: portanto, é um estado de espírito controlável.

Mente alterada é mente inútil. A indecisão altera a mente. A maioria das pessoas não possui o poder de chegar às decisões com rapidez, sustentando-as depois de tornadas.

Condições não nos preocupam, uma vez alcançada a decisão de seguir uma linha de ação definida. Certa vez entrevistei um homem que seria eletrocutado dali a duas horas. O condenado era o mais calmo dos oito prisioneiros, que com ele estavam na cela da morte. Sua calma fez com que lhe perguntasse o que sentia, sabendo que entraria na eternidade dali a pouco. Com um sorriso de confiança, respondeu: “Sinto-me otimamente. Imagine só, companheiro, minhas preocupações logo terminarão. Só tive preocupações em toda a minha vida. Sempre foi difícil conseguir alimento e vestuário. Logo mais não precisarei dessas coisas. Sinto-me bem desde que soube, com certeza, que deveria morrer. Resolvi, então, aceitar o destino com bom humor”.

Enquanto falava, devorava um jantar de proporções suficientes para três homens, comendo cada porção que lhe traziam e, aparentemente, apreciando-as como se nada fatal o aguardasse. A decisão lhe trouxe resignação ao seu destino! A decisão pode também impedir a aceitação de circunstâncias indesejáveis.

Os seis temores básicos se traduzem num estado de preocupação, através da indecisão. Liberte-se para sempre do medo da morte, chegando à decisão de aceitar a morte como um acontecimento inevitável. Vença o medo da pobreza chegando a decisão de se conformar com qualquer riqueza que possa acumular sem preocupações. Pise com força no medo da crítica, alcançando a decisão de não se preocupar com o que os outros possam pensar, fazer ou dizer. Elimine o medo da velhice, tomando a decisão de aceitá-la, não como desvantagem, mas como benção, que traz sabedoria, autocontrole e compreensão desconhecidos à juventude. Isente-se do medo das doenças com a decisão de esquecer os sintomas. Domine o medo da perda de amor, chegando à decisão de viver sem amor, se isso for necessário.

Mate o hábito de preocupação, sob todos os aspectos, tomando a decisão geral, coletiva, de que nada que a vida tem a oferecer vale o preço da preocupação. Com essa decisão virá o equilíbrio, paz de espírito e a tranqüilidade de pensamento que trazem a felicidade.

O homem cuja mente está cheia de medo, não só destrói suas próprias oportunidades de ação inteligente, como transmite essas vibrações destrutivas as mentes dos que entram em contato com ele, destruindo-lhes, ainda, as oportunidades.

Até o cachorro e o cavalo sabem quando falta coragem ao dono; captarão as vibrações de medo emitidas pelo dono, comportando-se de acordo. Mesmo descendo a escala da inteligência, no reino animal, encontra-se essa mesma capacidade de captar as vibrações de medo.

PENSAMENTO QUE DESTRÓI

As vibrações de medo passam de uma mente a outra com a mesma rapidez e segurança com que o som da voz humana passa da estação transmissora ao aparelho receptor de rádio.

A pessoa que exprime em palavras pensamentos negativos e destrutivos é quase certo que experimente os resultados de suas palavras, em forma de “retribuição” destrutiva. A liberação de impulsos de pensamentos destrutivos, sem auxílio de palavras, também produz “retribuição” de vários modos. Em primeiro lugar, e talvez o mais importante de ser lembrado, é que a pessoa que libera pensamentos de natureza destrutiva deve sofrer danos através do aniquilamento da faculdade da imaginação criadora. Em segundo lugar, a presença de qualquer emoção destrutiva na mente desenvolve uma personalidade negativa, que repele as pessoas, convertendo-as, freqüentemente, em inimigas. A terceira fonte de danos à pessoa que alimenta ou libera pensamentos negativos jaz nesse fato significativo: os impulsos de pensamento não só são prejudiciais a outros, como também se infiltram no subconsciente da pessoa que os libera, tornando-se parte de seu caráter.

O que você procura na vida, presumivelmente, é alcançar sucesso. Para ser bem sucedido é preciso encontrar paz de espírito, satisfazer as necessidades materiais da vida e, acima de tudo, atingir a felicidade Todas essas evidências de sucesso começam em forma de impulsos de pensamento.

Você pode controlar a mente, tem o poder de fornecer-lhe os impulsos de pensamento que escolher. Com esse privilégio vai também a responsabilidade de usá-lo de maneira construtiva. Você é o senhor de seu destino terreno, do mesmo modo que possui o poder de controlar seu ambiente, tornando sua vida o que deseja que ela seja – ou pode deixar de exercer o privilégio que lhe pertence, de fazer sua vida de encomenda, jogando-se assim ao alto mar das “circunstâncias”, onde será balançado para cá e para lá, qual casquinha nas ondas do oceano.

VOCÊ É SUSCETÍVEL DEMAIS?

Somado aos Seis Temores Básicos, existe outro mal de que sofrem as pessoas. Constitui solo rico, em que as sementes do fracasso crescem em abundância. É tão sútil, que sua presença muitas vezes nem e notada. Essa atribulação não pode ser chamada, com propriedade, de temor. Está mais arraigada e é mais freqüentemente fatal que todos os seis temores juntos. Por falta de um nome melhor, chamemos o mal de suscetibilidade a influências negativas.

Homens que acumulam grandes riquezas sempre se protegem contra o mal. Os indigentes nunca o fazem! Os que obtêm êxito em qualquer profissão devem preparar a mente para resistir ao mal. Se você está estudando esta filosofia com o intuito de acumular riquezas, examine-se com cuidado, para determinar se é suscetível a influências negativas. Se negligenciar essa auto-análise, perderá o direito de alcançar o objeto de seus desejos.

Faça uma análise perscrutadora. Depois de ler as perguntas preparadas para a auto-análise, atenha-se a um balanço estrito, nas respostas. Enfrente a tarefa com o mesmo cuidado com que vasculharia a presença de outro inimigo, que o estivesse esperando numa armadilha e saiba lidar com as próprias falhas como o faria com um inimigo mais tangível.

Você pode facilmente se proteger contra assaltantes de estrada, porque a lei fornece cooperação organizada a seu favor; mas esse “sétimo mal básico” é mais difícil de dominar porque o ataca quando você nem lhe percebe a presença. Enquanto você dorme e enquanto está desperto. A arma que usa é intangível, porque consiste apenas de um estado de espírito. O mal também é perigoso, porque ataca em tantas formas quantas são as experiências humanas. Às vezes, penetra a mente pelas palavras bem intencionadas dos próprios parentes. Outras vezes, vem de dentro, pela própria atitude mental de cada um. É sempre mortal como o veneno, embora não mate com tanta rapidez.

PROTEJA-SE

Para proteger-se contra influências negativas, sejam de sua própria criação ou resultado de atividades de pessoas negativas, que o cercam, reconheça que possui força de vontade, colocando-o em uso constante até formar um muro de imunidade contra influências de sua mente.

Reconheça o fato de que você e todo o ser humano são, por natureza, preguiçosos, indiferentes e suscetíveis às sugestões que se harmonizem com suas fraquezas.

Reconheça que você é suscetível, por natureza, aos seis temores básicos, adquirindo hábitos que combatam tais temores.

Reconheça que influências negativas muitas vezes se exercem sobre seu subconsciente, o que torna difícil captá-las e conserve a mente fechada contra as pessoas que o deprimem ou desanimam de algum modo.

Falta uma limpeza no armário de remédios, jogando fora as comprimidos e pare de alcovitar resfriados, dores e doenças imaginárias.

Procure, deliberadamente, a companhia de gente que a influencie a pensar e agir por si.

Não espere aborrecimentos, pois eles têm o costume de não desapontá-lo.

Sem dúvida, a fraqueza mais comum dos seres humanos é a de deixar a mente aberta à influência negativa dos outros. Essa fraqueza é ainda mais prejudicial porque a maioria das pessoas não reconhece que carrega consigo a maldição e os que a reconhecem, deixam de corrigi-la ou recusam-se a corrigir o mal até se tomar parte incontrolável de seus hábitos diários.

Para ajudar aos que se querem ver como realmente são, foi preparada essa lista de perguntas. Leia-as e dê as respostas em voz alta, para que possa ouvir a própria voz. Isso lhe facilitará ser franco consigo mesmo.

PENSE ANTES DE RESPONDER

Você se queixa, com freqüência, de “sentir-se mal” e, quando isso acontece, qual a causa?

Encontra defeitos nos outros à menor provocação. Comete erros freqüentes em seu trabalho e, se é assim, por quê?

É sarcástico e ofensivo ao conversar?

Evita, deliberadamente, a companhia de qualquer pessoa e, sendo assim, por quê?

Sofre muito de indigestão? Se sofre, qual a causa?

A vida lhe parece fútil e o futuro sem esperança? Gosta da sua profissão? Se não, por quê?

Sente, com freqüência, autocompaixão? Se sente, por quê?

Sente inveja dos que o superam?

A que dedica mais tempo: a pensar no sucesso ou no fracasso?

