sábado, 9 de novembro de 2013

NÃO PREJUDICO NINGUÉM. POR QUE AS COISAS NÃO DÃO CERTO PARA MIM? Chico Xavier e amigos




Muitos de nós, criaturas encarnadas, passamos por situações que por vezes julgamos não merecer. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo “Justiça das Aflições”, encontramos a seguinte explicação: “Por que para uns nada dá certo, enquanto para outros tudo parece sorrir? E o que ainda fica mais difícil de entender é ver os bens e os males tão desigualmente divididos entre viciosos e virtuosos e ver os bons sofrerem ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica as desigualdades, que parecem desmentir a justiça de Deus. Entretanto, desde que se admita a existência de Deus, só se pode concebê-lo em suas perfeições infinitas. (...) Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho nem com parcialidade. 

As contrariedades da vida têm, pois, uma causa e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que cada um deve se convencer: Deus, pelos ensinamentos de Jesus, colocou os homens no caminho da compreensão dessa causa, e hoje considera-os suficientemente maduros para compreendê-la. Eis porque a revela inteiramente pelo Espiritismo, ou seja, pela voz dos Espíritos. As contrariedades da vida são de duas espécies, ou, pode-se dizer, de duas origens bem diferentes, as quais é muito importante distinguir: umas têm sua causa na vida presente, outras não nessa vida. (...) 

O homem não deve se esquecer nunca de que está num mundo inferior, ao qual está preso devido às suas imperfeições. A cada contrariedade ou sofrimento da vida, deve dizer para si mesmo que, se estivesse num mundo mais avançado, isso não aconteceria e que depende dele não retornar a este mundo, trabalhando por sua melhoria”. 

Marisa Fonte – Guia da Doutrina Espírita 


Complemento: 
JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO 

E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 
João 

A humanidade continua debatendo-se em meio ao nevoeiro denso do sofrimento, mesmo após a vinda do Cristo ainda não compreendemos o caminho que leva à Justiça do PAI, a qual estamos todos inseridos. 

Dezenove séculos se passaram e DEUS em sua infinita bondade permitiu que o véu fosse rasgado em prol da humanidade perdida e assim iniciou-se uma nova investida da LUZ, para que os cegos enxergassem, para que os surdos escutassem. 

Assim vimos o conhecimento da Justiça Divina atravessar os céus e por intermédio de homens de boa vontade as vozes dos espíritos espalharam-se pelos quatro cantos da abóboda azul para que o homem pudesse enxergar e compreender de forma mais perfeita. 

O Espiritismo é de ordem Divina, abrandou todos os corações de boa vontade que por esforço próprio conseguiram entrever a verdade. 

Desde o momento em que o Codificador Francês transcreveu a última linha da obra “O céu e o inferno” foi dado ao homem compreender com clareza os mecanismos da Justiça Divina cujo único objetivo é a glorificação do Espírito. 

E um deles, doutor da lei, fez-lhe esta pergunta para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? 

Respondeu Jesus: 

Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. 
(Mateus: 22, 35-39) 

Antes destes dois princípios, somente a dúvida acompanhava aqueles que desejavam de alguma forma compreender como se processa a Justiça Divina, necessário se faz que o homem eleve-se acima desta vida, é preciso olhar para o passado, para as existências anteriores onde encontram-se as causas dos sofrimentos e das alegrias de hoje. 

Sem o conhecimento da reencarnação jamais conseguiremos conceber um Deus soberanamente bom e justo, pois de alguma forma Ele se tornaria parcial, uma vez que alguns nascem em berço de ouro, enquanto outros em condições paupérrimas, como explicar aquele que brota saúde em frente ao que desde tenra idade demonstra fragilidade orgânica, inúmeras doenças, problemas psíquicos, famílias onde seus integrantes odeiam-se entre si, enquanto que em outras a paz reina soberana, como entender os laços que nos ligam sem levar em consideração as vidas anteriores da criatura? 

Velhas concepções, já desgastadas pelo tempo, que já não atendem mais as necessidades da razão, nem o avanço da ciência, acabaram por criar uma lacuna entre o conhecimento atual e as noções do Céu, do Inferno, do sofrimento, das angustias e das alegrias. Era necessário que algo novo viesse para que pudéssemos vislumbrar com maior nitidez o Pai Amado, ao qual devemos tudo o que somos. 


CAUSAS DOS SOFRIMENTOS 
Não é possível que o PAI tenha sido injusto com aquele que sofre desde tenra idade, mesmo não sabendo por que sofreu, aquele que sofre deve ter a consciência que os tormentos porque passa é efeito, não causa. 

Como pode ser assim se nenhum mal fez nesta vida? 
Bem, pode não ter feito nada nesta vida, mas é imprescindível considerar as vidas anteriores, deve ser considerada a individualidade, que tem na existência atual nada mais que o resultado dos desajustes cometidos em existências anteriores e que não foram reparadas. Aqui um ponto muito importante, o Divino MESTRE jamais enunciou o sofrimento como algo indispensável para que o ser humano cresça, mas a rebeldia que faz do sofrimento o último recurso para que o homem acorde do seu egoísmo e passe a modificar seu mundo mental. Segundo Emmanuel o sofrimento consegue penetrar nos escaninhos da consciência de uma forma que não podemos ainda compreender, no entanto é sempre um benefício para o renitente que não quer ver nada além de si mesmo. Com certeza a receita para o nosso crescimento não é a dor, mas sim o AMOR, algo que está no âmago de todos nós, pois somos centelhas Divinas, a nossa origem, o pano de fundo da nossa consciência é DEUS e ESTE não quer que sua criatura sofra, mas que se eduque e viva em fraternidade. 

Há que se reparar também na proporcionalidade entre a falta e a pena, não podemos conceber que uma falta temporária, resultado da imperfeição do homem possa ter uma conseqüência eterna e irrevogável, se assim fosse, não haveria justiça. Se Deus é perfeito, a condenação eterna não é possível. 

Todos sofrem na medida que fizeram os outros sofrerem até que se arrependam e sintam a necessidade de reparação onde então poderão enxergar um fim para situação penosa. 

Há que considerar também as dificuldades que tem origem nos atos cometidos no presente, segundo André Luiz 80% dos nossos problemas atuais não tem origem no passado, mas na desordem mental a que nos entregamos. A imprevidência, o orgulho e a vaidade são algumas das causas presentes da falência dos homens na vida presente. Tendo consciência disto é muito importante nos questionarmos todos os dias a respeito do que fazemos ou deixamos de fazer e quais as causas que nos fazem tomar nossas decisões, uma análise diária de nossos atos auxilia na reconstrução dos nossos destinos. 

Para que o sofrimento seja proveitoso é necessário aplicar algo que Divaldo Pereira Franco cita em uma de suas entrevistas sobre a Justiça Divina. 

“Resignação dinâmica”, ou seja, aceitar o destino como processo natural para o nosso adiantamento, sem deixar por isso, de buscar a melhoria da nossa condição. Ou seja, é não revoltar-se contra DEUS pelas vicissitudes do presente e fazer o máximo possível para melhorar cada vez mais". 

“Aflição de hoje, dívida de ontem” 

“Merecimento de agora, crédito de amanhã” 

“Cada problema que te procura é semelhante ao trabalho de análise dirigida, como a radiografar-te certas zonas do ser, de modo a verificar-lhe o equilíbrio.” 

“Nossas dores respondem, assim, pelas falhas que demonstremos ou pelas culpas que contraímos” 

“A Lei estabelece, porém, que as provas e as penas se reduzam, ou se extingam, sempre que o aprendiz do progresso ou o devedor da justiça se consagre às tarefas do bem, aceitando, espontaneamente, o favor de servir e o privilégio de trabalhar” 

Emmanuel 


A LEI DO PROGRESSO 
O Universo em sua distribuição de galáxias, sistemas e planetas está totalmente submetido aos ditames da sintonia, alguns mundos, até mesmo regiões de um planeta, o nosso por exemplo, está inacessível aos espíritos que não atingiram um grau satisfatório de purificação, se assim não fosse, muitos espíritos endurecidos no mal seriam causa de perturbação para espíritos que já sintonizaram com as leis do Criador e assim não haveria justiça. 

