quinta-feira, 24 de outubro de 2013

CHORO DE MULHER

Um pouquinho de afago para todas nós mulheres, 
mães e principalmente seres humanos. 
Dignas de respeito e amor.
Roberta Carrilho




"Um garotinho perguntou à sua mãe: 
- Mamãe, por que você está chorando? 

E ela respondeu: Porque sou mulher...
- Mas... eu não entendo.

A mãe se inclinou para ele, abraçou-o e disse: 
- Meu amor, você jamais irá entender!...

Mais tarde o menininho perguntou ao pai:
- Papai, por que mamãe às vezes chora, sem motivo?

O homem respondeu: 
- Todas as mulheres sempre choram sem nenhum motivo.... Era tudo o que o pai era capaz de responder.

O garotinho cresceu e se tornou um homem.

E, de vez em quando, fazia a mesma pergunta:
- Por que será que as mulheres choram, sem ter motivo para isso?

Certo dia esse homem se ajoelhou e perguntou a Deus:

-Senhor, diga-me... Por que as mulheres choram com tanta facilidade

E Deus lhe disse: 
- Quando eu criei a mulher, tinha de fazer algo muito especial. Fiz seus ombros suficientemente fortes, capazes de suportar o peso do mundo inteiro. Porém suficientemente suaves para confortá-lo!


- Dei a ela uma imensa força interior, para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes provém de seus próprios filhos! 

- Dei-lhe a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar da sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outros entregam os pontos!

- Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito ... Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza, choro ou sofrimento da criança, e compartilhar as ansiedades, dúvidas e medos da adolescência!

Porém, para que possa suportar tudo isso, meu filho... Eu lhe dei as lágrimas, e são exclusivamente suas, para usá-las quando precisar. 

Ao derramá-las, a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor. Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade!

O homem respondeu com um profundo suspiro... 
- Agora eu compreendo o sentimento de minha mãe, de minha irmã, de minha esposa...

- Obrigado, Meu Deus, por teres criado a mulher."

"Autoria desconhecida"



EU PIREI NESTE PROJETO: Restautant e Bar em Pitt Street, Sydney - Austrália por Orlane Santos

Eu também gostei muito da criatividade, cores, bom gosto!
Muito bacana este projeto!
Roberta Carrilho



Méjico Restaurant & Bar em Pitt Street, Sydney – Austrália



Eu pirei nesse projeto…bárbaro, criativo e cheio de vida, tudo que eu amo e que representa um belo trabalho. Um escritório de Arquitetura de Sidney – Austrália chamado Juicy Design o desenvolveu em perfeita harmônia com a nossa atualidade, uma cultura representada de maneira audaciosa, simples e glamourosa nos detalhes. Enérgico e vivo ao começar pela autenticidade do nome…Méjico Restaurant, perfeito na escolha.


Criar um espaço que reflete a cultura, sem cair no óbvio tornou o projeto único. Ousadia nos desenhos gráficos pintados à mão no piso e nas paredes, muito criativo. Comida servida como guacamole, limão, pimentão e milho assado e tudo mais que se pode achar em um restaurante mexicano, seja para a tequila ou para algo mais parece se encaixar maravilhosamente bem. Na decoração assentos mais tradicionais e outros ousados como a banqueta colorida que se mescla com materiais brutos como o bloco de cimento e cadeiras leves e modernas, perfeita harmonia.

Vale conferir, as imagens falam melhor do que as palavras...

Detalhe do bloco de cimento em contraste com o banco de madeira com pintura pink, show.

Grafismo ousado com cores fortes inerentes a cultura Mexicana.

Elementos vazados enriquecem o ambiente.

Colorido e glamouroso.

Pirei nessa imagem.

Detalhes sofisticados e cheios de história.

Grafismo pintado à mão no piso.

O bar, para comidas rápidas e para aqueles que só foram pela tequila 
Olha as bananas, limão e pimentas…que delícia.

Hummm dá vontade de ir visitar para provar, rsrs


Segue o link do Restaurante e bar abaixo para quem quiser saber mais!!! mejico.com.au


Fonte: 

Home » a r c h i t e c t u r e » Eu pirei nesse projeto Restaurant & Bar em Pitt Street, Sydney – Australia - Publicado Por Orlane Santos em 19 out, 2013 | 




quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CÓDIGO DE HONRA DA MULHER CELTA - Jamais permitas...




Jamais permitas que algum homem a escravize, nasceste livre para amar e não para ser escrava.

Jamais permitas que teu coração sofra em nome do amor. Amar é um ato de felicidade, por que sofrer?


Jamais permitas que teus olhos derramem lágrimas por alguém que jamais fará você sorrir!


Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado. O corpo é moradia do espírito, por que mantê-lo aprisionado?


Jamais te permitas ficar horas esperando por alguém que jamais virá, mesmo tendo prometido.


Jamais permitas que teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu sequer sabes!


Jamais permitas que teu tempo, corpo e coração seja desperdiçado por alguém que nunca terá tempo para ti.


Jamais permitas ouvir gritos em teu ouvido. O Amor é o único que pode falar mais alto!


Jamais permitas que paixões desenfreadas te transportem de um mundo real para outro que nunca existiu.


Jamais permitas que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo.


Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente.


Jamais permitas que teu útero gere um filho que nunca terá um pai.


Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tu tivesses nascido inválida.


Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar os brilho de teus olhos a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti.


E, sobretudo, jamais permita-se perder a dignidade de ser mulher!"



Código de honra da mulher Celta


P.S. Este código é milenar sem autoria conhecida


PRECONCEITO CONTRA BOLSA FAMÍLIA É FRUTO DA IMENSA CULTURA DO DESPREZO AOS POBRES, DIZ PESQUISADORA DA UNICAMP


O Programa Bolsa Família fez 10 anos no domingo, dia 20. Quando foi lançado, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, atendia 3,6 milhões de famílias, com cerca de R$ 74 mensais, em média. Hoje se estende a 13,8 milhões de famílias e o valor médio do benefício é de R$ 152. No conjunto, beneficia cerca de 50 milhões de brasileiros e é considerado barato por especialistas: custa menos de 0,5% do PIB.

