domingo, 5 de janeiro de 2014

40 FRASES VENENOSAS por Revista Bula



Uma seleção de 40 frases célebres de personalidades de díspares perfis, nacionalidades e épocas — venenosas, mal humoradas, engraçadas ou cruéis —, as frases revelam o olhar preciso e ferino de seus autores sobre os temas abordados. A autenticidade de cada frase foi checada para não incorrer nos risco das falsas atribuições em meio a profusão de textos apócrifos e equívocos relativos à autoria. A seleção traz nomes como H. L. Mencken, Ambrose Pierce, Ernest He­mingway, Nelson Ro­drigues, Voltaire, Paulo Francis, Otto Von Bismarck, Woody Allen, Robert Benchley, J. Pierpont Mor­gan, Simone de Beauvoir, além provérbios e frases autorais, que foram emprestadas às personagens e obras por intermédio de seus criadores.


Eis, as 40 frases escolhidas:


— O adultério é a democracia aplicada ao amor.
H. L. Mencken
— Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.
H. L. Mencken
— A guerra é a forma de Deus ensinar geografia aos americanos.
Ambrose Pierce
— Se as duas pessoas se amam, não pode haver final feliz.
Ernest Hemingway
— Qualquer idiota consegue ganhar a vida representando. Ora, Shirley Temple já fazia isso aos 4 anos!
Katharine Hepburn
— A cama é a ópera dos pobres.
Provérbio italiano
— Todo canalha é magro.
Nelson Rodrigues
— O casamento é a única aventura ao alcance dos covardes.
Voltaire
— Todos os casamentos são felizes. Tentar viver juntos depois é que causa os problemas.
Shelley Winters
— Os baianos invadiram o Rio para cantar “Ó, que saudades eu tenho da Bahia…. ”Bem, se é por falta de adeus, PT saudações.
Paulo Francis
— O filme é uma merda, mas o diretor é genial.
Paulo Francis
— Ser da classe média é achar Godard o máximo.
Paulo Francis
— Quando ouço falar em ecologia, saco logo meu talão de cheques.
Paulo Francis
— A ignorância é a maior multinacional do mundo.
Paulo Francis
— O balé é o beisebol das bichas.
Oscar Levant
— Todo homem se torna a coisa que mais despreza.
Robert Benchley
— Deus não existe e, se existe, não é muito confiável.
Woody Allen
— O que importa não é o fato, mas a versão.
José Maria Alkmin
— Se você tem de perguntar quanto custa, é porque não pode comprar.
J. P. Morgan
— A velhice é a paródia da vida.
Simone de Beauvoir
— Só há uma coisa mais rara do que uma primeira edição de certos autores: uma segunda edição.
Franklin P. Adams
— As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra ou antes de uma eleição.
Otto Von Bismarck
— A mulher ideal é sempre a dos outros.
Stanislaw Ponte Preta
— Abraço e punhalada a gente só dá em quem está perto.
Otto Lara Resende
— Todas as coisas de que gosto ou são imorais e ilegais ou engordam.
Alexander Woollcott
— De vez em quando um homem inocente é escolhido para a legislatura.
Kin Hubbard
— A filosofia é composta de respostas incompreensíveis para questões insolúveis.
Henry Brooks Adams
— Na política é difícil distinguir os homens capazes, dos homens capazes de tudo.
Henri Béraud
— A maneira mais fácil de ficar livre da tentação é ceder a ela.
Tristan Bernard
— Fez o melhor que podia — é porque não foi bom o bastante.
Arthur Koestler
— Aquele que se casa por dinheiro, tem pelo menos um motivo razoável.
Gabriel Laub
— Um conservador é um homem muito covarde para lutar e muito gordo para correr.
Elbert Hubbard
— O homem se desenvolve, melhora ou corrompe, mas não cria nada.
Antoine Fabre d’Olivet
— Aplique o marxismo em qualquer país e você sempre encontrará um gulag no final.
Bernard-Henri Lévy
— O segredo do sucesso, nos negócios como no amor, é a dissimulação.
René Girard
— Nasce um otário a cada minuto.
P.T Barnum
— O patriotismo é o último refúgio dos canalhas.
Samuel Johnson
— Ao contrário do que se diz, pode-se enganar a muitos durante muito tempo.
James Thurber
— O objetivo do socialismo é elevar o nível de sofrimento.
Norman Mailer
— Perdoar, sim; esquecer, nunca.
John Kennedy




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  • JÁ ERA TARDE DEMAIS !!









    VOCÊ É UM ETERNO PARÊNTESES EM ABERTO, ENQUANTO SUA ETERNIDADE DURAR por Machado de Assis

    Você é aquilo que ninguém vê.

    Uma coleção de histórias, estórias, memórias,
    dores, delícias, pecados, bondades, tragédias,
    sucessos, sentimentos e pensamentos.
    Se definir é se limitar.
    Você é um eterno parênteses em aberto,
    enquanto sua eternidade durar.

    Machado de Assis



    MOMENTOS INTENSOS NESTA EXISTÊNCIA FÍSICA por Roberta Carrilho (eu)



    Bom Dia para todos!!!