Mas a misericórdia de DEUS é infinita e permite que em um mesmo planeta reencarnem espíritos das mais variadas categorias, os mais adiantados auxiliam os mais atrasados, os mais atrasados devem perseverar para alcançar o grau de adiantamento necessário para conquista da própria felicidade, mas no momento do desencarne, o homem sempre recebe a colheita daquilo que plantou quando vivo, se esforçou-se para crescer moralmente, se tornou-se um homem caridoso que não pensa apenas em si mesmo, será o momento de refazer as energias, aprender e seguir evoluindo no mundo espiritual, ao passo que aquele que não teve como objetivo mais do que enriquecer-se com às coisas do mundo, que pensou apenas em si mesmo, será o momento de refletir sobre seus erros, muitas vezes necessitando passar por zonas de esgotamento de resíduos mentais (Umbral) até que chegue o arrependimento e assim de início a uma nova caminhada que com certeza deve ser mais fraterna. 

Diante do PAI não importa o caráter da missão, nem a magnitude, mas com quanto amor ela foi executada, pode ser um simples carpinteiro, se foi um homem de bem é maior do que o rico presunçoso que nada mais vê além de si mesmo. 

O progresso depende da própria individualidade, levar mais ou menos tempo para chegar ao objetivo será de acordo com as escolhas da própria consciência. O PAI não interfere no livre-arbítrio da criatura, aguarda compassivo até que o ser desperte e sinta em si mesmo a necessidade de dar mais um passo na escala evolutiva. 

A LEI DIVINA também prevê o nível de responsabilidade de cada criatura pelo conhecimento já adquirido, quanto maior o conhecimento, maior a sua responsabilidade, pois sabe o que é certo, sendo portanto mais culpado por atrasar a própria felicidade. 

O Mestre inesquecível de nossas vidas nos deixa uma grande esperança com relação à Lei do progresso, quando nos diz: “Nenhuma das ovelhas que o PAI me confiou se perderá”, isso significa que o homem terá as oportunidades necessárias para se libertar de suas imperfeições e o Mestre estará sempre conosco através de seus enviados, nos sustentando em todas as nossas deficiências sem nos eximir da responsabilidade, do compromisso de cada um com a própria evolução. 

“Para todos nós, que temos errado infinitamente, no caminho longo dos séculos, chega sempre um minuto em que suspiramos, ansiosos, pela mudança de vida, fatigados de nossas próprias obsessões” 
“A Lei do progresso confere a cada espírito a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, afim de que a justiça estabeleça o merecimento de cada um, na pauta das próprias obras” 

Emmanuel 


A REENCARNAÇÃO 

“Os discípulos lhe perguntavam, dizendo: Pois por que dizem os Escribas que importa vir Elias primeiro? Mas Ele respondendo, lhes disse: Elias certamente há de vir, e restabelecerá todas as coisas: Digo-vos porém, que Elias já veio, e eles não o conheceram, antes fizeram dele quanto quiseram".
Jesus 

Allan Kardec nos diz: 

“Assim como para o trabalhador o sol nasce no dia seguinte, e começa uma nova jornada, em que pode recuperar o tempo perdido, para eles também brilhará o sol de uma nova vida, após a noite do túmulo, e na qual poderá aproveitar a experiência do passado e por em execução suas boas resoluções para o futuro.” 

Dentro da Justiça Divina para que os Espíritos alavanquem o seu próprio progresso, ainda temos a reencarnação, que é o retorno da individualidade ao mundo material, através de um novo corpo de carne, onde o espírito recebe nova oportunidade de crescimento. Mas qual a necessidade da reencarnação? Vejamos:


Espíritos ainda carentes de evolução cometem por muitas vezes atos censuráveis dos quais se penaliza após adquirir consciência dos atos indevidos de que foi autor, a consciência em processo de culpa não consegue entrever o caminho da reparação e com isso trava seu avanço. Para que possa prosseguir sua jornada sem a culpa do passado que invariavelmente não resolve nada, pois o que permite ao ser a felicidade e a tranqüilidade de consciência é justamente a reparação então o espírito volta ao corpo, um véu é lançado sobre o passado, então se sente livre para tomar novas resoluções. 

“O Espírito sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito” 

Porém este eclipse da consciência não é total e o espírito carrega consigo de forma latente suas boas e más inclinações e cabe aos genitores aparar as arestas desta criatura incentivando o bem, como é grande a responsabilidade dos Pais, pois tem uma oportunidade de auxiliar o espírito a fazer o bem que lhe faltou no passado, por isso se justifica que no nosso planeta a infância tenha um período maior, justamente para que os pais exerçam sua influência por um maior período sobre seus filhos, o que não se confirma nos mundos superiores onde a infância sendo de curta duração, confere independência ao espírito em um tempo muito menor. 

Francisco Cândido Xavier dizia que ninguém poderia escrever um novo começo, mas todos podem recomeçar e escrever um novo fim, ou seja, o espírito receberá quantas oportunidades necessitar em reencarnações inumeráveis para realizar o seu aperfeiçoamento. 

Todas as existências do homem na terra não são elos perdidos no caminho do espírito, são apenas a continuidade umas das outras, onde os atos do espírito em uma vida repercutirão na próxima e assim sucessivamente, por não lembrar e estar temporariamente sob o véu do esquecimento, poder-se-ia inferir que não existe este elo, mas a criatura se purificando, torna sua indumentária cada vez mais tênue e este véu não sendo mais tão espesso acaba por abarcar a realidade mais completa e guarda consigo a lembrança mais vasta de suas experiências anteriores. 

Alguns irmãos podem achar que a reencarnação é fruto de uma punição do Criador contra a Criatura, o que não se confirma, pois é justamente na reencarnação que reside a maior oportunidade, uma verdadeira concessão em favor do espírito para que possa operar sua própria recuperação. 

“Livres, estamos interligados perante a LEI, para fazer o melhor, e, escravizados aos compromissos expiatórios, estaremos acorrentados uns aos outros no instituto da reencarnação, segundo a LEI, para anular o pior que já foi feito por nós mesmos nas existências passadas”. 

“Ninguém entrará no reino dos céus se não nascer novamente” 

“Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a Lei” 

Allan Kardec 


A LEI DE AÇÃO 
Poderíamos por um momento acredita que apenas o fato de ser perdoado por nossos desafetos seria o suficiente para que a nossa consciência livrar-se do peso de uma má ação praticada, no entanto, sabemos que não é bem assim. 

“Reconcilia-te com o teu inimigo” nos disse o Mestre, e aí sim, encontra-se um meio efetivo para que possamos rearmonizar a desarmonia de que fomos responsável, é preciso invariavelmente aliar arrependimento e reparação para ficar quites com a LEI, sem uma ou outra não alcançamos o intento. 

Ao contrário do que se pode achar esta LEI não vem de fora, mas de dentro, pois é nossa própria consciência à medida que avança que não dá descaso e exige a reparação. 

Nos diz Allan Kardec: 

“Unicamente a reparação pode anular o efeito, em destruindo a causa; o perdão seria uma graça e não uma anulação”. 

Agora, se invertermos os papéis, temos uma lição diferente, o perdão liberta quem perdoa e não quem praticou a falta, quando nós perdoamos, nos sentimos verdadeiramente livres e mais felizes, ao passo que aquele que foi perdoado deverá invariavelmente reparar o mau que fez. 

A grande LEI da Justiça Divina se traduz perfeitamente nesta máxima. 

“A cada um conforme suas obras” 

Deus não produziu o mal, mas este é fruto da ignorância dos homens, DEUS apenas o permite, porque sabe que dele sairá um bem maior. 

“Na matemática do Universo, o destino dar-nos-á sempre daquilo que lhe dermos” 

Emmanuel 


LAÇOS DE FAMÍLIA 
Temos que considerar os laços de família enquanto encarnados e os laços de família após o desencarne. 

