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sábado, 2 de junho de 2018

20 LIVROS DE ROMANCE QUE VÃO MEXER COM SUAS EMOÇÕES


Estilo de literatura que eu mais gosto de ler. Eu sinto prazer e me envolvo nas tramas, nos dramas e na história em si. Eu fico muito envolvida e me faz muito bem à alma. Adoroooo
Roberta Carrilho


20. O Visconde que me Amava (The Bridgertons #2)


Autora: Julia Quinn
Este é o segundo livro da série Os Bridgertons, escrito pela autora considerada a "Jane Austen contemporânea"
Em O Visconde que me Amava, Quinn narra o conflito e desejo entre Anthony Bridgerton, um charmoso visconde, e Kate, irmã mais velha de Edwina Sheffield, uma debutante bela que é inicialmente desejada por Anthony.
Mesmo achando Kate a mulher mais intrometida dos salões londrinos, Anthony começa a se apaixonar pela jovem. Ao mesmo tempo, Kate acha o visconde um grande libertino, mas também descobre ser um homem muito honesto e gentil... 
Já dá para perceber o que vai acontecer ou está difícil? Os Bridgertons é uma das séries mais aclamadas entre os fãs de literatura romântica. Se você gosta do gênero, então vale a pena conferir!


19. A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars)


Autor: John Green
Publicado em 2012, A Culpa é das Estrelas é um dos livros de romance YA que mais teve hype nos últimos tempos. O sucesso foi tanto que não demorou para sair uma versão cinematográfica da obra de Green.
O enredo conta a história de Hazel, uma jovem de 16 anos que desde os 13 luta contra um câncer. A jovem passava os seus (poucos) dias de vida sem viver grandes emoções, até que conhece Augustus, um rapaz que perdeu uma das pernas devido a uma doença. 
Juntos, Hazel e Gus enfrentam os terrores do câncer com um senso de humor ácido e bastante peculiar. A Culpa é das Estrelas é um livro lindo e que vai conquistar o seu coração, sem dúvidas!


18. Anna e o Beijo Francês (Anna and the French Kiss)


Autora: Stephanie Perkins
Um romance juvenil que tem deixado muita gente apaixonada! 
O livro conta a história de Anna, a filha de um famoso escritor, que é mandada por seu pai para um internato em Paris. Frustrada, pois foi forçada a se separar de seus amigos e um "quase" namorado, Anna acaba por conhecer o jovem e belo Étienne St. Clair. 
Não demora muito para os sentimentos entre ambos começarem a fervilhar. Os dois tinham tudo para viver uma apaixonante história de amor, se não fosse por um pequeno detalhe... Qual será? Se você está curioso(a) e gosta de romances juvenis, então não vai se decepcionar com Anna e o Beijo Francês!

17. Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy)


Autor: David Levithan
Um romance Jovem Adulto rodeado com uma aura de comédia romântica. Este é o espírito de Garoto Encontra Garoto, uma história que tem como pano de fundo os relacionamentos homossexuais, além de trazer reflexões importantes sobre o preconceito, a discriminação e as inseguranças.
O livro fala sobre Paul, um jovem que estuda numa escola muito legal - as líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, entre outras coisinhas - onde conhece e se apaixona por Noah, o rapaz dos seus sonhos.
Será que Paul conseguirá conquistar o seu amado enquanto enfrenta os vários problemas que atravessam o seu caminho?

16. Eleanor & Park


Autora: Rainbow Rowell
Uma história sobre o primeiro amor, que é puro, desesperador e, ao mesmo tempo, dono de uma esperança inigualável.
Park é um jovem geek que adora música e HQ's, enquanto que Eleanor, sua vizinha, adora usar roupas "estranhas" e colecionar seus quadrinhos de X-Men e Watchman. Após se encontrarem no ônibus da escola, passam a compartilhar as suas paixões e, inevitavelmente, o amor começa a brotar em seus corações - ao som de Smiths e The Cure.
Este é um livro lindo! Se você está a procura de um bom romance YA, não perca tempo e leia Eleanor & Park.