    Eu estou afastada infelizmente daqui desde o final de dezembro porque estava internada no hospital com infecção aguda na vesícula. Ainda estou com infecção, anemia, plaquetas baixas aguardando agora em casa (Itaúna) para não contrair mais infecção hospitalar. Passei por momentos intensos nestes dias... muitas dores e reflexões! 

    Minha vesícula está totalmente preta e infeccionada (igual uma gelatina preta como disse o médico) com isso o corpo reagiu produzindo uma espécie de cola que a colou no fígado e parte do intestino. 

    Estou melhor!! Graças a Deus, Jesus, Virgem Santíssima e todos os amigos Espirituais do Plano Maior. Não morri no dia 27 porque não era a hora, agora é aguardar e ver o que Deus quer para mim. 

    Enquanto não acabar com a infecção não poderei ser operada e retirar a vesícula. As dores são intensas e as náuseas constantes. Por isso agora que eu estou um pouco menos sedada com os antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, etc.... pude entrar no blog que é um lugar na internet que mais gosto para dar notícias minhas e deixar uma mensagem atrasada de fim de ano.
    "Desejo saúde, AMOR e paz para todas as pessoas. Independentemente de serem boas ou não tão boas. Sejam mais fraternos, generosos e amorosos em 2014 com o próximo (familiares) e os não muito próximos (a humanidade)".
    Fiquem todos(as) com meu abraço e agradecimentos pela amizade que me dispensaram em 2013, 2012, ...
    Obrigada!!
    Roberta Carrilho



    O LAÇO E O ABRAÇO por Mario Quintana





    Meu Deus! Como é engraçado!

    Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço. E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido. E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço. Ah! Então, é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.

    Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade. E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.

    Então o amor e a amizade são isso... Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam. Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!


    Mario Quintana



    PRESENÇA por Mario Quintana



    É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...

    É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...

    Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.

    É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...

    Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...

    E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

    Mario Quintana


    sábado, 4 de janeiro de 2014

    ALGUÉM VAI MENTIR PARA VOCÊ HOJE por Raquel Beer e Victor Caputo

    Em ano de eleição as lorotas crescem exponencialmente. Os estudiosos do assunto dizem que é possível apontar mentirosos. Saiba como



    De um jeito ou de outro, muito ou pouco, você vai mentir neste ano. Você também vai ouvir muitas mentiras em 2014. Assim é a vida desde que o primeiro hominídeo indicou erradamente o lado onde estava a caça, roubando assim do rival a chance de dividir com ele mais tarde um naco de carne defumada. A mentira é um recurso puramente humano, tão privativo da nossa espécie quanto a fala e a negociação. Nenhum outro ser vivo tem o dom da fala. Nenhum outro conhece os mecanismos da troca. Nem o chimpanzé, nosso primo mais próximo, é capaz de oferecer a outro, digamos, um cacho de bananas com a condição de ganhar um lugar mais aconchegante na árvore. A capacidade de falar, negociar e mentir foi sendo refinada durante a trajetória evolutiva humana até chegar a seu ápice na figura de um político treinado por um marqueteiro em ano eleitoral. Em 2014, portanto, se prepare. Alguém vai tentar pela fala azeitada negociar seu voto em troca de alguma promessa mentirosa.

    Obviamente, nem todos os políticos são desonestos. Muitos têm senso moral, ou simplesmente consciência, que, segundo Charles Darwin, pai da teoria da evolução, é a característica que mais claramente nos distingue dos animais. O jogo ardiloso da política é necessário, e sem ele não temos democracia. Mas, em tempo de eleição, é preciso redobrar os cuidados. Dizia o chanceler alemão Otto von Bismarck (1815-1898): “As pessoas nunca mentem tanto quanto depois de uma caçada, durante uma guerra e antes de uma eleição”. Os mais de 22 500 candidatos aos mais diversos cargos eletivos vão se esmerar em ganhar seu voto usando, para isso, aquelas conquistas evolutivas da espécie que eles tão bem dominam. Infelizmente, não existe um método infalível para saber se um político está mentindo. Uma pista é saber se ele já mentiu antes. A probabilidade de um enganador compulsivo tentar ludibriar de novo é altíssima. A boa notícia é que pesquisadores de diversos ramos científicos, da psicobiologia à neurociência, da linguística à psiquiatria, chegaram, finalmente, a métodos altamente precisos para definir quando uma pessoa, político ou não, está mentindo.

    É possível detectar qualquer mentira? Teoricamente, sim. A evolução dotou a espécie humana da capacidade de fingir, mas não, com exceção talvez dos poetas e dos grandes atores, de fazê-lo completamente. A mentira tem pernas curtas justamente por ser detectável. Pouca gente se incomoda com a mentira social, aquela facilitadora da convivência, usada para fugir de um jantar indesejável, para recusar um convite ou para justificar um atraso. Quando a praticamos ou quando nos aplicam uma delas não chega a ser nenhuma tragédia, embora esse tipo de mentira seja moralmente tão condenável quanto as enganações mais sérias.

    Uma pesquisa conduzida pelo psicólogo Jerald Jellison, da Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos, mostra que cada pessoa ouve 100 mentiras por dia. “Sua mensagem foi direto para a pasta de lixo. Não sei o que aconteceu. Manda de novo, por favor” é uma bastante provável. Outra: “O trânsito estava muito pior do que eu esperava, por isso me atrasei”. Quem abusa desse tipo de saída costuma também prevaricar em questões mais significativas. Dizem os pesquisadores: um terço de todos os currículos profissionais contém pelo menos uma informação inventada. E pior: 83% dos recém-formados tentam enganar o entrevistador quando se candidatam ao primeiro emprego, e não se sentem culpados por isso.