Para avaliar os impactos desse programa a socióloga Walquiria Leão Rego e o filósofo italiano Alessandro Pinzani realizaram um exaustivo trabalho de pesquisa, que se estendeu de 2006 a 2011. Ouviram mais de 150 mulheres beneficiadas pelo programa, localizadas em lugares remotos e frequentemente esquecidos, como o Vale do Jequitinhonha, no interior de Minas.

O resultado da pesquisa está no livro Vozes do Bolsa Família, lançado há pouco. Segundo as conclusões de seus autores, o incômodo e as manifestações contrárias que o programa desperta em alguns setores não têm razões objetivas. Seria resultado do preconceito e de uma cultura de desprezo pelos mais pobres.

Os pesquisadores também rebatem a ideia de que o benefício acomoda as pessoas. “O ser humano é desejante. Eles querem mais da vida como qualquer pessoa”, diz Walquiria, que é professora de Teoria da Cidadania na Unicamp.

Na entrevista abaixo – concedida à repórter Isadora Peron – ela fala desta e de outras conclusões do trabalho.

Como surgiu a ideia da pesquisa?

Quando vimos a dimensão que o programa estava tomando, atendendo milhões de famílias, percebemos que teria impacto na sociedade. Nosso objetivo foi avaliar esse impacto. Uma vez que o programa determina que a titularidade do benefício cabe às mulheres, era preciso conhecê-las. Então resolvemos ouvir mulheres muito pobres, que continuam muito pobres, em regiões tradicionalmente desassistidas pelo Estado, como o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, o interior do Maranhão, do Piauí…



E quais foram os impactos que perceberam?

Toda a sociologia do dinheiro mostra que sempre houve muita resistência, inclusive das associações de caridade, em dar dinheiro aos pobres. É mais ou menos aquele discurso: “Eles não sabem gastar, vão comprar bobagem.” Então é melhor que nós, os esclarecidos, façamos uma cesta básica, onde vamos colocar a quantidade certa de proteínas, de carboidratos… Essa resistência em dar dinheiro ao pobres acontecia porque as autoridades intuíam que o dinheiro proporcionaria uma experiência de maior liberdade pessoal. Nós pudemos constatar na prática, a partir das falas das mulheres. Uma ou duas delas até usaram a palavra liberdade. “Eu acho que o Bolsa Família me deu mais liberdade”, disseram. E isso é tão óbvio. Quando você dá uma cesta básica, ou um vale, como gostavam de fazer as instituições de caridade do século 19, você está determinando o que as pessoas vão comer. Não dá chance de pessoas experimentarem coisas. Nenhuma autonomia.

Está dizendo que essas pessoas ganharam liberdade?

Estamos tratando de pessoas muito pobres, muito destituídas, secularmente abandonadas pelo Estado. Quando falamos em mais autonomia, liberdade, independência, estamos nos referindo à situação anterior delas, que era de passar fome. O que significa dizer de uma pessoa que está na linha extrema de pobreza e que continua pobre ganhou mais liberdade? Significa que ganhou espaços maiores de liberdade ao receber o benefício em dinheiro. É muito forte dizer que ganhou independência financeira. Independência financeira temos nós – e olhe lá.

O que essa liberdade significou na prática, no cotidiano das pessoas?

Proporcionou a possibilidade de escolher. Essa gente não conhecia essa experiência. Escolher é um dos fundamentos de qualquer sociedade democrática. Que escolhas elas fazem? Elas descobriram, por exemplo, que podem substituir arroz por macarrão. No Nordeste, em 2006 e 2007, estava na moda o macarrão de pacote. Antes, havia macarrão vendido avulso. O empacotamento dava um outro caráter para o macarrão. Mais valor. Elas puderam experimentar outros sabores, descobriram a salsicha, o iogurte. E aprenderam a fazer cálculos. Uma delas me disse: “Ixe, no começo, gastei tudo na primeira semana”. Depois aprendeu que não podia gastar tudo de uma vez.

A que atribui a resistência de determinados setores da sociedade ao pagamento do benefício?

O Bolsa Família é um programa barato, mas como incomoda a classe média (ela ri). Esse incômodo vem do preconceito.

Fala-se que acomoda os pobres.

Como acomoda? O ser humano é desejante. Eles querem mais da vida, como qualquer pessoa. Quem diz isso falsifica a história. Não há acomodação alguma. Os maridos dessas mulheres normalmente estavam desempregados. Ao perguntar a um deles quando tinha sido a última vez que tinha trabalhado, ele respondeu: “Faz uns dois meses, eu colhi feijão”. Perguntei quanto ele ganhava colhendo feijão. Disse que dependia, que às vezes ganhava 20, 15, 10 reais. Fizemos as contas e vimos que ganhava menos num mês do que o Bolsa Família pagava. Por que ele tem que se sujeitar a isso, praticamente à semiescravidão? Esses estereótipos tem que ser desfeitos no Brasil, para que se tenha uma sociedade mais solidária, mais democrática. É preciso desfazer essa imensa cultura do desprezo aos pobres.

No livro a senhora diz que essas mulheres veem o benefício como um favor do governo.

Sim, de 70% a 80% ainda veem o Bolsa Família como um favor. Encontramos poucas mulheres que achavam que é um direito. Isso se explica porque temos uma jovem democracia. A cultura dos direitos chegou muito tarde ao Brasil. Imagino que daqui para a frente a ideia de que elas têm direito vai ser mais reforçada. Para isso precisamos, porém, de políticas públicas específicas. Seriam um segundo, um terceiro passo… Os desafios a partir de agora são muito grandes.



Qual é a sua avaliação geral do programa?

Acho que o Bolsa Família foi uma das coisas mais importantes que aconteceram no Brasil nos últimos anos. Tornou visíveis cerca de 50 milhões de pessoas, tornou-os mais cidadãos. Essa talvez seja a maior conquista.

Entre as mulheres que ouviu, alguma foi mais marcante para a senhora?

Uma das mais marcantes foi uma jovem no sertão do Piauí. Ela me disse: “Essa foi a primeira vez que a minha pessoa foi enxergada”. Tinha uma outra, do Vale do Jequitinhonha, que morava num casebre, sozinha com três filhos. Quando começou a contar a história dela, perguntei qual era a sua idade, porque parecia que já tinha vivido muita coisa. Ela respondeu: “29 anos”. E eu: “Mas só 29?” Ela: “Mas, dona, a minha vida é comprida, muito comprida.” Percebi que falar que “a minha vida é muito comprida” é quase sinônimo de “é muito sofrida”.