Durante a existência terrestre os laços de família consistem nos laços consanguíneos, porém no mundo espiritual não se passa exatamente assim. Para o ser desencarnado os laços de família são construídos ou extintos pela afinidade, pelas inclinações do ser. 

Uma família encarnada na terra unida pelos laços consanguíneos não será necessariamente a família espiritual, no momento do desenlace da matéria densa o espírito vai ter com aqueles que conservam as mesmas aspirações, por exemplo, espíritos ligados à boemia encontrarão os ébrios, espíritos com interesse por substâncias tóxicas encontrarão viciados no mundo espiritual assim como espíritos caridosos certamente terão como companhia espíritos da mesma envergadura. 

Também podemos considerar as ligações antagônicas, que constituem as famílias antipáticas, o filho que não suporta a mãe, o pai que não suporta a filha ou os cônjuges que não se toleram. Estes espíritos geram laços de família por vezes justamente para que substituam os laços de ódio até que se tornem afins, pois o destino da humanidade é a fraternidade completa. Enquanto uns servem de provas para outros, servem também de meio de progresso. Os maus se melhoram ao contato com os bons, afinal DEUS ajuda o homem pelo homem

“Corpo doente, companheiro difícil, parente complexo, chefe amargo e dificuldade constante são oportunidades que se renovam” 

“E em toda parte, o verdadeiro campo de luta somos nós mesmos” 

“O Lar é instituto de regeneração e amor, onde retomas a convivência dos amigos e desafetos das existências passadas para a construção do futuro melhor." 

“O lar pejado de sacrifício, a família consanguíneo a configurar-se por forja ardente, a viuvez expressando exílio, a obrigação qual golilha atada ao pescoço, o compromisso em forma de algema e a moléstia semelhando espinho na própria carne constituem liquidações de longo prazo ou ajuste de contas a prestações, para que a liberdade nos felicite.” 

“Trazes hoje, na própria casa, a presença de certos familiares que te acompanham à feição de verdugos. Entretanto são eles credores de ontem, que surgem, no tempo, pedindo contas” 


Emmanuel 


A VIDA FUTURA 
Eis uma questão que nos aflige de certo modo, porque sem termos a noção de que a vida não cessa no cerrar dos olhos cometemos muitos equívocos que prejudica o caminho evolutivo do ser. Não tendo consciência de que a vida futura depende das nossas ações no presente, o indivíduo busca todos os prazeres materiais ao seu alcance, sem se preocupar com as conseqüências. 

O homem pensando apenas no presente comete todos os excessos possíveis, bebidas, fumo, sensualidade e acaba construindo para si mesmo problemas de ordem moral e física. É comum nos depararmos com recém nascidos que já trazem desde o útero da mãe problemas vasculares, pulmonares, renais, hepáticos. Problemas conquistados ao preço dos excessos de outros tempos. 

E assim o homem empilha faltas inúmeras contra a própria consciência, por pensar que ao morrer tudo estará terminado. 

A morte para o materialista, que pensa apenas nesta vida tem caráter horrendo, dor, sofrimento, sentimento de perda são alguns dos temperos deste momento para aqueles que passaram a vida alimentando o ateísmo. 

Quando nos deparamos com a enfermidade de alguém em tenra idade, abonado, com tudo que a vida pode oferecer a mão logo nos apressamos em dizer. 

- Coitado, é uma pena, ele tinha tudo, era muito feliz. 

Nem por um momento pensamos na fase evolutiva daquele ser, nem nos apercebemos de quais as conseqüências desta pseudo tragédia para as vidas futuras desta criatura. Apressamos-nos em dizer que Deus é injusto, que se Deus existisse nada disso estaria acontecendo. Erramos sempre ao desconsiderar a vida futura. 

A ignorância espiritual, o desinteresse com as coisas além da matéria, o ceticismo costumeiro e a despreocupação com o próprio destino sempre proporcionarão como colheita o medo, a incerteza e a decepção. 

Quando a humanidade compreender que a vida presente não passa de um elo entre a vida passada e a vida futura se tornará mais razoável em suas resoluções, mudarão radicalmente os valores e com certeza uma nova humanidade estará sobre a terra, renovada nos seus conceitos. 

A preguiça, os excessos de toda ordem e o materialismo desmedido serão afastados para que seja valorizada a vida, as qualidades morais, a vontade de avançar espiritualmente, com certeza a terra estará transformada. 

Nos diz Alan Kardec no livro “O céu e o Inferno” que a duração da expiação está subordinada ao melhoramento do culpado, vejamos que não é subordinado ao sofrimento do culpado e sim a sua depuração, as suas boas ações. 

O homem quando desencarna responde por todos seus atos na terra, pelas mazelas que não aniquilou do seu caráter, durante sua vida na carne, suas dificuldades ou facilidades dependerão do maior ou menor grau de depuração a que alcançou. 

Para a parte da humanidade que reside na Terra cabe ainda mais uma responsabilidade, uma vez que já teve todos os meios para se instruir já não pode mais se contentar em apenas não fazer o mal, também será considerado como falta todo o bem que poderia fazer e não fez. Facilmente chegamos à conclusão de que conhecimento é responsabilidade, nada que o PAI nos confia deve ficar a cargo da preguiça. 


“Materialismo, afrodisíaco da irresponsabilidade moral” 

Emmanuel 

O CÉU E O INFERNO – OS ANJOS E OS DEMÔNIOS 
O céu e o inferno, muito além de regiões específicas do Universo devem ser considerados como o momento de cada um em seu próprio universo Evolutivo. 


“O Reino dos Céus é dentro de vós” nos diz o mestre." 


O que isso quer nos dizer? Qual a mensagem por trás das palavras do MESTRE? Jesus se referia ao estado de consciência de cada um, as dores ou as alegrias que cada um trás em sua consciência, pelos próprios atos construímos o nosso céu, ou o nosso inferno, depende da escolha que fazemos; avançar ou estacionar, nos despojarmos de nossos preconceitos, vícios, excessos ou simplesmente mantê-los


Há que considerarmos também a contraparte física destes conceitos, as regiões do Universo são diferenciadas pela vibração que as caracteriza, em seus infinitos níveis de energia, desde as mais densas, regiões onde habitam espíritos culpados, renitentes no mal até as mais sutis onde podemos denominar como esferas elevadas. 

Os espíritos em evolução estão encapsulados em diversos níveis de energia, do mais denso ao mais sutil podemos citar sete (Físico, etérico, Astral, Mental Concreto, mental abstrato, búdico e átmico) 


Através de suas ações, de seus pensamentos e sentimentos o homem adensa ou sutiliza seus corpos de manifestação, quando desencarna leva consigo este “peso” que o situa entre as diversas regiões que circundam o orbe onde habita. 

Um espírito que quando encarnado teve como norte de sua vida o Evangelho do Cristo, vivenciou a caridade e o amor ao próximo com certeza sutilizou sua roupagem fluídica e fica em condições de habitar as esferas mais elevadas, tem mais liberdade de ação, pode se deslocar com mais facilidade, encontrar aqueles que ama. 

Já o homem que preferiu carregar em si mesmo as chagas da humanidade: o Egoísmo, o ciúme, a avareza, que prejudicou o seu irmão, em fim, que foi completamente alheio aos preceitos da vivência cósmica, adensou sua roupagem fluídica e com certeza não terá acesso as esferas mais elevadas quando cerrar os olhos do corpo físico, habitará no inferno que construiu para si mesmo até que a consciência se reajuste na senda do bem e a individualidade receba nova oportunidade de recuperar a si mesmo nascendo em um novo corpo de carne, carregando os estigmas que alimentou no passado. 

A felicidade, a tristeza, o céu e o inferno são conquistas do espírito, cada ato, cada pensamento, cada palavra carrega consigo o tijolo que edifica o próprio destino. 

Importante destacar que nenhuma criatura está fadada ao inferno eterno, ou seja, a estar sempre habitando o sofrimento. A LEI do progresso é clara, nada que foi criado por DEUS está fadado a derrota, ao sofrimento. A criatura sempre encontrará ensejo de crescer, de evoluir e de subir os degraus da Evolução. 