    Outro estudo colocou em números uma constatação já feita pelo senso comum. A de que é mais fácil mentir a alguém conhecido ao telefone do que cara a cara. Quase 40% das mentiras são ditas durante as ligações telefônicas e 27% em conversas presenciais. A mesma pesquisa encontrou apenas 21% de mentiras em mensagens instantâneas enviadas por celular ou pelas redes sociais. Somente 14% das mentiras contadas por amigos, parentes e conhecidos chegam pelo e-mail. São coisas da vida. Essas mentiras aborrecem, mas não destroem.

    O grande mérito dos especialistas é o aprimoramento dos métodos de detecção da mentira intolerável, que corrói a coesão social e abala os alicerces da vida em comunidade. É a do criminoso que mente para escapar de punições. É a do demagogo que esquece o eleitor no dia seguinte ao da eleição. É a da autoridade municipal que, para não perder o emprego, minimiza os danos de uma enchente ou a gravidade de uma epidemia de meningite.

    Tecnicamente, as mentiras podem ser divididas em dois grupos, as ofensivas e as defensivas. As do primeiro grupo são aquelas ditas para afastar uma pessoa ou grupo de pessoas de algo valioso, de modo que o mentiroso usufrua sozinho. São da mesma natureza da mentira do hominídeo que direcionava os outros caçadores para o lado errado. Nesse grupo se enquadram, benignamente, os grandes dribladores do futebol ou do basquete, que fingem uma intenção e executam outra para se livrar de um defensor. Malignamente, aqui estão os falsificadores, os inventores de esquemas de investimentos fajutos e os malandros de todos os calibres. As mentiras defensivas são ainda mais clássicas, como aquela contada pela criança que quebrou um vaso caro e põe a culpa no vento. Mas é também a do assassino que nega ter estado com a vítima no momento em que ela foi morta.

    Uma pessoa sem nenhum treino específico é capaz de identificar que está sendo alvo de uma mentira pouco mais da metade das vezes. Os especialistas, usando de todas as suas armas, conseguem apontar um mentiroso em 90% dos casos. Em condições ideais, as taxas de sucesso podem chegar a 95%. 

    O que são essas condições ideais? São aquelas em que a pessoa investigada já é suspeita de ter praticado determinado ato e em que existem outros tipos de prova contra ela, faltando apenas a confissão definitiva. É ideal também que o pesquisador tenha conhecimento da maneira de falar e de outros hábitos do suspeito. Alguém que gagueja durante o interrogatório está mentindo? Em geral, esse é um indício, mas, obviamente, ele não tem validade se a pessoa é gaga de nascença. Também faz parte das condições ideais que o pesquisador ou interrogador nos casos criminais seja da mesma nacionalidade e comungue da mesma cultura do indivíduo suspeito de estar mentindo. Nada, porém, muito distante do senso comum.

    O fascinante mesmo e o que elevou as taxas de acerto à fronteira do infalível foram as pesquisas sobre as reações faciais, corporais e verbais que fazem parte da natureza do ser humano. Um dos grandes nomes dessa linha de pesquisa é o psicólogo americano Paul Ekman. Em meados dos anos 60, ele começou a catalogar o que classificou como “microexpressões faciais”. Pelo estudo da contração ou relaxamento dos 43 músculos do rosto, Ekman codificou a gramática facial básica e universal da espécie humana. 

    As sete emoções básicas (medo, tristeza, nojo, alegria, desprezo, surpresa e raiva) podem ser lidas nas expressões faciais dos seres humanos. Darwin já havia percebido essa universalidade nas expressões faciais de tristeza e alegria. Os estudiosos modernos dos antepassados humanos mostraram que, muito antes da fala e da escrita, a linguagem facial e corporal era uma maneira eficiente de se comunicar. A evolução biológica nos primatas chancelou apenas entre os seres humanos a mutação da esclera para a cor branca - deixando-a escura e sem definição nos demais. 

    Por essa razão, nossos olhares são tão expressivos. Só os seres humanos vertem lágrimas. Mas os olhos são ainda mais sutis. Todos nós, e não apenas os grandes romancistas, podemos ler no olhar de homens e mulheres sinais inequívocos de amor, ódio, raiva, alegria, tristeza, triunfo ou desdita, confiança ou desespero.

    Ekman ampliou os estudos de Darwin para outras emoções e descobriu como os músculos da face trabalham para produzir cada detalhe das microexpressões. Ele testou sua teoria no Brasil, no Chile, na Argentina, no Japão, nos Estados Unidos e com indivíduos das tribos de Papua-­Nova Guiné. Em todas as culturas as microexpressões básicas podiam ser facilmente associadas às mesmas emoções. Um nativo de Nova Guiné quando quer demonstrar desprezo por alguém ou algo faz um movimento involuntário com os lábios, esticando um lado mais do que o outro, produzindo um desenho assimétrico com a boca. Um brasileiro, argentino ou americano reage da mesma maneira na mesma situação.