Está ganhando ou perdendo confiança em si mesmo, à medida que envelhece?

Aprende algo de valor, dos erros cometidos?

Permite que algum parente ou amigo o preocupe? Se é assim, por quê?

Acontece, às vezes, estar “nas nuvens” e outras vezes, nas profundezas do desespero?

Quem exerce sobre você a influência mais inspiradora? Qual a causa?

Tolera influências negativas ou desanimadoras podendo evitá-las?

Não se importa com a aparência pessoal? Sendo assim, quando e por quê?

Aprendeu a “afogar as magoas” ficando ocupado demais para que o aborreçam?

Chamar-se-ia de “Maria-vai-com-as-outras” se permitisse aos outros pensarem por você?

Quantos distúrbios evitáveis o aborrecem e por que os tolera?

Recorre à bebida, narcóticos ou cigarros para “acalmar os nervos”? Se é assim, por que não tenta a força de vontade em lugar deles?

Alguém o “caceteia”? Por quê?

Tem algum propósito importante e, sendo assim, o que é e quais os planos para alcançá-lo?

Sofre de algum dos seis temores básicos? De qual deles?

Possui um método que o proteja das influências negativas?

Faz uso deliberado da auto-sugestão, para tomar a mente positiva?

O que preza mais: suas propriedades materiais ou o privilégio de controlar os próprios pensamentos?

É facilmente influenciado por outros, contra seu próprio juízo?

O dia de hoje acrescentou alguma coisa ao seu estoque de conhecimentos ou estado de espírito?

Encara, com coragem as circunstâncias que o tomam infeliz ou evita a responsabilidade?

Analisa os erros e fracassos, tentando tirar vantagens deles, ou sua atitude é de que isso não lhe compete?

Pode enumerar três de suas fraquezas mais prejudiciais? O que está fazendo para corrigi-las?

Você anima os outros a lhe contarem suas preocupações, despertando-lhe a compaixão?

Escolhe, das experiências diárias, lições ou influências que possam ser úteis ao seu progresso pessoal?

Sua presença exerce influência negativa sobre os outros, via de regra?

Quais os hábitos alheios que mais o aborrecem?

Forma opiniões próprias ou deixa-se influenciar pelos outros?

Aprendeu a criar um estado de espírito capaz de escudá-lo contra influências desanimadoras?

Sua profissão lhe inspira fé e confiança?

Sente-se possuidor de forças espirituais de poder suficiente para manter a mente livre de todas as formas de medo?

A religião ajuda a manter sua mente objetiva?

Acha que é seu dever compartilhar das preocupações alheias? Por quê?

Se acredita que “cada qual com seu igual”, o que descobriu a seu respeito, estudando os amigos que atrai?

Qual a ligação, se é que existe, que vê entre as pessoas com as quais se dá mais intimamente e infelicidade que possa experimentar?

Seria possível que alguém, a quem considera amigo, seja na realidade seu pior inimigo, devido à influência negativa sobre sua mente?

De acordo com que regras julga os que lhe são úteis e os que lhe prejudiciais?

Seus companheiros mais íntimos são superiores ou inferiores a você mentalmente?

De cada vinte e quatro horas, quanto tempo dedica a:
a. suas ocupações
b. sono
c. jogos e descanso
d. aquisição de conhecimentos úteis
e. simples perda de tempo?

Quem, entre seus amigos:
a. o anima mais
b. o admoesta mais
c. o desanima mais?

Qual a sua maior preocupação? Por que a tolera?

Quando alguém lhe oferece conselho de graça, não solicitado, você o aceita sem discutir ou analisa-lhe os motivos?

O que deseja acima de tudo? Pretende adquiri-lo? Está disposto a subordinar todos os outros desejos a esse? Quanto tempo diário dedica a sua aquisição?

Você muda de opinião com freqüência? Por quê?

Costuma terminar tudo o que começa?

Impressiona-se facilmente com os negócios alheios ou títulos profissionais, graus universitários, riqueza?

É facilmente influenciável pelo que os outros pensam e dizem de você?

Liga-se às pessoas por causa do status social ou financeiro delas?

Qual, na sua opinião, a pessoa viva mais importante? De que modo essa pessoa lhe é superior?

Quanto tempo dedicou a estudar e responder a essas perguntas? (Pelo menos um dia é necessário para a análise e resposta da lista toda.)

Se respondeu com franqueza a todas as perguntas, sabe agora mais a seu próprio respeito do que a maioria das pessoas. Estude, cuidadosamente, as perguntas, volte a elas uma vez por semana, durante vários meses. E, surpreenda-se com a quantidade de conhecimentos extraordinários, de grande valor para você, que terá adquirido pelo simples método de responder as perguntas com franqueza. Se não tiver certeza das respostas referentes a algumas das questões, peça a orientação de quem o conheça bem, principalmente dos que não têm motivos para agradá-lo, e veja-se através dos olhos deles. A experiência será surpreendente.

A DIFERENÇA QUE O CONTROLE MENTAL FAZ

Você só tem controle absoluto sobre uma coisa: seus pensamentos. Esse é o fato mais significativo e inspirador que se conhece! Reflete a natureza divina do homem. Essa prerrogativa divina é o único meio pelo qual você pode controlar seu destino. Se você não conseguir controlar a mente, esteja certo de que não pode controlar mais nada. Se tiver de ser descuidado com suas posses, que o seja com relação às coisas materiais. A mente é sua propriedade espiritual! Projeta-a e use-a com o cuidado que a propriedade divina merece. Para isso lhe foi dada aforça de vontade.

Infelizmente, não há proteção legal contra os que, intencionalmente ou por ignorância, envenenam a mente alheia, por sugestão negativa. Esse tipo de destruição deveria ser punível por meio de pesadas penalidades legais, porque pode – e o faz muitas vezes – destruir as oportunidades de alguém adquirir coisas materiais, protegidas por lei.

Homens de mente negativa tentaram convencer Thomas A. Edison de que não saberia construir a máquina capaz de gravar e reproduzir a voz humana, “porque”, argumentavam, “ninguém tinha jamais produzido tal máquina.” Edison não lhes deu crédito. Tinha a certeza de que a mente poderia produzir qualquer coisa que concebesse e em que acreditasse e foi isso que elevou o grande Edison acima do rebanho comum.

Homens de mente negativa disseram a F. W. Woolworth que iria à falência, tentando dirigir uma loja dos “dois mil réis”. Não lhes deu confiança. Sabia que faria qualquer coisa razoável, se baseasse os planos na fé. Exercendo o direito de impedir que sugestões negativas alheias lhe penetrassem a mente, empilhou uma fortuna de mais de cem milhões de dólares.

Gente incrédula zombava, com desprezo, de Henry Ford, quando esse experimentou o primeiro automóvel, rusticamente construído, nas ruas de Detroit. Alguns afirmavam que a coisa nunca se tornaria prática. Outros diziam que ninguém daria dinheiro por uma geringonça daquelas. Ford proclamou: “Cercarei a Terra de automóveis seguros.” Foi o que fez! Para beneficiar os que procuram vastas riquezas, que seja lembrado que a única diferença entre Henry Ford e a maioria dos que trabalham é essa: Ford tinha mente e controlava-a. Outros as têm, mas não tentam controlá-la.

Controle mental é resultado de autodisciplina e hábito. Ou você controla a mente ou ela o controla. Não há meio termo. O método mais prático de controlar a mente é o hábito de manter-se ocupado, com propósito definido, apoiado em um plano definido. Estude a história de qualquer homem que tenha alcançado sucesso notável e observará que ele tem controle sobre a mente, além de exercer o controle e dirigi-lo para a realização de objetivos definidos. Sem esse controle, o sucesso não é possível.

VOCÊ USA ESSES ÁLIBIS?

As pessoas que não obtém êxito possuem um traço em comum. Conhecem todas as razões do fracasso e têm o que acreditam ser álibis incontestáveis para explicar sua falta de realizações.

Alguns dos álibis são inteligentes e há os que se justificam pelos fatos. Mas álibis não servem de dinheiro. O mundo só quer saber de uma coisa: você alcançou sucesso?

Um analista de caráter compilou uma lista dos álibis mais comumente empregados. Ao ler a lista, examine-se cuidadosamente, determinando quantos deles são propriedade sua. Lembre-se também que a filosofia apresentada nesse livro torna qualquer desses álibis obsoleto.