Nos diz Allan Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” que o Céu é ganho pela caridade e pela brandura”. 


E os Anjos? Seriam seres privilegiados? Teriam eles sido criados já com toda a sabedoria e devotados ao sumo bem? 

Segundo a Doutrina espírita os Anjos não são seres privilegiados, pois se houvesse dois sistemas de criação, não haveria justiça e, por conseguinte DEUS não seria perfeito. 

Os Anjos de acordo com o Espiritismo são espíritos que já passaram por inúmeras experiências neste e em outros mundos, são seres que passaram por todas as etapas do processo evolutivo e alcançaram considerável evolução, o que lhes confere perante algumas doutrinas o título de Anjos, que para o Espiritismo são Espíritos muito avançados moral e intelectualmente, que já possuem uma união mais perfeita com o pai, fruto de seus esforços nos milênios incontáveis. 

E os Demônios? Seriam seres criados exclusivamente criados para o mal e para sempre o serão? Será que algo que foi criado por DEUS que é soberanamente bom e justo vai negar pela eternidade a sua origem Divina? 

Segundo a Doutrina Espírita a resposta é não. Demônios, espíritos maus, nada mais são que espíritos pouco esclarecidos, que por seu orgulho, sua vaidade e teimosia persistem por tempo indeterminado nas faixas mais baixas da vida, o que não podemos dizer que será para sempre, pois só depende do seu livre-arbítrio reformar-se e dar um passo na direção do criador. Portanto serão maus enquanto quiserem, pois como todas as criaturas também são dotadas de livre-arbítrio bastando uma vontade firme para dar início ao seu processo de renovação. 

“Deus não concede privilégios, em qualquer estância do Universo, a alma recebe, inelutavelmente, da vida o bem ou o mal que da de si própria” 

“O criador concede as criaturas, no espaço e no tempo, as experiência que desejem, para que se ajustem, por fim, às Leis de bondade e equilíbrio, que o manifestam. Eis por que, permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós” 

“O inferno, consolidado por localidade inferior ou estância de suplício, depois da morte, começa de cada um e comunica-se, pessoalmente, de espírito desvairado a espírito desvairado” 

“A providência Divina permite a colonização dos seres bestializados, além do túmulo, em regiões específicas do espaço, para limitação e tratamento das calamidades mentais em que se projetaram ou que fizeram em merecer” 

“A falta que depende de nós, chega antes, e o sanatório que corrige chega depois” 

“O céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada um” 

“O inferno é remorso, na consciência culpada, cujo sofrimento cessa com a necessária e justa reparação” 

“Todas as vítimas das trevas serão trazidas a luz, e todos os caídos serão levantados, ainda que, para isso, a esponja do sofrimento tenha de ser manejado pelos braços da vida, em milênios de luta. Isso porque as leis Divinas são de justiça e misericórdia, e a providência inefável jamais decreta o abandono do pecador” 
Emmanuel 

Imprescindível recordar diariamente as advertências do MESTRE, pois em matéria de evolução, carecemos muito do “Amai vos uns aos outros como eu vos amei”. 

Em matéria de Evolução o espírito necessita conscientizar-se de que é o único responsável pelos sofrimentos e alegrias que venha a passar, culpar o próximo, a Deus, aos desencarnados pelos nossos erros é infantil e deve fazer parte do passado desde já, assim à conquista de nossa própria libertação estará em nossas próprias mãos e jamais relegado aos outros. 

Temos um só DEUS, uma só LEI que determina o espírito como sendo Juiz, advogado e réu de seus atos. Juiz porque a própria consciência deve definir os parâmetros do seu julgamento conforme cresce em conhecimento, advogado pelo bem que faz e que o defende em qualquer parte e réu pelas faltas que comete. 

A vontade de servir e amar na seara do Criador sempre nos elevará, ao passo que se reter na ociosidade sempre será caminho de sofrimento na jornada de cada um. 


Obras consultadas:

Allan Kardec – O céu e o Inferno, A justiça Divina segundo o Espiritismo; 

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier – Justiça Divina. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

RESPEITE A VOCÊ MAIS DO QUE AOS OUTROS, RESPEITE MESMO O QUE É RUIM EM VOCÊ - Clarice Lispector


Clarice a quem eu admiro e me identifico muito!
Roberta Carrilho

"Respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobre tudo o que você imagina que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita, não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver."
Clarice Lispector

129 ANOS DO TESTE RORSCHACH ( teste psicológico ou teste de personalidade)


Muito importante para diagnosticar vários transtornos
 psicológicos, entre eles, a bipolaridade.
Merece minha homenagem.
Roberta Carrilho




Hermann Rorschach foi um psiquiatra suíço. Rorschach ficou conhecido pelo seu trabalho sobre o significado psicológico de interpretações dadas a manchas de tinta. Desenvolveu para isso uma técnica que tomou seu nome, o teste de Rorschach.

O teste de Rorschach é uma técnica de avaliação psicológica pictórica, comumente denominada de teste projetivo, ou mais recentemente de método de auto-expressão. Foi desenvolvido pelo psiquiatra suíço Hermann Rorschach. O teste consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo. O teste de Rorschach é amplamente utilizado em vários países.

A técnica de interpretação

Uma vez codificadas todas as respostas, elas são somadas e reduzidas a diferentes índices (por exemplo, a relação entre o número de respostas G e de respostas D, etc.) Cada um dos sistemas utiliza índices diferentes. Esses índices são reunidos em agrupamentos, que descrevem determinadas dimensões da personalidade.

1. Avaliação quantitativa da inteligência - ou seja, uma estimativa do grau de inteligência de alguém;

2. Avaliação qualitativa da inteligência - que tipo de inteligência é mais desenvolvido (talentos, modo de trabalho, fantasia)

3. Avaliação da afetividade - a estrutura e controle da vida emocional do indivíduo e sua capacidade de fazer contatos sociais;

4. Atitudes gerais como ambição, sentimentos de inferioridade ou superioridade, agressividade, tendência de sentir-se embaraçado, entre outros;

5. Humor - tristeza, alegria, apatia, ansiedade, entre outros;

6. Traços neuróticos, tipo e estrutura;

7. Indícios de um diagnóstico psiquiátrico, além de resultados de outros testes que talvez tenham sido realizados, da anamnese e indicação de outros testes complementares, que talvez sejam necessários.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

COMO SERIAM ALGUMAS CELEBRIDADES SE NÃO FOSSEM FAMOSAS E RICAS por Bruna Schiavo


Sabe aquelas fotos que encontramos na internet de celebridades sem maquiagem? A proposta desse post é quase a mesma, mas na verdade mostra como as celebridades seriam se fossem pessoas comuns, sem todo o dinheiro para plásticas e maquiagens. As imagens foram criadas pelo artista nova iorquino Danny Evans.

Confira:

Angelina Jolie e Brad Pitt

Kanye West e Kim Kardashian

Jennifer Aniston

Beyonce e Jay-Z

Scarlett Johansson e Lady Gaga

Miley Cyrus e Rihanna


Fonte: 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

COISAS QUE A VIDA ENSINA DEPOIS DOS 40 ANOS por Artur da Távola



"Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigado, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente..."

Artur da Távola



AMO D+ ISTO!



Como eu gosto de utensílios de cozinha artístico! Aliás, eu adoro tudo de casa para decoração. Tenho paixão!! Esta xícara eu simplesmente amei. Ela é linda, delicada, charmosa, artística, etc. Nossa como é perfeita! 
Encantada!!
Roberta Carrilho




EU GOSTO DE DELICADEZA ... por Manoel Bandeira


"Eu gosto de delicadeza. Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia-a-dia e até no que não é dito com palavras, mas fica no ar..."