Isadora Peron
O Estadão

Fonte:

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

ORAÇÃO AO HOMEM PÚBLICO - de Wiliam de Oliveira


foto by Sebastião Salgado

Dedico a todos aqueles homens e mulheres 
que já nos representam ou desejam
 nos representar nas eleições vindouras. 
Assim Seja!!!
Roberta Carrilho




Que todo homem público saiba honrar sua função na compreensão de que o poder é passageiro e fugaz, mas que uma única atitude sua pode ser permanente e prejudicar milhares ou milhões de pessoas por dezenas ou centenas de anos;

Que todo homem público possa discernir a diferença entre o poder da comunicação e a comunicação do poder para que a humildade seja sempre sua bussola orientando o norte a seguir;

Que todo homem público carregue em seus olhos, as lágrimas das pessoas mais simples, das vidas mais simples, para que a sua visão não se embace pelas névoas da vaidade e o sorriso enganador da fama;

Que todo homem público não se vanglorie nas vitórias, não se encante com as glórias, nem se perturbe pelo esquecimento, no entendimento de que nenhuma placa de homenagem ou discurso de reconhecimento pode substituir a alegria da missão cumprida;

Que todo homem público não seja apenas o gerúndio da intenção, mas o imperativo da ação no comprometimento com as necessidades prioritárias notadamente dos que mais dependem das ações públicas;

Que todo homem público ao tomar suas decisões tenha a inteligência que lhe possibilita a razão, sem olvidar da sensibilidade que antecede a tudo o que permeia o humano;

Que todo homem público não use a retórica para alcançar a subserviência do outro, não se comprometa com o que não possa cumprir, perceba a transparência como um dever e a dignidade como direito de todos;

Que todo homem público, enfim, tenha espelhado na mesa de seu gabinete, o pó das ruas sem asfalto, o sangue dos bairros sem saúde, o quadro negro das crianças sem escola, para que a sua caneta carregue sempre as tintas da integridade e da luta contra as injustiças sociais.

Assim seja!!



domingo, 20 de outubro de 2013

NAMORE UM CARA QUE LÊ



Baseado no "Namore uma garota que lê", texto escrito pela Rosemary Urquico e traduzido e adaptado para o português por Gabriela Ventura. 

"Namore um cara que se orgulha da biblioteca que tem, ao invés do carro, das roupas ou do penteado. Ele também tem essas coisas, mas sabe que não é isso que vai torná-lo interessante aos seus olhos. Namore um cara que tenha uma pilha de três ou quatro livros na cabeceira e que lembre do nome da professora que o ensinou as primeiras letras.

Encontre um cara que lê. Não é difícil descobrir: ele é aquele que tem a fala mansa e os olhos inquietos. Ele é aquele que pede, toda vez que vocês saem para passear, para entrar rapidinho na livraria, só para olhar um pouco. Sabe aquele que às vezes fica calado porque sabe que as palavras são importantes demais para serem desperdiçadas? Esse é o que lê.

Ele é o cara que não tem medo de se sentar sozinho num café, num bar, num restaurante. Mas, se você olhar bem, ele não está sozinho: tem sempre um livro por perto, nem que seja só no pensamento. O rosto pode ser sério, mas ele não morde, não. Sente-se na mesa ao lado, estique o olho para enxergar a capa, sorria de leve. É bem fácil saber sobre o quê conversar.

Diga algo sobre o Nobel do Vargas Llosa. Fale sobre sobre as novas traduções que andam saindo por aí. Cuidado: certos best-sellers são assunto proibido. Peça uma dica. Pergunte o que ele está lendo –e tenha paciência para escutar, a resposta nunca é assim tão fácil.

Namore um cara que lê, ele vai entender um pouco melhor seu universo, porque já leu Simone, Clarice e –talvez não admita– sabe de memória uns trechos de Jane Austen. Seja você mesma, você mesmíssima, porque ele sabe que são as complicações, os poréns que fazem uma grande heroína. Um cara que lê enxerga em você todas as personagens de todos os romances.

Um cara que lê não tem pressa, sabe que as pessoas aprendem com os anos, que qualquer um dos grandes tem parágrafos ruins, que o Saramago começou já velho, que o Calvino melhorou a cada romance, que o Borges pode soar sem sentido e que os russos precisam de paciência.

Um namorado que lê gosta de muita coisa, mas, na dúvida, é fácil presenteá-lo: livro no aniversário, livro no Natal, livro na Páscoa. E livro no Dia das Crianças, por que não? Um cara que lê nunca abandonará uma pontinha de vontade de ser Mogli, o menino lobo.

E você também ganhará um ou outro livro de presente. No seu aniversário ou no Dia dos Namorados ou numa terça-feira qualquer. E já fique sabendo que o mais importante não é bem o livro, mas o que ele quis dizer quando escolheu justo esse. Um cara que lê não dá um livro por acaso. E escreve dedicatórias, sempre.

Entenda que ele precisa de um tempo sozinho, mas não é porque quer fugir de você. Invariavelmente, ele vai voltar –com o coração aquecido– para o seu lado.

Demonstre seu amor em palavras, palavras escritas, falas pausadas, discursos inflamados. Ou em silêncios cheios de significados; nem todo silêncio é vazio.

Ele vai se dedicar a transformar sua vida numa história. Deixará post-its com trechos de Tagore no espelho, mandará parágrafos de Saint-Exupéry por SMS. Você poderá, se chegar de mansinho, ouví-lo lendo Neruda baixinho no quarto ao lado. 

Quem sabe ele recite alguma coisa, meio envergonhado, nos dias especiais. Um cara que lê vai contar aos seus filhos a História Sem Fim e esconder a mão na manga do pijama para imitar o Capitão Gancho.

