quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A IDENTIDADE COMPLEXA E A VIDA SECRETA DE FRIDA KAHLO



O status cultuado e icônico de Frida Kahlo se deve muito a seus autorretratos, em que capturou e interpretou sua própria identidade visual. Eu particularmente tenho uma sinergia muito minha de identificação com a Frida que nem eu mesma sei explicar. É como se eu a conhecesse e fôssemos velhas amigas ou irmãs que se gostam muito. 

Frida Kahlo 


“Eu pinto autorretratos porque fico sozinha com muita frequência, porque sou a pessoa que conheço melhor“, disse a artista mexicana Frida Kahlo. O status cultuado e icônico de Frida se deve muito a seus autorretratos, em que capturou e interpretou sua própria identidade visual.

O tema levanta uma questão em uma nova exposição: 
  1. a imagem pessoal e única de Kahlo era tão central para seu mito e persona como parte de sua obra? 
  2. E o que seus objetos e estilo pessoal dizem sobre sua vida e sua arte?

Durante 50 anos, roupas e outros itens pessoais de Frida ficaram trancados na Casa Azul, onde a artista morava com o marido muralista Diego Rivera, em Coyoacán, perto da Cidade do México. Após a morte da mulher, em 1954, Rivera trancou 6 mil fotos, 300 itens pessoais e 12 mil documentos no banheiro da casa. 

Quando os artigos foram finalmente revelados, os historiadores levaram quatro anos para organizá-los e catalogá-los. Agora, pela primeira vez, essas peças deixaram a Casa Azul para serem exibidas no Museu Victoria & Albert, em Londres.

Na exposição Frida Kahlo: Making Her Self Up, vestidos e outros itens pessoais são apresentados ao lado de suas pinturas, mostrando a conexão íntima entre eles. Ela é retratada como um tipo de artista performática, cuja identidade é uma extensão de sua arte. Os vestidos coloridos e adornos com flores estão lá, junto das próteses pintadas a mão e dos corpetes que ajudavam a sustentar sua coluna e mascarar suas deficiências físicas.

A descoberta dos objetos também permitiu uma compreensão maior sobre seu acidente. Itens como remédios e aparelhos ortopédicos lançam luz sobre sua história, além dos corpetes e coletes – incluindo alguns que ela pintou com símbolos religiosos e comunistas, assim como imagens que fazem referência a seus abortos espontâneos.

Estilo adaptado
Circe Henestrosa, cocuradora da exposição, disse que a construção da identidade de Kahlo “em torno de suas políticas, sua etnia e deficiência” é a tese central da mostra.

“A exposição busca dar um contexto pessoal, cultural e político à história de Frida. Ela sobreviveu a um acidente terrível, quase fatal, aos 18 anos, o que a deixou acamada e imobilizada. Muito mais foi entendido sobre o acidente após a descoberta dos objetos na Casa Azul, e a mostra lança luz sobre essa história por meio de seus remédios e aparelhos ortopédicos.”

Com a descoberta dos objetos pessoais da artista, novos insights foram revelados sobre como seu estilo pessoal era em parte guiado por suas deficiências. “Roupas se tornaram parte de sua armadura, para desviar, omitir e disfarçar suas lesões“, diz Henestrosa.

“Frida passou por múltiplas cirurgias, tanto no México quanto nos Estados Unidos, e teve que usar corpetes ortopédicos feitos de couro e plástico. Os corpetes eram necessários por razões médicas, mas ela também os decorou de forma elaborada. O estilo indígena que ela adotou permitia esconder esses itens sob longas saias e blusas com cortes geométricos.”
“Acho que o estilo poderoso de Kahlo integra tanto seu mito quanto suas pinturas. É a construção de sua identidade por meio de sua etnia, sua deficiência, suas crenças políticas e sua arte“, diz Henestrosa.

Segundo ela, quando a artista passou a usar os vestidos de Tehuana, ela queria reforçar a identidade mexicana – o traje é proveniente de uma sociedade matriarcal no sudeste do México, chamada Istmo de Tehuantepec.

“Frida entendeu o poder da vestimenta desde muito cedo“, explica a curadora.
“Após ter pólio aos 6 anos, ela ficou com uma perna atrofiada e mais curta, o que a levou a escolher saias longas. E começou a usar três a quatro meias na parte mais fina da panturrilha, além de sapatos com um salto interno para mascarar a assimetria.”

Isso mostra como ela construiu uma relação entre seu corpo e vestuário desde cedo. Ao usar os autorretratos e vestidos tradicionais mexicanos para se estilizar, Frida lidou com sua vida, suas visões políticas, suas batalhas de saúde, seu acidente e seu casamento turbulento.

De acordo com o designer Tom Scutt, a ideia de desvendar tesouros escondidos é central para a exposição.

“Há um espírito único de tempo e espaço nessa exposição. A atitude de destrancar um quarto na Casa Azul para descobrir todos os pertences de Frida ecoa na noção de chegar a uma mostra como visitante e descobrir os pertences por si mesmo. Por causa disso, a exposição tem uma carga mágica indiscutível“.

Dualidade, reflexão e repetição
A mostra explora a infância de Kahlo – inclui um álbum de fotos de arquitetura de igrejas feitas por seu pai, o alemão Guillermo Kahlo. Conta ainda com pinturas e fotos dela ao lado do marido e do círculo de amigos famosos, incluindo Leon Trotsky.

Seu senso de orgulho da cultura mexicana após a Revolução do México (1910-20) também está presente nos itens que ficaram guardados – o interesse pela arte, artesanato e tradições do povo indígena era uma paixão.

As décadas de 1920 e 1930 foram marcadas pelo que ficou conhecido como “Renascença Mexicana“. Nessa época, o país atraiu artistas, escritores, fotógrafos e cineastas do mundo inteiro. Fotos tiradas por Edward Weston e Tina Modotti, em 1920, também estão expostas na mostra. E há um mural de votos religiosos da coleção de Frida e Rivera. As pequenas pinturas oferecidas a santos eram uma influência para o casal de artistas.

Entre as roupas expostas, estão os tradicionais huipil (blusas bordadas em quadrados), rebozos (xales mexicanos), saias longas e joias, incluindo peças de jade colombianas e ornamentos modernos de prata.