    Entre 2009 e 2011, Ekman acompanhou as filmagens de um popular seriado americano baseado em sua trajetória, o Lie to Me (em português, Minta para Mim), no qual o protagonista é um interrogador profissional. Tim Roth, excelente ator holly­woodiano que se encarregou do papel principal, foi treinado por Ekman para imitar as expressões faciais que remetem às sete emoções clássicas. O gabarito construído a partir da interpretação de ­Roth é um manual de como flagrar um criminoso. Um criminoso tende a fingir surpresa e depois tristeza ao ser interrogado sobre o destino da vítima. A surpresa é mais fácil de ser encenada. Mas são evidentes para um especialista as microexpressões faciais de uma pessoa que tenta fingir-se de triste quando não está. Só um ator de enorme talento e ainda assim depois de muita prática pode produzir todas as contrações musculares faciais associadas indelevelmente à tristeza.

    Disse a VEJA a escritora e pesquisadora americana Pamela Meyer, discípula de Ekman, executiva-chefe da consultoria Calibrate e autora de Liespotting (em tradução livre, Detector de Mentiras): “Um desonesto sempre deixa marcas de sua mentira no próprio rosto, em sua fala, em seu corpo. Quer saber se um político corrupto está mentindo? Faça a ele uma pergunta totalmente inesperada, que o tire da zona de conforto, como um ‘por que o senhor teve de desviar dinheiro público?’, e note se sua face indica desprezo ou raiva, enquanto ele tenta se defender”. 

    Em seu livro, Pamela dá dicas de como perceber quando alguém não é sincero. A mais essencial é procurar discrepâncias entre o que a pessoa diz e como se comporta. Se alguém garante que ama a esposa, mas seu rosto denuncia um sentimento de desprezo, pode se tratar de uma tentativa de enganar o interlocutor. Diz Pamela: “Com muita prática, flagrar a mentira se torna algo automático, como dirigir um carro”.

    As técnicas que nasceram com Ekman, aplicadas a episódios históricos como a célebre frase de Richard Nixon em um pronunciamento de TV em 1973 - “eu não sou bandido” -, tentando negar o inegável no escândalo de Watergate (veja os quadros ao longo desta reportagem), são úteis para desmascarar mentiras públicas de personalidades conhecidas. Mas são úteis também no cotidiano - porém por razões bem mais nobres do que se transformar em um implacável caçador de mentiras. 

    Ekman e Pamela Meyer desencorajam as pessoas a se tornarem compulsivos detectores humanos de mentiras. Eles acham que ser capaz de perceber os sinais exteriores da mentira ajuda cada um a ser mais honesto consigo mesmo e com os demais. “Saber quando alguém mente é uma maneira também de aprender e se educar para não mentir. Nós crescemos emocionalmente se somos capazes de identificar a falta de sinceridade de um interlocutor”, diz Pamela Meyer.

    Combinadas com o polígrafo, invenção americana da década de 20 do século passado, o mais popular detector de mentiras e ainda em uso pelas polícias dos Estados Unidos, as técnicas mais modernas podem chegar quase à perfeição. Entre elas estão os algoritmos, programas de computador capazes de analisar centenas de milhões de dados e tentar encontrar neles algum padrão significativo. É por meio de um desses algoritmos que o Facebook varre toda a sua rede de mais de 1 bilhão de usuários em busca de perfis falsos. As pessoas que fingem ser quem não são no Facebook podem ser desmascaradas, como os mentirosos do mundo analógico, por emitirem sinais da própria falsidade. Ao contrário dos perfis reais, os falsos tendem a dar explicações copiosas sobre por que eles são quem dizem que são. Eles precisam convencer e, ao se esforçarem muito, se entregam. Isso equivale ao que alguns estudiosos consideram quase uma confissão de mentira, que são frases do tipo: “Para ser totalmente honesto com você...” ou “Nunca revelei isso antes, mas para você eu vou dizer...” ou ainda “Por que razão eu mentiria?... (Que tal para evitar ser condenado ou para salvar seu casamento?)


    Estudos sobre mentiras nos chats da internet ainda são incipientes, mas um padrão pelo menos já pode ser considerado uma indicação razoável de que a pessoa do outro lado está mentindo. Esse padrão se revela quando a pessoa diminui a velocidade normal com que tecla. Isso pode ser interpretado como alguém que precisa ganhar tempo, pois está fabricando uma história. A verdade não precisa ser fabricada. A mentira, sim.

    “Todo mentiroso pego com a guarda baixa precisa ganhar tempo para se recompor e continuar com sua história falsa”, diz Mark Bouton, ex-agente do FBI, autor de um livro sobre sua experiência policial na detecção de mentiras pela análise da linguagem, das expressões faciais e das posturas corporais. Bouton diz que mentir cansa e o mentiroso tem dificuldade de manter a mesma história por longo tempo. “Mentir é estressante, já que é preciso ficar atento, tenso, o tempo inteiro”, concorda a psicóloga Leila Tardivo, da Universidade de São Paulo.

    Mark Bouton lista dez sinais que, segundo sua experiência, apareceram associados a alguém decidido a mentir. São eles:

    1. Tocar nervosamente a ponta do nariz, a região logo abaixo dos olhos ou cobrir a boca ao falar.

    2. Fugir da pergunta e evitar o essencial, dando excesso de detalhes sobre fatos desconectados do ponto central.

    3. Alguém que fala com correção, e começa a cometer erros gramaticais grosseiros quando o assunto central da questão é levantado.