Namore um cara que lê porque você merece. Merece um cara que coloque na sua vida aquela beleza singela dos grandes poemas. Se quiser uma companhia superficial, uma coisinha só para quebrar o galho por enquanto, então talvez ele não seja o melhor. Mas se quiser aquela parte do “e eles viveram felizes para sempre”, namore um cara que lê"


sábado, 19 de outubro de 2013

100 ANOS DE VINICIUS DE MORAES (19/10/13) - HOMENAGEM COMPLETA COM + 100 FOTOS, VÍDEOS, DOCUMENTOS, ÁUDIOS, ETC




O centenário do nascimento de Vinicius de Moraes é lembrado neste sábado (19). O poeta carioca nasceu no dia 19 de outubro, e morreu em 9 de julho de 1980, no Rio. Vinicius estudou Direito e lançou seu primeiro livro de poemas, "O caminho para a distância", nos anos 30. Em 1938, foi estudar língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford. Ainda na Inglaterra, casou-se com Beatriz Azevedo de Melo. Voltou ao Brasil em 1939, devido ao início da Segunda Guerra Mundial. Já era reconhecido como poeta.
Em 1943, virou diplomata, e, três anos depois, foi para Los Angeles, nos EUA, como vice-cônsul. Serviu também em Paris, na França, e em Montevidéu, no Uruguai. Durante esse tempo, publicou várias obras e casou-se mais três vezes. No início dos anos 60, começou a compor em parceria com Carlos Lyra, Pixinguinha e Baden Powell. Também fez shows ao lado de Antônio Carlos Jobim e João Gilberto.

Em 1969, Vinicius foi exonerado do Ministério das Relações Exteriores pelo regime militar e se casou com Cristina Gurjão. No ano seguinte, casou-se com a atriz bahiana Gesse Gessy e iniciou sua parceria com Toquinho, com quem excursionou pelo Brasil e pela Europa. Durante a década de 70, fez vários shows e casou-se ainda mais duas vezes. Em 1979, sofreu um derrame, mas morreu no ano seguinte, aos 67 anos, de edema pulmonar, em sua casa, na companhia de Toquinho e da última mulher, Gilda Queirós Mattoso.
Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Toquinho e Miucha 
RTSI Televisione Svizzera (Show Completo Concert)





Uma entre muitas canções que mais gosto: Luz dos Olhos teus
 de Vinicis, Tom, Miucha, etc... 
I love too



FOTOS:



1910 - 1920







1920 - 1930







1930 - 1940









1940 - 1950


























1950 - 1960




















1950 - 1960



































































1960 - 1970









































1970 - 1980









































1980












DOCUMENTOS:


STELLAS - 1928



LOURA OU MORENA


29-01-1963



A MULHER QUE PASSA



DEDICATÓRIA



BOMBA ATÔMICA

CADERNO DE GUERRA



CARTA A MANUEL BANDEIRA




CARTA PARA PABLO NERUDA



CHEGA DE SAUDADE



GAROTA DE IPANEMA



HINO DA UNE






VIDEOS:








Termos ligados ao romantismo ("amor", "amar") e à dor causada pelo sentimento não correspondido ("chorar", "morrer", "sofrer"), referências à figura feminina ("mulher", "Maria", "Rosa") e predominância da primeira pessoa ("eu", "meu", "minha") estão entre os mais comuns. Na figura, as palavras mais usadas aparecem em tamanho proporcionalmente maior.

Outro termo comum mostra a parte do corpo mais citada pelo poeta em suas principais músicas: os olhos.

A figura foi formada a partir das 30 letras de músicas e poesias mais populares de Vinicius de Moraes no site Musica.com.br. "Garota de Ipanema", sua música mais conhecida, com Tom Jobim, é a mais buscada no site. Também fazem parte da "nuvem" as letras de "Pela luz dos olhos teus", "Aquarela" e o texto do "Soneto da fidelidade".











AÚDIO

“Vinicius – Poesia, música e paixão” é o mais completo documentário feito sobre Vinicius de Moraes. Foi produzido pela Rádio Cultura AM em 1993, por ocasião dos 80 anos do poeta e compositor, e volta a ficar acessível ao público duas décadas depois, para marcar o centenário (em 19 de outubro de 2013) de um dos mais importantes artistas brasileiros. O documentário vai ao ar numa parceria da Rádio Batuta (www.radiobatuta.com.br) com a Rádio Cultura Brasil (www.culturabrasil.com.br) e a VM Cultural, que representa a família de Vinicius. A série de 32 programas, cada um com quase uma hora de duração, tem roteiro, entrevistas e apresentação do jornalista João Máximo, um dos maiores conhecedores da história da música brasileira e biógrafo de Noel Rosa. Georgiana de Moraes, filha de Vinicius, participou da produção e das entrevistas. Há depoimentos de Tom Jobim, Chico Buarque, Baden Powell, Carlos Lyra, Edu Lobo, Francis Hime, Toquinho e vários outros artistas, além de irmãos do poeta e três das nove mulheres com quem ele se casou.







O TRAILER DE UMA VIDA

O primeiro programa é mesmo um trailer, em que João Máximo antecipa o que será a série. São fragmentos das entrevistas feitas com as ex-mulheres e com os parceiros musicas de Vinicius, inclusive Haroldo Tapajós, o primeiro da lista. Também se pode ouvir o poeta lendo dois de seus sonetos e, numa gravação, Carlos Drummond de Andrade exaltando o amigo. É o primeiro passo para se entrar nessa grande narrativa de uma vida.

AUTORRETRATO

João Máximo reúne neste programa informações sobre quem foi Vinicius, a começar pelas que o próprio deu, como num texto escrito em 1956 a pedido de João Condé, o criador dos “Arquivos implacáveis” – coluna na revista O Cruzeiro e atração na TV Tupi. “As coisas de que mais gosto: mulher, mulher e mulher”, afirmou, então. A diferença entre poesia e letra de música é o outro tema do episódio. Há depoimentos de Chico Buarque, Ferreira Gullar, Geraldo Carneiro e Tom Jobim, entre outros. Pode-se ouvir Vinicius recitar Soneto de separação e, em seguida, Tom cantar a versão musicada. Gravações de João Cabral de Melo Neto e Otto Lara Resende, além de um soneto escrito por Pablo Neruda para o amigo, também estão no programa.

NOSSO IRMÃO VINICIUS

A infância e a adolescência do poeta são contadas no programa por três irmãos de Vinicius: Lygia, Helius e Laetitia. A relação com os pais, as casas do Rio em que cresceu, os primeiros namoros e a perda da virgindade aparecem também nos poemas e nas canções selecionados por João Máximo.

O POETA E A LUA

Este programa mostra a presença das modinhas, das serestas na vida de Vinicius, desde a infância até os tempos de compositor consagrado. Sozinho ou com os seus parceiros (Baden Powell, Francis Hime, Jards Macalé e outros), ele criou várias canções à antiga, evocando a lua e outras típicas imagens seresteiras. Contendo músicas que se tornaram célebres, como Serenata do adeus, o episódio se encerra com Modinha, a villa-lobiana parceria com Tom Jobim, interpretada pelo próprio melodista.