15. Como Eu Era Antes de Você (Me Before You)


Autora: Jojo Moyes
Não apenas uma história de amor, mas uma lição de vida sobre como mesmo nos piores pesadelos estão escondidos tesouros preciosos!
Moyes conta a história de Louisa e Will. Ela é uma jovem ambiciosa e cheia de sonhos. Ele é um ex-esportista que ficou tetraplégico, vivendo agora com um constante mau-humor e frustração. Louisa passa a cuidar de Will e mostra para o rapaz que a vida ainda tem muito o que lhe oferecer.
Como Eu Era Antes de Você também é conhecido por tratar de um assunto muito polêmico, motivo de muitos choros no final do livro, com certeza.

14. A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista
 (The Statistical Probability of Love ar First Sight)


Autora: Jennifer E. Smith
O amor, diferente das bagagens, nunca se extravia. Talvez este seja o resumo perfeito para este romance jovem adulto que conquistou leitores de várias idades.
A história conta como quatro minutos podem ser decisivos para mudar totalmente a vida de uma pessoa... Ou de duas, neste caso. Após um atraso em seu voo, Hadley conhece Oliver, um jovem e simpático britânico que passa a acompanhar a menina durante a sua viagem para Londres. 
Toda a narrativa se passa em apenas 24 horas e vai te mostrar de uma vez por todas que o tempo é mesmo relativo.

13. O Diário de Suzana para Nicolas (Suzanne's Diary for Nicholas)


Autor: James Patterson
Depois de um ano de namoro, Matt decide romper o seu relacionamento - aparentemente perfeito - com Katie. Sem entender, a jovem sofre com o fim repentino da relação. Mas as suas dúvidas estão prestes a ser respondidas... Ou quase.
Katie encontra na porta de sua casa um caderno deixado por Matt, com o título: "Diário de Suzana para Nicolas". A jovem então descobre que Suzana é mãe de Nicolas e Matt o seu pai. 
Confusa com as revelações que o diário vai trazendo a tona, Katie terá que juntar forças para conseguir entender o que aconteceu com o seu relacionamento através das páginas escritas por outra mulher.

12. Simplesmente Acontece (When Rainbows End)


Autora: Cecelia Ahern
Após P.S: Eu Te Amo, este talvez seja o livro mais aclamado da autora. Em Simplesmente Acontece, Ahern mostra que quando estamos destinados a estar com determinada pessoa, não importa a distância ou os obstáculos impostos ao longo da vida... O amor "simplesmente acontece"!
A obra de Cecelia foi adaptada para o cinema em 2014, com direção de Christian Ditter.

11. Água para Elefantes (Water for Elephants)


Autora: Sara Gruen
Um romance histórico publicado inicialmente em 2006 e que conta a história de Jacob Jankowski e suas aventuras pelo "Esquadrão Voador do Circo Irmãos Benzini - O Maior Espetáculo da Terra".
A narração do livro é feita em forma de memórias, mostrando um Jacob com 93 anos e que vive num lar de idosos, desde a morte de sua esposa. O ex-tratador de animais conta como se apaixonou por Marlena e o carinho especial que ambos sentiam por Rosie, uma elefanta que cria uma ligação única entre o casal. Mas, como é de se esperar, nada seria fácil para Jacob, Marlena e mesmo Rosie... 
Esta magistral obra foi adaptada para o cinema, com direção de Francis Lawrence

10. P.S: Eu Te Amo (P.S: I Love You)


Autora: Cecelia Ahern
Outra obra de Ahern que conquistou os corações de milhões de leitores ao redor do mundo. P.S: Eu Te Amo conta a história de Gerry e Holly, um casal apaixonado desde a infância e que tinham tudo para ficarem juntos para sempre, se não fosse o destino... 
Gerry morre e Holly fica devastada, mas mesmo depois de morto, o rapaz tem um papel decisivo para que a jovem consiga seguir com a sua vida.
Enfim, o livro (e o filme) dispensam palavras. Se você ainda não assistiu e não se importa em chorar um pouquinho (lê-se "litros"), então não deixe P.S: Eu Te Amo de fora da sua lista!