Se eu não tivesse mulher e família ...
Se eu tivesse “pistolão” ...
Se eu tivesse dinheiro ...
Se eu tivesse boa instrução ...
Se eu pudesse arranjar um emprego ...
Se eu gozasse de boa saúde ...
Se eu tivesse tempo ...
Se os tempos fossem melhores ...
Se os outros me compreendessem ...
Se as condições que me cercam fossem diversas ...
Se pudesse viver minha vida novamente ...
Se eu não temesse o que “eles” diriam ...
Se me tivessem dado uma oportunidade ...
Se eu tivesse agora uma oportunidade ...
Se não implicassem comigo ...
Se nada acontecer que me impeça ...
Se eu fosse mais jovem ...
Se eu pudesse fazer o que quero ...
Se tivesse nascido rico ...
Se pudesse encontrar “as pessoas certas” ...
Se eu tivesse o talento que alguns têm ...
Se eu ousasse me impor ...
Se eu tivesse aproveitado oportunidades passadas ...
Se as pessoas não me enervassem ...
Se eu não tivesse de lidar com a casa e com as crianças ...
Se eu pudesse economizar algum dinheiro ...
Se o patrão me desse valor ...
Se eu tivesse alguém que me ajudasse ...
Se minha família me entendesse ...
Se eu vivesse numa cidade grande ...
Se eu pudesse começar ...
Se eu fosse livre ...
Se eu tivesse a personalidade de algumas pessoas ...
Se eu não fosse tão gordo ...
Se conhecessem meu talento ...
Se pudesse conseguir uma oportunidade ...
Se pudesse saldar minhas dívidas ...
Se eu não tivesse fracassado ...
Se eu soubesse como ...
Se todos não fossem contra mim ...
Se eu não tivesse tantas preocupações ...
Se eu pudesse me casar com a pessoa certa ...
Se as pessoas não fossem tão tolas ...
Se minha família não fosse tão extravagante ...
Se eu tivesse mais confiança em mim mesmo ...
Se a sorte não estivesse contra mim ...
Se eu não tivesse nascido sob signo errado ...
Se não fosse verdade que “o que têm de ser, será” ...
Se eu não tivesse de trabalhar tão arduamente ...
Se eu não tivesse perdido dinheiro ...
Se eu morasse noutro bairro ...
Se eu não tivesse um “passado” ...
Se eu tivesse um negócio só meu ...
Se os outros me ouvissem ...

SE ... e esse é o maior de todos... se eu tivesse a coragem de me ver como sou realmente, descobriria o que há de errado comigo e me corrigiria. Poderia então ter oportunidade de lucrar com meus erros e aprender algo da experiência alheia, pois sei que há algo errado comigo, senão estaria agora onde estaria se tivesse passado mais tempo analisando minhas fraquezas e menos tempo criando álibis para encobri-las.

O HÁBITO FATAL AO SUCESSO

Criar álibis para explicar o fracasso é passatempo nacional. O hábito é antigo como a raça humana e é fatal ao sucesso! Por que é que as pessoas se agarram aos álibis favoritos? A resposta é óbvia. Defendem os álibis porque os criam! O álibi do homem é fruto de sua imaginação. É da natureza humana defender o filho cerebral.

Criar álibis é hábito profundamente arraigado. É difícil romper hábitos, especialmente quando são uma justificativa de algo que fazemos. Platão pensava nessa verdade, ao dizer: “A primeira e melhor vitória é conquistar a si mesmo. Ser conquistado por si mesmo é a mais vergonhosa e vil das coisas”.

Outro filósofo tinha o mesmo pensamento em mente, ao afirmar: “Foi para mim grande surpresa descobrir que toda a lealdade que via nos outros, não passava de reflexo de minha própria natureza”.

“É sempre um mistério para mim”, disse Elbert Hubbard, “por que as pessoas passam tanto tempo se iludindo, deliberadamente, criando álibis para encobrir suas fraquezas. Se fosse usado de maneira diferente esse mesmo tempo seria suficiente para curar a fraqueza, de modo que então não seriam necessários álibis”.

Encerrando, quero lembrar-lhe que: “A vida é um tabuleiro de xadrez e o jogador à sua frente é o tempo. Se você hesitar na jogada ou deixar de jogar com rapidez, suas peças serão eliminadas até lá. Você está jogando contra um parceiro que não tolera indecisão”!

Antigamente você poderia ter uma desculpa lógica por não ter forçado a vida a lhe dar o que queria, mas esse hábito é agora obsoleto, porque você está de posse da chave-mestra que abre a porta da vida a riquezas fartas.

A chave-mestra e intangível, mas poderosa! É o privilégio de criar, em sua mente, um desejo ardente por uma espécie definida de riquezas. Não há penalidade imposta pelo uso da chave, mas há um preço a pagar se não a usar. O preço é o fracasso. Há um prêmio de proporções estupendas se puser a chave em uso. É a satisfação que atinge aos que conquistam a si mesmos e forçam a vida a pagar a que lhe pedem.

O PRÊMIO VALE SEU ESFORÇO, VOCÊ VAI COMEÇAR A SE CONVENCER?

“Se tivermos afinidade”, disse o imortal Emerson, “encontrar-nos-emos.” Ao terminar, lanço mão do seu pensamento para dizer: “Se temos afinidade, então já nos encontramos, através dessas páginas”.

PONTOS A FIXAR:

Temores são comuns e alguns até justificáveis. Mas há os que podem lançar raízes e crescer sem que você o perceba – a não ser que se livre da indecisão e da dúvida, que semeiam as sementes do medo.

Os álibis que usar dizem muito a seu respeito. Nenhum álibi deve detê-lo, enquanto você segue a máxima: PENSE E ENRIQUEÇA.


Você reúne riquezas em dinheiro e riquezas incomensuráveis em dinheiro – embora o dinheiro o ajude a encontrar felicidade, vida longa, diversão, paz de espírito.


O mais valioso de todos os tesouros – a boa saúde – pode ser seu se dominar o medo e se livrar das doenças que pode trazer. Os mais deslumbrantes tesouros estão à sua espera, para que estenda as mãos e os alcance!


O homem sem temor vence nos horizontes longínquos.


Biografia

Napoleon Hill nasceu 26 de outubro 1883 no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos em uma família pobre e morreu no ano 1970. Quando tinha 10 anos de idade sua mãe morreu e, em seguida, se tornou um filho rebelde.

Dois anos depois seu pai se casou. Ao estar pela primeira vez frente a sua madrasta comentou: ”Napoleão é o pior homem que você pode encontrar”. Ela colocou as mãos em seus ombros e disse: “Menino, isso não é uma falta grave. Talvez você seja o cara mais esperto do mundo e, simplesmente, não estão sabendo o que fazer com a sua inteligência".


Aquelas palavras tiveram um impacto importante sobre a vida de Hill. Aos treze anos escreveu um pequeno jornal chamado “Mountain Repórter . Ele começou a estudar Direito, mas teve que sair devido a problemas financeiros.


E 1908, por causa de suas reportagens para o jornal, Napoleon Hill teve a oportunidade de entrevistar o industrial Andrew Carnegie, que não só era o homem mais rico do mundo na época, mas o segundo homem mais rico que a humanidade já conheceu, depois de John D. Rockefeller.


Andrew Carnegie viu um brilho diferente nos olhos de Napoleon Hill e decidiu revelar ao jovem repórter a sua crença de que seria possível, por meio de extenso trabalho de pesquisa, identificar em homens de triunfo características que poderiam ser desenvolvidas nas pessoas. Era a ciência pela qual tinha prosperado e se tornado um homem tão importante, uma espécie de fórmula para o sucesso. 


Uma seleção de virtudes, que se combinadas em uma personalidade garantiriam o completo êxito de tal indivíduo. Disse que era necessário identificar as características dos homens e mulheres de sucesso e que poderiam ser implementadas pelo homem comum, contanto que houvesse um método.


O milionário, então, propôs a Hill que iniciasse um grandioso projeto para investigar minuciosamente essas virtudes de pessoas triunfadoras e que desenvolvesse um curso que permitisse aos interessados desenvolver estas características.


Disse que estava certo de que o trabalho não poderia ser cumprido em menos de duas décadas, afinal, fazer sucesso por um ano é relativamente fácil, permanecer é que é o grande desafio. Porém, estava convicto também de que valeria a pena, pois o resultado beneficiaria milhões de pessoas no mundo inteiro.


Napoleon Hill dedicou mais de 20 anos de sua vida entrevistando grandes vencedores, investigando suas carreiras, a fim de isolar e identificar as razões pelas quais tantos e tão poucos conseguem alcançar o sucesso. Entrevistou mais de 16.000 pessoas dentre elas os 500 milionários mais importantes da época e que mostraram a ele a fonte de suas riquezas. Entre eles: Thomas Edison, Alexander Graham Bell, Henry Ford, Elmer Gates, Theodore Roosevelt, William Jennings Bryan, George Eastman, Woodrow Wilson, John D. Rockefeller, FW. Jennings Randolph y Woolworth.

O resultado de sua pesquisa foi apresentado em 1928, ano que publicou sua primeira obra “A Lei do Triunfo”. Antes de sua publicação oficial esta obra foi submetida a banqueiros, comerciantes e professores universitários, que, pelo seu espírito eminentemente prático e grau de cultura superior, pudessem analisá-lo e criticá-lo. Também às 2 mais importantes universidades norte-americanas para que examinassem atentamente a obra com a finalidade corrigir ou eliminar as declarações que parecessem sem base do ponto de vista econômico. Nem uma única modificação foi proposta.