Manoel Bandeira


MISÉRIA EMOCIONAL, NÃO PEGA MAS INCOMODA por Bruno Soalheiro

Texto excelente! De um realismo sincero. Ele retrata o que  temos visto infelizmente em todos os lugares e mídias; e o pior vindo de pessoas pseudo-inteligente ou 'doutores'. Outra coisa, já repararam que uns tempos para cá quase todo mundo é doutor em alguma coisa? Basta ter uma graduação ou qualquer título que já se julgam: "...eu sou o cara!" sei tudo. Isto quando tem algum estudo ou título de verdade e se tiver aí que ninguém merece mesmo. Inteligência atrofiada pela arrogância. Aff!!! É impressionante! Como existem pessoas que têm prazer ou gozo em dar 'pitacos', críticas ácidas disfarçados de bons conselhos que só nos deixam pra baixo. São as tais 'boas intenções' infernais e pior falam sem sequer ser solicitada uma mísera opinião. Faz favor! Sai para lá... Coisa chata e inconveniente!  Vou dizer num papo reto essas pessoas são muito sem noção e de uma pedância nojenta no português rasgado. Por isto fica a dica para continuarmos a rezar para que Deus nos livre deste mal.
Assim Seja!
Roberta Carrilho



Tem muita gente idiota no mundo, e olha que não há um curso superior neste sentido. Ainda assim temos mestres e doutores na área. Alguns atravessam sinais vermelhos, outros tratam estranhos com descaso, há os que jogam suas tralhas pela rua afora, e tem aqueles que genuinamente apreciam dar feedback negativo sem serem solicitados. São os piores.

Aquela sua amiga que durante a festa de casamento comentou que o vestido é realmente lindo, mas não ficou muito bem em você, é o tipo. Ela chama isso de opinião, mas é despeito. Há uns que quando te veem olham de cima abaixo na sincera tentativa de achar algum ponto a ser melhorado. Quando encontram, comentam despretensiosamente e se regozijam por dentro – já que sua falha faz da vida deles algo menos miserável.

Miséria emocional é um assunto que muito me interessa ultimamente, especialmente pelo fato de me atingir vez ou outra. Há pouco tempo veio um sujeito, por e-mail, esclarecer meu modesto entendimento a respeito de um tópico que tratei em um texto. Propus um argumento sincero; achou ruim, deu um pinote semântico e sumiu. (pinote semântico é ótimo - risos!)

Aliás, o quanto você aceita que as pessoas possam discordar de seu modo de pensar? (Sem dar chilique ou fazer bico, please.)

Procurei alguma patologia que pudesse me dar esperança de que as pessoas realmente tem um problema claro e catalogado quando passam a se comportar de maneira emocionalmente miserável umas com as outras e com o mundo, mas não encontrei, Conclui triste, que é uma escolha mesmo. Um nome que me ocorreu é “auto-estupidez”, um neologismo provável.

O problema sobre certos feedbacks não solicitados é que geralmente atendem mais a uma necessidade de quem os fornece do que de quem os recebe. O sujeito brota do nada com uma observação “pertinente” – sobre sua roupa, seu trabalho, sua forma física, o hidratante que você usa – e você quase pode ver os olhinhos ardendo de prazer.

O antídoto? Ajude a pobre alma, se tiver amor pra isso. Sorria com condescendência, pergunte se vai tudo bem, e se gostar um pouquinho da figura concorde com ela sobre o defeito apontado ou sobre como você deveria considerar seriamente o ponto de vista dela. Aliás, aponte em si mesmo algo possivelmente negativo que ainda não foi comentado; ela vai te amar.

Agora, se não for alguém com quem você se importa muito, ou se realmente já estiver até a tampa com quem precisa fazer você descer para ter a sensação de que subiu um pouco na lama da própria existência, indique meu site. Provavelmente não vou conseguir ajudar muito com terapia, mas tenho ótimos amigos psiquiatras.
Deus nos proteja.

Até mais.
Bruno Soalheiro





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Sobre Bruno Soalheiro

Bruno soalheiro é Psicoterapeuta, Palestrante e sócio-diretor da Fator de Sucesso, empresa que trabalha com Educação Comportamental para organizações e pessoas que busquem crescimento e resultados. É autor de vários artigos sobre comportamento e carreira e há mais de 10 anos se dedica à área de RH, tendo atuado como consultor empresarial e Coordenador – Business Partner em empresas multinacionais da área de projetos de energia, óleo gás e mineração.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O MUNDO PRECISA DE LOUCOS; LOUCOS UM PELO OUTRO por Madalena Carvalho




Precisa-se de loucos De loucos uns pelos outros! Que em seus surtos de loucura tenham habilidades suficientes para agir como treinadores de um mundo melhor. Que olhem a ética, o respeito às pessoas e a responsabilidade social não apenas como princípios organizacionais, mas como verdadeiros compromissos com o Universo. Precisa-se de loucos de paixão. Não só pelo trabalho, mas principalmente por gente, que vejam em cada ser humano o reflexo de si mesmo, trabalhando para que velhas competências deem lugar ao brilho no olhar e a comportamentos humanizados. Precisa-se de loucos pelo desconhecido que caminhem na contramão da história. Precisa-se de loucos poliglotas que não falem inglês, espanhol, francês ou italiano, mas que falem a língua universal do amor, do amor que transforma, modifica e melhora. Palavras não transformam empresas e sim atitudes. Precisa-se simplesmente de loucos de amor. De amor que transcende toda a hierarquia, que quebra paradigmas; Amor que cada ser humano deve despertar e desenvolver dentro de si e pôr a serviço da vida própria e alheia. As organizações precisam urgentemente de loucos, capazes de implantar novos modelos de gestão, essencialmente focados no SER, sem receios de serem chamados de insanos, que saibam que a felicidade consiste em realizar as grandes verdades e não somente em ouvi-las… Ou resgatamos a inocência perdida ou teremos que desistir de vez da condição de HUMANOS. Qual vai ser a sua atitude?

Madalena Carvalho



P.S.: Quero agradecer especialmente a Vânia Lima, minha mais recente amiga que me ajudou a encontrar a autoria deste texto. Ela é uma verdadeira 'Sherlock Holmes' do nordeste - Fortaleza. Muito obrigada Vânia pela ajuda! Acho muito importante dar os créditos dos textos para os seus verdadeiros autores. É difícil encontrar por incrível que pareça é tanta gente postando e se auto titulando autores! Agora terei uma ajudante de pesquisa de peso. Uma bibliotecária da UFCE. Este blog tá ficando porreta mesmo!! E completando o tema é sempre de bom tom, honesto, justo e ético, além de ser uma obrigação legal fazer isto. Ou seja: Dar a César o que é de César. 


domingo, 3 de novembro de 2013

SENTIMENTOS NÃO PODEM SER PROMETIDOS por Rubem Alves



"… Muitas são as promessas que os noivos podem fazer: prometo dividir meus bens, prometo não maltratá-la, prometo não humilhá-lo, prometo protegê-la, prometo cuidar de você na doença. Atos exteriores podem ser prometidos. Assim se fazem os casamentos, com pedra, ferro, cimento e amor. Mas as coisas do amor não podem ser prometidas. Não posso prometer que, pelo resto da minha vida, sorrirei de alegria ao ouvir teu nome. Não posso prometer que, pelo resto da minha vida, sentirei saudades na tua ausência. Sentimentos não podem ser prometidos. Não podem ser prometidos, porque não dependem de nossa vontade. Sua existência é efêmera. Só existe no momento. Como o voo dos pássaros, o sopro do vento, as cores do crepúsculo. Esse é um rito de adultos, porque somente os adultos desejam que o futuro seja igual ao presente."