    4. Afastar a cabeça ou jogar os ombros para trás como reação a uma pergunta direta são movimentos defensivos de quem não quer responder (não necessariamente mentir).

    5. Fazer gestos incompatíveis com a emoção descrita revela um esforço mental enorme em não fugir do enredo inventado.

    6. Repetir a pergunta que acabou de ser feita integral ou parcialmente é sinal de que a pessoa quer ganhar tempo para construir uma história falsa.

    7. Manter todo o tempo os punhos fortemente fechados ou as mãos no bolso é indicador de que a pessoa não quer dizer algo que considera valioso para quem pergunta.

    8. Cruzar e descruzar as pernas ou balançá-las descontroladamente são reações defensivas ao mesmo tempo físicas e psicológicas de quem se sentiu incomodado com a pergunta.

    9. Quem percebe que está dizendo coisas desconexas ou falsas tende a terminar as frases (mesmo as sérias) com um sorriso e encolher ligeiramente os ombros.

    10. Quando uma pessoa está mentindo, ela tende a fechar os olhos por mais tempo, como se procurasse internamente uma resposta.

    São provas de que alguém está mentindo? Não. São reações que um interrogador profissional percebeu em pessoas que, mais tarde, por associação com evidências físicas, se mostraram culpadas. Aconselha Bouton: “Não saia por aí gabando-se de ser capaz de flagrar mentirosos”

    Bom conselho, pois a experiência humana é rica e diversa demais para ser enquadrada em alguns sinais exteriores. Além disso, a mentira é companheira da espécie humana há tempo demais para se revelar facilmente.






    sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

    ADOREI ESTA IDEIA - OWNN QUE LINDO!!!



    Ownn.. Amei essa ideia!! ♥♥♥

    É da koreana Jeong Seungbin.
    Aqui está o link para o vídeo!




    QUEM PENSA QUE A DISTÂNCIA FAZ ESQUECER, ESQUECE QUE A SAUDADE FAZ LEMBRAR...






    O AMOR NÃO MORRE ELE CANSA !!



    O amor não morre. Ele se cansa muitas vezes. Ele se refugia em algum recanto da alma tentando se esconder do tédio que mata os relacionamentos. Não é preciso confundir fadiga com desamor. O amor ama. Quem ama, ama sempre. O que desaparece é a musicalidade do sentimento. A causa? O cotidiano, o fazer as mesmas coisas, o fato de não haver mais mistérios, de não haver mais como surpreender o outro. São as mesmices: mesmos carinhos, mesmas palavras, mesmas horas... o outro já sabe! Falta magia. Falta o inesperado. O fato de não se ter mais nada a conquistar mostra o fim do caminho. Nada mais a fazer. Muitas pessoas se acomodam e tentam se concentrar em outras coisas, atividades que muitas vezes não têm nada a ver com relacionamentos. Outras procuram aventuras. Elas querem, a todo custo, se redescobrir vivas; querem reencontrar o que julgam perdido: o prazer da paixão, o susto do coração batendo apressado diante de alguém, o sono perdido em sonhos intermináveis e desejos infindos. Não é possível uma vida sem amor. Ou com amor adormecido. Se você ama alguém, desperte o amor que dorme! Vez ou outra, faça algo extraordinário. Faça loucuras, compre flores, ofereça um jantar, ponha um novo perfume... Não permita que o amor durma enquanto você está acordado sem saber o que fazer da vida. Reconquiste! Acredite: reconquistar é uma tarefa muito mais árdua do que conquistar, pois vai exigir um esforço muito maior. Mas... sabe de uma coisa? Vale a pena! Vale muito a pena!

    Caio Fernando de Abreu



    HOMEM INTERESSANTE por Caio Fernando de Abreu



    O Homem interessante não é o propriamente bonito, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos e uma malícia que inquieta a todos quando sorri... As pessoas se questionam. O que é que esse Homem tem?! Ele tem algo. Pronome indefinido: algo. Ficar bonitinho, muitos conseguem, mas ter algo é para poucos



    VAZIO AGUDO - ANDO MEIO - CHEIO DE TUDO






    VAI ME VER COM OUTROS OLHOS OU COM OS OLHOS DOS OUTROS? por Leminski





    CORPO É SENTIDO, CORPO É SANTO E NÃO É PERDIÇÃO





    AMORES FILOSÓFICOS





    VOCÊ DISSE SOME: EU SOMEI - EU DISSE SOME: VOCÊ SUMIU por Marcos Caiado






    FRASE DE COCO CHANEL





    22 LIVROS QUE SÃO DIAMANTES PARA O CÉREBRO






    Os Anos de Aprendizado 
    de Wilhelm Meister, de Goethe


    O livro de Johann Wolfgang von Goethe “criou”, segundo Marcus Vinicius Mazzari, “o gênero que mais tarde foi chamado de ‘romance de formação’ (Bildungsroman), a mais importante contribuição alemã à história do romance ocidental. (…) Goethe empreendeu a primeira grande tentativa de retratar e discutir a sociedade de seu tempo de maneira global, colocando no centro do romance a questão da formação do indivíduo, do desenvolvimento de suas potencialidades sob condições históricas concretas”. (Editora 34, tradução de Nicolino Simone Neto.)

