Hoje minha filha Maria Eduarda Carrilho numa longa conversa de vídeo pelo telefone me confessou algo que no fundo eu já pressentia. Sim, meus pressentimentos de mãe se concretizaram hoje... deu o sinal que é possível que se torne realidade o que já havia pensado, sentido, comentado com os meus amigos e amigas mais próximas. Não mudará nada para mim... pelo contrário, apoiarei ainda mais neste mundo cheio de ódio e preconceito. Amo e me solidarizo com com sua vida seja qual seja suas escolhas. Sou sua mãe e estarei com ela além desta vida finita. Amor eternum.
Há 25 anos morria Gonzaguinha - faz muita falta!!! Sempre que eu o ouço me reporto à adolescência (1990...)no Clube da minha cidade, EOC - Estrela do Oeste Clube. Muitas boas lembranças com risos largos, piscina "...lindo lago do amor...", carnaval "Viver e não ter vergonha de ser feliz, acredito na rapaziada...", "sempre desejada por mais que esteja errada...", bailes "... a gente quer carinho e atenção...", etc. Quantas saudades... dos beijos, amigos e amigas curtido a vida. Tempos alegres dos quais fui feliz, ainda não tinha conhecido a dor. Roberta Carrilho
Filho de um famoso cantor e compositor, Luiz Gonzaga Nascimento Filho, Gonzaguinha, nasceu no dia 22 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro. A mãe, Odiléia, era uma cantora e dançarina que morreu de tuberculose, com 22 anos de idade, deixando Gonzaguinha órfão aos dois anos de vida. Diante da dificuldade de criá-lo, o pai, Luiz Gonzaga, entregou o filho aos padrinhos, Se o Xavier e Dona Dina. Na infância, ele viveu no morro de São Carlos, onde conviveu com a miséria, a falta de infraestrutura e todas as adversidades que existem numa favela. Aos 16 anos, Gonzaguinha voltou a morar com o pai para dar continuidade aos estudos. Entretanto, as desavenças com a madrasta, fizeram com que o adolescente fosse encaminhado para um colégio interno. Os estudos o levaram à Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Durante as aulas, na faculdade, encontrou outros músicos novatos. Nesse período fez parte do Movimento Artístico Universitário (MAU) junto com Ivan Lins, Dominguinhos, Aldir Blanc e César Costa Filho. Gonzaguinha participava de festivais e já começava a despontar pelas letras com forte teor social. Aliás, as letras provocativas era uma marca da carreira do cantor e compositor, que frequentemente driblava a censura da época. Em algumas oportunidades, recebeu advertência da censura e muitas críticas pelo tom irônico e agressivo que usava nas músicas. Porém, graças as polêmicas, Gonzaguinha conseguiu iniciar uma carreira de sucesso. No ano de 1976, mais calmo e com um perfil diferente nas letras escritas por ele, o cantor lançou o disco “ Começaria Tudo Outra Vez” onde conseguiu o sucesso entre as massas. A partir daí se consolidou como compositor sendo gravado por cantoras como Elis Regina, Simone e Maria Bethânia. O fim da carreira e da vida do artista aconteceu logo após a uma apresentação feita em Pato Branco, quando passava entre os municípios de Renascença e Marmeleiro, num trágico acidente automobilístico em 29 de abril de 1991, portanto há 25 anos. Chegada no acidente O último show de Gonzaguinha foi em Pato Branco, no Clube Pinheiros, no domingo, dia 28 de abril de 1991. Na manhã seguinte, logo cedo, Gonzaguinha acompanhado do empresário Renato Manoel Duarte e Aristides Pereira da Silva seguiram de carro, rumo à Foz do Iguaçu, onde pegariam o avião para Florianópolis. No trecho da PRC 280 entre Renascença e Marmeleiro o Monza bordô, conduzido por Gonzaguinha colidiu contra uma camionete Ford F4000. A ocorrência foi prontamente atendida pela Polícia Rodoviária Estadual. Na ocasião o odontólogo, Eduardo Scirea, atual vice-prefeito de Francisco Beltrão, seguia para o consultório que tinha em Renascença e visualizou o acidente, próximo da passarela da cidade. “o carro estava em alta velocidade, o Gonzaguinha estava com pressa, e a caminhonete entrou no asfalto naquele momento e acabou batendo” recordou Scirea. Como curioso, parou para ver o que estava acontecendo e não sabia que estava prestes a testemunhar o acidente que vitimou fatalmente um ídolo da música brasileira. Ontem, Scirea contou a história para o repórter Ademir Augusto, da Rádio Onda Sul FM. “eu não vi o corpo do Gonzaguinha, ele recém tinha saído com uma Pampa marrom. Lembro muito bem, que eu não consegui ver o corpo, mas eu vi a Pampa saindo e sei que o corpo estava dentro, já sem vida se deslocando. Sei que passou pelo hospital de Marmeleiro, depois fiquei sabendo, que tinham levado até a Policlínica. Foi por causa dos policiais rodoviários que pediram para ver a pochete do Gonzaguinha, aquelas de cintura, que eu acompanhei como uma testemunha, e ai vi a identidade dele. Eu me lembro também que contamos 19 notas, não sei se era cruzeiro ou real naquela época, de um real, e aí eu tive certeza, esse aqui, que estava morto, era o Gonzaguinha. No outro dia, inclusive, a foto do Jacir Walter estava estampada no JdeB. Após a confirmação liguei imediatamente para a rádio Educadora AM e Princesa AM para dar a notícia da morte do Gonzaguinha”, comentou Scirea. Última entrevista de rádio em Francisco Beltrão Gonzaguinha fez uma turnê de shows pelos Oeste e Sudoeste do Paraná. A maratona de shows começou em Foz do Iguaçu, depois passou por Cascavel, Francisco Beltrão e Pato Branco. Na quinta-feira, antes do acidente, Gonzaguinha se apresentou no anfiteatro da Facibel, atual Unioeste, com capacidade máxima de público presente no local. Mais cedo, à tarde, ele, acompanhado do empresário, foi aos estúdios da Rádio Continental FM. Lá, Gonzaguinha foi entrevistado pelo comunicador Adair De Toni, hoje diretor da Rádio Onda Sul FM. De Toni disse que lembra pouco das perguntas que fez, e das respostas do cantor. “Lamento não ter guardado um arquivo da entrevista, mas também, nunca imaginei que pudesse ser algo histórico. Lamentei a morte do artista, mas guardo pra mim, ter sido, possivelmente, o último radialista de Francisco Beltrão a ter entrevistá-lo”, finalizou.