Há também um resplandor, faixa tradicionalmente usada na cabeça pelas mulheres de Itsmo.

Os visitantes podem conferir ainda o batom vermelho da Revlon original da artista e o kajal que ela usava para definir sua famosa “monocelha”.

“A vida de Frida era cheia de dualidade e ideias complexas e opostas, a noção de olhar para si no espelho para pintar um autorretrato se tornou central [para a exposição]“, diz o designer Scutt.
“É essa dualidade, reflexão, repetição que tentamos expandir pela exibição, oferecendo aos visitantes uma ideia de dualidade.”

Essencialmente moderno
O arquiteto Matt Thornley, da empresa de arquitetura Gibson Thornley, que organizou a exposição com Scutt, afirma que a complexidade de Frida é central.

“A imagem externa de Frida é tão poderosa“, diz ele. “Os retratos fotográficos estão explodindo em cor e vida, assim como suas pinturas. A exibição explora isso, mas também sua fragilidade física e sua força interna. São essas complexidades que fazem dela uma figura tão duradoura e interessante.”

Assim como a própria artista, o design da exibição é “essencialmente moderno“, acrescenta Thornley.

“Age como um pano de fundo para os objetos e pinturas que descrevem eventos chave em sua vida. A exibição explora as raízes de Frida e sua posição dentro de um contexto maior de arte, cultura e política no México dos anos 1920 e 1930.”

A individualidade de Frida, sua energia e modernidade fizeram dela um ícone incomparável. 

Mas será que ela continuará a influenciar futuras gerações? A cocuradora Circe Henestrosa acredita que sim.

“Frida Kahlo é o próprio modelo da artista boêmia: única, rebelde e contraditória, uma figura cult que continua sendo apropriada por feministas, artistas, estilistas e a cultura popular. Como uma mulher, uma artista, um ícone, Kahlo conquistou uma aclamação quase universal rara. Em uma sociedade muitas vezes obcecada com a destruição das paredes do mundo interno, Kahlo é a própria personificação do ethos contemporâneo. Suas escolhas de roupa refletiam uma habilidade intuitiva de usar uma imagem visual ousada em uma época em que homens dominavam o mundo da arte e foi por meio da arte e da vestimenta que ela demonstrou suas crenças políticas, ao mesmo tempo em que lidou com suas deficiências.”

E uma coisa é certa: as paixões feministas e “contraculturais” de Kahlo combinam perfeitamente com os tempos de hoje. Como diz Henestrosa:

“Ao longo de sua vida, Kahlo foi vista algumas vezes como ‘exótica’, tratada com paternalismo ou excluída, mas hoje – sua identidade interseccional, complexa e autoconstruída é melhor compreendida e é inspiradora. Essa é a mensagem que queremos passar nessa exposição. Ela era uma artista mexicana com deficiência, buscando um lugar para uma mulher artista em um ambiente dominado por homens, na Cidade do México.”

“Nós, mulheres, não estamos lutando pela mesma coisa hoje? Quão mais relevante e atual ela pode ser?”, finaliza.


Fonte: BBC


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

POR MAIS MULHERES NA POLÍTICA

Os políticos eleitos devem representar seus eleitores. A identidade de quem governa tem um efeito enorme sobre o tipo de políticas públicas que são implementadas no nosso país. As demandas femininas são muitas vezes deixadas de lado porque é preciso muita vontade para inclui-las na agenda política, e isso muitas vezes não acontece. Importante lembrar que, sem mulheres eleitas as pautas como combate a violência contra a mulher e igualdade no mercado de trabalho são deixadas de lado. Precisamos que as mulheres se sintam representadas e isso só depende delas mesmas. 

Vote em uma candidata! 





Candidata a deputada estadual Roberta Carrilho #CDL DEBATE




CONHEÇA MEU NOVO PROJETO DE VIDA – POLÍTICA

A voz das mineiras irá ecoar na Assembleia Legislativa. Chegou à vez das mulheres na política. Em 2014, foram eleitas apenas seis deputadas e 71 deputados em Minas. Roberta Carrilho está chegando para mudar esse cenário com reNOVAção e iNOVAção. Política pode ser melhor com a sensibilidade e compromisso de uma mulher. Política é também uma pauta feminina!


Por uma Minas Gerais mais plural, mais sensível, humanizada para as demandas sociais e compromissada por uma assembleia mais feminina e renovada. Minas somos muitas! Agora é nossa vez!








sábado, 18 de agosto de 2018

REVELAÇÃO DA MINHA FILHA ... MARCANTE!
















 



















Hoje minha filha Maria Eduarda Carrilho numa longa conversa de vídeo pelo telefone me confessou algo que no fundo eu já pressentia. Sim, meus pressentimentos de mãe se concretizaram hoje... deu o sinal que é possível que se torne realidade o que já havia pensado, sentido, comentado com os meus amigos e amigas mais próximas. Não mudará nada para mim... pelo contrário, apoiarei ainda mais neste mundo cheio de ódio e preconceito. Amo e me solidarizo com com sua vida seja qual seja suas escolhas. Sou sua mãe e estarei com ela além desta vida finita. Amor eternum. 


Minha Bebein... minha amada filha, amiga!





Fica como registro - 18/08/2018 

Relatos de uma mãe 
Roberta Carrilho


EU E MINHAS FILHAS



EU E MINHAS FILHAS 
#MariaTerezaCarrilho1994 
#MariaEduardaCarrilho2002


Minha família verdadeira e única! São elas..:woman::girl::girl:







sexta-feira, 17 de agosto de 2018

ROBERTA CARRILHO CANDIDATA À DEPUTADA ESTADUAL POR MINAS




CONHEÇA MINHA HISTÓRIA

Nascida em Divinópolis no dia 08/08/1972 no Hospital São João de Deus, filha do Diretor de Patrimônio da Prefeitura de Divinópolis, Carrilhão e sua mãe foi conhecida por 50 municípios pertencentes naquela época a 12ª SRE como Diretora Jurídica da Superintendência Regional de Ensino, Aparecida Carrilho.

Mãe de duas meninas de 24 e 16 anos, Maria Tereza Carrilho e Maria Eduarda Carrilho, respectivamente, Advogada, Professora de formação pelo INSSC e Artista plástica formada pela Escola de Belas Artes Guignard e recentemente estava cursando Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Itaúna - UIT, porém devido ao AVC de seu pai e o falecimento de sua mãe teve que fechar matrícula.