    A Consciência de Zeno, 
    de Italo Svevo


    Svevo às vezes é mais citado como “o” amigo italiano de James Joyce. O irlandês foi seu professor de inglês. Poucas vezes um burguês foi retratado com tanta felicidade quanto neste romance. Zeno, um fumante inveterado — nada politicamente correto —, submete-se à psicanálise e, em seguida, desiste, porque deixa de acreditar na “ciência” de Freud. O livro é de 1923. Zeno, grande personagem, faz um mergulho poderoso na sua própria vida. Otto Maria Carpeaux qualificou o romance de “genial”. (Tradução de Ivo Barroso. Editora Nova Fronteira.)

    Folhas de Relva, 
    de Walt Whitman


    Walt Whitman não é “um” e sim “o” poeta norte-americano. Segundo Otto Maria Carpeaux, é um “poeta para poetas”. Dado o uso intensivo do verso livre, que ele “criou” como um método — então novo e rebelde em relação à poesia metrificada —, o poema longo de Whitman deveria ser de fácil acesso. Se fosse russo, seria cantado nas ruas, como se faz com Púchkin. A dificuldade teria a ver mais com o poema longo do que com o poema em si? Pode ser. O que a poesia de Whitman exige é um leitor atento. Harold Bloom o apresenta como “fundador” da poesia americana. “O” poeta. Há algumas traduções no Brasil. As mais citadas são as de Bruno Gambarotto (Hedra), Rodrigo Garcia Lopes (Iluminuras) e Geir Campos (Civilização Brasileira). Há uma da Editora Martin Claret.

    A Montanha Mágica, 
    de Thomas Mann


    É o segundo grande romance de formação alemão. O livro conta a história do jovem Hans Castorp, que, ao visitar uma clínica para tuberculosos na Suíça, amadurece, participa de debates filosóficos. Enfim, vive e cresce. Mann escreveu: “E que outra coisa seria de fato o romance de formação alemão, a cujo tipo pertencem tanto o ‘Wilhelm Meister’ como ‘A Montanha Mágica’, senão uma sublimação e espiritualização do romance de aventuras?” (Nova Fronteira, tradução de Herbert Caro.)


    A Lebre Com Olhos de Âmbar, 
    de Edmund de Waal


    O romance de Wall parece, à primeira vista, um trabalho de arqueologia literária escrito por uma sensibilidade do século 19. Há, aqui e ali, uma percepção meio proustiana da vida. Porém, a obra é de 2010. O belíssimo livro, escrito por alguém que tem a percepção de que Deus às vezes está nos detalhes, ganhou elogios de pesos pesados. “De maneira inesperada, combina a micro arte das miniaturas com a macro história, em um efeito grandioso”, disse Julian Barnes. “Uma busca, descrita com perfeição, de uma família e de um tempo perdidos. A partir do momento em que você abre o livro, já está numa velha Europa inteiramente recriada”, afirma Colm Tóibín. (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. Editora Intrínseca.)

    Guerra e Paz, 
    de Liev Tolstói


    Se tivesse lido cuidadosamente o romance “Guerra e Paz” — literatura e história —, Adolf Hitler não teria invadido a União Soviética, em 1941, ou seja, 129 anos depois, mas com os mesmos resultados funestos das tropas de Napoleão Bonaparte. Liev Tolstói examinou a história cuidadosamente e escreveu um romance poderoso a respeito da invasão napoleônica de 1812. Seu trabalho literário rivaliza-se com as melhores histórias sobre o assunto. Detalhe: além da guerra, ele examina minuciosamente a vida civil do período. Como complemento, o leitor pode consultar “1812 — A Marcha Fatal de Napoleão Rumo a Moscou”, de Adam Zamoyski. (Tradução de Rubens Figueiredo, a única feita a partir do russo. Editora Cosac Naify.)

    Paradiso, 
    de Lezama Lima


    Trata-se do mais importante romance escrito por um cubano. Lezama Lima é o James Joyce ou o Guimarães Rosa de Cuba. Sua prosa barroca é densa, às vezes de difícil apreensão, mas uma leitura cuidadosa, observando-se seus vieses, leva o leitor ao paraíso. Julio Cortázar escreveu sobre o livro: “‘Paradiso’ é como o mar… Surpreendido em um começo, compreendo o gesto de minha mão quando toma o grosso volume para olhá-lo uma vez mais; este não é um livro para ler como se leem os livros, é um objeto com verso e reverso, peso e densidade, odor e gosto, um centro de vibração que não se deixa alcançar em seu canto mais entranhado se não se vai a ele com algo que participe do tato, que busque o ingresso por osmose e magia simpática”. (Brasiliense, com tradução de Josely Vianna Baptista. A poeta refez a tradução, mas um imbróglio jurídico a impede de publicá-la.)

    Enquanto Agonizo, 
    de William Faulkner


    “O Som e a Fúria”, de William Faulkner, é o “Ulysses” norte-americano. Mas o escritor que resgatou a história do sul profundo dos Estados Unidos por meio da literatura tem um romance menor (em tamanho) e de alta qualidade — “Enquanto Agonizo”. Neste livro, todos os personagens têm vozes, apresentadas em igualdade de condições. As vozes parecem um coro e as pessoas estão carregando um caixão, com o corpo da matriarca da família, mas é como se não saíssem do lugar. (Tradução de Wladir Dupont, L&PM.)