O SENTIMENTO DO SUBLIME E A SAUDADE DO COTIDIANO

Os primeiros passos na poesia e na música são retratados minuciosamente no programa, cujo título combina nomes de dois volumes publicados por Vinicius reunindo livros anteriores. Ouve-se o próprio autor recitando versos que escreveu aos 6 anos, já para uma menina, e também a sua famosa Poética. Canções como Sem você (com Sylvia Telles), Canta, canta (com Tom Jobim), Canção do amanhecer (com Edu Lobo) e Por toda a minha vida (com Elis Regina) estão no repertório. A faculdade de Direito, a paixão pelo cinema e a atuação como censor cinematográfico também são abordados.

UM BARDO DA GÁVEA NA TERRA DE SHAKESPEARE

Vinicius ganhou uma bolsa para estudar em Oxford. Não chegou a ser feliz na universidade, mas se deslumbrou com os escritores britânicos e, sobretudo, com os sonetos de Shakeapeare. Ele se tornaria um dos mais importantes sonetistas brasileiros. Também na década de 1930, casou-se pela primeira vez. Beatriz, mais conhecida como Tati, lhe deu dois filhos, muitos anos de amor e novos pensamentos políticos, levando o poeta para a esquerda. O programa ainda aborda sua grande amizade com Jayme Ovalle, músico e figura marcante.

HOLLYWOOD E TODO AQUELE JAZZ

Vinicius passou no concurso do Itamaraty. Primeiro posto: Los Angeles. Ele se deliciou com o melhor da cultura norte-americana, conhecendo gigantes do jazz como Louis Armstrong e atuando como crítico de cinema, tendo acesso imediato às estreias de Hollywood (e sonhando com as estrelas das telas, Vivien Leigh, Marlene Dietrich e muitas outras). Também tornou-se frequentador da casa de Carmen Miranda. Ao voltar para o Brasil, estava fortemente influenciado pela experiência americana.

NOSSO HOMEM EM PARIS

Vinicius sofreu em Los Angeles a morte do pai, Clodoaldo, e o estremecimento do casamento com Tati. Em 1953, mudou-se para Paris casado com Lila Bôscoli, com quem teve mais dois filhos. Foram apresentados assim por Rubem Braga: “Vinicius de Moraes. Lila Bôscoli. E seja o que Deus que quiser”. Durou oito anos a relação. Na capital francesa, começou a nascer Orfeu da Conceição. Também é lembrada no episódio a amizade com Antonio Maria. O programa apresenta ainda uma versão deO operário em construção (poema escrito por Vinicius em 1956 e transformado em cantata por Radamés Gnattali) que era inédita em 1993, quando João Máximo realizou este grande documentário.

ORFEU SOBE O MORRO

A valsa que Vinicius compôs para os 15 anos de sua primogênita, Susana, virou aValsa de Eurídice, introdução de Orfeu da Conceição, a peça do poeta que se tornaria um divisor de águas em sua vida musical. Foi para compor com ele a trilha de Orfeuque, em 1956, por sugestão do jornalista Lúcio Rangel ("por que você não experimenta aquele cara ali?", indicou no bar Villarino, no Rio), Vinicius convidou o jovem Antonio Carlos Jobim, a quem conhecera três anos antes (na foto, Vinicius fala com sua mulher, Lila Bôscoli, entre Tom e Oscar Niemeyer, autor do cenário do espetáculo). Este programa conta, nas vozes de Tom e Vinicius, o início dessa parceria, além de mostrar outras canções importantes dos dois nos anos 1950, comoPoema dos olhos da amada (Paulo Soledade/Vinicius) e Se é por falta de adeus(Tom/Dolores Duran).

ORFEU SOBE AO PALCO

No segundo capítulo do documentário dedicado a Orfeu da Conceição, João Máximo, que viu a estreia do espetáculo em setembro de 1956 no Teatro Municipal do Rio, conta o impacto que teve sobre o público a peça de Vinicius de Moraes, com melodias de Tom Jobim, violão de Luiz Bonfá, cenário de Oscar Niemeyer e elenco todo negro (com o ator e pesquisador Haroldo Costa como Orfeu e o cantor Cyro Monteiro no papel de Apolo). As músicas feitas para a peça, como Se todos fossem iguais a você, são tocadas no episódio, mais um da parceria da Batuta com a Rádio Cultura.








    CANÇÃO DO AMOR DEMAIS

    Ao voltar ao Brasil após anos como diplomata no exterior, Vinicius ouviu, nas proximidades do porto de Santos, Canção de amor numa voz que ainda não conhecia. Era a de Elizeth Cardoso, para sempre associada pelo poeta àquele momento emocionante. Em 1958, ele teve a felicidade de ver Elizeth, a quem apelidou de Divina, gravando um disco apenas com músicas suas e de Tom Jobim:Canção do amor demais. O registro tornou-se histórico por também contar com o violão de João Gilberto em duas faixas, dando a partida na bossa nova. Do disco, podem ser ouvidas neste programa Janelas abertasModinha, Estrada branca, Medo de amar, Eu não existo sem você e, claro, Chega de saudade, dentre outras.

    POR TODA A MINHA VIDA

    Entre 1956 e 1959, Tom Jobim e Vinicius de Moraes trabalharam intensamente juntos, compondo dezenas de músicas. João Gilberto teve nelas matéria-prima fundamental para criar a bossa nova. Neste programa, ouve-se o João de voz empostada, do início dos anos 1950, e o João do final da mesma década, o de Brigas nunca mais, da dupla Tom/Vinicius. Depois de Canção do amor demais, um segundo disco dedicado à parceria seria feito, Por toda a minha vida. Como Elizeth Cardoso, Sylvia Telles e Maysa não foram liberadas por suas gravadoras, o selo Festa escolheu Lenita Bruno, mulher de Leo Peracchi, arranjador das 13 faixas. O bel-canto de Lenina não se casou perfeitamente com as músicas, mas ela teve o privilégio de lançar Eu sei que vou te amar. Também neste programa, pode-se ouvir Vinicius recitando o seu Balada da moça do Miramar.

