terça-feira, 11 de outubro de 2011

O “EU’ PARTICULAR - PERDAS NECESSÁRIAS por Judith Viorst

Por mim e pela minha filha, Maria Eduarda Carrilho ...
Roberta Carrilho


“Quando digo: 
“eu”, quero dizer uma coisa absolutamente única,
que não deve ser confundida com nenhuma outra”.
Ugo Betti


O “EU’ PARTICULAR

Quem é aquela criança presunçosa que ousa manter-se de pé sozinha? Respondemos – com orgulho, com embaraço: “Sou eu”. Esse “eu” é uma declaração da consciência do próprio ser – de alguns dos seres que somos ou que fomos, ou que poderemos ser. Nosso corpo e nossa mente, nossos objetivos e funções, nossos desejos e limites, nossos sentimentos e capacidades, todos, e mais ainda, estão contidos dentro daquelas duas letras.

Nosso “eu” – o “eu” que somos agora – pode estar fazendo um cozido de carne, fazendo amor, candidatando-se a um cargo político, disputando uma maratona, sendo sábio no tribunal e grosseiro no tintureiro, e morrendo de medo na cadeira de periodontista; e sabendo que todos esses eus, e aquele rosto de sessenta e seis anos no álbum de fotografias que, mais cedo ou mais tarde, seremos, são uma entidade coerente, parte de uma única identidade, são o “eu”.

Tornando-nos esse “eu”, temos de renunciar ao paraíso inigualável da união total, da feliz ilusão de estar intocavelmente seguros e das simplicidades reconfortantes de um universo ordenadamente dividido em duas partes, onde o bem é só bem e o mal é só mal. Transformando-nos nesse “eu” entramos num mundo de solidão, impotência e ambivalência. Conscientes do nosso terror e da nossa glória, dizemos: “Este sou eu”.

Como vocês sem dúvida, já devem saber, existe um modelo que divide a mente em três estruturas hipotéticas: o id, a província dos desejos infantis. O superego, nossa consciência, nosso juiz interior.
E o ego, a sede da percepção, da memória, da ação, do pensamento, da emoção, da defesa e do autoconhecimento – o lugar onde vive o “eu” como imagem de nós mesmos.

Este “eu” – esta auto-representação – é feito de fragmentos da experiência que nosso ego integra como um todo: experiências de harmonia e alegre confirmação. Experiências dos nossos relacionamentos humanos iniciais. A teoria, neste caso, é de gradualmente uma imagem do “eu psíquico” se constitui em redor de uma primeira imagem do “eu físico”, de modo que, mais ou menos aos dezoito meses de idade, a criança começa a se referir a nós usando nosso nome, bem como a usar aquela inconfundível primeira pessoa do singular.

O “eu” a que nos referimos tomou para si – internalizou – uma imagem do eu, a criança sob os cuidados amorosos da mãe. Mas internalizou também – tornando-se igual, identificando-se vários aspectos dessa mãe amorosa.

A identificação é ser autoritário, cauteloso, amante dos livros – como minha mãe.

Identificação é ser superorganizado e teimoso – como meu pai.

Identificação é o fato de nossos filhos – uma vez que meu marido e eu estamos acostumados a tomar de chuveiro todos os dias - , antes mal lavados, transformarem-se em usuários do chuveiro diariamente.

Identificação é talvez o fato de a maça não cair muito longe da árvore.

Nossas primeiras identificações tendem a ser globais, de abrangência total. Mas com o tempo identificamos parcial e seletivamente. E quando dizemos: “Serei como esta parte de você, mas não como aquela”, a identificação fica cada vez mais despersonalizada. Assim, nos tornamos – não clones de nossa mãe ou nosso pai, ou de outros – mas uma pessoa de fala mansa, trabalhadora, humorista, dançarina ou muito rápida. Como o Ulisses de Tennynson, podemos afirmar: “Sou parte de tudo o que conheci”.

Mas essas partes foram transformadas. Cada um de nós é o artista do próprio eu, criando uma colagem – uma obra de arte nova e original – com fragmentos e recortes de identificações.

As pessoas com quem nos identificamos são sempre, negativa ou positivamente, importantes para nós. Nossos sentimentos para com elas são de certo modo sempre intensos. E, embora possamos nos lembrar claramente de uma decisão consciente de emular um professor ou uma estrela do cinema, a maior parte das identificações ocorrem fora do nosso consciente. (Enquanto escrevo isto, lembro-me que uso franja até hoje porque era usada por meu ídolo absoluto – Pat Norton).

Fazemos a identificação por motivos diferentes e variados, e geralmente por minutos de uma só vez. E geralmente nos identificamos para enfrentar a perda, preservando dentro de nós – digamos, adotando um estilo de roupas, um sotaque, maneirismos-alguém que precisamos abandonar ou que morreu.

Assim, um homem de meia-idade deixa crescer o bigode logo depois da morte do pai que usava bigode.
E um universitário do segundo ano passa do curso de administração para o de psicologia, logo depois da morte da mãe que era psicóloga.

E a mulher que sempre se sentia perturbada pelos modos terríveis do marido à mesa, adquire essas péssimas maneiras logo depois da morte dele.

E o marido que nunca fora à igreja começa a ir regularmente, logo depois da morte da piedosa e praticante esposa.