9. O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights)


Autora: Emily Brontë (Ellis Bell).
Este é considerado um dos livros mais importantes da literatura inglesa e um clássico mundial, lançado inicialmente em 1847, sendo neste período alvo de muitas críticas.
A história se passa entre os membros das casas da Granja da Cruz dos Tordos e do Morro dos Ventos Uivantes. Heathcliff é um jovem órfão que foi adotado pela família Earnshaw. Odiado por Hidley e apaixonado por Catherine, seus novos "irmãos", Heathcliff passa por muitas humilhações e decepções quando os seus pais adotivos morrem.
Difícil não deixar as lágrimas caírem com o desenrolar da historia de amor entre Heathcliff e Cathy, marcada principalmente pela vingança.

8. Um Dia (One Day)


Autor: David Nicholls
A premissa deste livro é muito interessante, pois toda a história de Emma e Dexter é contada apenas levando em consideração um único dia do ano: 15 de julho. 
E tudo começa em 15 de julho de 1988, quando os dois se conhecem e decidem mudar o rumo de suas vida em prol deste amor. Mas, como vamos acompanhando ao longo dos anos, nem tudo são rosas... 
Muitas brigas, decepções, perdas e lágrimas acompanham o casal ao longo de 20 anos, até que finalmente conseguem encontrar o verdadeiro significado por trás do 15 de julho e, consequentemente, acertar as contas com o amor.
O livro ganhou um hype em 2011 quando foi adaptado para os cinemas, com direção de Lone Scherfig, e Anne Hathaway no papel de Emma, e Jim Sturgess como Dexter.

7. A Mulher do Viajante no Tempo (The Time Traveler's Wife)


Autora: Audrey Niffenegger
Este é um romance com o pé na ficção-científica, mistura esta que fez de A Mulher do Viajante no Tempo um dos bestsellers mais aclamados nos Estados Unidos e Reino Unido.
A história é uma grande metáfora sobre relacionamentos e, principalmente, as perdas provocadas pelo fim das relações. Como representação deste cenário, Niffenegger narra as experiências de uma mulher casada com um homem dotado com o poder de viajar no tempo. Como o marido não controla o seu dom, está constantemente ausente, fazendo com que a esposa tenha que enfrentar constantemente a ausência do parceiro. 
Esta obra é uma das sugestões mais interessantes para quem busca um romance mais... inusitado.

6. Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)


Autora: Jane Austen
Outro grande clássico da literatura que, mesmo após dois séculos (lançado inicialmente em 1813), mantém-se como um dos livros mais vendidos do mundo!
Austen nos apresenta Elizabeth Bennet e todos os problemas que a jovem enfrenta, principalmente por não aceitar o padrão machista e patriarcal imposta pela sociedade naquela época - início do século XIX, na Inglaterra.
Em meio a todos esses conflitos, Liz Bennet conhece o sedutor, inteligente e "orgulhoso" Sr. Darcy, com o qual começa a nutrir uma forte paixão, mesmo em meio a "tapas e beijos". 
Quando se trata de Liz e Darcy, prepare-se para uma montanha-russa de emoções. Eita casalzinho com altos e baixos, viu... Este é (com certeza) um romance que não pode ficar de fora da sua lista!