Este livro foi o primeiro tratado mundial sobre formação de líderes e até hoje se apresenta como um dos livros mais estudados do mundo. Hill concluiu que uma das principais características que estes homens tinham em comum e que elevava as suas lideranças era a aplicação do Master Mind. Ele apresentou formalmente, nesta obra, o conceito sobre o que é Master Mind e como aplicá-lo.


CONCEITO DE MASTER MIND


A origem do 'Master Mind' remonta da fundação dos EUA, quando 56 homens resolveram fundar uma nação em torno de um objetivo principal bem definido. Estes 56 homens, liderados por George Washington e seus fieis escudeiros (Thomas Edison, Benjamin Franklin) tinham um objetivo, formar uma nação em cima de 2 pilares muito fortes da liberdade e na oportunidade. 


Na Europa do século XVII, existia um fenômeno chamado sangue azul ou nobreza de origem, as pessoas só conseguiam triunfar se tivessem títulos, se tivessem nobreza ou o famoso sangue azul. Estes homens que vieram para a América do norte quiseram quebrar isto, quiseram criar um território onde as pessoas pudessem crescer, progredir, independentemente da sua origem, da sua crença ou da sua raça. Por isso a Liberdade e a Oportunidade. Agora se a pessoa quisesse vencer ela precisava vencer 2 grandes inimigos: primeiro vencer a si mesmo e depois vencer as dificuldades interpostas no seu caminho.


Isto foi passando de boca a ouvido, de geração em geração, e chegou um dia através do milionário do aço americano esta história, Sr. Andrew Carnegie, esta tese, e ele transmitiu para um jovem jornalista, Napoleon Hill, para fazer uma pesquisa. Este pesquisador, durante 20 anos de sua vida se dedicou a pesquisar 16.000 grandes empresários mundiais, depois ele aprofundou a pesquisa para 5.000 empresários e depois ele aprofundou ainda mais e acompanhou as 500 maiores fortunas mundiais. Até hoje é uma tradição na América do Norte, listar as 500 maiores fortunas, e aliás esta pesquisa é elaborada atualmente por uma revista chamada Fortune. 


Dentre todas estas teses, no final de ¼ de séculos ele publicou uma obra chamada “A Lei do Triunfo”, e lá ele lista 17 leis que quando observadas atentamente e colocadas em prática, faz de qualquer pessoa um triunfador. Ou seja, se as pessoas se dedicarem para observar e conhecer estas leis, pode deixar tranquilamente o resultado por si só. Esta é a tese do 'Master Mind'.


E o Napoleon Hill percebeu que os homens triunfadores conseguiam agregar pessoas com Mentes em Harmonia. E depois outros pensadores como o Peter Drucker que transmitiu a ideia que as empresas que conseguirem ter Mentes em Harmonia em torno de um objetivo principal bem definido, cria-se o espírito de corpo, ou seja, a empresa passa a ter uma mente superior que une e orienta e empresa para resultado. Este é o 'Master Mind', é a base acadêmica do nosso treinamento, para as pessoas que querem aprimorar os seus resultados.


Bibliografia
  • A Lei do Triunfo
  • Os Degraus da Fortuna
  • Pense e Enriqueça
  • Um Ano para Enriquecer
  • A Chave Mestra das riquezas
  • Chaves para o Sucesso
  • Sucesso e Riqueza pela Persuasão
  • As Chaves para o Pensamento Positivo
  • Você Pode Fazer os Seus Milagres
  • Quem Pensa Enriquece
  • Paz de Espírito, Riqueza e Felicidade
  • As Regras de Ouro de Napoleon Hill
  • Quem Vende Enriquece




LINKS QUE COMPLEMENTAM A LEITURA
Veja também:

LIVRO: "PENSE E ENRIQUEÇA" 
PENSAMENTOS SÃO COISAS

PASSO NÚMERO 1 
DESEJO 
PASSO NÚMERO 2 
FÉ E CONFIANÇA 
PASSO NÚMERO 3 
AUTO-SUGESTÃO
PASSO NÚMERO 4 
CONHECIMENTO ESPECIALIZADO
PASSO NÚMERO 5 
IMAGINAÇÃO
PASSO NÚMERO 6 
PLANEJAMENTO ORGANIZADO
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PASSO NÚMERO 7
DECISÃO
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PASSO NÚMERO 8
PERSISTÊNCIA

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PASSO NÚMERO 9
PODER DA MENTE SUPERIOR

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PASSO NÚMERO 10
MISTÉRIO DA TRANSMUTAÇÃO SEXUAL

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PASSO NÚMERO 11
O SUBCONSCIENTE

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PASSO NÚMERO 12
O CÉREBRO

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PASSO NÚMERO 13
O SEXTO SENTIDO
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OS SEIS FANTASMAS DO MEDO
Napoleon Hill
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

VIDA E MORTE DE OSCAR NIEMEYER - 104 ANOS DE VIDA, TRABALHO E ARTE



Oscar Niemeyer o senhor foi, 
é e será um dos meus referenciais de profissão e de pessoa.
Sou e serei muitas coisas ainda, entre elas, Arquiteta!!! 


Talvez ou muito provável por inspiração
do seu trabalho magnífico entre outros como
o Arquiteto  e Designer de Interiores Arthur Casas e Luiz Eduardo
 Índio da Costa entre outros


Também gosto de inovar e ser diferente!!!

Traços comuns...

Sentirei saudades das suas entrevistas e 
principalmente das suas palavras amorosas 
e sábia sobre a vida, política, profissão, amores.

O senhor foi um Homem  de uma capacidade em inovar,
 revolucionar e amar as pessoas, projetos e sonhos...

Tudo no senhor é visionário e iluminado.
A frente do seu tempo.
Sempre!!!

Oscar Niemeyer o senhor foi um eterno apaixonado pelas curvas...
E eram nelas (curvas) que suas obras foram inspiradas
expressando no concreto o corpo da mulher.
Concreto com volúpia! 
Interessantíssimo!!!

O que mais faz amá-lo é sua grandiosidade na simplicidade.
Adeus! Fique bem e em paz!
Abraços,
Roberta Carrilho

Oscar Niemeyer - my idol
http://www.niemeyer.org.br/











1907 - Nasce em 15 de dezembro, no Rio de Janeiro, filho de Oscar Niemeyer Soares e Delfina Ribeiro de Almeida. 

"Meu nome deveria ser Oscar Ribeiro Soares ou Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares, mas prevaleceu o nome estrangeiro e acabei conhecido como Oscar Niemeyer. 

Minhas origens são muitas, o que me agrada particularmente: Ribeiro e Soares, portugueses; Almeida, árabe; e Niemeyer, alemão. E isso sem levar em conta algum negro ou índio que, sem o sabermos, também faça parte da nossa família. 

Pela memória vou recordar a casa das Laranjeiras, percorrê-la outra vez, lembrar como nela vivíamos, rindo ou chorando como o destino obriga.
  
Ali nasci, cresci e me casei com Annita. Nela nasceu minha filha Anna Maria. 

Era uma casa assobradada, com seis janelas na fachada, tendo no frontispício as iniciais RA, do meu avô Ribeiro de Almeida. "

"Estávamos em 1928, ano em que me casei com Annita Baldo. Uma moça bonita, modesta, filha de imigrantes italianos provenientes de Pádua, perto de Veneza.

Nessa época eu ainda não tinha tomado rumo certo. Ao contrário, levava vida boêmia e despreocupada e tudo me parecia bem.

Mas, depois de casado, comecei a compreender a responsabilidade que assumira e fui trabalhar na tipografia do meu pai, entrando depois para a Escola Nacional de Belas Artes.

Lembro os primeiros tempos. Annita a me ajudar nos desenhos da escola e eu a dividir minha vida entre a arquitetura e a tipografia." 

1929 - Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, que seria dirigida, a partir de 1931, por Lucio Costa.

"Entrei para a Escola Nacional de Belas Artes em 1929, quando ainda morava na casa de Laranjeiras. Gostava de desenhar e o desenho levou-me à arquitetura. Lembro-me que ficava com o dedo no ar desenhando. Minha mãe perguntava: 'o que está fazendo menino?' 'Desenhando', respondia com a maior naturalidade. Realmente, fazia formas no espaço, formas que guardava de memória, corrigia e ampliava, como se as tivesse mesmo a desenhar.

Nos primeiros anos de escola, pouco compareci às aulas. Ajudava meu pai na tipografia e somente nas horas de folgas podia frequenta-las. Mas em pouco tempo os assuntos da arquitetura - com a aprovação de meu pai - absorviam-me inteiramente.

Passei os cinco anos da Escola Nacional de Belas Artes sem problemas, e fiz boas amizades. Amigos para toda a vida como Hélio Uchôa, Carlos Bittencourt, Milton Roberto, João Cavalcanti, Fernando Saturnino de Brito e outros."

1932 - Inicia sua vida profissional no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão. "Mas a partir do terceiro ano senti, como todos os companheiros, a conveniência de procurar um emprego numa firma construtora. O trabalho paralelo que leva os estudantes a conhecerem melhor a profissão, além do salário que lhes dá outras possibilidades.