Mas nossas perdas não precisam se mortais; as perdas diárias do crescimento geralmente promovem importantes identificações. Pois a identificação pode servir simultaneamente como um meio de se prender e se liberar. Na verdade, o ato de identificação geralmente parece significar: “Não preciso de você para fazer isso, posso fazer sozinho”. Permite a renúncia de importantes aspectos do relacionamento, adotando-os como nossos.

Nossas primeiras identificações são, na maior parte, as de maior influência, limitando e modelando tudo o que virá depois. E embora nos identifiquemos, permanente ou provisoriamente, com aqueles que amamos, invejamos ou admirados, podendo também nos identificar com aqueles que provocam nossa zanga ou dos quais temos medo.

Esta “identificação com o agressor” pode ocorrer em situações de impotência e frustração, quando alguém maior, mais forte ou mais poderoso nos tem sob seu controle. Numa atitude que lembra o “se não pode derrota-los, junte-se a eles”, tentamos nos parecer com as pessoas que tememos e odiamos, na esperança de assim ganhar o mesmo poder e nos defender contra o perigo que representam.

Assim, a herdeira sequestrada Patty Hearst transformou-se na terrorista Tânia.

Assim, por meio da “identificação com o agressor”, a criança maltratada pode vir a ser um molestador de crianças.

A identificação pode ser ativa e passiva, de amor e ódio, para o melhor e para o pior. Pode ser identificação com o impulso de alguém, suas emoções, consciência, realizações, habilidade, estilo, objetivo, penteado, sofrimento. E através dos anos, enquanto modificamos e harmonizamos essas diferentes identificações incluindo, é claro, as identificações de acordo com o gênero; e incluindo talvez, a importante identificação com uma religião, profissão ou classe; incluindo ainda, infelizmente, a identificação com qualidades terríveis, bem como com excelentes qualidades -, possivelmente teremos de nos descartar de outros eus.

A renúncia a esses outros possíveis eus é mais uma das nossas perdas necessárias.

“Bem que eu gostaria de ser, se pudesse”, escreve William James, ao mesmo tempo belo e gordo e bem-vestido, um grande atleta ganhar um milhão por ano, ter humor, ser um bom vivant e um grande conquistador, bem como filósofo, filantropo, político, guerreiro e explorador da África, ou ainda um poeta lírico e um santo. Mas a coisa é simplesmente impossível... Personagens tão diferentes talvez possam parecer possíveis para um homem no começo da sua vida. Mas, para torna-las reais, o resto, mais ou menos, deverá ser suprimido. Assim, aquele que procura o eu mais verdadeiro, mais forte, mais profundo deve examinar cuidadosamente a lista, e apanhar aquele no qual possa arriscar sua salvação. Todos os outros eus tornam-se então irreais...

Nosso fracasso na tarefa de harmonizar mais ou menos as diferentes identificações – a incapacidade de integrar nossos eus separados – pode levar ao extremo daquela estranha desordem mental chamada dupla personalidade, onde (lembram-se do filme ‘As três faces de Eva?’ um certo número de personalidades contraditórias habitam uma única pessoa. Porém, por toda parte existem pessoas com desordens menos graves da personalidade – donas-de-casa, advogados, governantes. Por toda parte, mulheres e homens com perturbações do senso de integridade mental representam baixas emocionais no nosso mundo.

E, sem dúvida, todos nós já encontramos o tipo que Winnicott chama de personalidade com falso eu.

Ou pessoas que psicanalista Helene Deutsh chama de personalidades “como se fossem”.

Ou aqueles que residem na borda extrema da fronteira da neurose psíquica, literalmente chamadas de personalidades limítrofes.

Um tipo que é atualmente muito estudado por especialistas em experiências psíquicas e sociológicas, é a personalidade narcisista faminta por um eu.

Cada um desses tipos pode ser citado quando se fala sobre distorções do eu e da auto-imagem. Cada um está ligado a descrições pouco diferentes, mas sempre sobrepostas a um dano causado ao “eu” particular.

A psicanalista Leslie Farber descreve o que acontece à pessoa que edifica toda a sua existência em volta de um falso eu, acreditando que precisa “brincar com a própria imagem... para merecer a atenção e a aprovação que deseja...”. Essa pessoa, além de sofrer a dor e a vergonha de “um eu secreto, desagradável e ilegítimo”, sofre também o “ônus espiritual de não aparecer como a pessoa que ‘é’, ou de não ‘ser’ a pessoa que aparenta...”.

Na verdade, todos nós, uma vez ou outra, brincamos com nossa imagem pública. Queremos impressionar, agradar, apaziguar, conquistar. E certamente nós todos, às vezes, usamos uma certa dose de engano, dando a nós mesmos um B+ para aquilo que um observador justo e imparcial daria apenas a nota C. Mas sem dúvida, a maioria de nós, quase sempre, tenta manter uma conexão razoável entre o eu que somos e o eu que mostramos. Pois quando essa conexão se desfaz, o eu que apresentamos ao mundo pode ser um falso eu.

Como o caso da mulher que, tendo alcançado sucesso num campo de atividade altamente competitivo, insiste em afirmar: “Na verdade, sou apenas uma moça pobre do Brooklyn”.

Como o homem que se refere aos “meus dois ‘eus’, o verdadeiro... que morre de medo de ser revelar”, e “o outro ‘eu’... que cumpre as exigências sociais”.

E talvez como Richard Cory, um homem “que cintilava quando andava”, que era invejado pela vida que levava, que era belo, rico, um cavalheiro, e que, numa noite de verão, “foi para casa e deu um tiro na cabeça”.