Rubem Alves


POR FAVOR NÃO ME JULGUE ... Charlie Brown

Eu adoro isto !!
... humildade para expor com simplicidade um sentimento 
tão humano e comum! É muito fofs!!!
Quem não tem ou não teve este sentimento 
que atira a primeira mentira - risos! 
Roberta Carrilho




"Por favor não me julgue, você não sabe quantas vezes tive que estampar um sorriso falso em meu rosto e fingir que tudo estava bem, quando a única coisa que eu queria...era simplesmente chorar..." 
Charlie Brown

DESVENDANDO A ESPUMA: O ENIGMA DA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA por Renato Santos de Souza (UFSM/RS)



Fantástico texto. Este autor Renato Souza expôs um lado muito complexo da meritocracia. Na sua visão o mérito não é conquistado por SER ou MERECER RECONHECIMENTO e sim por números ou avaliações subjetivas de desempenho, ou seja, o TER ou APARECER MERECER. Eu gostei muito desta visão holística do sistema meritório. Sim ele tem razão em muitos pontos... o mérito hoje em dia não é valorativo e sim avaliativo na perspectiva de resultado. É um sistema que foi desvirtuado nesta geração determinando uma segregação entre as pessoas em classes pré-rotuladas e um individualista exacerbado da mais valia. A meritocracia teria sim um papel importante se se livrasse desta mácula do individualismo exacerbado, com viés reacionário, para um pensamento mais forte no coletivo e social. Por outro lado, esse sistema não é perfeito, mas ainda é o melhor em muitos outros pontos. E quanto aos exemplos não poderia ter dado melhores: a reação corporativista sem sentido da classe médica e da subjetividade ou conveniência política das eleições na Academia Brasileira de Letras. É real e perverso. Qual seria a avaliação correta, se é que podemos avaliar corretamente sem vícios pessoais: Mérito? Competência? Conhecimento? Conveniência? Reconhecimento? Marketing? São muitas opções! Será? Não tinha pensado nisso... mas não vejo a meritocracia como um sistema nocivo. Eu vejo que alguns pontos foram desvirtuados. Prefiro não fechar minha opinião, ainda. Preciso reler este texto e aprofundar meus conceitos sobre o tema. Obrigada por compartilhar comigo Emannuel Matos. Gostei!  É para se pensar e pesquisar... gastar neurônios.
Roberta Carrilho

Foto by Sebastião Salgado

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível. Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base. A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.

Então, eu, que bebi da racionalidade desde as primeiras gotas de leite materno, como afirmou certa vez um filósofo, não comprei a tese assim, facilmente. Não sem uma razão. E a Marilena não me ofereceu esta razão. Ela identificou algo, um fenômeno, o reacionarismo da classe média brasileira, mas não desvendou o sentido do fenômeno. Descreveu “O QUE” estava acontecendo, mas não nos ofereceu o “PORQUE”. Por que logo a classe média? Não seria mais razoável afirmar que as elites é que são o “atraso de vida” do Brasil, como sempre foi dito? E mais, ela fala da classe média brasileira, não da classe média de maneira geral, não como categoria social. Então, para ela, a identificação deste fenômeno não tem uma fundamentação eminentemente filosófica ou sociológica, e sim empírica: é fruto da sua observação, sobretudo da classe média paulistana. E por que a classe média brasileira e não a classe média em geral? Estas indagações me perturbavam, e eu ficava reticente com as afirmações de dona Marilena.


Com o passar do tempo, porém, observando muitos representantes da classe média próximos de mim (coisa fácil, pois faço parte dela), bem como a postura desta mesma classe nas manifestações de junho deste ano, comecei lentamente a dar razão à filósofa. A classe média parece mesmo reacionária, talvez não toda, mas grande parte dela. Mas ainda me perguntava “por que” a classe média, e “por que” a brasileira? Havia um elo perdido neste fenômeno, algo a ser explicado, um sentido a ser desvendado.


Então adveio aquela abominável reação de grande parte da categoria médica – justamente uma categoria profissional com vocação para classe média - ao Programa Mais Médicos, e me sugeriu uma resposta. Aqueles episódios me ajudaram a desvendar a espuma. Mas não sem antes uma boa pergunta! Como pode uma categoria profissional pensar e agir assim, de forma tão unificada, num país tão plural e tão cheio de nuanças intelectuais e políticas como o nosso? Estudantes de medicina e médicos parecem exibir um padrão de pensamento e ação muito coesos e com desvios mínimos quando se trata da sua profissão, algo que não se vê em outros segmentos profissionais. Isto não pode ser explicado apenas pelo que se convencionou chamar de “corporativismo”. Afinal, outras categorias profissionais também tem potencial para o corporativismo, e não o são, ao menos não da mesma forma. Então deveria haver outra interpretação para isto.


Bem, naqueles episódios do Mais Médicos, apesar de toda a argumentação pretensamente responsável das entidades médicas buscando salvaguardar a saúde pública, o que me parecia sustentar tal coesão era uma defesa do mérito, do mérito de ser médico no Brasil. Então, este pensamento único provavelmente fora forjado pelas longas provações por que passa um estudante de medicina até se tornar um profissional: passar no vestibular mais concorrido do Brasil, fazer o curso mais longo, um dos mais difíceis, que tem mais aulas práticas e exigências de estrutura, e que está entre os mais caros do país. É um feito se formar médico no Brasil, e talvez por isto esta formação, mais do que qualquer outra, seja uma celebração do mérito. Sendo assim, supõe-se, não se pode aceitar que qualquer um que não demonstre ter tido os mesmos méritos, desfrute das mesmas prerrogativas que os profissionais formados aqui. Então, aquela reação episódica, e a meu ver descabida, da categoria médica, incompreensível até para o resto da classe média, era, na verdade, um brado pela meritocracia. 


A minha resposta, então, ao enigma da classe média brasileira aqui colocado, começava a se desvelar: é que boa parte dela é reacionária porque é meritocrática; ou seja, a meritocracia está na base de sua ideologia conservadora. 


Assim, boa parte da classe média é contra as cotas nas universidades, pois a etnia ou a condição social não são critérios de mérito; é contra o bolsa-família, pois ganhar dinheiro sem trabalhar além de um demérito desestimula o esforço produtivo; quer mais prisões e penas mais duras porque meritocracia também significa o contrário, pagar caro pela falta de mérito; reclama do pagamento de impostos porque o dinheiro ganho com o próprio suor não pode ser apropriado por um Governo que não produz, muito menos ser distribuído em serviços para quem não é produtivo e não gera impostos. É contra os políticos porque em uma sociedade racional, a técnica, e não a política, deveria ser a base de todas as decisões: então, deveríamos ter bons gestores e não políticos. Tudo uma questão de mérito.


Mas por que a classe média seria mais meritocrática que as outras? Bem, creio que isto tem a ver com a história das políticas públicas no Brasil. Nós nunca tivemos um verdadeiro Estado do Bem Estar Social por aqui, como o europeu, que forjou uma classe média a partir de políticas de garantias públicas. O nosso Estado no máximo oferecia oportunidades, vagas em universidades públicas no curso de medicina, por exemplo, mas o estudante tinha que enfrentar 90 candidatos por vaga para ingressar. O mesmo vale para a classe média empresarial, para os profissionais liberais, etc. Para estes, a burocracia do Estado foi sempre um empecilho, nunca uma aliada. Mesmo a classe média estatal atual, formada por funcionários públicos, é geralmente concursada, portanto, atingiu sua posição de forma meritocrática. Então, a classe média brasileira se constituiu por mérito próprio, e como não tem patrimônio ou grandes empresas para deixar de herança para que seus filhos vivam de renda ou de lucro, deixa para eles o estudo e uma boa formação profissional, para que possam fazer carreira também por méritos próprios. Acho que isto forjou o ethos meritocrático da nossa classe média. 


Esta situação é bem diferente na Europa e nos EUA, por exemplo. Boa parte da classe média europeia se formou ou se sustenta das políticas de bem estar social dos seus países, estas mesmas que entraram em colapso com a atual crise econômica e tem gerado convulsões sociais em vários deles; por lá, eles vão para as ruas exatamente para defender políticas anti-meritocráticas. E a classe média americana, bem, esta convive de forma quase dramática com as ambiguidades de um país que é ao mesmo tempo das oportunidades e das incertezas; ela sabe que apenas o mérito não sustenta a sua posição, portanto, não tem muitos motivos para ser meritocrática. Se a classe média adoecer nos EUA, vai perder o seu patrimônio pagando por serviços privados de saúde pela absoluta falta de um sistema público que a suporte; se advém uma crise econômica como a de 2008, que independe do mérito individual, a classe média perde suas casas financiadas e vai dormir dentro de seus automóveis, como se via à época. Então, no mundo dos ianques, o mérito não dá segurança social alguma.