5. Olhai os Lírios do Campo


Autor: Érico Veríssimo
A felicidade versus a segurança, o que é mais importante para você? Este é o tema central desta obra icônica da literatura brasileira, uma reflexão sobre os verdadeiros valores da vida. 
O livro narra a história de Eugênio Fontes, um jovem estudante de medicina que se apaixona por Olívia, mas vira às costas para o seu verdadeiro amor e casa-se com Eunice, uma mulher rica e capaz de lhe dar a estabilidade que sempre sonhou.
Este livro vai além do romance, mas também nos obriga a refletir sobre as escolhas e as importâncias que damos a certas coisas ao longo da vida. O tempo não volta... Pense nisso.

4. A Moreninha


Autor: Joaquim Manuel de Macedo
Outro clássico da literatura nacional! Publicado inicialmente em 1844, A Moreninha é tido como o primeiro romance que retratou a sociedade burguesa brasileira da época, em especial a carioca.
Esta é a história de amor entre Augusto e Carolina (a Moreninha). O rapaz é um estudante de medicina que, junto com os seus amigos, vai passar o feriado na ilha de Paquetá e é desafiado por Filipe (um dos seus amigos) a participar de uma aposta: quem se apaixonasse por uma das meninas enquanto estivesse na ilha, teria que escrever um romance sobre. 
Já dá para imaginar o que acontecer, certo? Augusto não tira Carolina da cabeça, mas vê os seus desejos reprimidos por uma antiga promessa que havia feito ainda durante a infância.
A Moreninha é um livro lindo e que vai fazer o coração dos apaixonados por obras românticas bater mais forte!

3. Middlemarch: um estudo da vida provinciana (Middlemarch: A Study of Provincial Life)


Autora: George Eliot.
George Eliot é na realidade pseudônimo de Mary Anne Evans, romancista britânica, que em Middlemarch conta diversas histórias paralelas, porém todas interligadas sob algum aspecto. 
Além dos relacionamentos amorosos, Eliot inclui nesta obra vários temas delicados e subliminares, como o casamento, a religião, a hipocrisia, a educação, o papel da mulher na sociedade, etc.
E só para dar o tom da importância desta obra, a própria Virginia Woolf disse que Middlemarch era "um dos poucos romances ingleses escritos para gente grande".

2. Jane Eyre


Autora: Charlotte Brontë
Outra clássica obra da família Brontë (Charlotte é irmã de Emily, autora de O Morro dos Ventos Uivantes), considerada uma das mais expressivas do chamado "Romance de Formação".
A narrativa conta a história de Jane Eyre, uma jovem que apenas encontra a felicidade quando é mandada para uma escola, local onde passa a trabalhar como professora, posteriormente. 
A mulher acaba conhecendo Edward Rochester, o pai de uma de suas alunas. Os dois se apaixonam e decidem se casar. Tudo ia bem até que Jane descobre (no dia do seu próprio casamento) que o seu noivo já era um homem casado. 
A partir de então a história toma um rumo que o leitor não está a espera. Dramatismo, sofrimento, recompensa e redenção são alguns dos elementos-chave desta obra, que é interpretada como uma excelente crítica social.

1. Anna Karenina


Autor: Liev Tolstói
Simplesmente uma das obras mais icônicas da literatura russa! A história de Anna Karenina começou a ser publicada em 1875, na revista Ruskii Véstnik, mas somente ganhou uma versão integral e definitiva em 1877.
A protagonista que dá nome ao título do livro é uma jovem aristocrata que tem "tudo", beleza, riqueza, popularidade, um filho amado e um marido. Mas, Anna Karenina vive uma vida vazia, sem sentimentos. Isso muda quando conhece o Conde de Vronsky, com o qual começa a ter uma relação extra-conjugal.
Anna Karenina também tem um dos começos mais famosos da literatura mundial: "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua própria maneira".


terça-feira, 29 de novembro de 2016

CARTA ABERTA A FHC QUE MERECE IR PARA OS LIVROS DE HISTÓRIA por Theotonio dos Santos

Uma das manifestações públicas mais demolidoras da nossa história política recente
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil


Segue uma Carta Aberta de Theotonio dos Santos, economista, cientista político e um dos formuladores da Teoria da Dependência. Hoje é um dos principais expoentes da Teoria do Sistema Mundo. Mestre em Ciência Política pela UnB e doutor “notório saber” pela UFMG e pela UFF. Coordenador da cátedra e rede UNU-UNESCO de Economia Global e Desenvolvimento sustentável – REGGEN.