Pessoas que levam a vida com um falso eu.

O verdadeiro eu, segundo Winnicott, tem origem no nosso mais antigo relacionamento, na sensível afinidade entre mãe e filho. Começa com respostas que, na verdade, significam: “Você é o que é. Está sentindo o que sente”. Permitindo que acreditemos na nossa própria realidade. Convencendo-nos de que é seguro expor o nosso primeiro, frágil e verdadeiro eu, em processo de crescimento.

Imaginemos o seguinte: estendemos a mão para um brinquedo, mas, no processo de alcança-lo, olhamos para nossa mãe por uma fração de segundo. Estamos procurando, não uma permissão, mas algo mais. Procuramos uma confirmação de que esse desejo, esse gesto espontâneo realmente nos pertence. De que sentimos o que sentimos.

Nesse momento delicado e sutil, a presença receptiva – e também não intrusora – de nossa mãe, permite que tenhamos confiança no nosso desejo: “Sim, eu quero isto. Quero-o realmente”. Tendo confirmado nosso nascente senso do eu, confirmada nossa “conscientização do eu”, continuamos o movimento para apanhar o brinquedo.

Mas se a mãe responde à pergunta dos olhos da criança sem entender sua necessidade, ou confundindo-a com as dela, a criança não pode confiar na verdade do que sente ou do que faz. A falta de harmonia pode fazer com que a criança se sinta repudiada, maltratada. E então, defende seu verdadeiro eu, formando um falso eu.

Este falso eu é complacente. Não tem agenda. É como se dissesse: “Serei o que você quiser que eu seja”. Como a árvore esparramada que tem seu crescimento impedido, adapta-se à forma imposta por elementos externos. Essa forma pode ser atraente, às vezes maravilhosamente atraente, mas não é real.

A personalidade “como se fosse”, descrita por Helene Deutsch, é mais camaleônica do que o falso eu, pois a “facilidade para detectar sinais do mundo exterior e para moldar o comportamento de acordo com esses sinais” tem como resultado a mudança frequente – mas extremamente convincente – das imitações, primeiro de um tipo de pessoa, depois de outro. A personalidade “como se fosse” não se apercebe do vazio no seu íntimo. Vive sua vida “como se” não se apercebe do vazio no seu íntimo. Vive sua vida “como se” fosse um todo. As expressões que usa, as ligações que escolhe, seus valores, suas paixões, seus prazeres, apenas imitam realidades de outras pessoas. E finalmente provoca constrangimento nas pessoas que olham e pensam: “Espere, alguma coisa está errada” – apesar do brilhante desempenho. Pois, sem que saiba, como um humanoide de filmes de ficção científica, duplica apenas as formas do ser humano. Age como se estivesse sentindo, mas não possui experiência interior correspondente.

Uma caricatura engraçada e brilhante da personalidade “como se fosse” é apresentada por Woody Allen no filme ‘Zelig’, onde o herói tem tão pouca ideia de si mesmo que se transforma na pessoa com quem está no momento. Leonard Zelig – ansioso para ser aceito, apreciado, para se encaixar – transforma-se em negro, chinês, em obeso e em chefe índio, parece uma cópia dos camisas-pardas de Hitler, da comitiva do papa e do time de Babe Ruth. Adotando não só suas características físicas como também mentais, Zelig transforma-se nas pessoas com quem convive. “Não sou ninguém, não sou nada”, diz ele ao psiquiatra. O que ele é na verdade é Leonard Zelig – camaleão humano.

A personalidade limítrofe divide o bem e o mal em si mesma e nos outros, usando o processo de divisão em duas partes. Muito cedo na vida, começa a temer que a raiva que às vezes sente da mãe (que todos nós sentimos) possa destruí-la – e então, o que será dela? Porém, se a mulher que ama e que odeia poder ser vista como duas pessoas distintas, poderá odiar impunemente. Então, ela a transformará em duas.

O ser limítrofe, segundo o psicanalista Otto Kemberg, tem vida fragmentada, de momento em momento, “cortando ativamente os elos emocionais com tudo o que poderia vir a ser uma experiência caótica, contraditória, extremamente frustrante e assustadora... Embora sinta amor e ódio, não consegue jamais juntar esses dois sentimentos, temendo que o mal envenene o bem. Ameaçado pelo sentimento insuportável de culpa resultante desse temor de destruição, o ser limítrofe pode nos amar às segundas e quartas-feiras, e nos odiar às terças e quintas e nos sábados alternados, mas jamais amará e odiará simultaneamente. Ele separa”.

Como é de esperar, o ser limítrofe é instável nos seus estados de espírito e nos seus relacionamentos. Geralmente é impulsivo e fisicamente autodestruidor. Pode achar difícil ficar sozinho. Mas o traço mais acentuado do ser limítrofe é a separação em duas partes distintas, que lhe permite tolerar profundas contradições nos próprios pensamentos e ações, com diferentes partes do seu eu desligadas – como ilhas separadas – uma da outra.

O narcisista é geralmente visto como um adorador de si mesmo (De que ponto de vista eu me amo? Deixem-me conta-los.). Mas, na verdade, é a ausência de um instável amor interior por si mesmo – o narcisista saudável – o que inspira essa devoradora preocupação com a própria pessoa. Que o obriga a suar os outros apenas para se sobressair. Que o obriga a usá-los como reflexos e extensões de si mesmo.

Devo ser atraente – vejam a bela mulher ao meu lado.

Devo ser importante – convivo com celebridades.