Resisti, não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos por aí.

E apesar das minhas dificuldades financeiras preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam. E minha decisão, prova de que não era um espírito vazio e imediatista que, ao contrário, tinha como objetivo ser um bom arquiteto.

Como me foram úteis esses queridos amigos! Com eles aprendi a respeitar o nosso passado colonial, a sentir como são belas as velhas construções portuguesas, sóbrias, rijas, com suas grossas paredes de pedra ou taipa de pilão. E os telhados derramados a contrastarem com suas brancas paredes caiadas.

Da arquitetura só me deram bons exemplos. Honestos, irrepreensivelmente honestos, como aliás todos deveriam ser.

Lembro-me do Leão a desenhar suas belas mulheres, a nos falar do mundo das artes, a rir desinibido como um bom camarada, e do Lúcio, mais distante, precavido e educado como sempre foi."

1934 - Obtém o diploma de engenheiro arquiteto, no Rio de Janeiro.

"... Mesmo assim, já sentia que a arquitetura me convocava. Lembro que foi durante esse período, ainda no escritório do Lúcio, que terminei meu curso de arquiteto, classificado, com Milton Roberto, em primeiro lugar."

1936 - Conhece o arquiteto Le Corbusier, que chega ao Rio de Janeiro a convite de Lúcio Costa e Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas, para atuar como consultor nos projetos do MES e da Cidade Universitária (da Mangueira).

"Muito lidei com Le Corbusier (...) Mas o primeiro contato que tivemos foi em 1936 no Rio, quando, pressionado pelo Lúcio, Gustavo Capanema, ex-ministro da Educação, resolveu convocá-lo para uma série de palestras. Tarefa que, revoltado contra a incompreensão que o cercava profissionalmente, aflito para demonstrar seu talento, Le Corbusier converteu logo em dois novos trabalhos, a sede do Ministério da Educação e Saúde e a Universidade de Mangueira (...) Naquela época ainda caminhávamos na periferia da sua arquitetura. Tínhamos lido sua obra excepcional como sagrado catecismo, mas ainda não estávamos, como se verificou, integrados nos seus segredos e minúcias."

1938 - A convite de Lúcio Costa, viaja a Nova York para elaboração do projeto do Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York.

"Para nós, Lúcio constituía o líder absoluto, o homem correto e lúcido em quem podíamos confiar. Lembro-me de algumas passagens que marcam seu caráter, sua grandeza moral, o apreço que tinha por seus companheiros. Um dia organizaram um concurso de projetos para o Pavilhão do Brasil na feira de Nova York. Concorremos, ele, outros arquitetos e eu. Quando Lucio soube que fora classificado em primeiro lugar e eu em segundo, abalou-se serra abaixo - estava em Petrópolis - para ver os projetos e achando o meu trabalho muito bom, procurou o ministro João Carlos Vital, dele conseguindo que viajássemos para os Estados Unidos e juntos elaborássemos o projeto definitivo. Esse, aliás, constitui o único projeto que recordo com certo constrangimento, convicto de que me deveria ter limitado a ajudar o desenvolvimento do seu projeto sem procurar influir na solução. Conforta-me um pouco, saber que no projeto apresentado prevaleceu sua ideia inicial, os "pilotis" e o partido mais vazado que se impunha. Eu era jovem e a arquitetura, para mim, uma atração incontrolável."

1940 - Conhece o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o convida a desenvolver o projeto do Conjunto da Pampulha.

"... E foi nessa ocasião que conheci Juscelino Kubistschek, candidato a prefeito de Belo Horizonte.

Fiz o projeto, que mostrei a Benedito, mas o assunto só foi retomado meses depois, quando JK, prefeito da cidade, novamente me convocou.

No dia combinado voltei a Belo Horizonte com Rodrigo. Tornei a conversar com JK, que me explicou: 'Quero criar um bairro de lazer na Pampulha, um bairro lindo como outro não existe no país. Com cassino, clube, igreja e restaurante, e precisava do projeto do cassino para amanhã'. E o atendi, elaborando durante a noite no quarto do Hotel Central o que me pedira."

1944 - Organiza seu escritório na Rua Conde Lages, no bairro da Glória, ali permanecendo até o ano seguinte. Anteriormente, trabalhara em escritório na rua Porto Alegre, juntamente com Reidy, Jorge Moreira e Helio Uchoa, e depois em escritório na rua Senador Dantas, ambos no centro do Rio de Janeiro.

"Em 1944 mudamos novamente de escritório. Do Passeio Público para uma casa que herdei da minha prima Milota, na Rua Conde Lages, 25.

Foi o ex-prefeito do Rio, Pereira Passos, nosso parente, quem lhe sugeriu sua compra, adquirindo para ele próprio a casa anexa, ainda de propriedade de seus netos Antônio Fernando e Felisberto Bulhões Carvalho.

Pouco tempo ficamos ali. Era bem melhor trabalhar numa casa do que nos prédios do centro onde antes tínhamos escritório.

Os espaços mais amplos, as janelas-portas abrindo para a rua, a intimidade recuperada e o ambiente tranqüilo, como se estivéssemos num velho bairro do Rio.

Das janelas, víamos os que passavam: os velhos pregões com seus gritos conhecidos: "amolador, amolador", "doce de leite Soberano", "sorveteiro, sorveteiro", "compro roupa velha de homem", antigas figuras desta cidade que seus cronistas nunca esqueceram (...) Gostava muito daquela casa, dela me lembrando quando muitos anos atrás, ainda estudante do Colégio Barnabita, por ali andava com os meus colegas. E lembrava o bar da esquina, o homem do bandolim, as mulheres a passear pelas ruas com seus ares contestatórios."

1945 - Ingressa no Partido Comunista Brasileiro.

"Fui sempre um revoltado. Da família católica eu esquecera os velhos preconceitos, e o mundo parecia-me injusto, inaceitável. A miséria a se multiplicar como se fosse coisa natural e inaceitável. Entrei para o partido comunista, abraçado pelo pensamento de Marx que sigo até hoje."

1947 - Viaja a Nova York como membro do Comitê Internacional de Arquitetos encarregado do desenvolvimento do projeto da sede da Organização das Nações Unidas. 

(...) Em 1947, Wallace Harrison convidou-me para fazer parte da equipe de arquitetos que deveria projetar a sede das Nações Unidas (...)

E os trabalhos prosseguiram. Pequenas modificações foram feitas e, na realidade, o prédio construído corresponde (é fácil verificar), nos seu volumes e espaços livres, ao projeto 23-32 apresentado.

Mas devo considerá-lo como um trabalho de equipe, nossa tarefa foi apenas definir o partido arquitetônico. O resto, todos os detalhes foram elaborados por Wallace Harrison, Abramovitz e seus colaboradores. De Wallace Harrison, Abramovitz, só lembro correção e amizade.

Quanto a Le Corbusier, nunca comentou, nem falou sobre o projeto 23-32, mas recordo-o meses depois, almoçando em seu apartamento, a me fitar longamente: "Você é generoso", me afirmou.

E senti que, um pouco tarde sem dúvida, ele estava lembrando aquela manhã em Nova Iorque, quando, para atendê-lo, deixei de lado meu projeto, já escolhido pela Comissão de Arquitetos.

1950 - É publicado, em Nova York, o livro The Work of Oscar Niemeyer, do arquiteto e historiador grego Stamo Papadaki.

Primeira publicação sistemática acerca da obra de Niemeyer, o livro desempenhou importante papel na divulgação de sua arquitetura no exterior, bem como da própria produção brasileira. A obra teria continuidade com a publicação de Oscar Niemeyer: Works in Progress, de 1954.

1954 - Niemeyer realiza sua primeira viagem à Europa, convidado a participar da Exposição Internacional de Arquitetura de Berlim (Interbau), juntamente com outros 15 arquitetos de renome internacional, incluindo-se Le Corbusier, Arne Jacobsen, Max Taut e Walter Gropius. Inaugurada em 1957, o objetivo da Interbau era a remodelação do bairro Hansa (Hansaviertel), como parte do programa de reconstrução da cidade de Berlim, após a guerra.

Na ocasião, Niemeyer visitaria ainda a França, a República Tcheca e a antiga União Soviética.

"... Descemos na Itália. Fomos a Roma, Florença, Veneza e Lisboa, daí partindo para Paris, onde Vinícius de Moraes nos esperava na estação. Ficamos três dias em Paris, uma semana na Tchecoslováquia, um mês em Berlim e, finalmente, Moscou (...) Uma semana depois voltamos para o Brasil. A lembrar Paris, os Champs Elysées, a Rive Gauche, o velho Sena; Roma, com seus monumentos; Veneza, Praça São Marcos, cheia de gente, como um grande salão protegido; Berlim, o Hotel Van Zoo, a Igreja Kaiser Guilherme ainda de pé; Berlim Este, Stalin Allée, uma nova ordem a surgir, e Moscou, terra dos homens, dos que amam a paz e a liberdade."