Meu caro Fernando,

Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960.

A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete contudo este debate teórico. Esta carta assinada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população.

Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000). Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta. O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartilhar com vocêEm primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação.

Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada país apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário. No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos.

TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”.

ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese? Conclusões: O plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.

Segundo mito – Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.

E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. Um governo que chegou a pagar 50% ao ano de juros por seus títulos para, em seguida, depositar os investimentos vindos do exterior em moeda forte a juros nominais de 3 a 4%, não pode fugir do fato de que criou uma dívida colossal só para atrair capitais do exterior para cobrir os déficits comerciais colossais gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação, agravada ainda mais pelos juros absurdos que pagava para cobrir o déficit que gerava.

Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou drasticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. Vergonha, Fernando. Muita vergonha. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identificar com o seu governo…te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.

Terceiro mito – Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição os 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID.

Tudo isto sem nenhuma garantia. Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em consequência deste fracasso colossal de sua política macroeconômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações.

A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONÔMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar… Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este país.

Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso fazê-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entrou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional.

Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente. Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o verdadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista.

E dessa política vocês estão fora. Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês (e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a frequentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.

Com a melhor disposição possível, mas com amor à verdade, me despeço.


domingo, 28 de agosto de 2016

AS SEMELHANÇAS ENTRE O GOLPE DE 2016 NO BRASIL E O GOLPE NAZISTA DE 1933



Hitler deu um golpe inteiramente "legal" em 1933, através de uma votação no Parlamento, com o apoio da classe média alta. Naqueles idos, na Alemanha, rasgou-se a Constituição "legalmente". Se olharmos os métodos do Brasil em 2016, como se parecem...

Golpe encabeçado por Hitler na Alemanha em 1933 se assemelha muito ao processo que ocorre no Brasil em 2016

Muito se tem escrito, contra e a favor, sobre semelhanças e diferenças entre o golpe nazista de 1933 e o que hoje está em curso no Brasil. 

Bom, vamos começar por alguns personagens principais. Ninguém de bom senso vai comparar o tacanho e tragicômico Michel Temer com o trágico e sinistro Adolf Hitler. Nem um nem outro merecem tanto. Aquele, “do lar”, este, bem, também era “do lar”, abstêmio, vegetariano, fiel pelo que se sabe, mas, de qualquer modo e por exemplo, os penteados eram completamente diferentes. Além disto, Hitler ficou no poder durante doze anos, de 33 a 45, digamos. Temer não ficará tanto. No Inferno de Dante Hitler estaria na boca de Lúcifer, mascado com os grandes traidores da história. Onde estará Temer? Provavelmente na porta do Inferno. Nem lá ele será admitido. Na porta, sem direito nem a meia-entrada, estão os que carecem até mesmo de um forte caráter pecador. Para alegria dos pós-modernos, estão no não-lugar universal e eterno. 

Também ninguém vai comparar o grotesco Cunha ao também grotesco Göring, que foi quem presidiu a sessão do Reichstag que começou o golpe de estado nazista em 23 de março de 1933. Se estivessem num romance de Dostoyevski, ambos seriam qualificados como psicopatas. Mas não esteve um, nem está o outro. Vamos aguardar para ver como a história qualificará o mais recente deles. Boa coisa não será. 

Agora, se olharmos os métodos, como se parecem! 