Trabalhou por 10 anos na Superintendência Regional de Ensino de Divinópolis, também já foi servidora terceirizada da Advocacia Geral da União - AGU e oficial judiciária do Tribunal de Justiça de Minas Gerais - TJMG.

Vítima de violência quando jovem transformou a dor de sua experiência em força para lutar e defender uma sociedade mais igualitária e justa para mulheres e homens. Já foi voluntária em diversas instituições, como Lar das Meninas e a Biblioteca Pública municipal de Divinópolis entre outras instituições voltadas para fins sociais e filantrópicos.

Militante nas redes sociais desde 2009 quando começou pelo seu blog “Sou sentimentos...” que hoje está com quase 2(dois) milhões de acessos entre outras plataformas digitais como Facebook com mais de mil seguidores, Instagram, Twitter. Flickr, etc.

Aberta ao diálogo com todas as ideologias que buscam o desenvolvimento e dignidade de Divinópolis e Minas. Seu posicionamento é de políticas progressistas, desenvolvimentista, com flexibilidade para fazer parcerias com pessoas com outras ideologias mais liberais dentro do limite das suas convicções. Roberta Carrilho é uma mulher empreendedora, combativa e guerreira.

CONHEÇA MINHAS PRINCIPAIS PROPOSTAS - ALMG

- INCENTIVO ÀS EMPRESAS E EMPREGOS EM MINAS: Incentivar o desenvolvimento econômico de Minas Gerais priorizando a geração de empregos com parceria para facilitar e atrair novos investimentos e implantação de empresas e indústrias e consequentemente o aumento real do poder de compra da população mineira.

- DIREITOS ASSISTENCIAIS ÀS MULHERES: lutar por mais estrutura para a Rede de Atendimento à Mulher, por mais Juizados, parcerias com a OAB/MG, mais Delegacias da Mulher e pela garantia de fato do funcionamento da Lei Maria da Penha.

- SERVIDORES PÚBLICOS: Lutar por melhores salários e pela valorização dos professores, enfermeiros, atendentes, enfim todos os servidores de todas as secretárias estaduais com diálogos e cobrança junto ao Governo.

- MOBILIDADE URBANA E HUMANA INTEGRADA AO MEIO AMBIENTE SAUDÁVEL: Lutar por políticas públicas de mobilidade urbana. Buscar incentivos para o uso de bicicletas e de transporte público em quantidade e qualidade.

- TRANSPARÊNCIA NO EXERCÍCIO DO MANDATO: implementar um mandato participativo e popular, com prestação de contas públicas e que atenda às demandas da população mineira.



sexta-feira, 27 de julho de 2018

ANIVERSÁRIO DA MINHA FILHA ... MARIA EDUARDA CARRILHO (ESTOU MUITO TRISTE COM O COMPORTAMENTO DELA) :'(

Apesar da decepção e da dor no meu coração, hoje é aniversário da filha que eu mais amei como ser humano neste planeta. Ela era meu amor... minha razão, minha amiga, enfim mesmo decepcionada quero deixar publicado o dia do aniversário dela como eu faço todos os anos desde que eu criei este blog, inclusive foi criado para no futuro ela pudesse acessar e me conhecer melhor, meus gostos e desgostos, o meu lado humano além de mãe.
Fiz tantos planos com ela... mas hoje eu não sei se quero vivê-los. Ela se transformou num ser humano frio, indiferente ao amor, interesseira, manipuladora, etc... tristeza, viu!!! Mas continuarei sendo sua mãe até o último dia da minha existência... e rezando ao Deus todo poderoso faça um milagre nela e em mim para tirar esta tristeza e desconfiança que se instalou no meu coração.
Não gosto de sentir isso e nem omitir meus sentimentos... sou todos eles... como é o título deste blog "...sou sentimentos" e entre eles no momento o sentimento de tristeza e profunda decepção com ela minha ex-bebein! 
Angústia em vê-la se transformar numa pessoa totalmente diferente do que eu desejei ardentemente como mãe para ela como minha filha amada... nada saiu como eu planejei! Nada! 
Enfim, Feliz aniversário minha filha caçula indiferente dos meus sentimentos...  espero que este resto de ano (2018) vc possa começar uma profunda transformação como pessoa e ser humano. Muito diferente do que eu vi nestes últimos anos e confirmei recentemente.
Aprenda a ser uma pessoa boa, amorosa, amiga, empática, sincera, querida, ou seja, uma boa filha apesar de qq coisa que tenha acontecido em nosso passado e no qual vc já sabe de muitas coisas e e ainda saberá muito mais quando ficar adulta e independente emocional e financeiramente dessas pessoas horríveis que mentiram e omitiram a verdade ou simplesmente mostraram só o que os convinham mostrar. Não é certo agir desta forma ainda mais sendo eu e você mãe-filha. Mas Deus vai lhe mostrar mais cedo ou mais tarde a verdade.
Hoje filha vc se transformou numa decepção aos meus olhos e coração. Que dor!
Infelizmente estou tão desolada com o que se transformou sendo educada por uma mulher sem escrúpulos longe de mim... um pai omisso, patético, inerte, manipulável, irresponsável, covarde com a vida, com sentimentos próprios e alheios, velho com mente, comportamento de um adolescente infantilizado e ridículo é trágico.
Foi a pior escolha de uma existência que eu poderia ter feito a nós. Sinto enganada, culpada. Uma mistura ruim de sentimentos confusos e diversos. Sei que não tenho como mudar o que foi feito e isso me dilacera a alma de raiva, arrependimento por ter sido enganada com tantas mentiras, interesses escusos e dissimulações. Covarde é uma palavra elegante para designar tudo que aconteceu. A verdade mesmo que foi e é um ato criminoso que fizeram conosco espiritualmente e humanamente falando, eles nem imaginam o karma que eles fizeram para as vidas deles. O egoísmo e o orgulho deles falaram mais alto do que o amor e a fraternidade em ceder ou acolher a mim e aquela situação momentânea da minha doença. Eles foram impiedosos! 
Mas acredito na lei de retorno, causa e reação crística (do nosso Mestre Cristo Jesus nos ensinou pelas palavras e exemplos) e que nenhum deles que fizeram este mal a minha vida, aliás em nossas vidas, ficarão impunes. Jamais! Ninguém entra nos céus até pagar o último cetil de sua dívida. Assim está escrito e eu acredito porque assim é justo.
Hoje depois de tantos anos eles não precisam se preocupar em mentir, justificar ou inventar desculpas para mim ou ninguém... não!!! Já passou o tempo de reconciliações e perdões.
A inércia foi conveniente e confortável para eles... não pensaram no estrago que deixaram pra trás... por isso eu particularmente só quero que a justiça de Deus seja feita e cobrada diuturnamente pela consciência, lembranças, pensamentos diários, mostrando tudo que eles fizeram ou deixaram de fazer e as consequências das suas escolhas nas nossas vidas.
Quero que seja cobrado cetil por cetil seja agora ou mais tarde... nesta ou em outras vidas... não importa, somos imortais. Acredito que não ficarão impunes porque Deus é misericordioso e o meu coração de mãe está ferido e continua sangrando pelo o que eles me fizeram e me tiraram.
Todos direto ou indiretamente sem exceção pagarão seja pela ação ou omissão. Pela palavra maldita ou pelo silêncio assassino.
Desculpem meu desabafo porque meu coração de mãe está  muito dolorido nestes tempos. Estava precisando colocar para fora, vomitar estas mágoas... 
Assim, é a vida que seguirá seu roteiro através das nossas escolhas e lá na frente chegarão as consequências delas. É o ciclo da evolução obrigatória.
Feliz Aniversário minha filha Maria Eduarda Carrilho.
São os votos de sua mãe, apesar de...
Roberta Carrilho  