1955 - Funda a revista Módulo, no Rio de Janeiro, ocupando-se de sua direção juntamente com Rodrigo Melo Franco de Andrade, Joaquim Cardozo, Rubem Braga e Zenon Lotufo.

A Revista circulou, com edições mensais, até 1965, quando sua publicação foi interrompida pelo governo militar. Retomada em 1975, com novo corpo diretor, alcançou seu último número (100) em 1987.

O Comitê de redação era originalmente constituído por Carlos Leão, Flávio de Aquino, Marcos Jaimovich, Hélio Uchoa, José de Souza Reis e Oswaldo Costa.

"Queremos que esta revista, que forçosamente será de interesse técnico, e se dirige especialmente a profissionais e artistas, tenha sempre a humildade e a força de ser alguma coisa a serviço do homem comum, esse exilado de nosso tempo e de nossa cidade.

Não depende somente do arquiteto ou urbanista a imensa tarefa de humanizar a vida moderna. Ele não pode, entretanto, esquecer sua parte de responsabilidade; no momento em que se debruça sobre a prancheta ele deve se lembrar de que o homem não é apenas uma fraca máquina a ser protegida e servida por outra mais sólida chamada casa; é um estranho bicho que tem alma e sentimento, e fome de justiça e de beleza, e que deve ser consolado e estimulado."

MÓDULO quer ser fiel a esta lembrança, e guardar, entre os prodígios da técnica e as fantasias da estética, a singela medida do humano"

1956 - Convidado pelo presidente da República, Juscelino Kubitschek, para projetar a nova capital do Brasil, é nomeado diretor do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da Novacap e encarregado de organizar o concurso para escolha do plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora.

"Comecei a meditar sobre Brasília numa manhã de setembro de 1956, quando Juscelino Kubitschek, descendo do carro à porta da minha casa, na Estrada da Gávea, me convidou para acompanhá-lo à cidade e expôs o problema durante o trajeto. Minha primeira reação surgiu do interesse, tanto profissional como afetivo, que esse homem me inspirava: eu via a preocupação de um velho amigo ao qual estava ligado por outros trabalhos, outras dificuldades e por uma longa e fiel amizade. A partir desse dia, comecei a viver em função de Brasília."

Os cenários de Orfeu da Conceição: Elabora o cenário da peça carioca Orfeu da Conceição , adaptação do mito grego de Orfeu, ambientado nas favelas do Rio de Janeiro. Realizada por Vinícius de Moraes, com trilha sonora de Antônio Carlos Jobim, o espetáculo estreou em 25 de setembro no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

1958 - Com o desenvolvimento dos trabalhos para a construção da nova capital, Niemeyer transfere-se para Brasília. 

"Meus primeiros projetos foram elaborados no Rio mas pouco tempo depois fechei meu escritório de Copacabana e, como um simples funcionário público, fui com meus companheiros para o Planalto Central".

"E ali ficamos durante vários anos. Longe de tudo. Cobertos dessa poeira vermelha que durante os períodos de seca se incrustava na pele e, na estação das chuvas, paralisados pelas águas torrenciais que caíam sem controle sobre essa terra sem defesa. À noite, era um silêncio total naquele fim de mundo. Mas o entusiasmo superava tudo e Juscelino Kubitschek a todos dava o exemplo com seu otimismo constante."

1961 - Logo após a inauguração da capital, Niemeyer lança no Rio de Janeiro o livro Minha experiência em Brasília.

"Nunca tive ideia de fazer um livro sobre Brasília. Obrigado pela profissão, iniciei uma série de artigos esclarecendo nosso trabalho, nossas dificuldades e atropelos, artigos que se foram somando, ampliando, até sugerirem a alguns amigos a possibilidade de os organizar em forma de livro que permanecesse como um documento honesto e espontâneo do empreendimento. Não se trata, portanto, de livro com pretensões históricas ou literárias, mas da experiência de um arquiteto que durante três anos acompanhou com amor e interesse a construção da cidade, procurando contribuir, juntamente com milhares de brasileiros, para essa obra justa e necessária".

1962 - É nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília - UnB.

"Na Universidade projetei os edifícios principais, dirigindo depois, como Coordenador, a Escola de Arquitetura. Desse período guardo as melhores recordações, desde Darcy Ribeiro, que criou a Universidade de Brasília, superando todos os obstáculos, até os professores que o seguiram e com ele colaboraram com a mesma dedicação e idealismo. Recordo o entusiasmo, a dedicação extrema com que meus colegas da Escola de Arquitetura, Lelé, Ítalo, Graef, Glauco, Virgílio, Fernando, C. Bettencourt, Evandro e Oscar Knippe, atuavam na Universidade e a ginástica que alguns faziam - Lelé, principalmente - para encontrar tempo e prosseguir na elaboração das obras do CEPLAN. Entusiasmo que se estendia a todos os outros setores com o mesmo otimismo e devotamento."

1963 - Em solenidade na Universidade de Brasília - UnB, recebe o Prêmio Lênin da Paz, concedido pelo governo da URSS.

"Revejo o dia em que recebi o Prêmio Lênin, na Universidade de Brasília: o campus estava inteiramente iluminado e os professores, estudantes, deputados e operários estavam todos lá, muito calmos, sem as precauções que teriam sido necessárias em outros tempos."

1964 - Viaja à Europa, recebendo, em Lisboa, a notícia do golpe militar no Brasil. No mesmo ano, segue para Israel, onde permanece por três meses. Retorna ao Brasil em fins de 1964.

"Em Lisboa levei um grande susto com a notícia do golpe de Estado ocorrido no Brasil. Durante três dias, eu não descolava o ouvido do rádio no Hotel Victória, na expectativa de uma boa notícia qualquer. Nada se passava e nós estávamos aflitos, temendo um novo período de opressão e obscurantismo. Foi em abril de 1964.

Entristecido por não ter compartilhado as vicissitudes dos meus velhos amigos, passei esses meses de permanência em Israel recusando sistematicamente a assistir às recepções e festas às quais era convidado. Parecia-me que aceitando esses convites, eu estaria traindo aqueles que no Brasil enfrentavam a opressão e a violência ; afoguei-me então no trabalho, mantendo somente os contatos indispensáveis."

1965 - Demite-se da Universidade de Brasília com outros duzentos professores, em protesto contra a invasão da instituição em 1964 e contra a política universitária instaurada com o governo militar.

"Correram os tempos, tivemos Jânio e Jango Goulart e tudo mudou outra vez, com o golpe militar que durante anos pesou sobre nós.

O Governador de Brasília exigia minha demissão; o Ministro da Aeronáutica dizia que lugar de arquiteto comunista era em Moscou; meu projeto para o aeroporto foi rejeitado; a Universidade de Brasília que Darcy Ribeiro, com tanto talento e coragem, tinha criado, invadida pelos militares, meu escritório e a revista Módulo que dirigi saqueados. Deixei a Universidade de Brasília com duzentos professores e segui para o exterior com minhas mágoas e a minha arquitetura."

Viaja a Paris para visitar a exposição Oscar Niemeyer, l'architecte de Brasília, no Museu de Artes Decorativas do Palácio do Louvre.

"Em junho de 1965, fiz minha terceira viagem à Europa, curioso em visitar minha exposição, já inaugurada no Museu das Artes Decorativas, no Louvre. Meus amigos Jean Petit e Guy Dupuis a haviam organizado com um cuidado minucioso e muito bom gosto. Eu os conhecera durante minha primeira viagem, quando publicaram meu livro 'Minha experiência em Brasília'. Chegando ao Museu das Artes Decorativas, espantou-me ver sobre a entrada um anúncio onde estava escrito: 'Oscar Niemeyer, o arquiteto de Brasília'. Entrei na exposição e me dirigi imediatamente ao setor que tratava de Brasília; ali, peguei a caneta para escrever mais ou menos isto sobre a foto da Praça dos Três Poderes: 'Pouco me importa que se diga que eu sou o arquiteto de Brasília se acrescentarem que Lucio Costa é o seu urbanista. Foi a ele que coube a tarefa principal: projetar a cidade, as ruas, as praças, os volumes e os espaços livres. Minha colaboração foi modesta, limitando-se aos palácios governamentais. Eu não sou nem sequer o construtor de Brasília. Construíram-na o entusiasmo de Juscelino Kubitschek, a perseverança de Israel Pinheiro e dos milhares de operários que, no anonimato, sacrificaram-se mais do que todos nós por esta cidade'.

1967 - Militares embargam o projeto do aeroporto de Brasília. Impedido de trabalhar no Brasil, decide instalar-se em Paris. O general De Gaulle lhe concede autorização para exercer sua profissão na França.

"Os problemas começaram com o caso do aeroporto, e meu projeto foi recusado por ser circular. 'A solução de um aeroporto deve ser extensível', disse o diretor de Engenharia da Aeronáutica, brigadeiro Henrique Castro Neves. Extensível, já naquela época, era solução superada que deveriam rejeitar. Circular, ao contrário, era a solução correta. Assim, foi construído, anos depois, em Paris, o aeroporto Charles De Gaulle, e no Brasil, pelos que me criticavam, o aeroporto do Galeão, no Rio.