Em primeiro lugar, Hitler deu aquilo que a revista alemã qualificou, em relação ao Brasil, um “kalter Putsch”, um “golpe frio”, ou “branco”, na nossa tradição. Foi um golpe inteiramente “legal”, através de uma votação no Bundestag, o Parlamento, depois confirmado pelo Bundesrat, que equivaleria ao nosso Senado (como deve acontecer), assinado pelo presidente von Hindenburg, e largamente deixado correr ou apoiado pelo Judiciário. 

O golpe ganhou o nome histórico de “Ermächtigungsgesetz”, que poderia ser traduzido por “Lei de Empoderamento”. Era muito breve, como o nosso Ato 5: tinha um preâmbulo de algumas linhas e cinco artigos. Em essência, dizia que o Gabinete Executivo – presidido por Hitler – tinha poderes para decretar leis sem aprova-las no Parlamento, e que estas leis estariam acima da Constituição, que não poderia ser invocada para contestá-las. Dizia que a exceção se referia ao Bundestag e ao Bundesrat, coisa que, evidentemente, foi desrespeitada depois. Ou seja, como hoje no Brasil, rasgava-se a Constituição “legalmente”, e abria-se o período de exceção, diante de uma pequena burguesia (hoje diríamos alta classe média) gessificada pelo medo da ascenção dos “debaixo”. Mas tanto lá como hoje, nesta classe média isto não era unânime, diga-se de passagem. Por isto a repressão que se seguiu foi generalizada. E hoje, não será? 

Mas houve também o processo de votação. Como o nosso presidente da Câmara, Göring se dedicou a criar regras próprias para a votação. Depois do incêndio do Reichstag, no final de fevereiro de 1933, Hitler desejou que na nova votação que haveria no começo de março ele tivesse assegurada uma maioria absoluta no Bundestag. Isto não aconteceu. O Partido Nacional-Socialista precisava ainda do apoio de partidos de coalizão (basicamente o Partido do Centro, católico – parecido com os evangélicos de hoje – e o Partido Nacional do Povo Alemão, coligado com os nazistas. Por isto os nazis decidiram adotar o caminho da Lei do Empoderamento, para prescindirem deste apoio futuramente. E os outros morderam a isca. 

Mas houve mais. A Constituição alemã previa que para uma votação destas, que a modificava, era necessária a presença de dois terços dos deputados, ou seja, 432 dos 584 membros. Para vencer esta dificuldade, Göring inventou uma nova conta. Como os comunistas tinham sido acusados pelo recente incêndio do prédio do Reichstag (o Parlmento se reunia num teatro, a Casa da Ópera Kroll), os deputados do KDP (Kommunist Deutsche Partei) tinham sido presos, banidos, ou estavam foragidos. Assim Góring simplesmente descontou os 81 que eles eram da soma geral, e o quorum ficou reduzido a 378. Boa matemática, não? 

Além disto, Göring abriu as portas do Parlamento aos Nazisturmabtellung, os SA, Camisas-Pardas (que depois seriam sacrificados para ratificar o poder dos SS). Hoje, no Brasil, não há SA, mas há as tratativas entre a presidência da Câmara e a Rede Globo, fazendo a votação no domingo, com esta mudando horários de jogos… enfim, cada momento tem a SA que pode e merece. 

O processo de votação foi uma farsa. Estaremos falando de 1933 ou de 2016? Tanto faz. Aquele não foi transmitido pela TV, porque TV não havia, pelo menos na escala de hoje. O de hoje foi, para vergonha dos deputados perante o mundo inteiro. Vários deputados do SPD tinham sido presos, ou já haviam fugido para o exterior. Mas o inventivo Göring criou uma nova cláusula, ad hoc: deputados que não comparecessem, mas que não tivessem apresentado uma justificativa por escrito, deviam ser contados como presentes, para para garantir o quorum. (Lembram da alegação de um um deputado pró-impeachment que os deputados ausentes teriam de apresentar atestado médico?). 