segunda-feira, 23 de julho de 2018

LANÇAMENTO DA MINHA PRÉ-CANDIDATURA PARA DEPUTADA ESTADUAL POR MINAS GERAIS






AGORA É A NOSSA VEZ! #VamosJuntas

#PCdoB - uma mulher PROGRESSISTA que tem lado e é o lado do povo trabalhador e assalariado, vulneráveis, minorias, comunidade LGBTI, os servidores públicos e claro, as mulheres


domingo, 22 de julho de 2018

O MARXISMO CONTINUA ATUAL PARA A CRÍTICA DO CAPITALISMO E A DENÚNCIA DAS DESIGUALDADES - ENTREVISTA ESPECIAL COM JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES




A teoria marxista se sustenta em três linhas do pensamento moderno, surgidos a partir da Revolução Industrial e Energética: economia política inglesa, filosofia alemã e socialismo francês. “De uma forma ou de outra (mas não sem questionamentos), estes três pilares continuam vivos e vão permanecer como referência para a crítica social enquanto houver relações capitalistas de produção”, avalia José Eustáquio Diniz Alves. “Porém, fundamentando toda sua análise na teoria do valor, Marx não conseguiu resolver as incongruências quantitativas entre a magnitude do valor e o preço das mercadorias.” Sendo assim, “uma hipótese fundamental do marxismo que não se confirmou foi a ‘queda tendencial da taxa de lucro’, o que seria um ponto-chave, pois teria como resultado a ‘crise final do capitalismo’”, explica em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.

Ao refletir sobre o legado teórico de Marx, Alves reconhece que ele nem chegou perto do “sonho de uma sociedade sem exploração e sem dominação, uma sociedade verdadeiramente comunista”. Ao citar o lema “de cada um conforme suas capacidades, a cada um conforme suas necessidades”, afirma que “esta bela utopia […] parece estar mais distante da materialização do que a possibilidade de o ser humano ultrapassar os limites da Via Láctea”.

Para discutir marxismo, Alves também trata do capitalismo. Para ele, “a filosofia marxista continua atual, especialmente no que diz respeito à crítica ao funcionamento do sistema capitalista e à denúncia das desigualdades sociais da sociedade urbano-industrial”. No entanto, ressalva “que o marxismo já nasceu desatualizado no que se refere à relação entre a humanidade e a natureza”.

Sobre um dos debates contemporâneos, acerca da renda básica universal, Alves considera que, “se bem implementada, pode ser um importante mecanismo de transferência de renda, de compensação das falhas do mercado, de combate à pobreza, de melhoria da distribuição de renda e de fortalecimento da cidadania”. No entanto, chama de ideia romântica a aposta de que ela possa salvar o capitalismo. “Acreditar na possibilidade de os capitalistas taxarem os futuros onipresentes e oniscientes robôs e distribuírem uma renda básica universal para que a população desocupada tenha recursos para comprar os seus próprios produtos é uma ideia surreal.”


José Eustáquio Diniz Alves é doutor em Demografia, mestre em Economia e graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, com estágio pós-doutoral na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Foi professor da Universidade Federal de Ouro Preto de 1987 a 2002. É pesquisador titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Ence/IBGE.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Qual a atualidade de Karl Marx em termos filosóficos? Que intuições se confirmaram e quais nunca foram sequer sombras da realidade?
José Eustáquio Diniz Alves – A teoria marxista foi tecida a partir de três linhas do pensamento moderno, que surgiram a partir do início da Revolução Industrial e Energética, entre o último quartel do século XVIII e o primeiro quartel do século XIX: a economia política inglesa (teoria do valor-trabalho), a filosofia alemã(materialismo histórico-dialético) e o socialismo francês (fim da propriedade privada e da “escravidão assalariada”). De uma forma ou de outra (mas não sem questionamentos), estes três pilares continuam vivos e vão permanecer como referência para a crítica social enquanto houver relações capitalistas de produção.

Porém, fundamentando toda sua análise na teoria do valor, Marx não conseguiu resolver as incongruências quantitativas entre a magnitude do valor e o preço das mercadorias. Assim, um dos problemas não adequadamente equacionados do marxismo é o da “transformação do valor em preço”. Desta forma, uma hipótese fundamental do marxismo que não se confirmou foi a “queda tendencial da taxa de lucro”, o que seria um ponto-chave, pois teria como resultado a “crise final do capitalismo”. Mas apostar no determinismo do colapso capitalista em função de suas “contradições internas” é como apostar contra o cassino, acreditando na incompetência do crupiê.