Devo ser interessante – sou sempre a estrela, o centro das atenções.

Devo ser – não devo?

Alguma coisa está errada com seu confiante amor interior por si mesmo.

Freud diz que o amor que sentimos por nós mesmos, antes de termos consciência de que outras pessoas existem, é um narcisismo original – um narcisismo primário. Diz também que mais tarde, mesmos, estamos demonstrando um narcisismo secundário. Segundo ele, o amor por si mesmo e o amor pelos outros são opostos. E isso nos deixa com a impressão de que o narcisismo certamente nunca foi uma boa coisa.

Recentemente, entretanto, alguns psicanalistas – especialmente Heinz Kohut – questionaram essa visão negativa e polarizada do narcisismo. O narcisismo, diz Kohut, é normal, é saudável, é importante, é uma boa coisa. E o amor intenso por si mesmo enriquece e complementa – não esvazia – o nosso amor pelos outros.
Como adquirir um narcisismo desejável – mas não super-reverente?

Aparentemente, Kohut nos diz que começamos com um senso de ser e de possuir tudo o que é perfeito, poderoso e bom. E, para chegar a um acordo com os limites da grandeza humana, precisamos primeiro um injeção de narcisismo.

Pois há uma época de nossa vida em que precisamos nos pavonear do que somos e caminhar com grandeza, quando precisamos ser vistos como notáveis e raros, quando precisamos nos exibir na frente de um espelho que reflete nossa autoadmiração, quando precisamos de um pai ou uma mãe para ser esse espelho. (Isso significa o prazer simples que os pais podem sentir com um filho, o prazer que sentem, o elogio que oferecem, a habilidade de corresponder ao exibicionismo da criança quando diz: “Mamãe, veja só!”, com orgulho e encorajamento. Não significa de modo algum a indulgência total nem a ausência da frustação. Todos precisam de um pouco de frustação para crescer).

Há também uma época da nossa vida em que precisamos participar da perfeição de outra pessoa, quando precisamos dizer: “Você é maravilhoso e você é meu”, quando precisamos ampliar a nós mesmos por meio da nossa conexão com algum ser perfeito e onipotente, quando precisamos que um progenitor funcione como esse ideal. (Isso significa a calma e a confiança que o progenitor pode oferecer à criança, a infusão de glória, poder e força, uma proteção que diz: “Estou aqui – você não precisa fazer tudo sozinho”, uma disposição para ser um aliado invencível. O que certamente não significa que o pai ou a mãe devam ser super-heróis).

Há uma época da nossa vida – na primeira infância – em que precisamos ser maiores do que a vida, ter um eu de ouro. E precisamos acreditar que nosso verdadeiro eu – o eu ávido, jubiloso, vaidoso que revelamos – é aceito, pelo menos por algum tempo, como feito de ouro.

Quando nossos pais podem fazer isso por nós – não o tempo todo, apenas uma vez ou outra, apenas... o suficiente -, então servindo como partes de nós mesmos que podemos tornar nossas. E, providos desses ingredientes vitais para a edificação do eu, podemos então nos libertar – podemos modelar e transformar esses ingredientes em algo mais real, com dimensões mais humanas.

Uma auto-imagem positiva.

Uma auto-estima resistente.

E um amor por nós mesmos que nos liberta para amar os outros.

Mas, sem essa dose de narcisismo, ficamos presos ao narcisismo infantil e arcaico. Não podemos prosseguir. Não podemos deixar para trás. Outros podem então nos servir, não como parceiros humanos num relacionamento afetivo, mas como meios de nos fornecer essas peças que faltam ao nosso eu. Assim, o narcisista procura pessoas admiradas, na esperança de transferir para ele essa admiração. O narcisista procura os poderosos, esperando fazer seu esse poder. Entretanto, como observa Kohut, essas pessoas procuradas “não são amadas ou admiradas por seus atributos, e características reais das suas personalidades... mal são notadas”. Na verdade, não são realmente amigos, amantes, companheiros no matrimônio ou filhos, mas partes do eu narcisista – somente “objetos desse eu”.

A descrição completa de uma personalidade narcisista – nós a chamaremos de Peggy – pode mostrar que ela é cheia de vida e intensa, romantizando e sexualizando todos os fatos comuns da vida, superentusiástica e superdramática. Sob toda essa pseudo-vitalidade ávida de ser completada, um medo terrível que se define por: “O que significa tudo isto?”. E, por trás dos gestos e das roupas que gritam com insistência: “Olhem para mim!”, existem sentimentos de falta de autenticidade e de valor.

Peggy evita a dependência. Tem pavor da intimidade. Usa as pessoas como se fossem lenços de papel. Sempre em movimento, tenta fugir do pavor da velhice e da mortalidade. E, sem elos reais com o futuro e com o passado, sem aqueles investimentos afetivos em outras pessoas, aquelas lembranças queridas, ela vive um ‘agora’ dominado pela ansiedade.

Examina o rosto todas as manhãs, para verificar se apareceu alguma ruga.

Mantém sua agenda repleta para todas as noites da semana.

Constantemente consulta médicos, com sua hipocondria crônica e impertinente.

E está sempre repleta de raiva, a raiva da criança desapontada que não encontrou empatia em lugar nenhum.
Conheci um homem – vamos chama-lo de Don – com outro tipo de narcisismo. Compulsivamente, conquistava as mulheres e ia com elas para cama. Seu maior orgulho era contar que, durante uma noite exaustiva, havia dormido com três mulheres diferentes em três bairros diferentes, “fazendo uso” – foi no tempo do racionamento da gasolina – “somente de transportes públicos”.