    EM TEMPO DE BOSSA NOVA

    Vinicius de Moraes formou a trinca geradora da bossa nova com Tom Jobim e João Gilberto. Ao lado de Tom, fez as principais canções que viraram de cabeça para baixo a maneira de compor sambas (e outras bossas) no país: Chega de saudadeAmor em pazInsensatezEla é carioca etc. João, com sua voz e seu violão coesos e sem iguais, foi o intérprete que as consagrou como peças revolucionárias. Neste programa, João Máximo conta as origens desse som que todo mundo sabe o que é, mas ninguém, nem mesmo seus protagonistas, sabe definir: gênero? estilo? batida? Só é denominador comum que foi algo erguido por João, Tom e Vinicius. Ouvem-se aqui depoimentos dos dois últimos e também de Carlos Lyra, Chico Buarque e outros. E ouvem-se muitas canções, como as citadas e até "samboleros", nome dado pejorativamente às canções de fossa a que a bossa nova veio se contrapor.

    UMA GAROTA DE IPANEMA CORRE O MUNDO

    A internacionalização da bossa nova e de Vinicius passa por Orfeu negro (o filme de Marcel Camus feito a partir da peça Orfeu da Conceição), as primeiras gravações e apresentações nos EUA e, sobretudo, por Garota de Ipanema. A canção de Tom Jobim e Vinicius foi lançada no histórico show de 1962 na boate Au Bon Gourmet, em Copacabana, e este registro original, raro e nunca comercialmente lançado, pode ser ouvido aqui, inclusive com a introdução dividida entre João Gilberto e os dois autores. Neste episódio, João Máximo traça um panorama desse voo planetário, recorda as aversões que a bossa nova enfrentou no próprio Brasil e também fala de Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, o salto na consolidação do brasileiro como um dos maiores compositores do mundo. A versão de Sinatra para Garota de Ipanema(acompanhado de Tom) encerra o programa.

    AMIGO NOVO, PARCEIRO NOVO

    Para Vinicius, parceria musical era como casamento, só que sem sexo. Enquanto Tom Jobim iniciava sua carreira internacional, Vinicius conheceu Baden Powell e compôs com ele canções que se tornaram clássicas, como Consolação e Amei tanto, ouvidas aqui nas vozes de Nara Leão e Clara Nunes, respectivamente. Além doSamba do benção, lançado por Vinicius no famoso show "O encontro". O poeta dizia que Tom, Baden e Carlos Lyra eram a sua santíssima trindade. João Máximo mostra que Baden (entrevistado no programa) fez boa parte de sua obra com Vinicius durante os três primeiros meses de amizade, período em que eles consumiram 20 caixas de uísque, ou seja, 240 garrafas.

    AMIGO NOVO, PARCEIRO NOVO - 2ª PARTE

    Continuando a tratar da parceria de Vinicius com Baden Powell, João Máximo reúne no programa saborosas histórias, como a do surgimento do samba Pra que chorar?, feito na Clínica São Vicente, no Rio, durante um suposto período de desintoxicação do poeta. A dupla bebia uísque às escondidas e concluiu a música enquanto um paciente vizinho morria. Chico Buarque acompanhou a história porque fora visitar um tio e Vinicius. No caso de Samba em prelúdio, também feita em meio a muito uísque, o letrista cismou que o parceiro estava copiando Chopin. Não estava, mas a melodia se assemalhava a uma peça de Villa-Lobos. Isto não impediu de se tornar um dos maiores sucessos dos dois. E ainda há a história de Gente humilde, composição de Garoto, ídolo de Baden, que insistiu para Vinicius criar uma letra. Demorou, mas saiu, e em Roma, ao lado de Chico, que acabou contribuindo com dois versos e virou parceiro de seu compadre. 

    EM BOA COMPANHIA

    A primeira parte da trinca de episódios batizada como "Em boa companhia", dedicada às parcerias de Vinicius, enfoca as músicas feitas com Carlos Lyra. Ele ouvia falar de Vinicius muito antes de conhecê-lo, pois seu pai o tinha como poeta favorito. Tornaram-se grandes amigos e até cúmplices, pois Carlinhos (como era chamado pelo parceiro) concebeu com Vinicius o rapto de Nelita Abreu Rocha, a jovem que se tornou a quinta mulher do poeta e foi levada para Paris com ajuda de Tom Jobim e Fernando Sabino. Em entrevista a João Máximo, Carlos Lyra conta histórias divertidas, mas também se recorda da "melancolia profunda, infinita" do amigo, que às vezes dizia querer "desencarnar". "Quando se apaixonava, era uma festa. Mas, quando se desapaixonava, era um funeral." Músicas de amor e também as políticas são ouvidas.

    No início do programa, outros parceiros como Tom Jobim, Baden Powell, Chico Buarque, Toquinho, Francis Hime, Edu Lobo e João Bosco falam da generosidade de Vinicius e da importância que ele dava às amizades.

    EM BOA COMPANHIA - 2ª PARTE

    Francis Hime poderia ter se tornado engenheiro; Edu Lobo estudava Direito e cogitava ser diplomata; Chico Buarque mirava na arquitetura. Os três tiveram suas rotas de vida definitivamente desviadas para a música graças a Vinicius de Moraes. Os dois primeiros fizeram as primeiras parcerias com o poeta na casa de Olivia Hime, em Petrópolis. Para Chico, Vinicius era presença frequente em sua casa, por causa da amizade com seu pai, Sérgio Buarque de Holanda ("Ele era adorado lá em casa, um herói"). Os três dão depoimentos neste programa, no qual se ouvem algumas das criações que o letrista fez com eles: entre outras, Sem mais adeus e Teresa sabe sambar (com Francis); Só me fez bem e Canto triste (com Edu); Valsinha e Desalento(com Chico).

     

    EM BOA COMPANHIA - 3ª PARTE

    O programa aborda outras parcerias de Vinicius, menos constantes, mas também significativas. O grande amigo Cyro Monteiro, o maestro Moacir Santos (foto), a cantora Alaíde Costa e os jovens (quando conheceram o poeta) João Bosco e Vicente Barreto estão entre elas. Ainda se lembra a história de Bom dia, tristeza, cujos versos foram entregues por Aracy de Almeida a Adoniran Barbosa, que criou a melodia sem conhecer Vinicius, fato raro na vida de um letrista que gostava de compor junto com os parceiros.