Como mostrou Geoff Mulgan [1], autor do livro The locust and the bee (o gafanhoto e a abelha), o capitalismo é essencialmente um sistema em movimento, no qual tendências fortemente predatórias (o gafanhoto) se articulam com forças construtivas (a abelha) para formar um amálgama cuja marca é a transformação. Para Mulgan, Marx errou ao subestimar a capacidade do capitalismo de responder e se adaptar às ameaças e pressões políticas. Ou como diria Joseph Schumpeter [2], o capitalismo é um sistema dinâmico, que funciona em ciclos de “destruição criativa” e que se desenvolve impulsionado pela liderança do empresário inovador

Completando a resposta, o que nem sequer chegou perto da realidade foi o sonho de uma sociedade sem exploração e sem dominação, uma sociedade verdadeiramente comunista, funcionando à base do lema: “De cada um conforme suas capacidades, a cada um conforme suas necessidades”. Esta bela utopia, que também era compartilhada pelos anarquistas, parece estar mais distante da materialização do que a possibilidade de o ser humano ultrapassar os limites da Via Láctea.

IHU On-Line – É possível pensar a produção teórica de Marx dentro das sociedades contemporâneas cada vez mais imersas na Revolução 4.0?
José Eustáquio Diniz Alves – A teoria do valor-trabalho é uma referência indispensável para a análise do capitalismo, qualquer que seja a fase do desenvolvimento das forças produtivas. Mas nos últimos 200 anos, desde o nascimento de Marx, o conflito capital versus trabalho se complexificou e não gerou uma polaridade entre uma maioria esmagadora de operários empobrecidos e uma reduzida minoria de capitalistas escandalosamente enriquecidos. Marx e Engels [3], de certa forma, deixando implícita a ideia de um empobrecimento absoluto da classe trabalhadora, disseram no Manifesto Comunista: “Os proletários nada têm a perder, a não ser os seus grilhões. Têm um mundo a ganhar”.

Contudo, houve conquistas além dos grilhões e, na realidade, a extrema pobreza foi reduzida. Segundo os dados do site “Our World in Data”, um projeto da Universidade de Oxford com dados disponíveis gratuitamente na internet, a população mundial, que era de 1,08 bilhão de habitantes em 1820, tinha 1,02 bilhão vivendo na extrema pobreza (representando 94% da população total) e 60,6 milhões vivendo acima da linha da extrema pobreza (representando 6% do total). Em 2015, a população mundial chegou a 7,35 bilhões de habitantes, com 6,6 bilhões (89,8%) acima da linha da extrema pobreza e 705,6 milhões de pessoas (10,2%) vivendo na extrema pobreza. Em resumo, a extrema pobreza caiu de 94% do total populacional, em 1820, para 10% em 2015. A significativa redução da extrema pobreza global foi acompanhada pela melhoria dos indicadores demográficos. A mortalidade na infância (0 a 5 anos) atingia 43,3% das crianças em 1800 (56,7% sobreviviam após os 5 anos) e caiu para 4,2% em 2015 (com 95,8% das crianças sobrevivendo após os 5 anos). A esperança de vida ao nascer da população mundial, que estava abaixo de 30 anos no século XIX, chegou a 71,4 anos em 2015.

Todos estes avanços socioeconômicos só foram possíveis porque houve progresso das forças produtivas, avanços científicos e tecnológicos de grande monta, uma ampla diversificação da estrutura produtiva, o surgimento de um bônus demográfico e uma enorme disponibilidade de energia fóssil a preços baixos. Embora as relações capitalistas de produção sejam hegemônicas, o modo de produção capitalista não funciona no vácuo, pois está inserido em formações sociais concretas. Isto quer dizer que as relações capitalistas de produção, mesmo sendo dominantes, não abarcam todas as formas de se produzir bens e serviços em uma sociedade. Desta forma, nem todos os trabalhadores fazem parte da classe operária (“classe em si”). E, mesmo entre os operários, não é fácil alcançar, na prática, uma consciência de classe (“classe para si”). Em geral, há mais divergências do que convergências unindo os interesses dos diversos trabalhadores de uma estrutura produtiva global tão heterogênea e desigual.

IHU On-Line – Como todas as transformações tecnológicas da contemporaneidade reconfiguram o conceito de valor de Marx?
José Eustáquio Diniz Alves – A Revolução 4.0 tende a diversificar ainda mais a estrutura produtiva, rompendo de vez com o rígido arcabouço fordista de uma produção padronizada e de massa. A atual revolução científica e tecnológica difere das três anteriores na profundidade e na velocidade das transformações, com grande impacto no mundo do trabalho. Não se trata mais de lidar com o “gorila domesticado” de Henry Ford [4], ou com a recomposição da linha de montagem do Toyotismo, que busca capturar o pensamento do operário incorporando suas iniciativas afetivo-intelectuais aos objetivos da produção de bens e serviços. Os trabalhos que vão surgir serão necessariamente diferentes dos atuais, não havendo garantias que serão suficientes para compensar os postos que vão desaparecer, e dificilmente as organizações sindicais atuais dos trabalhadores conseguirão se manter na nova configuração produtiva, tanto quanto os chamados “direitos adquiridos”. Haverá uma produção mais maleável, descentralizada e com flexibilização do processo de trabalho, tanto temporal quanto físico, além da tendência à “individuação” (a “pejotização” é apenas um aspecto) e do enfraquecimento do trabalho material, aglomerado e coletivo. A teoria do valor continuará válida sempre, mas a possibilidade de formação de uma “classe em si” será cada vez menos provável, e o surgimento de uma “classe para si” será um fenômeno quase inimaginável.

IHU On-Line – Dentro da Teoria do Valor, os robôs estão do lado do trabalho ou do capital? Por quê?
José Eustáquio Diniz Alves – Por mais que os robôs possam ser parecidos com os seres humanos, eles entram no processo produtivo do lado do capital e não do trabalho. Isto acontece porque, no regime capitalista, o processo produtivo é composto por dois elementos fundamentais: trabalho e capital, sendo que o primeiro é dividido em duas partes: o trabalho pago (salários) e o trabalho não pago ou mais-valia (trabalho excedente). A lógica dos patrões, para maximizar o lucro capitalista, é aumentar a parte referente ao trabalho não pago (mais-valia) e reduzir a parte do trabalho pago. Como nenhum indivíduo consegue trabalhar 24 horas e 7 dias por semana, existe um limite material à exploração da mais-valia absoluta. Porém, a mais-valia relativa não depende da superexploração física das horas de trabalho e sim da produtividade do trabalho, isto é, do aumento do produto por hora trabalhada. Por conta disto, desde o início da luta entre o capital e o trabalho, o capitalista buscou substituir o trabalhador por máquinas, para criar uma superpopulação relativa (ou exército industrial de reserva) e para aumentar a mais-valia relativa, via aumento da composição orgânica do capital. Os robôs simplesmente exponenciam esta lógica, aumentando a produtividade, desempoderando o trabalhador e aumentando a apropriação capitalista do excedente (mais-valia relativa).