Bom, na sessão, apenas o líder do que restava do SPD, Otto Wels, que terminaria morrendo exilado na França antes da ocupação, falou contra a nova Lei. Os outros discursos foram acachapantemente ridículos (alguma coincidência será mera semelhança?). Bom, ninguém invocou a mãezinha ou o vizinho, mas saíram coisas como a Pátria e a Ordem. Resultado: 444 a favor da nova lei, 94 contra, todos estes do SPD. 

Um detalhe muito interessante: Hitler negociara com Ludwig Kaas, o líder católico, que respeitaria o direito da Igreja e os funcionários católicos nos cargos de Estado, além das escolas. No dia seguinte ao da votação, que foi logo aprovada no Bundesrat e assinada por Hindenburg, Ludwig Kaas foi despachado para o Vaticano para explicar a nova situação ao então Cardeal Pacelli, futuro Papa Pio XII, de triste memória (alguma semelhança com a viagem do ex-companheiro Mateus, hoje senador Aloysio Nunes Ferreira, despachado aos States logo depois da votação na Câmara?) Ele cumpriu a missão religiosamente, como o Mateus. Porém, Hitler lhe prometera (a Kaas) uma carta com as garantias. Ela nunca foi entregue. 

Satisfeitas e satisfeitos? É, mas tem mais… 

Porque ainda resta o triste papel do Judiciário. Em primeiro lugar, juízes alemães legalizaram a perseguição aos comunistas porque eram “traidores” incendiários do Reichstag. Depois, fizeram vista grossa para as demais perseguições que vieram. Quando não apoiaram. Deve-se lembrar que quem inaugurou a queima de livros em 10 de maio de 1933, na hoje Bebelplatz, foi o diretor da Faculdade de Direito, ao lado, trazendo uma braçada de livros “degenerados” da sua biblioteca. 

Hitler acusou um comunista holandês, Marinus Van der Lubbe, e mais quatro outros militantes búlgaros pelo incêndio, que ocorreu em fevereiro de 1933, alguns dias antes da eleição de março. Eles foram levados a julgamento no segundo semestre de 1933. Lubbe foi réu confesso – sabe-se lá como sua confissão foi obtida, mas pode-se julgar pela declaração em juízo de um dos outros acusados, Georgi Dimitrov, de que passara sete meses acorrentado em sua cela, dia e noite. Bem, a gente pode pensar numa justificativa: naquela época não havia delação premiada… Era pancadaria mesmo. Os outros quatro foram absolvidos por falta de provas, mas Lubbe foi condenado à morte e executado no começo de 1934. 

Farsa? Sim, mas o pior vem depois. 

Em 1967 um juiz da Alemanha Ocidental, na reabertura do processo promovida pelo irmão do condenado, Jan, “comutou” a pena de van der Lubbe de condenação à morte para 8 anos de prisão (!), quando o réu já estava, bem, digamos, no outro mundo. Em 1980, novo julgamento anulou a decisão de 1933 e de 1967. Mas em 1983 nova decisão anulou a de 1980, a pedido do… Ministério Público (!). O caso só foi resolvido definitivamente em 06 de dezembro de 2007 (!), 71 anos depois da decisão original, quando o equivalente ao nosso Promotor Geral da República proclamou “o perdão” de van der Lubbe, com base em uma lei de 1998 que declarara todas os julgamentos da época do nazismo juridicamente nulos. 

Até hoje as alegações de que o incêndio foi provocado pelos próprios nazistas para começar sua série interminável de desmandos nunca foi oficialmente investigada. É um bom exemplo para quem acha que o caso das omissões e vagarosidade do Judiciário brasileiro é algo único na história. 

Depois deste exercício de história comparada, que as leitoras e os leitores tirem suas próprias conclusões.

PASSO A PASSO DO GOLPE DE HITLER: 

— A classe média e a alta burguesia 


— A plutocracia


— Maioria parlamentar


— Desunião das esquerdas



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