    POBRE MENINA RICA

    O musical Pobre menina rica começou a nascer após Vinicius ver um mendigo sodomizando outro e, pouco depois, receber uma leva de melodias de Carlos Lyra em que enxergou um encadeamento. Em maio de 1963, em forma de recital, a história estreou na boate Au Bon Gourmet, no Rio, com Lyra e Nara Leão. Na hora de se gravar o disco, um ano depois, Dulce Nunes foi a cantora, já que Nara estava impedida por questões contratuais. A então pouco conhecida Elis Regina foi vetada por Tom Jobim, que acabou cedendo seu lugar de diretor musical a Radamés Gnattali. Até hoje Pobre menina rica não foi encenada como musical, apenas como recital. Este programa apresentado por João Máximo recupera toda a história, que gerou grandes músicas como Maria MoitaSabe você e A primavera.








    LUZES DA RIBALTA

    Vinicius era apaixonado por Luzes da ribalta, de Charlie Chaplin. Neste programa, é lida a crônica que ele escreveu sobre o filme, que amava mais por sua ligação com o teatro. João Máximo narra aqui os projetos do poeta para os palcos após Orfeu da Conceição. O drama lírico Cordélia e o peregrino nunca foi encenado, assim como o musical Blimp, mas este rendeu a primeira versão de Garota de Ipanema. A adaptação de Jesus Cristo superstar também não foi encenada, ao contrário de Deus lhe pague, espetáculo grande (com Walmor Chagas, Marília Pêra, Marco Nanini e outros) que não foi um sucesso, mas reengatou a parceria entre Vinicius e Edu Lobo.

    O CINEMA DOS MEUS OLHOS

    A paixão de Vinicius de Moraes pelo cinema o levou a se tornar amigo de Orson Welles e ter aulas com Gregg Toland, o cinegrafista de Cidadão Kane. Também escreveu artigos sobre o assunto, reunidos no livro O cinema dos meus olhos. E se tornou parceiro de Pixinguinha, "o ser humano mais admirável" que conheceu na vida. "Meu querido pai", dizia o poeta. Foi para o longa-metragem Sol sobre a lama, de Alex Viany, que Vinicius fez letra para Lamento (antes chamada Lamentos) e os dois compuseram outros temas, como Samba fúnebre. João Máximo fala neste programa dos outros filmes em que Vinicius se envolveu, dos quais saíram canções como Olha, Maria.  

    O BRANCO MAIS PRETO DO BRASIL

    Os afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes não foram um projeto premeditado, racional, mas uma necessidade de ambos seguirem impulsos da sua natureza, ressalta João Máximo neste programa. Vinicius escreveu o poema Blues para Emmet Louis Till em homenagem a um menino assassinado no Alabama e sempre destacou sua afinidade com os sons e os traços culturais africanos. Dizia-se "o branco mais preto do Brasil", como em Samba da benção. Baden, que condensou no violão Rio, Bahia e África, foi o parceiro perfeito.

    RANCHO DAS FLORES

    Vinicius escreveu vários poemas e canções dedicados às flores, sobretudo às rosas. No programa estão Samba da rosaO velho e a rosaO tempo da florFlor da noite e outras músicas, além dos versos de Rosa de Hiroshima recitados. E estão depoimentos de parceiros, como Baden Powell e Toquinho, e mulheres que conviveram com ele, casos de Elizeth Cardoso e Maria Clara Machado. As paixões intensas do poeta, repletas de um ciúme que o levava a bater com uma garrafa na própria cabeça, são relatadas por filhas e mulheres (como Cristina Gurjão, seu sexto casamento) e retratadas em Medo de amar, na voz de Nana Caymmi.

    SAUDADES DO BRASIL

    No momento mais repressivo da ditadura militar, entre o final da década de 1960 e os primeiros anos da de 1970, Vinicius de Moraes ficou muito tempo fora do Brasil. Fazendo shows ou encontrando amigos, esteve na Argentina, na Itália, na França, muito em Portugal (onde fez o fado Saudade do Brasil em Portugal, cantado por Amália Rodrigues). Um tempo de novas experiências e de bastante tristeza e apreensão, como mostram os relatos de Tom Jobim, Chico Buarque, Toquinho e outros a João Máximo. O programa conta com Vincius lendo seu poema Pátria minha.

    POETA, MOÇA E VIOLÃO - 1ª PARTE

    Ao lado do jovem Toquinho, Vinicius de Moraes se descobriu um showman, fazendo turnês, cantando suas músicas, contando histórias no palco, lembra João Máximo neste episódio. Foram dez anos intensos, iniciados na Argentina, com um show (e disco ao vivo) em que a dupla era acompanhada de Maria Creuza. Depois, vieram outras cantoras para compor a trinca "poeta, moça e violão", como Maria Bethânia e Marília Medalha. Toquinho e Vinicius fizeram muito sucesso graças a Como dizia o poetaTarde em Itapoã, Cotidiano nº 2. e muitas outras composições. Tanto sucesso custou ataques por parte da crítica, sobretudo a acadêmica. "Confudiram nosso trabalho com música fácil", diz Toquinho no programa, assumindo que o objetivo deles era mesmo conquistar popularidade com simplicidade. De todas as parcerias, a mais criticada foi A tonga da mironga do kabuletê.

    POETA, MOÇA E VIOLÃO - 2ª PARTE

    Assim como no episódio anterior, Toquinho é o parceiro de Vincius nas histórias vividas na década de 1970, a começar pelos shows com Clara Nunes (na foto, os três juntos). Era uma época em que eles estavam sob a mira da Censura e dos críticos, que condenavam a simplicidade de suas composições. "Eu sempre fui partidário de uma linha mais simples de canção", diz Toquinho em entrevista a João Máximo para o documentário. Mas também viviam em muitas festas, entre risos e mulheres. Ouve-se no programa o poeta recitando sua homenagem a três Pablos mortos em 1973: Picasso, Neruda e Casals. O poema termina com um palavrão contra o "ano assassino". E ele e Toquinho cantam duas músicas que se complementam ao falar de amor e desamor: Regra três e Samba da volta.