IHU On-Line – Como os robôs reorganizam a noção de mais-valia à medida que, diferente dos humanos, não necessitam de horas de descanso e tampouco exigem reajustes no pagamento das horas de trabalho?
José Eustáquio Diniz Alves – Não há novidade neste aspecto. Os robôs são máquinas. As máquinas nunca necessitaram descanso e pagamento pelas horas trabalhadas, apenas manutenção e reposição. Elas fazem parte do capital fixo. O que a robótica da Revolução 4.0 traz de novo é o casamento das máquinas com a Inteligência Artificial e a Internet das Coisas. Isto permite não só substituir aquele operário representado por Charles Chaplin [5] em Tempos modernos, mas possibilita também uma enorme reorganização da produção e um exponencial aumento da produtividade.

IHU On-Line – O desenvolvimento tecnológico, especialmente a automação e robotização industrial, que retira postos de trabalhos humanos não gera um tipo de produção entrópica? Se não há renda do trabalho para os humanos, como haverá consumidores?
José Eustáquio Diniz Alves – A insuficiência de renda e o subconsumo são componentes inerentes da dinâmica capitalista. As crises de superprodução do capitalismo são recorrentes, e as crises de realização sempre acontecem no processo de reprodução ampliada do capital. As crises são momentos de ajuste de contas e de distribuição dos prejuízos. O boom econômico é momento de aumento de salário e distribuição de lucros. As recessões, como etapas do ciclo econômico, são partes do movimento e da disputa entre as forças predatórias (“gafanhotos”) e as forças construtivas (“abelhas”). Ainda não há elementos para dizer com certeza se a Revolução 4.0 vai criar uma crise permanente de subconsumo, pois a geração de emprego e renda depende da propensão marginal a investir e da demanda agregada, vetores que são influenciados pela política macroeconômica, primordialmente, pelos níveis das taxas de juros e de câmbio. Se os instrumentos da política econômica forem bem administrados e não houver ruptura entre poupança e investimento, poderia valer o estabelecido na chamada Lei de Jean-Baptiste Say [6]: “a oferta cria sua própria demanda”. 

A 4ª Revolução Industrial não vai acabar necessariamente com os empregos e o ganha-pão dos trabalhadores. O trabalho é a galinha dos ovos de ouro do capitalismo. Atualmente, os três países com maior uso de robôs em relação à força de trabalho manufatureira são Coreia do Sul, Cingapura e Japão, todos três com baixas taxas de desemprego. A China tinha uma população em idade ativa (15-64 anos) de 1 bilhão de pessoas em 2015, que deve cair para 814 milhões em 2050 e para 555 milhões em 2100. Ou seja, a força de trabalho chinesa vai se reduzir quase pela metade ao longo do século XXI, e o uso de robôs não roubará empregos, mas, provavelmente, substituirá os trabalhadores que vão “desaparecer” em função da queda da fecundidade, especialmente depois da implementação da política de filho único. Já o Brasil de 2018, que está completamente atrasado no avanço da Revolução 4.0, tem uma taxa de desemprego aberto em torno de 13% e uma taxa de subutilização da força de trabalho próxima de 25%. O desemprego no Brasil nada tem a ver com tecnologia, e o desenvolvimento tecnológico da Coreia do Sul não tem gerado desemprego em larga escala.

IHU On-Line – Nesse sentido, a necessidade daquilo que chamaríamos hoje de renda básica universal não seria a próxima etapa para “salvar” o capitalismo, afinal sem consumidores não há onde escoar a produção, cada vez mais intensiva?
José Eustáquio Diniz Alves – A renda básica universal, se bem implementada, pode ser um importante mecanismo de transferência de renda, de compensação das falhas do mercado, de combate à pobreza, de melhoria da distribuição de renda e de fortalecimento da cidadania. Mas achar que a renda básica universal possa salvar o capitalismo é uma ideia romântica. Acreditar na possibilidade de os capitalistas taxarem os futuros onipresentes e oniscientes robôs e distribuírem uma renda básica universal para que a população desocupada tenha recursos para comprar os seus próprios produtos é uma ideia surreal. Ainda mais bizarro é sonhar com a possibilidade de os robôs com inteligência artificial fazerem todo o trabalho de dominação e exploração da natureza e, obedientemente, produzirem bens e serviços capazes de sustentar uma humanidade ociosa que, preguiçosamente, possa viver no conforto, no lazer e no desfrute eterno de um crescente consumo conspícuo e antiecológico.

Quando Thomas Paine [7], em 1795, no livro Agrarian justice, propôs a criação de um fundo de cidadania, que seria financiado pela taxação da renda da terra, para apoiar os idosos e fornecer uma renda aos jovens para que eles pudessem, autonomamente, se estabelecer na economia, não estava pensando em eliminar a força de trabalho e nem visava a subsidiar o consumo. A proposta do fundo de cidadania do grande revolucionário britânico, que foi pessoa-chave na Independência dos Estados Unidos e no desenrolar da Revolução Francesa, está mais próxima das atuais políticas de proteção social na área de previdência e de geração de renda para os jovens e não da atual concepção da renda básica universal.