    Aquela Confusão Louca da Via Merulana, 
    de Carlo Emilio Gadda


    James Joyce “inventou” clones em alguns países: William Faulkner, nos Estados Unidos, e Guimarães Rosa, no Brasil, são, quem sabe, os mais conhecidos. Chamá-los de clones contém um certo desrespeito, mas, sem Joyce, Guimarães Rosa certamente teria sido um José Lins do Rego melhorado. Assim como Faulkner seria um Mark Twain mais denso. Mas pode-se falar num Joyce italiano? É possível. Carlo Emilio Gadda, autor de “Aquela Confusão Louca da Via Merulana” (Record, tradução de Aurora Bernardini e Homero de Freitas Andrade), é uma espécie de Joyce que “canibalizou” Rabelais. É visto como intraduzível. Acima de tudo, é um belíssimo escritor, autor de histórias fortes contadas de modo inventivo e de uma maneira às vezes frenética.

    Três Tristes Tigres, 
    de Guillermo Cabrera Infante


    O livro é uma orgia linguística e, por isso, às vezes assusta o leitor desavisado. Mas, se passar da página 50, o leitor não vai mais parar a leitura deste livro de arquitetura perfeita, que não se revela assim, dada sua fragmentação. Cabrera Infante diverte o leitor, em cada página, ao resgatar, com precisão, a oralidade e a vida comum e a vida cultural de Cuba. Logo no início, no qual há mistura de línguas, Carmen Miranda e Joe Carioca são citados. Oswald de Andrade veria, neste belíssimo romance, a antropofagia trabalhada com mestria. (Luís Carlos Cabral traduziu o romance com rigor, decifrando ao máximo suas muitas dificuldades linguísticas e culturais. José Olympio Editora.)

    A Branca Voz da Solidão, 
    Emily Dickinson


    Esclareça-se: a poeta norte-americana Emily Dickinson não publicou nenhum livro. Seus quase 2 mil poemas foram publicados depois de sua morte, em 1886. Ela tem sido bem traduzida no Brasil, desde Manuel Bandeira até Augusto de Campos e Aíla de Oliveira Gomes. Mas ninguém fez tanto pela poesia de Emily Dickinson no Brasil quanto José Lira, tradutor desta coletânea. Lira não introduziu sua poesia no país, mas pode-se dizer que a consolidou — tanto com as traduções inventivas quanto com a crítica refinada. Outro livro traduzido por ele: “Emily Dickinson: Alguns Poemas”. (Editora Iluminuras.)

    Vida Querida, 
    de Alice Munro


    Alice Munro é uma das maiores escritoras canadenses. É considerada como a Tchekhov da América, embora seja menos ousada do que o russo. Seus contos são romances em miniatura, amplamente desenvolvidos e, às vezes, sutis. Neste livro, além dos contos, há narrativas autobiográficas — um artifício inteligente no qual se usa a ficção para iluminar pedaços sempre escuros da vida dos indivíduos. (Tradução de Caetano W. Galindo, Companhia das Letras)

    Sagarana, 
    de Guimarães Rosa


    Todos sabem: a obra-prima de Guimarães Rosa é “Grande Sertão: Veredas”, o romance brasileiro que mais dialoga com a literatura internacional — e sem submissão. Nos contos não há a mesma invenção, aquela linguagem rodopiante, que às vezes deixa o leitor tonto. Ainda assim, os contos de “Sagarana” merecem uma leitura atenta, alguns são “Pequenos Sertões: Veredas”. Alguém é capaz de ler e esquecer, por exemplo, “A hora e a vez de Augusto Matraga” e “Corpo Fechado”? (Editora Nova Fronteira)

    Memorial de Aires, 
    de Machado de Assis


    Se der ouvidos a certa crítica, o leitor patropi passará a acreditar que Machado de Assis só escreveu três romances: “Dom Casmurro”, “Quincas Borba” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. O mago dos contos raramente é citado, exceto por alguns especialistas, como o inglês John Gledson. Mas há um “romancinho” de Machado de Assis que é maravilhoso. “Memorial de Aires” é muito bem escrito. É de uma sutileza rara no panorama cultural brasileiro. E, claro, é divertido, talvez porque menos “pretensioso” (a grande arte é sempre pretensiosa) do que as obras-primas “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

    Reparação, 
    de Ian McEwan


    Pense em Ian McEwan como uma espécie de Henry James modernizado, pós-jazz e pós-rock. O autor, talvez o mais refinado escritor inglês vivo — acima de pares como Martin Amis e Julian Barnes (este, às vezes subestimado, ao menos no Brasil) —, aparentemente mistura, aqui e ali, tanto Virginia Woolf quanto Henry James em suas histórias. Mas sua dicção para mostrar a ambivalência dos indivíduos é moderna, não é do século 19, quando James, o Henry, se formou. McEwan conta, em “Reparação”, uma história extraordinária, mas o modo como a relata, com personagens “manipulados” pelo meio e pelas próprias personagens, ou por uma delas, é que torna o romance interessante. Fica-se com a impressão de que há duas histórias — uma dominante e uma alternativa. O que é e o que poderia ter sido.