As classes brasileiras alta e baixa (os nossos ricos e pobres) também não são meritocráticas. A classe alta é patrimonialista; um filho de rico herda bens, empresas e dinheiro, não precisa fazer sua vida pelo mérito próprio, portanto, ser meritocrata seria um contrassenso; ao contrário, sua defesa tem que ser dos privilégios que o dinheiro pode comprar, do direito à propriedade privada e da livre iniciativa. Além disso, boa parte da elite brasileira tem consciência de que depende do Estado e que, em muitos casos, fez fortuna com favorecimentos estatais; então, antes de ser contra os governos e a política, e de se intitular apolítica, ela busca é forjar alianças no meio político. 


Para a classe pobre o mérito nunca foi solução; ela vive travada pela falta de oportunidades, de condições ou pelo limitado potencial individual. Assim, ser meritocrata implicaria não só assumir que o seu insucesso é fruto da falta de mérito pessoal, como também relegar apenas para si a responsabilidade pela superação da sua condição. E ela sabe que não existem soluções pela via do mérito individual para as dezenas de milhões de brasileiros que vivem em condições de pobreza, e que seguramente dependem das políticas públicas para melhorar de vida. Então, nem pobres nem ricos tem razões para serem meritocratas. 


A meritocracia é uma forma de justificação das posições sociais de poder com base no merecimento, normalmente calcado em valências individuais, como inteligência, habilidade e esforço. Supostamente, portanto, uma sociedade meritocrática se sustentaria na ética do merecimento, algo aceitável para os nossos padrões morais. 


Aliás, tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.


Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?


Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa. 


Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar porquê a meritocracia é um fundamento perverso de organização social. 


a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência, etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade, etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.


b) A meritocracia exacerba o individualismo e a intolerância social, supervalorizando o sucesso e estigmatizando o fracasso, bem como atribuindo exclusivamente ao indivíduo e às suas valências as responsabilidades por seus sucessos e fracassos. 


c) A meritocracia esvazia o espaço público, o espaço de construção social das ordens coletivas, e tende a desprezar a atividade política, transformando-a em uma espécie de excrescência disfuncional da sociedade, uma atividade sem legitimidade para a criação destas ordens coletivas. Supondo uma sociedade isenta de jogos de interesse e de ambiguidades de valor, prevê uma ordem social que siga apenas a racionalidade técnica do merecimento e do desempenho, e não a racionalidade política das disputas, das conversações, das negociações, dos acordos, das coalisões e/ou das concertações, algo improvável em uma sociedade democrática e pluralista.


d) A meritocracia esconde, por trás de uma aparente e aceitável “ética do merecimento”, uma perversa “ética do desempenho”. Numa sociedade de condições desiguais, pautada por lógicas mercantis e formada por pessoas que tem não só características diferentes mas também condições diversas, merecimento e desempenho podem tomar rumos muito distantes. O Mário Quintana merecia estar na ABL, mas não teve desempenho para tal. O Paulo Coelho, o Sarney e o Roberto Marinho estão (ou estiveram) lá, embora muitos achem que não merecessem. O Quintana, pelo imenso valor literário que tem, não merecia ter morrido pobre nem ter tido que morar de favor em um hotel em Porto Alegre, mas quem amealhou fortuna com a literatura foi o Coelho. Um tem inegável valor literário, outro tem desempenho de mercado. O José, aquele menino nota 10 na escola que mora embaixo de uma ponte da BR 116 (tema de reportagem da ZH) merece ser médico, sua sonhada profissão, mas provavelmente não o será, pois não terá condições para isto (rezo para estar errado neste caso). Na música popular nem é preciso exemplificar, a distância entre merecimento e desempenho de mercado é abismal. Então, neste mudo em que vivemos, valor e resultado, merecimento e desempenho nem sempre caminham juntos, e talvez raramente convirjam. 


Mas a meritocracia exige medidas, e o merecimento, que é um juízo de valor subjetivo, não pode ser medido; portanto, o que se mede é o desempenho supondo-se que ele seja um indicador do merecimento, o que está longe de ser. Desta forma, no mundo da meritocracia – que mais deveria se chamar “desempenhocracia” - se confunde merecimento com desempenho, com larga vantagem para este último como medida de mérito.


e) A meritocracia escamoteia as reais operações de poder. Como avaliação e desempenho são cruciais na meritocracia, pois dão acesso a certas posições de poder e a recursos, tanto os indicadores de avaliação como os meios que levam a bons desempenhos são moldados por relações de poder; e o são decisivamente. Seria ingênuo supor o contrário. Assim, os critérios de avaliação que ranqueiam os cursos de pós-graduação no país são pautados pelas correntes mais poderosas do meio acadêmico e científico; bons desempenhos no mercado literário são produzidos não só por uma boa literatura, mas por grandes investimentos em marketing; grandes sucessos no meio musical são conseguidos, dentre outras formas, “promovendo” as músicas nas rádios e em programas de televisão, e assim por diante. Os poderes econômico e político, não raras vezes, estão por trás dos critérios avaliativos e dos “bons” desempenhos.


Critérios avaliativos e medidas de desempenho são moldáveis conforme os interesses dominantes, e os interesses são a razão de ser das operações de poder; que por sua vez, são a matéria prima de toda a atividade política. Então, por trás da cortina de fumaça da meritocracia repousa toda a estrutura de poder da sociedade.


Até aí tudo bem, isso ocorre na maioria dos sistemas políticos, econômicos e sociais. O problema é que, sob o manto da suposta “objetividade” dos critérios de avaliação e desempenho, a meritocracia esconde estas relações de poder, sugerindo uma sociedade tecnicamente organizada e isenta da ingerência política. Nada mais ilusório e nada mais perigoso, pois a pior política é aquela que despolitiza, e o pior poder, o mais difícil de enfrentar e de combater, é aquele que nega a si mesmo, que se oculta para não ser visto.


e) A meritocracia é a única ideologia que institui a desigualdade social com fundamentos “racionais”, e legitima pela razão toda a forma de dominação (talvez a mais insidiosa forma de legitimação da modernidade). A dominação e o poder ganham roupagens racionais, fundamentos científicos e bases de conhecimento, o que dá a eles uma aparente naturalidade e inquestionabilidade: é como se dominados e dominadores concordassem racionalmente sobre os termos da dominação.


f) A meritocracia substitui a racionalidade baseada nos valores, nos fins, pela racionalidade instrumental, baseada na adequação dos meios aos resultados esperados. Para a meritocracia não vale a pena ser o Quintana, não é racional, embora seus poemas fossem a própria exacerbação de si, de sua substância, de seus valores artísticos. Vale mais a pena ser o Paulo Coelho, a E.L. James, e fazer uma literatura calibrada para vender. Da mesma forma, muitos pais acham mais racional escolher a escola dos seus filhos não pelos fundamentos de conhecimento e valores que ela contém, mas pelo índice de aprovação no vestibular que ela apresenta. Estudantes geralmente não estudam para aprender, estudam para passar em provas. Cursos de pós-graduação e professores universitários não produzem conhecimentos e publicam artigos e livros para fazerem a diferença no mundo, para terem um significado na pesquisa e na vida intelectual do país, mas sim para engrossarem o seu Lattes e para ficarem bem ranqueados na CAPES e no CNPq. 