(...) Mas a vida continuava. André Malraux consegue de De Gaulle um decreto especial que me permite trabalhar na França como arquiteto. Pessoas importantes como Boumediene, Mondadori, Sartre e o PCF a me apoiarem, os trabalhos se multiplicando e a minha arquitetura conhecida por toda a parte."

1968 - Chega à Argélia para dedicar-se a uma série de projetos para o país, a convite do então presidente do Conselho Revolucionário argelino, Houari Boumediène.

"Argélia… Como é bom lembrar aqueles tempos. A casa em que morava, o belo jardim que a cercava, as flores tão queridas naquele país.

Da porta ficava a vê-las, coloridas e perfumadas, e o velho jardineiro que delas cuidava, a organizá-las carinhosamente nos pequenos vasos que, depois, distribuía pela casa.

Nesse grande parque havia um campo de tênis e outro de futebol. Recordo até o jogo que ali realizamos numa alegre pelada. Às vezes passeava pelo parque, curioso pela vegetação que possuía, as grossas palmeiras, com seus troncos cheios de relevos, os tinhorões e filodendros a lembrarem o meu país.

À noite os amigos vinham me ver, falar no telefone ou discutir os problemas do trabalho. E o papo se fazia alegre e divertido com o Jorge Vale - um excelente companheiro - a nos fazer rir com suas maluquices.

E lá apareciam o Lopes, o Jorge, o Marçal, o Cydno, Montenegro, Fernando Burmeister e o Fernando Andrade, todos dispostos a lutar pela boa qualidade dos projetos."

1971 - É lançada, na França, a "linha on" de mobiliário, desenhada por Niemeyer, com a colaboração de Anna Maria Niemeyer - sua primeira incursão no campo de mobiliário industrializado. Produzida inicialmente pela Mobilier International, seria relançada no Brasil, em 1978, pela Tendo Brasileira.

1972 (ano que eu nasci) Abre seu escritório no número 90 da avenida Champs- Elysées, em Paris, denominado SEPARC - Societé d'Études pour Les Projects d'Architecture d'Oscar Niemeyer.

"Gostávamos de Paris. Paris de Gide, Baudelaire, Malraux e Camus. Paris a lembrar revolução e liberdade.

O velho Sena a correr tranqüilo, indiferente à vida e aos homens. Os Champs Elysées com seu calçadão, suas vitrines e cafés, suas lindas mulheres.

Paris do Boulevard Raspail, onde vivi depois. Dos prédios de igual altura, das janelas altas e sacadas tantas vezes floridas. Paris de Sartre e Simone de Beauvoir, de Aragon e Nizan.

Como gostávamos dessa cidade! A nos convidar para melhor conhecê-la, sentar no café da Coupole e tomar um copo de vinho.

Paris dos palácios reais, dos grandes parques de Boulogne e Fontainebleau. Paris da Rive Gauche, por onde andaram Fitzgerald, Hemingway, Gris e Cocteau; da Rotonde, do Flore e Deux Magots."

1975 - Publica em Milão seu livro Oscar Niemeyer, pela editora Arnoldo Mondadori, que traz uma retrospectiva sobre sua obra e trajetória; seria reeditado dois anos depois, na Suíça, pela Editora Alphabet.

1978 - Com um grupo de intelectuais e políticos, funda o Centro Brasil Democrático - CEBRADE, do qual é eleito presidente.

"A ideia do CEBRADE pertence, na verdade, ao meu amigo Renato Guimarães, que a discutiu, em Paris, com Prestes e com o Comitê Central do Partido. Tratava-se, conforme ele próprio definiu, do Centro Brasil Democrático, uma entidade com amplitude nacional, presença nos principais estados e coordenação centralizada de modo a poder conduzir-se com a força e a cautela adequadas. Deveria ser, como explicou Renato, uma organização não partidária, onde atuassem comunistas e outras correntes que combatiam a ditadura na clandestinidade, mas que fosse franqueada à participação mais ampla possível de setores democráticos (...)

Foram muitas as atividades do CEBRADE, e grande o número de artistas e intelectuais que nele atuaram. Tantos que não cabe enumerá-los neste livro, embora fosse interessante verificar como a luta política separa os homens, neste mundo em que o poder e a ambição tudo permitem."

1979 - No Centro Georges Pompidou, em Paris, é realizada a exposição retrospectiva sobre sua obra Oscar Niemeyer, architècte, mais tarde apresentada no Palazzo Grassi, em Veneza, e na Basílica de Saint Croce, em Florença (Itália).

No mesmo ano, é condecorado Oficial da Ordem da Legião de Honra da França.

1983 - É montada a exposição Art and Architecture in Brazil, From Aleijadinho to Niemeyer, no Salão de Exposições da Organização das Nações Unidas, em Nova York. A mostra segue depois para Chicago, organizada no Illinois Institute of Tecnology

1987 - É realizada a exposição Oscar Niemeyer - Architetto, no Palazzo a Vela, em Turim (Itália), a qual segue depois para Bolonha e Pádua, no mesmo país. Na ocasião é lançado o livro Guida a Niemeyer (A arquitetura de Oscar Niemeyer), de Lionello Puppi.

1988 - É condecorado com o Prêmio Pritzker de Arquitetura, em Chicago, nos Estados Unidos.

"Primeiro foram os muros de pedra, depois os arcos, as cúpulas e voûtes e o arquiteto perplexo a procura do vão maior. Agora é o concreto armado a oferecer todas as fantasias, os vãos imensos, os balanços extraordinários. E nele a arquitetura se integra, desprezando os velhos preconceitos que durante anos a desvirtuaram, contestando a opção racionalista, monótona, repetida, tão fácil de elaborar, que durante anos desceu ostensivamente sobre as calçadas. Mas a preocupação com a beleza, a fantasia, a surpresa arquitetura predominaram e o que vai ficar como testemunho da nossa época não será uma arquitetura menor, feita com régua e esquadro mas a arquitetura que a técnica atual sugere, leve, criadora, solta no espaço, a procura do espetáculo arquitetural.

"L' inattendu, l' irrégularité, la surprise, L' étonnement sont une partie essentiellen Et une caractéristique de la béauté.", já dizia Charles Baudelaire.

Eis, meus amigos, o que lhes tinha a dizer sobre a arquitetura. Uma prática que durante anos me prendeu em êxtase sobre a prancheta, a atender governos e classes dominantes, revoltado com a miséria imensa que pesa sobre o mundo, miséria que a injustiça social esquece e à nossa profissão impede atender."

1989 - Recebe o Prêmio Príncipe de Astúrias, na categoria Artes, da Fundação Principado de Astúrias, Espanha.

"No momento em que recebo o prêmio Príncipe de Astúrias, e o Colégio de Arquitetos de Barcelona me concede a Medalha de Ouro, e o mundo da arquitetura discute os caminhos a seguir, achei útil escrever este pequeno texto explicando minha obra de arquiteto.

E o faço desejoso de mostrar que minha arquitetura não aceita compromissos, que visa à beleza e à invenção, sem cair em pequenos detalhes, atuando, isto sim, nas próprias estruturas, nas quais se insere e se exibe desde o primeiro traço.

Sempre acrescentei nas minhas palestras que não dava à arquitetura maior importância, e não havia nada de desprezo nessas palavras. Comparava-a com outras coisas mais ligadas à vida e ao homem, referia-ma à luta política, à colaboração que todos nós devemos à sociedade, aos nossos irmãos mais desfavorecidos. O que poderia ser comparado à luta por um mundo melhor, sem classes, todos iguais?

Mesmo assim a arquitetura me ocupou demais, levando-me, como agora faço, a defender meus trabalhos, meus pontos de vista de arquiteto. A debater os problemas arquiteturais com um calor que a vida tão frágil e insignificante não justifica." 

1990 - Realiza-se a exposição Oscar Niemeyer, na Sala Plaça Catalunya, na Fundação Caixa de Barcelona; a mostra segue depois para Londres e Turim. Na ocasião é lançado o livro Oscar Niemeyer, de Josep M. Botey.

Simultaneamente, Niemeyer é condecorado com a medalha do Colégio de Arquitetos de Catalunha, Barcelona (Espanha), em cerimônia realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

1996 - Recebe o Prêmio Leão de Ouro da Bienal de Veneza, por ocasião da VI Mostra Internacional de Arquitetura. No Pavilhão do Brasil, é realizada uma exposição sobre sua obra.

1998 - No Pavilhão Manuel da Nóbrega, do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, é realizada a exposição retrospectiva sobre sua obra, "Oscar Niemeyer 90 anos", que seguiria para Buenos Aires, Rio de Janeiro e Brasília, além de diversas cidades europeias.

Recebe no Rio de Janeiro a Royal Gold Medal (medalha de ouro), concedida pelo Royal Institute of British Architects (Instituto Real dos Arquitetos Britânicos) - RIBA, uma das mais tradicionais condecorações da arquitetura internacional, criada em 1848.

Publica, no Brasil, o livro de memórias As curvas do tempo.