    O CARIOCA MAIS BAIANO DO MUNDO

    A afinidade entre Vinicius de Moraes e a Bahia teve seu ápice em 1972, quando o poeta se casou (pela sétima vez) com Gesse Gessy, tendo Jorge Amado e Zélia Gattai como padrinhos, e foi viver em Salvador, enfronhando-se de vez no candomblé. Mas sua porção baiana era antiga, estimulada, por exemplo, pela amizade com Dorival Caymmi. Os dois e as também baianas do Quarteto em Cy realizaram um show de sucesso que ficou um ano e meio em cartaz, tendo estreado em dezembro de 1964 na boate Zum Zum, em Copacabana. Este programa lembra momentos desse show que ficaram clássicos, como os de Vinicius lendo "Carta ao Tom" e "Dia da criação". Anos depois, ele escreveu versos como "a patota de Ipanema não me interessa mais" e deixou (provisoriamente) o Rio. Como sempre, foi atraído por uma paixão, que acabou com muita dor. "Vinicius viveu sob o signo da paixão", resume o parceiro Toquinho em entrevista a João Máximo.

    TELINHA PEQUENA

    Vinicius de Moraes detestava TV, que chamava de "telinha pequena". Mas se acostumou a participar de programas como O fino da bossa. Não gostava de festivais, mas aceitou ter músicas em parceria com Edu Lobo inscritas em dois: em 1965, vencendo com Arrastão, na interpretação de Elis Regina; em 1966, com Canto triste. Ao lado de Toquinho, fez trilhas para novelas, sendo a mais bem-sucedida a de O bem-amado, da qual estão neste programa No colo da serra e Paiol de pólvora. O episódio tem entrevistas com Chico Buarque, Edu Lobo, Baden Powell e Toquinho.

    ARCA DE NOÉ

    Vinicius começou em 1950 a escrever poemas infantis inspirados na Bíblia, principalmente na história da Arca de Noé. Antes mesmo de virar livro, parte dos versos foi musicada por Paulo Soledade, como os de "São Francisco". "O pato" e "O peru". Em 1980, pouco antes de morrer, Vinicius concluiu os temas ao lado de Toquinho, com quem já vinha compondo a trilha. As canções deram origem a dois discos que se tornaram históricos, o primeiro mais bem realizado do que o segundo, como ressalta João Máximo. Neste programa, ouvimos "Corujinha" (com Elis Regina), "O gato" (com Marina), "A foca" (com Alceu Valença) e outras músicas.







    SERENATA DO ADEUS







    Toquinho lembra que Vinicius, às vezes, falava em morte e até em suicídio, contando como poderia se matar: comendo doces na banheira até chegar ao coma diabético. A morte chegou mesmo na banheira, em 9 de julho de 1980, aos 66 anos, mas depois de o poeta já ter sofrido duas isquemias e passar o fim de vida muito enfraquecido. Chico Buarque, Tom Jobim, sua nona mulher, Gilda Mattoso, e seus irmãos lembram a João Máximo, neste programa, os últimos momentos de Vinicius. Carlos Drummond de Andrade exalta o amigo e colega de poesia.

    Fotos, Vídeos, Documentos, Áudios do site Oficial do Vinicius de Moraes: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br

    "Foi o único de nós que teve a vida de poeta", sintetizou Carlos Drummond de Andrade. O mineiro tímido falava com admiração (e um tantinho de inveja) da "independência de espírito" do colega. E parece ser este, curiosamente, o nó central da recepção acadêmica da obra literária de Vinicius: teria ele gastado muito de sua poesia na própria vida e pouco nos livros? 

    Vinicius de Moraes, que completaria cem anos hoje, é ainda pouco estudado e não tem muito espaço na universidade. Teses e livros de análise dedicados aos seus poemas são poucos, segundo poetas e professores ouvidos pela Folha.

    Este deve ser um dos poucos sinais de desdém na trajetória do sedutor Vinicius, ainda mais se levarmos em conta o sucesso mundial de sua carreira na música a partir do final dos anos 1950, com o estouro da bossa nova.

    Victor Rosa, mestrando que prepara dissertação sobre Vinicius, diz que quase não ouviu falar dele durante seu curso de letras na UFRJ. "Costumo dizer que o Vinicius é uma espécie de América [time de futebol]. Tudo mundo tem carinho por ele, mas não tem coragem de torcer."

    A repercussão crítica da obra de Vinicius ganhou impulso nos últimos anos, quando a Companhia das Letras passou a reeditar seus livros, com organização do também poeta Eucanaã Ferraz.

    "Durante muito tempo a universidade esnobou Vinicius, mas ele não precisou dela para se firmar entre os leitores", diz Ferraz. "Suas músicas angariaram novos leitores para a poesia. Hoje há um novo olhar para a obra dele."

    A carreira literária de Vinicius de Moraes teve uma trajetória curiosa. Seus primeiros livros, "O Caminho para a Distância" (1933) e "Forma e Exegese" (1935), depois renegados por ele, trazem versos com feição simbolista, de religiosidade opressiva e tom grandiloquente.

    A grande virada começa a partir dos anos 1940, quando a sensação de culpa do poeta sai de cena e ganham espaço o erotismo, um ambiente solar e a ode às mulheres.

    É a grande fase de Vinicius, com os célebres sonetos de "Poemas, Sonetos e Baladas" (1946) e "Novos Poemas (II)" (1959). Depois disso, seu foco passa a ser a música e a produção em poesia diminui.

    "O sucesso com as canções obscureceu o lado poeta. Mas sinto que isso está mudando. Vinicius é o maior sonetista do Brasil, não deve nada aos grandes da língua portuguesa", diz o poeta e tradutor Paulo Henriques Britto.

    'FÁCIL DE FAZER'

    José Castello conta que escreveu a biografia "Vinicius de Moraes - O Poeta da Paixão" (1994) para lutar contra o estigma de "poetinha" associado a ele. "Há um desprezo grande pelo lirismo de Vinicius, como se fosse algo menor, fácil de fazer. Ficou a imagem de um show man, um homem cercado por belas mulheres, o que acabou prejudicando a avaliação do real tamanho de suas poesias."

    Já o professor de literatura brasileira da USP Alcides Villaça diz que Vinicius ainda não foi compreendido de forma integral. "Ele é o poetinha, mas ao mesmo tempo tem um verso que diz 'poeta sou altíssimo'. Ele está nessas duas partes e em tudo o que está no meio disso."
    MARCO RODRIGO ALMEIDA
    FOLHA DE SÃO PAULO