Não dá para ignorar que os robôs, com ou sem inteligência artificial, estão do lado do capital, na equação da teoria do valor, e são utilizados no processo produtivo para aumentar a mais-valia relativa. Taxar os robôs para financiar uma renda básica universal é o mesmo que taxar o capital para “expropriar os expropriadores” da mais-valia. A taxação é uma luta que ocorre dentro do conflito distributivo inerente à disputa capital-trabalho. Ao longo da história do capitalismo urbano-industrial, os trabalhadores e os cidadãos, especialmente aqueles com poder de voto na democracia liberal-burguesa, conseguiram arrancar alguns recursos da mais-valia, que seriam apropriados pelos capitalistas, para financiar os direitos de cidadania nas áreas de saúde, educação, infraestrutura etc. Isso foi possível na medida em que houve uma sinergia entre os trabalhadores mais saudáveis e mais qualificados e o aumento da produtividade do trabalho, que incrementou os excedentes da produção. Este é o pacto que tem viabilizado a sobrevivência do capitalismo. Todos ganham (uns mais do que os outros) com o avanço da produtividade e da acumulação de capital. Os trabalhadores, os cidadãos e os capitalistas ficam mais ricos. Somente perdem os ecossistemas. A humanidade progride, enquanto o meio ambiente regride, pois a natureza não tem direitos intrínsecos e os direitos humanos são totalmente antropocêntricos. No modelo hegemônico atual, a renda básica universal aumentaria o enriquecimento da humanidade às custas do empobrecimento do meio ambiente.

IHU On-Line – É possível fazer um paralelo entre a renda básica universal e o comunismo, que, segundo Marx, seria o destino final do capitalismo?
José Eustáquio Diniz Alves – Para Marx, o capitalismo seria destruído pelas suas próprias contradições internas e, via luta de classes, seria substituído pelo socialismo, entendido como uma organização social classista, mas com o proletariado no comando (ditadura do proletariado). Como, em tese, no socialismo teórico, os interesses do proletariado coincidiriam com os interesses da humanidade, o fim da dominação e da exploração de classe levaria a uma convivência social sem a apropriação privada dos meios de produção, livre da “escravidão assalariada” e livre do Estado repressor. Sem os elementos centrais da dominação burguesa, o caminho estaria aberto para o desabrochamento da utopia comunista. Pelos princípios do materialismo histórico, o socialismo, liderado pelo proletariado, seria o sucessor do capitalismo, e o comunismo, o sucessor do socialismo, configurando a etapa mais avançada possível do progresso humano.

O comunismo não seria uma sociedade sem trabalho; ao contrário, todas as pessoas teriam trabalho, mas não o trabalho alienado e gerenciado pelas relações sociais de produção, de dominação e de exploração do capital. Na visão marxista, a força de trabalho do comunismo teria o poder de gerar um sistema cornucopiano, capaz de criar uma abundância fáustica ilimitada, pois o progresso das forças produtivas não encontraria barreiras para se desenvolver e satisfazer todas as demandas da população (“a cada um conforme suas necessidades”). Portanto, no comunismo não haveria necessidade de uma renda básica universal, mesmo porque não haveria mais capital (e nem mais-valia) para ser taxado e redistribuído.

IHU On-Line – É possível produzir riqueza sem o trabalho humano?
José Eustáquio Diniz AlvesDepende do conceito de riqueza. Em geral, os dicionários definem riqueza como “abundância na posse de bens materiais, tais como dinheiro e propriedades”. Este tipo de riqueza só surge por meio do trabalho humano. É possível obter “valor de uso” sem trabalho humano, mas não “valor de troca”. A riqueza capitalista é fruto do suor do trabalhador, apropriado pelos proprietários dos meios de produção. Além de gerar riqueza, o trabalho faz parte da essência humana, como explica Engels no texto Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. Mas há também, desde antes do surgimento do Homo sapiens, uma incomensurável riqueza que é oferecida gratuitamente pela natureza e que não requer interferência das atividades antrópicas. Refiro-me à riqueza que brota da interação espontânea dos ecossistemas. Por exemplo, o ar que respiramos é a riqueza mais essencial para a vida (ninguém sobrevive alguns minutos sem oxigênio) e, no entanto, ele não tem valor de troca, pois o ato de respirar é gratuito e não requer trabalho humano.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
José Eustáquio Diniz Alves – Voltando à pergunta inicial, reafirmo que a filosofia marxista continua atual, especialmente no que diz respeito à crítica ao funcionamento do sistema capitalista e à denúncia das desigualdades sociais da sociedade urbano-industrial. Mas, completando o raciocínio, é preciso lembrar que o marxismo já nasceu desatualizado no que se refere à relação entre a humanidade e a natureza. O modelo marxista, ao dar ênfase ao conflito capital versus trabalho, deixou em segundo plano o conflito entre as demandas do ser humano e os direitos da natureza. Evidentemente, Marx escreveu sobre a degradação do meio ambiente em várias ocasiões. Todavia, secundarizou o conflito ecológico, considerando que, no comunismo, não haveria grandes contradições entre homem-natureza-demais espécies. Marx ignorou contribuições ambientais pioneiras de autores como Alexander Von Humboldt [8] (1769-1859), Henry David Thoreau [9] (1817-1862) e John Stuart Mill[10] (1806-1873), pesquisadores que escreveram obras essenciais, antes mesmo de o jovem Marx publicar o Manifesto Comunista. A história do marxismo relegou a segundo plano a contradição entre o “capital antrópico” (salários + lucros) e o “capital natural”, fato que as tendências mais antenadas do ecossocialismo tentam corrigir, ao reconhecerem que a depleção da natureza está se convertendo cada vez mais em um elemento desestabilizador da acumulação de capital.

Talvez o maior desafio da contemporaneidade seja levantar evidências de que o capitalismo acabe sendo destruído não por suas contradições internas, mas pelo seu sucesso, já que a enorme produção de bens e serviços e a vitória da incessante acumulação de capital gera uma aceleração tão grande das atividades antrópicas que o modelo “extrai-produz-descarta” entra em contradição direta com a realidade física do fluxo metabólico entrópico da natureza. A produção em massa de mercadorias realizada pelo modo de produção capitalista e pelas formações sociais subordinadas ao capitalismo fizeram a humanidade ultrapassar a capacidade de carga do Planeta, sendo que a Pegada Ecológica global está 70% acima da Biocapacidade global. Além disso, segundo o Stockholm Resilience Centre, quatro das nove fronteiras planetárias foram ultrapassadas, sendo que, duas delas, a mudança climática e a integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de limites fundamentais e têm o potencial de levar a civilização ao colapso.