No seu relacionamento com as mulheres, Don as converte, repetidamente, em idealizações. Todas eram belas, brilhantes e – sempre! – possuidoras de grande profundidade espiritual. Sua desilusão subsequente, em geral imediata, o fazia sair à procura de substitutas. Teve muitas esposas, muitas amantes e não conheceu nenhuma delas.

Meu narcisista fictício preferido não é um homem, mas um sapo. Ele pode ser encontrado em ‘Archy and mehitabel’. Seu nome é Warty Bliggens e costuma ficar debaixo de um cogumelo, perfeitamente satisfeito, e
considera-se
o centro do...
universo
a terra existe
para cultivar cogumelos para ele
sentar sob eles
o sol para lhe dar luz
durante o dia e a lua
e as constelações rodopiantes
para embelezar
a noite só para
Warty Bliggens.

Que tal a grandiosidade?

Alguns narcisistas demonstram uma grandiosidade do tipo “Sou o maior!”. Outros são grandiosos de modo mais indireto. Mas sua empáfia e seu desprezo, ou sua promiscuidade e comportamento anti-social ou as mentiras sobre suas realizações, ou ainda a incapacidade de dizer, “não sei”, sugerem um mundo de fantasia onde pensam que sabem tudo e tudo controlam, onde ‘tudo’ lhes é permitido, e onde são muito especiais. ‘Muito’ especiais.

Para uma ideia desse senso de ser especial, vejamos este sonho contado por um paciente ao seu psiquiatra:
“Foi colocada a questão de se encontrar um sucessor para mim. Então pensei: Que tal Deus?”.

O problema da mania de grandeza é a sua vulnerabilidade. É implacável e inevitavelmente vulnerável. Pois, por mais triunfantes que sejamos, por mais alto que cheguemos, o curso da vida normal nos conduz a perdas. As doenças. A velhice. As limitações físicas e mentais. As separações, solidão e morte. São experiências difíceis – mesmo com família, filosofia e religião, mesmo com elos que nos unem a algo além da carne frágil. Entretanto, sem esses elos, sem algum imenso significado para além do “eu”, a passagem do tempo só pode trazer horror sobre horror. Em face dessa realidade ao longo prazo, é espantoso como o narcisista pode negá-la durante tanto tempo, convencido de que a juventude e a beleza, a saúde e o poder, a admiração e a afirmação vão durar para sempre.

É claro que não duram.

Quando o talento falha, quando fenece a beleza, quando a carreira brilhante declina, o mundo não reflete mais a perfeição de Narciso. E como o eu no espelho é o único que ele sempre reconheceu, perde esse eu e mergulha na depressão. A depressão – o outro lado escuro da grandeza – é a resposta adequada à auto-estima ferida do narcisista, gerada por algo trivial ou um pequeno desapontamento, bem como pelas reais e mais duras realidades da vida.

“Todos os seus espelhos substitutos estavam quebrados”, escreve um analista sobre uma paciente deprimida que começava a envelhecer, “e lá estava ela, outra vez desamparada e confusa, como a garotinha que antes, na frente do rosto da mãe, não encontrou a si mesma...”

O narcisista pode também sentir-se vazio e deprimido, sempre que perde os objetos idealizados do próprio eu. Tendo feito deles a fonte de tudo o que é poderoso e feliz, sente-se agora desamparado e vazio sem eles. E pode procurar fugir desse vazio recorrendo a drogas ou ao álcool, a frenéticas conquistas sexuais, a passatempos perigosos. Ou pode procurar o refúgio narcisista comum de algum culto religioso, onde “o envolvimento total, a rotina infindável, o canto compulsivo, busca incessante de eventos sociais e a meditação ritual” ajudam a encher “vazios quase inimagináveis...”

Como parte de um todo mágico, místico, que afirma possuir o esclarecimento perfeito, ele tenta encontrar um modo de engrandecer o eu. Como parte de um todo feliz e abençoado que afasta “pensamentos negativos”, tenta recapturar o encanto do narcisismo infantil.

No centro dessas falhas narcisistas existem experiências com pais indiferentes; pais que não podiam ou não queriam ser acessíveis, pais que rejeitavam, desaprovavam ou desapontavam, ou no seu impressionante poema “Realizações”, registra a aflição de uma filha tentando conseguir a confirmação da mãe:
Pintei um quadro – céu verde – e mostrei a minha mãe.
Ela disse: bonito, eu acho.
Então pintei outro, segurando o pincel com os dentes.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber
Como foi feito, e se se interessar por pintura, o que não é o meu caso.
Toquei um solo de clarineta no ‘Concerto pra Clarineta’ de Gounod.
Com a Filarmônica de Buffalo. Minha mãe foi ouvir e disse:
Bonito, eu acho.
Então toquei com a Sinfônica de Boston
Deitada de costas e usando os dedos dos pés.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber
Como foi feito, e se estiver interessado em música, o que não é o meu caso.
Fiz um suflê de amêndoas e o servi a minha mãe.
Ela disse: acho que está bom.
Então fiz outro, batendo com minha respiração.
E servindo-o com os cotovelos.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber
Como foi feito, e se estiver interessado em comida, o que não é o meu caso.
Então esterilizei os pulsos, realizei a amputação, joguei fora
Minhas mãos, e fui até minha mãe, mas antes que eu pudesse dizer
Veja, mamãe, sem as mãos, ela disse:
Tenho um presente para você, e insistiu em que eu experimentasse
As luvas azuis, para ter certeza de que eram do tamanho certo.