    Ulysses, 
    de James Joyce


    É o romance dos romances. Não é à toa que o idiossincrático Harold Bloom — que avalia que Shakespeare é Deus, e não apenas da literatura, pois teria inventado o homem que se tem hoje nas ruas — considere James Joyce como um par do autor de “Hamlet” e “Rei Lear”. “Ulysses” reinventa o romance moderno, tornando os posteriores espécies de sombras, não raro pálidas. Mesmo quem não o segue, rumando para outra estética, acaba se tornando tributário. As três traduções são de Antônio Houaiss (Civilização Brasileira), Bernardina Pinheiro (Objetiva) e Caetano W. Galindo (Companhia das Letras).

    São Bernardo, 
    de Graciliano Ramos


    O romance mais importante de Graciliano Ramos é “Vidas Secas? Sem dúvida. Mas, num tempo de hegemonia dos estudos de gênero — que matam a literatura em nome de uma ideologia primária —, nada mais significante do que indicar “São Bernardo”. Este livro, se as feministas atuais lessem — as que leem são exceções —, se tornaria uma bíblia. Mas uma bíblia sem concessões moralistas. Poucos autores patropis, mesmo entre as mulheres, construíram tão bem um homem autoritário, até totalitário, quanto o Velho Graça. (Editora Record)

    Retrato de uma Senhora, 
    de Henry James


    Mestre da ambiguidade, Henry James construiu romances de alta voltagem sobre grandes mulheres, americanas ou inglesas. Pode-se dizer, até, que suas mulheres, sempre mais sutis, são mais bem construídas do que as personagens masculinas. Neste romance, há uma grande personagem, Isabel Archer. O leitor poderá sugerir: “Mas ela é enganada por um homem”. Por certo, é. Mas permanece como uma grande personagem. Este livro — ao lado de “As Asas da Pomba” — deveria ser lido por todos os leitores, sobretudo pelas mulheres. Os homens deveriam amarrá-las para que lessem esta obra-prima? Nem tanto. É crime. A Lei Maria da Penha é um perigo. (Companhia das Letras, tradução de Gilda Stuart.)

    Conversa no Catedral, 
    de Mario Vargas Llosa


    O percurso literário de Vargas Llosa é curioso. Começou como um autor inventivo, na linhagem de Faulkner, e se tornou, nos romances mais recentes, um escritor mais tradicional, tão límpido quanto, digamos, Flaubert. Tornou-se um grande narrador clássico, mais acessível. Seu romance mais experimental é “Conversa no Catedral”, no qual diálogos de personagens diferentes são misturados, numa bela orgia linguística. É como se o Nobel de Literatura nos dissesse que a Linguagem é uma personagem tão ou mais importante do que Santiago e Ambrosio. (Alfaguara, tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht.)

    Poesia 1930-1962, 
    de Carlos Drummond de Andrade


    O poeta Carlos Drummond de Andrade talvez tenha apenas dois rivais em língua portuguesa — Camões e Fernando Pessoa. No Brasil, quem mais se aproximou, a uma distância de 10 mil quilômetros, foi João Cabral de Melo Neto. Ninguém mais. “Poesia 1930-1962 — Edição Crítica” contém o que há de melhor do escritor mineiro. É, digamos, sua bíblia. Aí está o Drummond, modernista total, de corpo e alma. Como presente de Natal, o preço é salgado, 179 reais, mas a edição, caprichada, vale a pena. O preço será esquecido, mas o presenteador e o livro decerto jamais serão olvidados. (Editora Cosac Naify)

    O Deserto dos Tártaros, 
    de Dino Buzatti


    O maior crítico brasileiro Antonio Candido aponta o romance do escritor italiano como um dos mais importantes da história da literatura. Fica-se com a impressão de que a história não anda, ou que anda para trás, ou melhor, que a personagem central, o tenente Giovanni Drogo, espera tanto que insinua-se paralisada, como se a história estivesse estancada. De permeio, a linguagem refinada de Dino Buzatti. (Editora Nova Fronteira, tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero de Freitas Andrade.)

    Em Busca do Tempo Perdido, 
    de Marcel Proust


    Harold Bloom percebe Marcel Proust como o maior escritor francês, acima de Flaubert, o “santo” de devoção de Mario Vargas Llosa. Proust não sabia avaliar se “Em Busca do Tempo Perdido” era um romance, ou algo mais. Talvez seja muito mais do que um romance. Quiçá uma bíblia da civilização humana, mais do que da francesa. Ciúme, memória-tempo, amizade, sexualidade — eis alguns dos temas candentes do escritor. Duas editoras se encarregaram de traduzir a obra-prima, a Globo e a Ediouro. No time de tradutores da Globo estão Mario Quintana, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Fernando Py enfrentou solitariamente as centenas de páginas de um autor de prosa densa (quem só defende literatura concisa não sabe a delícia que é Proust). Mario Sergio Conti prepara a terceira tradução para a Companhia das Letras.





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    É uma lista muito boa. Mas, para mim deixaram de incluir: Demian, Sidarta e O lobo da Estepe, do Herman Hesse. O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde, Dostoiévski, J.M. Simmel, Nietzche, Neruda, etc e outros excelentes autores brasileiros.
    Roberta Carrilho