A 4ª Revolução Industrial pode ser a festa de despedida do capitalismo, na medida em que gere uma explosão do consumo que seja ao mesmo tempo uma implosão ecológica e o rastilho de pólvora para o aumento da entropia e para o irreversível desequilíbrio homeostático do planeta. A 6ª extinção em massa da vida na Terra colocaria fim não somente à biodiversidade, mas também encerraria o conflito capital-trabalho, seja no âmbito do capitalismo ou do socialismo. Não daria sequer para voltar à barbárie. Devido à globalização e à universalização da engrenagem insana que move o atual modo de produção e consumo – responsável pela “grande aceleração” do Antropoceno –, um possível colapso do capitalismo não deixaria alternativas ou rotas de fuga, pois significaria, também, um colapso ambiental e civilizacional global.

Notas:

[1] Geoff Mulgan (1961): diretor executivo do Fundo Nacional para a Ciência, Tecnologia e Artes (em inglês, National Endowment for Science Technology and the Arts – NESTA), instituição de caridade independente que trabalha para aumentar a capacidade de inovação do Reino Unido. Também é professor visitante da University College London, da London School of Economics e da University of Melbourne. Entre os livros que escreveu, estão Communication and Control: Networks and the New Economies of Communication (1991), Politics in an Anti-Political Age (1994), Connexity (1997), Good and Bad Power: the Ideals and Betrayals of Government (2006), The Art of Public Strategy (2009) e The Locust and the Bee (2013). (Nota da IHU On-Line)

[2] Joseph Schumpeter (1883-1950): economista austríaco, entusiasta da integração da Sociologia como uma forma de entendimento de suas teorias econômicas. Seu pensamento esteve em debate no I Ciclo de Estudos Repensando os Clássicos da Economia, promovido pelo IHU em 2005. (Nota da IHU On-Line)

[3] Friedrich Engels (1820-1895): filósofo alemão que, junto com Karl Marx, fundou o chamado socialismo científico ou comunismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, entre elas Manifesto Comunista. Grande companheiro intelectual de Karl Marx, escreveu livros de profunda análise social. (Nota da IHU On-Line)

[4] Henry Ford (1863-1947): empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série, de forma a produzir em massa automóveis em menos tempo e a um menor custo. A introdução de seu modelo Ford T revolucionou os transportes e a indústria norte-americanos. Ford foi um inventor prolífico e registrou 161 patentes nos Estados Unidos. Como único dono da Ford Company, se tornou um dos homens mais ricos e conhecidos do mundo. A ele é atribuído o “fordismo”, isto é, a produção em grande quantidade de automóveis a baixo custo por meio da utilização do artifício conhecido como “linha de montagem”, o qual tinha condições de fabricar um carro a cada 98 minutos, além dos altos salários oferecidos a seus operários – notavelmente o valor de 5 dólares por dia, adotado em 1914. (Nota da IHU On-Line)

[5] Charles Chaplin (1889-1977): ator, diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, dançarino, roteirista e músico britânico. Um dos principais atores da era do cinema mudo, notabilizado pelo uso de mímica e da comédia pastelão. Bastante conhecido pelos seus filmes O Imigrante, O Garoto, Em Busca do Ouro, O Circo, Luzes da Cidade, Tempos Modernos, O Grande Ditador, Luzes da Ribalta, Um Rei em Nova York e A Condessa de Hong Kong. Considerado por alguns críticos o maior artista cinematográfico de todos os tempos e um dos pais do cinema, junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffit. Sua carreira no ramo do entretenimento durou mais de 75 anos, desde suas primeiras atuações quando ainda era criança nos teatros do Reino Unido, durante a Era Vitoriana, quase até sua morte aos 88 anos de idade. (Nota da IHU On-Line)

[6] Jean-Baptiste Say (1767-1832): economista francês que formulou uma lei econômica, a Lei de Say, que se manteve como princípio fundamental da economia ortodoxa até a grande depressão de 1930. (Nota da IHU On-Line)

[7] Thomas Paine (1737-1809): político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América. Viveu na Inglaterra até os 37 anos, quando imigrou para as colônias britânicas na América, em tempo de participar da Revolução Americana. Suas principais contribuições foram os amplamente lidos Common Sense (1776), advogando a independência colonial americana do Reino da Grã-Bretanha, e The American Crisis (1776-1783), uma série de panfletos revolucionários. Paine também influenciou bastante a Revolução Francesa. Escreveu Rights of Man (1791), um guia das ideias iluministas. Mesmo não falando francês, foi eleito para a Convenção Nacional Francesa em 1792. Em dezembro de 1793, foi aprisionado em Paris, sendo solto em 1794. Tornou-se notório por The Age of Reason (1793-94). Na França, também escreveu o panfleto Agrarian Justice (1797), discutindo as origens da propriedade, e introduziu o conceito de renda mínima. Ele também defendeu a posse de arma por parte dos cidadãos. Paine permaneceu na França durante o início da Era Napoleônica, mas condenava a ditadura de Napoleão, chamando-o de “o mais completo charlatão que já existiu”. A convite do presidente Thomas Jefferson, em 1802 retornou aos Estados Unidos. Foi enterrado onde hoje é chamado Thomas Paine Cottage, em New Rochelle, NY, onde viveu depois de retornar aos EUA. Seus restos mortais foram desenterrados por um admirador, William Cobbett, que procurava retorná-los para o Reino Unido e dar a ele um novo enterro solene em sua terra natal. Os ossos, entretanto, foram perdidos e sua localização atual é desconhecida. (Nota da IHU On-Line)

[8] Alexander von Humboldt [Friedrich Heinrich Alexander, Barão de Humboldt] (1769-1859): naturalista e explorador alemão. Atuou também como etnógrafo, antropólogo, físico, geógrafo, geólogo, mineralogista, botânico, vulcanólogo e humanista, tendo lançado as bases de ciências como Geografia, Geologia, Climatologia e Oceanografia. (Nota da IHU On-Line)

[9] Henry David Thoreau (1817-1862): autor norte-americano, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden, uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza, e por seu ensaio Desobediência Civil, uma defesa da desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto. A edição número 509 da IHU On-Line tem a obra do filósofo como tema de capa. (Nota da IHU On-Line)

[10] John Stuart Mill (1806-1873): filósofo e economista inglês. Um dos pensadores liberais mais influentes do século XIX, defensor do utilitarismo. (Nota da IHU On-Line)