Às vezes, o confuso narcisista teve pais que ofereciam amor, só que... o amor que ofereciam era do tipo errado. Não era amor pela criança por ela mesma, mas pela criança-como-enfeite, uma flor que os enfeitava, colocada na lapela.

Geralmente, narcisista são filhos de narcisistas.

Os pais narcisistas usam e abusam inconscientemente dos filhos. Faça direito. Sejam bons. Quero me orgulhar de você. Não me irrite. O trato tácito é o seguinte: se enterrar as partes que não gosto então posso amá-lo. A escolha tácita é a seguinte: perder você ou me perder.

É importante não esquecer que, às vezes, pais bastante bons não conseguem se entrosar com o filho, e o prejuízo causado pode resultar de uma infeliz falta de comunicação, e não de indiferença, incompetência ou maldade. Mas, seja qual for a causa, a ausência dessas experiências cruciais de imitação e idealização põe em perigo a coesão do eu. Defendendo-se da ameaça conta esse eu, e tentando urgentemente compensar a falha, nasce o narcisista patológico.

Sem dúvida, nós todos, durante nosso desenvolvimento normal, tivemos experiências de um falso eu, de separação em duas partes, com nosso eu. Nós todos tivemos experiências do tipo: “Por que eu disse aquilo? Não é o que eu penso realmente”, de abrigar eus distintamente contrários, de tentar esconder nossos eus inaceitáveis, de agir como pessoas diferentes com pessoas diferentes.

Mas as pessoas descritas nas páginas anteriores demonstram mais do que as distorções comuns, mais do que as confusões e incertezas no seu desenvolvimento, que interfere com suas perdas necessárias – com a renúncia de necessidades, defesas, ilusões que se interpõem no caminho de um eu robusto e integrado.

Pois um crescimento saudável implica a capacidade de renunciar a nossa necessidade de aprovação, quando o preço dessa aprovação é nosso verdadeiro eu.

Significa ser capaz de renunciar à divisão defensiva, e integrar nosso eu mau com o eu bom.

Significa ser capaz de renunciar à grandeza e funcionar com um eu de proporções humanas.

Significa que, embora possamos, durante a vida, ser afligidos por dificuldades emocionais, possuímos um eu confiável, um senso de identidade.

O que chamamos de senso de identidade é a certeza de que nosso eu mais profundo, mais forte e mais verdadeiro persiste através do tempo, a despeito da mudança constante. É a sensação de um eu verdadeiro mais profundo do que qualquer diferença, o eu para o qual todos os nossos outros eus convergem. Essa uniformidade firme inclui tanto o que somos, quanto o que não somos. Inclui nossas identificações e nossas diferenças. E inclui também nossas experiências interiores e particulares do tipo: “Eu sou eu”, bem como o reconhecimento pelos outros de que: “Sim, você é você”.

Esse apoio e resposta dos outros é importante em qualquer época da vida, mas tem importância especial na infância. Pois nenhum de nós pode começar a ter um “eu” sem alguma ajuda de “outros”. Todos nós, no começo, precisamos de uma mãe que nos ajuda a ser, a mãe que nos ajuda a estender o braço e reclamar o que nos pertence, a mãe que nos ajuda estabelecer uma certeza central – tão certa quanto às batidas do nosso coração – de que nossos desejos e sentimentos são nossos. No começo, não conseguimos satisfazer, portanto, não conseguimos reconhecer nossas necessidades. A mãe ajuda a criança a satisfazê-las e conhece-las.

Reconhecendo nossas necessidades, reclamando nossos sentimentos como nossa propriedade, começamos a perceber o nascimento do nosso eu. Perdemos a não-consciência de nós mesmos, a existência sem um eu, sem uma identidade.

Começamos a criar e a descobrir nosso “eu” particular.


Judith Viorst


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Ainda faltam alguns capítulos... 





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

DESABAFO - CICATRIZ NO CORAÇÃO (Roberta Carrilho)



Maria Eduarda Carrilho(minha filha) e eu em Ouro Preto em 31/12/11 - Revéillon 2012 


SAUDADES!!!!
de você minha filha ...
Sinto-me impotente e vazia sem você.
Mas entendo e aceito a sua indiferença.
Você tem todo o direito de sentir raiva...
Somos vítimas do egoísmo e orgulho de um homem cruel, insano e insensível...
Também fui enganada, mas se eu soubesse ...

Ah! Se eu pudesse...
Jamais teria permitido este sofrimento
esta SEPARAÇÃO!

Sinto muito por tudo!
Filha não planejei e desejei nada disso para nós.

Espero que você algum dia 
entenda o que aconteceu
e me perdoe.

Eu o amei esse 'homem' com a alma e 
lhe entreguei meu corpo,
meus sonhos, meu coração.
Eu o amei mais do que a mim mesma.

Perdi a noção da realidade, da verdade,
hoje compreendo que tudo fora 
uma ilusão, uma mentira.

Naquela época não conseguia vê-lo 
com olhos lúcidos.

Filha, eu me enganei em relação ao caráter dele.
Desculpa por ter escolhido tão mal.
Ele dissimulou tão bem.

Ah! Se eu pudesse...
Ah! Se eu...