"Hoje, sábado, num desses momentos de ócio, lembrei que poderia escrever um livro contando minha vida e meus problemas de arquiteto, nesse curto passeio que o destino oferece. Um livro que definisse minhas atitudes e marcasse as razões e os sentimentos mais íntimos que influenciaram minha existência tão pouco importante de ser humano. O meu apego aos problemas da vida, deste universo fantástico em que vivemos sem para isso termos sido convidados. Um livro que mostrasse ter eu sempre encontrado tempo para pensar maior, sentir como a vida é injusta, como nossos irmãos mais pobres são explorados e esquecidos.

Nele contaria minhas origens, defeitos e qualidades, minha descrença diante deste mundo absurdo e minha determinação de juntar-me aos mais bravos e com eles tentar melhorá-lo um pouco. E falaria também desse ser oculto que a informação genética inventou e dentro de nós existe, responsável em parte pelas nossas ações e atitudes."

1999 - Publica, no Brasil, Diante do nada, sua primeira obra de ficção. "Com este texto, sem preocupação literária, desejo apenas esclarecer os que me estimam, estudantes, colegas, desconhecidos que me fazem parar na rua solidários, sobre o que penso da vida, dos homens, deste universo fantástico que nos cerca.

É a história de um jovem que se preocupa com o mundo e seus semelhantes e que no drama do ser humano se integra, lutando desesperadamente."

Realiza-se, no MAC de Niterói, a exposição Escultura, de Oscar Niemeyer. 

"Muitas vezes desejei fazer escultura. 'Você é o escultor do concreto armado', me diziam, e eu pensava que um dia isso poderia acontecer. O tempo passou. Nas horas vagas fazia alguns croquis. Pensava em grandes esculturas numa praça qualquer. Abstratas, leves, soltas no ar. Talvez surrealistas, obrigando os que as vissem a pensar um pouco, surpresos, procurando decifrá-las (...) Um dia conversei com o meu amigo Honório Peçanha. Deu-me um saco de barro e um quadrado de madeira com um grande prego. Era o que eu precisava para me iniciar. Nunca os utilizei. Uma autocrítica feroz me tolhia. Mas, quando surgiu o problema do monumento a JK e depois o grupo Tortura Nunca Mais me convocando, não tive coragem de recusar.

O homem segue seu destino, satisfeito quando suas convicções e esperanças com ele coincidem."

2004 - Falece no Rio de Janeiro a esposa de Niemeyer, Annita.

"Em tudo isso eu pensava naquela noite. A conversa com os amigos terminara cedo, e no meu apartamento, ao lado de Annita, via na televisão a sua novela predileta. Olho para ela com ternura. Como foi bonita! O rosto como sempre apoiado na mão direita, a sorrir do que se passava na tela, ou apreensiva, se nela surgiam as maldades do mundo.

E lembrava nosso casamento 60 anos atrás, nossa querida filha Anna Maria, e ela a cuidar de tudo com a abnegação própria de suas origens italianas.

E os momentos felizes que juntos vivemos, me vinham à memória. As viagens pelo mundo: Paris, Nova Iorque, Lisboa, Madri, Buenos Aires e Moscou.

E a lembrava na Praça de São Marcos, em Veneza, a rir, feliz, com os pombos sobre os ombros, ou em Nova Iorque, onde longos meses ficamos, recostados na relva do Central Park, enquanto Anna Maria, pequenina, corria atrás dos esquilos..."

2004 - É condecorado com o Prêmio Imperial (Praemiium Imperiale), oferecido pela Associação de Arte do Japão (Japan Art Association), um dos mais prestigiosos prêmios de arquitetura na atualidade.

2006 - Casa-se, no Rio de Janeiro, com Vera Lúcia G. Niemeyer.

"Não sei onde li isto. Se não li, é coisa minha mesmo. A mulher é o complemento físico e espiritual do homem. Sem ela, sem sua sedução e boa companhia, desaparecem nele os sonhos e fantasias que marcam e justificam suas vidas."

2007 (Centenário de vida de Oscar) Em todo o país são realizadas diversas exposições, eventos e homenagens em comemoração ao centenário de nascimento do arquiteto.

* eu estive na exposição nessa época no Palácio das Artes em BH - capital de Minas Gerais. Fiquei em estado de vislumbramento... quantas emoções vendo aqueles traços imaginando o momento da sua criação e da sua concretização. Passei horas e horas me deliciando com todo aquele arsenal de projetos e sonhos.



















Entre diversas condecorações, recebe do presidente Lula a medalha do Mérito Cultural, um reconhecimento à sua contribuição à cultura brasileira, e na França, o título de Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra, concedido pelo embaixador da França no Brasil.

"É claro que isso me alegra, debruçado na prancheta a vida inteira. Mas, se alguém me perguntar o que mais me agrada, lembrando todos esses projetos, direi que foi ter guardado um tempo para pensar na vida, neste mundo injusto que um dia vamos modificar."

2008 - É lançada no Rio de Janeiro a Nosso Caminho - Revista de Arquitetura, Arte e Cultura, sob a direção de Oscar Niemeyer e Vera Lucia G. Niemeyer.

"Ao leitor

(...) Nossa ideia principal é discutir e pensar junto com os leitores o momento brasileiro. Levar aos jovens um pouco de conhecimento, fazê-los refletir melhor sobre o seu país. Fugir dos que se limitam aos assuntos de sua profissão, despreparados para o mundo perverso e coberto de violência que os espera."

2009 - Inaugura-se em Heerlen, Holanda a exposição retrospectiva Oscar Niemeyer: Trajetória e Produção Contemporânea 1936-2008, seguindo depois para Madri, denominada Oscar Niemeyer . A mostra corresponde a versão da Exposição comemorativa do centenário do arquiteto, Niemeyer 10/100 , inaugurada no Rio de Janeiro em 2007 e exibida em Curitiba, no mesmo ano.

Frases de Oscar Niemeyer


"A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem".

"Toda escola superior deveria oferecer aulas de filosofia e história. Assim fugiríamos da figura do especialista e ganharíamos profissionais capacitados a conversar sobre a vida".

"O que me atrai é a curva
livre e sensual. A curva
que no encontro sinuoso
dos nossos rios, nas nuvens
do céu, no corpo da mulher
preferida. De curva é feito 
todo o universo. O universo
curvo de Einstein".

"A vida é um sopro"

"Existem apenas dois segredos para manter a lucidez na minha idade: o primeiro é manter a memória em dia. O segundo eu não me lembro"

"Amo a vida e a vida me ama. Somos um casalzinho insuportável'.
Quando se vê um arvoredo o importante não são as árvores mais os espaços entre elas"

"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito".



domingo, 2 de dezembro de 2012

É PRECISO CORAGEM PARA SER DIFERENTE E MUITA COMPETÊNCIA PARA FAZER A DIFERENÇA


Amo esta frase!

Faço destas as minhas palavras... 
Pois, sou exótica, erótica, competente e diferente!!!
Assim sou eu!
Pelo menos sei quem sou!!
Isto faz toda diferença!!!
Eu me assumo 
com todas as consequências 
das minhas escolhas.
Roberta Carrilho



NÃO SEJA EMPURRADO POR SEUS PROBLEMAS SEJA CONDUZIDO PELOS SEUS SONHOS



A EVOLUÇÃO DA CALCINHA

Risos!!! 2012 = inexistente 
e 2020? Como será???

Eu por exemplo estou em várias evoluções!
Uso conforme o caso!! (risos!) de 1970 a  1990 ou 2012.
(...) depende: com quem, como ou onde (risos!)
Roberta Carrilho




NOSSA SENHORA DA BORRACHARIA LIVRAI-ME DOS PNEUZINHOS




sábado, 1 de dezembro de 2012

Jacques Lacan (1-7)



Jacques Lacan (2-7)

Jacques Lacan (3-7)



Jacques Lacan (4-7)



Jacques Lacan (5-7)



Jacques Lacan (6-7)



Jacques Lacan (7-7)



LACAN E A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI - 1º bloco


Eu admiro demais este homem!!!
Dr. Jorge Forbes 

e todos os estudiosos do comportamento humano, sejam
filósofos, poetas, sociólogos, psicanalistas, psicólogos, neurocientistas, etc.
Tema que me instiga e me excita a mente!!!

Roberta Carrilho 



LACAN E A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI - 2º bloco




LACAN E A PSICANÁLISE DO SÉCULO XXI - 3º bloco





FILOSOFIA E PSICANÁLISE - META E RESPONSABILIDADE - Jorge Forbes



QUEM FOI JACQUES LACAN? Jorge Forbes



DIFERENÇAS ENTRE PSIQUIATRA, PSICÓLOGA E PSICANALISTA - Jorge Forbes



DESEJO E QUERER - Jorge Forbes



VOCÊ QUER O QUE DESEJA? Jorge Forbes




A FELICIDADE - por Jorge Forbes (Jacques Lacan)



O QUE É AMOR? por Jorge Forbes no Saia Justa



TER SUCESSO É SER SOLITÁRIO - Saia Justa