A meritocracia exige uma complexa rede de avaliações objetivas para distribuir e justificar as pessoas nas diferentes posições de autoridade e poder na sociedade, e estas avaliações funcionam como guiões para as decisões e ações humanas. Assim, em uma sociedade meritocrática, a racionalidade dirige a ação para a escolha dos meios necessários para se ter um bom desempenho nestes processos avaliativos, ao invés de dirigi-la para valores, princípios ou convicções pessoais e sociais.


g) Por fim, a meritocracia dilui toda a subjetividade e complexidade humana na ilusória e reducionista objetividade dos resultados e do desempenho. O verso “cada um de nós é um universo” do Raul Seixas – pérola da concepção subjetiva e complexa do humano - é uma verdadeira aberração para a meritocracia: para ela, cada um de nós é apenas um ponto em uma escala de valor, e a posição e o valor que cada um ocupa nesta escala depende de processos objetivos de avaliação. A posição e o valor de uma obra literária se mede pelo número de exemplares vendidos, de um aluno pela nota na prova, de uma escola pelo ranking no Ideb, de uma pessoa pelo sucesso profissional, pelo contracheque, de um curso de pós-graduação pela nota da CAPES, e assim por diante. Embora a natureza humana seja subjetiva e complexa e suas interações sociais sejam intersubjetivas, na meritocracia não há espaço para a subjetividade nem para a complexidade e, sendo assim, lamentavelmente, há muito pouco espaço para o próprio ser humano. Desta forma, a meritocracia destrói o espaço do humano na sociedade.


Enfim, a meritocracia é um dos fundamentos de ordenamento social mais reacionários que existe, com potencial para produzir verdadeiros abismos sociais e humanos. Assim, embora eu tenda a concordar com a tese da Marilena Chauí sobre a classe média brasileira, proponho aqui uma troca de alvo. Bradar contra a classe média, além de antipático pode parecer inútil, pois ninguém abandona a sua condição social apenas para escapar ao seu estereótipo. Não se muda a posição política de alguém atacando a sua condição de classe, e sim os conceitos que fundamentam a sua ideologia. 


Então, prefiro combater conceitos, neste caso, provavelmente o conceito mais arraigado na classe média brasileira, e que a faz ser o que é: a meritocracia.




sábado, 2 de novembro de 2013

DIA DE FINADOS - A TRANSFIGURAÇÃO NA MORTE por Leonardo Boff


Eu não acredito nesta morte que se falam por ai. Um fim = finados! Morte para mim é simplesmente um metamorfose,  ou seja, uma pausa necessária para uma nova vida. Mas, entendo e compreendo a dor da perda e da saudades daqueles que acreditam nessa morte. Como disse é só uma mudança de plano, de corpo, de matéria. Eles voltaram para a verdadeira vida, a espiritual. E um dia estaremos reunidos com aqueles que temos afinidades e afeições. A morte não separa os que se amam verdadeiramente. Então  para esses quero que recebam meu carinho e sintam abraçados por mim neste momento. Roberta Carrilho 

Foto by Sebastião Salgado

O dia dos mortos, dois de novembro, é sempre ocasião para pensarmos na morte. Trata-se de um tema existencial. Não se pode falar da morte de uma maneira exterior a nós mesmos, porque todos nós somos acompanhados por esta realidade que, segundo Freud, é a mais difícil de ser digerida pelo aparelho psíquico humano. Especialmente nossa cultura procura afastá-la, o mais possível, do horizonte pois ela nega todo seu projeto assentado sobre a vida material e seu desfrute etsi mors non daretur, como se ela não existisse.
No entanto, o sentido que damos à morte é o sentido que nós damos à vida. Se decidimos que a vida se resume entre o nascimento e a morte e esta detém a última palavra, então a morte ganha um sentido, diria, trágico, porque com ela tudo termina no pó cósmico. Mas se interpretarmos a morte como uma invenção da vida, como parte da vida, então não a morte mas a vida constitui a grande interrogação.
Em termos evolutivos, sabemos que, atingido certo grau elevado de complexidade, ela irrompe como um imperativo cósmico, no dizer do prêmio Nobel de biologia Christian de Duve que escreveu uma das mais brilhantes biografias da vida sob o título 'Poeira Vital'  (1984). Mas ele mesmo assevera: podemos descrever as condições de seu surgimento, mas não podemos definir o que ela seja.
Na minha percepção, a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte. Transformamo-nos pela morte, pois ela representa a porta de ingresso ao mundo que não conhece a morte, onde não há o tempo mas só a eternidade.
Consintam-me testemunhar duas experiências pessoais de morte, bem diversas da visão dramática que a nossa cultura nos legou. Venho da cultura espiritual franciscana. Nos meus quase 30 anos de frade, pude vivenciar a morte como São Francisco a vivenciou.
A primeira experiência era aquela que, como frades, fazíamos toda sexta feira, às 19:30 da noite: “o exercício da boa morte”. Deitava-se na cama com hábito e tudo. Cada um se colocava diante de Deus e fazia um balanço de toda a sua vida, regredindo até onde a memória pudesse alcançar. Colocávamos tudo, à luz de Deus e aí, tranqüilamente, refletíamos sobre o porquê da vida e o porquê dos zigue-sagues deste mundo. No final, alguém recitava em voz alta no corredor o famoso salmo 50 do Miserere no qual o rei Davi suplicava o perdão a Deus de seus pecados. E também se proclamavam as consoladoras palavras da epístola de São João:“Se o teu coração te acusa, saiba que Deus é maior do que o teu coração”.
Éramos, assim, educados para uma entrega total, um encontro face a face com a morte diante de Deus. Era um entregar-se confiante, como quem se sabe na palma da mão de Deus. Depois, íamos alegremente para a recreação, tomar algum refresco, jogar xadrez ou simplesmente conversar. Esse exercício tinha como efeito um sentimento de grande libertação. A morte era vista como a irmã que nos abria a porta para a Casa do Pai.
A outra experiência diz respeito ao dia da morte e do sepultamento de algum confrade. Quando morria alguém, fazia-se festa no convento, com recreação à noite com comes e bebes. O mesmo ocorria depois de seu sepultamento. Todos se reuniam e celebravam a passagem, a páscoa e o natal, o vere dies natalis (o verdadeiro dia do nascimento) do falecido. Pensava-se: ele na vida foi, aos poucos, nascendo e nascendo até acabar de nascer em Deus. Por isso havia festa no céu e na terra. Esse rito é sagrado e celebrado em todos os conventos franciscanos.
O frade que deixou esse mundo, entrava na comunhão dos santos, está vivo, não é um ausente, apenas um invisível. Há celebração mais digna da morte do que esta inventada por São Francisco de Assis que chamava a todos os seres de irmãos e irmãs e também a morte de irmã?
A percepção da morte é outra. As pessoas são induzidas a conviver com a morte, não como uma bruxa que vem e arrebata a vida, mas como a irmã que vem abrir a porta para um nível mais alto de vida em Deus.
Cada cultura tem a sua interpretação da morte. Estive há tempos entre os Mapuches, no sul da Patagônia argentina, falando com os lomkos, os sábios da tribo. Eles têm bem outra compreensão da morte. A morte significa passar para o outro lado, para o lado onde estão os anciãos. Não é abandonar a vida, é deixar seu lado visível para entrar no lado invisível e conviver com os anciãos. De lá acompanham as famílias, os entes queridos e outros próximos, iluminando-os. A morte não tem nenhuma dramaticidade. Ela pertence à vida, é o seu outro lado.
Poderíamos passar por várias outras culturas para conhecer-lhes o sentido da vida e da morte. Mas fiquemos no nosso tempo moderno. Há um filósofo que trabalhou positivamente o tema da morte: Martin Heidegger. Em sua analítica existencial afirma que a condição humana, em grau zero, é a de que somos um ser no mundo, este não como lugar geográfico, mas como o conjunto das relações que nos permitem produzir e reproduzir a vida.
A condition humaine é estar no mundo com os outros, cheios de cuidados e abertos para a morte. A morte é vista não como uma tragédia e sim como a derradeira expressão da liberdade humana, enquanto o último ato de entrega. Essa entrega sem resto abre a possibilidade para um mergulho total na realidade e no Ser. É uma espécie de volta ao seio de onde viemos como entes mas que buscam o Ser.
E finalmente, ao morrer, somos acolhidos pelo Ser. E aí já não falamos porque não precisamos mais de palavras. É o puro viver pela alegria de viver e de ser no Ser.
Para o homem religioso, este Ser não é outro senão o Supremo Ser, o Deus vivo que nós dá a plenitude da vida.


Leonardo Boff 

escreveu Vida para além da morte, Vozes 2012.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013