Se eu fosse uma super-mulher, 
com visão raio X.
Filha, você teria sido poupada desta dor.
Mas, sou apenas uma mulher comum, 
sem dons sobrenaturais.

E se tenho alguns dons, esses são muito naturais,
e o que mais se destaca entre todos eles 
é o dom de:
AMAR...
amar intensamente sem reservas.
Sem desconfianças.

Tolice?
Estupidez?
Inocência?
Não sei? 
Talvez tudo isso!

E depois dessa entrega, restou somente o arrependimento, 
a desconfiança...

Filha não me arrependo 
de ter engravidado e gerado você.
Nunca!
Você é uma benção que Deus me deu.
Você é e será sempre minha amada Bebein.

O arrependimento é ter escolhido 
ele para ser o pai.
O que mais dói é saber que ele fez tudo consciente.

Ele teve escolhas!
Ele não teve foi a dignidade em ser 
um homem de bem em preservar 
nossa relação mãe-filha, 
tão importante para a sua formação emocional... 
qualquer pessoa sabe disso.

Ah! Filha! Tenho tanto medo das consequências desta separação.
Tenho medo que você também fique com cicatrizes...
no coração, na alma e no cérebro.

Ele não considerou que somos ligadas por sentimentos...
por vínculos ... 
físicos e espirituais,
sanguíneos e afetivos
e muitos outros.

Ele não sente, não ama nada e ninguém...
É um ser desprovido de amor e afetos.
Mas algum dia ele irá perceber o que fez.
Então, verá e sentirá as consequências 
da sua escolha,
do seu egoísmo,
do seu orgulho,
e sofrerá o inevitável... 
remorso e arrependimentos

O tempo não pára...
e neste dia será muito tarde 
para ele consertar o estrago
que fez em nossas vidas.

Maldita Escolha!!!
Maldito Estilo!!!
Maldita Estátua, fria e sem sentimentos!!!

Mas, o que me consola é saber 
que ele terá que arcar 
com as consequências disto tudo.

Eu o desprezo com toda intensidade 
da minha alma.
Ele me roubou sua infância.

Agora, quanto a mim Filha quero dizer que:
te amo hoje, ontem e sempre.

mamãe


PENSAMENTOS - Espinoza


Foto by necer drink turpentine


Nem todos meus desejos (Conatus) são ou precisam ser determinados por causas externas. Existem desejos que são determinados por causas próprias que são os que expandem nosso ‘conatus’ de fato. Isso me realiza como ser individual. Espinoza afirma que esse desejo por si só é ético porque é um desejo que não depende de um desejo do outro, de uma realização do outro, pois, é um desejo que me realiza e que provavelmente não realizam outras pessoas. Por afirmar que os desejos são determinados por causas internas que Espinoza serve como contraponto a sociedade de consumo, que os desejos são criados por causas externas.

Assim como falou Nietzche (1889), só existe a ideia de livre arbítrio quando eu posso determinar minha ação, se eu penso a partir dos meus afetos, se eu constato que só ajo afetivamente para que haja uma mudança na minha conduta, no meu comportamento. É preciso, porém, que antes haja uma mudança nos meus afetos. Espinoza também dizia que não adianta o conhecimento se ele não for afetivo, pois, só o que transforma um afeto é outro afeto. Ele cita o poeta romano, Ovídio (43 a.C – 17a.C) – Metamorfose – “Vídeo meliora provoque, deteriora sequor” -“Penso o melhor, faço o pior”.
Significa que não adianta você pensar no bem e agir corretamente no bem, na moral, porque se você não tiver uma transformação afetiva, o conhecimento é inócuo, ele é incapaz de modificar os nossos afetos, e no entanto, são os determinantes da nossa ação.

Espinoza

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ps: Eu Te amo - Far Away - Nickelback (tradução)

Chorei muito quando assisti este filme.
Lindo!!! Lindo!!!


Viva o amor com toda a intensidade que você puder...
Não resista em ser feliz.
Você não sabe, ninguém sabe quando irá morrer.
Aí, talvez, amanhã pode ser muito tarde.


Então...
Não desista dos seus sonhos, dos seus amores,
da sua vida.
Roberta Carrilho



Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe
mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte  na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem  sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

DIÁRIO DE UMA PAIXÃO - The notebook

‎"É a possibilidade que me faz continuar, não a certeza, uma espécie de aposta da minha parte. E embora você possa me chamar de sonhador, de tolo ou de qualquer outra coisa, acredito que tudo é possível." 



(Diário de Uma Paixão - Nicholas Sparks)



Foi o 1º DVD que eu comprei...
Este filme marcou muito minha vida. 
É um dos meu favoritos.
Deus!
Por favor! Quero um Noah para mim. (risos)
Roberta Carrilho





Doce Novembro - Creed - With Arms Wide Open

Amo este filme ...
Roberta Carrilho

Stand By Me _ Playing For Change _ legendado.wmv

COMPROMISSO

“Compromisso:
É permitir que o outro entre na sua vida.
É sonhar junto sem se sentir ameaçado,
marcar um horário sem se sentir controlado,
dividir o espaço sem se sentir invadido.
Compromisso não é a falta de liberdade.
Compromisso é o exercício da liberdade de estar com alguém.”

Autor desconhecido

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O PEQUENO PRÍNCIPE - de Antoine de Saint-Exupéry



E foi então que apareceu a raposa:

- Bom dia, disse a raposa.

- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.

- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...

- Quem és tu? perguntou o principezinho.

Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços...

- Criar laços?

- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.

E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:

- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...

A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:

- Por favor, cativa-me! disse ela.

- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.

- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!

Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.

Mas tu não a deves esquecer.

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"


Parte do texto de um dos livros mais bonito que existe. 
É um livro filosófico, contemporâneo e de reflexão-ensinamentos ...
Nele se aprende muitas verdades entre elas, o valor das relações em nossa vida.
Dos sentimentos...
Do amor recíproco...

Enfim,
... não é fácil construir uma amizade
ou uma relação afetiva verdadeira
sem envolver sentimentos reais e
o mais importante ter zelo e atenção.

O não ser ou o não sentir sozinho(a) depende de você,
só de você ...
as suas ações, atitudes e palavras ditam a sua realidade.

É necessário trabalho, responsabilidade e cuidados constantes.
Se você não cuida, não alimenta estes sentimentos...
eles morrem (nos dois sentidos ...)

Afetos e amores são mortos todos os dias, infelizmente. 
Porque as pessoas estão permitindo que o egoísmo e a vaidade 
mudem suas vidas, impondo um roteiro ou uma cultura da solidão.

É extremamente triste isso!

"Quando a gente ama, é claro que a gente cuida"...
já dizia Caetano Veloso.

Roberta Carrilho


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

MARIA EDUARDA CARRILHO - MINHA SEMPRE BEBEIN


Foto by HK

Minha filha, Maria Eduarda Carrilho, hoje com 9 anos e 01 mês está a cada dia mais linda. Esta foto ficou D+Linda luz!Ela tem meus olhos e personalidade!!! É meu orgulho e esperança.Te amo muiiiiiiiiiiito filha.mamãe
Outro dia estávamos conversando sobre o nosso futuro. Eu disse a ela que farei outra graduação - ARQUITETURA - na federal ou no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix em BH. Provavelmente -  porque quando eu passar no concurso que estou me preparando - talvez eu possa ser nomeada para o interior e não para capital de Minas. Porque serei analista judiciária federal do Tribunal Regional Eleitoral - TRE/MG e poderei conciliar as duas coisas (carga horária é de 06 horas/dia). E ... conversa vai e conversa vem e em nossos devaneios fantásticos (imaginamos tantas coisas ...) combinamos de trabalhar juntas. Seremos arquitetas.

Montarei um escritório de arquitetura para nós e em nessa conversa brinquei que ela seria minha patroa... Ela não aceitou de forma alguma, mesmo no imaginário. Ela então disse: "... eu só aceito mamãe se você for minha sócia. Nada de ser sua patroa". (que humildade!!!!)

Vamos aguardar... quem sabe nosso projeto se concretiza???? (eu gostaria muiiiiiiiiiiiiito)


Tem tudo para ser: 
Ela gosta de matemática, desenhar, colorir, decorar e etc... (como eu)

Conclusão: Tudo é possível! Só Deus e o tempo poderá nos dizer. Eu serei arquiteta, disto eu tenho certeza. Espero que ela também seja.


sim ... sim ... piririm ... pim ... pim. (magia da "Emília do Sítio do Pica Pau Amarelo -  Monteiro Lobato - vou imitá-la pra que meu desejo também se realize). risos!

Nós temos muitas coisas em comum... e é impressionante.

Maria Eduarda, minha bebein, Ops! ou seria melhor minha clone! rsrsrs



quarta-feira, 17 de agosto de 2011

PROFESSORES IMPORTANTES DA VIDA - MÁRIO QUINTANA



VARAL DA AUTO-GENTILEZA - ANA JÁCOMO



“Torça bem as lágrimas, uma a uma, até desencharcar o coração.
Depois, estenda a tristeza pra secar no varal da auto-gentileza.
Lá costuma bater sol.

Ana Jácomo

FATORES DE EQUILÍBRIO


Traduzindo benevolência por fator de equilíbrio, nas relações humanas, vale confrontar as atitudes infelizes como os obstáculos pesados que afligem pessoas, na caminhada terrestre.

Aprendamos a sinonímia de ordem moral, no dicionário simples da natureza:


Crítica destrutiva - labareda sonora.
Azedume - estrada barrenta.
Irritação - atoleiro comprido.
Indiferença - garoa gelada.
Cólera - desastre à vista.
Calúnia - estocada mortal.
Sarcasmo - pedrada a esmo.
Injúria - espinho infecto.
Queixa repetida - tiririca renitente.
Conversa desnecessária - vento inútil.
Preconceito - fruto bichado.
Gabolice - poeira grossa.
Lisonja - veneno doce.
Engrossamento - armadilha pronta.
Aspereza - casca espinhosa.
Pornografia - pântano aberto.
Despeito - serpente oculta.
Melindre - verme dourado.
Inveja - larva em penca.
Pessimismo - chuva de fel.

Espiritualmente, somos filtros do que somos. Cada pessoa recebe aquilo que distribui.

Se esperamos pela indulgência alheia, consignemos as manifestações que nos pareçam indesejáveis e, evitando-as com segurança, saberemos cultivar a benevolência, no trato com o próximo, para que a benevolência nos seja auxílio incessante, através dos outros.

Autor desconhecido

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DIAMANTINA/MG - FÉRIAS DE JULHO 2011

Foto by Roberta Carrilho

Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande,
é a sua sensibilidade sem tamanho.


O tempo não cura tudo.
Aliás, o tempo não cura nada,
o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções.

Martha Medeiros